Governos Brasileiros de 1945 a 2016

Governos Brasileiros de 1945 a 2016

Governos Brasileiros de 1945 a 2016A atuação política dos governos brasileiros entre 1945 e 1964 baseia-se em geral no apelo direto à participação das massas populares urbanas (mas sob controle do governo), na propaganda nacionalista e no desenvolvimento industrial apoiado e protegido pelo Estado. O populismo brasileiro dos anos 50 e 60, herança da era Vargas, oscila entre a democracia liberal da Constituição de 1946 e a prática política centralizadora e autoritária; entre uma gestão econômica nacionalista e estatizante e um modelo de desenvolvimento industrial baseado no estímulo ao capital nacional e estrangeiro. Num período marcado pela Guerra Fria, essas divergências tendem a aprofundar-se nos sucessivos governos e a resvalar para discursos e práticas radicais, de esquerda e de direita. O desfecho do processo é o golpe militar de 1964.

Governo Dutra (1946-1951) – Começa com a convocação da Constituinte e a promulgação da Carta de 1946, democrática e liberal. Mas a intensificação da Guerra Fria no contexto internacional e as pressões norte-americanas diretas levam o governo de Eurico Gaspar Dutra a promover recuos dos direitos constitucionais. Em nome da luta contra o comunismo e da defesa da democracia no Ocidente, ele suspende as relações diplomáticas do Brasil com a União Soviética, fecha o Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1947 e cassa os mandatos de seus parlamentares no Congresso Nacional, nas assembléias estaduais e nas câmaras municipais. No campo econômico, Dutra lança o primeiro plano de governo do pós-guerra, o Salte (Saúde, Alimentação, Transportes e Energia). Entre 1948 e 1950, há um crescimento mais significativo do setor industrial, graças a um regime cambial favorável às importações de alguns insumos e bens de capital.

Governo Getúlio Vargas (1951-1954) – Como havia prometido em outubro de 1945, na derrubada do Estado Novo, Vargas volta ao poder "nos braços do povo", vencendo a eleição presidencial de 1950. Repetindo a política adotada durante o período ditatorial, baseia seu governo em uma propaganda interna de cunho nacionalista e em uma prática política de caráter populista. Decidido a dar continuidade à industrialização do país e a lutar pelos "interesses nacionais", Vargas funda, em 1952, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e estatiza a geração de energia elétrica com a criação da Eletrobrás. Em 1953, depois de uma batalha política no Congresso e de grande campanha popular por todo o país ("O petróleo é nosso"), cria a Petrobras, que detém o monopólio estatal da prospecção e produção de petróleo. Para sustentar essa política nacionalista e estatizante, mobiliza as massas populares urbanas por meio dos sindicatos ligados ao Ministério do Trabalho e ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), atropelando os outros partidos e o próprio Congresso Nacional. Esse comportamento provoca a reação dos setores conservadores no parlamento, liderados pela União Democrática Nacional (UDN). No início de agosto de 1954, no Rio de Janeiro, um major da Aeronáutica morre em um atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, um dos mais agressivos udenistas. Responsabilizado pelo crime e pressionado a renunciar pelos militares, Vargas se suicida.

Governos Café Filho, Carlos Luz e Nereu Ramos (1954-1956) – Nos 16 meses seguintes, três presidentes cumprem mandatos-relâmpagos num período de forte turbulência político-eleitoral. Em outubro de 1955, Juscelino Kubitschek é eleito presidente da República pelo Partido Social Democrático (PSD), tendo como vice João Goulart, do PTB. No início de novembro, alguns militares sugerem um golpe que impeça a posse de Juscelino. Na mesma época, o presidente em exercício, Café Filho, sofre um ataque cardíaco e, em seu lugar, assume o presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, que se recusa a punir os militares golpistas. Para garantir a posse do presidente eleito, o general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra, dá um golpe contra Carlos Luz. Ele mobiliza tropas que ocupam prédios do governo, estações de rádio e jornais no Rio de Janeiro, e isola a Marinha e a Aeronáutica, contrárias à mudança de poder. Com isso, Carlos Luz é afastado e o presidente do Senado, Nereu Ramos, assume o governo até a posse de Kubitschek, em janeiro do ano seguinte.

