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Folclore e a Cultura Popular Brasileira

Folclore e a Cultura Popular Brasileira

#FESTAS POPULARES  Festas Populares Por meio de suas festas tradicionais, as comunidades estreitam seus laços e mantêm sua identidade como grupo, celebrando também sua vida cotidiana. Em tempos remotos, o homem primitivo pedia aos deuses proteção e colheitas fartas, muitas vezes usando comida, bebida, música e dança como oferendas. Como a agricultura está relacionada ao ciclo das estações, essas celebrações se tornaram periódicas. Com o cristianismo, a Igreja Católica transformou alguns desses rituais pagãos em homenagens aos santos, conferindo a eles um caráter sagrado de acordo com os princípios cristãos. Vários elementos das antigas festas pagãs, porém, foram preservados. No Brasil, a maioria das festas populares tem origem ibérica, africana e indígena e segue as datas do calendário católico. O Natal, o Carnaval e as festas juninas, comemorações de maior apelo popular, são encontradas em todas as regiões brasileiras. Além delas, existem inúmeras outras comemorações locais, pertencentes à tradição de cada cidade ou estado. Muitas reverenciam um santo padroeiro, como a de Nosso Senhor do Bonfim, em Salvador. Apesar de algumas festas compartilharem o mesmo tema, em cada lugar elas assumem características próprias, de acordo com a tradição regional.
#REISADO (FOLCLORE)Reisado - Auto de Natal encenado no Nordeste com temas variados, em que os participantes cantam e dançam ao som de instrumentos como sanfona, pandeiro e zabumba. Exibindo-se pelas ruas e praças, vão pedindo donativos por onde passam. Dependendo do tema e da região, esse folguedo apresenta diversos personagens, como o rei, a rainha, o mestre, o contramestre, a estrela, o Mateus e o palhaço. Também aqui, como acontece com muitos bumba-meu-boi nordestinos, cada personagem representa um papel que nem sempre se encaixa no conjunto. Para garantir certa unidade à encenação, há, geralmente, cenas cômicas. Alguns reisados incluem uma versão abreviada do bumba-meu-boi. Os participantes usam roupas e chapéus coloridos e ricamente ornamentados com vidrilhos, lantejoulas, fitas e espelhos. Segundo a crença popular, os espelhos têm o poder de proteger os dançarinos contra o mau-olhado.

Halloween - A festa de Halloween (redução de All Hallows' Eve, véspera do Dia de Todos os Santos) é celebrada nos Estados Unidos no dia 31 de outubro. Nessa data, crianças fantasiadas de monstros, fantasmas e bruxas batem à porta das casas para pedir doces e ameaçam pregar peças aos que se recusam a atendê-las.

O símbolo do Halloween -- uma lanterna feita com uma abóbora recortada à maneira de um rosto demoníaco e com uma vela acesa em seu interior -- serviria para orientar os mortos na noite de visita à Terra.

O Halloween tem origem nas festas pagãs de Samhain, celebradas pelos celtas durante a Idade Média, na Bretanha e na Irlanda, para comemorar a passagem do outono para o inverno. A data marcava também a véspera do ano novo, no tempo dos celtas e anglo-saxões. Durante os festejos, imensas fogueiras eram acesas no alto das colinas para afugentar os maus espíritos e acreditava-se que as almas dos mortos visitassem suas casas nesse dia.

As comemorações influenciaram a festa cristã do All Hallows' Eve, celebrada na mesma data. Com o tempo, muitos dos costumes do Halloween associaram-se a brincadeiras de crianças. A tradição foi levada para os Estados Unidos por imigrantes, principalmente irlandeses, e popularizou-se no final do século XIX. No Brasil, o costume de comemorar o Halloween (também chamado Dia das Bruxas), principalmente em festas à fantasia, data de meados da década de 1980.

#HALLOWEEN

Eldorado, Lugar Mítico da América do Sul - Lugar mítico, de riquezas abundantes e fáceis, o Eldorado é provavelmente o mais conhecido dos muitos mitos sobre cidades de ouro, como Cíbola, Quivira, a Cidade dos Césares e o Outro México. Originalmente Eldorado era o mítico soberano de uma cidade indígena, próxima a Bogotá, que, segundo a lenda, besuntava o corpo com ouro em pó, para em seguida banhar-se no lago de Guatavitá, onde seus súditos ofertavam joias e pedras preciosas ao deus Sol.

No século XVI, a crença de que o Eldorado estava no Novo Mundo ativou a cobiça de muitos conquistadores. O sonho nunca se tornou realidade, mas induziu à exploração de grande parte do continente americano.

#ELDORADO, LUGAR MÍTICO DA AMÉRICA DO SUL

As primeiras lendas sobre Eldorado (o homem de ouro) chegaram aos ouvidos dos conquistadores espanhóis antes de 1530. As joias obtidas no México por Hernán Cortés, em 1521, e no Peru, por Francisco Pizarro, em 1533, alimentaram ainda mais a ilusão daquele reino, que alguns identificavam com uma cidade de nome Omagua, situada nas regiões montanhosas da Colômbia. Outro relato que alimentou a lenda dizia respeito ao soberano ou sacerdote dos chibchas, que em certas cerimônias ungia o corpo com uma resina odorífera e pó de ouro, para em seguida banhar-se no rio.

Sebastián de Belalcázar partiu de Quito em 1536, em busca da cidade. No ano seguinte o explorador alemão Nikolaus Federmann também foi para a região. No mesmo ano, Gonzalo Jiménez de Quesada chegou ao reino dos chibchas, onde os índios lhe indicaram o caminho para o lago de Guatavitá. Como ninguém encontrou o tão ansiado ouro em suas águas, a procura do Eldorado expandiu-se para os vales do Orinoco e do Amazonas, até a Guiana, e novas cidades lendárias, como Manoa, passaram a ser centro de atração dos conquistadores. Em 1539, Gonzalo Pizarro atravessou os Andes, a partir de Quito; Francisco de Orellana, entre 1541 e 1542, desceu o rio Napo até o Amazonas, que percorreu até o oceano Atlântico. Jiménez de Quesada empreendeu nova viagem exploratória a leste de Bogotá entre 1569 e 1572. Antonio de Berrío explorou os territórios do leste de Los Llanos e o oeste da desembocadura do Orinoco, em 1585. Pero Coelho de Sousa percorreu, em 1603, o norte de Pernambuco. Outros que tentaram em vão encontrar o Eldorado foram Sir Walter Raleigh, em 1617, e frei Domingo de Brieva e frei Andrés de Toledo, em 1637.

Novas expedições e novas desilusões se sucederam até o final do século XVIII. Eldorado transformou-se mais tarde em símbolo dos que se lançam em aventuras fantásticas.
#BOTO (PERSONAGEM MITOLÓGICO DA AMAZÔNIA)

Boto (Personagem Mitológico da Amazônia) - Boto é o personagem mitológico da Amazônia que se transforma de cetáceo em homem para praticar estripulias entre as mulheres ribeirinhas. Seduz as moças que vivem às margens dos cursos d'água amazônicos e é responsável por todos os filhos de paternidade ignorada. Nas primeiras horas da noite, transforma-se num belo rapaz branco, alto e forte, que dança muito bem e gosta de beber. Vai aos bailes e frequenta reuniões, onde encontra as moças que por ele se apaixonam. Comparece pontualmente aos encontros que marca com elas, mas antes de clarear o dia salta para dentro do rio e volta a assumir a forma de boto. Dizem algumas versões do mito que o boto, quando está transformado em homem, nunca tira o chapéu branco para que não lhe vejam o orifício que tem no alto da cabeça.

Nenhum animal amazônico é objeto de tantas histórias quanto o boto. Acreditam os folcloristas que as lendas não têm origem indígena, ao contrário do que se pensa, mas teriam sido criadas pela imaginação do colono português.

Outras histórias misteriosas são atribuídas ao boto. Uma versão, das mais antigas, diz que ele tem o hábito de assumir forma de mulher, de cabelos longos até o joelho, que sai a passear à noite e encaminha os rapazes para o rio, onde os afoga. A associação do boto, ou delfim, aos assuntos amorosos remonta à antiguidade. Grécia e Roma consagraram-no a Afrodite e Vênus, porque os movimentos de seu deslocamento na água, levantando e abaixando o dorso, sugerem movimentos do ato sexual.

Danças folclóricas brasileiras - Surgidas no seio do povo e transmitidas ao longo das gerações, as danças folclóricas brasileiras representam fatos e passagens das origens culturais do Brasil, inspiradas em rituais religiosos pagãos e cristãos. Um dos elementos comuns a muitas delas é o cortejo, que assume por vezes importância maior que a própria ação. O cortejo é originário de uma mistura das procissões jesuíticas -- das quais participavam os fiéis, os cristãos-novos e os gentios, com suas roupas de festa e instrumentos musicais -- e também dos cortejos africanos. Os participantes seguiam de casa em casa, cantando e dançando até o local da representação, chamada embaixada.
 #Danças folclóricas brasileiras

Da fusão de três culturas -- a indígena, das tribos existentes à época da colonização; a negra, dos escravos africanos; e a europeia, do português --, nasceram as danças folclóricas brasileiras.

Essas danças podem ser divididas em três grupos principais: os pastoris, as cheganças e os reisados. Os primeiros são realizados no período natalino, e apresentam duas modalidades: a lapinha e o pastoril propriamente dito. A lapinha, dançada na sala da casa, diante do presépio, por meninas vestidas de pastoras, celebra o nascimento de Cristo. As pastorinhas formam dois cordões: o encarnado, liderado pela mestra, e o azul, pela contramestra. A disputa entre os dois cordões é aproveitada como forma de angariar fundos para as obras sociais da paróquia, pois a cotação de cada cordão vai subindo de acordo com as doações pecuniárias de seus defensores. O pastoril, executado sobre um tablado ao ar livre, tem caráter profano e satírico, e é dançado e cantado por mulheres, dirigidas por um personagem cômico: o cebola, o velho, o saloio, o marujo etc.

As cheganças, executadas em cenário que representa uma grande embarcação e com muitos participantes, têm como tema principal as lutas marítimas e são uma herança cultural das guerras dos cristãos portugueses contra o invasor mouro, daí chamarem-se também cristãos-e-mouros. Existem a chegança dos marujos, que é a marujada ou fandango, e a chegança de mouros, que é a chegança propriamente dita. Representada como uma série de cenas marítimas, culmina com a abordagem dos mouros, que são vencidos e batizados. Em alguns lugares, a chegança denomina-se barca.

