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Por Que Ler um Livro...

Por Que Ler um Livro...

Por Que Ler um Livro...
Ler um livro é desinteressar-se a gente deste mundo comum e objetivo para viver noutro mundo. A janela iluminada noite adentro isola o leitor da realidade da rua, que é o sumidouro da vida subjetiva. Árvores ramalham. De vez em quando passam passos. Lá no alto estrelas teimosas namoram inutilmente a janela iluminada. O homem, prisioneiro do círculo claro da lâmpada, apenas ligado a este mundo pela fatalidade vegetativa do seu corpo, está suspenso no ponto ideal de uma outra dimensão, além do tempo e do espaço. No tapete voador só há lugar para dois passageiros: Leitor e autor.

O leitor ingênuo é simplesmente ator. Quero dizer que, num folhetim ou num romance policial, procura o reflexo dos seus sentimentos imediatos, identificando-se logo com o protagonista ou herói do romance. Isto, aliás, se dá mais ou menos com qualquer leitor, diante de qualquer livro; de modo geral, nós nos lemos através dos livros.

Mas no leitor ingênuo, essa lei dos reflexos toma a forma de um desinteresse pelo livro como obra de arte. Pouco importa a impressão literária, o sabor do estilo, a voz do autor. Quer divertir-se, esquecer as pequenas misérias da vida, vivendo outras vidas desencadeadas pelo bovarismo da leitura. E tem razão. Há dentro dele uma floração de virtualidades recalcadas que, não encontrando desimpedido o caminho estreito da ação, tentam fugir pela estrada larga do sonho.

Assim éramos nós então, por não sabermos ler nas entrelinhas. E daquela primeira fase de educação sentimental, que parecia inevitável como as espinhas, passava quase sempre o jovem monstro para uma crise de hipercrítica. Devido à necessidade de um restabelecimento de equilíbrio, o excesso engendrava o excesso contrário. A pouco e pouco os românticos perdiam terreno em proveito dos naturalistas. Dava-se uma verdadeira subversão de valores na escala da sensibilidade e a fantasia comprazia-se em derrubar os antigos ídolos. Formava-se muitas vezes, coincidindo com manifestações mórbidas que são do domínio da psicanálise, um pedantismo da clarividência, tão nocivo como a intemperança imaginosa ou sentimental, e talvez mais ingênuo, pois refletia um ressentimento de namorado ainda ferido nas suas primeiras ilusões.

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Algoritmo

Algoritmo

#Algoritmo

Um algoritmo é um procedimento geral de resolução de problemas mediante a execução de uma seqüência de passos elementares, a partir dos dados iniciais. O algoritmo da multiplicação de números inteiros, por exemplo, decompõe essa operação em uma sucessão de somas e produtos de números de um só algarismo.

É necessário, na construção de um algoritmo, levar em conta todas as alternativas possíveis de manipulação dos dados disponíveis. A obtenção de algoritmos é particularmente importante quando sua aplicação pode ser mecanizada, como, por exemplo, por meio de um computador. Como essas máquinas só realizam operações muito simples, um programa não passa de um algoritmo formado por instruções que o computador possa executar.

Para resolver problemas matemáticos semelhantes, é útil dispor de um método geral de solução, com regras formais bem definidas. Se o problema apresenta alta complexidade, recorre-se a sua decomposição em uma série de outros algoritmos menos complexos.

Quando se torna necessário optar entre dois algoritmos que resolvem o mesmo problema, deve-se analisar fundamentalmente duas circunstâncias. Primeiro, é preciso ter em conta a rapidez do processo; em segundo lugar, a presença de erros. Como são obtidos a partir de mecanismos de medição, os dados de entrada raramente são exatos e o algoritmo também introduz um erro. Na ausência de outros fatores, cumpre recorrer ao algoritmo que minimize o crescimento do erro. Em muitos casos, ademais, convém considerar o custo econômico embutido na utilização de um ou outro algoritmo.

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Aprendizagem, Tipos de aprendizagem

Aprendizagem, Tipos de aprendizagem

#AprendizagemEm psicologia, aprendizagem é o processo de modificação da conduta por treinamento e  experiência. Varia da simples aquisição de hábitos à  de técnicas mais complexas. Como característica essencial do psiquismo humano, o ato de aprender difere do adestramento animal pelo seu caráter criador, dinâmico e intencional. A motivação, a inteligência e a hereditariedade influenciam a aprendizagem, cujos elementos básicos são o estímulo, a resposta, o impulso e o reforço. A psicologia vem emprestando ao assunto singular importância, mesmo em relação a problemas como a neurose, considerada uma aprendizagem defeituosa, cujo tratamento consistiria em um verdadeiro reaprendizado.

A capacidade de aprendizagem é comum ao animal irracional e ao ser humano, criança ou adulto. Representa uma adaptação ao meio e é necessária à sobrevivência de todo o ser vivo.

Tipos de aprendizagem. A lista dos comportamentos que se aprende inclui a aprendizagem associativa ou condicionada, tanto a clássica como a operante; a aprendizagem por discriminação, em que o indivíduo  aprende a reagir diante de uma esfera limitada de características sensoriais, como certo tom de cor; por hábito, que consiste na cessação de resposta a estímulos repetidos; por formação de conceitos, caracterizada pelo processo de classificar experiências em função de traços comuns. Abrange também a aprendizagem perceptiva; a de solução de problemas; e a psicomotora, isto é, a formação de comportamentos neuromusculares, que reagem a sinais dos sentidos. A imitação, o insight e o imprinting ("estampagem") constituem outros tipos de aprendizado.

Do século XVII até meados do século XX, a preocupação dos teóricos era demonstrar cientificamente que determinados princípios universais regiam todos os processos da aprendizagem e explicavam as formas e causas de seu funcionamento. Uma rigorosa e objetiva metodologia visava enfeixar o comportamento de todos os organismos em um sistema unificado de leis semelhantes às das ciências naturais. A partir da década de 1970, porém, os psicólogos, tendo em vista as lacunas das teorias gerais da aprendizagem, começaram a ver que a questão não podia ser abarcada por um único sistema.

A última tentativa de integrar todo o saber psicológico em uma teoria abrangente ocorreu na década de 1930. Três pensadores foram Edwin R. Guthrie, Clark L. Hull e Edward C. Tolman. Guthrie argumentava que as respostas (não as percepções ou os estados mentais) formavam em última instância os componentes mais importantes da aprendizagem. Hull sustentava que a força do hábito, resultado de  sequências de estímulo e resposta suscitadas pela recompensa, constituía o aspecto essencial da aprendizagem, concebida como um processo gradual. Tolman defendia o princípio de que o objetivo visado pelo sujeito é a base do comportamento. Diversos temas abordados por esses pensadores continuam tendo a máxima relevância no estudo da aprendizagem.

Um desses temas é a associação. Ela reside em sua essência na observação de que o sujeito percebe algo em seu meio (sensações) e o resultado é uma tomada de consciência de que há alguma coisa no mundo exterior (ideias). As associações que levam às ideias incluem: a proximidade dos objetos ou ocorrências no espaço e no tempo, a similaridade, a frequência, a proeminência e a atração.

Uma questão que não ficou resolvida reside em saber o que se associa. Um grupo liderado por Guthrie e Hull sustentava que as associações se davam entre estímulos e respostas passíveis de observação. A aprendizagem associativa, a capacidade que o animal tem para associar um estímulo anteriormente irrelevante a uma determinada resposta,  ocorre sobretudo pelo processo de condicionamento, em que o reforço cristaliza novas formas de conduta. A mais recente experiência de condicionamento que se conhece foi realizada pelo fisiólogo russo do século XIX, Ivan P. Pavlov, que condicionou cães para salivarem ao som de campainhas.

As teorias de estímulo e resposta não explicaram, porém, muitos dos fenômenos da aprendizagem e pareciam francamente reducionistas, não levando em conta os processos interiores do indivíduo. Tolman encabeçou um outro grupo, cuja tese era que as associações abarcavam um estímulo e uma impressão sensorial subjetiva. Outro tema atual é o reforço, noção que decorre da descoberta de que é possível reforçar um padrão de comportamento com recompensas ou punições. Persiste, porém, um debate teórico acalorado no que se refere aos mecanismos do reforço.

Muitos psicólogos contestam a validade universal da teoria da associação e afirmam a importância de outros fatores na aprendizagem. Os gestaltistas, por exemplo, acreditam que os processos mais importantes da aprendizagem envolvem uma reestruturação das relações com o meio e não simplesmente uma associação das mesmas. Os psicolinguistas (isto é, os que estudam os aspectos psicológicos da linguagem) sustentam que a aprendizagem de uma língua abarca um número de palavras e locuções muito grande para ser explicado satisfatoriamente pela teoria associacionista. Afirmam esses pesquisadores que a aprendizagem da língua radica em alguma estrutura básica de organização, talvez uma "gramática" inata e geneticamente herdada.

Outras questões que se avultam nas atuais teorias da aprendizagem incluem o papel da motivação; os estágios da aprendizagem; os processos e a natureza da evocação, do esquecimento e da recuperação de informações (memória). A genética do comportamento ajuda a elucidar questões importantes como a distinção entre comportamento aprendido e herdado. Outros cientistas estudam conceitos não passíveis de quantificação, como a imagem, os processos cognitivos, a conscientização e a vontade.

Base fisiológica da aprendizagem. Os mecanismos da aprendizagem e da lembrança parecem depender de mudanças algo permanentes no sistema nervoso. Os efeitos da aprendizagem são inicialmente retidos no cérebro, mediante um processo reversível sucedido por uma mudança neural mais duradoura. Foram assim propostos dois tipos de processos neurológicos. A função da memória a curto prazo, temporária e reversível, talvez decorra de um mecanismo fisiológico (como uma transformação sináptica, elétrica ou química), que mantém vivo o traço da memória por um período limitado de tempo. A memorização mais permanente (a longo prazo) pode depender de transformações na estrutura física ou química dos neurônios; as mudanças sinápticas parecem ser de uma importância primordial. As lembranças ou imagens avulsas parecem ter uma localização definida.

Guardam certa afinidade com o problema da   aprendizagem os processos algo complexos do raciocínio, da solução de problemas, e do comportamento articulado e expresso pela linguagem, que vêm sendo estudados principalmente nos casos de lesão cerebral. No homem, o tecido cerebral pode ser grandemente destruído sem nenhum prejuízo aparente para esses processos. Já as lesões que ocorrem em áreas específicas e restritas do córtex cerebral, (especialmente os lobos temporal, parietal e occipital) podem provocar problemas em áreas relacionadas com a linguagem, como a leitura e a fala.

