Rio de Janeiro | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Estado do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Estado do Rio de Janeiro

Geografia – Área: 43.696,1 km². Relevo: planície litorânea com morros, lagos, várzeas e dunas e planalto a oeste. Ponto mais elevado: pico da Agulhas Negras, na serra do Itatiaia (2.791,5 m). Rios principais: Grande, Itabapoana, Macaé, Muriaé, Paraíba do Sul, Piraí, Preto. Vegetação: mangue no litoral e mata Atlântica, floresta tropical. Clima: tropical atlântico. Municípios mais populosos: Rio de Janeiro (6.880.300), São Gonçalo (1.040.200), Duque de Caxias (940.670), Nova Iguaçu (880.100), Belford Roxo (522.320), Niterói (513.400), São João de Meriti (499.630), Campos dos Goytacazes (464.700), Petrópolis (331.400), Volta Redonda (278.200). Hora local: a mesma. Habitante: fluminense.

População – 16.790.750.

Capital – Rio de Janeiro. Habitante: carioca. População: 6.880.300.

Menor estado da Região Sudeste, o Rio de Janeiro (RJ) abriga a terceira maior população do país, atrás de São Paulo e de Minas Gerais.

RIO DE JANEIRO - ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

O turismo é uma de suas principais fontes de receita. Com o Carnaval mais famoso do mundo, a capital, Rio de Janeiro, é ponto de atração de visitantes brasileiros e estrangeiros. A atividade turística é forte também em Búzios e Cabo Frio, no litoral norte do estado. Em Angra dos Reis e Parati, no sul, há praias muito apreciadas, acessíveis apenas por barco. Nesse trecho do litoral, Ilha Grande atrai cada vez mais turistas desde a desativação, em 1994, de um antigo presídio. A ilha oferece boas áreas para mergulho e trilhas para caminhadas no meio da Mata Atlântica. Na região serrana destacam-se Petrópolis e Nova Friburgo, cidades que conservam arquitetura e costumes da colonização alemã e suíça. Visconde de Mauá e Itatiaia sobressaem pelas paisagens naturais e pelo ecoturismo. Recentemente, o estado descobre a vocação turística do Vale do Paraíba, região de belas fazendas históricas da época áurea da cultura do café, no século XIX.

Bandeira do Estado do Rio de JaneiroMeio ambiente – O ecossistema do litoral fluminense vem sofrendo danos decorrentes dos constantes vazamentos de óleo combustível. As principais fontes de lançamento irregular de óleo são indústrias, terminais de combustíveis, postos de gasolina, estaleiros e navios petroleiros. Os acidentes com a Petrobras agravam a situação. Depois do desastre de 2000, quando um duto despeja 1,2 milhão de litros de petróleo na baía de Guanabara, a plataforma P-36, que fazia extração de petróleo na bacia de Campos, explode e afunda, em um acidente que causa a morte de 11 operários, em 2001. O estado, que ocupa uma região antes dominada inteiramente pela mata Atlântica, tem apenas 19% da antiga vegetação, concentrados em pontos de difícil acesso no litoral e nas regiões mais altas .

Economia – Apenas 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio de Janeiro vem da agricultura. A indústria é responsável por 49,6% e o comércio e os serviços, por 49,8%. Os setores industriais mais dinâmicos são o químico, o metalúrgico, o siderúrgico, o de material eletrônico, o farmacêutico e o da construção civil. A Região Sul do estado, beneficiada pela boa infra-estrutura e pela proximidade com os grandes centros, é escolhida por várias indústrias metalúrgicas e automotivas para instalação de suas fábricas. A montadora de ônibus e caminhões da Volkswagen, que funciona em Resende desde 1997, e a construção da unidade da Peugeot-Citroën, em Porto Real, município vizinho, atraem pequenas e médias empresas.A Petrobras é a maior empresa com sede no estado. A Bacia de Campos, a maior área petrolífera do país, localiza-se no Rio de Janeiro. Esse fato contribui para fazer do estado o principal produtor de petróleo e gás natural do Brasil. Metade das exportações fluminenses corresponde à comercialização de petróleo e derivados. A intenção da Petrobras de encomendar navios petroleiros e plataformas a empresas brasileiras estimula a modernização dos estaleiros da região e impulsiona a indústria naval, em dificuldades desde o fim da década de 1980. A cana-de-açúcar, apesar do declínio, é ainda a principal lavoura do estado. Crescem os investimentos na fruticultura, sobretudo abacaxi, tomate, laranja, maracujá, banana e coco.

Enriquecimento de urânio – Fica em Resende a única fábrica de enriquecimento de urânio do Brasil. Após meses de negociação, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) autoriza seu funcionamento em 2004. A polêmica surgiu porque o governo brasileiro, com o objetivo de guardar segredo tecnológico, não permitiu que os inspetores tivessem acesso visual às centrífugas. Isso gerou especulações sobre a eventual utilização do urânio para fins não pacíficos. O governo pretende atingir a auto-suficiência no enriquecimento de urânio até 2010. Atualmente, o urânio que alimenta a usina nuclear de Angra dos Reis para a geração de energia elétrica é enriquecido no Canadá e na Europa.