O reisado é tradicionalmente executado na véspera do dia de Reis e consiste em uma adaptação coreográfica dramatizada de antigos romances e cantigas populares. A princípio estruturava-se geralmente em um episódio único e podia ser mostrado como um cortejo de pedintes que cantavam versos religiosos ou humorísticos, ou representavam autos sacros sobre a vida de Cristo. Depois incorporou-se a apresentação do bumba-meu-boi, personagem originado dos presépios, que passou a ser apresentado isoladamente, em especial nos festejos juninos.

O bumba-meu-boi, também chamado boi-bumbá ou boi-sumbi, é a dança mais conhecida e popular. Mais simples que as cheganças e os pastoris, que exigem um tablado para serem executadas, o bumba-meu-boi precisa apenas de espaço livre. O enredo do auto se modifica de região para região e não há um modelo fixo de trama.

Há outras formas de danças dramáticas ainda praticadas no Brasil, com maiores ou menores modificações em relação a sua representação original, conforme a região onde são realizadas. Os congos e as congadas, que em sua forma mais primitiva são apenas um cortejo real onde se desfila com cantos e danças, revivem, por meio da ação dramática, as passagens e os costumes da vida tribal africana.

O maracatu é uma derivação das congadas e tem maior penetração em Pernambuco. A dança desenvolve a ação proposta pelos congos, e mantém os personagens básicos: o rei, a rainha e o embaixador. Os cordões de maracatu saem no carnaval e cada um deles leva um nome especial, de origem religiosa ou geográfica, precedido da palavra nação.

Outra dança de carnaval é a dos caboclinhos, de origem indígena, ao som de percussão, sem cantigas e de figurações primárias. Os personagens, fantasiados de índios, simulam movimentos de ataque e defesa. O elemento coreográfico supera o musical e exige um certo virtuosismo dos dançarinos.

Os moçambiques, bailado popular que faz parte dos festejos do Divino Espírito Santo, não apresentam enredo dramático. Originado provavelmente entre os escravos das minas de ouro do Brasil colonial, consiste em um cortejo que desfila dançando pelas ruas. O bailado não segue coreografia predeterminada, e entre um número musical e outro são feitas louvações semelhantes aos cantochões, mais gemidas que cantadas.

Outras formas de dança, que tiveram momentos de maior ou menor penetração no passado, são o lundu, o coco e o cateretê. O lundu, nascido nas senzalas, ganhou as ruas e chegou a penetrar nos palacetes.

O coco, dança popular nordestina, do sertão e do litoral, onde é também chamada coco-de-praia, tem origem africana. A coreografia é semelhante à do bailado indígena, com inúmeras variações. A mais comum é a roda de homens e mulheres, que cantam versos entremeados pelo refrão do solista, chamado "tirador do coco". Para o ritmo, geralmente usam-se apenas as palmas, o zabumba e o ganzá.

O cateretê é uma dança de par, originária da região sul, do período colonial. Apresenta alguns elementos fixos, com duas filas dirigidas por violeiros, uma de homens e outra de mulheres, que dançam ao som de palmas e batidas nos pés.

As danças de quadrilha ocorrem durante as festas juninas, dedicadas a santo Antônio, são João e são Pedro. Tradição difundida nacionalmente, mantém-se mais forte no Nordeste, especialmente nas cidades do interior. São danças de par realizadas coletivamente, sob a coordenação de um mestre-de-cerimônias, que comanda os passos. É evidente a origem europeia, tanto pela coreografia como pelas expressões de comando, gritadas em uma espécie de francês aportuguesado, como "anavantu" (en avant tous!, "todos à frente!") e "anarriê" (en arrière!, "para trás!").

A ciranda, de origem portuguesa, é dançada em rodas concêntricas, homens por dentro e mulheres por fora. Música e letra são originalmente portuguesas, embora já totalmente abrasileiradas. Existe uma versão infantil, que lhe é anterior, a cirandinha, famosa pela letra e música -- Ciranda, cirandinha /  vamos todos cirandar / Vamos dar a meia-volta / volta-e-meia vamos dar -- que atravessou séculos sem alteração, como costuma acontecer com as brincadeiras infantis.

Festa do Senhor do Bonfim - Os festejos, que duram nove dias consecutivos, têm como centro a imagem do Cristo crucificado, venerada na igreja do Bonfim, em Salvador - BA. Por seu caráter popular, pelo sincretismo afro-católico e pela persistência de antigas tradições portuguesas, a festa só é comparável à de Nossa Senhora da Penha, no Rio de Janeiro; de são Francisco de Canindé, no Ceará; de Nossa Senhora de Nazaré, no Pará; e de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo.

#Festa do Senhor do Bonfim

Além de ser uma das mais populares comemorações religiosas da Bahia e do Brasil, a tradicional festa do Senhor do Bonfim encerra alto interesse etnográfico e folclórico.

A imagem, semelhante à que existia em Setúbal, em Portugal, foi trazida em 1745 para Salvador por Teodósio Rodrigues Faria, oficial da Marinha portuguesa. Fundou-se logo na cidade uma associação com a finalidade de propagar a devoção ao Bom Jesus do Bonfim e construir-lhe uma igreja. Esta, localizada no topo de uma colina, ficou pronta em 1754. A devoção, mantida pelo impulso popular, com o tempo enriqueceu-se de elementos folclóricos.

O principal deus africano, Orixalá ou Oxalá, era, por coincidência, cultuado no topo de colinas. Esse aspecto do misticismo africano muito contribuiu para a identificação dos dois cultos na consciência do escravo. No início, os festejos religiosos que se realizavam durante a novena do Senhor do Bonfim eram apenas a repetição da velha maneira portuguesa de animar o novenário de padroeiros e santos protetores, mas foram adquirindo características locais.

As primeiras festas se realizaram na Páscoa, mas já em 1773 deu-se a transferência para o mês de janeiro, começando no segundo domingo depois do dia de Reis. Os dias mais festivos são a segunda e a sexta-feira. Na quinta-feira anterior ao início da novena, faz-se, como preparação para a festa, a lavagem do adro da igreja. A água para tal fim deve ser tirada do poço de Oxalá. Nasceu essa tradição de uma promessa de um soldado português que lutou na Guerra do Paraguai. Prometera ao Senhor do Bonfim que, voltando vivo, lavaria sua igreja.

Boitatá (Cobra-de-Fogo) - No Brasil, a cobra-de-fogo, segundo a lenda indígena, vagava pelos campos protegendo-os contra aqueles que os incendeiam. Às vezes, transformava-se em grosso madeiro em brasa que fazia morrer, por combustão, quem queima inutilmente os campos. O padre Anchieta se refere ao boitatá em carta de 31 de maio de 1560: "Há também outros (fantasmas), máxime nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e dos rios, e são chamados baetatá, que quer dizer coisa de fogo, o que é o mesmo que se dissesse o que é todo fogo. Não se vê outra coisa senão facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os como os curupiras; o que seja isto, ainda não se sabe com certeza."

#BOITATÁ (COBRA-DE-FOGO)

Conhecido em quase todas as culturas, o mito inspirado pelo fogo-fátuo ou fogo de santelmo tem no boitatá sua versão brasileira.

No Nordeste, o mito do fogo-fátuo chama-se fogo-corredor e Câmara Cascudo o encontra entre pescadores de caranguejos, habituados a vê-lo bailar nos mangues; Cornélio Pires mostra que em São Paulo chama-se bitatá; em Minas Gerais, é o batatal; já em Sergipe tomou o nome jã-de-la-foice (Jean Delafosse).

Trata-se de um mito antiquíssimo, com inúmeras versões. Na Alemanha é a Irrlicht (a luz louca), carregada por minúsculos e invisíveis anões; na Inglaterra é o jack-with-a-lantern, que em forma de fantasma, guiava os viandantes pelos charcos e banhados; na França é o moine des marais (monge dos banhados), semelhante ao mito inglês; e em Portugal, são as alminhas, as almas dos meninos pagãos ou as almas penadas de quem deixou o dinheiro enterrado e não pode se salvar enquanto esse permanecer infrutífero.
#BUMBA-MEU-BOI Bumba-Meu-Boi - Esse folguedo é encontrado em todo o Brasil e recebe nomes diferentes de acordo com a região. No Nordeste é conhecido por bumba-meu-boi; no Centro-Oeste, chama-se boi-a-serra; em Santa Catarina, boi-de-mamão; e nos estados do Norte, boi-bumbá. Em todos, o tema central é a morte e a ressurreição de um boi. O auto do boi em sua versão mais completa é apresentado no Maranhão, Pará e Amazonas. No enredo, a mãe Catirina, grávida, sente vontade de comer língua de boi. Para satisfazer seu desejo, o marido, Pai Francisco, mata o boi mais bonito da fazenda do patrão. O rico fazendeiro descobre e manda prendê-lo. Com a ajuda de um "doutor de boi" ou de um pajé, o animal é ressuscitado, e pai Francisco, perdoado. Elemento principal do folguedo, o boi é feito de uma armação revestida de tecido e enfeitado. Dentro dele, um homem pula e dança entre a multidão. Nos demais estados brasileiros, o auto aparece resumido, iniciando ou concluindo outros folguedos. Em cada lugar onde a narrativa é encenada, juntam-se em torno do boi personagens locais, como o prefeito, o doutor, os índios, os caboclos, além de personagens fantasiados de bichos. A história é acompanhada por instrumentos, como pandeirão, zabumba, matraca, maraca, tambor onça (cuíca grave). É encenado tradicionalmente entre o Natal e o Dia de Reis na Região Nordeste, e durante as festas juninas no Maranhão e nos estados do Norte. No Maranhão, existem bois de estilos diferentes: os africanos bois de zabumba, os bois de matraca e os carnavalizados bois de orquestra, acompanhados de fanfarras. A diferença entre eles está nos ritmos, nas vestimentas, nos instrumentos e nos estilos de dança. No Amazonas, o boi da ilha de Parintins adquiriu tamanha popularidade que foi construído um bumbódromo para sua festa.

