Funcionalismo (Teoria Antropológica e Etnológica)

Funcionalismo (Teoria Antropológica e Etnológica)

#Funcionalismo (Teoria Antropológica e Etnológica)Teoria antropológica e etnológica, sustentada principalmente por Bronislaw Malinowski e A. R. Radcliffe-Brown, o funcionalismo adota como postulado básico o fato de que todo sistema social tem uma "unidade funcional", cujas partes se acham interligadas em grau suficiente de harmonia ou consistência interna. Cada atividade representa a satisfação de uma necessidade e, consequentemente, cada elemento cultural tem sua função. O elemento cultural desempenha uma função, como os demais, e portanto os fatos culturais, em qualquer nível, explicam-se pela função que exercem.

Baseadas no princípio biológico segundo o qual os órgãos dos seres vivos devem ser considerados de acordo com as funções que exercem, a sociologia e também a psicologia e a antropologia passaram a aplicar modelo semelhante no estudo de seus objetos, o que configurou uma abordagem que, a partir do século XIX, passou a denominar-se funcionalismo.

O funcionalismo destaca as necessidades biológicas como as primeiras e mais importantes para a existência do grupo. Essas necessidades são, em sua maioria, universais, como abrigo, segurança, repouso, alimentação, reprodução etc., e delas decorrem as outras. Em decorrência dessas necessidades básicas, surgem as respostas culturais. Assim, por exemplo, a reprodução é uma necessidade para a vida do grupo e tem sua resposta cultural na existência do parentesco. A necessidade de bem-estar do indivíduo ou do grupo encontra seu elemento cultural na habitação; as necessidades de saúde são atendidas pela higiene; as de segurança, pela proteção; enfim, cada necessidade básica cria um elemento de cultura (necessidade derivada) com o fim de exercer a função de atendê-la.

Imperativos culturais

A ideia do funcionalismo desenvolveu-se das necessidades básicas para as derivadas, que são chamadas "imperativos culturais". Em suas primeiras obras, Malinowski restringiu a quatro esses imperativos : (1) economia; (2) controle social; (3) educação; (4) organização política.

A economia representa o conjunto cultural das funções exercidas para atender às necessidades fundamentais da vida. Compreendem-se aí as funções de produzir alimentos, conservá-los e distribuí-los. Abrange, portanto, todo o conjunto dos elementos que dizem respeito, em primeiro lugar, à alimentação, e em segundo lugar, à preservação e defesa dos alimentos.

O segundo imperativo, o do controle social, refere-se às relações entre os indivíduos e os grupos, e dos diversos grupos uns com os outros. Situa-se aí tudo quanto diz respeito à conduta na vida social, às prescrições e normas que devem ser mantidas nas relações em sociedade.

O terceiro imperativo, o da educação, compreende as normas culturais necessárias à manutenção e à permanência do grupo: educação intelectual, disciplina, manutenção dos valores culturais, continuidade dos hábitos e usos comuns. Finalmente, a organização política constitui o conjunto de elementos culturais por meio dos quais funcionam as relações entre os diversos elementos do grupo, a constituição das autoridades, dos poderes e da hierarquia. Todos os elementos culturais representativos do comportamento político estão incluídos nesse grupo.

Essa classificação foi bastante criticada porque não incluiu elementos fundamentais na vida do grupo, como, por exemplo, as ideias religiosas e artísticas. Já que tais ideias existem em todos os grupos humanos, elas teriam portanto de exercer uma função representativa das necessidades espirituais e artísticas. Em obra posterior, Malinowski acrescentou dois novos imperativos culturais: a religião e a estética. Na religião, compreendem-se todas as manifestações espirituais, as novas ideias de religiosidade, como necessidades básicas na vida do grupo; e na estética encontra-se o conjunto de atividades relativas à criação artística.

Apesar das restrições ao funcionalismo, pode-se observar que suas ideias muito contribuíram para o desenvolvimento da etnologia. Além disso, o funcionalismo consagrou um princípio hoje adotado por todas as escolas: o que estabelece, no estudo de um povo ou de um grupo, que devem ser considerados todos os aspectos, e não apenas elementos isolados. Outros modelos funcionalistas foram propostos pelos sociólogos americanos Robert Merton, Talcott Parsons e Norbert Wiener.

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