Minas Gerais, Aspectos Gerais de Minas Gerais

Minas Gerais, Aspectos Geográficos e Socioeconômicos de Minas Gerais

MINAS GERAIS, ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIOECONÔMICOS DE MINAS GERAISGeografia – Área: 586.528,3 km². Relevo: planaltos com escarpas e depressão no centro. Ponto mais elevado: pico da Bandeira, na serra do Caparaó (2.889,8 m). Rios principais: das Velhas, Doce, Grande, Jequitinhonha, Mucuri, Paracatu, Paranaíba, Pardo, São Francisco. Vegetação: floresta tropical, a maior parte com faixa de cerrado a nordeste. Clima: tropical. Municípios mais populosos: Belo Horizonte (2.900.500), Contagem (670.380), Uberlândia (625.040), Juiz de Fora (550.120), Betim (410.300), Montes Claros (380.100), Ribeirão das Neves (332.680), Uberaba (310.900), Governador Valadares (290.650), Ipatinga (246.130) (2016). Hora local: a mesma. Habitante: mineiro.

População – 21.100.000 (2016).

Capital – Belo Horizonte. Habitante: belo-horizontino. População: 2.900.500 (2016).

Maior estado do Sudeste e principal produtor de café e de leite do país, Minas Gerais (MG) expande, nos últimos anos, sua indústria, que suplanta a do Rio de Janeiro. Atualmente, fica atrás apenas de São Paulo nesse setor. Quase todo o território do estado se localiza em planaltos, com uma paisagem marcada por montanhas, vales e grutas. Sua principal atração turística é o patrimônio de arquitetura e arte colonial conservado em cidades históricas, como Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, Sabará, São João del Rey e Diamantina, que prosperaram em virtude da extração de ouro no século XVIII. Em 1999, Diamantina é a segunda cidade mineira declarada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como patrimônio histórico da humanidade. A primeira, Ouro Preto, recebeu o título em 1980. Nessa cidade fica o mais completo e bem conservado conjunto de obras de Aleijadinho, considerado o mais importante escultor brasileiro do período barroco. No entanto, a ocupação desordenada e uma série de incêndios em construções centenárias vêm degradando as cidades históricas. A culinária de Minas tem origem na cozinha dos tropeiros, baseada na carne de porco servida com feijão, couve, quiabo, milho ou mandioca.

Belo Horizonte, Capital de minas Gerais
Belo Horizonte, Capital de minas Gerais
Economia – A participação de Minas Gerais no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é de 9,7%. Sua economia diversificada tem como destaque a extração de minério de ferro, as plantações de café e a produção de veículos. A presença de montadoras de automóveis – Fiat, Mercedes-Benz, Iveco – atrai empresas de autopeças. Em razão disso, a indústria responde por 48,3% do PIB mineiro. Maior produtor brasileiro de minério de ferro, o estado explora ainda ouro e zinco. As importações mais significativas são de minerais não ferrosos, veículos e peças, carvão, fertilizantes e petroquímicos. Minas mantém também a liderança nacional na agropecuária, atividade que ocupa quase 70% de sua área e se concentra sobretudo no sul, no sudeste e no Triângulo Mineiro. O estado abriga, ainda, o terceiro rebanho bovino do Brasil, depois de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. E é responsável por metade da safra brasileira de café, além de ser um dos maiores produtores de feijão e de milho. O setor de biotecnologia é um dos que mais crescem. As 75 empresas localizadas no estado faturam 550 milhões de reais por ano, com destaque para o pólo de biotecnologia da região metropolitana de Belo Horizonte, o maior da América Latina.

Índices sociais – Minas Gerais ainda não conseguiu resolver o desequilíbrio social e econômico entre suas regiões. O sul concentra as indústrias e grande parte da atividade agrícola e apresenta indicadores sociais próximos aos do estado de São Paulo. Castigado pela seca, o norte é uma das áreas mais pobres do país, com precária rede de esgoto, alta taxa de mortalidade infantil e de analfabetos e baixa produtividade econômica. A renda per capita média do estado é de 12.780 reais e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de 0,798, equivalente ao de Mato Grosso do Sul.