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Ábaco

Ábaco

Ábaco
Ábaco é um instrumento usado desde a antiguidade para efetuar as operações elementares. Consta de um bastidor no qual se inserem diversas varetas no sentido horizontal, e por cada uma deslizam dez contas. A vareta inferior corresponde às unidades, a segunda às dezenas, a terceira às centenas e assim sucessivamente. Para representar um número, se deslocam pelas varetas tantas contas quantas sejam necessárias para as unidades, as dezenas etc. No ábaco está implícito o sistema decimal de numeração instituído depois da invenção do instrumento.

Durante a ocupação do Japão por tropas dos Estados Unidos, logo após a segunda guerra mundial, ocorreu uma curiosa disputa entre um soldado americano, perito no manejo de máquinas de calcular, e um funcionário japonês habituado ao uso do ábaco. A prova consistia em efetuar rapidamente as quatro operações aritméticas. O japonês venceu em quatro das cinco questões propostas, demonstrando a eficácia do antigo sistema de cálculo.

Alguns modelos contam com dez varetas, que correspondem a igual número de dedos, com dez contas em cada vareta. Outro tipo de ábaco apresenta varetas divididas em duas partes, uma com cinco contas e outra com duas. As contas da primeira parte correspondem a uma unidade e as da segunda, a cinco unidades. Os romanos empregavam um modelo de ábaco no qual as varetas eram substituídas por sulcos feitos numa tábua e as contas, por pedras.

O ábaco foi usado pelas civilizações pré-colombianas, mediterrâneas e do Extremo Oriente. Sua utilização significou um grande avanço para o cálculo aritmético na antiguidade. Em alguns países do Extremo Oriente o uso do ábaco perdura até os dias atuais.

Academia, Patronos e Membros da Academia Brasileira de Letras

Academia, Patronos e Membros da Academia Brasileira de Letras

#Academia, Patronos e Membros da Academia Brasileira de Letras

A palavra vem do nome próprio Academo, herói grego a que se consagrou um jardim de oliveiras perto de Atenas. A princípio akadémeia foi apenas esse jardim, depois a escola de filosofia fundada por Platão e que ali se estabeleceu, origem do uso da denominação para instituições de ensino superior. Atualmente, no Brasil, o termo também é usado por entidades destinadas a preparação e prática esportivas. A escola de Platão foi muito conhecida durante quase um milênio, pois durou de 387 a.C. até 529 da era cristã. Dedicada ao culto das musas, abrigou igualmente o ensino de matemática, música e astronomia, bases da dialética de Platão.

Entendida inicialmente apenas como um bosque, com Platão a academia adquiriu sentido filosófico e cultural. Do século XVI em diante, surgiram academias que foram importantes instituições de ensino superior e, paralelamente, congregações muitas vezes famosas de escritores, artistas, músicos e cientistas.

Aos atuais significados da denominação ligam-se ainda uma série de fatos muito posteriores, relativos à valorização da cultura clássica pelos humanistas, desde o século XV na península italiana e desde o século XVI na França. Da era napoleônica em diante, até a reforma de 1968, os franceses utilizaram a palavra para nomear as unidades administrativas mais abrangentes do ensino superior, que correspondem ao que hoje, na maior parte dos países, se chama universidade.

Todavia, nos tempos modernos, a significação mais corrente é a que de fato começou a ser empregada no Renascimento italiano, daí passando para a França e outros países, para designar associações de artistas, cientistas, escritores, cujo fim é debater e divulgar seus trabalhos, ou promover sua própria representação social. Algumas dessas instituições mais antigas, como a Accademia della Crusca, fundada em Florença em 1582 e que editou excelente dicionário de italiano de 1612 em diante, deram exemplo precoce de importante contribuição cultural à coletividade.

Desde o início do século XVII surgiram academias de orientação mais sistemática, às vezes voltadas para o desenvolvimento da língua e da literatura, da música ou das artes plásticas, às vezes das ciências físicas e naturais. Tornaram-se modelos, nessa direção, a Reale Accademia Nazionale del Lincei (1603), de Roma, a Royal Society (1660), de Londres, a Académie Royale des Sciences (1666), de Paris, e especialmente a Académie Française (1635), paradigma das academias de letras.

Nos séculos XVIII e XIX numerosas instituições semelhantes, de ciências, artes ou letras, apareceram na Alemanha, na Rússia, em Portugal, na Bélgica, Suécia, Estados Unidos e Japão, mais ou menos nessa ordem. Entre as primeiras academias de artes plásticas esteve a Reale Accademia delle Arti del Disegno, de Florença (1563), seguida pela Académie Royale de Peinture et Sculpture, de Paris (1648) -- a partir de 1795 Académie des Beaux Arts --, pela Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, Madri (1744) e várias outras. As academias de música também tiveram início nos séculos XVI e XVII, na Itália primeiro, em seguida na França e, no século XVIII, na Inglaterra.

Uma peculiaridade francesa foi a criação, em 1814, do Institut de France, que centralizou e reorganizou as diversas academias existentes no país. Dentre estas, a de letras foi determinante, por sua repercussão, para o surgimento de muitas outras, como a Real Academia Española (1714), a Svenska Akademien (1786, Academia Sueca), que distribui o famoso Prêmio Nobel, a Academia Mexicana de la Lengua, a Académie Royale de Langue et de Littérature Françaises, fundada em Bruxelas (1920), a Academia Argentina de Letras (1931) e a Academia Brasileira de Letras, fundada no Rio de Janeiro em 15 de dezembro de 1896. Deve ser vista como caso à parte a British Academy (1901; Academia Britânica), por sua pluralidade de campos, já que envolve 14 seções, com programas filosóficos, filológicos, literários, teológicos, históricos, sociológicos, econômicos, arqueológicos, orientalistas, jurídicos.

Muitas destas academias destinadas a tratar de outros assuntos que não a língua e a literatura, ou de outros além destes, ficaram amplamente conhecidas ao longo do tempo: a Accademia Romana Pontificia di Storia e d'Archeologia, hoje no Vaticano, criada no século XV  e reorganizada em 1754; a Académie des Sciences (Paris, 1666); a Academia Real da História (Lisboa, 1720), depois Academia Portuguesa da História; a Academia das Ciências de Lisboa, criada em 1783 com uma divisão em ciências naturais, ciências exatas e belas-artes (nesta parte incluindo as questões da língua e da literatura); a Academia de Ciências de São Petersburgo (1724); a Academia de Ciências de Göttingen (1751); a Academia Bávara de Ciências (Munique, 1759); a Academia Neerlandesa de Artes e Ciências (Amsterdam, 1808); a Academy of Natural Sciences of Philadelphia (1812), a mais antiga do gênero nos Estados Unidos; a Academia Austríaca de Ciências (1847); a California Academy of Sciences (San Francisco, 1853); a Academia Norueguesa de Ciências e Letras (Oslo, 1857); a Academy of Sciences (Washington, 1863); a Academia do Japão (Tóquio, 1879); a Academia Brasileira de Ciências (Rio de Janeiro, 1916); e a Academia Chinesa de Ciências (1928).

No Brasil. Graças à notoriedade alcançada desde o Renascimento por diversas academias italianas e francesas, a partir do século XVIII a tendência repercute no Brasil, a princípio na formação de pequenas associações de escritores nos moldes das que já se haviam constituído em Portugal, como a Academia dos Generosos (Lisboa, 1647) e a dos Singulares (1664). Assim se fundou na Bahia a Academia Brasílica dos Esquecidos (1724), no Rio de Janeiro a dos Felizes (1736) e a dos Renascidos (1759), e depois, com caráter mais formal, a Academia Científica do Rio de Janeiro (1772-1779).

A Academia Brasileira de Letras surgiu à imagem e semelhança da francesa e por iniciativa de escritores como Medeiros e Albuquerque, Lúcio Mendonça, Machado de Assis, Joaquim Nabuco. De acordo com o modelo que elegeu, congrega quarenta membros efetivos e perpétuos. Dentre estes, 25 têm de morar no Rio de Janeiro. Há também, permanentemente, vinte membros correspondentes estrangeiros. Teoricamente, pode candidatar-se a acadêmico todo brasileiro nato que seja autor de obra literária de reconhecida importância, ou de obra impressa de outra natureza, mas com qualidades literárias. Na prática, o critério decisivo é o prestígio social, antes e depois da eleição.


