Audição, Anatomia Comparada da Audição

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Audição, Anatomia Comparada da Audição


O ouvido, órgão responsável pela audição e pela manutenção do equilíbrio, é composto por diferentes estruturas sensoriais, que identificam os sons e emitem impulsos, os quais alcançam os centros cerebrais receptores através do nervo auditivo. No homem, o órgão divide-se em três partes: ouvido externo, médio e interno.

Todos os vertebrados superiores e algumas espécies de menor grau evolutivo dispõem de um sistema orgânico especializado para a percepção de sons. Assim, seja nos insetos que emitem vibrações sonoras estridentes, como o grilo ou a cigarra, ou até os primatas e os seres humanos, as estruturas que possibilitam o sentido da audição apresentam ampla variedade de formas e características funcionais.

Anatomia comparadaO homem possui a estrutura mais complexa e aperfeiçoada do órgão auditivo de todo o reino animal. Entretanto, na maior parte dos grupos taxonômicos são encontrados sistemas de percepção das vibrações sonoras com diversos graus de desenvolvimento. Nos invertebrados, há algumas espécies, relativamente escassas, que apresentam sistemas auditivos constituídos por vesículas destinadas à audição, denominadas estatocistos ou otocistos, vinculadas também à manutenção do equilíbrio e ao deslocamento do organismo.

A complexidade dos órgãos auditivos dos vertebrados é proporcional ao grau de evolução que a espécie alcançou na escala filogenética. Nesse contexto, os ciclóstomos, que constituem um grupo sistemático de animais de aspecto e comportamento similares aos dos peixes e do qual faz parte a lampreia, apresentam um canal semicircular, sem diferenciação de ouvido externo, médio ou interno. O mesmo ocorre no grupo dos peixes, ainda que, nesse caso, existam três canais semicirculares distintos.

Subindo nessa escala evolutiva, os répteis dispõem de órgãos auditivos nos quais se observa uma distinção clara entre o ouvido interno e a cóclea, enquanto nas aves desenvolveram-se cavidades correspondentes ao ouvido médio. A estrutura trilocular, com ouvido externo, é característica específica do grupo dos mamíferos.

Morfologia e fisiologia do ouvido humano. Nos seres humanos, o ouvido externo atua como receptor das ondas sonoras, sendo dividido em pavilhão auditivo ou orelha e canal auditivo. Ao contrário de alguns animais que possuem a capacidade de orientar livremente o pavilhão auditivo para captar com maior facilidade a fonte sonora, a orelha humana é imóvel.

O pavilhão auditivo é recoberto por uma estrutura cartilaginosa, à exceção do extremo inferior do lóbulo, que se apresenta carnoso e pendular. O rebordo externo, ou hélice da orelha, circunda uma segunda dobra interna, ou antélice, a qual, por sua vez, delimita a concha do canal auditivo. Na concha existem duas saliências, que constituem o extremo da antélice. O canal auditivo, delimitado por uma estrutura fibrocartilaginosa, apresenta pêlos e glândulas ceruminosas, que produzem o cerume ou cera, substância que protege o acesso ao ouvido médio.

Várias cavidades ligadas entre si, que constituem a denominada caixa do tímpano, formam o ouvido médio. Este encontra-se limitado exteriormente pelo tímpano, membrana sensível de forma levemente cônica que transmite as vibrações sonoras aos ossos do ouvido. O primeiro desses ossos, o martelo, está fixado à membrana timpânica, seguido da bigorna e do estribo, comunicando-se este último com a chamada janela oval, que marca a transição para o ouvido interno. A vibração desses minúsculos ossos, fixados à parede da cavidade auditiva por meio de pequenos ligamentos, reduz a amplitude das ondas sonoras que os atingem, ao mesmo tempo em que amplificam-lhes a intensidade. Esse sistema é fundamental para que as ondas que se propagam nesse meio, aéreo, possam passar ao meio líquido do ouvido interno.

A pressão do ar sobre ambos os lados do tímpano deve ser equivalente à atmosférica para que a transmissão dos sons seja adequada. Esse equilíbrio é alcançado pela trompa de Eustáquio, canal que comunica o ouvido médio à garganta. O ar contido na cavidade auditiva é absorvido pela mucosa que a recobre, sendo substituído pelo que penetra na trompa com a deglutição da saliva. É por isso que o desconforto causado por repentinas variações de altitude desaparece quando o movimento de deglutição é realizado repetidas vezes, o que iguala as pressões sobre os tímpanos.

O ouvido interno, também denominado labirinto, devido a sua complexidade estrutural, consta basicamente de um conjunto de cavidades situadas na região mastóidea do osso temporal do crânio, as quais se encontram cheias de um líquido denominado perilinfa; e de um grupo de membranas internas, em cujo interior flui a chamada endolinfa. Assim, estabelece-se uma diferença entre o labirinto ósseo e o membranoso. A estrutura óssea é formada por três cavidades: o vestíbulo, em contato com o ouvido médio por meio da janela oval; a cóclea ou caracol, orgânulo disposto em espiral em torno de um eixo cônico; e os três canais semicirculares, ligados ao vestíbulo por cinco aberturas.

Aos orgânulos ósseos correspondem várias partes membranosas do labirinto. Assim, ao vestíbulo correspondem dois divertículos membranosos, o utrículo e o sáculo, enquanto os canais semicirculares apresentam os condutos homônimos como equivalente membranoso. É nessas minúsculas estruturas que se localizam as células responsáveis pelo equilíbrio, as quais contêm os chamados estatolitos e otólitos, corpúsculos reguladores dessa função.

Na cóclea óssea está situado o canal coclear, sede do órgão de Corti. Este é o sistema terminal acústico e compreende os bastonetes de Corti, as células auditivas e seus correspondentes elementos de apoio. Em seu interior realiza-se a transformação das vibrações sonoras em impulsos nervosos que, transmitidos ao nervo acústico, passam ao cérebro por intermédio do oitavo par cranial de ramificações nervosas.

Variáveis da percepção sonora As três qualidades que definem fisicamente um som são sua intensidade ou volume, seu tom ou altura e seu timbre. A primeira delas está relacionada com a quantidade de energia que chega ao ouvido por unidade de tempo. A grandeza otológica que a avalia -- a otologia é a disciplina que estuda o órgão auditivo em termos biológicos e clínicos -- é a agudez da audição.

Com relação ao tom, sua grandeza está condicionada à freqüência das vibrações do corpo emissor. O intervalo de freqüências perceptíveis pelo ouvido humano em forma de som harmônico (notas musicais) tem um limite inferior de aproximadamente 15 ciclos por segundo e um limite superior de 20.000. Em freqüências abaixo do limite mínimo, o som converte-se em ruído; acima do limite máximo, alcançam a região dos ultra-sons, imperceptíveis para o homem. Outros animais, porém, apresentam um limite superior que ultrapassa em muito o do ouvido humano.

Em geral, os sons não mantêm uma única vibração, mas são compostos de vários tons simultâneos. O mais grave e intenso é o chamado tom fundamental, ao passo que os complementares são os secundários ou harmônicos. A qualidade que estes imprimem ao som é o timbre. Existe outra variável auditiva, que é o chamado poder analítico da audição, relacionado com a maior ou menor capacidade de distinguir um tom entre os que compõem um som rico em harmonias.

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