Banhos, A História Milenar dos Banhos

Banhos, A História Milenar dos Banhos

Banhos, A História Milenar dos BanhosSão chamados banhos todos os tipos de imersão do corpo, principalmente na água, quer com finalidades terapêuticas, quer por higiene pessoal ou simples recreação. Também se usa a palavra como sinônimo de termas, com referência ao estabelecimento especializado em uma ou mais modalidades de banhos.

Comuns desde épocas remotas, os banhos públicos se difundiram cada vez mais e têm hoje aficcionados em quase todos os países do mundo.

HistóriaConstruções especialmente destinadas aos banhos existiram desde épocas remotas. Os bem preservados palácios egeanos, em Cnossos, Faístos e Tirinto, datam de aproximadamente 1500 a.C. e impressionam pelo cuidadoso trabalho arquitetônico e pelo avançado sistema de distribuição da água. Na Grécia, os banhos públicos desempenharam importante papel na vida cotidiana, o que bem se pode avaliar por sua representação nos vasos pintados, embora nunca tenham merecido tratamento arquitetônico à altura. Mais luxuosos devem ter sido os banhos existentes em cidades das civilizações orientais, que causaram tanta admiração a Alexandre o Grande.

Nas termas romanas, masculinas e femininas, a sala principal, que recebia luz do alto, era a do banho propriamente dito, onde havia uma pequena piscina cercada de assentos. Tinas e cubas forneciam água quente. A seu lado, como mostra Vitrúvio em De Architectura, havia estufas abafadas ou suadouros. Uma estrutura típica do gênero compreendia: o apodyterium, aposento em que o banhista deixava suas vestes; o unctorium ou elaeothesium, onde se untava de óleo; o caldarium (sala quente), o sudatorium ou laconicum, para banhos de vapor; o frigidarium, para o banho frio; e o tepidarium, para o morno.

Para abrigar todo esse complexo cerimonial, os romanos construíram banhos que iam desde modestas edificações, em que cada unidade não passava de uma pequena sala, até enormes termas. Todos, porém, se caracterizavam pelo avançado método de fornecimento da água quente, morna e fria, pela técnica de aquecimento baseada na circulação de fumaça e ar quente provindos de uma caldeira subterrânea e pela existência de reservatórios de água fria e quente para temperar os banhos segundo a necessidade ou preferência dos usuários.

Em Pompeia encontram-se as duas amostras mais antigas dos banhos públicos romanos: os de Estábia e os do Foro. São de pequenas dimensões e compõem-se de três aposentos simples: apodyterium, tepidarium e caldarium. Deram origem a várias imitações em cidades provinciais, na atual Alemanha, na Argélia e na Líbia. A disposição dos diferentes aposentos variava muito, às vezes de maneira assimétrica: uma codificação do tipo arquitetônico só iria desenvolver-se a partir das termas imperiais, incluindo jardins e um stadium e exedrae, onde se faziam palestras e se liam poemas.

Em sua Topografia de Roma, Públio Vítor garante que chegaram a funcionar na cidade nada menos de 856 termas, públicas ou particulares. As mais afamadas ergueram-se no local ainda hoje conhecido como Termini. São bem conservadas as de Tito (81), Caracala (217) e Diocleciano (305). As ruínas das termas de Diocleciano mostram bem o que foram e ostentam um imenso pórtico levemente alterado por Michelangelo e que abriga hoje a igreja de Santa Maria dos Anjos. Saliente-se o luxo do acabamento e da decoração interna, com ampla utilização  de mármore e mosaico, estuque e bronze, além de peças escultóricas como o grupo de Laocoonte, que pertenceu às termas de Caracala.

Reagindo contra o luxo dos banhos romanos, os primeiros cristãos só se preocuparam com suas finalidades higiênicas e terapêuticas. A destruição dos grandes aquedutos romanos levou ao fechamento de diversas termas. Durante séculos, os banhos e seus estabelecimentos tornaram-se um luxo na Europa, mas já começaram a ressurgir no fim da Idade Média. Tapeçarias, xilogravuras e miniaturas góticas mostram a existência dos banhos, com reservatórios de água tépida ou grandes tanques de imersão. Do Renascimento ao século XIX os aperfeiçoamentos da arquitetura e das técnicas termais foram pequenos, como no caso dos banheiros de Maria Antonieta, em Versalhes.

No Oriente Médio, as termas tiveram grande desenvolvimento. Os muçulmanos adaptaram muitos dos aperfeiçoamentos romanos e lhes imprimiram sua marca própria. O exemplo mais característico ficou no Alhambra, em Granada, que data do século XIV. Além disso, tornaram-se famosos os banhos turcos, que se originaram em Constantinopla e passaram a ser adotados em numerosos países ocidentais. Eram oferecidos em estruturas típicas, com uma série de construções quadradas e encimadas por uma abóbada, correspondendo mais ou menos ao antigo esquema romano de tepidarium, caldarium e laconicum, mas completado por luxuosa sala de estar.

Valor medicinal

A utilização dos banhos com fins medicinais recebe o nome geral de balneoterapia, capaz de exercer sobre o corpo humano efeitos físicos, químicos, térmicos e elétricos.

São efeitos físicos
: a impulsão, que reduz o efeito da gravidade nos banhos de imersão e favorece a recuperação dos movimentos; a pressão hidrostática ou ação compressiva, que atua por igual sobre as partes submersas e influi assim na circulação, na respiração, no ar de reserva, no metabolismo; a percussão e a vibração, fatores de estímulo e de excitação nas duchas, banhos de mar e "de turbilhão" ou whirlpool. São efeitos químicos os que se processam diretamente sobre a pele ou através dela, ativando as funções de absorção, de retenção e de elaboração. São efeitos térmicos os obtidos com o emprego de águas termais naturais ou águas e lamas artificialmente aquecidas. A penetração do calor nos tecidos depende da temperatura da água, da duração do banho, da espessura da camada adiposa, da maior ou menor irrigação sanguínea e da maior ou menor proximidade dos tecidos em relação à água. Por fim, são efeitos elétricos os que resultam das diferenças de potencial entre as diversas águas minerais e o organismo. De um modo geral, os banhos frios tendem a ser tônicos e estimulantes, enquanto os banhos quentes e de vapor tendem a ser relaxantes e até hipotensores.

Sauna e outros banhos quentes

A sauna finlandesa teve como possíveis antecedentes remotos os banhos citas descritos por Tito Lívio. Eram preparados com vapor obtido por jato de água sobre pedras aquecidas e alternavam-se com imersões em água fria. Também já se empregavam varinhas de bétula que, batidas sobre a pele, ativam a circulação.

Os banhos russos consistem em dois aposentos contíguos, um destinado ao banho de vapor, outro ao banho frio. No Japão, os banhos também constituem tradição antiga e atingiram extremo refinamento. Magníficas construções com essa finalidade foram erguidas junto a fontes de águas medicinais. É famosa a que fica perto de Matsuyama, na ilha de Shikoku.

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