Patronos e membros da Academia Brasileira de Letras
1 Patrono: Adelino Fontoura. Fundador: Luís Murat. Sucessores: Afonso d'Escragnolle Taunay (1929); Ivan Lins (1958); Bernardo Élis (1975).
2 Patrono: Álvares de Azevedo. Fundador: Coelho Neto. Sucessores: João Neves da Fontoura (1936); João Guimarães Rosa (1962); Mário Palmério (1968).
3 Patrono: Artur de Oliveira. Fundador: Filinto de Almeida. Sucessores: Roberto Simonsen (1945),; Aníbal Freire (1949); Herberto Sales (1971).
4 Patrono: Basílio da Gama. Fundador: Aluísio Azevedo. Sucessores: Alcides Maia (1913); Vianna Moog (1945); Carlos Nejar (1988).
5 Patrono: Bernardo Guimarães. Fundador: Raimundo Correia. Sucessores: Osvaldo Cruz (1912); Aluísio de Castro (1917); Cândido Mota Filho (1960); Raquel de Queirós (1977).
6 Patrono: Casimiro de Abreu. Fundador: Teixeira de Melo. Sucessores: Artur de Jaceguai (1907); Goulart de Andrade (1915); Barbosa Lima Sobrinho (1937).
7 Patrono: Castro Alves. Fundador: Valentim Magalhães. Sucessores: Euclides da Cunha (1903); Afrânio Peixoto (1910); Afonso Pena Júnior (1947); Hermes Lima (1968); Pontes de Miranda (1979); Dinah Silveira de Queirós (1980); Sérgio Corrêa da Costa (1983).
8 Patrono: Cláudio Manuel da Costa. Fundador: Alberto de Oliveira. Sucessores: Oliveira Viana (1937); Austregésilo de Ataíde (1951); Antônio Callado (1994).
9 Patrono: Gonçalves de Magalhães. Fundador: Magalhães de Azeredo. Sucessores: Marques Rebelo (1964); Carlos Chagas Filho (1974).
10 Patrono: Evaristo da Veiga. Fundador: Rui Barbosa. Sucessores: Laudelino Freire (1923); Osvaldo Orico (1937); Orígenes Lessa (1981); Ledo Ivo (1986).
11 Patrono: Fagundes Varela. Fundador: Lúcio de Mendonça. Sucessores: Pedro Lessa (1910); Eduardo Ramos (1922); João Luís Alves (1925); Adelmar Tavares (1926); Deolindo Couto (1963); Darci Ribeiro (1991).
12 Patrono: França Júnior. Fundador: Urbano Duarte. Sucessores: Augusto de Lima (1903); Vítor Viana (1935); José Carlos de Macedo Soares (1937); Abgar Renault (1968).
13 Patrono: Francisco Otaviano. Fundador: Visconde de Taunay. Sucessores: Francisco de Castro (1899); Martins Júnior (1902); Sousa Bandeira (1905); Hélio Lobo (1918); Augusto Mayer (1960); Francisco de Assis Barbosa (1970); Sérgio Paulo Rouanet (1992).
14 Patrono: Franklin Távora. Fundador: Clóvis Bevilacqua. Sucessores: Antônio Carneiro Leão (1944); Fernando de Azevedo (1967); Miguel Reale (1975).
15 Patrono: Gonçalves Dias. Fundador: Olavo Bilac. Sucessores: Amadeu Amaral (1919); Guilherme de Almeida (1930); Odilo Costa, filho (1969); D. Marcos Barbosa (1980).
16 Patrono: Gregório de Matos. Fundador: Araripe Júnior. Sucessores: Félix Pacheco (1912); Pedro Calmon (1936); Lígia Fagundes Teles (1985).
17 Patrono: Hipólito da Costa. Fundador: Sílvio Romero. Sucessores: Osório Duque Estrada (1915); Roquette-Pinto (1927); Álvaro Lins (1955); Antônio Houaiss (1971).
18 Patrono: João Francisco Lisboa. Fundador: José Veríssimo. Sucessores: Homem de Melo (1916); Alberto Faria (1918); Luís Carlos (1926); Pereira da Silva (1933); Peregrino Júnior (1945); Arnaldo Niskier (1984).
19 Patrono: Joaquim Caetano. Fundador: Alcindo Guanabara. Sucessores: D. Silvério Gomes Pimenta (1919); Gustavo Barroso (1923); Silva Melo (1960); Américo Jacobina Lacombe (1974); Marcos Almir Madeira (1993).
20 Patrono: Joaquim Manuel de Macedo. Fundador: Salvador de Medonça. Sucessores: Emílio de Meneses (1914); Humberto de Campos (1919); Múcio Leão (1935); Aurélio Lira Tavares (1970).
21 Patrono: Joaquim Serra. Fundador: José do Patrocínio. Sucessores: Mário de Alencar (1905); Olegário Mariano (1926); Álvaro Moreira (1959); Adonias Filho (1965); Dias Gomes (1991).
22 Patrono: José do Patrocínio, o Moço. Fundador: Medeiros e Albuquerque. Sucessores; Miguel Osório de Almeida (1935); Luís Viana Filho (1954); Ivo Pitanguy (1990).
23 Patrono: José de Alencar. Fundador: Machado de Assis. Sucessores: Lafayette Rodrigues Pereira (1909); Alfredo Pujol (1917); Otávio Mangabeira (1930); Jorge Amado (1961).
24 Patrono: Junqueira Ribeiro. Fundador: Garcia Redondo. Fundadores: Luís Guimarães Filho (1917); Manuel Bandeira (1940); Ciro dos Anjos (1969); Sábato Magaldi (1994).
25 Patrono: Junqueira Freire. Fundador: Franklin Dória, barão de Loreto. Sucessores: Artur Orlando (1907); Ataulfo de Paiva (1916); José Lins do Rego (1955); Afonso Arinos de Melo Franco (1958); Alberto Venâncio Filho (1991).
26 Patrono: Laurindo Rabelo. Fundador: Guimarães Passos. Sucessores: Paulo Barreto (1910); Constâncio Alves (1922); Ribeiro Couto (1934); Gilberto Amado (1963); Mauro Mota (1970); Evaristo de Morais Filho (1984).
27 Patrono: Maciel Monteiro. Fundador: Joaquim Nabuco. Sucessores: Dantas Barreto (1910); Gregório da Fonseca (1931); Levi Carneiro (1936); Otávio de Faria (1972); Eduardo Portela (1981).
28 Patrono: Manuel Antônio de Almeida. Fundador: Inglês de Sousa. Sucessores: Xavier Marques (1919); Menotti del Picchia (1943); Oscar Dias Corrêa (1989).
29 Patrono: Martins Pena. Fundador: Artur Azevedo. Sucessores: Vicente de Carvalho (1909); Cláudio de Sousa (1924); Josué Montello (1954).
30 Patrono: Pardal Mallet. Fundador: Pedro Rabelo. Sucessores: Heráclito Graças (1906); Antônio Austragésilo (1914); Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (1961); Nélida Piñon (1989).
31 Patrono: Pedro Luís Pereira. Fundador: Luís Guimarães Júnior. Sucessores: João Ribeiro (1898); Paulo Setúbal (1934); Cassiano Ricardo (1937); José Cândido de Carvalho (1974); Geraldo França de Lima (1989).
32 Patrono: Araújo Porto Alegre. Fundador: Carlos de Laet. Sucessores: Ramiz Galvão (1928); Viriato Correia (1938); Joraci Camargo (1967); Genolino Amado (1973); Ariano Suassuna (1989).
33 Patrono: Raul Pompéia. Fundador: Domício da Gama. Sucessores: Fernando Magalhães (1926); Luís Edmundo (1944); Afrânio Coutinho (1962).
34 Patrono: Sousa Caldas. Fundador: João Manuel Pereira da Silva. Sucessores: barão do Rio Branco (1898); Lauro Muller (1912); D. Aquino Correia (1926); Raimundo Magalhães Júnior (1956); Carlos Castelo Branco (1982); João Ubaldo Ribeiro (1993).
35 Patrono: Tavares Bastos. Fundador: Rodrigo Otávio. Sucessores: Rodrigo Otávio Filho (1944); José Honório Rodrigues (1969); Celso Ferreira da Cunha (1987); Cândido Mendes de Almeida (1989).
36 Patrono: Teófilo Dias. Fundador: Afonso Celso. Sucessores: Clementino Fraga (1939); Paulo Carneiro (1971); José Guilherme Merquior (1982); José de Scantimburgo (1991).
37 Patrono: Tomás Antônio Gonzaga. Fundador: Silva Ramos.; Sucessores: Alcântara Machado (1931); Getúlio Vargas (1941); Assis Chateaubriand (1954); João Cabral de Melo Neto (1968).
38 Patrono: Tobias Barreto. Fundador: Graça Aranha. Sucessores: Santos Dumont (1931); Celso Vieira (1933); Maurício de Medeiros (1965); José Américo de Almeida (1966); José Sarney (1980).
39 Patrono: Francisco Adolfo de Varnhagen. Fundador: Oliveira Lima. Sucessores: Alberto de Faria (1928); Rocha Pombo (1933); Rodolfo Garcia (1934); Elmano Cardim (1950); Otto Lara Resende (1979); Roberto Marinho (1993).

40 Patrono: Visconde do Rio Branco. Fundador: Eduardo Prado. Sucessores: Afonso Arinos (1901); Miguel Couto (1916); Alceu Amoroso Lima (1935); Marcus Vinícius Rodrigues Vilaça (1985).

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Oceanografia, História e Exploração Econômica do Oceano

Oceanografia, História e Exploração Econômica do Oceano

#Oceanografia, História e Exploração Econômica do Oceano

Oceanografia é o estudo científico de todos os aspectos dos mares e oceanos do mundo, inclusive de suas características químicas e físicas, sua origem e estrutura geológica, bem como das formas de vida do meio ambiente marinho. Não é uma ciência independente, mas a aplicação das ciências básicas à explicação do oceano e dos fenômenos que nele ocorrem. Tradicionalmente, divide-se em oceanografia física, química, biológica e geológica.

O conhecimento dos mares atrai a atenção do homem não apenas pelo interesse econômico despertado por seus vastos recursos naturais, mas também pela curiosidade de descobrir a origem da vida e do próprio planeta, temas a que a oceanografia dedica seus estudos.

A oceanografia física concentra-se no estudo das propriedades da água do mar (temperatura, densidade, pressão etc.), seus movimentos (ondas, correntes e marés) e as interações entre as águas oceânicas e a atmosfera. A oceanografia química lida com a composição da água do mar e os ciclos biogeoquímicos que a afetam.

A oceanografia biológica também chamada ecologia marinha, estuda as plantas e animais marinhos, seus ciclos de vida e a produção de alimentos no mar. A geologia marinha estuda a estrutura, características e evolução das bacias oceânicas. A diferença entre a geologia marinha e a oceanografia geológica é apenas de ponto de vista ou atitude do pesquisador. Se um geólogo estuda um sedimento do fundo do mar mais para explicar o oceano do que o sedimento, faz oceanografia geológica e não geologia marinha.

No fim do século XX, a oceanografia era a soma total desses ramos, cada um dos quais baseado nos dados obtidos em expedições oceanográficas ou por outros meios. A pesquisa oceanográfica inclui a coleta e o estudo de amostras de água do mar e da vida marinha, o sensoriamento remoto dos processos oceânicos por aviões e satélites, além de sondagens e mapeamento sísmico da crosta terrestre sob os mares.

O conhecimento mais profundo dos oceanos permite prever com maior precisão mudanças climáticas de longo prazo, bem como explorar de forma mais eficaz os recursos marinhos. A oceanografia também é vital para compreender o efeito dos poluentes sobre a qualidade das águas oceânicas, tema que cresce em importância diante do aproveitamento cada vez maior dos recursos extraídos do mar.

HistóriaEmbora a oceanografia seja uma ciência recente, a curiosidade que tem como objeto os oceanos já se manifestou na Grécia Antiga, nas observações de Posidônio de Apaméia sobre as marés. Os grandes descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI aumentaram o conhecimento dos europeus sobre os oceanos e outras regiões do mundo. Até o século XVIII, no entanto, esse saber não adquirira caráter autenticamente científico, o que só ocorreu a partir do trabalho do conde Luigi Ferdinando Marsigli, autor do primeiro tratado de oceanografia, publicado em 1771, em Veneza. O oceanógrafo estudou as variações de temperatura e de densidade da água marinha em relação à profundidade.

As expedições polares de John Ross e James Clark Ross, na primeira metade do século XIX, forneceram dados sobre as zonas profundas dos oceanos Ártico e Antártico. A partir das investigações do naturalista Joseph Hooker, participante da expedição de James Clark Ross, Victor Hensen deu o nome de plâncton aos organismos microscópicos que constituem a base da cadeia alimentar do mar.

Os estudos de cientistas como Thomas Henry Huxley e Edward Forbes estimularam a realização da expedição do Challenger, considerada o ponto de partida da oceanografia como ciência autônoma. Por recomendação da Royal Society, de Londres, a corveta a vapor Challenger, da Marinha britânica, viajou entre 1872 e 1876 pelos oceanos Atlântico, Pacífico e Antártico, recolhendo amostras e fazendo sondagens. A publicação, entre 1880 e 1895, do relatório da expedição representa o primeiro grande passo da moderna oceanografia. À expedição científica do Challenger sucederam-se muitas outras, como a do Fram, navio norueguês que explorou o oceano Glacial Ártico entre 1893 e 1896, e a do Discovery britânico, que navegou pelo oceano Glacial Antártico entre 1925 e 1927.

