Mosaico, Definição e contexto Histórico da Arte do Mosaico

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Mosaico, Definição e contexto Histórico da Arte do Mosaico

#Mosaico, Definição e contexto Histórico da Arte do MosaicoMosaico é a composição plástica que consiste em pequenas peças de pedra, vidro ou cerâmica, de várias cores, coladas sobre uma superfície. A perenidade das obras artísticas realizadas em mosaico é notável, devido à resistência dos materiais empregados.

O mosaico artístico tem muito em comum com a pintura: representa uma imagem bidimensional e se faz por meio de uma técnica indicada para decorar grandes superfícies.

História - Entre as culturas do antigo Oriente ocorreu uma técnica semelhante à do mosaico. Edifícios do III milênio a.C., na Mesopotâmia, apresentam paredes externas decoradas com cones de terracota coloridos, em motivos de triângulos, losangos e ziguezagues. Mas não se trata ainda do mosaico propriamente dito, pois as peças são inseridas em ranhuras, enquanto no mosaico elas aparecem aderidas a uma superfície. Os primeiros mosaicos conhecidos datam do século VIII a.C. e são feitos de fragmentos de cristal de rocha, técnica aprimorada pelos gregos no século V a.C.

Na Grécia apareceram as primeiras peças montadas com tesselas, peças de mármore cortadas em triângulo, quadrado ou qualquer outra forma regular capaz de ajustar-se perfeitamente à grade que constitui a superfície do mosaico. Em Alexandria desenvolveu-se uma inovação técnica, a opus vermiculatum ("obra vermiforme", em alusão às filas ondulantes de tesselas). Pérgamo, outro centro do mundo helenístico, notabilizou-se pelas escolas de mosaico.

Os romanos adotaram essa forma elaborada de mosaico, tanto em suas casas quanto nos templos. Um dos melhores exemplos romanos, talvez executado por gregos, é o que representa a batalha de Isso, em que Alexandre o Grande derrotou Dario III (333 a.C.). Em Roma, o mosaico foi transformado em um meio decorativo comum, e com isso passou a ser usado em assoalhos decorados. São desenhos simples, pois provavelmente para o espírito prático do romano, não fazia sentido utilizar formas muito sofisticadas em assoalhos, submetidos ao desgaste.

Na arte cristã são comuns os mosaicos destinados a decorar muros e paredes, encontrados já nas catacumbas romanas. A partir do Edito de Milão (313 da era cristã), pelo qual Constantino concedeu liberdade de culto aos cristãos, o mosaico começou a ser utilizado nas basílicas. Nessa época as tesselas deram lugar às pastilhas de vidro colorido, mais brilhantes. Os mais antigos mosaicos cristãos de parede em Roma são os do mausoléu da filha de Constantino, na igreja de Santa Constança. Pela beleza, destaca-se o mosaico em forma de abóbada de Santa Prudenciana, em que um majestoso Cristo de barba longa, com uma toga recamada de ouro e sentado num trono cravejado de pedraria, explica a nova lei aos apóstolos.

Na arte bizantina, o mosaico atingiu o auge. Houve uma modificação formal: o real foi substituído pelo abstrato; foram preferidas as formas rígidas e majestosas; o fundo aderiu à figura e a perspectiva desapareceu; as cores são intensas e luminosas, com reflexos dourados. As igrejas, com as laterais da nave e as abóbadas cobertas desses mosaicos, adquiriram caráter suntuoso. São variados os exemplos de mosaico bizantino, no século V. Um dos mais antigos é o da rotunda de São Jorge, de Tessalonica, composta de oito quadros que representam santos em prece, em vestes gregas sobre um fundo enfeitado de ouro e pedrarias. Na igreja de São Davi, também de Tessalonica, a decoração da abside representa uma visão profética: um Cristo jovem e imberbe, com a mão direita erguida e ladeado pelos profetas Habacuc e Ezequiel, anuncia uma nova era.

Do século VI, encontram-se em Ravenna os mosaicos de Sant'Apolinario Nuovo, montados em duas épocas. A nave é decorada com três séries de mosaicos: as duas superiores são do tempo de Teodorico, rei dos ostrogodos de 493 a 526; a inferior é da época de Justiniano, imperador romano de 527 a 565. Na entrada do templo aparece são Pedro ao lançar a rede, o fariseu e o publicano. A parede norte representa milagres e parábolas. Entre as janelas estão figuras de apóstolos e profetas e acima um friso formado por um zimbório encimado por duas pombas e um quadro que representa uma passagem da vida do Cristo.

O segundo grande período do mosaico bizantino ocorreu nos séculos XI e XII, época em que o motivo principal é a liturgia católica. As figuras são nobres, de gestual solene; as composições são simples e quase abstratas. Como exemplo, destacam-se os mosaicos da igreja de Dafni, próximo a Atenas e a de Hosios Loukas, na Fócida, região da Grécia.

Fora da influência bizantina, são raros os exemplos de mosaicos. Os mais importantes são os da catedral de Torcello (início do século XI), da igreja de Martorana, em Palermo (século XII), da catedral de Monreale (século XII) e de San Marco, de Veneza. Nesta última, a montagem foi iniciada no fim do século XI por bizantinos e concluída por venezianos até o século XIV.

Técnicas de montagem. Na execução de um mosaico escolhe-se uma de duas técnicas: o método direto e a montagem em cartão. No primeiro, recobre-se a superfície do mural ou piso com uma camada de cimento, sobre a qual traçam-se as linhas gerais da composição. Em seguida, aplica-se uma fina camada de gesso sobre a área em que se vai trabalhar durante um mesmo dia. Finalmente, substituem-se pequenos pedaços desse gesso pelas tesselas. Na montagem em cartão, o artista esboça o mosaico, parte por parte, em cartões, sobre os quais fixa levemente as tesselas pelas faces que deverão ficar expostas ao final do trabalho. Incrusta depois o conjunto no mural e retira o cartão, para deixar visível o motivo.

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