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Ciclo do Gado | História do Brasil

Ciclo do Gado

Ciclo do Gado

Entende-se por ciclo do gado, na história do Brasil, o período situado entre meados do século XVI e o final do século XVIII, durante o qual as instituições sociais, políticas e econômicas foram influenciadas pela expansão da pecuária no país, principalmente no Nordeste.

A disseminação dos rebanhos bovinos pelo interior do Brasil, mediante um comércio ativo de reses, carne charqueada e couro, assegurou o desenvolvimento de áreas inóspitas e a expansão geográfica colonial, servindo de fator de unidade em quase todo o país.

Já Pero Vaz de Caminha se referia, na carta que enviou a D. Manuel, à inexistência de animais domésticos na nova terra. O boi instalou-se inicialmente à beira-mar, nos três principais núcleos povoadores da colônia, de onde se irradiou: São Vicente, para onde chegaram os primeiros animais ingressados no Brasil, mandados trazer de Portugal em 1534 por D. Ana Pimentel, esposa de Martim Afonso de Sousa; Pernambuco, onde se fixaram as reses trazidas por Duarte Coelho em 1535; e Bahia, onde se localizaram as reses vindas das ilhas do Cabo Verde, na caravela Galga, trazidas por ordem de Tomé de Sousa, em 1549. No ano de 1576, o historiador Pero de Magalhães Gândavo afiançava existir gado abundante em todas as capitanias do Brasil.

Importância econômica do boi. A criação do gado era orientada no sentido de juntar animais para os engenhos de açúcar, e o rápido desenvolvimento dos núcleos pastoris primitivos foi possibilitado pela proibição inicial de abater reses, para não desfalcar os rebanhos. Como não contribuísse para o erário real como o açúcar e o ouro, por nunca ter-se elevado à importância econômica desses produtos, mesmo em seu fastígio, o pastoreio não desfrutava de regalias e sua sobrevivência deveu-se, no litoral, ao açúcar e, no interior, à dificuldade de organização da agricultura nas terras de mineração.

O açúcar originou o primeiro surto da criação de gado bovino, utilizado como elemento motor nos trapiches e engenhos, e para puxar carros de lenha e açúcar. Entretanto, as próprias Ordenações Reais determinavam que a pecuária só deveria ser feita sem prejuízo da lavoura de cana-de-açúcar. Mas foi o boi que criou condições estáveis para a vida e a prosperidade coloniais, com atuação ponderável na dinâmica dos fatores que contribuíram decisivamente para a concretização de certos fatos da nacionalidade. Ressalte-se a relevância do gado na fixação das primeiras levas de colonizadores; no desenvolvimento da agroindústria do açúcar; no devassamento e na ocupação de áreas desérticas; no êxito da exploração aurífera e consequente povoamento da região Centro-Oeste; na abertura de vias de trânsito, interligando núcleos povoadores e consolidando a estrutura econômica, política e social do país; na produção e nos transportes, pois o carro de bois foi o meio de transporte por excelência do interior brasileiro nos quatro primeiros séculos; na alimentação da população; enfim, no enriquecimento do folclore.

Ciclo do couro. O movimento pastoril deu origem a um fenômeno de acentuada importância na história pátria: a formação de latifúndios. Para efetivar a posse e o domínio das sesmarias e para prevenir a caducidade das doações, os senhores de sesmarias valiam-se do expediente de encaminhar para elas prepostos com boiadas. A própria forma de pagamento do trabalho de capatazes e vaqueiros, o sistema de quartas (de cada quatro reses, uma para o preposto), dava origem a novas fazendas de gado. A difusão do pastoreio tornou-se tão grande em dada época que se falou no "período do couro", ocasionado pela possibilidade de retirar da indústria pastoril, depois das necessidades vitais, os objetos de conforto. Do amplo emprego industrial do couro decorreu sua exportação para a metrópole em todo o período colonial.

Pecuária e povoamento. O povoamento do sertão brasileiro tomou forte impulso no século XVII, devido às vias de trânsito abertas pelo gado. Não existia no Brasil nada que se assemelhasse às excelentes estradas que os colonizadores espanhóis receberam como legado dos incas, por exemplo. Tampouco à coroa interessava o estabelecimento de uma rede viária de importância, que desse ensejo a correntes apreciáveis de comércio interno, libertando os grupos ilhados na orla marítima da total dependência das importações da metrópole. Nesse sentido, foram de importância capital para o desenvolvimento e povoamento da colônia as estradas boiadeiras, os caminhos de gado, que tiveram influência marcante na delimitação das capitanias hereditárias, sobretudo nos limites de profundidade. Essas correntes povoadoras criaram novas vilas: Itabaiana (1665), Jaguaribe, Cachoeira e São Francisco do Conde (1693) e Santo Amaro das Brotas (1697), numa interiorização progressiva que continuou no século XVIII. Eram caminhos terrestres, que só de passagem cruzavam rios e, ao contrário do que ocorria no bandeirantismo, todos eles dentro dos limites do Tratado de Tordesilhas.

Partindo daqueles três núcleos primitivos, o gado se expandiu por todo o Brasil, levando nesse movimento pelo menos dois séculos, o XVII e o XVIII. Em 1589, com a conquista de Sergipe por Cristóvão de Barros, criou-se um campo novo e vasto para a expansão do gado baiano. As manadas movimentaram-se rumo às novas terras, até alcançarem a margem direita do São Francisco, onde se espalharam e multiplicaram, a ponto de ter esse rio sido denominado, por muito tempo, "rio dos currais". Mais ou menos na mesma época operou-se movimento idêntico, menos acentuado, em Pernambuco. Em duas colunas, uma pela margem direita do São Francisco, a baiana, e outra pela esquerda, a pernambucana, espalhou-se a gadaria pela Bahia, Sergipe e Pernambuco, primeiro impulso do movimento expansionista que mais tarde atingiria todo o Nordeste.