Governo Juscelino Kubitschek (1956-1961) – Com um discurso menos nacionalista e mais desenvolvimentista, Juscelino Kubitschek anuncia um governo inspirado no lema da campanha eleitoral "Cinqüenta anos (de progresso) em cinco (de governo)". Seu Plano Nacional de Desenvolvimento, conhecido como Plano de Metas, privilegia os setores de energia, transporte, alimentação, indústria de base e educação. Para implementá-lo, busca financiamento externo para grandes empreendimentos, como usinas hidrelétricas e estradas, e tenta atrair o capital estrangeiro para investimentos no setor industrial, como o pólo automobilístico e de eletrodomésticos na região do ABC paulista. Com o objetivo de promover o desenvolvimento regional e a interiorização econômica, territorial e demográfica do país, JK cria a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e constrói uma nova capital federal no Planalto Central. Brasília é inaugurada em 21 de abril de 1960. A modernização e o crescimento econômico do país são visíveis no final de seu governo. Mas JK deixa também uma pesada herança: o desequilíbrio nas contas públicas e a inflação alta.

Governo Jânio Quadros (1961) – Baseado em um discurso moralista e em fortes críticas à situação econômica, o ex-governador de São Paulo vence as eleições presidenciais de 1960 como candidato da UDN. Empossado em janeiro de 1961, Jânio Quadros começa seu governo alardeando uma política externa independente e a defesa da soberania nacional. Adota medidas de austeridade econômica ditadas pelo FMI, restringindo o crédito e controlando os reajustes de salários. Ao mesmo tempo, toma decisões para agradar aos mais conservadores, como a proibição de jogos de azar, de corridas de cavalo e do uso de biquíni na praia. Para reforçar sua imagem popular e fortalecer sua autoridade, inicia uma campanha de descrédito dos políticos, dos partidos e do Congresso. Renuncia em 25 de agosto de 1961, num gesto nunca por ele explicado claramente.

Governo João Goulart (1961-1964) – Depois de muita negociação, a UDN e a cúpula militar concordam com a posse do vice-presidente João Goulart, do PTB, após a renúncia de Jânio Quadros. Para isso, impõem a redução dos poderes presidenciais e a adoção do parlamentarismo. Em janeiro de 1963, entretanto, o regime presidencialista é restabelecido por plebiscito. João Goulart lança então seu Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, elaborado por Celso Furtado e uma equipe de economistas ligados à Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), órgão da ONU com sede em Santiago do Chile. O programa, que tem um caráter reformista e desenvolvimentista, enfrenta forte oposição no Congresso e a desconfiança do empresariado nacional e estrangeiro. Sem condições de viabilizá-lo, o presidente aceita a pressão da esquerda e mobiliza as massas em favor das chamadas reformas de base, um programa mais radical de transformação das estruturas agrária, bancária, tributária, fiscal e administrativa do país. À radicalização da esquerda segue-se uma maior radicalização da direita, com grandes manifestações de ambos os lados. No dia 13 de março de 1964, João Goulart faz um grande comício em frente à Estação da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, e uma semana depois, em 19 de março, as oposições conservadoras promovem a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo. A conspiração contra o governo avança, e em 31 de março um golpe destitui o presidente, implantando o Regime Militar de 1964.

Diretas Já!Diretas Já!A partir do final da década de 70, o Regime Militar parecia dar indícios de que estava com seus dias contados. A estagnação econômica, o desemprego e os altos níveis de inflação geravam grande descontentamento na população, fato que acabou pressionando os militares a tornar mais flexível o sistema político adotado, levando-os a considerar uma futura transição democrática, inclusive. Em 1979, o sistema bipartidário foi substituído pelo pluripartidarismo, aspecto que tornou possível a posterior eleição de membros da oposição aos cargos do Legislativo em 1982.

Em 1983, um destes deputados contrários ao regime militar idealizou uma Emenda Constitucional que serviria de base para o futuro início de um grande movimento em prol da redemocratização da política brasileira. O mato-grossense Dante de Oliveira propôs a reinstituição do voto direto na escolha do sucessor do presidente João Figueiredo, fato que resultou em uma grande mobilização de apoio popular: as “Diretas Já!”.

Inúmeros comícios, protestos e aglomerações começaram a eclodir em diversas cidades do Brasil. Com o fim de lutar contra a repressão, o movimento tomou grandes proporções com a adesão de inúmeros artistas, intelectuais, escritores, além de lideranças estudantis e trabalhistas. No dia 16 de abril de 1984, mais de 1,5 milhão de pessoas se aglomeraram em uma grande mobilização na cidade de São Paulo.