Em 1902 criou-se em Copenhague o Conselho Internacional para a Exploração do Mar, que atravessou as duas guerras mundiais sem interromper suas prolíficas atividades. Embora já existissem laboratórios de pesquisa em vários países, o conselho e seu laboratório constituem realmente o primeiro instituto oceanográfico na acepção moderna do termo, e sua criação complementa a expedição do Challenger na criação da oceanografia moderna. Posteriormente, o príncipe Alberto I de Mônaco deu grande impulso à oceanografia. Também fundou o Museu de Oceanografia, em Mônaco (1910), e o Instituto Oceanográfico, em Paris (1911). O reconhecimento da nova atividade científica data, no entanto, de 1921, quando a União Internacional de Geodésia e Geofísica criou a Associação Internacional de Oceanografia Física, sua seção de oceanografia.

Embora na expedição do navio alemão Meteor ao Atlântico sul em 1925 já tivesse sido utilizado um sondador sonoro (ecobatímetro, ou sonar) para sondagem quase contínua do fundo, a grande aplicação dos estudos de som se deu na detecção de submarinos. E, se o nascimento da oceanografia se deve à viagem do Challenger e à criação do Conselho Internacional para a Exploração do Mar, foi a segunda guerra mundial que, por empenho sobretudo da Marinha americana, lhe consolidou definitivamente a posição.

Tais avanços não teriam sido possíveis, no entanto, se a Marinha não contasse com a colaboração do Instituto Oceanográfico Scripps, na Califórnia, e do Instituto Oceanográfico de Woods Hole, em Massachusetts. Foram sobretudo essas duas entidades de pesquisa que, associadas aos laboratórios da Marinha -- o Laboratório de Pesquisas Navais e o Laboratório de Propagação do Som na Água --, empenharam-se, entre outras, em pesquisas sobre o comportamento das ondas sonoras em meio aquoso e sobre a previsão de ondas. Também no Reino Unido se realizaram pesquisas sobre esses temas.

Entre os progressos associados às pesquisas que se fizeram em função das guerras inclui-se a sondagem pelo eco ou pelo som, que revolucionou os processos de representação do relevo submarino. Anos mais tarde, novo passo foi dado com as sondagens por ultra-sons. Durante a segunda guerra mundial, quando se utilizou o radar na navegação, ampliou-se o estudo sistemático dos oceanos, realizado por diversos países, devido à necessidade de conhecer detalhadamente a plataforma continental e a dinâmica das águas do mar, a fim de permitir o desembarque de veículos anfíbios.

Do Instituto Oceanográfico Scripps resultou a publicação do monumental The Oceans (1942; Os oceanos), primeiro tratado de oceanografia a reunir a oceanografia física, a química, a biológica e a geológica, que se tornou referência obrigatória em qualquer trabalho oceanográfico. Em 1953, o Reino Unido combinou num instituto único -- o Instituto Nacional de Oceanografia, em Wormley, Surrey -- as atividades oceanográficas do departamento de hidrografia do laboratório de pesquisas da Marinha e do comitê do Discovery. No campo internacional já se fundara, em 1921, em Mônaco, o Bureau Hidrográfico Internacional, que com muita lentidão realizava, como único encargo oceanográfico, a carta batimétrica dos oceanos, mas que traria importantes contribuições para a normalização do serviço hidrográfico no mundo.

A partir da década de 1950, a oceanografia ganhou grande impulso graças ao invento do batiscafo, que permitiu fazer observações importantes a mais de 11.000m de profundidade, na fossa das Marianas. Ao mesmo tempo, numerosos navios americanos, britânicos e soviéticos prosseguiram a obra iniciada no século anterior. Pesquisas de cientistas franceses, liderados pelo oficial da Marinha Jacques Yves Cousteau, se propuseram não só a explorar o fundo do mar, como também o estudo da fisiologia da imersão, dando origem a notáveis melhoramentos em vários tipos de trabalhos subaquáticos. Devem-se a Cousteau admiráveis documentários cinematográficos sobre a exploração submarina, entre os quais Le Monde du silence (1953; O mundo do silêncio), em colaboração com Louis Malle.

O Conselho Internacional de Uniões Científicas, sobretudo por meio de seu Comitê Científico sobre Pesquisa Oceânica, projetou e realizou o Ano Geofísico Internacional (1957-58), colaboração de mais de cinquenta países em estudos do planeta, inclusive de seu oceano. A Comissão Oceanográfica Internacional manteve os dois centros coletores de dados, em Washington e Moscou, e continuou a estimular estudos e expedições conjuntas, dos quais são exemplos a Equalant (estudos do Atlântico tropical), a expedição ao oceano Índico e o estudo combinado do mar do Caribe.

A fim de estimular a colaboração oceanográfica entre os países e ajudar o desenvolvimento da oceanografia no mundo, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) criou, em 1961, seu escritório de oceanografia, que levou à criação, pelos países-membros, da Comissão Oceanográfica Intergovernamental, com sede na própria UNESCO, em Paris.

Exploração Econômica do Oceano O mar é visto principalmente como provedor de alimento. No entanto, muitas outras atividades econômicas se desenvolvem nos oceanos, como o transporte marítimo (fretes), a extração de petróleo e de materiais contidos na água, tais como sal, magnésio, compostos de magnésio e bromo, ou no fundo do mar, como carvão, minério de ferro, enxofre, estanho, ilmenita, rutílio, zircônio, monazita, cromita, fosforita, aragonita, calcita, barita, diamantes, ouro, platina, areia e cascalho.

O grande interesse pelo petróleo encontrado no fundo do oceano, sobretudo nas plataformas continentais, e o interesse pelos nódulos polimetálicos que recobrem as grandes profundidades oceânicas convenceram os governos da importância de apoiar a pesquisa tecnológica para permitir os avanços necessários para que o homem pudesse ocupar efetivamente o oceano e nele trabalhar. Assim, foram desenvolvidos os engenhos de intervenção, como submarinos, batiscafos, torres de sondagem e mesmo laboratórios submersos.

O fato de se saber que a produção potencial máxima da pesca se limita ao dobro da que se obtinha na segunda metade do século XX estimulou grandes esforços na direção da piscicultura, para complementar, ou mesmo substituir, a pesca. Atividade costeira e das mais ameaçadas pela poluição, a piscicultura introduziu nos programas oceanográficos a preocupação com o problema da preservação do meio ambiente marinho. A magnitude do esforço necessário levou os Estados Unidos a reunirem, em 1970, todas as agências dedicadas ao mar e à atmosfera numa agência única, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA). Antes disso, em 1967, a França havia criado um poderoso órgão central de coordenação e de estímulo à atividade oceanográfica, a Comissão Nacional para a Exploração dos Oceanos.

Brasil Em 1946, sob a direção do cientista francês Vladimir Besnard, criou-se o Instituto Paulista de Oceanografia, que em 1971 se instalou em sede especial na Universidade de São Paulo (USP). O instituto tem bases em Cananeia e Ubatuba, além de um laboratório de Fisiologia Marinha em São Sebastião. Nas universidades de Pernambuco e Ceará, pequenos institutos foram ampliados e se transformaram em laboratórios de ciência do mar. Em Rio Grande (RS) há um rico museu oceanográfico, com milhares de exemplares de conchas e moluscos.

A primeira preocupação com a oceanografia no Brasil, no entanto, nasceu no Ministério da Marinha, que em 1948 incluiu o assunto no curso de formação de oficiais-hidrógrafos. Por ocasião do Ano Geofísico Internacional, o navio-escola Almirante Saldanha foi inteiramente dedicado ao levantamento oceanográfico das águas brasileiras. E o interesse de levar a efeito explorações na Antártica levou o Brasil a organizar expedições oceanográficas àquele continente, utilizando dois navios, o Barão de Teffé, da Marinha, e o Professor Vladimir Besnard, da USP. Em 1994 a Marinha adquiriu para esse fim outro navio, o Ari Rongel.

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Arquivologia - Organização de Arquivos

Arquivologia - Organização de Arquivos

#Arquivologia - Organização de ArquivosArquivologia é o conjunto de conhecimentos sobre a organização de arquivos, tanto no que se refere ao recolhimento e conservação de documentos, títulos e textos de valor permanente e elaboração dos respectivos instrumentos de pesquisa, como no que toca à eliminação de peças de valor transitório e controle dos arquivos em formação. Inclui também as tarefas dos arquivistas. O termo arquivística pode, de modo geral, ser empregado como sinônimo de arquivologia.

Considerada disciplina, técnica e arte, a arquivologia é uma ciência auxiliar da história. Fonte de consulta para todos os fins, um arquivo organizado constitui valioso patrimônio e pode documentar o passado de uma nação.

Os arquivos de determinada origem constituem um todo orgânico denominado fundo, grupo, núcleo ou corpo de arquivos, no qual se incluem documentos escritos e iconográficos, como os audiovisuais, discos, fitas magnéticas e filmes. Começam também a ser objeto da arquivologia os arquivos eletrônicos. Os arquivos econômicos, de empresas comerciais, bancárias, industriais, desde que se revistam de importância histórica, como ocorre, em alguns casos, com papéis de famílias e pessoas ilustres, interessam à arquivística.

A preocupação dos governos e autoridades em conservar determinados documentos em lugares seguros por motivos de ordem administrativa, jurídica ou militar, remonta à antiguidade, sobretudo no que diz respeito a títulos de propriedade. Os eruditos do Renascimento foram os primeiros a ocupar-se dos arquivos como fonte da história, dando início aos estudos de diplomática, que levariam à moderna crítica histórica. A partir da revolução francesa, os arquivos tornaram-se bem público, proclamando-se o direito do povo de acesso aos documentos, cuja preservação foi oficialmente reconhecida como de responsabilidade do Estado.

Uma arquivística essencialmente voltada para os diplomas medievais surgiu no século XIX, principalmente após a criação da École des Chartes (Escola das Cartas), que passaria a formar arquivistas paleógrafos altamente qualificados. Em meados do mesmo século lançaram-se as bases da arquivística moderna, com os princípios do respect des fonds (todos os documentos originais de uma autoridade administrativa, corporação ou família devem ser mantidos em grupos, separados segundo a natureza das instituições que os criaram); da proveniência (os documentos públicos devem ser agrupados de acordo com as unidades administrativas que os originaram); do respeito à ordem original (o arranjo dado aos documentos pelos órgãos criadores deve ser mantido nos arquivos gerais ou de custódia permanente); e da centralização (unidade e indivisibilidade dos arquivos públicos nacionais).

