Caminhos no Gelo | Werner Herzog

Caminhos no Gelo | Werner Herzog

Caminhos no Gelo | Werner Herzog"Pernoite num palheiro, atrás de Volkertsheim. Embora ainda fossem quatro e meia, resolvi ficar ali, pois não havia nada mais no horizonte. Que noite! A tempestade era tão violenta, que sacudia todo o barracão, apesar de solidamente construído. A chuva e a neve espirravam pelo topo do telhado, e eu me enterrei na palha. Uma hora acordei com um bicho dormindo na minha perna. Quando me mexi, ele ficou ainda mais assustado do que eu. Acho que era um gato. Não me lembro de algum dia ter presenciado tempestade tão brutal. Manhã negra, de sombras. Só depois de uma grande desgraça, de uma grande epidemia pode nascer uma manhã assim tão escura e fria nos campos. 

A cabana por fora, no lado mais exposto ao vento, ficou soterrada na neve. Nos campos, negro profundo com linhas brancas de neve. A tempestade foi tão forte, que os flocos não caíram dentro dos sulcos do arado. Nuvens espessas sucedem-se. Até os morros baixos, com uns cem metros de altura, estão brancos de neve. As perdizes só se distinguem da paisagem quando levantam vôo. Francamente, nunca na minha vida vi tamanha escuridão. Nas placas de sinalização formou-se uma camada de neve, que agora já deslizou um pouco, mas permanece grudada. Perto de Rottenacker, alcancei o Danúbio. A ponte me pareceu tão pitoresca, que fiquei ali muito tempo, olhando a água correr. Um cisne de manchas cinza lutava contra a corrente sem sair do lugar, pois não conseguia nadar mais rápido do que ela."

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