Armas Químicas e Biológicas

Armas Químicas e Biológicas

Armas Químicas e Biológicas

Durante a primeira guerra mundial entrou em operação uma nova arma de alto poder de destruição: a arma química, que, ao lado da biológica e da nuclear, faz parte do trinômio conhecido como armas NBQ. Já durante aquele conflito utilizaram-se agressivos produtos químicos lacrimogêneos: em abril de 1915, na cidade belga de Ypres, cem toneladas de gás asfixiante formaram uma nuvem de seis quilômetros que em 15 minutos matou cinco mil pessoas e intoxicou outras 15.000. Para lembrar a catástrofe, a substância tóxica (gás de mostarda ou sulfeto de etilo diclorado) passou a chamar-se iperita.

Armas químicas As armas químicas são artefatos capazes de espalhar produtos químicos agressivos. Seus componentes ativam as propriedades tóxicas de alguns compostos que produzem nos seres vivos notáveis efeitos nocivos, de caráter fisiológico ou psíquico.

Na arma química consideram-se fatores tais como o grau de toxicidade que ele causa e a persistência ou duração de seus efeitos no local de lançamento.

Para que a molécula de uma substância tóxica chegue a exercer uma ação lesiva sobre o organismo, ela tem de penetrar as células e manter sua toxicidade. A molécula deve conter elementos que lhe sirvam de suporte (vetores penetrantes) e agentes ativos.

Os halogênios (flúor, cloro, bromo, iodo) e suas combinações apresentam um grau de toxicidade que varia na razão inversa de seu peso atômico. Assim, a cloroacetona é mais tóxica do que a bromoacetona. A disposição atômica do halogênio também influi no comportamento do gás: no grupo dos cloroformiatos de metilo, o que apresenta um só átomo de cloro é menos tóxico e mais lacrimogêneo que o diclorado; o triclorado (fosgênio) é mais tóxico e menos lacrimogêneo, e assim sucessivamente.

O enxofre atua como vetor de penetração através da epiderme. Na iperita, por exemplo, é o átomo de enxofre que facilita a entrada do resto da molécula e, com esta, do cloro.

Outro agente tóxico é o arsênio, mais ativo quando atua como trivalente. Está sempre unido aos halogênios ou a grupos de radical cianogênico (CN).

Agressores contra o homemUma classificação aceita pelos textos especializados arrola as armas químicas que afetam o homem em três categorias: (1) letais, capazes de produzir a morte ou a baixa definitiva por muito tempo; (2) incapacitantes, que deixam fora de combate em um período de horas ou vários dias; (3) neutralizantes, que atrapalham a ação do combatente e o incomodam por algum tempo.

Os agressores asfixiantes ou pneumotóxicos, como o fosgênio, produzem lesões irreversíveis nas vias respiratórias, com sensação de aperto, tosse violenta e expectorações.

Os hemotóxicos, letais, impedem a oxigenação do sangue, causando dispneia, perda dos sentidos e colapso respiratório, com a morte em poucos minutos. Entre estes se encontram o cloreto de cianogênio e o ácido cianídrico.

Os vesicantes ou dermotóxicos atacam as células vivas do organismo através da pele. Podem produzir a morte em segundos, caso da chamada lewisita, ou em um dia aproximadamente, como a iperita.

Os nervosos ou neurotóxicos causam excitação contínua, que afeta os sistemas respiratório, circulatório, digestivo ou muscular. Paralisam o coração dentro de segundos. Entre estes se encontram o sarin, o soman e o VX.

Os alucinógenos, como o LSD, são incapacitantes, com efeitos de aturdimento, astenia, náuseas etc. Atuam durante várias horas.

Os lacrimogêneos, por sua vez, provocam irritação dos olhos, fossas nasais e vias respiratórias. Atuam assim a cloroacetofenona e a cloropicrina. Os esternutatórios, como as arsinas, irritam as vias respiratórias e a pele.

