Autoridade Segundo a Sociologia

Autoridade Segundo a Sociologia

Autoridade é poder de mandar, de fazer-se respeitar e obedecer. Originalmente, e no sentido literal, era o poder atribuído ao autor, àquele que produz. Em sociologia, é o controle exercido por uma ou mais pessoas ou entidades sobre outra ou mais pessoas, com base no poder atribuído a determinadas posições sociais. A fonte da autoridade é, pois, uma investidura, enquanto o prestígio, por exemplo, pode ter como fonte o sucesso, o desempenho pessoal. Como é frequente a investidura de pessoas prestigiadas, pode ser difícil distinguir entre autoridade e prestígio.

A autoridade envolve a noção correlata de legitimidade, motivo pelo qual a moderna sociologia  procura analisar simultaneamente os dois conceitos, tal como se apresentam na estrutura ou funcionamento de uma mesma organização.

A autoridade é um fato universal e de imensas variações no tocante ao princípio de sua investidura, que vai da simples coerção física (dita lei do mais forte) até os sutis mecanismos da liderança carismática. O fenômeno da autoridade também não se restringe às sociedades humanas: nos rebanhos de elefantes ou de búfalos, nas comunidades de macacos antropoides, entre as aves domésticas e em outros exemplos do mundo animal, constata-se um acordo de domínio e subordinação, em que se distingue um "detentor da autoridade", em geral o macho fisicamente mais capaz. Nas sociedades humanas, o exercício de autoridade atinge níveis muito complexos de interação. Há casos em que a autoridade mais reconhecida não é representada por uma pessoa, mas por uma instituição ou pelo controle social que esta exerce sobre a coletividade.

Sociologia clássicaPara o sociólogo francês Émile Durkheim, a autoridade é elemento básico do fato social, uma vez que este se caracteriza pela  coercitividade. Os fatos sociais exercem sobre os indivíduos uma força imperativa que, por sua natureza, se encontra difusa na sociedade. Durkheim situou na autoridade a fonte mais importante da consciência coletiva -- um todo com prioridade sobre suas partes, isto é, sobre as consciências individuais. Desse modo, em seu pensamento, a autoridade desempenha papel fundamental na integração desses dois níveis de consciência.

O alemão Georg Simmel também aponta a coerção como função integradora da ordem social e da personalidade, mas não lhe confere um sentido consensual, como Durkheim: ao contrário, encara o conflito como base das relações humanas e analisa,  a partir daí, a competição pelo poder. Segundo ele, a relação de autoridade implica reciprocidade com base no conflito, não propriamente na imposição. Examinando vários tipos de autoridade, Simmel mostra que os princípios pelos quais ela se orienta dependem da maior ou menor proximidade entre o comando e a massa: se o contato é direto, a massa tende a ganhar mais autonomia; se existem escalões intermediários, a autonomia das posições é negociada em troca da segurança de participação ordenada na pirâmide de poder.

Na sociologia clássica, a contribuição mais extensa e sistemática sobre o conceito de autoridade é a de Max Weber, para quem o problema deve ser tratado como "relação de dominação". Enquanto o poder é impositivo e, como tal, estritamente político, a dominação pode ser religiosa, econômica, militar etc. A autoridade, em todos esses casos, implica, no outro, a vontade de obedecer, ditada por costumes, interesses, afetos, motivos racionais e irracionais. Por isso, para Weber, a autoridade pressupõe a crença na "legitimidade" da dominação, ao mesmo tempo que dispõe de instrumentos para se fazer acreditar e criar sua própria validade.

Sociologia modernaSociólogos como Ralf Dahrendorf e Amitai Etzioni, que beberam na fonte weberiana, voltaram seu interesse para a questão da autoridade na organização capitalista e no conflito de classes sociais. Para Dahrendorf, uma empresa industrial é sempre uma associação de dominação, com interesses latentes ou manifestos, e representa grupos e classes. Nesse contexto, a eficiência depende do grau em que a autoridade e a subordinação se complementam. A abordagem de Etzioni, de base estruturalista, trata dos conflitos de autoridade entre administradores e especialistas. Demonstra como é indispensável, na estrutura das organizações, o equilíbrio entre seus meios e seus fins.