Expansão e conflito. Os currais instalados junto das fazendas de açúcar, com o fim de atender ao funcionamento dos engenhos, cresceram rapidamente. À medida que se desenvolviam o pastoreio e a lavoura, tornava-se difícil a coexistência de ambos. A prosperidade da agroindústria do açúcar exigia vastas áreas para o espraiamento da cana. As desavenças entre criadores e senhores de engenho se amiudaram a tal ponto que, em 1701, para proteger as plantações, a coroa determinou o afastamento do gado num mínimo de dez léguas (sessenta quilômetros) da costa, onde se encontravam os canaviais, engenhos e mandiocais. Teve início assim o desbravamento das incultas regiões sertanejas. A Casa da Torre, na Bahia, erguida por Garcia d'Ávila, almoxarife de Tomé de Sousa, foi a mais poderosa força na expansão do gado, sobretudo na direção do Nordeste. Salientaram-se, nos anais de seus domínios territoriais, Francisco Dias d'Ávila e Antônio Pereira. Os Guedes de Brito foram outros criadores que ocuparam grande parte dos sertões baianos. Fator que não pode ser esquecido foram as jazidas de sal, os "barreiros do sertão", descobertas no vale do São Francisco, no Ceará e em Alagoas, que propiciaram a expansão da pecuária no Nordeste.

No decorrer do século XVIII iniciou-se a penetração efetiva do gado no Nordeste. O gado baiano do São Francisco tomou duas direções: uma para o centro da colônia, na direção das minas, e outra para o norte. Essa última corrente, chamada dos "sertões dentro", varou a Bahia, margeou o Atlântico, pelo sertão de Jacobina e, desviando-se do Espinhaço, atingiu o rio São Francisco. Transposto este, alcançou o Gurgueia e o Canindé, afluentes da margem direita do Parnaíba. Acompanhou esse rio e invadiu o Piauí, prosseguiu até o Maranhão, onde confluiu com o gado pernambucano que, subindo o Itapicuru, adentrava pelo sertão. Fundindo-se numa só, as duas correntes seguiram para sudeste e irromperam no Ceará. Não é demais o cômputo de um século para o desenvolvimento dessa irradiação, finda a qual o gado se difundira em todo o sertão nordestino, criando-se assim a primeira zona pecuarista no Brasil -- o Nordeste. Entre os grandes desbravadores do período estão Domingos Jorge Velho, Domingos Afonso Mafrense e Francisco Garcia d'Ávila, que ocuparam com suas boiadas toda a parte ocidental do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, o Piauí e, posteriormente, transpondo o Parnaíba, o Maranhão. Mais tarde, o espólio de Mafrense passou a ser gerido pelos jesuítas.

O gado e o ciclo do ouro. No princípio do século XVIII, com a descoberta do ouro, quando o gado já se assenhoreara de uma área imensa ao longo das ribeiras do São Francisco, a geografia do boi no Brasil ampliou-se de maneira considerável. Partindo inicialmente das margens do São Francisco, e depois de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão, o gado se espalhou pela região das minas, penetrando depois em terras mato-grossenses e goianas. Também do Rio Grande do Sul vinha gado para as minas, pelo caminho de Sorocaba.

Essa ocupação, atraída pelo lucro fácil das minas, destinou-se a princípio ao consumo dos povoados rapidamente surgidos, que sofriam terríveis crises de abastecimento. Em pouco tempo, o Centro-Oeste, inclusive Minas Gerais, se transformaria, devido ao ouro, na zona pastoril mais importante do país, substituindo, após o esgotamento das minas, o ouro e os diamantes como riqueza econômica.

Com a corrida do ouro, verificou-se grande aumento do preço do boi, que quintuplicou nos campos de mineração, e do escravo, cujo êxodo muito prejudicou a indústria canavieira. Houve um processo de esvaziamento dos núcleos iniciais de povoamento que adensou a população das zonas de mineração e, despovoando as plantações litorâneas, impôs sério abalo à economia açucareira. A esse deslocamento humano somou-se o enorme afluxo de portugueses para os centros mineradores, acometidos da febre do ouro. Fechados que estavam, pela coroa, os caminhos das zonas auríferas para outras regiões, numa tentativa de sustar o desvio do ouro, e proibida naquelas zonas qualquer outra atividade que não o garimpo, o recurso extremo da criação de gado à solta e a importação continuada de reses se apresentou como solução para a alimentação dos mineiros.

Em Goiás, os mananciais auríferos não produziram copiosamente senão durante um quarto de século, e em seguida o gado se transformou na maior riqueza daquele estado. Em Mato Grosso, foi no Pantanal que o boi se fixou, instalando-se nas planícies fertilizadas pelas cheias dos afluentes do Paraguai.

Pecuária no Sul.

Pecuária no Sul. Os campos férteis da região Sul apresentam as condições mais favoráveis à criação, atividade que propiciou sua ocupação. No Rio Grande do Sul avulta a importância do trabalho desempenhado pelos padres da Companhia de Jesus na disseminação do gado vacum. Mesmo enquanto não se achava definida a posse das terras que se estendiam desde Laguna até o rio da Prata, e já iniciadas as incursões dos bandeirantes paulistas por essa vasta área, todo o Sul se transformou num imenso curral de gado, principal móvel da disputa entre Portugal e Espanha pela posse da região.