Uma série de fatos novos, diretamente relacionados com os progressos da civilização, marcam a arquivologia na segunda metade do século XX. São eles, entre outros: adoção de arquitetura moderna e funcional nos prédios de arquivos; uso de microfilmagem de substituição; programas de história oral; restauração de documentos pelo emprego de máquinas e material sintético; intervenção dos arquivistas na gestão de papéis administrativos e nos arquivos econômicos, pessoais e familiares; aparecimento de depósitos intermediários de arquivos ou centros de pré-arquivamento; tentativas de aplicar as conquistas da eletrônica ao trabalho arquivístico.

O grande problema da arquivologia contemporânea é o volume de papéis criados e acumulados pelas administrações e a necessária eliminação de documentos depois de avaliados. O arquivista desenvolve padrões de avaliação, elabora planos de descarte, prepara tabelas e listas de material repetitivo de descarte automático. As listas e tabelas de descarte especificam o período de retenção de documentos comuns à maioria dos serviços existentes, e tabelas especiais cogitam de cada administração em particular. O arquivista pode recorrer a especialistas para decidir quanto à destinação dos documentos.

O primeiro tratado moderno de arquivística, de autoria dos holandeses Samuel Muller, Johan Adriaan Feith e Robert Fruin, data de 1898 e intitula-se, em edição brasileira, Manual de arranjo e descrição de arquivos (1960).

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Ensino Audiovisual

Ensino Audiovisual

Ensino AudiovisualO ensino audiovisual consiste no emprego didático de imagens, gravações, filmes, videoteipes, rádio, televisão e computadores e outros meios, de modo a proporcionar aos estudantes experiências que complementem os conhecimentos adquiridos mediante os métodos de ensino tradicionais.

Inúmeras pesquisas mostram que, bem aproveitados, os recursos audiovisuais motivam a aprendizagem e podem levar a significantes progressos no campo da memória, do raciocínio e da imaginação.

HistóriaJohn Amos Comenius (1592-1670), educador da Boêmia, foi um dos primeiros a propor um método sistemático de educação audiovisual. Sua obra Orbis sensualium pictus (1658; Retrato do mundo sensório) era amplamente ilustrado com gravuras, cada qual desempenhando um importante papel na lição. Comenius foi seguido por outros grandes educadores, como Jean-Jacques Rousseau, John Locke e J. H. Pestalozzi, que recomendavam a utilização de materiais sensoriais para auxiliar a educação.

O ensino audiovisual desenvolveu-se rapidamente a partir da década de 1920, com o progresso tecnológico e a criação de novos meios de comunicação. Mais recentemente, o computador mostrou ser de grande valia no processo educacional.

Recursos didáticosOs meios audiovisuais podem ser agrupados em três grandes grupos: gráficos (que utilizam imagens fixas), sonoros e mistos (que empregam imagem e som).

Meios gráficosOs principais meios gráficos são mapas, quadros-negros, cartazes, flanelógrafos, projetores de diapositivos etc., que utilizam imagens estáveis, ou seja, sem limite quanto a seu tempo de exposição.

Meios sonorosPara o estudo de línguas e de música são indicados especialmente os meios sonoros -- o toca-disco, o gravador, o rádio. Por sua facilidade de manejo e manutenção, o gravador (sobretudo o de cassetes) é, dentre esses meios, o mais usado no ensino, principalmente no estudo de idiomas, gravação de textos literários e debates etc. Uma aplicação específica de grande êxito são os chamados laboratórios de idiomas, nos quais a utilização do gravador é combinada com outros meios eletrônicos, permitindo ao professor um acompanhamento individualizado dos estudantes.

O rádio é usado na escola como fonte importante de informação sobre fatos e ideias atuais, e por meio dele oferecem-se também cursos de diferentes níveis. É ainda um complemento importante para os alunos  do segundo e terceiro graus que seguem cursos de ensino a distância e recurso valioso na educação de adultos.

Meios mistos com imagens móveisOs meios audiovisuais mais completos são os que combinam imagem e som -- cinema, televisão, vídeo e, mais modernamente, o CD-ROM (compact disk, read-only memory).

Os filmes comunicam seu conteúdo de maneira eficaz e direta, sem exigir do espectador alto nível de conhecimentos prévios, e contribuem para o estudo dos diferentes aspectos da cultura mediante uma abordagem mais afetiva que racional. O cinema constitui recurso apreciável para aquisição de conhecimentos, exercício de formas de expressão, desenvolvimento do juízo crítico e descoberta de valores.

A televisão é uma síntese de todos os meios de comunicação social. À diferença do cinema, a televisão prevalece como meio informativo, pois o espectador "lê" a imagem televisiva mais como informação do que como expressão. A televisão favorece a possibilidade de documentação e observação de trabalhos científicos na sala de aula e facilita ainda ao estudante observar a vida e os costumes de lugares distantes. Algumas disciplinas, como a geografia e as ciências naturais, prestam-se de modo especial ao tratamento televisivo.

Já o vídeo pode ser utilizado a um só tempo como meio de comunicação e de expressão. Como meio de comunicação, seu uso proporciona ao professor um eficaz instrumento de ensino, pois lhe permite gravar da rede comercial os programas com melhor conteúdo educativo, o que possibilita uma utilização mais seletiva da televisão.

No entanto, é sua capacidade de ser usado como meio de expressão que confere ao vídeo uma maior dimensão entre os recursos audiovisuais. Com o passar do tempo torna-se cada vez mais acessível aos centros de ensino a aquisição de equipamentos de vídeo que permitem a produção de material gravado. Assim, o vídeo revela-se um dos meios mais eficazes para levar a realidade das ruas à sala de aula, abordar as diversas matérias curriculares com um enfoque interdisciplinar ou servir como elemento dinamizador da aula.

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Biblioteca e Biblioteconomia

Biblioteca e Biblioteconomia

#Biblioteca e Biblioteconomia

Chama-se biblioteca toda coleção, privada ou pública, de obras escritas. Nela se incluem os móveis e recintos destinados à guarda de seus volumes. É comum que a biblioteca, sobretudo a mais antiga, inclua em seu acervo desenhos, pinturas, peças numismáticas - moedas e medalhas - e antiguidades. As de grande porte mantêm igualmente jornais, revistas e materiais audiovisuais, como filmes, fotografias, microfilmes e programas para computadores.

Desde o momento em que foi inventada a escrita, surgiu o problema da conservação dos textos e de seus suportes materiais. Os primeiros registros escritos, que teriam sido guardados numa arca, passaram a exigir um recinto especial, comparável a um arquivo. O crescimento dos arquivos exigiu a construção de edifícios inteiros para viabilizar sua consulta.

Em quase todos os países existem bibliotecas nacionais, mantidas pelo estado e que servem como centros de referência bibliográfica. As bibliotecas públicas municipais, mais modestas, nem por isso deixam de ser imprescindíveis para a vida intelectual das comunidades. As universidades e centros de pesquisa, bem como as grandes empresas, mantêm bibliotecas, sem as quais seria impossível acompanhar a evolução das novas técnicas e dos conhecimentos especializados.

A ciência, arte ou atividade que trata da correta organização e funcionamento de bibliotecas denomina-se biblioteconomia.

Evolução históricaTrês mil anos antes da era cristã os templos egípcios já abrigavam grande quantidade de papiros científicos e teológicos. Por volta de 650 a.C., a biblioteca do rei Assurbanipal, da Assíria, continha cerca de 25.000 tábulas em que se achavam gravados documentos literários, jurídicos e históricos.

Antiguidade clássicaFoi a civilização greco-romana que criou a noção de biblioteca, tal como a entendemos em nossos dias, como também a própria palavra (do grego biblos, livro, e theke, depósito). Os templos gregos possuíam bibliotecas e arquivos. No século V a.C., as grandes escolas de filosofia começaram a formar coleções de livros para uso de seus alunos. Assim nasceram as bibliotecas institucionais, além das particulares que já existiam. O maior compilador de livros (na forma de rolos) dessa época foi Aristóteles, cuja biblioteca, ampliada por seus sucessores no Liceu, seria mais tarde transportada para Roma.

A dinastia ptolomaica do Egito criou em Alexandria, sua capital, o célebre Museion, escola que acumulou a maior biblioteca da antiguidade. Possuía cerca de 700.000 volumes de papiro, com obras literárias e científicas, antes de ser incendiada por Júlio César. A biblioteca de Pérgamo, na Anatólia, teria abrigado uns 200.000 pergaminhos no século I a.C.

Na Roma republicana existiam numerosas bibliotecas particulares. César quis abrir a primeira biblioteca pública romana, mas seu assassinato em 44 a.C. frustrou esse projeto, suja realização coube então a um amigo, Caio Asinio Pólio. O imperador Augusto fundou outras duas, a Otaviana e a Palatina. Trajano erigiu a maior de todas, a Ulpia, localizada no fórum romano, no início do século II. Roma chegou a contar mais de vinte bibliotecas públicas e toda cidade importante em seus domínios tinha pelo menos uma. Nos últimos tempos do Império Romano difundiu-se o emprego de códices -- folhas cortadas e agrupadas entre duas capas de madeira -- em lugar dos pergaminhos.

Idade Média Desde a fundação de Constantinopla, no ano 324, abriram-se ali bibliotecas, mais tarde  ampliadas pelo imperador Juliano e, já no império bizantino, por Justiniano. Assim se preservaram o saber e as artes do mundo antigo, junto com as primeiras obras de inspiração cristã.

Nos países islâmicos existiram importantes bibliotecas desde o século VIII, entre as quais se destacaram as de Bagdá, Cairo e Bassora. Na Espanha muçulmana eram famosas as de Córdoba, Granada e Toledo, esta última contemporânea de uma destacada escola de tradutores.

Enquanto isso, no Ocidente, as ordens monásticas, uma vez instituídas, formavam bibliotecas que eram indispensáveis para a vida espiritual de seus membros. Seus acervos, formados basicamente por códices, consistiam sobretudo nas Escrituras e nas obras dos padres da igreja. Os religiosos também produziam novas cópias das obras e redigiam suas próprias crônicas históricas e obras literárias. A partir do século XII, as universidades europeias formaram novas bibliotecas.

Renascimento e ReformaOs eruditos italianos do Renascimento, a exemplo de Petrarca, acumularam enormes coleções de livros. Muitos potentados da época os imitaram, mas os próprios estados renascentistas cuidaram de criar grandes bibliotecas. Assim, no século XV nasceram na Itália a Marciana e a Laurenciana, de Florença, e a Vaticana. Surgiram posteriormente a Biblioteca Real da França e a do Escorial, na Espanha, esta última criada sob Filipe II, que se encarregou da organização, classificação e catalogação de seus acervos. A essa altura a invenção da imprensa de tipos móveis, por Gutenberg, havia barateado os livros, o que favoreceu ainda mais o enriquecimento das coleções.

