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Bruxaria | História da Bruxaria

Bruxaria | História da Bruxaria

Bruxaria consiste no exercício, com intenção maligna, de pretensos poderes sobrenaturais por meio de ritos mágicos e com o fim de causar malefício a certas pessoas ou a seus bens, assim como benefícios diretos ou indiretos a seus praticantes. O fenômeno existe desde os tempos pré-históricos e faz parte dos procedimentos de numerosas crenças animistas. Aparece já em Homero e na própria mitologia grega, em que a feiticeira Medeia ocupa lugar de destaque no ciclo dos argonautas. Na literatura latina, o tema despertou o interesse de vários autores, especialmente Apuleio, Petrônio e Horácio.

A frequente presença do fenômeno milenar da bruxaria em culturas distantes de seu substrato atesta a perpetuação de certas modalidades de funcionamento do espírito humano. No entanto, inúmeros trabalhos etnológicos ou históricos não lograram ainda dirimir todos os problemas ligados a sua definição ou explicação.

No universo judeu-cristão, a presença das bruxas verifica-se desde o Velho Testamento. Em um momento crucial de sua vida, Saul consultou a feiticeira de Endor, embora pela lei de Moisés a bruxaria fosse punida com a morte. No cristianismo primitivo, conhecia-se a prática de ritos mágicos, mas os apóstolos consideravam-na fruto de ardis do demônio, pois entendiam que somente Deus dispunha de poderes sobrenaturais.

História da Bruxaria

História. A bruxaria ressurgiu e intensificou-se na Europa do século X ao XII, quando as heresias dos cátaros trouxeram de volta a crença na influência do demônio, o que favoreceu a interpretação de que a bruxaria era produto do contato com suas forças. Realizaram-se nesse período vários processos contra bruxas, promovidos pelo poder civil. Entretanto, a questão só assumiu aspectos dramáticos a partir do século XIV, quando a igreja implantou os tribunais da Inquisição para reprimir tanto a disseminação das seitas heréticas como a prática de magia e outros comportamentos considerados pecaminosos. Ao dar especial relevo ao problema, a perseguição contribuiu para que ele adquirisse ainda maiores proporções. Nessa época, o fenômeno frequentemente se caracterizou como manifestação coletiva, de grandes dimensões e profunda repercussão na vida religiosa, no direito penal, nas artes e na literatura.

Daí em diante, à medida que proliferaram os tribunais da Inquisição, os processos aumentaram rapidamente. A acusação sistemática só se verificou na época que é considerada a última fase da Idade Média, o fim do século XV, principalmente após a bula Summis desiderantes affectibus (1484), do papa Inocêncio VIII, e da obra Malleus maleficarum (1487; Martelo das feiticeiras), dos dominicanos Heinrich Kraemer e Johann Sprenger, em que se firmaram as normas do processo inquisitorial contra a feitiçaria.

A época da verdadeira epidemia de bruxas e teóricos do assunto é a dos séculos XVI e XVII, no contexto da Reforma e da Contra-Reforma. Ainda que, como nos outros casos, implicasse a prática da magia, incluía quase sempre a invocação do demônio e a mobilização de seus poderes, o que a associava à concepção do mal na teologia cristã e a tornava um desafio à moralidade religiosa. Apareceram então os grandes sistematizadores da demonologia -- Jean Bodin, autor de De la démonomanie des sorciers (1580; Da demonomania dos feiticeiros), e o jesuíta Martinus Antonius Delrio, autor de Disquisitionum magicarum libri VI (1599; Seis livros de pesquisas sobre magia). Nessa fase, a bruxaria tornou-se tema freqüente na literatura e nas artes plásticas: sobressaíram, por exemplo, Macbeth, uma das mais célebres tragédias de Shakespeare, e as gravuras de Baldung Grien e Jacques Callot.

A perseguição às bruxas foi metódica e violenta no norte da França, no sul e oeste da Alemanha e muito especialmente na Inglaterra e na Escócia, onde houve o maior número de vítimas. Os colonizadores ingleses levaram esse procedimento para a América do Norte, onde, em 1692, ocorreu o famoso processo contra as bruxas de Salem, em Massachusetts.

Em geral, acusava-se de bruxaria mulheres velhas, mas com menor frequência também jovens e,  excepcionalmente, homens. As acusações registradas contra essas pessoas referiam-se a toda espécie de malefícios contra a vida, a saúde e a propriedade: aborto das mulheres, impotência dos homens, doenças humanas ou do gado, catástrofes e temporais. As bruxas eram também denunciadas por pactos com o diabo. Montadas em vassouras, voariam pelos ares e se reuniriam em lugares ermos para celebrar o sabá e entregar-se a orgias. Como cultuariam Satanás, considerava-se que este lhes aparecia como monstro cornudo e sequioso de sacrifícios.

O racionalismo e o espírito científico, que caracterizaram o Iluminismo do fim do século XVII e do século XVIII, contribuíram para o fim desses processos e para que não mais se admitisse perseguição judiciária em casos de superstições populares. O último processo na Inglaterra ocorreu em 1712, e a última fogueira de bruxas na Europa foi acesa em 1782, no cantão suíço de Glarus.

Bruxaria | História da Bruxaria

Teorias antropológicas. O fenômeno histórico da bruxaria suscitou numerosos estudos antropológicos, para os quais a intolerância das autoridades eclesiásticas, tanto católicas como protestantes, não seria razão suficiente para explicar o fenômeno de psicopatologia coletiva que representou a crença na bruxaria. Muitos chegaram a acreditar na ocorrência de uma alucinação mediante a qual, contaminadas pela crença geral, muitas mulheres teriam admitido participar de práticas que nunca realmente exerceram.

Outra corrente interpreta a crença nas bruxas como resquício de antigas religiões autóctones europeias,  nunca inteiramente desarraigadas pela cristianização, que depois se teria mesclado com doutrinas cristãs sobre o diabo. Uma referência seriam as valquírias da mitologia germânica, que, como as bruxas, voavam pelos ares.

No século XX, essa teoria aperfeiçoou-se nas teses da antropóloga inglesa Margaret Murray, para quem a bruxaria seria resíduo de uma religião pré-histórica, um culto da fertilidade que sobreviveu à cristianização, sobretudo no meio rural e nas populações descendentes de raças submetidas, como os celtas, o que explica a forte divulgação do culto nas ilhas britânicas. O culto teria sido ressuscitado sobretudo em tempos de enfraquecimento da igreja, como aconteceu no período da Reforma, nos séculos XVI e XVII. A teoria de Murray, em seus aspectos principais, é rejeitada hoje pela maior parte dos pesquisadores, que a consideram infundada.

Outro britânico, Hugh R. Trevor-Roper, acentuou  que, embora realmente a bruxaria tivesse um substrato folclórico, foi a igreja medieval que o sistematizou e o codificou com o fim de reprimir a heresia e exercer coação sobre os desvios doutrinários, criando com isso um autêntico tratado de demonologia.

Essa mescla de ritos arcaicos, superstições, convulsões políticas e perseguições oficiais, que precisavam de bodes expiatórios, fomentou as alucinações de membros de grupos sociais marginalizados - talvez com manifestações paranormais - e a imaginação coletiva. Pelo menos na história da Europa, a bruxaria seria basicamente um significativo reflexo das tensões sociais acumuladas nos séculos que antecederam a modernidade. No interior da Inglaterra e de muitos outros países, porém, a crença na bruxaria, sua prática e numerosos ritos de magia persistem até hoje.

Brinquedo | Evolução Histórica dos Brinquedos

Brinquedo | Evolução Histórica dos Brinquedos

Brinquedo é todo objeto destinado ao entretenimento infantil, fabricado ou não especialmente para esse fim. Desempenha importante papel no desenvolvimento fisiológico e psicológico da criança, como instrumento de aprendizagem e como exercício preparatório para a vida adulta.

Conhecidos desde a antiguidade, os brinquedos sofreram profundas modificações em sua concepção. Originariamente estáticos, passaram a ser projetados com base em princípios da física e de máquinas simples, como a balança, o pêndulo, a roda, a alavanca, a mola, a força centrífuga e o magnetismo, até chegarem  aos modelos eletrônicos popularizados no final do século XX.

História. Sobrevivem objetos de divertimento infantil de épocas remotas, embora muitas peças assim classificadas possam ter sido modelos empregados por artesãos, oferendas votivas ou objetos destinados aos túmulos. Museus de diversas partes do mundo conservam bonecas de madeira, barro cozido, pedra ou metal, com as quais brincavam as crianças egípcias, além de bolas de couro cheias de crina ou palha. Bonecos articulados movidos por meio de barbantes eram os brinquedos preferidos das crianças gregas e romanas, que também conheciam miniaturas de móveis, jarros e outros objetos da vida cotidiana.