Durante todo o transcurso do século XVII, os espanhóis se estabeleceram na margem esquerda do Prata. Entre eles havia jesuítas que trouxeram muitas cabeças de gado, no início daquele século. Um fato importante para a proliferação do gado no extremo-sul foi a criação de vacarias. Também os bandeirantes paulistas têm a seu crédito a difusão do gado de São Paulo no Rio Grande do Sul. Com a fundação da colônia de Sacramento, em 1680, intensificaram-se as lutas pela posse das terras e do gado.

Os primeiros estabelecimentos de criação fundados pelos portugueses no sul do Brasil datam de meados do século XVIII e decorreram das incursões dos bandeirantes contra as reduções jesuítas. Mais tarde, como os padres e os índios abandonassem a região e como os bandeirantes desviassem suas atenções para Mato Grosso, o gado, abandonado a seu próprio destino, multiplicou-se assombrosamente.

O boi na alimentação. Como fonte de alimentação, o gado vacum teve na indústria das carnes secas seu principal consumidor durante a fase áurea do ciclo do gado, sobretudo no Nordeste e no Rio Grande do Sul. A indústria saladeiril surgiu no Ceará, no século XVIII, e foi durante muitas décadas esteio da economia nordestina, graças à intensa atividade pastoril do interior, às salinas naturais no litoral e às condições climáticas locais. Era essa espécie de carne o alimento principal dos milhares de escravos. Foi o capitão-mor José Pinto Martins, proprietário de uma "oficina" de carnes no Ceará quem, transferindo-se em 1780 para o extremo sul do país, deu impulso definitivo à indústria de carnes secas, os charques, no Rio Grande do Sul.

Economia Açucareira no Brasil Colônia

Economia Açucareira no Brasil Colônia

Economia Açucareira no Brasil Colônia
Após o descobrimento do Brasil, Portugal naturalmente se viu obrigado a proteger o novo território das ameaças externas. A partir de 1530, os portugueses procuraram proporcionar uma colonização que, além de garantir seu domínio sobre a colônia, fosse algo lucrativo. Assim, percebendo que não tinham tantos recursos, resolveram incentivar o cultivo da cana-de-açúcar, algo relativamente simples, aparentemente lucrativo e favorável, uma vez que o clima do Brasil era bastante propício.

O sistema agrícola utilizado no Brasil foi o chamado “plantation”, o qual tinha três características fundamentais: a monocultura, o uso da mão-de-obra e a política de exportação. A necessidade de lucro rápido resultou na criação de uma monocultura, ou seja, praticamente não havia nenhuma outra atividade econômica desenvolvida na colônia. A questão da mão-de-obra foi resolvida por meio da exploração do negro africano, uma vez que os índios não aceitaram aquela rotina de trabalho. Além disso, o tráfico de escravos foi se tornando outro negócio rentável para Portugal.

Economia Açucareira

Praticamente todo o açúcar produzido no Brasil era exportado para a Europa, uma vez que o produto tinha uma grande demanda no continente europeu. Entre outras consequências, a economia açucareira resultou na formação de grandes latifúndios.

Economia AçucareiraEconomia Açucareira

Com o aumento das exportações de açúcar de cana para a Europa, em virtude de seu preço baixo e do consumo crescente no Velho Mundo, a agricultura canavieira torna-se, desde o século XVI, o setor mais importante da economia colonial. As plantações e os engenhos da Zona da Mata nordestina e do Recôncavo Baiano constituem o maior polo açucareiro da colônia, seguido por áreas do Maranhão, do Rio de Janeiro e de São Paulo. Grande volume de capital é investido na preparação das terras, no plantio e na compra de equipamentos e de escravos. Produzidos e encaixotados pelos engenhos, os "pães de açúcar" são embarcados para Portugal e Holanda, onde são refinados. O produto final é comercializado na Europa por mercadores portugueses e flamengos.

Economia Açucareira

Após a expulsão dos holandeses do Nordeste, em meados do século XVII, o setor passa a enfrentar maior concorrência externa com o surgimento de novos centros produtores nas Antilhas e nas Guianas. As companhias de comércio portuguesas, monopolistas, criadas para financiar a produção colonial e garantir a comercialização do produto na Europa, não dispõem de recursos para mais investimentos. O tabaco e o algodão, também cultivados e exportados desde o início da colonização brasileira, tornam-se alternativas complementares ao açúcar. Esses produtos têm um mercado mais reduzido e, salvo em breves períodos, não chegam a ter a mesma importância econômica da cana-de-açúcar.

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Ciclo do Açúcar na Economia Brasileira

Ciclo do Açúcar na Economia Brasileira

Ciclo do Açúcar na Economia BrasileiraEntende-se por ciclo do açúcar a fase da história do Brasil marcada pela produção de açúcar nos engenhos nordestinos. Começou pouco depois da descoberta e acarretou profundas consequências sociológicas e culturais, até o século XVIII. As formas de vida social, política e cultural decorrentes da economia açucareira no Nordeste constituíram matéria de numerosos estudos, depois do livro pioneiro de Gilberto Freire, Casa grande & senzala (1933).

Antes de ter sido um país identificado com o café, o Brasil assinalou sua presença na economia mundial pela produção de açúcar. Tanto assim que palavras como "melaço" e "mascavo" ou "mascavado", mesmo que transmudadas em formas anglicizadas (molasses, muscovado), logo se tornaram correntes no vocabulário do comércio internacional.