#Bordado
 
Bordado - Bordado é a arte de ornamentar os tecidos com fios diferentes, formando desenhos. Esse trabalho executa-se à mão ou à máquina, com agulhas de várias grossuras e feitios, inclusive as de gancho ou crochê. Os fios empregados para bordar podem ser os mais variados: de algodão, seda, linho, ráfia, ouro e prata, e ainda de fibra sintética, náilon, acrílico e celofane. O bordado, além dos fios, complementa-se com outros elementos que vão de materiais preciosos, como ouro, prata, pérolas, pedras preciosas, lantejoulas e canutilhos, até os mais rústicos, como sementes, conchinhas, palha, contas de vidro ou de madeira etc. O bordado pode ser plano ou em relevo,  que por vezes o torna semelhante a uma escultura.

Ao contrário de outros artesanatos têxteis, o bordado teve desde suas origens uma função essencialmente estética e não utilitária, e por isso se tornou um campo muito atraente para a arte popular.

História - Presume-se que o bordado seja uma das artes aplicadas mais antigas, que deve ter surgido logo após a descoberta da agulha. Por serem executados em material perecível, o tecido, os mais antigos bordados não se conservaram. Para estudá-los é preciso recorrer à documentação fornecida por monumentos antigos, em cujos baixos-relevos, esculturas, pinturas e gravuras são representados.

Nas civilizações antigas que se desenvolveram nas margens do Eufrates, a arte do bordado foi muito cultivada. Nos monumentos da Grécia antiga, aparecem figuras com túnicas bordadas. Os hebreus também usavam bordados, cuja invenção atribuíram a Noema. Em várias passagens da Bíblia há referência à arte de bordar. Homero fala dos bordados de Helena e Andrômaca, nos quais essas princesas documentaram episódios da guerra de Troia. Os romanos pouco utilizaram o bordado até a formação do império, mas, a partir de então, essa arte generalizou-se.

Foi a partir do século VII, porém, que o interesse pelo bordado se tornou sistemático no Ocidente. Nos séculos seguintes, sua prática intensificou-se, a ponto de abadias e mosteiros se transformarem em verdadeiras oficinas de artesanato. As rainhas e suas damas também se dedicavam ao bordado. Em breve apareceram armas, brasões, escudos e pendões bordados a cores e em ouro e prata. No século XVI, difundiu-se o costume de bordar cenas semelhantes a pinturas, reproduzindo temas religiosos, históricos etc.

A Itália era, então, o centro de todas as artes. Os bordados italianos serviam de modelo para toda a Europa. O bordado, que até então era plano ou em relevo, tornou-se recortado e rendado, dando origem às rendas. Na Renascença, o bordado assumiu a condição de artesanato puramente decorativo. Já então não se limitava a ornamentar as vestes religiosas e civis: seu uso estendeu-se à decoração de interiores, em tapeçaria, estofos para móveis, reposteiros etc. No século XVII, começaram-se a bordar as toalhas de mesa e no século XVIII as roupas íntimas, aparecendo assim o bordado a branco.
Em 1821, um operário francês inventou a primeira máquina de bordar. Com seu aperfeiçoamento e sua multiplicação, o século XIX conheceu o declínio do bordado até o surgimento, já no final do século, de movimentos como o "Arts and Crafts" ("Artes e Ofícios") de William Morris, que o revitalizaram.

No século XX, apesar de ser possível a reprodução mecânica de todos os tipos de bordado, certos gêneros caíram em desuso e ocorreu um fenômeno de revalorização dos bordados manuais, a branco ou de aplicações complementares, que se tornaram símbolos de alto nível social. Até a década de 1950, inclusive, era costume o uso de peças bordadas em branco sobre branco: lençóis, toalhas de mesa e lenços. O bordado da ilha da Madeira, executado em fio azul bem claro sobre tecido branco, fazia parte do enxoval dos bebês.

Os luxuosos modelos dos vestidos de noite, copiados da alta costura, em geral eram bordados com aplicações de strass, lantejoulas, canutilhos, pérolas, fios dourados e prateados, com ornamentos e tecidos não contrastantes. Também os trajes de espetáculos musicais obedeciam a esse padrão, com variações mecanizadas e bem coloridas. A tendência à reciclagem estilística da moda fez com que os vestidos de noite bordados com aplicações voltassem.

O bordado de cor, manual, tradicionalmente se fez representar nos trabalhos folclóricos em todo o mundo, bastante valorizados. Nas fantasias dos desfiles de carnaval brasileiros, também são muito usados os bordados de todos os tipos. Os tapetes artesanais permaneceram muito bem cotados e difundidos, entre os quais o tipo arraiolo. Quanto à tapeçaria de parede, alguns artistas plásticos brasileiros como Genaro (Genaro Antônio Dantas de Carvalho) ficaram famosos elevando-a à categoria de obra de arte. Destacam-se, também, as tapeçarias de Madeleine Colaço, que inventou o ponto brasileiro, e Concessa Colaço.

O bordado a máquina conservou algum prestígio no gênero branco e no ornamento de tom idêntico ao do tecido, empregado em pequenos detalhes e em arremates muito estreitos de vestidos e blusas. Mesmo depois de industrializado, o bordado inglês permaneceu em uso, periodicamente reciclado pela moda, nos trajes femininos e infantis, e no adorno de fronhas e lençóis finos. O bordado de cor, mecanizado ou artesanal, simples e em diversas modalidades, desvalorizou-se muito (com exceção das peças folclóricas), embora ainda seja bastante usado, geralmente em tons claros, em roupas de crianças pequenas. O recamo de cor, mecanizado ou manual, atravessou o século, desde a criação dos tailleurs Chanel, sempre copiados.

A partir da década de 1970, o uso de materiais alternativos, pesquisas de novas fibras para tecidos e tendências extravagantes ou ecológicas da moda fizeram com que, periodicamente, surgissem peças de vestuário feminino em tecido ou tricô bordados com aplicações de conchinhas, miçangas, sementes, plaquinhas de metal etc. Tais fenômenos atestam a vitalidade e a capacidade de renovação da arte de bordar no século XX.

Tipos e materiais - Podem-se distinguir três tipos de bordado: o bordado a branco, o bordado de cor, que inclui os trabalhos de ouro e prata, e o bordado sobre tela, que inclui a tapeçaria, executado a agulha com lãs ou sedas.

Bordado a branco - Assim chamado porque se executa sobre toda espécie de tecido branco, com linhas de algodão, linho ou torçal da mesma cor do fundo, o bordado a branco também abrange o mesmo gênero de trabalho feito com cores delicadas, tom sobre tom. Os pontos mais empregados no bordado a branco são os do bordado de passagem, que se faz executando os contornos e as nervuras do desenho com pontos chamados de passagem, e depois preenchendo-os com esses mesmos pontos.

A essa variedade pertence o bordado recortado ou festão, que consiste em bordar e recortar o tecido, sem que desfie, seguindo os contornos de um desenho denteado. As variações desse tipo de bordado são o ponto veneziano, o ponto renascença e o ponto Richelieu. O bordado a cheio, ou ponto real, se faz sobre tecidos leves, como a cambraia, a opala, a batista e a musselina, por meio de um ponto horizontal que abraça o tecido tanto embaixo quanto em cima. O bordado inglês mistura o bordado de recorte e o cheio. O bordado de renda executa-se puxando fios de um tecido leve ou com aplicações mais ou menos complicadas. É um tipo de trabalho que tem antiga tradição em Portugal e no norte do Brasil, onde é chamado crivo.

Bordado de cor - Consiste o bordado de cor no uso de fios tintos em todas as cores e tons, e de fios de ouro e prata; já foi empregado pelos povos orientais. Os principais bordados de cor são o bordado de aplicação ou em relevo, o bordado mosaico, o recamo, o bordado de transporte e a guipure. O bordado de aplicação ou em relevo é aquele cujos ornamentos sobressaem, ganham relevo, graças à colocação, por baixo dos pontos, de algodão, feltro, cartão ou pergaminho, que os sustêm. No bordado mosaico, reúnem-se pedaços de tecido de diversas cores.

O bordado de transporte se executa trabalhando as partes do desenho em separado, para depois colocá-las sobre o tecido-base. O recamo é obtido cosendo-se no tecido-base galões, cordões e passamanaria, por meio de pontos bem juntos. Na guipure, uma série de bordados de aplicação se misturam, incluindo-se, em geral, entre seus elementos ouro, prata e pedras preciosas. Os paramentos litúrgicos quase sempre são bordados nesse tipo.

Pertencem também a essa categoria o bordado a matiz, conhecido como pintura a agulha, pois os fios estão dispostos de modo a imitar o mais possível a coloração natural dos objetos; o bordado de cadeia, gênero antigo e muito empregado no Oriente, que se fazia com os dedos e agulhas de coser e, com o surgimento do tambor, passou a ser executado com agulhas de crochê; e o ponto de nós, que se produz com uma sequência de nós simples, cegos, ou corrediços, que formam uma roseta.

No bordado árabe, o ouro, a prata e as pérolas reúnem-se com fios de cor, ora sobre tecidos transparentes, gazes ou musselinas, ora sobre tecidos espessos e até couro, para aí desenhar modelos da maior fantasia. As letras árabes entrelaçadas, ou arabescos, dão a esse bordado seu cunho particular. O bordado chinês e o japonês usam uma variedade enorme de tonalidades de fios, o que lhes confere efeitos de luz e de cores de grande beleza.

Bordado sobre tela - O bordado sobre tela ou talagarça executa-se sobre um tecido de trama frouxa, que serve de guia para contar os pontos; uma vez pronto o trabalho, a tela é desfiada, deixando sobre o tecido-base apenas o bordado. A tapeçaria também emprega os pontos contados sobre um fundo de tela que permanece. Tem esse nome porque o resultado final do trabalho aparenta a tapeçaria tecida no tear. Pode ser feita com lãs, sedas ou fios metálicos.

#Dança, Origem da DançaDança, Origem da Dança - A dança é uma das mais simples e universais manifestações artísticas, a qual consiste no movimento rítmico e coordenado dos corpos. Talvez pelo fato de não requerer nenhum tipo de instrumento, encontramos registros de sua prática nos mais remotos agrupamentos humanos.