Brinquedo | Evolução Histórica dos Brinquedos

A fabricação de brinquedos assumiu importância na vida econômica de cidades e países desde a Idade Média. No século XV começaram a ganhar renome os fabricantes de Nuremberg, que organizaram corporações imitadas, nos 200 anos seguintes, por artesãos de Ulm, Augsburg e outras cidades alemãs. Essas organizações reuniam fabricantes de casas de bonecas e miniaturas de instrumentos musicais e de peças de mobiliário que são obras-primas de artesanato.

Mecanismos que mais tarde tiveram aplicação prática foram incorporados inicialmente aos brinquedos. Assim, em alguns casos é difícil distinguir entre os fabricantes de brinquedos e os pioneiros da física. Os excepcionais relógios da Idade Média tinham também um papel lúdico, com suas figuras e sons musicais. Realejos, pianolas e caixas de música foram, de certa forma, antepassados do computador; os autômatos dos séculos XVIII e XIX podem ser tidos como precursores dos brinquedos programados e dos robôs industriais, da mesma forma que a lanterna mágica representou o passo inicial para o cinema.

A indústria de brinquedos existe hoje em quase todo o mundo. Fabricam-se trens elétricos, automóveis, aviões, barcos de controle remoto e toda sorte de aparelhos complexos destinados a cativar a imaginação infantil. A indústria se volta para a fabricação de artefatos altamente sofisticados, com base na tecnologia eletrônica, como robôs e naves espaciais. O computador tornou-se também um brinquedo, com seus videojogos, que ganharam popularidade mundial a partir da década de 1980.

Um dos progressos mais notáveis nessa área é a produção de brinquedos com fins pedagógicos. Desenhados de acordo com recomendações técnicas precisas, destinam-se ao aprimoramento da função motora e ao desenvolvimento intelectual. Em diversos países, a fabricação de brinquedos obedece a normas legais cujo objetivo é impedir a distribuição de objetos que estimulem ideias prejudiciais à criança. Assim, a fabricação de armas de brinquedo foi motivo de polêmica e condenação por certos educadores, que viam nelas uma incitação à violência.

Brinquedos tradicionais. Apesar da progressiva sofisticação da indústria de brinquedos, alguns objetos tradicionalmente usados para divertimento infantil continuam a despertar o interesse das crianças modernas.

Bola. Feita de couro, meia, pano, plástico, borracha, celuloide ou vidro, bem como de madeira, pedra ou ferro, a bola serve para diversos jogos desde épocas remotas. Modernamente é mais empregada em esportes como futebol, basquete, vôlei e tênis.

Papagaio ou pipa. Empinar papagaio é a arte de fazer com que estruturas leves e de formas variadas, recobertas de papel, plástico ou pano, ganhem altura impelidas pelo vento. O papagaio é controlado por meio de uma linha que se desenrola à medida que ele sobe. No Brasil, esse brinquedo é chamado também pipa, raia, arraia, quadrado, cafifa, pandorga e bardo. Os tipos mais comuns são os de três varas (hexagonal), o de cruzeta e o de caixa. São comuns no Brasil as brigas de papagaio, em que o objetivo dos litigantes é cortar a linha do adversário. Usado também para fins práticos, o artefato serviu a uma famosa experiência de Benjamin Franklin, que pendurou um objeto metálico à linha de um papagaio durante uma tempestade, atraindo assim uma faísca elétrica que provou a natureza elétrica do raio.

Pião. Brinquedo em forma de pera cujo modelo mais comum, de madeira, é arremessado por um cordão. Possui, na extremidade inferior, uma ponta de metal  sobre a qual gira e, na parte superior, uma cabeça, que serve para firmar o cordão antes de envolvê-lo em espiral no corpo do brinquedo. O jogador arremessa o pião e puxa a fieira, do que resulta o movimento giratório. A origem antiga desse brinquedo é atestada por um vaso grego, pintado presumivelmente no século V a.C., no qual se veem duas pessoas a observar a dança de um grande pião de madeira.

Existem diversos tipos de pião: o alemão, que gira a golpes de um látego; a zorra, feita de metal e de forma achatada, sonorizada pelo ruído que o ar produz ao passar por uma fenda lateral; e a piorra ou rapa, impulsionada por um movimento dos dedos polegar e indicador. Quando se destina a jogos de azar, a rapa tem forma de cubo em cujas faces estão gravadas as letras t, de tira; p, de põe; d, de deixa, e r, de rapa, que identificam a finalidade de cada jogada. O tipo mais moderno e usado até a atualidade data do século XVI.

Peteca. Com uma base arredondada e chata, feita de couro ou palha de milho, na qual se inserem penas, a peteca é de origem indígena e popularizou-se nas festas juninas. O jogo de peteca americana ou peteca de salão nasceu no América Futebol Clube do Rio de Janeiro. É praticado por duas equipes de seis jogadores, dos quais um é o guarda que defende a meta. O campo mede 18 x 9m e é dividido por uma rede com dois metros de altura máxima. Disputa-se o jogo em três partidas de cinquenta pontos cada uma. Se a peteca ultrapassa a linha da meta, a equipe que a lançou marca cinco pontos. Somente ao guarda é permitido tocar duas vezes consecutivas na peteca.

Balanço. Composto de uma pequena tábua que serve de assento, suspensa por cordas, o balanço é um dos mais antigos brinquedos infantis. Em alguns países orientais se associava a ritos, como o da fecundidade.

Títeres. Os bonecos suspensos por cordéis ou manipulados, também denominados fantoches, marionetes ou bonifrates, são de origem possivelmente egípcia. Na região Nordeste do Brasil, as representações com bonecos denominam-se mamulengos.

Balão. Feito com papel colorido e cheio de ar quente, o balão é um brinquedo tradicional das festas juninas em todo o Brasil. Causador de incêndios, continua muito popular apesar da proibição sobre seu uso. Em alguns subúrbios do Rio de Janeiro, existem verdadeiras comunidades de baloeiros, responsáveis pela construção de balões de grandes proporções e artisticamente decorados.

Vestuário | História da Moda e do Uso do Vestuário

Vestuário | História da Moda e do Uso do Vestuário

Vestuário. Num grupo social, é sempre a classe dominante que dita a moda, logo copiada ou imitada pelos estratos inferiores. Para manter as distinções, as elites procuram introduzir novas modificações na maneira de vestir, o que estabelece a dinâmica da moda. Contemporaneamente, com a industrialização e a comunicação de massas, os novos estilos são popularizados e ultrapassados com rapidez inusitada.

Vestuário é o conjunto de peças de roupa e acessórios usados sobre o corpo. A necessidade de proteger-se do frio e das adversidades atmosféricas, o pudor, o desejo de estabelecer distinções sociais e a vaidade são alguns dos motivos que determinam seu uso. A roupa cumpre também a função de diferenciar os sexos à primeira vista. Na maior parte das culturas, existem peças exclusivamente masculinas ou femininas, que não guardam relação necessária com a configuração física de um ou outro sexo.

Vestuário | História da Moda e do Uso do Vestuário

As variações dos conceitos de beleza, pudor e imponência condicionam diferentemente o vestuário: entre os maometanos, o respeito ao pudor está garantido se a mulher não desvelar o rosto; tribos de Sumatra e Sulawesi consideram imoral a exposição dos joelhos; em Samoa é impróprio exibir o umbigo; e a mulher chinesa de costumes tradicionais não deve mostrar os pés. Os japoneses banham-se nus em grupos que incluem homens, mulheres e crianças, mas censuram o nu artístico, apreciado no Ocidente.

Numa mesma cultura, existem oscilações quanto à conotação do vestuário: roupas curtas, transparentes ou com amplos decotes podem ser consideradas adequadas a mulheres ocidentais em eventos noturnos e festivos; enquanto diminutos trajes de banho, impróprios para ambientes fechados, são ostentados sem restrições a pleno sol, nas praias e piscinas.

A modificação do aspecto natural por meio da vestimenta se complementa com outros procedimentos, entre os quais a modelagem do corpo, conseguida por meio de exercícios físicos, substâncias químicas ou métodos de constrição ou distensão óssea ou muscular. São exemplos disso a constrição dos pés, praticada na China para as mulheres; e o uso de peças de madeira com o fim de aumentar os lábios, comum entre os índios botocudos brasileiros. Outras práticas são a tatuagem; a execução de cicatrizes ornamentais; a depilação; o corte, tingimento, alisamento e outras modificações dos cabelos, assim como penteados. Por último, complementam o vestuário diversos objetos presos ao corpo, de efeito ornamental, social ou religioso: brincos, colares, braceletes, anéis, ornamentos de nariz, testa e cabelos etc.