Ciclo do Açúcar

Origens
Durante a Idade Média, as poucas quantidades de açúcar consumidas na Europa procediam do Oriente, de onde é nativa a cana-de-açúcar, sendo o comércio desse artigo monopolizado por Veneza. Em meados do século XV a cana foi introduzida pelos portugueses na ilha da Madeira e pelos espanhóis nas Canárias. Seu cultivo prosperou tanto que o açúcar das novas possessões ibéricas passou a chegar à Europa a preços muito baixos, popularizando o consumo de um produto que até então se limitara às moradias dos ricos, aos hospitais e aos boticários, que o utilizavam apenas como base de preparados farmacêuticos.


Estimulados pelos bons frutos colhidos com a concorrência à república veneziana, os portugueses trouxeram para o Brasil, logo depois da descoberta, as primeiras mudas de cana. Da capitania da qual se originaria São Paulo, a de São Vicente, por onde a planta entrou na colônia e onde se estabeleceram os primitivos engenhos, a cana-de-açúcar se irradiou sem demora por todo o litoral brasileiro.

Ciclo do Açúcar

Implantação dos engenhos
O primeiro engenho de açúcar de que se tem notícia no Brasil foi instalado em São Paulo por volta de 1532. Três anos mais tarde já havia alguns outros funcionando em Pernambuco, onde iriam assumir extraordinária importância. Depois de 1550 começou a produção de açúcar na Bahia, cujos primeiros engenhos foram destruídos pelos índios. Na ilha de Itamaracá PE, em 1565, a produção já era florescente, e na década seguinte foram instalados os primeiros engenhos de Alagoas. Nessa mesma época, grande parte das várzeas e morros pouco a pouco ocupados pela cidade do Rio de Janeiro constituía um vastíssimo canavial que alimentava no mínimo 12 grandes engenhos.

No final do século XVI, o Brasil já se convertera no maior produtor e fornecedor mundial de açúcar, com um artigo de melhor qualidade que o procedente da Índia e uma produção anual estimada em seis mil toneladas, cerca de noventa por cento das quais eram exportadas para Portugal e distribuídas na Europa.

Ao açúcar fabricado no Brasil abriram-se mercados grandemente vantajosos. Sabe-se que antes de 1500 os europeus, em geral, só adoçavam seus alimentos e bebidas com um pouco de mel. Compreende-se assim que, ao revolucionar com o açúcar o sistema europeu de alimentação, o Brasil recém-descoberto tenha assegurado aos portugueses rendimentos mais regulares ou estáveis que as riquezas do Oriente. Também se compreende que a atenção dos portugueses, a princípio concentrada no Oriente, se voltasse para o Brasil. Por isso, as áreas brasileiras mais favoráveis ao cultivo da cana foram, quase de súbito, alteradas em sua configuração e paisagem pela presença de famílias patriarcais, vindas de Portugal com capitais suficientes para se estabelecerem feudalmente.

A escolha do produto tropical não fora casual. Contava a seu favor a experiência dos colonos portugueses com o cultivo da cana e a manufatura do açúcar na Madeira e outras ilhas do litoral africano. Da Madeira, de fato, a produção de açúcar passara ao arquipélago dos Açores, ao de Cabo Verde e à ilha de São Tomé. Essa experiência anterior teve enorme importância para a implantação de engenhos no Brasil, pois familiarizou os portugueses com os problemas técnicos ligados à lavoura da cana e ao fabrico do açúcar, motivando em Portugal, ao mesmo tempo, a invenção e o aperfeiçoamento de mecanismos para os engenhos.

A primeira grande inovação tecnológica na indústria brasileira do açúcar só iria ocorrer nos primeiros anos do século XVII. Nos melhores engenhos, a cana era até então espremida entre dois cilindros horizontais de madeira, movidos a tração animal ou por roda-d'água. Para uma segunda espremedura, com a qual se obtinha mais caldo, usavam-se também pilões, nós e monjolos. O novo tipo de engenho adotado compunha-se de três cilindros verticais muito justos, cabendo ao primeiro, movido por roda-d'água ou almanjarra, fazer girar os outros dois. Em caldeiras e tachos, o caldo era a seguir fervido para engrossar, posto em formas de barro e levado à casa de purgar para ser alvejado. A nova técnica se difundiu por todo o Brasil, com os engenhos mais eficientes substituindo os antigos.

Ciclo do Açúcar

Progressão das lavouras
Foi sobretudo nas zonas de clima quente do litoral do Nordeste e do Recôncavo baiano que os efeitos do plantio da cana se tornaram mais evidentes. Processou-se ali a primeira transformação mais extensiva da paisagem natural, com o desbravamento das matas e sua substituição por grandes canaviais que penetraram ao longo dos vales e subiram pelas encostas dos morros. Os cursos dos rios perenes favoreceram a atuação dos engenhos, como vias de escoamento da produção açucareira até os portos de embarque situados na costa.

Com o incremento da produção, multiplicaram-se os banguês e as grandes moradias rurais dos senhores da nova riqueza agrária. Para manter essa riqueza, instalou-se uma corrente contínua de transplantação de escravos africanos, alojados nas senzalas, símbolos de uma era tenebrosa da agricultura brasileira.

A princípio, as superfícies cultivadas com cana distribuíam-se em quinhões chamados "partidos", ora obtidos por compra, ora por ocupação desordenada. Plantavam-se ainda as "terras de sobejo", ou as que eram acrescentadas por fraude, nas medições, às áreas legalmente vendidas. Além dos escravos, com o tempo também lavradores livres passaram a trabalhar  em terras que pertenciam aos engenhos. Alguns mantinham seus canaviais em áreas arrendadas; outros plantavam não só cana, como ainda pequenas roças de subsistência, constituídas principalmente por milho, mandioca e feijão. Em geral, os lavradores livres serviam-se dos engenhos a que estavam agregados para fazer açúcar, em troca de uma parte da produção. Todos eles formavam, na verdade, uma clientela de importância vital, pois só com o concurso das lavouras subsidiárias ou dependentes muitos engenhos podiam manter-se em atividade ininterrupta durante os meses da safra.