Acredita-se que a mesma era um mecanismo especializado de atração e conquista entre os homens pré-históricos. Nas antigas civilizações, passou a fazer parte de inúmeros rituais religiosos, com o intuito de adorar deuses ou clamar por fertilidade. No início ao fim da Idade Antiga é possível identificar o desenvolvimento da dança e seu aperfeiçoamento.

Nos Jogos Olímpicos, por exemplo, este era um elemento fundamental. Posteriormente, no período do Renascimento, a dança teve um enorme avanço, passando a ter um caráter teatral. Foi assim que surgiram dois importantes estilos: o sapateado e o balé.

Já as danças feitas em pares, como a valsa, o tango e a polca, por exemplo, foram surgir somente no século XIX, embora tenham sofrido forte resistência por parte dos conservadores da época. Hoje em dia, a dança incorporou elementos culturais de diversas regiões do mundo, de negros, índios e brancos, o que resultou na criação de outros estilos, como o samba, por exemplo
#FolguedoFolguedoSão folguedos que representam danças e manobras guerreiras dos índios brasileiros. Os participantes vestem tangas, peitorais e cocares feitos de penas coloridas, e as coreografias são bem ágeis. No passado, é possível que esses folguedos tenham sido praticados por índios e reelaborados pelos jesuítas com fins catequéticos. Agora, no entanto, restam poucas referências verdadeiramente indígenas nesses folguedos. Nos caboclinhos do Carnaval do Recife (PE) e nas carnavalescas tribos de índio da Paraíba, são usadas preacas – espécies de arco e flecha com função percussiva. A música é entoada por um grupo instrumental no qual se destaca uma pequena flauta de nome gaita. No Brasil Central, encontram-se grupos de caboclos em Minas Gerais, fazendo parte do congado e devotos de Nossa Senhora do Rosário. Em Goiás, há os tapuias, vestidos com palha e cocares com chifre. E, em São Paulo, aparecem os caiapós, com corpo pintado de azul e vestidos de palha.

#Jogral
Jogral - O termo jogral designava, na Idade Média, as pessoas que se dedicavam a entreter tanto o povo como os nobres e monarcas. Vestido de forma extravagante e quase sempre portador de instrumentos musicais (harpa, saltério, alaúde, gaita), acompanhado de algum animal, o jogral viajava de cidade em cidade, de corte em corte, e em cada lugar mostrava aos habitantes seus saberes e destrezas. Relatava fatos históricos célebres ou notícias recentes, narrava contos épicos protagonizados por heróis míticos, cantava, apresentava números de prestidigitação e acrobacia. Em troca, recebia algum dinheiro, mas sobretudo víveres e hospedagem.

Figura emblemática do ambiente cultural da Idade Média, o jogral divertiu, com seus textos e suas músicas, inumeráveis povoados e cortes.

Muitas vezes comparou-se o jogral ao trovador, o que não é certo, já que o segundo pertencia às classes altas e recitava composições originais, enquanto o jogral, procedente de uma camada social mais baixa, recebia pagamento por seu trabalho e não recitava versos próprios, mas alheios. Assim, converteu-se no principal transmissor de numerosos textos poéticos e relatos, que constituiriam o chamado mester de juglaría, expressão espanhola antiga equivalente a mister ou ofício de jogral, em oposição a mester de clerecía, arte literária própria dos clérigos medievais cultos. Os jograis desenvolveram método próprio, caracterizado pelas improvisações e o estilo livre e narrativo.

As mais destacadas manifestações dessa literatura foram os cantares épicos, cultivados principalmente na Espanha e na França, como o Cantar de mío Cid (Cantar do meu Cid) ou a Chanson de Roland (Canção de Rolando). Essas gestas heróicas tinham certa base histórica e elementos legendários, e posteriormente foram convertidas em prosa em diversas crônicas históricas. Os relatos religiosos versavam sobre vidas de santos exemplares, como a Vida de santa Maria Egipcíaca, ou temas bíblicos, que serviam para reavivar os sentimentos religiosos da população.

Os jograis não gozavam de bom conceito na sociedade da época e eram constantemente tachados de imorais e dissolutos, tanto pelas autoridades religiosas quanto como pelo poder constituído. Assim procedeu, por exemplo, o rei castelhano Afonso X o Sábio em seu texto Las siete partidas.

Ante a impossibilidade de dominar todas as artes, os jograis se especializaram. Quando, no século XV, seu ofício começou a decair, acabaram por associar-se a outros indivíduos de profissões semelhantes, como os bufões, os menestréis, os mímicos e os goliardos, que tenderam a agrupar-se, em caráter estável, nas diferentes cortes ou palácios nobiliários.

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História do Carnaval no Brasil e no Mundo

História do Carnaval no Brasil e no Mundo

#História do Carnaval no Brasil e no Mundo

Carnaval é o período de festas e divertimento compreendido entre o dia de Reis e a Quaresma, especialmente os três dias que precedem a quarta-feira de Cinzas, em fevereiro ou março. Entre as festas carnavalescas realizadas fora do calendário oficial podem ser citadas a mi-carême, na França, e a  "serração da velha", no Brasil. Segundo Luís da Câmara Cascudo, esta última consistia numa festa popular em que "um grupo de foliões serrava uma tábua, aos gritos estridentes e prantos intermináveis, fingindo serrar uma velha que, representada ou não por algum dos vadios da banda, lamentava-se num berreiro ensurdecedor". Essa cerimônia caricatural esteve muito em voga no século XVIII, em Portugal, e tinha lugar principalmente durante a Quaresma. Tal modalidade de divertimento surgiu no Brasil no início do século XVIII.

A dança, o canto, a máscara e a liberdade de comunicação entre as pessoas, refreada durante o ano, caracterizam o carnaval, festa popular que valoriza a força erótica, o riso e o inusitado.

Não se sabe ao certo qual a origem da palavra carnaval. Na opinião de Antenor Nascentes, se aplicava originariamente à terça-feira gorda, a partir de quando a Igreja Católica proibia o consumo de carne. Outros etimólogos propõem como origem o baixo latim carnelevamen, modificado mais tarde em carne, vale! que significa "adeus, carne!" Carnelevamen pode ser interpretado como carnis levamen, "prazer da carne", antes das tristezas e continências que marcam o período da Quaresma.

Origem e antiguidade clássica

A origem do carnaval é também objeto de controvérsia, mas tem sido frequentemente atribuída à sobrevivência e evolução do culto de Ísis, das bacanais, lupercais e saturnais romanas, das festas em homenagem a Dioniso, na Grécia, e até mesmo das festas dos inocentes e dos doidos, na Idade Média. Por sucessivos processos de deformação e abrandamento, essas festas teriam dado origem aos carnavais dos tempos modernos, como os que se realizam em Nice, Paris, Roma, Veneza, Nápoles, Florença, Munique e Colônia. Independentemente de sua origem, é certo que o carnaval já existia na antiguidade clássica e até mesmo na pré-clássica, com danças ruidosas, máscaras e a licenciosidade que se conservam até a época contemporânea.

Idade Média

A Igreja Católica, se não adotou o carnaval, teve para com ele alguma benevolência. Tertuliano, são Cipriano, são Clemente de Alexandria e o papa Inocêncio II foram grandes inimigos do carnaval mas, no século XV, o papa Paulo II foi muito mais tolerante e chegou a autorizar o uso da Via Lata, diante de seu palácio, como palco do carnaval romano, com corridas de cavalos, carros alegóricos, batalhas de confetes, corrida de corcundas, lançamento de ovos e outros folguedos populares.

Essas formas de bufoneria medieval entraram em declínio e o carnaval tornou-se menos grosseiro e violento. O tétrico e o macabro tomaram o lugar do deboche. Ficaram célebres as famosas danças macabras da Idade Média, durante as quais homens e mulheres desfilavam diante da Morte, que, impassível, lhes ouvia as queixas e, "depois de chasquear um verso com os suplicantes, lhes descarregava a foice".

Renascimento e tempos modernos. Introduzido pelo papa Paulo II, o baile de máscaras começou a fazer sucesso nos séculos XV e XVI, na Itália e também na França, onde sobreviveu durante a revolução francesa e depois dela, com um período de renascimento entre 1830 e 1850. Ainda no século XIX, em Londres, ficou famoso o baile promovido pelo Instituto Real de Pintores e Aquarelistas em 1884, quando os artistas ingleses se fantasiaram com máscaras dos mestres do passado ou de príncipes e monarcas amigos.

O carnaval transformou-se, assim, numa celebração ordeira de caráter artístico, com bailes e desfiles alegóricos, forma que iria aos poucos desaparecer na Europa, entre o final do século XIX e início do século XX. Essas características, no entanto, sobreviveram em carnavais de algumas cidades europeias, entre as quais Munique e Nice.

Carnaval no Brasil

O entrudo português constituiu, no Brasil colonial e monárquico, a forma mais comum de brincar o carnaval. Consistia num folguedo violento: eram atiradas sobre as pessoas água, farinha, cal e outras substâncias que molhavam e sujavam o transeunte. Proibido no Rio de Janeiro pelo prefeito Pereira Passos, em 1904, e alvo de protestos na imprensa, o entrudo civilizou-se progressivamente até o aparecimento de outros instrumentos de brincadeiras: o confete, a serpentina e o lança-perfume.

Carnaval carioca

O zé-pereira (tocador de bombo) marcou época nos antigos carnavais do Rio de Janeiro. O sapateiro português José Nogueira de Azevedo teria sido o introdutor, em 1846, do hábito de animar a folia carnavalesca com zabumbas e tambores, percutidos em passeata pelas ruas. Meio século mais tarde, o ator Francisco Correia Vasques encenou uma paródia de Les Pompiers de Nanterre (Os bombeiros de Nanterre), na qual cantou a quadrinha que celebrizou o já consagrado personagem carnavalesco: "E viva o zé-pereira / Pois que a ninguém faz mal / Viva a bebedeira / Nos dias de carnaval."

Bailes

O primeiro baile carnavalesco carioca realizou-se no Hotel de Itália, na atual praça Tiradentes, por iniciativa dos proprietários, animados pelas notícias do sucesso dos bailes de máscaras europeus. Em 1846 a atriz Clara Dalmastro organizou um baile de máscaras no teatro São Januário, dando início à moda dos bailes em casas de espetáculos, generalizada por volta de 1870. No final do século, cerca de cem bailes eram oferecidos aos carnavalescos da cidade, em teatros e clubes. Celebrizaram-se os bailes do Teatro Municipal, realizados de 1932 a 1975, e os dos hotéis de luxo como o Glória, o Copacabana Palace e o Quitandinha, em Petrópolis.