Vestuário | História da Moda e do Uso do Vestuário

À semelhança do que ocorreu na esfera econômica, ideológica, social e política, os estilos europeus de vestir se estenderam ao resto do mundo, sobretudo nos séculos XIX e XX. Mesmo assim, as vestes tradicionais não foram totalmente abandonadas em seus países de origem e muitas delas tiveram seu corte e desenho exportado e copiado, para servir de inspiração a estilistas europeus e americanos. Formas não ocidentais de vestuário ainda são muito importantes em países como a Índia e o Japão. A roupa tradicional japonesa, o quimono, deriva do robe chinês. Na Índia, o sari feminino e o dhoti masculino, ambos constituídos de grandes peças de tecido enroladas no corpo de maneira característica, ainda são usados. Originalmente, a parte de cima do tronco era deixada nua mas, depois da conquista dos muçulmanos, no século XII, foram adotados novos estilos, entre os quais calças e jaquetas.

Pré-história. As primeiras peças de vestuário surgiram provavelmente no paleolítico. O homem de Neandertal saía sozinho para caçar e a diferenciação de funções entre o homem e a mulher pode ter originado, nessa época, as primeiras diferenças entre o vestuário masculino e o feminino. No neolítico foram descobertas as fibras vegetais e animais e o tingimento dos materiais.

Egito Antigo. Os egípcios usavam principalmente o linho. A lã era muito escassa e a seda e o algodão, desconhecidos. As técnicas de tingimento eram pouco eficientes e por isso o tecido branco predominava. Jóias e arranjos de flores proviam o colorido.

Egito Antigo

Uma das primeiras peças usadas pelos homens consistia de uma faixa enrolada em torno da cintura, ornada de objetos pendurados. Durante o Médio Império, entraram em moda as vestes longas, da cintura aos tornozelos, ou mesmo pendentes dos ombros. O tronco era freqüentemente deixado nu, embora fossem também utilizadas camisas, igualmente feitas a partir de um retângulo de tecido. Na XVIII dinastia, as pinturas mostram um novo tipo de roupa: uma túnica drapeada, na verdade longa peça de tecido enrolada no corpo de maneira especial. As crianças aparecem sempre nuas nas representações, com a cabeça raspada, exceto pela "mecha das crianças", localizada lateralmente. Homens e mulheres usavam perucas. Os homens frisavam e tingiam a barba e, mais tarde, como símbolo de realeza, passaram a usar peças de metal no formato de uma barba.

Mesopotâmia
Mesopotâmia. O vestuário dos povos mesopotâmicos caracterizou-se pela simplicidade. No final do terceiro milênio antes de Cristo, usavam-se barretes. Os turbantes eram parte da veste real. Os assírios usavam túnicas retangulares e sandálias. Assim como os antigos persas, cultivavam as barbas com extremo cuidado. Em ocasiões festivas, enfeitavam-nas, assim como aos cabelos, com ouro em pó ou em fios, e perfumavam-se com substâncias aromáticas.

Persas, árabes e otomanos. Antes de conhecerem a seda e o algodão, os persas vestiam-se de peles de animais. Usavam calças e era comum um chapéu cônico de couro, às vezes circundado por faixas de tecido. Essa é uma das prováveis origens do turbante. A roupa feminina quase não foi representada nos monumentos persas mais antigos.

A conquista árabe no século VII trouxe modificações no vestuário. A roupa árabe, semelhante para homens e mulheres, consistia de uma peça de tecido enrolada no corpo sob as axilas e uma longa camisa, com ou sem mangas. A camisa, muito larga, era aberta no peito mas fechada no pescoço. Sobrepunha-se outra camisa em forma de saco, feita de lã ou pêlo de camelo. Outra peça de tecido era colocada na cabeça e atada com uma tira ou corda: o haik, usado ainda no século XX. Um manto de lã cobria o conjunto e podia ser usado sobre a cabeça. O véu, faixa de crepe ou musselina preta ou branca, alongava-se por vezes até o chão e podia ser enfeitado com pérolas ou moedas.

A grande migração turca no século XI trouxe novas modificações aos costumes persas e árabes. As calças persas eram largas e ajustadas no tornozelo. Os chinelos de couro com as pontas viradas para cima ainda são usados. No século XVI, as mulheres persas, ao saírem de casa, cobriam-se inteiramente com uma capa. Os homens usavam, por fora das calças, camisas com mangas compridas, sob o caftan e um manto.

Os turcos usavam um pequeno chapéu redondo com barra de pele. Após a conquista de Constantinopla, o sultão imitou o profeta Maomé e envolveu seu chapéu numa longa faixa de musselina. O turbante tornou-se então usual, enrolado diferentemente de acordo com a posição social. No final do século XX, o Oriente Médio conservava poucas das vestes tradicionais, embora os fundamentalistas continuem a incentivar seu uso, sobretudo na Arábia Saudita e no Irã.

Gregos, romanos e bizantinos. Na Grécia arcaica, o vestuário era influenciado pelos costumes do Oriente Médio. No período clássico, era original e harmonioso; no helenístico, extravagante e luxuoso.

As sacerdotisas usavam somente branco, enquanto as outras mulheres vestiam roupas de várias cores. Servos e artesãos usavam roupas escuras. A peça de roupa mais utilizada pelos gregos baseava-se num simples retângulo de tecido enrolado no corpo formando pregas. Na Grécia clássica (século V a.C.), a veste básica era uma túnica, curta para os homens e longa para as mulheres, presa nos ombros por broches. O estilo grego, solto e drapeado, com motivos decorativos, adotou algumas variações ao incorporar o uso de mantos como a clâmide e o peplo.

Os romanos deram continuidade à tradição grega e acrescentaram influências da indumentária etrusca, o que se evidenciou principalmente no uso de pequena toga semicircular. Nítidas distinções de classe passaram a ser associadas às formas do vestuário. A toga -roupa dos homens de estado, usada pelo imperador e altos oficiais - consistia numa faixa habilmente enrolada no corpo. A túnica feminina, que chegava até os pés, era feita de lã, linho, algodão ou seda, e podia ser bordada.

Por influência oriental, o vestuário masculino e feminino tornou-se muito mais rico em Constantinopla, capital do império bizantino. A riqueza dos bordados e jóias ficou patente nos mosaicos bizantinos. A indumentária do imperador Justiniano era de tipo eclesiástico e exibia a hierarquia suprema de seu poder. O suntuoso estilo bizantino foi muito imitado pelos povos vizinhos e perdura até a época contemporânea no ritual das igrejas ortodoxas.

vestuário medieval

Idade Média. O vestuário medieval evoluiu das túnicas merovíngias (de comprimento até a altura dos joelhos, bordadas nas pontas e amarradas por cintos) até as ricas vestimentas da época carolíngia, com enfeites de brocado. As expedições dos cruzados ao Oriente e, na Espanha, o contato com os muçulmanos, disseminaram alguns trajes orientais e elementos como o véu, adotado pelas mulheres casadas. Os homens passaram a usar calças compridas. No século XII, as túnicas ajustaram-se ao corpo das mulheres por meio de botões laterais e ganharam mangas compridas e amplas. O toucado consistia num aro de linho engomado usado sobre uma tira de linho que passava por debaixo do queixo e era presa no alto da cabeça.

Os homens vestiam o gibão, curto e justo, com calças. As classes altas cobriam o gibão com uma espécie de túnica externa e outra solta, a opalanda, com mangas muito largas e gola alta. Entre as mulheres, entrou em moda o surcoat, manto com grandes aberturas laterais. O véu foi abandonado e substituído por vários adornos de cabeça.

Vestuário no Renascimento

Renascimento. A moda italiana se distanciou logo do estilo gótico europeu para adquirir feição própria no Renascimento: ao contrário dos complicados adornos de cabeça do norte, as mulheres italianas usavam penteados mais naturais, embora costumassem enfeitar o alto da testa. Vestiam trajes de mangas largas com aberturas que deixavam ver a camisa branca por baixo. O luxo dos trajes italianos revelava a prosperidade comercial das cidades-estados, que exportaram sua moda para o resto do mundo. A influência alemã, no entanto, se fez sentir no início do século XVI, num estilo de traje masculino derivado do uniforme militar e ornado com várias aberturas que deixavam ver o forro, geralmente de outra cor. O traje continuava a ser formado pelo gibão, o calção e as meias.

O gibão masculino e o traje feminino, ricamente enfeitados, mostravam a borda franzida da camisa, o que antecipava a gorjeira, colar de linho franzido com que freqüentemente se fizeram retratar a rainha Elizabeth I e seus cortesãos. Sobre o gibão, levava-se uma peça chamada jacket e outra túnica aberta que caía em grandes pregas desde os ombros. Também se generalizou o uso da capa. A moda espanhola, que adotava as peças justas e as cores escuras, principalmente o negro, impôs-se à alemã. As gorjeiras se desenvolveram muito, até formar grandes golas duras de renda. Também começaram a ser empregadas armações de arame sob as saias: a verdugada, antecedente do merinaque do século XIX.