Mapa de Minas GeraisHistória do Estado de Minas Gerais

As Minas Gerais começam a integrar-se à vida colonial no fim do século XVII, quando os bandeirantes paulistas descobrem as primeiras jazidas de ouro. Em pouco tempo, a região atrai grande número de portugueses, que, com seus escravos africanos, buscam lavras de ouro e diamante. À medida que cresce a produção, aumenta a fiscalização por parte da Coroa. Despontam conflitos pelo direito de exploração das minas, como a Guerra dos Emboabas – em que mineradores paulistas se opõem a comerciantes portugueses e a brasileiros de outras regiões –, e a Revolta de Vila Rica, cuja origem é a mesma da Inconfidência Mineira: uma reação à política fiscal de Portugal. Em meados do século XVIII, a mineração está no auge, e a sociedade mineira vive o esplendor do barroco. Logo depois começa o declínio, provocado pelo esgotamento dos veios e pela pesada tributação. Em 1789, a capitania deve à Coroa perto de 6 toneladas de ouro em quintos (impostos) atrasados. A cobrança excessiva de impostos alimenta movimentos favoráveis à independência, como a Inconfidência Mineira, na qual se destaca a figura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Após a independência, Minas começa a recuperar-se, graças à expansão cafeeira, sobretudo no sudoeste e próximo ao Vale do Paraíba. A província participa ativamente da vida política do Império. Com Rio de Janeiro e São Paulo, forma a base de apoio do governo imperial contra as revoltas provinciais durante a Regência. Na República, integra a política do café-com-leite, uma aliança em que as oligarquias paulista e mineira se revezam na Presidência. Quando São Paulo rompe o acordo, pressionado pela crise do café, Minas reage e, com o Rio Grande do Sul e estados do Nordeste, promove a Revolução de 1930, que põe fim à República Velha.

Participação política – Sempre dividida entre dois partidos tradicionais – Liberal e Conservador, no Império, Partido Social Democrático (PSD) e União Democrática Nacional (UDN), na República –, a elite do estado continua a intervir fortemente na vida política do Brasil. Há o Manifesto dos Mineiros, de 1943, contra o Estado Novo, a eleição de Juscelino Kubitschek para a Presidência da República, em 1955, e o apoio ao golpe militar de 1964. Até a década de 1960, porém, Minas Gerais permanece num plano secundário em relação ao desenvolvimento industrial do país, como grande fornecedora de insumos, caso do minério de ferro e dos produtos agrícolas. A partir dos anos 1970, com os incentivos fiscais dos governos federal e estadual, Minas amplia e diversifica sua base industrial, sobretudo nos setores têxtil, químico, siderúrgico, mecânico-metalúrgico e agroindustrial. É criado também um pólo automobilístico na região metropolitana de Belo Horizonte.

Zona da Mata de Minas Gerais Zona da Mata de Minas Gerais

A Zona da Mata é uma mesorregião administrativa ao sudeste do estado de Minas Gerais, Brasil, caracterizada pela existência, originalmente, de vastas quantidades de mata atlântica nativa e relevo rugoso com altos morros. Faz divisa com os estados de Rio de Janeiro e Espírito Santo.

A Zona da Mata é subdividida nas seguintes Microrregiões: Ponte Nova, Manhuaçu, Viçosa, Muriaé, Ubá, Juiz de Fora e Cataguases.

A maior cidade da Zona da Mata é Juiz de Fora. Várias outras cidades pequenas do interior de Minas Gerais também fazem parte dela, como Bicas, Guarará, Mar de Espanha, Maripá, Pequeri, Cataguases, Ubá, Guarani, Visconde do Rio Branco, Muriaé, Viçosa, Ponte Nova, Lajinha, Coimbra, Carangola e muitas outras.

AraguariAraguari

O município de Araguari MG localiza-se na zona do Alto Parnaíba e faz divisa com o sul de Goiás. Com uma altitude de 922m, situa-se a 571km de Belo Horizonte e 41km de Uberlândia.

Uma das cidades de destaque no chamado Triângulo Mineiro, Araguari tem na pecuária sua principal atividade econômica.

O núcleo residencial da cidade foi fundado em princípios do século XIX pelo comissário de sesmarias na região do Triângulo Mineiro, Antônio Resende da Costa, o "Major do Córrego Fundo". Depois de demarcar na área várias sesmarias, tomou posse do terreno de sobra entre elas e mais tarde o transferiu para a Igreja, que em 3 de abril de 1840 ali criou a paróquia do Senhor Bom Jesus da Cana Verde. Com o nome de Brejo Alegre, a vila foi instalada em 31 de março de 1884 e elevada à categoria de cidade em 28 de agosto de 1888.

