Ars antiqua e Ars Nova

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Ars antiqua e Ars Nova

Ars antiqua e Ars NovaDenominou-se ars antiqua (arte antiga) a polifonia do período que se estendeu, na França, por volta de 1160 até meados da década de 1320. Caracterizou-se por um contraponto cada vez mais elaborado. Como coincidiu no tempo e no espaço com a arquitetura religiosa do Ocidente, alguns a chamaram de arte "gótica".

Na história da música medieval, registraram-se duas correntes opostas: ars antiqua e ars nova. Ambas marcaram a polifonia do Ocidente entre os séculos XII e XIV e contribuíram para sua evolução.

Na maior parte anônima, a música antiqua teve seus expoentes em Perotino, no século XII, sucessor de Leonino e Albert na Notre-Dame de Paris e compositor da mais antiga peça para quatro vozes; Franco de Colonia, no século XIII, codificador do novo sistema de notação de que proviria o moderno; e Pierre de la Croix, também no século XIII, que antecipou a ars nova. A partir de Perotino, a ars antiqua propagou-se à Itália, Espanha, Inglaterra e Escócia.

A mais importante das formas surgidas com a ars antiqua foi o motete, que consistia na apresentação simultânea de mais de um texto. Originou-se provavelmente da adição de um segundo texto (para as vozes altas) ao de uma composição sacra de caráter polifônico (com a voz baixa e mais lenta). Com o tempo, o latim, a língua do segundo texto, deu lugar ao francês, conferindo-lhe um caráter mais profano. Surgiram composições em que o texto sacro da voz baixa, em latim, era acompanhado por um ou mais textos seculares cantados pelas vozes altas.

A expressão ars nova (arte nova) foi cunhada por Hugo Riemann, em oposição à ars antiqua, para designar o extraordinário florescimento musical do século XIV, sobretudo na França. O nome derivou-se de Ars nova musicae (1325), tratado de Philippe de Vitry. A música da península itálica - Florença, Bolonha, Pádua, Pisa - embora ainda influenciada pela música francesa, adquiriu feições próprias, denominando-se ars nova italiana.

As inovações surgiram na segunda metade do século XIII, com notas de valores menores e ritmos mais elaborados. Os dois mestres da ars nova viveram no século XIV: Vitry e, sobretudo, Guillaume de Machaut, cuja obra por si só representou mais de metade do acervo musical que restou daquele período. Isto porque, salvo o caso de Machaut, os expoentes da ars nova eram mais professores de composição do que compositores. Foram eles que criaram as regras ainda válidas da polifonia e do contraponto. A Missa de Notre-Dame, para quatro vozes, única missa conhecida de Machaut (composta, segundo tradição não documentada, para a coroação do rei Carlos V em Reims), tornou-se modelo do gênero e constituiu grande marco da música polifônica.

A obra de Machaut revelou como nenhuma outra, as feições distintivas da ars nova: ritmo extremamente elaborado, uso de textos duplos da mesma língua, maior riqueza de instrumentação, maior liberdade de execução (determinados fragmentos podem ser omitidos), certo pitoresco no fraseado, alguma angulosidade na composição e entrada sucessiva das vozes, não mais simultânea, como na ars antiqua, embora na obra de Machaut os dois estilos se fundissem harmoniosamente. Com sua música, uma síntese da ars nova, Machaut preparou a grande expansão dos polifonistas dos séculos XV e XVI.

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