Ritmo Musical

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Ritmo Musical

Ritmo MusicalRitmo é a organização das durações sonoras. Sons idênticos e em sequência regular, como o tique-taque de um relógio, não constituem, por si só, um ritmo. É necessário percebê-los por grupos, para que surja a estrutura rítmica em seu conjunto. A ritmização é, por conseguinte, um processo subjetivo, explicado pelos princípios psicológicos que regem a percepção das formas.

Enquanto a pintura e a escultura são composições no espaço, a música se desenvolve no tempo. Em decorrência disso, o ritmo -- relacionado à duração dos sons -- é elemento indispensável na peça musical. Não se pode analisá-lo, no entanto, sem levar em conta as outras características do som: uma mesma célula rítmica produzirá efeito muito diverso se executada por um piano, um tambor ou uma orquestra.

As origens do ritmo na música ocidental são controversas. Sabe-se que a notação métrica foi inventada por volta do século XII e ganhou notável complexidade durante o século XIV. Esse refinamento foi abandonado pelos compositores do Renascimento, que privilegiaram o aspecto harmônico. No século XVII, houve uma divisão entre o ritmo ligado às danças e aquele calcado no modelo da fala, encontrado nos solos vocais. Essa caracterização repercutiu na ópera, na distinção entre ária e recitativo. O século XIX assistiu a uma erosão do sistema métrico -- juntamente com a do sistema tonal -- mediante polirritmias, subdivisões e irregularidades, o que levou vários compositores do século XX a abandonar a métrica. No início do século XX, o compositor Émile Jaques-Dalcroze questionou um dogma da música ocidental -- o princípio de criar ritmos a partir da subdivisão de uma unidade de tempo predeterminada -- e reaproveitou antigas teorias de criação do ritmo por adição de valores, além de utilizar também polirritmias e sistemas métricos do Extremo Oriente.

Tempo e compasso - A duração de um som é expressa por uma unidade cujo valor absoluto varia de uma peça para outra e é denominada "tempo". Numa sequência de sons de mesma intensidade, emitidos com regularidade, a distância entre cada um deles e o seguinte representa um tempo. A percepção auditiva atribui-lhes automaticamente importâncias desiguais. Dois ou mais tempos, organizados em grupos onde um deles predomina como forte, formam a célula métrica denominada compasso. De acordo com a periodicidade de ocorrência dos tempos fortes, os compassos simples se classificam em binários ou ternários. Os compassos compostos, formados pela combinação de compassos simples, podem ser regulares, quando resultam da soma de dois compassos iguais, e irregulares, quando constituídos por partes de valores diferentes. Na música ocidental, são comuns os compassos binários e os ternários, além dos compostos, como o quaternário e o compasso de seis tempos.