Máscaras e fantasias

Até a década de 1930, era costume brincar o carnaval com fantasias ou máscaras, estas introduzidas em 1834 por influência francesa. As ricas máscaras de veludo ou cetim, assim como as fantasias de marinheiro, pierrô, colombina e arlequim usadas nos bailes, foram progressivamente abandonadas e substituídas por trajes sumários e confortáveis. Sobreviveram nas ruas os foliões vestidos de mulher, autênticos travestis ou brincalhões grotescamente disfarçados, hábito já registrado em carnavais de meados do século XIX. Outros personagens são encarnados especialmente por crianças, como os super-heróis da televisão, os palhaços e o bate-bola. Em meados do século XX despertavam admiração os desfiles de riquíssimas fantasias, restritos aos salões, em que se atribuíam prêmios nas categorias luxo e originalidade.

Corsos

A moda do corso, lançada em fins da década de 1900, mobilizou multidões durante aproximadamente trinta anos. Consistia numa passeata carnavalesca de automóveis enfeitados que conduziam foliões, os quais brincavam com os demais participantes e com os pedestres. Confete, serpentina e lança-perfume eram usados em profusão, enquanto se cantavam os sucessos musicais do carnaval do ano ou de anos anteriores. O corso se iniciava às quatro horas da tarde do domingo de carnaval e se prolongava pela madrugada. Essa modalidade carnavalesca desapareceu com o advento dos carros fechados, que substituíram os conversíveis usados nos corsos.

Cordões, blocos e ranchos

Os cordões começaram a participar dos festejos carnavalescos da cidade por volta de 1880, para desaparecer nos primeiros anos do século XX. Entre esses primeiros grupos de mascarados, em que saíam palhaços, reis, diabos e baianas, contam-se o Flor de São Lourenço, o Cordão dos Invisíveis, o Estrela da Aurora e a Sociedade Carnavalesca Triunfo dos Cucumbis. Estruturavam-se segundo uma mesma norma: um conjunto de foliões fantasiados, conduzidos por um mestre munido do apito de comando, dançava e cantava ao som de instrumentos de percussão. Era costume expor os estandartes dos cordões nas sedes dos jornais, antes do carnaval.

Os blocos, grupos de foliões fantasiados que se divertem em passeatas carnavalescas pelas ruas, dançando e cantando ao som de baterias, são outra tradição do carnaval carioca e de outras cidades do Brasil. Os ranchos carnavalescos, originados do rancho de Reis nordestino, começaram a aparecer no carnaval carioca no início do século XX como cortejo mais organizado e evoluído que o cordão e o bloco. Desfrutaram de grande popularidade junto aos apreciadores do carnaval de rua o Flor do Abacate, Ameno Resedá, Mamãe Lá Vou Eu e Rosa de Ouro.

Sociedades carnavalescas

As grandes sociedades que apareceram na segunda metade do século XIX não se limitavam aos desfiles carnavalescos. Seu prestígio se apoiava também em atividades sociais e políticas. Os integrantes das sociedades eram cidadãos participantes da vida nacional, abolicionistas e republicanos, e os grandes clubes funcionavam também como sociedades literárias e musicais. Nos chamados carros de crítica, tomavam posição contra abusos e erros das autoridades ou a propósito de questões em que a coletividade estivesse empenhada.

O Congresso das Sumidades Carnavalescas foi responsável pelo primeiro desfile do gênero, em 1855. Surgiu logo depois a União Veneziana, de curta duração, e duas dissidências do Congresso das Sumidades: a Euterpe Comercial e os Zuavos Carnavalescos. Os Tenentes do Diabo desfilaram em préstito pela primeira vez em 1867 e fizeram história como uma das mais populares sociedades carnavalescas. Seus aficionados eram chamados baetas. Outras sociedades muito populares foram os Democráticos, cujos admiradores se chamavam carapicus, e os Fenianos, cujo nome é uma referência aos revolucionários irlandeses que lutavam contra os britânicos, aplaudidos pelos "gatos". A Embaixada do Sossego, o Clube dos Embaixadores, os Pierrôs da Caverna, o Clube dos Cariocas e os Turunas de Monte Alegre também saíam em préstitos, formados por batedores, carro abre-alas, uma comissão de frente montada, um carro-chefe, carros alegóricos e de crítica e banda de clarins.

Escolas de samba

A Deixa Falar, do bairro do Estácio, que reunia os sambistas Nilton Bastos, Ismael Silva e Alcebíades Barcelos (Bide), foi a primeira escola de samba do Rio de Janeiro, fundada em 1928. A praça Onze foi eleita pelos sambistas para as concentrações nos domingos e terças-feiras de carnaval. Logo se multiplicaram as agremiações, algumas das quais desapareceram com pouco tempo de existência e outras prosperaram, como a Estação Primeira, do morro da Mangueira; a Vai Como Pode, futura Portela, do bairro de Madureira, e outras.

As escolas de samba da atualidade são sociedades civis legalmente registradas, elegem dirigentes e dispõem de órgãos representativos. As mais importantes têm sede própria, denominada quadra, onde se realizam bailes e ensaios durante os meses que precedem o carnaval. Algumas desenvolvem atividades assistenciais, principalmente com as crianças da comunidade.

Uma escola de samba, ao desfilar, dispõe em certa ordem os elementos que a constituem. O carro abre-alas inicia o desfile, seguido da comissão de frente, que representa a direção da escola. A porta-bandeira leva o estandarte da escola e executa, com o mestre-sala, uma coreografia especial. A dupla representa os anfitriões da escola. Os mais hábeis sambistas da escola, os passistas, desfilam à frente das alas. A bateria das grandes escolas se compõe de centenas de ritmistas que tocam surdos, taróis, pandeiros, tamborins, cuícas e outros instrumentos de percussão. Os grandes grupos de componentes fantasiados denominam-se alas e são intercalados pelas alegorias, montadas sobre carretas.

Música carnavalesca

A partir da marcha Abre alas, composta por Chiquinha Gonzaga em 1899, vários outros gêneros se popularizaram como música de carnaval: samba, marcha-rancho, batucada e samba-enredo permaneceram como os ritmos prediletos dos foliões do Rio de Janeiro. Até o final da década de 1960, a música de carnaval foi um fenômeno cultural e musical específico. A Rádio Nacional divulgava grande número de composições que, a cada ano, disputavam a preferência do público, cantadas nos bailes e nas ruas. Algumas dessas canções tornaram-se clássicas das festividades do período e passaram a ser executadas em todos os carnavais. Entre elas se contam Cidade maravilhosa (1935), Mamãe eu quero (1937) e Jardineira (1939), assim como outras mais recentes.

A ascensão da televisão e o declínio do rádio contribuíram para minimizar a importância desse fenômeno. A afirmação da linguagem televisiva, que privilegia o aspecto visual do carnaval, acarretou uma divulgação maior das escolas de samba, cujo desfile, transmitido para todo o país, passou a ser o ponto alto do carnaval carioca. Os sambas-enredo das escolas, bem como o som de suas baterias, tornou-se o ritmo carnavalesco dominante.

Carnaval baiano

Salvador apresenta um carnaval em que se misturam as mais autênticas tradições negras, como o cortejo dos afoxés, entre os quais se destacam os Filhos de Ghandi, com novidades introduzidas periodicamente nos ritmos e no instrumental, logo assimiladas pela multidão de foliões. Assim, o frevo baiano se executa ao lado de ritmos como o samba-reggae e a timbalada. O trio elétrico, palco ambulante montado sobre um caminhão e munido de caixas acústicas e alto-falantes, transmite a música executada por um conjunto e acompanhada pela multidão. Criado pelo folião Antônio Adolfo do Nascimento em 1950, o trio elétrico transformou-se no principal elemento do carnaval baiano.

Olinda e Recife

No carnaval pernambucano predominam os blocos de frevo, música de ritmo frenético e contagiante, executada por batida sincopada e instrumentos de sopro. Os dançarinos de frevo podem usar guarda-chuvas para facilitar o equilíbrio. O ponto alto do carnaval do Recife é o cortejo do Galo da Madrugada, bloco que sai às cinco horas da manhã do sábado do bairro São José e percorre a cidade, acompanhado por centenas de milhares de pessoas.

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Elegia (Poesia Grega)

Elegia (Poesia Grega)

#Elegia (Poesia Grega)

A elegia surgiu na Grécia Antiga, com Calino de Éfeso (século VII a.C.), Tirteu e Mimnermo. Seus poemas eram cantos guerreiros que incitavam à luta. Calímaco, importante poeta alexandrino do século III a.C., foi um dos primeiros a escrever elegias no sentido moderno do termo, ou seja, como poemas líricos e tristes. Sua elegia Os cabelos de Berenice, da qual só restaram fragmentos, constituiu o primeiro modelo do gênero.

Inicialmente definida pelo metro específico, chamado metro elegíaco, a elegia passou a designar um gênero poético que se caracterizou não pela forma, mas pelo assunto: a tristeza dos amores interrompidos pela infidelidade ou pela morte.

Entre os romanos, o primeiro grande poeta elegíaco foi Tibulo. Seus três livros sentimentais, muito lidos durante a Idade Média, influenciaram fortemente os poetas da Renascença. Foram preferidos às elegias de Propércio, que inauguraram um subgênero, com poemas ardentemente eróticos. O mais importante dos elegíacos romanos foi Ovídio: os Poemas tristes e as Cartas do Ponto, que lamentavam seu exílio, se aproximam bastante das elegias modernas.

No século XVI, a elegia transformou-se num dos gêneros poéticos mais cultivados, embora ainda pouco definido. Em Portugal, o primeiro escritor de elegias foi Sá de Miranda, mas Camões foi o principal: da edição de 1595 de suas obras completas, constam quatro elegias, tidas pelas melhores em língua portuguesa. Na França da Renascença, destacou-se no gênero Pierre de Ronsard.

