Cândido | Voltaire

Cândido | Voltaire

Cândido | Voltaire"O preceptor Pangloss era o oráculo da casa, e o pequeno Cândido escutava suas lições com toda a boa fé da idade e do caráter.Pangloss ensinava a metafísico-teólogo-cosmolonigologia. Provava admiravelmente que não há efeito sem causa, e que, neste melhor dos mundos possíveis, o castelo de monsenhor barão era o mais belo dos castelos, e a senhora baronesa, a melhor das baronesas possíveis.

– Está demonstrado – dizia ele – que as coisas não podem ser de outra maneira: pois, tendo tudo sido feito com um fim, tudo existe necessariamente para o melhor fim. Observem bem que os narizes foram feitos para segurar óculos, de maneira que temos óculos. As pernas visivelmente foram instituídas para serem calçadas, e nós temos calças. As pedras foram formadas para serem talhadas, e para se construírem castelos com elas, de maneira que monsenhor tem um belíssimo castelo; o maior barão da província deve ter a melhor moradia; e, sendo os porcos feitos para serem comidos, comemos porco o ano inteiro: por conseguinte, aqueles que se arriscaram a dizer que tudo está bem disseram uma tolice; era preciso dizer que tudo está o melhor possível. Cândido escutava com atenção e inocentemente acreditava; pois achava a senhorita Cunegundes extremamente bela, embora jamais tivesse tido a ousadia de dizer isso a ela. Concluía que depois da felicidade de ter nascido barão de Thunder-ten-tronckh, o segundo degrau da felicidade era ser a senhorita Cunegundes; o terceiro, vê-la todos os dias; e o quarto, ouvir mestre Pangloss, o maior filósofo da província e, por conseguinte, de toda a terra."

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