Além da pecuária, Araguari é centro industrial (adubos, frigoríficos, laticínios, sucos) e agrícola, produzindo café, maracujá, soja e tomate. 
Araxá

Araxá

Araxá situa-se no oeste do estado de Minas Gerais MG, a 970m de altitude e com temperatura máxima de 27o C. O município, que ocupa uma área de 1.283km2, fica a 374km de Belo Horizonte e foi urbanizado no governo de Benedito Valadares (1933-1945).

A estância hidromineral de Araxá é famosa por suas águas sulfurosas e por um depósito de lama preta radioativa que a fazem ser comparada a Bad Gastein, na Áustria, e a Piestany, na República Eslovaca.

A fundação da cidade data de 1788. A princípio pertencia à capitania de Goiás, mas o rapto de D. Beija, personagem da história e da lenda locais, provocou questões jurídicas que terminaram por determinar o desmembramento de todo o Triângulo Mineiro e sua anexação a Minas (1816).

Embora a importância maior da cidade decorra de sua função balneária, graças a suas fontes de lama medicinal, vegetomineral e de águas minerais e termais, o município destaca-se também como produtor de fosfato, matéria-prima para fertilizantes. Há ainda extração de nióbio, apatita e pirocloro. 

Alberto Santos DumontAlberto Santos Dumont

Alberto Santos-Dumont nasceu em 20 de julho de 1873 na fazenda de Cabangu, perto de Palmira, hoje Santos-Dumont MG. Desde criança revelou inclinação para a mecânica. Seu pai, Henrique Dumont, engenheiro e próspero fazendeiro de café, mandou-o estudar física, química, mecânica e eletricidade em Paris, onde dizia que "repousa o futuro do mundo".

Pioneiro da navegação aérea com veículos mais pesados que o ar, Santos-Dumont desenvolveu os balões dirigíveis e realizou o primeiro vôo público com um avião capaz de decolar e pousar com seus próprios meios, sem o auxílio de catapultas.

Dirigíveis. Em 1897, Santos-Dumont realizou seu primeiro vôo num balão, em Paris, e decidiu tornar-se aeronauta. Fez construir seu primeiro balão, a que ele próprio classificou como "o menor, o mais lindo, o único que teve um nome: Brasil". Nele começou a exercitar sua criatividade. O balão apresentava um volume abaixo da média e, com suas pequenas proporções, oferecia um problema técnico, o de manutenção da estabilidade. Para resolver essa dificuldade, Santos-Dumont alterou-lhe o centro de gravidade, mediante o alongamento das cordas de suspensão da barquinha destinada ao tripulante. O inventor também utilizou pela primeira vez a seda japonesa, o que tornou o engenho mais leve e permitiu que suportasse maior tensão. O Brasil foi pilotado em 4 de julho de 1898, no Jardim da Aclimação, em Paris.

Foi nessa época que Santos-Dumont decidiu tentar a utilização de um motor a gasolina em aeróstatos, o que representaria um grande passo para solucionar o problema de sua dirigibilidade. Em 18 de setembro de 1898, ele decolou do Jardim da Aclimação com seu dirigível nº 1. Semelhante a um charuto -- com 25m de comprimento, 3,5m de diâmetro e volume de 180m3 --, era impulsionado por um motor a gasolina de 3,5 HP e 30kg. Dois acidentes marcaram as experiências com o nº 1, mas graças a ele ficou demonstrada a dirigibilidade dos balões.

Em 11 de maio de 1899 Santos-Dumont voou pela primeira vez com o balão nº 2, que só diferia do anterior pela potência maior, mas o vôo não deu bom resultado devido ao mau tempo. O balão nº 3 foi construído no mesmo ano, quando o inventor empregou pela primeira vez o gás de iluminação em lugar do hidrogênio, mais caro. Esse aparelho era de formato diferente, mais afilado nas pontas e, para abrigá-lo, Santos-Dumont construiu um hangar especial, o primeiro do mundo. No balão nº 4, o piloto sentava-se numa sela de bicicleta, de onde dirigia e controlava o motor, o leme de direção e as torneiras do lastro, o qual, em vez de areia, compunha-se de 54 litros de água, guardados em dois reservatórios. Esse balão subiu com sucesso em 1º de agosto de 1900, quando se realizavam em Paris a Grande Exposição e o Congresso Internacional de Aeronáutica.