Século XVII. A indumentária das cortes européias do século XVII, principalmente a de Luís XIV, deu continuidade, em princípio, aos modelos do século anterior. A influência espanhola manteve-se durante algum tempo, principalmente nos Países Baixos, onde era muito apreciada pelos puritanos. As gorjeiras foram substituídas por colarinhos caídos de renda, que cobriam os ombros. O traje masculino dos mosqueteiros franceses e dos cavaleiros ingleses inspirava-se nos uniformes militares: calções, gibão, capa curta pendurada num ombro e chapéu de aba larga. O traje feminino constava de corpete, anáguas e vestido. O corpete, com amplo decote, podia levar rendas e fitas de seda. As mangas eram aumentadas com enchimento.

Por influência persa, adotou-se na vestimenta masculina o que seria o antecedente do terno moderno: o chamado vest, colete muito longo, abotoado até embaixo, sobre o qual levava-se uma casaca. No pescoço, começou-se a usar a gravata de renda ou musselina, derivada das que usavam os croatas a serviço do Exército francês.

O cabelo, que a princípio era solto e liso, começou a ser mais elaborado com o emprego de apliques. A partir de 1670, a peruca se tornou um elemento indispensável. A mais luxuosa era a infólio, grande e pesada. O costume de empoar as perucas é posterior, do final do reinado de Luís XIV. As mulheres não usavam peruca, mas sim chapéus extravagantes muito altos.

Século XVIII. Os últimos vinte anos do século XVII anteciparam o que seria a moda do século seguinte, dominado pelo grande prestígio da corte de Versalhes. Na indumentária masculina, a peruca teve grande importância até a revolução francesa. Havia vários tipos delas, entre as quais a dos soldados, leve e presa com laços na nuca. Ao longo do século, esse adorno foi reduzido até ficar limitado a alguns encaracolados do lado do rosto e a uma trança.

Com Luís XV, os trajes femininos tornaram-se mais soltos e vaporosos; os vestidos tinham pregas nas costas que caíam até o chão. O merinaque foi utilizado para dar volume ao traje feminino, cuja forma variava consideravelmente. Os componentes básicos eram corpete e saias, eventualmente abertas na parte dianteira, deixando entrever as anáguas, ricamente decoradas. O corpete podia também ser aberto, mostrando uma peça de tecido bordada, com laços e rendas. As mangas chegavam até o cotovelo, muitas vezes arrematadas com enfeites.

O traje masculino conservou por várias décadas a estrutura do século anterior. A casaca tornou-se mais comprida e com mais aberturas e as mangas se estreitaram. Sob a casaca, vestia-se um colete bordado, confeccionado em tecido diferente. Os calções chegavam até os joelhos e o traje se completava com um chapéu de três bicos. A influência britânica trouxe um tipo de traje masculino mais leve e informal. A simplificação do vestuário evidenciou o gosto neoclássico.

Revolução francesa e o século XIX. Os complicados penteados, as perucas empoadas e os chapéus da época de Luís XVI e de Maria Antonieta foram abolidos com a revolução francesa. A burguesia impôs sua moda. Os homens adotaram o estilo dos trajes de campo ingleses -- com chapéu alto, lenço no pescoço, jaqueta com lapelas, colete, calções e botas -- e eliminaram as casacas bordadas, as rendas e as meias, a partir de então restritas aos chamados incroyables franceses da década de 1790, iniciadores do estilo romântico. As mulheres buscaram a leveza em vestidos de cintura muito alta, que caíam retos até os pés. Esse estilo foi chamado "império".

Nos primeiros anos do século XIX, surgiram publicações impressas ilustradas com vestuário. A expedição de Napoleão ao Egito trouxe nova moda orientalista para a França, enquanto o Reino Unido, principal adversário dos franceses, procurava a máxima diferenciação de costumes. Ao restabelecerem-se as relações amistosas entre os dois países, as mulheres britânicas adotaram a moda francesa e, por sua vez, os homens franceses se decidiram pelo estilo britânico, em geral muito bem acabado, devido à alta qualidade do trabalho dos alfaiates do Reino Unido. Os dândis ingleses inspiraram a moda européia, com um vestuário bem cortado, ajustado ao corpo. O traje feminino exigia o uso de espartilho para afinar a cintura, com saia e mangas muito largas. As mulheres cobriam a cabeça com toucas ou capotas amarradas com laços, e levavam uma pequena bolsa e um guarda-sol como complementos do conjunto romântico.

A partir de 1837, as rodas exageradas das saias se reduziram e o traje masculino eliminou os excessos a que havia chegado o modelo dândi. O fraque tornou-se muito usado, assim como o redingote ou o casaco, mais curto. As camisas tornaram-se mais lisas, e as gravatas, mais finas. Popularizaram-se a calça, o chapéu de copa e grande variedade de casacos (chesterfield, paletó). A roupa masculina, mais sóbria e menos colorida, começava a tomar a forma que conserva até a atualidade.

Em meados do século, o traje feminino aumentou de volume graças a inúmeras anáguas que, por seu peso, dificultava a movimentação. Data dessa época a invenção da crinolina, armação à base de anéis metálicos flexíveis que substituía com vantagem as anáguas. A crinolina logo deslocou-se para trás e se tornou mais leve, o que deu origem a um levantamento na parte traseira da roupa por meio das anquinhas, que mais tarde desapareceriam, substituídas por um simples pregueado de tecido e uma cauda longa.

Os esportes também exerceram influência sobre o desenho das roupas, que se adaptaram às necessidades de cada modalidade. Assim, os trajes para andar de bicicleta, para o tênis ou para o banho inspiraram a moda quotidiana para homens e mulheres.

Século XX. No início do século XX a figura feminina adotou a forma de um S invertido, obtida com a ajuda de um espartilho apertado que empurrava o busto para a frente e as cadeiras para trás. A saia era justa e o corpete profusamente decorado com rendas. Aos penteados já altos sobrepunham-se ainda chapéus achatados e enfeites de plumas e flores.

Paralelamente, divulgou-se o tailleur, mais de acordo com as novas necessidades da mulher trabalhadora. A silhueta feminina transformou-se com trajes mais soltos e corpetes menos rígidos. Depois da primeira guerra mundial, prevaleceu a forma dos trajes em tubo, com talhe baixo e, a partir de 1920, saia mais curta. Surgiu pela primeira vez entre as mulheres um corte de cabelos curto, à la garçonne. As mulheres impuseram-se no mundo da moda como estilistas, entre as quais destacaram-se Coco Chanel e Elsa Schiaparelli. A partir da década de 1930, a moda foi ditada também pelo cinema e os vestidos tornaram-se elegantes e retos, com ombros largos.

Desde a segunda guerra mundial, o vestido passou por contínuas mudanças de estilo. A partir do new look de Christian Dior, de 1947, a moda européia passou por períodos de recuperação de estilos e elementos do passado (cinturas estreitas e saias volumosas); impôs novos esquemas geométricos (desenhos de Paco Rabanne e Courrèges, de 1968); e o ressuscitou formas mais livres e naturais (estilos neo-romântico e hippie). Na década de 1960 o surgimento da minissaia, criada por Mary Quant, suscitou polêmica.

A alta-costura perdeu a exclusividade de criação de roupas e o prêt-a-porter ampliou as possibilidades de mudança e difusão da moda. As grandes lojas passaram a distribuir seus modelos em larga escala. Nas últimas décadas do século XX, estilos jovens e informais inundaram o mercado da moda. O jeans e a camiseta impuseram-se como trajes de homens e mulheres de todas as idades e classes sociais. Surgiram novos materiais para a confecção de roupas, como o náilon e a lycra. Aos centros tradicionais de moda - França, Itália e Reino Unido -, somaram-se outros de grande relevância, como os Estados Unidos da América e o Japão.