Na poesia inglesa, a elegia apareceu com Astrophel, lamento fúnebre de Edmund Spenser. Durante quase três séculos produziram-se, dentro desse modelo, alguns dos maiores poemas da literatura inglesa, como Lycidas, de Milton (1638), Adonais, de Shelley (1821), sobre a morte de Keats, e muitas outras. Contudo, a mais famosa elegia da língua inglesa foi Elegy Written in a Country Church Yard (1751; Elegia escrita num cemitério de aldeia), de Thomas Gray, meditação sobre a morte de gente humilde e anônima e uma das obras capitais do pré-romantismo europeu.

Em outras literaturas, a elegia assumiu características pagãs, como as belas e eróticas Römische Elegien (1797; Elegias Romanas), de Goethe, obra-prima da literatura alemã. No século XX, a obra mais importante no gênero foi sem dúvida Duineser Elegien (1923; Elegias de Duíno), do poeta alemão Rainer Maria Rilke. No Brasil, o mais importante autor de elegias foi Fagundes Varela, no século XIX. Destacaram-se ainda Cristiano Martins, Vinícius de Morais e Dantas Mota, no século XX.

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Pré-Romantismo

Pré-Romantismo


Pré-Romantismo é um movimento artístico surgido no século XVIII, na Europa, cujas principais características se apoiam no conceito de criação instintiva e original (em oposição ao princípio de imitação, básico no classicismo), bem como na expressão individual livre. A denominação engloba todos os fenômenos caracterizados como antecedentes do romantismo, que provocou, no século XIX, radical transformação nas artes, na literatura e até mesmo na filosofia. O movimento é também conhecido pelo termo alemão Sturm und Drang (Tempestade e Tensão).

Ao contrário do romantismo, que não tardou a vingar, o pré-romantismo teve que enfrentar durante muito tempo a oposição dos racionalistas e classicistas, apesar de ser defendido por personalidades de valor reconhecido.

A consolidação do pré-romantismo deve-se à influência do romancista francês Jean-Jacques Rousseau, que o transformou num sentimento revolucionário, embora o movimento tenha na obra do poeta inglês Edward Young sua expressão mais acabada. À parte o exemplo de Rousseau, cuja obra foi indispensável à transformação das correntes pré-românticas no romantismo do século XIX, a França foi apenas caixa de ressonância do sentimentalismo inglês e alemão.

A base filosófica do pré-romantismo é a ideia de que a criação artística deve-se ao entusiasmo criador, à imaginação, e não está sujeita a regras, como acreditavam os classicistas e os racionalistas, nem é produto da razão. Essa premissa da predominância da imaginação na produção artística já era defendida na Itália durante o século anterior pelo escritor Gian Vincenzo Gravina, entre outros. Para os pré-românticos, a criação instintiva está ligada à originalidade tanto em termos individuais quanto coletivos: o gênio de um povo poderia se manifestar num determinado artista.

Em Conjectures on Original Composition (1759; Conjeturas sobre a composição original), Young fornece as características do movimento, que teve como obras mais famosas o romance Die Leiden des jungen Werthers (1774; Os sofrimentos do jovem Werther), de Goethe, baseado em La Nouvelle Héloïse (1760; A nova Heloísa), de Rousseau, mas inteiramente original; e o drama Die Raüber (1781; Os salteadores), de Schiller, ao qual se seguiram várias tragédias em prosa que serviram para consolidar o movimento.

O escândalo marcou o aparecimento de algumas obras pré-românticas, como já ocorrera com Histoire du chevalier Des Grieux et de Manon Lescaut (1731; História do cavalheiro Des Grieux e de Manon Lescaut), do abbé Antoine-François Prévost, uma das produções que caracterizam a associação, apenas esboçada na época anterior, do sentimentalismo com a luxúria. Além disso - como ocorre em Werther, que, segundo alguns, não se trata apenas da narrativa de uma paixão infeliz -, alguns autores incluíram em suas obras uma pitada de crítica social.

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Pré-Rafaelismo

Pré-Rafaelismo

#Pré-Rafaelismo

Pré-rafaelismo foi um movimento constituído em meados do século XIX por um grupo de jovens artistas ingleses que reagiram fortemente contra a pintura anedótica, vazia e prosaica então proposta pela Royal Academy de Londres. Análogo ao dos pintores nazarenos da Alemanha, que o precedeu de pouco, o grupo teve entre seus objetivos expressar ideias autênticas e voltar-se para a apreensão direta da natureza. As obras produzidas por seus integrantes acabaram por se caracterizar pela grande idealização de seus temas.

Inspirado por um escasso conhecimento da arte italiana dos séculos XIV e XV, o pré-rafaelismo manifestou uma admiração sem limites pela  simplicidade da arte anterior à do Renascimento, e desafiou a tradição acadêmica europeia, que idolatrava o classicismo de Rafael.

O nome pré-rafaelismo provém da designação da Irmandade Pré-Rafaelita, espécie de sociedade "secreta" formada em 1848 por três alunos da Royal Academy: Dante Gabriel Rossetti, talentoso ao mesmo tempo como pintor e poeta, William Holman Hunt e John Everett Millais, todos com menos de 25 anos. A eles se juntaram depois o pintor James Collinson, o pintor e crítico F. G. Stephens, o escultor Thomas Woolner e o crítico William Rossetti (irmão de Dante Gabriel).

Logo o grupo começou a produzir obras polêmicas e não desprovidas de valor. Seus integrantes, opondo-se ao materialismo e à opressão social, recorreram a temas da literatura romântica e medieval para denunciar as injustiças de sua época ou, o que foi mais frequente, exaltar as virtudes da vida do passado. Embora os quadros de Rossetti tendessem a uma atmosfera mais nebulosa, a maioria pintou num estilo bem linear, com efeitos variados de luz e um apego fotográfico à proliferação de detalhes, o que normalmente reduzia a força da composição.

De início a irmandade expôs anonimamente, e todos os artistas assinavam suas pinturas com as iniciais PRB, do nome em inglês do grupo, Pre-Raphaelite Brotherhood. Quando a identidade e a juventude dos artistas se tornaram públicas, em 1850, suas obras sofreram duras críticas, quer por transgredirem os ideais de beleza então vigentes, quer por tratarem temas religiosos com aparente irreverência. Não obstante, o principal crítico da época, John Ruskin, defendeu a arte pré-rafaelita, e seus praticantes nunca ficaram sem patronos. Embora os integrantes do grupo tenham teoricamente rejeitado a artificialidade, na prática boa parte de sua produção se revela artificial, pela visão sentimental do passado que transmite. A vitalidade e o frescor são as qualidades mais admiráveis da arte pré-rafaelita.

O pré-rafaelismo teve profunda influência na pintura e nas artes decorativas da Inglaterra. A vida ativa do movimento, no entanto, foi de no máximo dez anos. No fim da década de 1850 Rossetti se juntou a dois artistas mais jovens, Edward Burne-Jones e William Morris, e derivou para um escapismo romântico. Millais, bom desenhista e retratista, acabou por fazer sucesso como pintor acadêmico. Só Hunt, que após romper com o grupo viajou pelo Egito e a Palestina, onde encontrou novos temas, manteve-se fiel ao estilo. No fim da vida, o meticuloso Hunt, sempre apegado aos detalhes, publicou um livro sobre o movimento: Pre-Raphaelism and the Pre-Raphaelite Brotherhood (1905; O pré-rafaelismo e a Irmandade Pré-rafaelita).

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Pintura, História, Materiais e Técnicas de Pintura

Pintura, História, Materiais e Técnicas de Pintura

#Pintura, História, Materiais e Técnicas de Pintura

Pintura é a forma de expressão artística que consiste em representar elementos tomados à realidade ou à imaginação sobre um suporte plano, por meio de pigmentos ou outros recursos cromáticos. A concepção teórica de pintura varia conforme a época e as circunstâncias, ou seja, de acordo com as técnicas disponíveis e os padrões estéticos dominantes. Além desse plano histórico e sociocultural, varia também de artista para artista, na forma de reunir alguns elementos básicos - linha, cor, luz, perspectiva e composição - para construir o espaço pictórico, em obediência ao estilo pessoal de cada pintor e a opções teóricas e técnicas.

Cada época conheceu estilos e gêneros pictóricos que lhe foram característicos, na maioria das vezes figurativos. No entanto, as diversas vanguardas do século XX frequentemente renunciaram aos elementos tradicionais da pintura, sobretudo a perspectiva e o figurativismo.

Tradicionalmente, a pintura se divide em dois grandes campos: pintura mural, subordinada aos propósitos da arquitetura, e pintura de cavalete.  Esta última compreende, em princípio, oito categorias ou classes distintas, em razão dos gêneros representados: (1) retábulos e cenas religiosas; (2) mitos, lendas, tradições poéticas e cenas históricas; (3) pintura de gênero, ou representação de cenas do cotidiano, costumes, festas, folguedos populares etc.; (4) paisagens e representação de animais ao ar livre; (5) arquitetura e vistas de cidades e interiores de edifícios; (6) naturezas-mortas, ou reunião mais ou menos aleatória e espontânea de objetos sobre uma superfície; (7) retratos, categoria em que se inclui o nu; e (8) caricaturas.

Materiais e técnicas de pintura - As técnicas de pintura desenvolvidas em cada período histórico dependem do desenvolvimento de cada povo e dos materiais disponíveis. De maneira geral, os três materiais básicos são um pó colorido ou pigmento, um adesivo líquido e um suporte. O pigmento pode ser mineral, animal, vegetal ou sintético; o fluido, ou adesivo, pode ser água ou óleo, quando não mistura de ambos; e o suporte pode ser tecido, papel, papiro, couro, madeira, papelão, pedra, metal, vidro e parede.

Segundo o efeito que deseja alcançar, o pintor pode usar diversos utensílios para distribuir o pigmento: pincel, espátula, paleta, faca etc. As técnicas não identificam apenas períodos históricos; relacionam-se com a própria evolução da arte, já que se aperfeiçoaram com o tempo e com as experiências dos grandes mestres. As mais empregadas são as seguintes:

Secco - Antiga técnica de pintura mural já conhecida no Egito, a pintura a secco consiste em aplicar caseína, têmpera ou cola aglutinante colorida sobre o reboco seco. As cores, opacas, aderem ao suporte como uma finíssima película. Tem afinidades com o afresco, mas é mais fácil de dominar. A camada de pintura, no entanto, pode ser danificada por mudanças súbitas de temperatura, que provocam descascamento e destruição de trechos da superfície.