O balão nº 5 apresentou como novidade um motor de 16 HP, ao qual se adaptava uma formação triangular de pinho, com 41kg e fabricada pelo próprio aeronauta. O balão, no entanto, chocou-se com um prédio de Paris e Santos-Dumont ficou pendurado a vinte metros de altura, mas saiu ileso. O nº 6 deu a Santos-Dumont, em 19 de outubro de 1901, o Prêmio Deutsch de la Meurthe, instituído por um magnata do petróleo para agraciar o piloto do primeiro balão dirigível ou aeronave de qualquer natureza que, de 1900 a 1904, se elevasse do solo e, sem tocar a terra e por seus próprios meios, contornasse a torre Eiffel e voltasse ao ponto de partida, o campo de aerostação de Saint-Cloud, no tempo máximo de trinta minutos.

Vôos mecânicos. Em 1903, Santos-Dumont esteve no Brasil e recebeu verdadeira consagração. Regressou logo depois a Paris e construiu outros balões. Nessa ocasião procurava um motor a explosão que pudesse ser empregado no tipo de aeroplano que já projetava, pois sua preocupação agora era conquistar o espaço com um aparelho mais pesado que o ar. Em 1905, voou com o balão nº 14, cuja única inovação foi a de ter sido presa ao balão a primeira máquina que se ergueria do solo por seus próprios meios.

O primeiro vôo mecânico do mundo foi realizado por Santos-Dumont com o 14-bis, em 23 de outubro de 1906, no campo de Bagatelle. O aeroplano voou sessenta metros a uma altura entre dois e três metros. Um novo vôo ocorreu em 12 de novembro de 1906, quando o aeronauta brasileiro conseguiu percorrer duzentos metros, a seis metros de altura. Com o 14-bis, Santos-Dumont ganhou a taça Ernest Archdeacon, instituída para o primeiro aeroplano que com seus próprios meios se elevasse a mais de 25m, e o prêmio do Aeroclube da França, para o primeiro avião que fizesse um percurso de cem metros.

Após o 14-bis, Santos-Dumont se destacou com o nº 18, em 1907, que era chamado hydro-glisseur, com deslizador aquático, e que foi o precursor do hidroavião. Entre 1907 e 1909 o inventor aperfeiçoou o aparelho Demoiselle ou Libellule, que recebeu esse nome dos franceses para designar sua transparência e pequenez, pois o modelo era feito com bambu e seda e pesava, com o aviador, 110kg. A hélice do monoplano Demoiselle era instalada no "nariz" do aparelho, na cauda ficavam os lemes de direção e de profundidade e desenvolvia noventa quilômetros por hora com um motor de 30 HP. Desse aparelho, padrão de quase todos os aviões posteriores, Santos-Dumont construiu quatro modelos, de números 19 a 22.

Primeiro a obter as cartas de piloto de balão dirigível, biplano e monoplano, Santos-Dumont bateu novo recorde, em 3 de outubro de 1909, ao voar uma distância de oito quilômetros em cinco minutos, a uma velocidade aproximada de 96km/h. Foi seu último vôo como piloto.

Declínio. A partir de 1909, a saúde de Santos-Dumont começou a declinar. O uso do avião como arma de guerra durante a primeira guerra mundial perturbou-o particularmente. Períodos de grande depressão obrigaram-no a viagens e estações de repouso. Em 1931, de regresso ao Brasil, passou a residir em Petrópolis RJ, numa casa, a "Encantada", que projetou e é hoje o Museu Santos-Dumont. Autor de várias invenções no domínio da mecânica, além das relacionadas com a aeronáutica, Santos-Dumont foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1931, mas seu estado de saúde o obrigou a declinar da honraria.

Ao saber do emprego de aviões na revolução constitucionalista de 1932, Santos-Dumont foi tomado de forte depressão e, em 23 de julho de 1932, suicidou-se em Guarujá SP. O aeronauta recebeu o título de marechal-do-ar e, por decreto de 19 de outubro de 1971, foi proclamado patrono da Força Aérea Brasileira. Escreveu três livros: A conquista do ar (1901), Os meus balões (1904) e O que eu vi, o que nós veremos (1918).