Se, por um lado, muitas bibliotecas foram saqueadas, na época da Reforma, por outro assistiu-se à criação de novos acervos. Henrique VIII da Inglaterra fez dispersar as bibliotecas monásticas para eliminar a concepção medieval do mundo. Já Martinho Lutero recomendou que se criassem na Alemanha novas bibliotecas, amiúde recorrendo ao acervo das antigas.

Séculos XVII e XVIII A formação das grandes bibliotecas exigiu um trabalho de sistematização. O primeiro livro sobre esse tema, foi Advis pour dresser une bibliothèque (1627; Conselhos para organizar uma biblioteca), de Gabriel Naudé, curador das coleções do cardeal Mazarin. Surgiu então uma nova forma de dispor os volumes nas estantes; estas ficavam encostadas às paredes e deixavam livre o espaço central para leitura. Também nessa época o filósofo alemão G. W. Leibniz firmou o conceito de biblioteca nacional pública, mantida pelo estado para uso comunitário. Posteriormente, a revolução francesa confiscou a imensa biblioteca de Luís XVI, bem como as dos nobres e dos conventos, para formar a Biblioteca Nacional, com um acervo de 300.000 volumes. Em meados do século XVIII, as coleções da coroa inglesa serviram de base para a biblioteca do Museu Britânico.

Séculos XIX e XXÀ medida que cresciam as enormes coleções de livros, tornou-se necessário numerá-los e classificá-los. O primeiro a fazê-lo foi Johann Gesner, em Göttingen, na Alemanha; mas quem realmente revolucionou os métodos nessa área foi um refugiado político italiano, Antonio Panizzi. Em 1831 ele se encarregou de organizar a biblioteca do Museu Britânico. Compilou seu primeiro catálogo e inaugurou o critério de que uma biblioteca deve permitir acesso rápido e fácil a todos os seus volumes.

O século XX assistiria à formação de grandes bibliotecas, como a Lenin, de Moscou, com milhões de volumes. Nesta mesma época, difundiram-se igualmente as bibliotecas especializadas. Paralelamente, os primeiros anos do século marcaram o aparecimento, sobretudo nos Estados Unidos, das escolas de biblioteconomia.

Fundamentos de biblioteconomiaO desenvolvimento das técnicas de reprodução e impressão de livros, o surgimento da informática e a especialização das bibliotecas deram grande impulso aos sistemas de organização e catalogação dos acervos documentais. Produziu-se uma verdadeira revolução metodológica, que permitiu a criação de associações de profissionais para fomentar a cooperação e aperfeiçoar a classificação e conservação de livros e documentos guardados em bibliotecas. Em âmbito mundial, o órgão mais importante é a Federação Internacional de Associações de Bibliotecários (FIAB).

A biblioteconomia visa proporcionar aos profissionais especializados um conhecimento profundo de tudo o que diz respeito às bibliotecas: prédios, instalações, aquisição de acervo, catalogação de livros e documentos etc. Por outro lado, como instrumento público de cultura, as bibliotecas devem atender às necessidades dos leitores e são estas que determinam sua estrutura e organização.

Arquitetura e instalações As instalações de uma biblioteca determinam seu grau de eficiência, sua capacidade de conservação e sua segurança. As grandes bibliotecas antigas tinham prédios otimamente iluminados e distribuídos. Na Idade Média, a biblioteca ocupava geralmente um corredor com duas fileiras de janelas. As obras eram colocadas em um armarium -- móvel dotado de compartimentos diversos em que os livros ficavam presos por correntes e que incluía uma superfície de escrita e um banco fixo. No Renascimento as paredes passaram a ser cobertas de estantes para alojar os volumes, cujo tamanho se reduzira. Todavia, o critério arquitetônico era mais no sentido de valorizar a grandiosidade do conjunto.

Foi Panizzi que modificou o sistema de construção das bibliotecas. Para a do Museu Britânico, projetou uma rotunda cuja iluminação era assegurada por janelas na base de sua cúpula. As mesas de leitura se achavam dispostas radialmente em torno de um balcão central. Encostados às paredes, em estantes sobrepostas de ferro e cimento, alinhavam-se os volumes, a que se tinha acesso por escadas de níveis diversos.

Essa concepção foi imitada no mundo inteiro, embora os prédios nela inspirados não proporcionassem espaço suficiente para atender a outros fins, como as atividades administrativas. Depois da segunda guerra mundial, generalizou-se a construção de bibliotecas modulares, com grandes espaços abertos sustentados por pilares, e cujo mobiliário pode mudar de disposição conforme as necessidades.

A crescente diversificação das bibliotecas -- nacionais, universitárias, populares, escolares, municipais etc., -- determinou igualmente novos critérios de instalação e organização espacial. As instalações devem atender à finalidade de cada biblioteca, propiciando comodidade a leitores e funcionários.

Assim, uma biblioteca universitária deve ser funcional e confortável, com um acervo constantemente enriquecido. As bibliotecas públicas devem localizar-se em pontos de grande afluência e dispor de meios audiovisuais e de seções diversas destinadas a crianças e idosos. Essa estruturação em seções é de máxima importância nas bibliotecas nacionais, que amparam a pesquisa e promovem a difusão da cultura junto ao público.

Organização e classificaçãoOrganizar uma biblioteca implica catalogá-la (isto é, atribuir um número de série a cada volume) e classificá-la (agrupar esses volumes em função de seus temas). Os métodos de catalogação, que remontam ao século XVI, permitem a realização de constantes acréscimos aos acervos das bibliotecas, bem como a atualização das estatísticas do número de volumes existentes no acervo. Já os sistemas de classificação permitem identificar o setor das ciências e das artes a que corresponde cada volume. Os catálogos das principais bibliotecas do mundo geralmente constam de dezenas de tomos. Os sistemas de classificação mais populares são o decimal, de Dewey, e o francês, ou sistema decimal universal. Há ainda o sistema da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, muito difundido nesse país.

O sistema Dewey lista 999 grandes áreas, às quais se podem acrescentar subdivisões. Assim, o número 541 corresponde à química teórica, enquanto 541.35 refere-se à fotoquímica. O sistema decimal universal permite também um correlacionamento desses números, que ajuda a o consulente a prever de relance o conteúdo de cada obra. A informatização veio diversificar consideravelmente as aplicações dessa metodologia. O sistema da Biblioteca do Congresso é menos lógico ou filosófico que arbitrário, mas nem por isso deixa de ser prático, dada a brevidade das notações que correspondem a cada livro. Assim como no tocante às instalações, as bibliotecas, segundo sua classificação e finalidade, atendem a critérios diversos de organização e classificação e dispõem de vários meios para o atendimento de seus usuários em função de suas necessidades, formação cultural, nível de escolaridade, padrão econômico, gostos e preferências.

Esse conjunto de exigências técnicas e sociais faz da biblioteconomia uma ciência sumamente rigorosa, e do bibliotecário um especialista de esmerada formação acadêmica, que deve estar atento para todas as inovações suscetíveis de ajudá-lo em sua tarefa. Graças a esse labor, as bibliotecas são hoje imprescindíveis para a formação e o desenvolvimento intelectual de uma sociedade.

BrasilA mais antiga biblioteca brasileira, a do mosteiro de São Bento, em Salvador, data de 1581. A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, com cerca de 1.500.000 obras, além de mais de 600.000 manuscritos, perto de 300.000 mapas e estampas e preciosas coleções de periódicos, é, juntamente com as do México, Costa Rica, Peru e Chile, uma das maiores da América Latina. Fundada em 1810, com os sessenta mil volumes que D. João VI trouxera de Lisboa, instalou-se na então rua Direita, hoje Primeiro de Março, em prédio da Ordem Terceira do Carmo, transferindo-se depois para o largo da Lapa e passando a ocupar, desde 1910, em ato comemorativo de seu centenário, ocorrido no governo Rodrigues Alves, o imponente edifício atual na avenida Rio Branco.

Ainda no Rio de Janeiro, cabe mencionar as bibliotecas do Ministério da Fazenda, da Fundação Getúlio Vargas, do Real Gabinete Português de Leitura, da Casa de Rui Barbosa, a Estadual e a rede de bibliotecas de bairros. O Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação, órgão do CNPq, mantém no Rio de Janeiro uma biblioteca especializada em ciência e tecnologia. A Fundação IBGE mantém duas, especializadas respectivamente em geografia e estatística, esta a mais completa do país.
Em São Paulo sobressaem a Biblioteca Municipal Mário de Andrade, a da Universidade de São Paulo e as da rede municipal. A da Universidade de Brasília é a mais atualizada do país em sua organização e acervo. Ainda em Brasília, destaca-se a Biblioteca do Congresso, com moderna e eficiente instalação. O Instituto Nacional do Livro estimula e controla as atividades bibliográficas do país, e vários estados possuem institutos análogos.

No Brasil a profissão de bibliotecário é reconhecida por lei e, no serviço público federal, classifica-se como de nível superior. As principais entidades de classe são a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (FEBAB) e a Associação Brasileira de Escolas de Biblioteconomia e Documentação (ABEBD).

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Ensino a Distância

Ensino a Distância

Ensino a Distância
Ensino a distância é o método de instrução na qual a comunicação entre o aluno e o professor ocorre de forma indireta, mediante a combinação de textos impressos, meios eletrônicos e outras técnicas. Ao contrário do ensino convencional, a atuação do professor e do aluno está separada no tempo e no espaço. O ensino a distância, que pode abranger a instrução em todos os níveis, utiliza basicamente as redes convencionais de comunicações - correio, rádio, televisão (via satélites) - para a transmissão de cursos, com textos e exercícios preparados por equipes de professores. Depois de fazer os exercícios, os alunos os enviam pelo correio aos instrutores; uma vez corrigidos, eles são devolvidos com anotações e notas de avaliação.

Adotado por países de todo o mundo, o ensino a distância divulga e democratiza o conhecimento, utilizando avançadas tecnologias de comunicação.

A grande abrangência desses cursos torna-os instrumento valioso para o aperfeiçoamento do nível escolar das populações urbanas e rurais e para a democratização do conhecimento. Em muitos casos, o ensino a distância é o único recurso à disposição daqueles que não têm condições de freqüentar as escolas convencionais.

Como sistema organizado, o método nasceu em meados do século XIX nos Estados Unidos e na Europa e oferecia pelo correio cursos de datilografia, taquigrafia, línguas estrangeiras e de aprimoramento da instrução de adultos. Com o advento do rádio e da televisão, os cursos a distância difundiram-se e diversificaram-se em diversos países. Na Inglaterra, a Open University funciona desde 1971; a Espanha tem a Universidade Nacional a distância e Lisboa a Universidade Aberta, fundada em 1989.

O Brasil possui infra-estrutura tecnológica para o estabelecimento de projetos de ensino a distância, mas em fins do século XX ainda não fazia pleno uso desse potencial.