Folclore e a Cultura Popular Brasileira

Folclore e a Cultura Popular Brasileira

#FESTAS POPULARES  Festas Populares Por meio de suas festas tradicionais, as comunidades estreitam seus laços e mantêm sua identidade como grupo, celebrando também sua vida cotidiana. Em tempos remotos, o homem primitivo pedia aos deuses proteção e colheitas fartas, muitas vezes usando comida, bebida, música e dança como oferendas. Como a agricultura está relacionada ao ciclo das estações, essas celebrações se tornaram periódicas. Com o cristianismo, a Igreja Católica transformou alguns desses rituais pagãos em homenagens aos santos, conferindo a eles um caráter sagrado de acordo com os princípios cristãos. Vários elementos das antigas festas pagãs, porém, foram preservados. No Brasil, a maioria das festas populares tem origem ibérica, africana e indígena e segue as datas do calendário católico. O Natal, o Carnaval e as festas juninas, comemorações de maior apelo popular, são encontradas em todas as regiões brasileiras. Além delas, existem inúmeras outras comemorações locais, pertencentes à tradição de cada cidade ou estado. Muitas reverenciam um santo padroeiro, como a de Nosso Senhor do Bonfim, em Salvador. Apesar de algumas festas compartilharem o mesmo tema, em cada lugar elas assumem características próprias, de acordo com a tradição regional.
#REISADO (FOLCLORE)Reisado - Auto de Natal encenado no Nordeste com temas variados, em que os participantes cantam e dançam ao som de instrumentos como sanfona, pandeiro e zabumba. Exibindo-se pelas ruas e praças, vão pedindo donativos por onde passam. Dependendo do tema e da região, esse folguedo apresenta diversos personagens, como o rei, a rainha, o mestre, o contramestre, a estrela, o Mateus e o palhaço. Também aqui, como acontece com muitos bumba-meu-boi nordestinos, cada personagem representa um papel que nem sempre se encaixa no conjunto. Para garantir certa unidade à encenação, há, geralmente, cenas cômicas. Alguns reisados incluem uma versão abreviada do bumba-meu-boi. Os participantes usam roupas e chapéus coloridos e ricamente ornamentados com vidrilhos, lantejoulas, fitas e espelhos. Segundo a crença popular, os espelhos têm o poder de proteger os dançarinos contra o mau-olhado.

Halloween - A festa de Halloween (redução de All Hallows' Eve, véspera do Dia de Todos os Santos) é celebrada nos Estados Unidos no dia 31 de outubro. Nessa data, crianças fantasiadas de monstros, fantasmas e bruxas batem à porta das casas para pedir doces e ameaçam pregar peças aos que se recusam a atendê-las.

O símbolo do Halloween -- uma lanterna feita com uma abóbora recortada à maneira de um rosto demoníaco e com uma vela acesa em seu interior -- serviria para orientar os mortos na noite de visita à Terra.

O Halloween tem origem nas festas pagãs de Samhain, celebradas pelos celtas durante a Idade Média, na Bretanha e na Irlanda, para comemorar a passagem do outono para o inverno. A data marcava também a véspera do ano novo, no tempo dos celtas e anglo-saxões. Durante os festejos, imensas fogueiras eram acesas no alto das colinas para afugentar os maus espíritos e acreditava-se que as almas dos mortos visitassem suas casas nesse dia.

As comemorações influenciaram a festa cristã do All Hallows' Eve, celebrada na mesma data. Com o tempo, muitos dos costumes do Halloween associaram-se a brincadeiras de crianças. A tradição foi levada para os Estados Unidos por imigrantes, principalmente irlandeses, e popularizou-se no final do século XIX. No Brasil, o costume de comemorar o Halloween (também chamado Dia das Bruxas), principalmente em festas à fantasia, data de meados da década de 1980.

#HALLOWEEN

Eldorado, Lugar Mítico da América do Sul - Lugar mítico, de riquezas abundantes e fáceis, o Eldorado é provavelmente o mais conhecido dos muitos mitos sobre cidades de ouro, como Cíbola, Quivira, a Cidade dos Césares e o Outro México. Originalmente Eldorado era o mítico soberano de uma cidade indígena, próxima a Bogotá, que, segundo a lenda, besuntava o corpo com ouro em pó, para em seguida banhar-se no lago de Guatavitá, onde seus súditos ofertavam joias e pedras preciosas ao deus Sol.

No século XVI, a crença de que o Eldorado estava no Novo Mundo ativou a cobiça de muitos conquistadores. O sonho nunca se tornou realidade, mas induziu à exploração de grande parte do continente americano.

#ELDORADO, LUGAR MÍTICO DA AMÉRICA DO SUL

As primeiras lendas sobre Eldorado (o homem de ouro) chegaram aos ouvidos dos conquistadores espanhóis antes de 1530. As joias obtidas no México por Hernán Cortés, em 1521, e no Peru, por Francisco Pizarro, em 1533, alimentaram ainda mais a ilusão daquele reino, que alguns identificavam com uma cidade de nome Omagua, situada nas regiões montanhosas da Colômbia. Outro relato que alimentou a lenda dizia respeito ao soberano ou sacerdote dos chibchas, que em certas cerimônias ungia o corpo com uma resina odorífera e pó de ouro, para em seguida banhar-se no rio.

Sebastián de Belalcázar partiu de Quito em 1536, em busca da cidade. No ano seguinte o explorador alemão Nikolaus Federmann também foi para a região. No mesmo ano, Gonzalo Jiménez de Quesada chegou ao reino dos chibchas, onde os índios lhe indicaram o caminho para o lago de Guatavitá. Como ninguém encontrou o tão ansiado ouro em suas águas, a procura do Eldorado expandiu-se para os vales do Orinoco e do Amazonas, até a Guiana, e novas cidades lendárias, como Manoa, passaram a ser centro de atração dos conquistadores. Em 1539, Gonzalo Pizarro atravessou os Andes, a partir de Quito; Francisco de Orellana, entre 1541 e 1542, desceu o rio Napo até o Amazonas, que percorreu até o oceano Atlântico. Jiménez de Quesada empreendeu nova viagem exploratória a leste de Bogotá entre 1569 e 1572. Antonio de Berrío explorou os territórios do leste de Los Llanos e o oeste da desembocadura do Orinoco, em 1585. Pero Coelho de Sousa percorreu, em 1603, o norte de Pernambuco. Outros que tentaram em vão encontrar o Eldorado foram Sir Walter Raleigh, em 1617, e frei Domingo de Brieva e frei Andrés de Toledo, em 1637.

Novas expedições e novas desilusões se sucederam até o final do século XVIII. Eldorado transformou-se mais tarde em símbolo dos que se lançam em aventuras fantásticas.
#BOTO (PERSONAGEM MITOLÓGICO DA AMAZÔNIA)

Boto (Personagem Mitológico da Amazônia) - Boto é o personagem mitológico da Amazônia que se transforma de cetáceo em homem para praticar estripulias entre as mulheres ribeirinhas. Seduz as moças que vivem às margens dos cursos d'água amazônicos e é responsável por todos os filhos de paternidade ignorada. Nas primeiras horas da noite, transforma-se num belo rapaz branco, alto e forte, que dança muito bem e gosta de beber. Vai aos bailes e frequenta reuniões, onde encontra as moças que por ele se apaixonam. Comparece pontualmente aos encontros que marca com elas, mas antes de clarear o dia salta para dentro do rio e volta a assumir a forma de boto. Dizem algumas versões do mito que o boto, quando está transformado em homem, nunca tira o chapéu branco para que não lhe vejam o orifício que tem no alto da cabeça.

Nenhum animal amazônico é objeto de tantas histórias quanto o boto. Acreditam os folcloristas que as lendas não têm origem indígena, ao contrário do que se pensa, mas teriam sido criadas pela imaginação do colono português.

Outras histórias misteriosas são atribuídas ao boto. Uma versão, das mais antigas, diz que ele tem o hábito de assumir forma de mulher, de cabelos longos até o joelho, que sai a passear à noite e encaminha os rapazes para o rio, onde os afoga. A associação do boto, ou delfim, aos assuntos amorosos remonta à antiguidade. Grécia e Roma consagraram-no a Afrodite e Vênus, porque os movimentos de seu deslocamento na água, levantando e abaixando o dorso, sugerem movimentos do ato sexual.

Danças folclóricas brasileiras - Surgidas no seio do povo e transmitidas ao longo das gerações, as danças folclóricas brasileiras representam fatos e passagens das origens culturais do Brasil, inspiradas em rituais religiosos pagãos e cristãos. Um dos elementos comuns a muitas delas é o cortejo, que assume por vezes importância maior que a própria ação. O cortejo é originário de uma mistura das procissões jesuíticas -- das quais participavam os fiéis, os cristãos-novos e os gentios, com suas roupas de festa e instrumentos musicais -- e também dos cortejos africanos. Os participantes seguiam de casa em casa, cantando e dançando até o local da representação, chamada embaixada.
 #Danças folclóricas brasileiras

Da fusão de três culturas -- a indígena, das tribos existentes à época da colonização; a negra, dos escravos africanos; e a europeia, do português --, nasceram as danças folclóricas brasileiras.