Alfredo CeschiattiAlfredo Ceschiatti

Alfredo Ceschiatti nasceu em Belo Horizonte (MG) em 1º de setembro de 1918. Viajou à Europa (1938), onde se deteve em especial na Itália, antes de se consagrar à escultura. Estudou depois (1940) na Escola Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro RJ. A partir de 1943, ganhou diversas medalhas na divisão moderna do Salão Nacional de Belas-Artes, que o contemplou (1945) com o prêmio de viagem ao exterior, pelo baixo-relevo do batistério da igreja de São Francisco de Assis na Pampulha, em Belo Horizonte.

Sempre fiel à expressão plástica decorativa, Ceschiatti ficou mais conhecido como criador de obras para decoração de prédios projetados por Oscar Niemeyer, de quem foi constante colaborador.

Data dessa época o início de sua colaboração com Niemeyer, de que logo decorreu uma encomenda para o conjunto residencial Hansa, em Berlim, bem como várias outras, para Brasília: "As banhistas", em bronze, no espelho d,água do palácio da Alvorada; "A Justiça", em granito, em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal; "Os anjos" e "Os evangelistas", na catedral. Ceschiatti é também autor do grupo "As gêmeas", em bronze, na cobertura do palácio Itamarati. No Rio de Janeiro, fez as figuras que representam as forças armadas no monumento aos mortos da segunda guerra mundial. Entre 1963 e 1965 ensinou escultura e desenho na Universidade de Brasília.

Ceschiatti morreu no Rio de Janeiro em 26 de agosto de 1989.

Alípio de Miranda RibeiroAlípio de Miranda Ribeiro

Alípio de Miranda Ribeiro nasceu em Rio Preto MG, em 1874. Aos vinte anos ingressou no Museu Nacional, no Rio de Janeiro RJ. Três anos depois, foi nomeado naturalista-auxiliar da instituição, onde exerceu ainda os cargos de secretário, professor e chefe da divisão de zoologia. Participou da comissão Rondon e acompanhou sua primeira expedição, de 1908 a 1910, quando realizou valiosas observações e coleta de material.

O zoólogo Miranda Ribeiro escreveu mais de 150 obras sobre vertebrados e invertebrados da fauna brasileira, além de outros títulos sobre peixes, répteis, pássaros e mamíferos.

Contribuiu decisivamente para a criação do primeiro serviço oceanográfico da América do Sul, a Inspetoria de Pesca, que inaugurou em 1911. No período de um ano e meio em que dirigiu a instituição, ali estabeleceu um museu de pesca, uma rica biblioteca especializada, seções técnicas de pesquisa e um navio oceanográfico, o José Bonifácio. Foi membro fundador da Sociedade Brasileira de Ciências e produziu uma vasta obra, em que se destaca Fauna brasiliense -- peixes, em cinco volumes. Miranda Ribeiro morreu no Rio de Janeiro em 1939.

Belmiro de Almeida Belmiro de Almeida

Belmiro Barbosa de Almeida nasceu em Serro (MG) em 1858. "Mineiro com a verve, a sagacidade de um parisiense", como sobre ele escreveu Gonzaga Duque em 1888, frequentou no Rio de Janeiro o Liceu de Artes e Ofícios e a Academia Imperial de Belas-Artes, instituições onde mais tarde viria a ser professor. Com o pseudônimo de Bel, atuou por longos anos como caricaturista na imprensa. Fez também esculturas, e é de sua autoria a réplica de "Maneken-Piss" de Bruxelas, a curiosa imagem de um garoto urinando que, plantada no recanto do Mourisco, na praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, tornou-se famosa como o "Manequinho".

Uma mistura bem dosada de realismo e humor sempre chamou a atenção na obra de Belmiro de Almeida, pintor brasileiro de formação acadêmica que se radicou em Paris, após a guerra de 1914-1918, e aderiu no fim da vida a inovações que convergiram para a arte moderna.