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Transliteração Pinyin ou Pin-yin

Transliteração Pinyin ou Pin-yin

Transliteração Pinyin ou Pin-yin

O pinyin ou pin-yin, também conhecido como alfabeto fonético chinês, é um sistema de escrita romanizado, que se baseia na pronúncia do dialeto mandarim usado em Pequim. Distingue de forma clara e coerente as consoantes surdas e sonoras e dispensa o uso de hífens entre dois nomes personativos, tal como era usado pelo sistema Wade-Giles, além de reduzir ao mínimo o emprego do apóstrofo. Assim, Mao Tsé-tung tornou-se Mao Zedong e ch'ing passou a ser grafado ging. Em certos casos, o pinyin descaracteriza inteiramente grafias tradicionais, por não levar em conta dialetos locais. A reformulação da escrita chinesa iniciou-se em 1913, mas as tentativas de utilização do alfabeto latino só obtiveram seus primeiros resultados positivos após a revolução comunista de 1949.

Mais do que um sistema para grafar no alfabeto romano a língua chinesa, o pinyin indica a adoção do dialeto de Pequim como padrão nacional e uma tentativa de uniformizar a pronúncia dos diferentes grupos étnicos da China.

Adotado na China em 1956 pelo Comitê de Reforma da Língua, passou por alterações em 1958. No entanto, o mundo ocidental continuou a dar preferência à transliteração criada pelo britânico Thomas F. Wade no século XIX e depois modificado por H. A. Giles. A pedido do governo da República Popular da China, a imprensa mundial passou a empregar o pinyin em 1979, o que possibilitou a padronização internacional da grafia dos nomes próprios chineses.

As aulas de chinês para estrangeiros utilizam o pinyin, que é também empregado no telégrafo, na escrita braille, nos sinais visuais para surdos e nos dicionários e índices. Embora não tenha como objetivo o abandono dos caracteres chineses, substituiu os sistemas tradicionais de escrita de várias minorias étnicas e passou a ser usado para grafar as línguas ainda ágrafas de outras minorias. Seu emprego não se estende a Formosa (Taiwan).

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Analfabetismo, Conceitos e Tipos de Analfabetismo

Analfabetismo, Conceitos e Tipos de Analfabetismo

Analfabetismo, Conceitos e Tipos de AnalfabetismoPode-se definir o analfabetismo como a condição das pessoas que não têm o domínio do alfabeto ou de algum outro sistema de escrita, isto é, que carecem dos conhecimentos necessários para ler e escrever.   A UNESCO define o analfabeto, de forma mais rigorosa, como a pessoa que, à idade de 15 anos ou mais, é incapaz de entender o sentido global de um texto simples ou de escrever uma exposição breve de fatos da experiência diária.

Ninguém pode participar plenamente da cultura moderna sem dominar a linguagem escrita. Mas quase metade da humanidade se encontra nessa situação, e as campanhas de alfabetização do século XX não concretizaram todas as esperanças nelas depositadas.

Tipos de analfabetismo
Podem ser descritas como analfabetismo situações variadas, desde a pura e simples incapacidade de decifrar os sinais da escrita até o chamado "analfabetismo prático" ou "analfabetismo por desuso" -- o de pessoas que, tendo aprendido a ler e a escrever, pouco ou nada utilizam seus conhecimentos na vida prática. Isso pode ocorrer tanto por falta de oportunidades como pela tendência, na sociedade atual, a substituir a informação escrita pela gráfica e sonora, oferecida pelos meios de comunicação de massa e que exige menor esforço.

História. Desde os mais antigos tempos os homens utilizaram a linguagem oral para comunicar-se entre si. A invenção da linguagem escrita permitiu "armazenar" a informação sem necessidade de recorrer à memória. Assim, desde o momento em que se criou um código de sinais capaz de permitir a fixação dos conhecimentos, impôs-se a necessidade de compreensão e domínio desse código para as pessoas que quisessem ter acesso à informação escrita. Com a crescente complexidade da cultura, tornou-se cada vez mais necessário o conhecimento do alfabeto ou de algum outro sistema de escrita.

Em quase todas as culturas históricas, o domínio da linguagem escrita pertenceu a uma casta de funcionários ou sacerdotes que, em grande medida, mantinham seu poder graças ao controle que possuíam sobre essa linguagem. Os escribas e sacerdotes do antigo Egito ou os eclesiásticos da Idade Média europeia desfrutavam do monopólio do saber, em detrimento de outras classes sociais -- como os guerreiros, os servos e até a nobreza.

Em meados do século XV, a invenção da imprensa de tipos móveis trouxe ao mundo europeu a ruptura com os modos antigos de acesso à cultura, até então reservada a poucos. A partir do Renascimento, os países europeus viram aumentar de modo contínuo o número de indivíduos que dominavam a leitura e a escrita. A Reforma insistiu que os fiéis lessem diretamente a Bíblia, o que motivou o aumento do interesse dos protestantes pelo domínio do alfabeto. Mais tarde, o Iluminismo proclamou com especial empenho a necessidade de alfabetizar a sociedade em seu conjunto e, a partir das revoluções liberais e da industrial, ficou evidente a vantagem social de contar com um povo alfabetizado. Desde o início do século XIX, os estados liberais europeus puseram em andamento planos de alfabetização em massa, mediante a escolarização obrigatória das crianças. Fora da Europa, deve-se mencionar o sucesso obtido pelo Japão da época Meiji na alfabetização de seu povo, o que facilitou a rápida europeização do país e seu progresso econômico no último terço do século XIX.

Analfabetismo hoje. No mundo contemporâneo, em que o uso escrito do próprio idioma é considerado um direito básico do ser humano, os governos de todo o mundo realizam grandes esforços para erradicar o analfabetismo. Nos países desenvolvidos em geral, esse é um problema de caráter residual, ao menos no que tange ao analfabetismo em sentido estrito; mas é crescente a preocupação relativa ao chamado analfabetismo prático. O fenômeno da televisão, por exemplo, é visto com alarme por muitos educadores, preocupados com as conseqüências de uma cultura não literária cujo rumo é muito difícil de prever.

Na maioria dos países em desenvolvimento, o analfabetismo em sentido estrito continua a ser um problema muito grave. As estatísticas são pouco confiáveis e prejudicadas pela própria indefinição dos graus de analfabetismo e pela ocultação deste por parte do indivíduo pesquisado ou das autoridades, preocupadas com a imagem pública. Em geral, pode-se dizer que a alfabetização se relaciona estreitamente com o nível de desenvolvimento econômico, tanto dos países em seu conjunto como das regiões de um determinado país. Em praticamente todos os lugares, a porcentagem de mulheres analfabetas é superior à dos homens, desproporção que se acentua quanto mais pobre for um país e mais tradicional sua cultura.

Na segunda metade do século XX, considerava-se que quase metade da população adulta mundial era analfabeta. No entanto, estavam em curso grandes progressos na erradicação do analfabetismo, particularmente no leste da Ásia e na América Latina. Apesar disso, a proporção de analfabetos caía muito lentamente; e, dado o rápido incremento da população  nos países menos desenvolvidos, o número absoluto de analfabetos aumentava no mundo, razão pela qual se começou a temer que o problema só fosse solúvel a longo prazo.

Alfabetização, Conceitos Gerais Sobre Alfabetização

Alfabetização, Conceitos Gerais Sobre Alfabetização

Alfabetização, Conceitos Gerais Sobre AlfabetizaçãoAlfabetização é a maneira de se transmitir o domínio sobre o conjunto de signos que compõem o código linguístico escrito (o alfabeto), a fim de que por meio desse código o indivíduo se comunique, seja pela emissão da mensagem (escrita) ou por sua recepção (leitura). Para ser alfabetizado não basta aprender a desenhar o nome, é preciso saber utilizar-se com desembaraço da leitura e da escrita no cotidiano.

Forma de obter acesso ao conhecimento acumulado pelo homem por meio da escrita, a alfabetização é um dos grandes problemas com que se defrontam os países menos desenvolvidos, em função do crescimento demográfico.

Entre os diversos métodos empregados para a alfabetização, alguns remontam a milênios e outros são recentes e bastante inovadores. Os principais métodos são o sintético, que parte da letra e da sílaba para a palavra (soletração), e o analítico, que parte de frases inteiras e as decompõe nos elementos constitutivos, as palavras. Ambos são largamente utilizados e um não exclui o outro. Em geral, a alfabetização ocorre na infância, depois que a criança já conseguiu dominar determinadas funções, processos mentais e motores. Os jardins de infância e estabelecimentos semelhantes destinam-se a estimular esse desenvolvimento, através de atividades lúdicas, música e dança. Em seguida, esse processo é aperfeiçoado pelo ensino formal, ministrado em escolas e colégios.

Alfabetização de adultos. Por diversas razões, é muito grande o número de pessoas que não tiveram acesso ao ensino escolar na fase da infância. Em quase todo o mundo elas formam um enorme contingente de analfabetos, que se vêem privados da participação plena nas possibilidades culturais oferecidas pela sociedade em que vivem. Esse problema é mais premente nos países menos desenvolvidos, pois não têm condições de estabelecer uma rede de ensino que atenda a suas populações. O problema agrava-se devido ao crescimento demográfico contínuo e acelerado que se verifica nesses países. Os países desenvolvidos, além de terem estabelecido, há muito tempo, uma rede de ensino eficiente, têm índices de crescimento demográfico baixos, estáveis ou até negativos.

A preocupação com o combate do analfabetismo tem levado muitos países a empreenderem campanhas maciças de alfabetização. A princípio, os resultados mostram-se bastante animadores.

No entanto, quando cessa o empenho inicial e os alfabetizadores deixam a região, a população local retorna a um estado de analfabetismo prático. Para se obter resultado duradouro, é fundamental a criação de uma infra-estrutura eficaz, com a rápida formação de pessoal para a tarefa, o estabelecimento de condições para que se mantenha e desenvolva o aprendizado, a adequação de métodos e a motivação econômico-social do grupo-alvo.

Atuação da UNESCO. Nesse esforço, tem sobressaído a atuação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) voltada principalmente para uma tendência Marxista, que vem prestando colaboração a muitos países menos desenvolvidos, em várias partes do mundo. A UNESCO patrocinou as campanhas do pedagogo brasileiro Paulo Freire, realizadas no Brasil (1961-1964) e no Chile (1964-1967), com base no método que leva seu nome, compreendendo a criação dos "centros populares de cultura", que promoviam a alfabetização a partir de palavras do universo semântico da população-alvo (no caso de lavradores, por exemplo, seriam termos ligados ao cultivo da terra, de uso diário entre eles) e permaneciam no local, estimulando o desenvolvimento da habilidade adquirida, que, para muitos especialistas, resultaram no fracasso total na educação do Brasil. A campanha empreendida em Cuba, a partir de 1961, reduziu o índice de analfabetismo ao nível dos países mais cultos do mundo, sendo considerada exemplar.