Essas danças podem ser divididas em três grupos principais: os pastoris, as cheganças e os reisados. Os primeiros são realizados no período natalino, e apresentam duas modalidades: a lapinha e o pastoril propriamente dito. A lapinha, dançada na sala da casa, diante do presépio, por meninas vestidas de pastoras, celebra o nascimento de Cristo. As pastorinhas formam dois cordões: o encarnado, liderado pela mestra, e o azul, pela contramestra. A disputa entre os dois cordões é aproveitada como forma de angariar fundos para as obras sociais da paróquia, pois a cotação de cada cordão vai subindo de acordo com as doações pecuniárias de seus defensores. O pastoril, executado sobre um tablado ao ar livre, tem caráter profano e satírico, e é dançado e cantado por mulheres, dirigidas por um personagem cômico: o cebola, o velho, o saloio, o marujo etc.

As cheganças, executadas em cenário que representa uma grande embarcação e com muitos participantes, têm como tema principal as lutas marítimas e são uma herança cultural das guerras dos cristãos portugueses contra o invasor mouro, daí chamarem-se também cristãos-e-mouros. Existem a chegança dos marujos, que é a marujada ou fandango, e a chegança de mouros, que é a chegança propriamente dita. Representada como uma série de cenas marítimas, culmina com a abordagem dos mouros, que são vencidos e batizados. Em alguns lugares, a chegança denomina-se barca.

O reisado é tradicionalmente executado na véspera do dia de Reis e consiste em uma adaptação coreográfica dramatizada de antigos romances e cantigas populares. A princípio estruturava-se geralmente em um episódio único e podia ser mostrado como um cortejo de pedintes que cantavam versos religiosos ou humorísticos, ou representavam autos sacros sobre a vida de Cristo. Depois incorporou-se a apresentação do bumba-meu-boi, personagem originado dos presépios, que passou a ser apresentado isoladamente, em especial nos festejos juninos.

O bumba-meu-boi, também chamado boi-bumbá ou boi-sumbi, é a dança mais conhecida e popular. Mais simples que as cheganças e os pastoris, que exigem um tablado para serem executadas, o bumba-meu-boi precisa apenas de espaço livre. O enredo do auto se modifica de região para região e não há um modelo fixo de trama.

Há outras formas de danças dramáticas ainda praticadas no Brasil, com maiores ou menores modificações em relação a sua representação original, conforme a região onde são realizadas. Os congos e as congadas, que em sua forma mais primitiva são apenas um cortejo real onde se desfila com cantos e danças, revivem, por meio da ação dramática, as passagens e os costumes da vida tribal africana.

O maracatu é uma derivação das congadas e tem maior penetração em Pernambuco. A dança desenvolve a ação proposta pelos congos, e mantém os personagens básicos: o rei, a rainha e o embaixador. Os cordões de maracatu saem no carnaval e cada um deles leva um nome especial, de origem religiosa ou geográfica, precedido da palavra nação.

Outra dança de carnaval é a dos caboclinhos, de origem indígena, ao som de percussão, sem cantigas e de figurações primárias. Os personagens, fantasiados de índios, simulam movimentos de ataque e defesa. O elemento coreográfico supera o musical e exige um certo virtuosismo dos dançarinos.

Os moçambiques, bailado popular que faz parte dos festejos do Divino Espírito Santo, não apresentam enredo dramático. Originado provavelmente entre os escravos das minas de ouro do Brasil colonial, consiste em um cortejo que desfila dançando pelas ruas. O bailado não segue coreografia predeterminada, e entre um número musical e outro são feitas louvações semelhantes aos cantochões, mais gemidas que cantadas.

Outras formas de dança, que tiveram momentos de maior ou menor penetração no passado, são o lundu, o coco e o cateretê. O lundu, nascido nas senzalas, ganhou as ruas e chegou a penetrar nos palacetes.

O coco, dança popular nordestina, do sertão e do litoral, onde é também chamada coco-de-praia, tem origem africana. A coreografia é semelhante à do bailado indígena, com inúmeras variações. A mais comum é a roda de homens e mulheres, que cantam versos entremeados pelo refrão do solista, chamado "tirador do coco". Para o ritmo, geralmente usam-se apenas as palmas, o zabumba e o ganzá.

O cateretê é uma dança de par, originária da região sul, do período colonial. Apresenta alguns elementos fixos, com duas filas dirigidas por violeiros, uma de homens e outra de mulheres, que dançam ao som de palmas e batidas nos pés.

As danças de quadrilha ocorrem durante as festas juninas, dedicadas a santo Antônio, são João e são Pedro. Tradição difundida nacionalmente, mantém-se mais forte no Nordeste, especialmente nas cidades do interior. São danças de par realizadas coletivamente, sob a coordenação de um mestre-de-cerimônias, que comanda os passos. É evidente a origem europeia, tanto pela coreografia como pelas expressões de comando, gritadas em uma espécie de francês aportuguesado, como "anavantu" (en avant tous!, "todos à frente!") e "anarriê" (en arrière!, "para trás!").

A ciranda, de origem portuguesa, é dançada em rodas concêntricas, homens por dentro e mulheres por fora. Música e letra são originalmente portuguesas, embora já totalmente abrasileiradas. Existe uma versão infantil, que lhe é anterior, a cirandinha, famosa pela letra e música -- Ciranda, cirandinha /  vamos todos cirandar / Vamos dar a meia-volta / volta-e-meia vamos dar -- que atravessou séculos sem alteração, como costuma acontecer com as brincadeiras infantis.

Festa do Senhor do Bonfim - Os festejos, que duram nove dias consecutivos, têm como centro a imagem do Cristo crucificado, venerada na igreja do Bonfim, em Salvador - BA. Por seu caráter popular, pelo sincretismo afro-católico e pela persistência de antigas tradições portuguesas, a festa só é comparável à de Nossa Senhora da Penha, no Rio de Janeiro; de são Francisco de Canindé, no Ceará; de Nossa Senhora de Nazaré, no Pará; e de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo.

#Festa do Senhor do Bonfim

Além de ser uma das mais populares comemorações religiosas da Bahia e do Brasil, a tradicional festa do Senhor do Bonfim encerra alto interesse etnográfico e folclórico.

A imagem, semelhante à que existia em Setúbal, em Portugal, foi trazida em 1745 para Salvador por Teodósio Rodrigues Faria, oficial da Marinha portuguesa. Fundou-se logo na cidade uma associação com a finalidade de propagar a devoção ao Bom Jesus do Bonfim e construir-lhe uma igreja. Esta, localizada no topo de uma colina, ficou pronta em 1754. A devoção, mantida pelo impulso popular, com o tempo enriqueceu-se de elementos folclóricos.

O principal deus africano, Orixalá ou Oxalá, era, por coincidência, cultuado no topo de colinas. Esse aspecto do misticismo africano muito contribuiu para a identificação dos dois cultos na consciência do escravo. No início, os festejos religiosos que se realizavam durante a novena do Senhor do Bonfim eram apenas a repetição da velha maneira portuguesa de animar o novenário de padroeiros e santos protetores, mas foram adquirindo características locais.

As primeiras festas se realizaram na Páscoa, mas já em 1773 deu-se a transferência para o mês de janeiro, começando no segundo domingo depois do dia de Reis. Os dias mais festivos são a segunda e a sexta-feira. Na quinta-feira anterior ao início da novena, faz-se, como preparação para a festa, a lavagem do adro da igreja. A água para tal fim deve ser tirada do poço de Oxalá. Nasceu essa tradição de uma promessa de um soldado português que lutou na Guerra do Paraguai. Prometera ao Senhor do Bonfim que, voltando vivo, lavaria sua igreja.

Boitatá (Cobra-de-Fogo) - No Brasil, a cobra-de-fogo, segundo a lenda indígena, vagava pelos campos protegendo-os contra aqueles que os incendeiam. Às vezes, transformava-se em grosso madeiro em brasa que fazia morrer, por combustão, quem queima inutilmente os campos. O padre Anchieta se refere ao boitatá em carta de 31 de maio de 1560: "Há também outros (fantasmas), máxime nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e dos rios, e são chamados baetatá, que quer dizer coisa de fogo, o que é o mesmo que se dissesse o que é todo fogo. Não se vê outra coisa senão facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os como os curupiras; o que seja isto, ainda não se sabe com certeza."

#BOITATÁ (COBRA-DE-FOGO)

Conhecido em quase todas as culturas, o mito inspirado pelo fogo-fátuo ou fogo de santelmo tem no boitatá sua versão brasileira.

No Nordeste, o mito do fogo-fátuo chama-se fogo-corredor e Câmara Cascudo o encontra entre pescadores de caranguejos, habituados a vê-lo bailar nos mangues; Cornélio Pires mostra que em São Paulo chama-se bitatá; em Minas Gerais, é o batatal; já em Sergipe tomou o nome jã-de-la-foice (Jean Delafosse).