Afresco - Pintura feita sobre o reboco ainda fresco, o afresco dispensa aglutinantes, ao contrário do processo a seco. É técnica dificílima, pois o artista só pode trabalhar enquanto o reboco não seca, de sorte que o trabalho não pode ser retocado.  Aperfeiçoado na Itália do século XIV, o afresco tem seu melhor exemplo nos murais executados por Michelangelo no teto da capela Sistina, no Vaticano.

Mosaico - A técnica do mosaico consiste em encastoar pedrinhas coloridas num campo úmido de argamassa, de modo a formarem desenhos geométricos, representações humanas ou paisagens. Essa arte já era praticada na Babilônia, inicialmente apenas no revestimento de pisos. A partir do século IV da era cristã, porém, o mosaico começou a ser também usado em paredes, abóbadas, absides e tetos.

Vitral - Possivelmente surgida no Oriente Médio, no século IX, a técnica do vitral chegou à Itália no século seguinte e consiste na justaposição de diversas porções de vidro colorido e transparente, de formas e dimensões variadas, unidas entre si por nervuras metálicas, para formar figuras ou composições decorativas.

Silicato de etila - O silicato de etila tornou possível a pintura de murais externos sobre concreto, pois adere de modo permanente a esse material e resiste às mais rigorosas condições climáticas.

Encáustica - A descoberta em 1845 de uma caixa de pintura a encáustica no túmulo de um pintor na cidade francesa de Saint Médard-des-Prés possibilitou a reconstituição dessa antiga técnica. Aperfeiçoado por Praxíteles e descrito em minúcias por Plínio o Velho, Teofrasto e Dioscórides, o processo foi largamente empregado durante toda a antiguidade clássica e consiste na utilização de pigmentos mesclados a cera de abelha refinada, com ou sem aplicação de óleos, resinas ou outros materiais aglutinantes. As tintas são aplicadas e manipuladas com a ajuda de uma fonte de calor. Os mais antigos exemplos conhecidos são os célebres retratos das múmias de Fayum, a que alguns especialistas atribuem origem grega e outros, egípcia.

Têmpera - Genericamente, têmpera é todo meio pelo  qual se obtém uma superfície fosca. A técnica básica é antiquíssima e já era usada por egípcios, gregos e romanos. Os pigmentos são misturados a uma emulsão e fixados com um agente como clara de ovo ou caseína. Quando se acrescenta boa quantidade de óleo, o resultado é a têmpera-óleo, insolúvel em água. A têmpera não permite o impasto (efeito em que a pintura sobressai sobre o fundo), mas as cores obtidas, sólidas e secas, jamais racham ou amarelecem.

Óleo - O mais difundido método de pintura de cavalete a partir do século XV, a pintura a óleo, foi inventado em Veneza por Antonello da Messina, que eliminou, da têmpera, o uso da água e do agente emulsionante. Óleos secos de linhaça, de amêndoas, papoulas e outros são diluídos pela adição de veículos especiais e misturados aos pigmentos. Oferece diversas vantagens sobre a têmpera: não se altera com a secagem e seca lentamente, o que permite modificações, faculta efeitos de claro-escuro e possibilita o impasto. Ainda é a técnica preferida pelos pintores ocidentais. Alguns dos antigos mestres, no entanto, exploraram a chamada técnica mista, que se acha na transição entre a têmpera e o óleo, como em Van Eyck, Dürer e Grünewald.

Aquarela - Os egípcios já conheciam a aquarela no século II da era cristã. Mais singela de todas as técnicas do ponto de vista material, é executada com cola e gesso, de preferência sobre suporte de papel ou pergaminho. Exige grande habilidade, uma vez que não permite arrependimentos. Teve seu apogeu na obra do pintor Albrecht Dürer.

Guache - De certo modo, toda pintura de cavalete anterior ao século XV pode ser considerada guache. O nome deriva do italiano guazzo (aguada) e designa um tipo de pintura em que as cores são diluídas em água, misturadas com goma e reduzidas a pó, característica que a distingue da aquarela.

História, estilos e artistas

#Pré-históriaPré-história - As mais antigas representações pictóricas que se conhecem remontam ao período Paleolítico (30000-10000 a.C.): são as pinturas ditas rupestres (isto é, gravadas na rocha), executadas nas paredes de cavernas e abrigos, com finalidades mágicas e rituais. Os temas preferidos eram figuras de animais em tamanho grande -- bisões, cervos, cavalos etc. Pintadas em tons naturais de ocre, vermelho e negro, as figuras aparecem isoladas, sem formar cenas. Os melhores exemplos são encontrados nas cavernas francesas de Trois-Frères e Lascaux, e em Altamira, na Espanha.

As pinturas paleolíticas levantinas, localizadas em abrigos naturais do levante espanhol, são posteriores: figuras humanas estilizadas, de pequeno tamanho, formavam cenas da vida cotidiana, especialmente de caça e dança.

Civilizações pré-clássicas - Por meio de papiros e do legado no interior das pirâmides, a humanidade pôde conhecer fragmentos da pintura egípcia, uma das mais ricas da antiguidade. No Egito, a pintura era uma arte mágica: acreditava-se que, se uma pessoa fosse representada num retrato, este passaria a ter vida própria, realidade em si mesmo. Os registros, horizontais, representavam cenas protagonizadas pelo faraó e acontecimentos da vida cotidiana.

Esse trabalho era marcado por uma série de convenções quanto à perspectiva (dorso e olhos representados de frente, cabeça e pés de perfil) e às cores (mulheres jovens e bonitas em amarelo pálido, homens ricos e poderosos em castanho, e assim por diante). As melhores pinturas egípcias decoravam as câmaras mortuárias das classes superiores, em cores inigualáveis, que recriam variados episódios. A pintura cretense, em muitos aspectos semelhante à egípcia, alcançou o apogeu no ano 1600 a.C. Em cores vivas e traços fortes, foi muito utilizada na decoração de palácios, como o de Cnossos.

Grécia, Roma e Bizâncio - O ideal da pintura grega era a reprodução fiel da natureza, naquilo que possuía de mais belo e harmônico. Embora os afrescos e as pinturas de cavalete não tenham resistido ao rigor do tempo, os textos e lendas citam alguns pintores gregos famosos, como Apeles e Zêuxis, cujas obras teriam sido copiadas em mosaicos romanos e vasos de cerâmica. Os melhores exemplos da pintura grega antiga, porém, se acham na cerâmica de figuras negras sobre fundo vermelho (final do século IV e início do século V a.C) e na de figuras vermelhas sobre fundo negro, de meados do século V a.C.

A pintura romana, que se desenvolveu sob a égide do realismo e do naturalismo, teve seu ponto culminante nos afrescos de Pompeia e Herculano, onde os historiadores identificam quatro estilos: (1) o de incrustação, que imitava a decoração sobre mármore; (2) o arquitetônico, que criava a ilusão de estruturas arquitetônicas; (3) o ornamental, com guirlandas e enfeites; e (4) um quarto estilo, que mistura arquitetura falsa, paisagens imaginárias e cenas mitológicas. A influência do cristianismo pôs fim a esse período de profundo realismo e fez nascer uma arte de cunho mais simbólico. Enquanto isso, o mosaico passava a merecer a preferência dos artistas e alcançou grande importância em Bizâncio e Ravena.
Pintura medieval - A arte paleocristã deixou, nos muros das catacumbas, extensa iconografia cristã, baseada em animais (pombo, cordeiro), figuras humanas (o bom pastor, o suplicante), passagens dos Evangelhos e símbolos, como o monograma formado pelas letras gregas alfa e ômega, que representava "o Cristo como princípio e fim". Após o Edito de Milão (313), essa iconografia impregnou os mosaicos e miniaturas. Na mesma temática, a pintura bizantina competia com a riqueza do mosaico, sobretudo nas miniaturas sobre madeira, típicas do leste europeu, com figuras estilizadas do Cristo e da Virgem.

Um dos maiores pintores de ícones foi Andrei Rublev, autor do célebre ícone da Trindade. Essa arte medieval influenciou a pintura românica, em geral em afrescos e com intenção didática. As cenas religiosas decoravam os muros das igrejas para educar os fiéis iletrados. Era uma pintura esquemática e simbólica, de cores planas e perfis bem marcados. A iluminura, praticada especialmente pelos monges, atingiu nível elevadíssimo a partir do século VII na Irlanda, França, Inglaterra e Alemanha, enquanto o afresco se desenvolveu particularmente na Itália, durante o século XIII.

Como a arquitetura gótica limitasse o espaço da pintura, a arte voltou-se para as expressões mais compatíveis com a época, como a técnica dos vitrais, a miniatura e a iluminura, que caracterizaram o chamado estilo franco-gótico dos séculos XIII e XIV. Com suas cores vivas e o domínio da linha, essas artes abriram caminho ao estilo italiano, criado no fim do século XIII por Cimabue e outros.

Renascimento - No final do século XIII, os artistas italianos passaram a inspirar-se nos ideais da antiguidade clássica, tendência que motivou a eclosão do Renascimento. Giotto, Masaccio, fra Angelico, Lippi e Botticelli são alguns dos pintores que abriram caminho para o Renascimento italiano.

A partir dos ensinamentos de Giotto, os pintores italianos do Quattrocento iniciaram uma renovação cujo berço foi Florença. Em busca de representação mais verossímil da realidade, os artistas empenharam-se na conquista da luz e do espaço, e no domínio da figura humana. Entre os precursores dessa busca estiveram Piero della Francesca e Masaccio. Uma segunda geração florentina, encabeçada por Sandro Botticelli, firmou um estilo mais elegante e detalhista. No Portugal dessa época, o políptico de são Vicente, obra-prima de Nuno Gonçalves, lembra o rigor e a precisão de seus contemporâneos flamengos.

Foi principalmente no século seguinte, todavia, que as descobertas do século XV floresceram. No Cinquecento, o centro cultural mais importante foi Roma, dominada por figuras como Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael. Na transição para o século XVI, uma série de artistas venezianos, como Antonello da Messina e Giovanni Bellini, que conheciam a técnica do óleo, perseveraram no estudo da luz, da cor e da paisagem, de modo que assentaram as bases da escola veneziana. Esta, no século XVI, deu mestres como Tiziano, Tintoretto e Veronese.