Caso à parte é o das línguas ágrafas, que, embora faladas pela população, não possuem expressão escrita. A UNESCO tem cooperado na elaboração de material didático em algumas línguas nativas, com intuito de pôr fim à situação anômala de alguns países em que os cidadãos que sabem ler e escrever, além de constituírem uma minoria, só conseguem fazê-lo em um idioma alheio, imposto à força pelos anos de dominação colonial ou devido à total inexistência de documentos escritos em sua própria língua.

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Alfabeto, História e Evolução do Alfabeto

Alfabeto, História e Evolução do Alfabeto

#Alfabeto, História e Evolução do Alfabeto

Desde os primeiros ensaios, no paleolítico superior, até a época atual, a representação gráfica da linguagem conheceu uma longa história, marcada por clara tendência à abstração. Nesta, o elemento decisivo viria a ser a criação do alfabeto -- ou, mais precisamente, dos alfabetos --, que em sentido amplo pode ser definido como um conjunto de sinais ou caracteres que reproduzem os sons da linguagem.

A aquisição da linguagem permitiu que a evolução humana seguisse um curso diferente em relação à dos animais, mas só o domínio de sua representação gráfica permitiu o desenvolvimento das primeiras civilizações.

Primeiras escritasNão é possível determinar com precisão em que data ou em que lugar se começou a desenvolver um sistema de escrita. Alguns autores defendem a tese de que as gravuras e pinturas do paleolítico superior (por volta de 30000 a.C.) e do magdaleniano (entre 17000 e 10000 a.C.), nas quais predominavam as figuras e os sinais geométricos, podem ser consideradas a origem da escrita. No entanto, parece mais correto supor que o verdadeiro início de uma representação gráfica consciente e estruturada da linguagem se deu por volta de 3400 a.C., com a escrita cuneiforme na Mesopotâmia e a escrita hieroglífica no Egito.

A escrita cuneiforme é a mais antiga das que se conhecem através de documentos. Denomina-se assim porque os sinais, gravados sobre tábulas de barro com caniços cortados em bisel, tinham forma de cunha. Essa escrita, com ligeiras variantes, estendeu-se por toda a Anatólia.

Os hieróglifos egípcios eram a princípio sinais sagrados, utilizados para reproduzir a palavra dos deuses, e é precisamente daí que vem seu nome (do grego hierós, sagrado, e glyphein, gravar). Consistem numa série de pequenas imagens estilizadas, de desenho ou gravação precisa, que, além de sua utilidade prática, tinham clara função decorativa. A escrita hieroglífica egípcia foi decifrada pelo pesquisador francês Jean-François Champollion, graças à famosa inscrição da pedra de Rosetta, descoberta em 1799, na qual aparecia gravado o mesmo texto em caracteres hieroglíficos, demóticos (outro tipo de escrita egípcia, utilizado a partir do século VI a.C.) e gregos.

Numa primeira etapa, tanto o sistema hieroglífico quanto o cuneiforme consistiam em representar o sentido global do enunciado por meio de sinais ou desenhos, aos quais se dá o nome de pictogramas. Esse procedimento primitivo apresentava dois graves defeitos: por um lado a representação de enunciados ou frases complexas era praticamente impossível e, por outro, prestava-se a ambigüidades e interpretações errôneas. Um homem com um remo, por exemplo, indicava que "alguém anda de barco", mas não era possível especificar o sujeito dessa frase. Numa etapa posterior, esses pictogramas se converteram em ideogramas, com os quais já não se representavam enunciados globais __ isto é, frases __, mas sim palavras. Foi esse o primeiro passo no caminho de uma escrita sintética a uma escrita analítica, tendência que, com o passar dos séculos, levaria à invenção do alfabeto. Logo apareceram, ao lado dos ideogramas, símbolos utilizados por seu valor fonético estrito, os quais, no caso da escrita egípcia, representam apenas consoantes, e em outros casos, sílabas completas.

Quando a escrita deixou de ser patrimônio exclusivo dos escribas oficiais e começou a ser utilizada na vida cotidiana, sobretudo no comércio, tornou-se evidente a necessidade de simplificá-la. Como consequência, os sinais fonéticos (consonânticos ou silábicos) conheceram grande desenvolvimento, em detrimento dos desenhos e ideogramas. Esse tipo de escrita mista (ideográfica e silábica) foi característico de diversos estados surgidos a partir do século XX a.C.: é o que se encontra em Creta nos séculos XX-XV, em Chipre nos séculos XVI-III e no império hitita (Anatólia e norte da Síria) nos séculos XVI-VIII. Ainda depois da invenção do alfabeto, esse sistema misto continuava a ser empregado no século VII na península ibérica, Pérsia e, a partir do século IV a.C., na Índia e na Etiópia.

Invenção do alfabeto -  A palavra alfabeto vem do latim alphabetum, formado com o nome das duas primeiras letras gregas, alpha e beta. A invenção do alfabeto significou a etapa final de uma longa evolução dominada por uma tendência analítica e simplificadora. Com a escrita alfabética, o enunciado se decompõe em suas unidades mínimas, que se representam de forma arbitrária ou convencional.

A ideia de grafar consoantes isoladas já havia aparecido vagamente entre os egípcios e, por influência destes, entre diversos povos do mar Vermelho e do Mediterrâneo, durante o segundo milênio antes da era cristã. Contudo, parece que os povos semíticos foram os primeiros a dar o passo definitivo em direção à escrita alfabética. Partindo do alfabeto egípcio, os fenícios desenvolveram um sistema pseudo-hieroglífico e, em torno do século XV (embora as primeiras inscrições, achadas em Biblos, datem do XI), deram valores consonânticos a sua antiga escrita, criando o que já se pode denominar um alfabeto, formado por 22 sinais, entre os quais não há elementos ideográficos nem silábicos. O fato de registrar apenas as consoantes já indica um elevado nível de abstração, pois a capacidade de identificar o esqueleto consonântico da palavra pressupõe uma clara concepção de sua estrutura.

Em estreita relação com o alfabeto fenício __ e ainda que as diversas teorias não estejam de acordo quanto a seu desenvolvimento cronológico __ surgiram a escrita paleo-hebraica e o alfabeto aramaico, do qual derivam o árabe, o hebreu, o sírio e, provavelmente, a escrita brâmane indiana, origem das indianas posteriores.

Por volta de 900 a.C., o sistema fenício de escrita chegou à Grécia, onde se converteu num alfabeto estritamente fonético, já que os gregos utilizaram as consoantes fenícias que não tinham equivalente em sua língua para representar suas próprias vogais. Quando os etruscos entraram em contato com os gregos (por volta de 700 a.C.), copiaram seu sistema de escrita e o adaptaram à sua língua, dando assim origem ao alfabeto latino que se estendeu por todo o Império Romano.

Difusão e evolução dos alfabetos latino e gregoCom a expansão da civilização romana e cristã, o alfabeto latino conquistou toda a Europa, onde os sistemas de escrita locais e tradicionais foram totalmente ou parcialmente abandonados. Assim ocorreu com a escrita rúnica, que havia servido para grafar diversas línguas germânicas, e cuja origem parece ser o etrusco, e com a ogâmica, desenvolvida pelos celtas britânicos por volta do século V da era cristã numa peculiar reelaboração de elementos latinos levados às ilhas pelas legiões romanas.

O antigo alfabeto grego, ainda conservado na Grécia com pequenas variações, foi adaptado no século IX por são Cirilo. Isso gerou o alfabeto cirílico, utilizado por algumas das línguas eslavas, e que é o empregado atualmente em países como a Rússia e a Bulgária. Com essa exceção, os alfabetos ocidentais modernos são, em essência, o resultado da adaptação do alfabeto latino aos diferentes grupos de línguas: românicas (italiano, provençal, francês, espanhol, catalão, português, rético), germânicas (alemão, inglês, sueco etc.), eslavas (polonês, tcheco, esloveno etc.) e outras, como as bálticas e o basco. As diferenças entre elas resultam da dificuldade de adaptar sons peculiares de uma língua à grafia latina.

A escrita chinesa tradicional não possui um alfabeto propriamente dito, mas consta de caracteres representativos de valores complexos, que em geral se referem a unidades monossilábicas, sejam ou não palavras. Esses caracteres podem ser do tipo ideográfico ou simbólico, ou meramente fonéticos, e estão sujeitos a um complexo sistema de combinações. A língua dos primeiros textos conservados, que datam de aproximadamente 1500 a.C., deu origem a diversas outras, chinesas ou sino-tibetanas, que, embora amiúde sejam chamadas "dialetos", são na realidade línguas tão distintas entre si quanto as românicas, embora apresentem sobretudo diferenças de léxico e de pronúncia. Desde 1956 foi imposto, com base na língua de Pequim, um sistema de transliteração ao alfabeto latino chamado Pinyin.

O sistema chinês foi adotado ao longo da história por povos vizinhos, como a Coréia e o Japão. Entre as línguas faladas por grande número de pessoas, o japonês é a única que mantém um procedimento misto de representação, formado por um silabário e por um conjunto reelaborado de caracteres chineses.

Alfabeto fonético -  Nenhum alfabeto reproduz adequadamente os sons da linguagem, nem a ortografia das diversas línguas corresponde à realidade falada. Em português, por exemplo, uma só letra (c) representa mais de um som [k], [s]: cantar, céu; um mesmo som ([z]) é representado por várias letras (s-z-x): mesa, zebra, exame; duas letras (rr) representam um som [r]: carro; e dois sons (ks) são representados por uma letra (x): sexagenário.

Essas incoerências da escrita levaram os foneticistas a criarem alfabetos que reproduzissem os sons da fala com maior exatidão. Embora também não sejam perfeitos, esses alfabetos permitem a notação não só dos fonemas como de suas variantes.

Existem vários alfabetos fonéticos Alguns utilizam símbolos que não têm relação com o sistema tradicional da escrita. Entre esses encontram-se o visible speech ("fala visível"), de A. M. Bell, cujos sinais são diagramas simplificados dos órgãos vocais nas diversas posições articulatórias, e a alphabetic notation ("notação alfabética"), de Otto Jespersen, que combina letras gregas e latinas com algarismos árabes, para descrever, em termos formais, o ponto de articulação de cada som lingüístico. Entretanto, a maior parte dos alfabetos adotados pelos lingüistas são modificações do latino tradicional ou adaptações, para suas línguas, do alfabeto fonético internacional (AFI), criado em 1888 pela Associação Fonética Internacional.

O AFI utiliza letras latinas, atribuindo-lhes o mesmo valor que têm nas línguas românicas, e algumas gregas. Apesar das várias imperfeições que lhe possam ser atribuídas, o AFI é um instrumento muito útil para os linguistas, pois suas convenções foram cuidadosamente definidas e, mais tarde, aceitas por foneticistas de diversos países, o que permite um rápido reconhecimento dos sinais encontrados em seus livros e artigos.

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