Morte | Conceitos Etimológicos sobre a Morte

Morte | Conceitos Etimológicos sobre a Morte

#Morte | Conceitos Etimológicos sobre a MorteMorte, do ponto de vista físico, é o que ocorre quando cessa a vida de um indivíduo, seja por causas naturais, como velhice ou alterações funcionais devidas ao desgaste dos tecidos e órgãos, seja por motivos acidentais e causas externas. Na morte rompe-se o equilíbrio biológico e físico indispensável à manutenção da vida.

O único fenômeno que desperta no homem igual ou maior interesse que a vida humana é, possivelmente, a extinção da própria vida. Pelo que envolve de inelutável, trágico e misterioso, a morte é objeto de estudo da medicina, da psicologia, da filosofia e da antropologia.


Na natureza, vida e morte estão indissoluvelmente unidas, pois a primeira é condição para a segunda. Além disso, a vida de alguns seres depende da morte de outros, numa complexa cadeia de ações interdependentes em que alguns organismos se alimentam de outros para obter a matéria e a energia de que necessitam. Na cadeia natural da vida, a própria evolução das espécies depende da morte.

Em filosofia, a morte ou a consciência da morte é tema de reflexão sobre o homem e a existência. Do ponto de vista da antropologia social, o fenômeno inevitável da morte é estudado em suas representações nas diferentes sociedades. Por meio da comparação sistemática, verifica-se como as várias sociedades humanas classificam e absorvem o fato de que, periodicamente, alguns de seus membros desaparecem. Na morte, manifesta-se o problema do desaparecimento do corpo físico, do indivíduo e também de sua própria vida social. É preciso que se cuide não só de dar lugar a um corpo - transformado em objeto inerte - por motivos práticos, como também é necessário que se restabeleça uma continuidade na vida social momentaneamente interrompida.

No funeral, a coletividade manifesta as diferenças de significado entre, por exemplo, a morte de um chefe de família, considerado um ser social completo, e a de uma criança na primeira infância, quando ainda não se constituiu em representante completo de seu grupo social, que nela apenas havia começado a investir. Por meio dos rituais, o grupo reorganiza suas relações e encontra um momento para refletir sobre as próprias convenções e sua finitude.

As religiões que separam o corpo da alma, com isso, visam à imortalidade. De outra maneira, busca-se a imortalidade de figuras políticas importantes ao dar seus nomes a ruas e praças. Para imortalizar um membro de uma coletividade, escolhe-se como referência uma das máscaras sociais desse indivíduo, geralmente a que teve maiores consequências para o grupo ao qual pertenceu. Reduzem-se, assim, todos os papéis sociais desempenhados pelo indivíduo a somente aquele que foi mais importante do ponto de vista público. Machado de Assis, por exemplo, é cultuado como escritor, e não como marido ou funcionário, numa relação em que o homem e o papel público que desempenhou se identificam de maneira quase absoluta. A imortalidade, desse modo, concilia num plano sociológico (ou simbólico) a morte do corpo (que ameaça todo o grupo social) com a sobrevivência e a perpetuidade do sistema social. Por isso, todas as sociedades conhecidas pela antropologia social cuidam da imagem social do morto.


Morte física. A suspensão das funções vitais nos seres humanos se reconhece por uma série de sinais, dos quais os mais importantes são: (1) paralisação dos centros nervosos vitais, representada por perda da consciência, da mobilidade voluntária, da reação reflexa aos estímulos e do tono muscular; (2) paralisação da respiração, o que provoca imobilidade respiratória, silêncio auscultatório e quietude radioscópica costodiafragmática; (3) parada das funções circulatórias, com paralisação cardíaca e da corrente sanguínea, o que se manifesta por cessação das pulsações, expressão de morte, palidez, desingurgitação, diminuição da tensão ocular, descoloração retiniana, apagamento do brilho da córnea e deformação ovalar da pupila.

Imediatamente após a morte produz-se um estado de relaxamento e flacidez em todos os músculos do corpo. Após certo tempo, no entanto, inicia-se um lento processo de contração muscular, conhecido pelo nome de rigidez cadavérica, que afeta tanto a musculatura estriada do aparelho locomotor como o miocárdio, o diafragma e os músculos de fibra lisa. Terminados os processos abióticos, iniciam-se novas atividades bioquímicas que conduzem o cadáver à destruição ou desintegração. São os processos cadavéricos destrutivos: autólise e putrefação.

Em consequência do aumento dos recursos à disposição da medicina em tempos recentes, como transplantes de órgãos e aparelhos de manutenção artificial das funções vitais, cresceu também o interesse na definição de critérios para determinar a ocorrência da morte, especialmente importantes em casos de potenciais doadores de órgãos e de indivíduos cuja vida depende do funcionamento de equipamentos. Entre esses novos critérios, o mais importante é a ausência de funcionamento do tronco cerebral - área na base do cérebro que se junta ao topo da medula espinhal e controla as funções de consciência, respiração e pressão sanguínea do organismo - e a parada irreversível da respiração espontânea. Diante dessas evidências, diz-se que ocorreu morte cerebral e não há possibilidade de recuperação.

O diagnóstico de morte cerebral se faz em três etapas e visa a determinar se houve perda irreversível da função do tronco cerebral. Primeiro se apura a causa do coma e se procura estabelecer com certeza que o paciente sofreu lesão irreversível na estrutura cerebral. O conceito de irreversibilidade se baseia na ausência de melhora com a passagem do tempo e com as seguidas tentativas de reverter o quadro clínico. Depois, devem ser excluídas todas as causas possíveis de uma disfunção reversível do tronco cerebral, como hipotermia, intoxicação por drogas ou perturbação metabólica grave. Finalmente, deve-se demonstrar a ausência de todos os reflexos do tronco cerebral, além de confirmar que o paciente é incapaz de respirar, mesmo sob forte estímulo.

Um teste de função do tronco cerebral dura menos de meia hora. O médico verifica a presença das seguintes reações normais: (1) constrição das pupilas em resposta a estímulos luminosos; (2) piscar de olhos em resposta ao estímulo da córnea; (3) contrações da face como reação à pressão firme logo acima do globo ocular; (4) movimentos oculares em resposta à inserção de água gelada nos ouvidos; e (5) tosse ou engasgo após a introdução de um cateter nas vias aéreas. O teste deve ser feito em duas ocasiões diferentes.

A concepção de morte relacionada à perda da capacidade de estar consciente (embora os conteúdos da consciência não tenham sido afetados), combinada à apneia irreversível, fornece equivalentes filosoficamente seguros, eticamente aceitáveis e clinicamente aplicáveis aos conceitos de "separação da alma com relação ao corpo" e de "perda do sopro vital", tão importantes para algumas culturas.


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