Em sua grande maioria, os que se dedicavam às lavouras de subsistência vegetavam à sombra da tolerância dos senhores de engenho, que desse modo contavam com recursos para o abastecimento de suas próprias famílias. Sobre os vastos conjuntos de agregados os senhores exerciam uma autoridade que variava conforme o sistema de trabalho ou a forma de ocupação da terra. A condição do pessoal dos engenhos, por conseguinte, sujeitava-se a variações jurídicas, econômicas e sociais, escalonadas desde a dos negros escravos até a dos lavradores dos "partidos", que moíam "cana livre". Entre os dois extremos, situavam-se os lavradores livres como pessoas, contudo dependentes da propriedade senhorial das terras, que eram obrigados à moenda e cujas colheitas passaram significativamente a ser rotuladas como "cana cativa".

Aspectos sociológicos: a casa-grande. Com seu complexo esquema de funcionamento, o engenho de açúcar foi a forma de exploração agrária que melhor assumiu, no Brasil colonial, as características básicas da grande lavoura. Isso porque, além dos trabalhos de cultivo do solo, o engenho requeria toda uma série de operações exaustivas, com aparelhamento de obtenção difícil e mão-de-obra abundante.

Com seus vários prédios para moradia e instalações fabris -- a casa da moenda, a das fornalhas, a dos cobres e a de purgar, além de galpões para estocar o produto --, o engenho constituía um pequeno aglomerado humano: um núcleo de população. De início, ocupava apenas uma clareira na floresta, onde se amontoavam as construções de adobe e cal. Com a progressiva expansão das lavouras pelas áreas em torno, a clareira primordial se converteu não raro num esboço de aldeia, mas muitos dados sociológicos básicos já haviam sido definidos naquele mundo fechado sob o poder dos senhores.

A casa-grande, residência do senhor de engenho, assobradada ou térrea e sempre bem imponente, constituía o centro de irradiação de toda a atividade econômica e social da propriedade. A casa-grande se completava com a capela, onde as pessoas da comunidade, aos domingos e dias santificados, reuniam-se para as cerimônias religiosas. Próximo se erguia a senzala, habitação dos escravos, classificados como "peças", que se contavam às centenas nos maiores engenhos. Os rios, vias de escoamento do açúcar, eram também com frequência as únicas estradas de acesso: por eles vinham as toras que alimentavam as fornalhas do engenho e os gêneros e artigos manufaturados adquiridos alhures, como tecidos e louças, ferramentas e pregos, papel e tinta, barris de vinho ou de azeite.

A casa-grande, a senzala, a capela e as casas destinadas ao fabrico do açúcar definiam o quadrilátero que dava a um típico engenho sua conformação mais comum. Outras construções, em número variável, podiam servir de residência ao capelão, ao mestre de açúcar, aos feitores e aos poucos trabalhadores livres que se ligavam às atividades do engenho por seus ofícios, como barqueiros, carpinteiros, pedreiros, carreiros ou calafates.

Na maior parte do território brasileiro, ao que parece, predominaram os pequenos engenhos, com reduzido número de escravos e movidos pela força animal. Contudo, no final do século XVIII considerava-se indispensável um mínimo de quarenta escravos para que um engenho pudesse moer "redondamente" durante as 24 horas do dia. Na mesma época, grandes engenhos da capitania do Rio de Janeiro mantinham sob a chibata várias centenas de escravos, como o da Ordem de São Bento, que chegou a ter 432.

Reflexos culturais
Foi à sombra da civilização do açúcar, em meio ao estrago ecológico da derrubada de matas e à exploração da mão-de-obra servil, que começaram a desenvolver-se na América portuguesa a urbanização e a arquitetura, as tradições culinárias e o artesanato, a medicina e as ciências naturais. Tais artes e ciências surgiram como manifestações do sistema de cultura ibero-católico, ao qual coube a primazia no desenvolvimento da civilização brasileira.

Os benefícios da cultura foram porém notavelmente avigorados pela presença dos holandeses - e, em especial, do conde Maurício de Nassau - no Nordeste açucareiro do Brasil, durante o século XVII. Foi com os holandeses, atraídos para o Brasil porque as terras de massapê eram ideais para a cultura da cana e também porque Recife ficava numa posição econômica e comercial estratégica, que se realizaram os primeiros estudos sistemáticos da flora e da fauna tropicais; que se deu a um burgo, a própria Recife, um traçado científico para a conversão em cidade; que se realizaram as primeiras quermesses e outras recreações populares de sabor não ibérico, que se pintaram as primeiras paisagens e se fixaram em desenhos os tipos humanos, as habitações e os costumes da época; que se criaram condições para a convivência de três cultos, o católico-romano, o protestante e o judaico, sob as vistas liberais do poder; que se esboçaram formas de governo representativo, admitindo-se nessa representação elementos das populações dominadas pelos invasores.

Não consta que os holandeses tenham concorrido, de modo específico, para o aperfeiçoamento técnico da agricultura da cana e do fabrico do açúcar no Brasil. Sabe-se porém que foi em grande parte obra de sua ciência, depois de enriquecida pela experiência brasileira, o aperfeiçoamento do processo de refinar o açúcar. Esse progresso se realizou na França a partir de meados do século XVII, deixando em desvantagem comercial, desde o fim do mesmo século, o açúcar brasileiro pardo e mal refinado, o mascavo.