Mesmo tendo sido uma das maiores mobilizações populares da história do Brasil, as “Diretas Já!” não foram capazes de fazer com que a emenda Dante de Oliveira fosse aprovada. Faltaram apenas 22 votos para a aprovação da mesma, em uma votação marcada pelo enorme número de deputados que não compareceram à sessão. Mesmo com tal derrota, as “Diretas Já” serviram para a culminação das eleições indiretas, as quais resultaram na eleição de Tancredo Neves, em 1985. Além disso, o movimento consagrou novas lideranças políticas no Brasil, como Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

Governo José Sarney (1985-1990)Governo José Sarney (1985-1990)Primeiro governante civil depois do Regime Militar de 1964, José Sarney é eleito pelo Colégio Eleitoral vice-presidente da chapa encabeçada por Tancredo Neves, que morre sem ter sido empossado. Sarney assume a Presidência em 15 de março de 1985 e fica até 15 de março de 1990. Enfrenta três desafios: a reforma constitucional, a estabilização da economia e a retomada do crescimento em um quadro de recessão e inflação alta.Sarney chega ao governo após uma série de circunstâncias inusitadas. Era o líder do Partido Democrático Social (PDS) e encarregado pelo então presidente João Figueiredo de coordenar sua sucessão. Com a derrota no Congresso da emenda pelas eleições diretas em 1984, a oposição forma a Aliança Democrática, que reúne políticos de vários partidos, para disputar os votos do Colégio Eleitoral. O PDS lança a candidatura de Paulo Maluf, outro nome importante do partido, o que leva José Sarney a se desligar da agremiação. Entra como vice na chapa de Tancredo Neves, representando a Frente Liberal, dissidência do PDS, e filia-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Tancredo é eleito, mas, às vésperas da posse, apresenta um grave problema intestinal (diverticulite, segundo os médicos) e passa por muitas cirurgias. José Sarney começa a governar interinamente em 15 de março de 1985. Tancredo Neves morre em 21 de abril, e, no dia seguinte, Sarney assume oficialmente o cargo. Empresta à sua administração o título de Nova República, que designava o programa da Aliança Democrática (formada pela Frente Liberal e pelo PMDB), e cumpre cinco anos de mandato, um a mais que o previsto na carta-compromisso da Aliança, negociada no Congresso.

Reforma constitucional – A reforma começa com a revogação da legislação autoritária. Entre 1985 e 1986, a eleição direta para a Presidência da República é restabelecida, o voto dos analfabetos é aprovado, os partidos políticos são legalizados, a censura prévia é extinta e acabam as intervenções nos sindicatos. Em novembro de 1985, realizam-se eleições diretas para 201 prefeituras, inclusive das capitais de estados e territórios. No ano seguinte, junto com os governadores estaduais, é eleito o Congresso Nacional encarregado de escrever a nova Constituição, promulgada em 1988.

Plano Cruzado – Os problemas da economia são enfrentados pelo Plano Cruzado, lançado em 28 de fevereiro de 1986. Ele muda a moeda de cruzeiro para cruzado, congela preços e salários por um ano e acaba com a correção monetária. Alcança bons resultados no início, mas os ajustes considerados necessários são adiados para não prejudicar os candidatos do governo nas eleições de novembro. A estratégia eleitoral dá certo, mas a economia fica desorganizada e a inflação dispara. No decorrer dos anos seguintes são lançados mais dois programas de estabilização: os planos Bresser e Verão. Como o anterior, estes dois novos planos também não obtêm sucesso. No último ano do governo, a inflação mensal explode e ameaça sair de controle ao ultrapassar a incrível taxa de 80% em março de 1990. Sarney é sucedido por Fernando Collor de Mello.

Governo Collor (1990-1992)Governo Collor (1990-1992) - Primeiro governo civil brasileiro eleito por voto direto desde 1960 e escolhido de acordo com as regras da Constituição de 1988, com plena liberdade partidária e eleição em dois turnos. Tem curta duração: de 15 de março de 1990 a 2 de outubro de 1992, quando o presidente é afastado para responder ao processo de impeachment. Fernando Collor de Mello derrota Luiz Inácio Lula da Silva, líder da esquerda, no segundo turno da eleição presidencial de 1989. Collor conta com amplo apoio das forças conservadoras e entre suas promessas de campanha estão a moralização da política e o fim da inflação. Para as elites, oferece a modernização econômica do país conforme a receita do neoliberalismo, com a redução do papel do Estado na economia.