Trata-se de um mito antiquíssimo, com inúmeras versões. Na Alemanha é a Irrlicht (a luz louca), carregada por minúsculos e invisíveis anões; na Inglaterra é o jack-with-a-lantern, que em forma de fantasma, guiava os viandantes pelos charcos e banhados; na França é o moine des marais (monge dos banhados), semelhante ao mito inglês; e em Portugal, são as alminhas, as almas dos meninos pagãos ou as almas penadas de quem deixou o dinheiro enterrado e não pode se salvar enquanto esse permanecer infrutífero.
#BUMBA-MEU-BOI Bumba-Meu-Boi - Esse folguedo é encontrado em todo o Brasil e recebe nomes diferentes de acordo com a região. No Nordeste é conhecido por bumba-meu-boi; no Centro-Oeste, chama-se boi-a-serra; em Santa Catarina, boi-de-mamão; e nos estados do Norte, boi-bumbá. Em todos, o tema central é a morte e a ressurreição de um boi. O auto do boi em sua versão mais completa é apresentado no Maranhão, Pará e Amazonas. No enredo, a mãe Catirina, grávida, sente vontade de comer língua de boi. Para satisfazer seu desejo, o marido, Pai Francisco, mata o boi mais bonito da fazenda do patrão. O rico fazendeiro descobre e manda prendê-lo. Com a ajuda de um "doutor de boi" ou de um pajé, o animal é ressuscitado, e pai Francisco, perdoado. Elemento principal do folguedo, o boi é feito de uma armação revestida de tecido e enfeitado. Dentro dele, um homem pula e dança entre a multidão. Nos demais estados brasileiros, o auto aparece resumido, iniciando ou concluindo outros folguedos. Em cada lugar onde a narrativa é encenada, juntam-se em torno do boi personagens locais, como o prefeito, o doutor, os índios, os caboclos, além de personagens fantasiados de bichos. A história é acompanhada por instrumentos, como pandeirão, zabumba, matraca, maraca, tambor onça (cuíca grave). É encenado tradicionalmente entre o Natal e o Dia de Reis na Região Nordeste, e durante as festas juninas no Maranhão e nos estados do Norte. No Maranhão, existem bois de estilos diferentes: os africanos bois de zabumba, os bois de matraca e os carnavalizados bois de orquestra, acompanhados de fanfarras. A diferença entre eles está nos ritmos, nas vestimentas, nos instrumentos e nos estilos de dança. No Amazonas, o boi da ilha de Parintins adquiriu tamanha popularidade que foi construído um bumbódromo para sua festa.

#Bordado
 
Bordado - Bordado é a arte de ornamentar os tecidos com fios diferentes, formando desenhos. Esse trabalho executa-se à mão ou à máquina, com agulhas de várias grossuras e feitios, inclusive as de gancho ou crochê. Os fios empregados para bordar podem ser os mais variados: de algodão, seda, linho, ráfia, ouro e prata, e ainda de fibra sintética, náilon, acrílico e celofane. O bordado, além dos fios, complementa-se com outros elementos que vão de materiais preciosos, como ouro, prata, pérolas, pedras preciosas, lantejoulas e canutilhos, até os mais rústicos, como sementes, conchinhas, palha, contas de vidro ou de madeira etc. O bordado pode ser plano ou em relevo,  que por vezes o torna semelhante a uma escultura.

Ao contrário de outros artesanatos têxteis, o bordado teve desde suas origens uma função essencialmente estética e não utilitária, e por isso se tornou um campo muito atraente para a arte popular.

História - Presume-se que o bordado seja uma das artes aplicadas mais antigas, que deve ter surgido logo após a descoberta da agulha. Por serem executados em material perecível, o tecido, os mais antigos bordados não se conservaram. Para estudá-los é preciso recorrer à documentação fornecida por monumentos antigos, em cujos baixos-relevos, esculturas, pinturas e gravuras são representados.

Nas civilizações antigas que se desenvolveram nas margens do Eufrates, a arte do bordado foi muito cultivada. Nos monumentos da Grécia antiga, aparecem figuras com túnicas bordadas. Os hebreus também usavam bordados, cuja invenção atribuíram a Noema. Em várias passagens da Bíblia há referência à arte de bordar. Homero fala dos bordados de Helena e Andrômaca, nos quais essas princesas documentaram episódios da guerra de Troia. Os romanos pouco utilizaram o bordado até a formação do império, mas, a partir de então, essa arte generalizou-se.

Foi a partir do século VII, porém, que o interesse pelo bordado se tornou sistemático no Ocidente. Nos séculos seguintes, sua prática intensificou-se, a ponto de abadias e mosteiros se transformarem em verdadeiras oficinas de artesanato. As rainhas e suas damas também se dedicavam ao bordado. Em breve apareceram armas, brasões, escudos e pendões bordados a cores e em ouro e prata. No século XVI, difundiu-se o costume de bordar cenas semelhantes a pinturas, reproduzindo temas religiosos, históricos etc.

A Itália era, então, o centro de todas as artes. Os bordados italianos serviam de modelo para toda a Europa. O bordado, que até então era plano ou em relevo, tornou-se recortado e rendado, dando origem às rendas. Na Renascença, o bordado assumiu a condição de artesanato puramente decorativo. Já então não se limitava a ornamentar as vestes religiosas e civis: seu uso estendeu-se à decoração de interiores, em tapeçaria, estofos para móveis, reposteiros etc. No século XVII, começaram-se a bordar as toalhas de mesa e no século XVIII as roupas íntimas, aparecendo assim o bordado a branco.
Em 1821, um operário francês inventou a primeira máquina de bordar. Com seu aperfeiçoamento e sua multiplicação, o século XIX conheceu o declínio do bordado até o surgimento, já no final do século, de movimentos como o "Arts and Crafts" ("Artes e Ofícios") de William Morris, que o revitalizaram.

No século XX, apesar de ser possível a reprodução mecânica de todos os tipos de bordado, certos gêneros caíram em desuso e ocorreu um fenômeno de revalorização dos bordados manuais, a branco ou de aplicações complementares, que se tornaram símbolos de alto nível social. Até a década de 1950, inclusive, era costume o uso de peças bordadas em branco sobre branco: lençóis, toalhas de mesa e lenços. O bordado da ilha da Madeira, executado em fio azul bem claro sobre tecido branco, fazia parte do enxoval dos bebês.

Os luxuosos modelos dos vestidos de noite, copiados da alta costura, em geral eram bordados com aplicações de strass, lantejoulas, canutilhos, pérolas, fios dourados e prateados, com ornamentos e tecidos não contrastantes. Também os trajes de espetáculos musicais obedeciam a esse padrão, com variações mecanizadas e bem coloridas. A tendência à reciclagem estilística da moda fez com que os vestidos de noite bordados com aplicações voltassem.

O bordado de cor, manual, tradicionalmente se fez representar nos trabalhos folclóricos em todo o mundo, bastante valorizados. Nas fantasias dos desfiles de carnaval brasileiros, também são muito usados os bordados de todos os tipos. Os tapetes artesanais permaneceram muito bem cotados e difundidos, entre os quais o tipo arraiolo. Quanto à tapeçaria de parede, alguns artistas plásticos brasileiros como Genaro (Genaro Antônio Dantas de Carvalho) ficaram famosos elevando-a à categoria de obra de arte. Destacam-se, também, as tapeçarias de Madeleine Colaço, que inventou o ponto brasileiro, e Concessa Colaço.

O bordado a máquina conservou algum prestígio no gênero branco e no ornamento de tom idêntico ao do tecido, empregado em pequenos detalhes e em arremates muito estreitos de vestidos e blusas. Mesmo depois de industrializado, o bordado inglês permaneceu em uso, periodicamente reciclado pela moda, nos trajes femininos e infantis, e no adorno de fronhas e lençóis finos. O bordado de cor, mecanizado ou artesanal, simples e em diversas modalidades, desvalorizou-se muito (com exceção das peças folclóricas), embora ainda seja bastante usado, geralmente em tons claros, em roupas de crianças pequenas. O recamo de cor, mecanizado ou manual, atravessou o século, desde a criação dos tailleurs Chanel, sempre copiados.

A partir da década de 1970, o uso de materiais alternativos, pesquisas de novas fibras para tecidos e tendências extravagantes ou ecológicas da moda fizeram com que, periodicamente, surgissem peças de vestuário feminino em tecido ou tricô bordados com aplicações de conchinhas, miçangas, sementes, plaquinhas de metal etc. Tais fenômenos atestam a vitalidade e a capacidade de renovação da arte de bordar no século XX.