A tela "Arrufos" (1887), considerada sua obra-prima, encontra-se no Museu Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro, junto com obras como "A Tagarela", "Idílio campestre" e "Dame à la rose". Ao acervo do Museu de Artes de São Paulo pertencem o retrato do poeta Alberto de Oliveira e a tela "Meninos jogando bilboquê".

Algumas das paisagens executadas pelo pintor em Dampierre, na França, utilizaram recursos pontilhistas, à maneira de Seurat. Em "Mulher em círculos" (1921), Belmiro de Almeida, que morreu em Paris em 1935, chegou mesmo a compor uma pintura em moldes futuristas.

Alphonsus de GuimaraensAlphonsus de Guimaraens

Afonso Henriques da Costa Guimarães nasceu em Ouro Preto (MG) em 24 de julho de 1870. Estudou engenharia  e direito. Apaixonou-se por sua prima Constança, que morreu logo depois. Em São Paulo, colaborou na imprensa e frequentou a Vila Kyrial, de José de Freitas Vale, onde se reuniam os jovens simbolistas. Em 1895, no Rio de Janeiro, conheceu Cruz e Souza. Foi juiz e promotor em Conceição do Serro MG.

Poeta em que devoção e equilíbrio se dão as mãos desde o início, Alphonsus de Guimaraens foi mestre de um lirismo místico, em que busca e sublima a amada entre o luar e as sombras, o amor e a morte.

De seus livros, os três primeiros foram publicados no mesmo ano (1899): Dona mística, Câmara ardente e  o Setenário das dores de Nossa Senhora. Foi escrito antes, no entanto, o Kyriale (1902), sua coletânea mais representativa. Seguiram-se Pauvre lyre e Pastoral aos crentes do amor e da morte (1923).

Um dos principais representantes do movimento simbolista no Brasil, sua obra, de influência francesa (Verlaine, Mallarmé -- que traduziu), adquire com freqüência acentos arcaizantes e de envolvente conteúdo lírico, uma vez que o exprime num misticismo enraizado no fundo da subjetividade e, desse modo, como uma compulsão do inconsciente. Em ritmo elegíaco e de solene musicalidade, multiplica a imagem da amada: são "Sete damas", são "As onze mil virgens", Ester, Celeste, Nossa Senhora (com quem identifica Constança), ou a célebre "Ismália".

Oscila, assim, entre os indícios materiais da morte e a expectativa do sobrenatural, como se toda a sua poesia se fizesse em variações de um mesmo réquiem. Mas a evolução da linguagem é permanente e a tendência a um barroco discreto -- de Ouro Preto, Mariana -- se flexibiliza, se inova com acentos verlainianos, mallarmaicos, de que brotam imagens muitas vezes ousadas, não longe da invenção surrealista. Alphonsus de Guimaraens morreu em Mariana MG em 15 de julho de 1921.

Alphonsus de Guimaraens FilhoAlphonsus de Guimaraens Filho

Afonso Henriques da Costa Guimarães Filho nasceu em Mariana (MG) em 3 de julho de 1918. Estudou em Belo Horizonte, onde se bacharelou em direito (1940). Exerceu o jornalismo a partir de 1934, como redator do Diário da Tarde, de Belo Horizonte, e diretor da Rádio Inconfidência. Em 1936 iniciou sua carreira na administração pública. Assessorou Juscelino Kubitschek no governo de Minas Gerais e na presidência da república, e foi procurador do Tribunal de Contas da União.

Filho do poeta Alphonsus de Guimaraens, de quem publicou a obra completa em 1955 e 1960, irmão do escritor João Alphonsus e sobrinho-neto de Bernardo Guimarães, Alphonsus de Guimaraens Filho pertence a uma família de tradição na literatura brasileira.

A obra de Alphonsus de Guimaraens Filho situa-se na chamada geração de 45. Sua poesia transmite um alto envolvimento místico, com imagens entremeadas de luz e inquietação com os "sinais dos tempos", principalmente em A cidade do sul (1948), O irmão (1950), O mito e o criador (1954). Sua principal característica é a busca de uma temática nova e de uma linguagem capaz de transmitir à lírica moderna suas experiências metafísicas.