Plano Collor e corrupção – No dia seguinte ao da posse, o presidente lança seu programa de estabilização, o Plano Collor, baseado em um inédito confisco monetário. Além de procurar eliminar a inflação, toma um conjunto de medidas econômicas, financeiras e fiscais para modernizar a economia e abri-la à competição internacional. Já em 1991, as dificuldades enfrentadas pelo plano, que não acaba com a inflação e aumenta a recessão, começam a minar o governo. A situação se agrava com o surgimento de suspeitas de envolvimento de ministros e altos funcionários em uma grande rede de corrupção. Até a primeira-dama, Rosane Collor, é acusada de malversação do dinheiro público e de favorecimento ilícito de seus familiares.

As suspeitas transformam-se em denúncias por meio da imprensa. Em 25 de abril de 1992, Pedro Collor, irmão do presidente, dá uma entrevista à revista Veja, na qual fala sobre o "esquema PC" de tráfico de influência e irregularidades financeiras, organizado pelo empresário Paulo César Farias, amigo de Fernando Collor e tesoureiro de sua campanha eleitoral. Em 26 de maio, o Congresso Nacional instala uma comissão parlamentar de inquérito (CPI). Logo depois, a revista IstoÉ publica uma entrevista com Eriberto França, motorista da secretária de Fernando Collor, Ana Acioli. Ele confirma que as empresas de PC fazem depósitos regulares em contas bancárias fantasmas movimentadas pela secretária. Todas essas informações atingem diretamente o presidente.

Impeachment – Depois da comprovação das acusações e da mobilização da sociedade, o Congresso Nacional vota o impeachment presidencial. Primeiro, a Câmara dos Deputados autoriza a abertura do processo em 29 de setembro de 1992. No dia 2 de outubro, Collor é afastado e seu vice, Itamar Franco, assume interinamente. Durante o julgamento do impeachment no Senado, em 29 de dezembro, Fernando Collor renuncia. Mesmo assim, a sessão prossegue, e, no dia seguinte, ele tem os direitos políticos cassados por oito anos.

Governo Itamar Franco (1992-1994)Governo Itamar Franco (1992-1994)Itamar Franco, vice-presidente eleito com Fernando Collor de Mello, assume a Presidência da República em caráter definitivo no dia 29 de dezembro de 1992, quando este renuncia antes de ter os direitos políticos cassados pelo Senado Federal. Deixa o governo em 1º de janeiro de 1995, com um dos índices de popularidade mais altos da história recente da República.

Plebiscito – Durante o governo de Itamar Franco, em abril de 1993, é realizado um plebiscito para a escolha da forma e do sistema de governo no Brasil, cumprindo o previsto na Constituição. Quase 30% dos votantes não comparecem ou anulam o voto. Dos que comparecem às urnas, 66% votam a favor da república e 10% da monarquia. O presidencialismo recebe cerca de 55% dos votos e o parlamentarismo, 25%. Em razão desse resultado, é mantido o regime republicano e presidencialista.

Plano Real – No campo econômico, há dificuldades com a falta de resultados no combate à inflação. Os ministros da Fazenda sucedem-se até que Fernando Henrique Cardoso é nomeado para o cargo. No final de 1993, ele anuncia várias medidas para estabilizar a moeda. Em 1º de julho de 1994 é implantado o Plano Real, novo programa econômico anti-inflacionário que, entre outras disposições, muda a moeda de cruzeiro real para real, com seu valor cambial fixado em estreita paridade com o dólar.

CPI do Orçamento – Entre 1993 e 1994, uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Congresso Nacional investiga irregularidades na elaboração do Orçamento da União. A CPI prova o envolvimento de ministros, parlamentares e altos funcionários em um esquema de manipulação das verbas públicas, que eram desviadas para empreiteiras e apadrinhados políticos. A autoridade do presidente, contudo, não é abalada pelo resultado das investigações. No final de seu mandato, Itamar Franco apóia a candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, à Presidência da República.

