Fundamentalismo Religioso


Fundamentalismo Religioso

Fundamentalismo ReligiosoConjunto de ideologias que veem nos fundamentos da religião a base para a organização da vida social e política. Essa postura se contrapõe à perspectiva secular adotada no Ocidente, particularmente depois da Revolução Francesa, na qual o Estado e a religião pertencem a esferas distintas. A expressão surge neste século com algumas seitas protestantes que pretendem defender e conservar os elementos "fundamentais" da fé cristã por meio da interpretação literal da Bíblia. Ao longo da história, tendências fundamentalistas surgem em várias religiões, como no islamismo, no hinduísmo e no judaísmo.

Fundamentalismo islâmico – Manifesta-se em movimentos empenhados na criação de sociedades regidas pelo Alcorão, livro sagrado do islamismo, e contrários aos modelos políticos e filosóficos ocidentais (como a separação entre Estado e religião, a democracia e o individualismo). O fundamentalismo propaga-se entre os muçulmanos especialmente após a Revolução Islâmica no Irã que instala no país um Estado teocrático, conduzido pelo líder xiita Aiatolá Khomeini Também se destaca a atuação do grupo extremista Gammaat-i-Islami, no Egito responsável por atentados terroristas sobretudo contra turistas estrangeiros em visita ao país; da Frente Islâmica de Salvação (FIS) e do Grupo Islâmico Armado (GIA), que desde 1992 vêm promovendo uma série de atentados e massacres na Argélia da milícia xiita libanesa Hezbollah, diretamente envolvida no combate a tropas israelenses instaladas no sul do Líbano; do Hamas, nos territórios ocupados por Israel, contrário ao acordo de paz entre palestinos e israelenses; e da milícia Taliban, que controla a maior parte do território do Afeganistão desde 1996 e vem implantando rígidas leis islâmicas nas regiões sob seu domínio.

Atualmente o grupo fundamentalista mais perigoso é o Estado Islâmico (ISIS) ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS) é uma organização jihadista no Oriente Médio. O grupo é conhecido em árabe como ad-Dawlat al-Islāmiyah fī al-ʿIrāq wa sh-Shām, levando ao acrônimo árabe Da'ish ou Daesh. Um califado foi proclamado em 29 de junho de 2014, Abu Bakr al-Baghdadi foi nomeado como seu califa e o grupo passou a se chamar Estado Islâmico (em árabe: الدولة الإسلامية, ad-Dawlat al-Islāmiyah), mas não foi reconhecido pela comunidade internacional. O ISIS afirma autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos do mundo e aspira tomar o controle de muitas outras regiões de maioria islâmica, a começar pelo território da região do Levante, que inclui Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre e Hatay, uma área no sul da Turquia. No dia 13 de novembro de 2015 o ISIS promoveu o maior atentado terrorista em Paris, na França, causando a morte de mais de 130 pessoas.

Fundamentalismo hindu – A intolerância religiosa dos extremistas hindus na Índia ameaça o ideal de um Estado secular e pluralista, defendido na independência e incorporado à sua Constituição. O ódio desses grupos – notadamente a organização Shiv Sena e o Partido Bharatiya Janata (BJP) – para com os demais segmentos religiosos do país, principalmente os muçulmanos, dá origem a uma série de confrontos. O mais grave deles acontece em 1992, quando fanáticos hindus invadem a cidade de Ayodhya e destroem a mesquita Babri Masjid, deflagrando uma onda de violência que causa mais de 2 mil mortes. O BJP torna-se a força política de maior importância do país nas eleições legislativas de 1998 e de 1999, e o líder do partido, Bihari Vajpayee, assume a chefia do governo indiano. A realização de cinco testes nucleares subterrâneos nos meses seguintes à sua posse é vista como uma demonstração do nacionalismo hindu.

Fundamentalismo judaico – Está associado a facções religiosas radicais em Israel, como o Eyal (Força Judaica Combatente) e o Kahane Vive. Esses movimentos condenam o acordo de paz entre palestinos e israelenses, que prevê a devolução dos territórios conquistados por Israel na Guerra dos Seis Dias. Para eles, a entrega de terras bíblicas, como Hebron, Jericó e Nablus, na Cisjordânia, é uma afronta à vontade de Deus. Ela contraria a aspiração judaica do retorno a uma Grande Israel, similar aos tempos do rei Davi, que por volta de 1000 a.C. pacifica a região e transforma Jerusalém em centro religioso. A efervescência dessas idéias leva ao assassinato, em 1995, do primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, mentor do acordo de paz ao lado de Yasser Arafat. O culpado, Yigal Amir, membro do Eyal, justifica sua atitude afirmando que Rabin era um traidor do ideal judaico por devolver regiões ocupadas aos palestinos.

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