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A Pequena Lizzy | Thomas Mann

A Pequena Lizzy | Thomas Mann

A Pequena Lizzy | Thomas MannTítulo: A Pequena Lizzy
Autor: Thomas Mann
Arquivo: PDF
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Há casamentos que a imaginação, mesmo a do literato com imensa prática, não pode conceber. É preciso aceitá-los, como se faz no teatro, quando vemos o velho caquético casando com a bela, de acordo com as premissas sobre as quais a farsa é mecanicamente construída.

Sim, a esposa de Jacoby, o advogado, era bonita e nova, uma mulher de encanto fora do vulgar. Alguns anos atrás - poderemos aventar trinta? - tinha sido baptizada com os nomes de Anna, Margarete, Rosa, Amalie; mas o nome por que ela se dava era Amra, formado pelas iniciais dos seus quatro nomes; e caía-lhe à perfeição como algo duma personalidade exótica. O seu cabelo, fértil e macio, que ela usava separado para um dos lados e que deixava cair para trás sobre as orelhas, desde as fontes, tinha um tom castanho brilhante; mas a sua pele ostentava a triste, escura palidez do sul, e vestia uma forma que os sois meridionais deviam ter sazonado.

A sua lenta, voluptuosa e indolente presença sugeria o harém; cada movimento, sensual, preguiçoso, do seu corpo reforçava a sensação de que o seu cérebro estava inteiramente subordinado ao coração. Bastava que ela olhasse para alguém uma vez, com os seus olhos castanhos, sem artifícios, erguendo as sobrancelhas horizontalmente, numa testa pateticamente estreita, no jeito delicado que ela tinha, para que se ficasse com a certeza disso.

Mas ela não era tão simples para não o notar. Muito simplesmente, evitava expor-se, falava raramente e pouco - e que há a dizer contra uma mulher que é, ao mesmo tempo, bela e silenciosa? Sim, a palavra «simples» é talvez a última que lhe seria aplicada. O seu olhar não tinha artifícios; mas também isso tinha uma espécie de luxuriosa astúcia - podia ver-se que ela não era triste, que podia até ser uma entreguista. Em perfil, o seu nariz era excessivamente grosso; mas a sua boca grande, carnuda, era encantadora, na falta de outra expressão a não ser a de sensual.

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