Ciclo do Açúcar

Êxodo e decadência
Com a reconquista das terras brasileiras de açúcar pelos portugueses e brasileiros -- brasileiros que parecem ter adquirido sua primeira "consciência de espécie" nas lutas contra o invasor holandês -- o Nordeste foi abandonado por grande parte dos judeus que, durante o século XVI e nos primeiros decênios do XVII, haviam contribuído para dar prestígio comercial ao açúcar brasileiro, colocando-o nos melhores mercados.

Muitos desses judeus deixaram Recife para instalarem-se em outras áreas da América tropical como animadores ou organizadores da agricultura da cana e da indústria do açúcar. Não raro, fizeram-se acompanhar de escravos peritos nessas especialidades. Alguns transferiram-se, entretanto, de Recife para a então Nova Amsterdam, depois Nova York, que teve assim, entre outros pioneiros israelitas de sua grandeza comercial, homens cuja primeira experiência americana se verificara em terras brasileiras de açúcar e em atividades ligadas ao desenvolvimento de uma civilização apoiada na agricultura da cana e no fabrico e exportação do muscovado.

No século XVIII o Brasil já havia perdido a liderança da produção açucareira, em face da concorrência de colônias francesas, inglesas e holandesas na América, como também das oscilações de preços no mercado mundial e da corrida em busca do ouro, que levou a um progressivo abandono das lavouras e engenhos. A fase de decadência, paralela ao crescimento de outros produtos de exportação, como o fumo, o algodão e sobretudo o café, prolongou-se até quase a independência. Por essa época, tentou-se revitalizar a agroindústria açucareira, com a introdução da máquina a vapor e aplicações da química e da física. Milhares de engenhos, os velhos banguês, espalhavam-se então pelo país, tentando resistir a concorrentes fortes que surgiam nas regiões mais adiantadas.

O primeiro engenho central, com matéria-prima vendida pelos agricultores para o processamento em instalações industriais já bem aperfeiçoadas, foi inaugurado na então província do Rio de Janeiro em 1878. Grandes engenhos, nessa fase, transformaram-se em usinas. Com o avanço da indústria, os banguezeiros, antes senhores absolutos da produção do açúcar, ficariam cada vez mais reduzidos a meros fornecedores de cana.

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Revolta da Vacina no Rio de Janeiro em 1904

Revolta da Vacina no Rio de Janeiro em 1904

Revolta da Vacina no Rio de Janeiro em 1904

A Revolta da Vacina foi uma das várias revoltas populares ocorridas no Brasil durante os primeiros anos da República.

Movimento popular ocorrido em 1904 no Rio de Janeiro contra a vacinação obrigatória determinada pelo governo, como medida de combate à varíola e à febre amarela na capital federal. No início do século XX, o Rio é a maior cidade do país. A falta de saneamento básico deixa os 720 mil habitantes vulneráveis a epidemias de febre amarela, varíola e outras doenças. A população pobre é a principal vítima da ineficiência da saúde pública.O presidente Rodrigues Alves investe pesadamente no saneamento do Distrito Federal. Apoia os planos do prefeito Pereira Passos para a reurbanização do centro da cidade e nomeia o médico sanitarista Osvaldo Cruz para chefiar o Departamento Nacional de Saúde Pública e conduzir a reforma sanitária. Sem entender o alcance e a eficácia das medidas, a população reage a elas. A remoção dos moradores dos cortiços e morros centrais para bairros distantes agrava a tensão social na capital. Cresce também a tensão política, envolvendo a votação da lei que torna obrigatória a vacinação contra a varíola. A lei é aprovada pelo Congresso Nacional em 31 de outubro de 1904. Em 5 de novembro, a oposição cria a Liga contra a Vacina Obrigatória, e, em 10 de novembro, começam os confrontos entre populares e forças policiais. No dia 14, os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha rebelam-se contra o governo federal, que ordena o bombardeio dos morros do bairro da Saúde, reduto da insurreição. Em 16 de novembro, Rodrigues Alves revoga a Lei da Vacina Obrigatória. No dia seguinte, a polícia ocupa o bairro da Saúde e, com o apoio do Exército e da Marinha, acaba com a revolta.
No início do século XX, o Rio de Janeiro, capital do Brasil, crescia em um ritmo frenético e de maneira desordenada, o que resultou no surgimento de favelas e na falta de infraestrutura adequada para suportar toda a população. Um exemplo disto era a ausência de saneamento básico em grande parte da cidade, fato que provocava a incidência de uma série de doenças, como febre amarela, peste bubônica e varíola.

Revolta da Vacina no Rio de Janeiro em 1904Com o intuito solucionar tais problemas, o presidente Rodrigues Alves deu total aval para o prefeito Pereira Passos e o sanitarista Oswaldo Cruz criarem um projeto de modernização do Rio de Janeiro. Com a execução do mesmo, várias favelas e cortiços foram demolidos do centro da cidade, dando lugar para grandes avenidas e jardins. Outra medida dentro do plano do governo era a vacinação obrigatória da população contra a varíola.

Embora esta fosse uma boa proposta, a forma autoritária com que os agentes sanitários vacinavam as pessoas (em alguns casos até invadiam as casas) e a falta de informação da população ocasionaram uma revolta. Os populares atacaram prédios públicos, queimaram veículos, assaltaram lojas e destruíram bondes.

A revolta levou o governo federal a conter a rebelião, colocando o Exército nas ruas, além da Marinha e da própria polícia. Após ter suspendido a campanha de vacinação, após o controle da situação, o governo novamente iniciou o processo.