Governo Fernando Henrique (1995-2002) - Disputa a eleição presidencial em 1994. Ganha no primeiro turno, tendo como principal adversário o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Inácio Lula da Silva. Toma posse em 1º de janeiro de 1995 para um mandato que dura até 1º de janeiro de 1999. Seu governo é formado a partir da aliança entre o Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB), de centro, e o Partido da Frente Liberal (PFL), de direita, com apoio de outras agremiações. Sustentado pela mesma coalizão de seu primeiro mandato, Fernando Henrique Cardoso concorre à reeleição em outubro de 1998. É vitorioso no primeiro turno, iniciando em 1º de janeiro de 1999 o segundo mandato, que se encerra em 1º de janeiro de 2003. Como ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso foi o principal responsável pela implantação do Plano Real, de controle da inflação. Antes, ele havia ocupado ainda o ministério de Relações Exteriores no mesmo governo.

Reformas constitucionais – No campo político, Fernando Henrique Cardoso se esforça para aprovar no Congresso Nacional suas propostas de emendas à Constituição. Com o objetivo de atrair o capital externo e adaptar o país às exigências do mercado internacional, são sancionadas, entre outras emendas, as quebras de monopólio do petróleo, das telecomunicações, do gás canalizado e da navegação de cabotagem (dentro das fronteiras nacionais). Em 1997, as principais articulações políticas envolvem a aprovação da emenda que permite a reeleição para cargos executivos – prefeitos, governadores e presidente da República. A reforma administrativa, que elimina a estabilidade no emprego de servidores, é aprovada pelo Senado em 1998. Pela reforma da Previdência, concluída no mesmo ano, a aposentadoria passa a ser por tempo de contribuição (35 anos para homens e 30 anos para mulheres). O Congresso Nacional, no entanto, não aprova todas as medidas apresentadas pelo governo, como a exigência de idade mínima para aposentadoria na iniciativa privada. São sancionadas ainda alterações na legislação trabalhista que flexibilizam a jornada de trabalho e os salários por meio de acordos coletivos aprovados pelos sindicatos operários e patronais.

Situação econômica – O presidente dá continuidade ao Plano Real promovendo ajustes econômicos para desaquecer a demanda interna e manter a inflação em níveis baixos. O câmbio vai sendo lentamente desvalorizado, dentro dos limites estabelecidos pela banda cambial. Contudo surgem sinais de recessão, como inadimplência, queda no consumo e demissões em massa. A crise econômica que teve início em Hong Kong no final de 1997 leva à adoção de uma série de medidas do governo para estancar a saída de divisas. A principal é o aumento da taxa de juros, com o intuito de atrair e manter no país o capital externo. O Brasil fecha um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), comprometendo-se a adotar medidas de ajuste que reduzam o déficit fiscal. A moeda brasileira, no entanto, passa por uma grande desvalorização em 1999 e o governo adota o câmbio flutuante.

Crise de energia – O Brasil vive uma de suas maiores crises de fornecimento de energia elétrica em 2001. Sob o risco de um racionamento generalizado, o governo impõe cotas de consumo para toda a sociedade, pune com o corte de suprimento de energia aqueles que superam as metas e aumenta a tarifa sobre o consumo excedente. Em seu último ano de governo, Fernando Henrique Cardoso enfrenta duras críticas pela alta expressiva do dólar, que chegou a 4 reais, e pelo endividamento público, no valor de 65% do Produto Interno Bruto (PIB).

Campo social – Na educação, o principal avanço do governo Fernando Henrique Cardoso é garantir o acesso ao ensino fundamental a praticamente todas as crianças entre 7 e 14 anos. Há um grande crescimento também nas matrículas no ensino médio. As avaliações, porém, indicam queda na qualidade. Na saúde, a mortalidade infantil diminui graças, principalmente, ao aumento da cobertura dos programas de vacinação e ao crescimento no número de agentes de saúde. Outro destaque é o programa brasileiro de tratamento da aids, que garante a distribuição do coquetel antiviral à todos os infectados e torna-se uma referência mundial.

Governo Lula (2002-2010)Governo Lula (2003-2010) - O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em Caetés, a 27 de outubro de 1945, exerceu um papel de suma importância na fundação e consolidação do PT – Partido dos Trabalhadores -, do qual é presidente de honra.

Lula participou de várias eleições antes de subir a rampa do Palácio do Planalto como chefe maior da Nação.

Candidatou-se no ano de 1989 – derrotado pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello -, em 1994 – vencido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso -, 1998 – extenuado pela reeleição de Fernando Henrique Cardoso -, 2002 – sai vitorioso das eleições na corrida contra José Serra, então candidato do ex-presidente FHC e em 2006, quando é reeleito na realização de um segundo turno contra Geraldo Alckmin, da coligação PSDB/PFL.