Agressores contra as plantas - Algumas substâncias atuam contra a vegetação em vastas extensões, com o fim de privar de recursos a população ou dificultar as operações de guerra irregular. Os desfolhantes, como o ácido caldocílico, eliminam as folhas das plantas; os herbicidas matam as plantas; e os esterilizantes impedem seu crescimento e desenvolvimento.

Entre as armas químicas empregaram-se também os agentes incendiários, muito utilizados a partir da segunda guerra mundial. Na guerra do Vietnã generalizou-se o uso do napalm, gel composto de gasolina, naftenato de alumínio e óleo, que provocou desastrosos efeitos entre as vítimas dos bombardeios. Outro grupo é constituído pelos fumígenos, que dão origem a fumaças de ocultação. Fazem parte de sua composição o hexacloretano e substâncias como o zinco, o clorato sódico e o carbonato de magnésio.

Armas biológicasO termo arma biológica aplica-se a todo engenho que seja capaz de disseminar agentes agressores de natureza orgânica, causando a morte ou a enfermidade dos seres vivos, animais ou vegetais. O fator de desencadeamento da ação nociva exige um suporte material líquido, sólido ou em forma de aerossol. O agente é um microrganismo patogênico constituído de uma ou várias células associadas, capazes de produzir enfermidades.

As armas biológicas têm efeitos físicos sobre os combatentes e sua silenciosa e imprevisível propagação converte-as também em eficazes armas de ação psicológica.

Classes de armas biológicasConforme a natureza do agente, as armas biológicas dividem-se em microbianas, toxínicas, hormonais sintéticas ou mistas. Ao desenvolver seu efeito, todas provocam epidemias, enfermidades ou o falecimento da vítima.

Os agentes microbianos agrupam-se em diversas categorias. A classificação mais generalizada é a que distingue bactérias, rickéttsias, vírus, fungos e protozoários.

As bactérias são microrganismos unicelulares, dos quais se conhecem muitas espécies patogênicas. Doenças tão conhecidas como o antraz ou carbúnculo, que sem tratamento é mortal em oitenta por cento dos casos, a brucelose a febre de Malta, a tuberculose, a cólera ou o tétano originam-se de infecções bacterianas.

As rickéttsias são microrganismos parasitas, intermediários entre as bactérias e os vírus, que produzem, entre outras doenças, o tifo exantemático. Por sua vez, os vírus são corpos orgânicos complexos e de dimensões mínimas. Causam moléstias da mais diversa natureza. Processos originados por outros agentes são as infecções por fungos, o impaludismo ou malária, a disenteria amebiana e o botulismo.

Uma forma característica de ataque biológico é constituída pela utilização de micróbios patogênicos que afetam os vegetais, destroem matas e colheitas, eliminando, assim, os recursos vitais das populações atacadas.

Vetores de lançamento e efeitosOs agressores biológicos podem ser lançados por meios terrestres, aéreos ou navais. O aerossol foi a forma de disseminação a que mais frequentemente se recorreu nas raras ocasiões em que se usou esse tipo de arma. Trata-se de gotas ou partículas portadoras do agente biológico. O aerossol pode formar-se pela explosão de uma granada carregada com o agressor, ou liberar-se em forma de névoa, a partir de um recipiente sob pressão.

Esses agentes podem provocar efeitos catastróficos. Calculou-se, por exemplo, que uma pulverização de tifo epidêmico sobre uma cidade de um milhão de habitantes, em uma superfície de contaminação de vinte quilômetros quadrados, produz três mil mortos e 37.000 doentes, caso não se administre o tratamento adequado.

A utilização de armas químicas e biológicas durante a primeira guerra mundial provocou consequências gravíssimas. Seus terríveis efeitos e o temor da capacidade de revide do inimigo foram os fatores fundamentais que se levaram em conta para a assinatura do Protocolo de Genebra sobre o uso bélico dos gases, acordo que data de 1925. Esse documento, que depois de sua assinatura foi violado em numerosos choques armados, proíbe taxativamente a utilização bélica de agentes asfixiantes, venenosos e todo tipo de arma biológica.

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