Sistema Linfático

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Sistema Linfático

Sistema Linfático

O sistema linfático faz parte do aparelho circulatório dos animais vertebrados e constitui um conjunto de vasos, canais, cisternas e diversos órgãos em forma de saco, os gânglios. Estende-se ao longo do corpo, paralelamente ao aparelho circulatório, compondo uma rede que se ramifica por todo o organismo e só se comunica com o circuito das veias na altura do coração.

A linfa, líquido esbranquiçado que preenche os vasos do sistema linfático, já era conhecida pelos gregos antigos, que chamavam-na de "sangue branco". Sua função e a importância dos processos que nela têm lugar, no entanto, só foram estudados muitos séculos mais tarde.

Características fisiológicas No interior do sistema linfático circula, em velocidade menor que a do sangue, a linfa, líquido formado de um plasma similar ao sangüíneo e de glóbulos brancos, ou leucócitos. A linfa alimenta-se dos líquidos orgânicos que afluem dos tecidos aos vasos linfáticos. Esses fluidos contêm substâncias provenientes do sangue, que dele escaparam através dos vasos capilares e chegaram aos tecidos e aos espaços intersticiais percorridos por tais vasos. É graças à linfa que esse material retorna ao aparelho circulatório.

A linfa também recolhe gorduras e proteínas, procedentes respectivamente do intestino delgado e do fígado, nos períodos de digestão. Até cerca de noventa por cento das gorduras absorvidas na região intestinal são conduzidas por meio da linfa, na forma de grandes quantidades de pequenas gotas que dão ao líquido linfático uma aparência leitosa. O sistema desempenha ainda um papel de primeira ordem no que tange à defesa do organismo, pois as bactérias e corpos estranhos que penetram no corpo chegam até ele e são neutralizadas nos gânglios linfáticos.

Anatomia comparada e descrição Nos peixes, o sistema linfático e o venoso comunicam-se em diferentes pontos, sobretudo na região média do circuito venoso. Em alguns anfíbios, como a salamandra, há vasos linfáticos localizados sob a pele, e outros mais profundos, que acompanham as artérias dorsais. Nas rãs e nos sapos, espaços cheios de linfa situam-se debaixo do tegumento. As aves e os répteis também dispõem de sistemas linfáticos bem desenvolvidos. Nas primeiras, existe um órgão linfático peculiar, a bursa de Fabricius, destinado à produção de anticorpos (proteínas que reagem a substâncias estranhas introduzidas no organismo, para neutralizar-lhes a ação).

No homem, vasos capilares linfáticos recolhem os líquidos orgânicos que estão em contato com eles, que atravessam sua finíssima parede e passam a fazer parte da linfa. Os capilares desembocam em canais coletores, que tanto podem estar situados nas regiões superficiais do corpo, imediatamente abaixo da pele, quanto em partes mais profundas, onde recebem os líquidos orgânicos das vísceras. Os vasos do intestino são chamados quilíferos e neles se realiza a maior parte da absorção de matérias graxas na digestão.

O canal mais importante, tanto por seu volume e calibre quanto por seu comprimento, é o canal torácico, que percorre a parte média do tronco e recebe importante caudal de linfa de diversas regiões do corpo. Em sua extremidade inferior observa-se uma intumescência onde se reúne o líquido linfático proveniente das zonas inferiores (extremidades, virilha e plexo intestinal) e que se chama cisterna de Pecquet, em homenagem ao anatomista francês Jean Pecquet, que a descreveu no século XVII. Outro duto importante é a grande veia linfática, ou canal linfático direito, para onde convergem os vasos da metade superior direita do corpo.

No sistema linfático não existe um órgão equivalente ao coração no sistema circulatório, que impulsione a linfa. Esta é movida pelas contrações dos músculos e pelas pulsações das artérias próximas. Válvulas dispostas ao longo dos canais impedem que a linfa flua para trás. Em alguns vertebrados, como os peixes, os anfíbios e os répteis, existem estruturas conhecidas como "corações linfáticos", que impelem o líquido. Esses órgãos são dilatações dos vasos que têm paredes com capacidade de se contrair, e seu ritmo de pulsação é independente do verdadeiro coração.

Dispostas ao longo dos vasos há numerosas formações arredondadas, em forma de sacos, constituídas por células de diferentes tecidos: são os gânglios linfáticos. Através deles se filtra a linfa que flui para os canais de maior calibre e em cujo interior há diversos componentes celulares especializados na destruição das bactérias e na absorção e neutralização de substâncias estranhas ao organismo. Alguns desses elementos, os macrófagos, ingerem grande quantidade de bactérias, transportadas pela linfa até o gânglio; outros, como os linfócitos, elaboram os anticorpos, fundamentais na resistência do corpo às infecções e na defesa imunológica.

Pode-se afirmar, portanto, que os gânglios atuam como autênticos filtros. Observa-se, por exemplo, que grande número de pessoas que vivem em cidades de atmosfera muito poluída por combustão industrial e doméstica, têm os gânglios torácicos (localizados na região pulmonar) escurecidos por acúmulo de partículas, retidas pela linfa.

Nos gânglios linfáticos trava-se uma espécie de batalha em escala microscópica entre as células defensoras do corpo e os microrganismos invasores. Quando, por ferida ou lesão, abre-se uma via de entrada à infecção na pele, nas mucosas, no pulmão, intestino ou outros órgãos, a região ganglionar correspondente à zona infectada se intumesce, em conseqüência da atividade antiinfecciosa dos glóbulos brancos situados nos gânglios. As partes tumefactas recebem o nome de bubões e são características de certas afecções graves. Uma delas é a peste bubônica, cujo nome provém dessas formações que, nesse caso, aparecem principalmente no pescoço, nas axilas e na virilha.

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