Tipos e materiais - Podem-se distinguir três tipos de bordado: o bordado a branco, o bordado de cor, que inclui os trabalhos de ouro e prata, e o bordado sobre tela, que inclui a tapeçaria, executado a agulha com lãs ou sedas.

Bordado a branco - Assim chamado porque se executa sobre toda espécie de tecido branco, com linhas de algodão, linho ou torçal da mesma cor do fundo, o bordado a branco também abrange o mesmo gênero de trabalho feito com cores delicadas, tom sobre tom. Os pontos mais empregados no bordado a branco são os do bordado de passagem, que se faz executando os contornos e as nervuras do desenho com pontos chamados de passagem, e depois preenchendo-os com esses mesmos pontos.

A essa variedade pertence o bordado recortado ou festão, que consiste em bordar e recortar o tecido, sem que desfie, seguindo os contornos de um desenho denteado. As variações desse tipo de bordado são o ponto veneziano, o ponto renascença e o ponto Richelieu. O bordado a cheio, ou ponto real, se faz sobre tecidos leves, como a cambraia, a opala, a batista e a musselina, por meio de um ponto horizontal que abraça o tecido tanto embaixo quanto em cima. O bordado inglês mistura o bordado de recorte e o cheio. O bordado de renda executa-se puxando fios de um tecido leve ou com aplicações mais ou menos complicadas. É um tipo de trabalho que tem antiga tradição em Portugal e no norte do Brasil, onde é chamado crivo.

Bordado de cor - Consiste o bordado de cor no uso de fios tintos em todas as cores e tons, e de fios de ouro e prata; já foi empregado pelos povos orientais. Os principais bordados de cor são o bordado de aplicação ou em relevo, o bordado mosaico, o recamo, o bordado de transporte e a guipure. O bordado de aplicação ou em relevo é aquele cujos ornamentos sobressaem, ganham relevo, graças à colocação, por baixo dos pontos, de algodão, feltro, cartão ou pergaminho, que os sustêm. No bordado mosaico, reúnem-se pedaços de tecido de diversas cores.

O bordado de transporte se executa trabalhando as partes do desenho em separado, para depois colocá-las sobre o tecido-base. O recamo é obtido cosendo-se no tecido-base galões, cordões e passamanaria, por meio de pontos bem juntos. Na guipure, uma série de bordados de aplicação se misturam, incluindo-se, em geral, entre seus elementos ouro, prata e pedras preciosas. Os paramentos litúrgicos quase sempre são bordados nesse tipo.

Pertencem também a essa categoria o bordado a matiz, conhecido como pintura a agulha, pois os fios estão dispostos de modo a imitar o mais possível a coloração natural dos objetos; o bordado de cadeia, gênero antigo e muito empregado no Oriente, que se fazia com os dedos e agulhas de coser e, com o surgimento do tambor, passou a ser executado com agulhas de crochê; e o ponto de nós, que se produz com uma sequência de nós simples, cegos, ou corrediços, que formam uma roseta.

No bordado árabe, o ouro, a prata e as pérolas reúnem-se com fios de cor, ora sobre tecidos transparentes, gazes ou musselinas, ora sobre tecidos espessos e até couro, para aí desenhar modelos da maior fantasia. As letras árabes entrelaçadas, ou arabescos, dão a esse bordado seu cunho particular. O bordado chinês e o japonês usam uma variedade enorme de tonalidades de fios, o que lhes confere efeitos de luz e de cores de grande beleza.

Bordado sobre tela - O bordado sobre tela ou talagarça executa-se sobre um tecido de trama frouxa, que serve de guia para contar os pontos; uma vez pronto o trabalho, a tela é desfiada, deixando sobre o tecido-base apenas o bordado. A tapeçaria também emprega os pontos contados sobre um fundo de tela que permanece. Tem esse nome porque o resultado final do trabalho aparenta a tapeçaria tecida no tear. Pode ser feita com lãs, sedas ou fios metálicos.

#Dança, Origem da DançaDança, Origem da Dança - A dança é uma das mais simples e universais manifestações artísticas, a qual consiste no movimento rítmico e coordenado dos corpos. Talvez pelo fato de não requerer nenhum tipo de instrumento, encontramos registros de sua prática nos mais remotos agrupamentos humanos.

Acredita-se que a mesma era um mecanismo especializado de atração e conquista entre os homens pré-históricos. Nas antigas civilizações, passou a fazer parte de inúmeros rituais religiosos, com o intuito de adorar deuses ou clamar por fertilidade. No início ao fim da Idade Antiga é possível identificar o desenvolvimento da dança e seu aperfeiçoamento.

Nos Jogos Olímpicos, por exemplo, este era um elemento fundamental. Posteriormente, no período do Renascimento, a dança teve um enorme avanço, passando a ter um caráter teatral. Foi assim que surgiram dois importantes estilos: o sapateado e o balé.

Já as danças feitas em pares, como a valsa, o tango e a polca, por exemplo, foram surgir somente no século XIX, embora tenham sofrido forte resistência por parte dos conservadores da época. Hoje em dia, a dança incorporou elementos culturais de diversas regiões do mundo, de negros, índios e brancos, o que resultou na criação de outros estilos, como o samba, por exemplo
#FolguedoFolguedoSão folguedos que representam danças e manobras guerreiras dos índios brasileiros. Os participantes vestem tangas, peitorais e cocares feitos de penas coloridas, e as coreografias são bem ágeis. No passado, é possível que esses folguedos tenham sido praticados por índios e reelaborados pelos jesuítas com fins catequéticos. Agora, no entanto, restam poucas referências verdadeiramente indígenas nesses folguedos. Nos caboclinhos do Carnaval do Recife (PE) e nas carnavalescas tribos de índio da Paraíba, são usadas preacas – espécies de arco e flecha com função percussiva. A música é entoada por um grupo instrumental no qual se destaca uma pequena flauta de nome gaita. No Brasil Central, encontram-se grupos de caboclos em Minas Gerais, fazendo parte do congado e devotos de Nossa Senhora do Rosário. Em Goiás, há os tapuias, vestidos com palha e cocares com chifre. E, em São Paulo, aparecem os caiapós, com corpo pintado de azul e vestidos de palha.

#Jogral
Jogral - O termo jogral designava, na Idade Média, as pessoas que se dedicavam a entreter tanto o povo como os nobres e monarcas. Vestido de forma extravagante e quase sempre portador de instrumentos musicais (harpa, saltério, alaúde, gaita), acompanhado de algum animal, o jogral viajava de cidade em cidade, de corte em corte, e em cada lugar mostrava aos habitantes seus saberes e destrezas. Relatava fatos históricos célebres ou notícias recentes, narrava contos épicos protagonizados por heróis míticos, cantava, apresentava números de prestidigitação e acrobacia. Em troca, recebia algum dinheiro, mas sobretudo víveres e hospedagem.

Figura emblemática do ambiente cultural da Idade Média, o jogral divertiu, com seus textos e suas músicas, inumeráveis povoados e cortes.

Muitas vezes comparou-se o jogral ao trovador, o que não é certo, já que o segundo pertencia às classes altas e recitava composições originais, enquanto o jogral, procedente de uma camada social mais baixa, recebia pagamento por seu trabalho e não recitava versos próprios, mas alheios. Assim, converteu-se no principal transmissor de numerosos textos poéticos e relatos, que constituiriam o chamado mester de juglaría, expressão espanhola antiga equivalente a mister ou ofício de jogral, em oposição a mester de clerecía, arte literária própria dos clérigos medievais cultos. Os jograis desenvolveram método próprio, caracterizado pelas improvisações e o estilo livre e narrativo.

As mais destacadas manifestações dessa literatura foram os cantares épicos, cultivados principalmente na Espanha e na França, como o Cantar de mío Cid (Cantar do meu Cid) ou a Chanson de Roland (Canção de Rolando). Essas gestas heróicas tinham certa base histórica e elementos legendários, e posteriormente foram convertidas em prosa em diversas crônicas históricas. Os relatos religiosos versavam sobre vidas de santos exemplares, como a Vida de santa Maria Egipcíaca, ou temas bíblicos, que serviam para reavivar os sentimentos religiosos da população.

Os jograis não gozavam de bom conceito na sociedade da época e eram constantemente tachados de imorais e dissolutos, tanto pelas autoridades religiosas quanto como pelo poder constituído. Assim procedeu, por exemplo, o rei castelhano Afonso X o Sábio em seu texto Las siete partidas.

Ante a impossibilidade de dominar todas as artes, os jograis se especializaram. Quando, no século XV, seu ofício começou a decair, acabaram por associar-se a outros indivíduos de profissões semelhantes, como os bufões, os menestréis, os mímicos e os goliardos, que tenderam a agrupar-se, em caráter estável, nas diferentes cortes ou palácios nobiliários.

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