Ataulfo Alves

Ataulfo Alves de Sousa nasceu em Miraí (MG), em 2 de maio de 1909. Com oito anos fazia versos para responder aos improvisos do pai, que era violeiro e repentista. Aos 18 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro (RJ). No ano seguinte, tornou-se diretor de harmonia do Fale Quem Quiser, bloco organizado pelos amigos do bairro onde morava, o Rio Comprido. Em 1934, Carmem Miranda gravou seu samba Tempo perdido. O sucesso, no entanto, só chegou no ano seguinte, com Saudade do meu barracão.

O mito da Amélia, idealização da mulher que aceita tudo por amor, popularizou-se a partir de uma das músicas mais famosas de Ataulfo Alves, composta na década de 1940, em parceria com Mário Lago.

Para os carnavais de 1940 e 1941, compôs Oh! seu Oscar e o Bonde de São Januário, em parceria com Bide, Claudionor Cruz, João Bastos Filho e Wilson Batista. Em 1941, gravou seu primeiro disco como intérprete. No ano seguinte, lançou Ai, que saudades da Amélia, uma de suas músicas mais célebres. Outros sucessos foram: Errei, sim (1950), gravada por Dalva de Oliveira; Pois é... (1955); Mulata assanhada (1956); e Laranja madura (1967). Ataulfo Alves morreu em 20 de abril de 1969, no Rio de Janeiro.

Aníbal MachadoAníbal Machado

Aníbal Monteiro Machado nasceu em Sabará (MG), em 9 de dezembro de 1894 e diplomou-se em direito em 1917 pela faculdade de Belo Horizonte. Foi professor de literatura no Colégio Pedro II no Rio de Janeiro RJ. Ligou-se aos modernistas, com assídua colaboração nos periódicos Revista de Antropofagia, Estética, Revista Acadêmica e Boletim de Ariel. No Diário de Minas trabalhou com os poetas Carlos Drummond de Andrade e João Alphonsus. Foi também roteirista e crítico de artes plásticas, e ajudou a fundar vários grupos teatrais, como Os Comediantes, o Teatro Experimental do Negro, O Tablado e o Teatro Popular Brasileiro. Como presidente da União Brasileira de Escritores,  organizou em São Paulo, em 1944, o I Congresso Brasileiro de Escritores.

Rigoroso com sua própria obra, como prova o fato de ter levado quarenta anos para escrever o romance João Ternura, Aníbal foi também um crítico mordaz, que não poupou os escritores medíocres.

A obra de Aníbal Machado sobressai pelo ineditismo da concepção estilística, em que se fundem o discurso lógico da prosa e o lirismo da fabulação poética. Destacam-se sobretudo os aforismos, contos, ensaios poemáticos e poemas em prosa de Cadernos de João (1957), além dos contos reunidos em Vila feliz (1946), entre eles as obras-primas "A morte da porta-estandarte" e "O telegrama de Artaxerxes", e em Novelas reunidas (1959). Aníbal Machado morreu no Rio de Janeiro em 20 de janeiro de 1964.

Ciro dos Anjos Ciro dos Anjos

Ciro Versiani dos Anjos nasceu em Montes Claros (MG) em 5 de outubro de 1906. Em Belo Horizonte, onde se formou em direito (1932), dedicou-se ao jornalismo e trabalhou como amanuense na Secretaria de Finanças. Seu romance de estreia originou-se de uma seção que manteve, sob o pseudônimo de Belmiro Borba, em A Tribuna (1933), e explora as dúvidas e anseios de um funcionário público.

O primeiro romance de Ciro dos Anjos, O amanuense Belmiro (1937), bastou para garantir ao autor um lugar de destaque na ficção brasileira.

Em 1946 Ciro dos Anjos mudou-se para o Rio de Janeiro RJ e, sempre no serviço público, chegou a subchefe do gabinete civil da presidência no governo Kubitschek. Foi um dos fundadores da Universidade de Brasília, onde afinal se radicou. Publicou outros dois romances: Abdias (1945), a história da paixão de um professor por uma aluna; e Montanha (1956), que ao intimismo psicológico acrescentou a evocação de alguns políticos brasileiros entre 1930 e 1945. Da mesma época data o ensaio A criação literária (1954). Ciro dos Anjos enfeixou suas memórias em Explorações no tempo (1963) e A menina do sobrado (1979). Em 1969 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Morreu no Rio de Janeiro em 4 de agosto de 1994.