Após o máximo esplendor do classicismo no Cinquecento, sobreveio uma época de crise, em que muitos artistas rejeitaram a harmonia e a idealização naturalista dos mestres renascentistas e assumiram uma atitude de busca obsessiva do estilo (em italiano, maniera) e da técnica. Alguns desses pintores, chamados maneiristas, imprimiram a suas obras uma intensa artificialidade, a que não faltava porém, o refinamento. Seus melhores representantes foram Rosso Fiorentino e Jacopo da Pontormo, que passaram a exercer forte influência na pintura de seu tempo, inclusive em Michelangelo. Ao final do século XVI, o maneirismo evoluiu para um estilo eclético que desembocou no barroco.

Pintura flamenga - A partir do século XV, no norte da Europa, surgiu uma geração de artistas conhecidos como os "primitivos flamengos". Dentre os pintores religiosos dessa escola figuram alguns dos maiores criadores de formas da história da pintura, como Jan van Eyck, Rogier van der Weyden, Hugo van der Goes, Hans Memling e Gerard David. Enquanto isso, Hieronymus Bosch pintava visões fantásticas que antecipavam até o surrealismo do século XX.

Pieter Brueghel, que começou imitando-o, tornou-se o maior expoente do Renascimento flamengo, enquanto Rubens se fazia o maior mestre do barroco e Van Dyck, ao emigrar para a Inglaterra, distinguiu a corte inglesa das primeiras décadas do século XVII com muitos dos melhores retratos de todos os tempos.

Renascentismo e barroco na Europa - Dentre os grandes holandeses que se sucederam aos  renascentistas, figuram Jacob van Ruisdael, Jan Josefoz van Goyen, Frans Hals e Jan Steen, de orientação e virtudes semelhantes às dos mestres flamengos. Todos esses, porém, seriam suplantados pela genialidade de Vermeer e, sobretudo, de Rembrandt, mestre do claro-escuro e da profunda reflexão. Dentre os alemães, sobressaem Albrecht Dürer, Mathias Grünewald, Hans Holbein e Albrecht Altdorfer, tido como o primeiro paisagista puro da Europa.

Desde o século XV também a Espanha contou com notáveis escolas de pintura, em que sobressaíram Pedro Berruguete, Bartolomé Bermejo e Luis de Morales. Os mais destacados, no entanto, seriam Murillo, El Greco, de origem cretense e formação maneirista, Velázquez, que sintetizava o espírito nacional, e Goya, último dos mestres antigos e primeiro entre os modernos, que atingiu o apogeu em sua chamada "série negra".

Alguns dos melhores pintores barrocos franceses foram Jean Fouquet (século XV), Georges de la Tour, os irmãos Le Nain e os Clouet. O classicismo alcançou o auge na obra de Nicolas Poussin e Claude Gelée, dito Claude Lorroin, grandes mestres da paisagem e evocadores de uma antiguidade revalorizada.

Barroco italiano - Mais uma vez, a Itália reagiu ante a estética vigente e deu origem a novo movimento pictórico. Em oposição ao maneirismo, artistas como Caravaggio aprofundaram um estilo mais naturalista, que reencontrava a luz e a representação da realidade. Em vez do equilíbrio e domínio da linha, que caracterizavam o estilo renascentista, os realistas preferiam as cenas movimentadas e violentas. A cor adquiriu importância vital, e a técnica preferida foi o óleo. Os temas dominantes eram de caráter religioso, especialmente após o triunfo da Contra-Reforma.

Além do estilo "tenebroso" de Caravaggio, que exerceu forte influência sobre outros artistas, também surgiu na Itália outra linha mais elaborada, com paisagens serenas e composições equilibradas. Seus maiores representantes foram Lodovico Carracci, fundador da Academia de Bolonha, e seu irmão Annibale, que decorou a abóbada do palácio Farnese. O final do barroco italiano foi marcado pela decoração suntuosa de abóbadas e tetos, cujos mestres foram Pietro da Cortona e o padre Andreas Pozzo.

Pintura no Século XVIII e XIX - Durante o século XVIII, a França tomou o lugar da Itália como centro cultural.  A elegância e a sensualidade invadiram a pintura, expressas nas obras de Antoine Watteau e François Boucher. Gêneros como o retrato e as naturezas-mortas começaram a ganhar maior popularidade. Na Itália, Giambattista Tiepolo decorava abóbadas em estilo suntuoso, ao mesmo tempo que proliferavam as vedute, vistas urbanas pintadas com minúcias por artistas como Canaletto e Francesco Guardi. Na Inglaterra, William Hogarth satirizava impiedosamente a sociedade de sua época, enquanto Gainsborough cultivava o retrato aristocrático.

O início do século XIX assistiu ao declínio da estética neoclássica e ao triunfo do romantismo, que pregava o sentimentalismo, o amor à natureza e a liberdade. Seus representantes mais genuínos foram Théodore Géricault e Eugène Delacroix, de inspiração histórica e literária, com clara preferência pela cor em relação ao traço. O romantismo britânico teve no paisagista e animalista William Turner um antecipador do impressionismo, e em William Blake um extravagante também muito adiante de seu tempo. Na Alemanha, estimava-se sobretudo o paisagismo romântico de Caspar David Friedrich.

A reação contra o romantismo e a influência da técnica fotográfica levaram a pintura ao máximo do realismo, num movimento que se concentrou na paisagem, como na obra de Corot e na crítica social, como em Gustave Courbet, Jean-François Millet e Honoré Daumier. Nessa tendência triunfou também a pintura ainda mais voltada para fatos e episódios históricos, que exaltava as glórias nacionais.

O realismo, no entanto, foi superado pelo impressionismo. Surgido na França no final do século XIX, o estilo pretendia captar o momentâneo e o fugaz, com a valorização da luz e a pintura de motivos ao ar livre. Seus representantes mais característicos, Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir, Édouard Manet, Edgar Degas e Berthe Morisot, contaram com o apoio de Cézanne, cuja obra, uma das mais influentes de seu tempo, já antecipou o fauvismo e o cubismo. Dois artistas de gênio, Van Gogh e Gauguin, que libertaram a cor e a forma de sua realidade objetiva, iniciaram os caminhos do fauvismo e dos expressionistas.
#Pintura no Século XX

Pintura no Século XX - Entre 1900 e 1920, o fauvismo (do francês fauve, animal selvagem, fera) fez-se, em tudo, uma apoteose da luz, sobretudo com Matisse, Maurice de Vlaminck, André Dérain e Raoul Dufy. Nessa época, a escultura africana exerceu grande fascínio sobre muitos artistas europeus. Sua influência, às vezes, foi decisiva, e imprimiu à pintura de alguns uma reação antiimpressionista de revalorização do volume, como na obra do retratista Modigliani. Não foi menos importante a descoberta da pintura naïf (ingênua) ou primitiva, cujo representante mais imaginoso foi Henri Rousseau.

O expressionismo, para o qual a obra deve incorporar toda a subjetividade do artista, contou com precursores em Toulouse-Lautrec, James Ensor e Georges Rouault, mas sistematizou-se na Alemanha com o norueguês Edvard Munch, Ernst Ludwig Kirchner, Karl Schmidt-Rottluff, Emil Nolde e particularmente o austríaco Oscar Kokoschka. Outro expressionista admirável, Chaim Soutine, viveu no sul da França. O movimento foi dos que mais se expandiram em toda parte, inclusive na América.
Sob o signo da inovação, da ruptura e da vanguarda, a pintura do século XX reuniu ainda muitos outros movimentos e estilos. O cubismo, defendido e praticado a partir de 1908 por Pablo Picasso e Georges Braque, passou a decompor as imagens e recompô-las em nova organização, geométrica. Picasso levou essa mudança às últimas consequências e realizou uma obra revolucionária, em todos os aspectos. Acabou, sobretudo com sua contribuição, a vigência de toda a teoria herdada da pintura espacial renascentista.

Surgiram quase na mesma época o futurismo italiano de Carlo Carrà e Umberto Boccioni, o construtivismo russo (1913) dos irmãos Naum Gabo e Antoine Pevsner, o muralismo erótico de Gustav Klimt, o dadaísmo de Hans Arp e Marcel Duchamp, que prenunciava outros movimentos contemporâneos, e sobretudo o surrealismo, em que a pintura se voltou para as imagens e intenções do inconsciente, com personalidades e rumos tão distintos como Salvador Dalí, Max Ernst, Joan Miró, Marc Chagall, René Magritte, Paul Klee - mais tarde mestre da arte abstrata - e Giorgio de Chirico, este também ligado à "pintura metafísica", a que igualmente se vinculou a arte sutil das naturezas-mortas de Giorgio Morandi.

A essa altura, os pintores já começavam o processo que os dividiu entre o figurativismo (em cujas obras se mantêm figuras ou modelos da realidade exterior) e o abstracionismo (em que a subjetividade do artista se expressa sem nenhuma referência às formas do mundo externo). Na chamada arte concreta, posterior, a subjetividade dá lugar a construções objetivas, em geral geometrizantes, como no rigoroso trabalho do holandês Piet Mondrian, de enorme influência.

Entre os iniciadores do abstracionismo estão o russo Vassili Kandinski, que estudou na Alemanha e trabalhou tanto nesse país como na França; os franceses Francis Picabia, Robert e Sonia Delaunay, e o tcheco Frank Kupka. A tendência disseminou-se pelo mundo e tornou-se uma das mais duradouras do século, com desdobramentos que variaram até quanto aos materiais empregados. Estes adquiriram sentido crítico e demolidor na obra de Jean Dubuffet.

Foram também importantes, para os rumos da pintura no final do século XX, os movimentos pop art, surgidos nos Estados Unidos na década de 1960, que combinavam elementos dos quadrinhos e da publicidade, motivos do folclore urbano americano e toda sorte de iconografia de massa, com expoentes como Roy Lichtenstein, Claes Oledenburg, Andy Wharol e Robert Rauschenberg; e de op art, baseado na ilusão de óptica e na manipulação precisa de formas e cores. Entre seus nomes mais representativos estão Victor Vasarely, Bridget Louise Riley, Richard Anuskiewicz, Larry Poons e Jeffrey Steele.

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