Memorando ao Marquês de Olinda ao Marquês de Olinda por João Caetano

Memorando ao Marquês de Olinda ao Marquês de Olinda por João Caetano

Memorando ao Marquês de Olinda ao Marquês de Olinda por João CaetanoMemorando ao Marquês de Olinda, Memorando dirigido ao Marquês de Olinda por João Caetano, no qual defende a criação de um Teatro Nacional


"Ilmº e Exmº Sr. Marquês de Olinda.

Depois que o Brasil foi elevado à categoria de império, todas as artes têm, mais ou menos, atingido a um certo grau de perfeição: não obstante, a arte dramática jaz ainda em completo esquecimento e abandono, e concludentemente sem progresso o teatro nacional. É forçoso convir que este estado de decadência é devido, sem a menor dúvida, à falta de uma escola, porque está provado que sem alicerces se não levantam edifícios.

Os atores que até hoje têm pisado a cena brasileira têm sido, sem exceção de um só, atores de inspiração, e portanto sem método, sem conhecimentos teóricos da arte, sem escola enfim! Partindo deste ponto, era impossível esperar que pessoas ignorantes muitas vezes até dos mais comezinhos rudimentos da arte pudessem por si ilustrá-la, trabalhando sem gosto e encarando a cena mais como um meio de subsistência do que como incentivo de glória, que desenvolve o talento e convida ao estudo.

Para se ter conhecimento teórico da arte tornam-se necessárias muitas coisas: é preciso ler e estudar os diversos autores que sobre ela têm escrito; mas como primeira dificuldade, apresenta-se em quase todos a falta de conhecimento da língua francesa, idioma em que estão escritas todas as excelentes obras cuja leitura tanto lhes aproveitaria.

Debaixo de tais condições, nunca o teatro nacional poderá igualar-se aos teatros estrangeiros, e continuará a vegetar, arrastando consigo a indiferença a que chegou e a que se acha reduzido; ele reclama portanto uma reforma pronta e decidida. Há muito que eu conheço a palpitante necessidade dessa reforma, bem como, por experiência própria e de longa data, quão difíceis são de vencer esses defeitos e prejuízos por uma empresa particular, pelo que me parece que enquanto o teatro nacional e a sua escola não tiverem o caráter oficial, nada poderá fazer-se, não progredindo nem atingindo nunca ao grau de perfeição a que hão chegado os teatros europeus."


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