Antônio OlintoAntônio Olinto

Antônio Olinto Marques da Rocha nasceu em Ubá (MG) em 10 de maio de 1919. Depois de cursar o primário na terra natal, estudou no Seminário Católico de Campos, no Curso de Filosofia do Seminário Maior de Belo Horizonte e no Seminário Maior de São Paulo, mas afinal não se ordenou. Passou a lecionar e dedicou-se à literatura. Poeta, ficcionista, ensaísta e tradutor, Olinto também manteve durante muitos anos uma coluna jornalística sobre a literatura e o mercado de livros, intitulada "Porta de livraria".

A obra literária do poeta e ensaísta mineiro Antônio Olinto está cronologicamente vinculada à da "geração de 45".

A estréia do autor em poesia se deu em 1949, com a publicação de Presença (1949), a que seguiram vários outros livros, entre os quais Nagasaki (1956), A paixão segundo Antônio (1967) e Teorias novas e antigas (1974). Como ficcionista, publicou os romances A casa da água (1969), O cinema de Ubá (1972), Copacabana (1975) e O rei de Keto (1980). O crítico literário dos Cadernos de crítica (1959) discute também o romance em A verdade da ficção (1966) e a poesia em A invenção da verdade (1983). Jornalismo e literatura (1965), Brasileiros na África (1964), O diário de André Gide (1968), Algumas reflexões sobre o problema do índio brasileiro (1973) e Para onde vai o Brasil (1977) compõem a variada obra ensaística de Olinto, que em 1979 publicou Aina no reino do Baobá, livro de contos infantis.

Antônio TorresAntônio Torres

Antônio dos Santos Torres nasceu em Diamantina (MG), em 31 de outubro de 1885. Inicialmente sacerdote e poeta místico, abandonou a batina em decorrência de atritos provocados por artigos que escrevera contra a catequese dos índios empreendida por padres estrangeiros. Livre da obediência à hierarquia eclesial, passou a colaborar em publicações de grande prestígio na época, como os jornais O País, Correio da Manhã, Gazeta de São Paulo e a revista ABC.

Um dos mais veementes polemistas da imprensa, o escritor e ensaísta Antônio Torres teve como alvos prediletos a colônia portuguesa, o jornalista Paulo Barreto, o poeta Hermes Fontes, Antônio Austregésilo, Ataulfo de Paiva e Félix Pacheco.

Publicou os livros Verdades indiscretas (1920), Pasquinadas cariocas (1921) e Prós e contras (1922). Embora não tenha participado do movimento modernista de 1922, seus escritos contribuíram para desmoralizar os parnasianos e passadistas. Em 1925 publicou As razões da inconfidência. Nomeado cônsul do Brasil em Londres, Antônio Torres foi mais tarde transferido para a cidade alemã de Hamburgo, onde morreu em 16 de julho de 1934.

Murilo AraújoMurilo Araújo

Murilo Araújo nasceu em Serro Frio (MG) em 26 de outubro de 1894. Mudou-se em 1907 para o Rio de Janeiro e ingressou como interno no Colégio Pedro II, onde mais tarde seria professor de desenho. Embora se formasse em direito (1921), pouco exerceu a profissão, dedicando-se ao jornalismo.

Poeta da última geração simbolista, Murilo Araújo participou do grupo de escritores "espiritualistas" que se constituiu no Rio de Janeiro em torno da revista Festa (1927-1928 e 1934-1935).

Sua estréia literária se deu com Carrilhões, a que se seguiu A galera (1917). Em 1924, na presença de Graça Aranha, pronunciou polêmica conferência, "Modernismo e aranhismo", na qual se disse favorável ao modernismo, mas expôs divergências com o movimento. Após aproximar-se da linguagem modernista, em A iluminação da vida (1927) e As sete cores do céu (1933), retornou aos moldes simbolistas no livro de versos para crianças A estrela azul (1940) e, sobretudo, em A escadaria acesa (1941). Escreveu também uma biografia de Catulo da Paixão Cearense, Ontem, ao luar (1951).

Seus Poemas completos datam de 1960. Muitos foram musicados por compositores como Villa-Lobos, Heckel Tavares e José Siqueira. Em 1971 o poeta ganhou o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra.

Murilo Araújo morreu no Rio de Janeiro RJ em 1o de agosto de 1980.

Fonte: http://www-geografia.blogspot.com.br/