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Invasões Francesas no Brasil Colônia

Invasões Francesas no Brasil Colônia

Invasões Francesas no Brasil Colônia
No século XVI, logo após o descobrimento pelos portugueses, os franceses tentam fundar colônias no Brasil. A França nega a validade do Tratado de Tordesilhas e defende o princípio do direito à posse da terra por quem a ocupasse. O governo francês apoia a atuação de corsários e piratas ao longo da costa brasileira e promove duas tentativas de fixação territorial.

Após a formação da União Ibérica, muitas nações que eram inimigas da Espanha passaram a atacar as colônias de Portugal com o pretexto de atingir os espanhóis indiretamente. Fora isso, o óbvio interesse econômico pelo pau-brasil levou muitos europeus a contrabandearem a preciosa madeira pelo litoral brasileiro.

Contudo, a política dos governos-gerais implantada por Portugal no Brasil dificultou a ação dos contrabandistas. Além disso, os franceses tinham planos mais ambiciosos para a colônia portuguesa do que simplesmente o contrabando. Não reconhecedores do Tratado de Tordesilhas, defendiam a ideia de que as terras brasileiras deveriam pertencer a quem as ocupassem primeiro.

Tais fatores resultaram na tentativa francesa de colonização de parte do litoral do Rio de Janeiro (1555) – a chamada França Antártica – e da costa do Maranhão (1612) – França Equinocial.

Invasões Francesas no Brasil ColôniaFrança Antártica – A primeira invasão ocorre em 1555, quando uma expedição comandada por Nicolau Durand de Villegaignon estabelece uma colônia na ilha de Serigipe (atual Villegaignon), na Baía de Guanabara. Chamada de França Antártica, é destinada a abrigar protestantes calvinistas fugidos das guerras religiosas na Europa, que procuram sobreviver com a agricultura de subsistência e o escambo do pau-brasil com os indígenas da região. Os franceses organizam um arraial, constroem um forte e resistem por mais de dez anos às investidas portuguesas. São desalojados apenas em 1565, quando as forças do governador-geral Mem de Sá e de seu sobrinho, Estácio de Sá, conseguem quebrar a aliança entre os estrangeiros e os índios com o auxílio dos jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta. Em seguida tomam posição na baía e fundam a cidade do Rio de Janeiro. Os franceses são expulsos em 1567.

A esquadra francesa que fundou a França Antártica foi comandada por Nicolas Durand de Villegagnon. Logo que chegaram à Baía de Guanabara, os franceses se aliaram aos índios tamoios e construíram o forte Coligny na ilha de Sergipe. A França Antártica ficou marcada pelas diferenças religiosas entre o protestantismo francês e os elementos católicos já existentes na região, um antagonismo que dominava a Europa na época. Os franceses foram expulsos da região somente em 1560, durante o governo-geral de Mem de Sá.

Francesas no Brasil Colônia

França Equinocial – A segunda tentativa de fixação territorial dos franceses no Brasil acontece no Maranhão, a partir de 1594. Depois de naufragar na costa maranhense, os aventureiros Jacques Riffault e Charles des Vaux estabelecem-se na região. Diante do lucro obtido com o escambo, conseguem o apoio do governo francês para a criação de uma colônia, a França Equinocial. Em 1612, uma expedição chefiada por Daniel de la Touche desembarca no Brasil centenas de colonos, constrói casas e igrejas e levanta o forte de São Luís, origem da cidade de São Luís do Maranhão. No ano seguinte, os franceses são atacados por forças portuguesas saídas de Pernambuco, sob o comando de Jerônimo de Albuquerque. Derrotados, os invasores deixam o Maranhão em 1615. Mesmo não conseguindo instalar-se no território brasileiro, os franceses não abandonam a costa do país. Até o século XVIII, piratas e corsários, com menor ou maior ajuda oficial, assediam e pilham constantemente povoados e engenhos. O alvo mais frequente é o litoral nordestino, mas atacam também cidades importantes, como a do Rio de Janeiro, invadida em 1710 e 1711 pelos corsários Du Clerc e Dugay-Trouen.

Já a ocupação do Maranhão se deu mais tarde, em 1612, quando uma expedição francesa chefiada por Daniel de La Touche partiu do porto de Cancale, na Bretanha. Os franceses construíram o forte de São Luís – atual capital do Maranhão – como uma homenagem ao rei Luís XIII. A ocupação francesa no litoral maranhense se findou em 1615, na Batalha de Guaxenduba.

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Construção da Identidade Brasileira

Construção da Identidade Brasileira

Construção da Identidade Brasileira
A Construção da Identidade Brasileira constituiu-se como um processo histórico, cultural e político desde a Independência do Brasil em 1822.

A identidade brasileira foi decorrente de um processo de construção histórica, como em diversos outros países. Apesar de ter se iniciado após a Independência, em 1822, o processo de constituição da identidade nacional ganhou um impulso maior após a década de 1930, quando Getúlio Vargas chegou ao poder. A partir disso, pôde-se perceber que a construção da identidade, para além de um processo cultural, era também um processo político.

Os esforços para se constituir a identidade brasileira, que também é chamada de brasilidade, estão ligados à necessidade de uma coesão social que acompanhe a existência de um Estado que administra todo o território nacional. Dessa forma, a manutenção de uma máquina administrativa comum a todo o território nacional foi um primeiro passo na construção da identidade.

Contribuiu ainda para a existência da identidade nacional o fato de a língua portuguesa ser comum a todo o território, apesar de suas particularidades regionais. A língua seria então um elemento no conjunto de elementos culturais comuns que são constitutivos da cultura nacional.