A eleição de 2002 foi surpreendente, o então candidato Luis Inácio Lula da Silva conquistou mais de 58 milhões de votos, atingindo um índice de aprovação não alcançado em nenhuma de suas três tentativas anteriores.

A posse se deu em 1º de janeiro de 2003, acompanhado por um grupo parlamentar minoritário formado pelo PT, PSB, PC do B e PL; foi escolhido para vice José de Alencar Gomes da Silva, pertencente ao PL.

Seu mandato caracterizou-se pela não interrupção da estabilidade econômica do governo anterior, manutenção da balança comercial com um superávit – quando há excesso da receita sobre a despesa num orçamento -, em fase de crescimento, e intensas negociações com a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Obteve êxito com a diminuição, em cerca de 168 bilhões de reais, da dívida externa, porém não conseguiu frear o aumento da dívida interna que pulou do patamar de 731 bilhões de reais no ano de 2002 para um trilhão de reais em fevereiro de 2006.

No campo da política fiscal e monetária, no entanto, o governo vem se mostrando relutante em fazer grandes transformações, optando pela manutenção do estado tradicional; facultou ao Banco Central a autonomia política para manter a taxa de inflação sob controle, seguindo o objetivo determinado pelo governo.

Governo Dilma Rousseff (2011-2016)Governo Dilma Rousseff (2011-2016) - Durante o primeiro mandato, Dilma definiu como alguns de seus objetivos a manutenção da estabilidade econômica, a erradicação da pobreza e a criação de empregos.

Ao longo de 2011, o governo de Dilma enfrentou investigações sobre várias denúncias de corrupção. Ao mesmo tempo, a economia brasileira desacelerou.

O cenário político do Brasil foi transformado por massivos protestos de rua que começaram em São Paulo em junho de 2013 e se espalharam por todo o país. A maioria dos manifestantes era formada por membros da classe média, cada vez mais preocupada com a corrupção, com o pobre desempenho econômico do país e com a baixa qualidade dos serviços públicos. Também havia muita insatisfação com os gastos do governo em obras para a Copa do Mundo, que o país sediou em 2014, e para os Jogos Olímpicos de Verão (programados para 2016).

A próxima eleição presidencial aconteceria em outubro de 2014. Embora a economia brasileira tivesse entrado em recessão no início do ano, a presidente ainda parecia estar em vantagem, até que surgiu um forte candidato opositor: Eduardo Campos, do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Porém, Campos morreu em um acidente de avião em agosto e foi substituído por Marina Silva. Dilma respondeu de forma agressiva a esse desafio e terminou o primeiro turno das eleições com cerca de 42 por cento dos votos (Silva obteve apenas 21 por cento). No segundo turno, Dilma enfrentou Aécio Neves, candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Apesar do apoio de Marina Silva, Neves perdeu para Dilma, que obteve mais de 51 por cento dos votos e foi reeleita.

O segundo mandato começou de maneira desastrosa. Em 2015, a economia continuou a piorar, e um novo escândalo, envolvendo a Petrobras, o PT e o pagamento de propinas, teve enorme repercussão. Dilma foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras durante um período que coincide com o do pagamento das supostas propinas, mas as investigações a isentaram de qualquer responsabilidade pelos crimes. Muitos brasileiros, porém, duvidaram de sua inocência e realizaram manifestações nas ruas, pedindo o impeachment de Dilma.

Em 12 de maio de 2016, o Senado brasileiro aprovou por votação a abertura do processo de impeachment contra a presidente. Ela foi afastada temporariamente do cargo, assumindo seu vice, Michel Temer. Em 31 de agosto de 2016, o Senado votou pelo afastamento permanente de Dilma. Diversos analistas políticos questionaram a legitimidade do processo de impeachment e alegaram ter ocorrido um golpe, devido, entre outros fatores, à fragilidade das acusações contra a presidente.

Governo Michel Temer (2016...) - O governo Michel Temer é a designação do período da história do Brasil iniciado no dia 12 de maio de 2016, quando o então vice-presidente da República Michel Temer assumiu interinamente a presidência após o afastamento da então presidente Dilma Rousseff de suas funções, em consequência do processo de impeachment instaurado pelo Senado Federal.

Em 31 de agosto de 2016, Michel Temer passou à condição de presidente efetivo, em cerimônia de posse no Congresso Nacional. Renan Calheiros, presidente do Senado, declarou Temer empossado pelo período de 31 de agosto de 2016 a 31 de dezembro de 2018.

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