Durante o Primeiro Reinado e o Período Regencial, não houve grandes avanços na construção da identidade nacional, a não ser a formação de forças repressivas militares para garantir a ordem latifundiária e escravocrata em todo o território nacional. Os conflitos separatistas provinciais das décadas de 1830 e 1840 eram um obstáculo à integralidade territorial e também à coesão social do país recém-independente.

A forma com que esses conflitos foram reprimidos permite perceber que a violência repressiva do Estado contra conflitos sociais que pretendiam alterar a ordem vigente passou também a ser constitutiva da identidade nacional. A cultura da violência estatal permeou desde o início a formação da identidade nacional.

Ainda durante a Regência houve outros esforços nesse processo de construção identitária. A criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em 1838 foi o primeiro passo na tentativa estatal de refletir sobre temas que estariam relacionados à nação brasileira.

Anos depois, no âmbito da Literatura, o surgimento do Romantismo buscou também contribuir com a construção dessa identidade. As obras de José de Alencar foram um exemplo de aliar a imagem da nação brasileira às suas belezas naturais, como também a mitificação do indígena como componente principal da nação brasileira. Esse trabalho literário e cultural buscava criar uma interpretação genuinamente brasileira, afastada das influências estrangeiras.

Apesar dessas tentativas de unificação de elementos culturais do que seria a brasilidade, a grande extensão do território nacional e suas diferentes formas de ocupação resultaram em uma diversidade de manifestações culturais regionais. A Proclamação da República e o federalismo instituído na administração do Estado espelharam um fortalecimento de movimentos culturais regionais, principalmente os ligados à decadente aristocracia das regiões não afetadas pelo crescimento econômico de início do século XX. Um exemplo foi o Manifesto Regionalista de Gilberto Freyre, publicado em 1926.

Porém, ao mesmo tempo, houve esforços para a criação de símbolos culturais nacionais, como a mitificação da figura de Tiradentes como um herói libertador do Brasil. O Movimento Modernista da década 1920 buscava também encontrar as raízes da sociedade brasileira, afirmando o nacionalismo como um estágio para se chegar ao universal. Para alcançar essa pretensão, Mário de Andrade realizou uma extensa viagem pelo Brasil, pesquisando, compilando e estudando os elementos que faziam parte da cultura brasileira.

Um esforço nacional estatal para a difusão de uma cultura brasileira comum iria se fortalecer após a Revolução de 1930. A chegada de Getúlio Vargas ao poder representou um novo momento de centralização política, auxiliado pela criação de instituições que pretendiam uniformizar práticas administrativas, como o Ministério do Trabalho e a política de oferecimento de uma educação básica comum. Neste último caso, a padronização dos currículos escolares buscava veicular um conteúdo nacional via processo educativo institucional, levando ainda a uma erradicação dos traços culturais das minorias étnicas que não eram aceitos como componentes identitários.

Vargas utilizou também os novos meios de comunicação, principalmente o rádio, para difundir essa cultura nacional uniformizada. Passaram a ganhar contornos de representação cultural nacional o samba, o futebol e pratos culinários. No exterior, existiu também uma tentativa de criar uma imagem da cultura nacional, da qual Carmem Miranda é a principal expressão.

Entre as décadas de 1940 e 1960, a construção da identidade nacional passou a ser realizada levando em consideração a luta contra o que era considerado uma influência colonial, do que era vindo da Europa ou dos EUA. A partir da década de 1960, com a ditadura militar e sua centralização autoritária e repressiva, aliadas à difusão da televisão pelos domicílios, um novo momento de difusão de elementos culturais foi conhecido. As telenovelas passaram também a auxiliar na exposição de práticas sociais consideradas expoentes da brasilidade.

Só que a partir desse período, a entrada cada vez maior do capital estrangeiro na economia e a apresentação de um ideal de modo de vida cada vez mais próximo do estadunidense influenciaram o processo contínuo de formação da identidade nacional, momento ainda vivenciado no século XXI.

Constituição Federal de 1988

Constituição Federal de 1988

Constituição Federal de 1988A Constituição Federal de 1988 foi promulgada no dia 5 de outubro de 1988 a nova Constituição Federal, com uma abordagem o tanto quanto democrática em relação as demais constituições. Essa democracia é evidenciada, pois teve a colaboração e participação do povo, por meio de abaixo-assinados, liderados pelos sindicatos de classe, entidades religiosas e demais segmentos da sociedade. 

Na nova constituição, a classe trabalhadora adquiriu vários direitos, como de licença maternidade para 120 dias, licença partenidade de 5 dias, redução da jornada de trabalho de 48 horas semanais para 44 horas , além de direito à greve, liberdade sindical, abono de férias de um terço do salário e o 13o salário para os aposentados. 

Foram realizadas mudanças para a consolidação da democracia como o direito de voto aos analfabetos e facultativo aos jovens com idade entre 16 e 18 anos, as eleições que antes eram de apenas um turno com a nova constituição passa a ser de dois, para os candidatos ao cargo de presidente, governador e prefeito, no caso de prefeito ocorre segundo turno somente nas cidades que possuem mais de 200 mil eleitores, quando ocorrer de um dos candidatos alcançar 50% dos votos, e o mandato do presidente sofreu uma redução de 5 para 4 anos. 

Entre outras alterações ficou definido o fim da censura familiar, com a implantação do divórcio e a inserção dos direitos da criança e adolescente. A prática do racismo antes tratada com displicência torna-se crime inafiançável com reclusão, os índios foram reconhecidos como cultura, e o governo ficou incumbido de definir as terras reservadas a eles, além de garantir a sua proteção e de suas riquezas.