Índices sociais – A sangrenta disputa pelo comando do tráfico de drogas e os confrontos entre policiais e traficantes nos morros da cidade do Rio de Janeiro mancham sua imagem de cartão-postal do Brasil. Além de afetar a população local, a violência urbana provoca efeitos negativos sobre o turismo. Em 2004, uma série de crimes contra visitantes estrangeiros ganha os noticiários. O assalto a uma família de turistas uruguaios é filmado por um cinegrafista amador e tem repercussão internacional. Nos dois casos mais graves, uma turista japonesa é esfaqueada e um visitante espanhol, morto a tiro. De outro lado, o estado do Rio de Janeiro mantém a melhor média de escolaridade do Sudeste: 44,5% de sua população tem oito anos ou mais de estudo. A taxa de alfabetização é a maior do país: 94,9%. Sua renda per capita já supera a dos paulistas, ficando atrás apenas do Distrito Federal. No ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nacional, o estado detém a quinta posição. Segundo o Censo de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Rio de Janeiro é o estado menos católico do país e o de maior concentração feminina no Sudeste.

Rio de Janeiro
Rio de Janeiro
Capital – A cidade do Rio encanta os turistas com suas belezas naturais, como o Pão de Açúcar, o Corcovado, a floresta da Tijuca e as praias, entre as quais se destacam Copacabana e Ipanema. Além da paisagem natural, a cidade, que foi sede do governo durante o período colonial e capital brasileira de 1822 a 1960, abriga importante acervo histórico e arquitetônico. Há ainda uma agitada vida noturna e cultural, com muitos cinemas, teatros, bares, restaurantes e boates. Criada a partir do projeto Ciclovias Cariocas, em 1993, a rede de ciclovias da cidade já é a maior da América Latina, com 100 quilômetros construídos (mais 150 quilômetros projetados). Pedalam diariamente pelas ciclovias 2 mil pessoas, sobretudo nas zonas turísticas, ao longo das praias. Em 2010, pesquisa da Organização das Nações Unidas (ONU) para calcular o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da capital fluminense, apesar de mostrar avanços na educação, indica profundas desigualdades sociais. Enquanto os 10% mais ricos da população se apropriam de 45% da renda da cidade, os 40% mais pobres detêm menos de 9% da riqueza produzida. A desigualdade é uma das explicações para a violência e o tráfico de drogas nos morros cariocas. Cerca de 10% dos domicílios no estado localizam-se em favelas ou assemelhados, áreas onde há maior carência de serviços públicos.

História do Estado do Rio de Janeiro

Em razão do rentável comércio de pau-brasil, o litoral fluminense atrai colonizadores portugueses e corsários franceses ainda no século XVI. Em 1555 chega à região uma esquadra comandada pelo francês Nicolau Durand de Villegaignon, que funda a França Antártica. Os franceses resistem durante uma década às investidas das tropas portuguesas até serem derrotados por Estácio de Sá – morto em combate –, sobrinho do governador-geral Mem de Sá. Essa vitória marca a origem da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, fundada em 1º de março de 1565. Ocupando posição estratégica no litoral sul da colônia, a povoação cresce e prospera como região portuária e comercial. No século XVIII, com o desenvolvimento da mineração, o porto do Rio de Janeiro torna-se o principal centro exportador e importador para as vilas de Minas Gerais, por onde saem ouro e diamante em direção à metrópole e entram escravos e produtos manufaturados. Em 1763, a importância da cidade faz com que o governo de Portugal a transforme em sede do Governo Geral, em substituição a Salvador, que entra então em acentuado processo de declínio econômico. Em 1808 chegam ao Rio a família real e a Corte, fugindo das tropas francesas que haviam invadido Portugal no ano anterior. A cidade se torna sede do governo português, o que transforma radicalmente sua vida. Após a declaração de independência, o Rio continua como capital, enquanto a província enriquece com a agricultura canavieira da região de Campos e, principalmente, com o novo cultivo do café no Vale do Paraíba. Para separar a província da capital do Império, em 1834 o Rio de Janeiro é convertido em município neutro, e a nova capital da província do Rio de Janeiro passa a ser Niterói. O Rio de Janeiro concentra a vida político-partidária do Império e os movimentos abolicionista e republicano. Durante a República Velha, com a decadência de suas áreas cafeeiras, o estado perde força política para São Paulo e Minas Gerais.

Conjuração CariocaConjuração Carioca - Em 1786, um grupo de intelectuais fundou no Rio de Janeiro a Sociedade  Literária, reunião de debate de cunho cultural. Embora no início fossem debatidos assuntos mais científicos, como o método de extração da tinta do urucum ou os efeitos do álcool no organismo, aos poucos os debates começaram a ganhar tons políticos e ideológicos, até chamar a atenção das autoridades coloniais.

Os acontecimentos que envolveram a Inconfidência Mineira e a simpatia do grupo intelectual pelas ideias republicanas e iluministas levaram o vice-rei Conde de Rezende a mandar prender seus integrantes, em 1794, sob a acusação de subversão. No entanto, dois anos após os acontecimentos, os membros da Sociedade Literária foram libertos e considerados inocentes, já que não houve nenhuma prova contra os mesmos.

Decadência política – O enfraquecimento econômico e político do Rio de Janeiro continua após a Revolução de 1930. A economia fluminense não se beneficia da industrialização, apesar de o estado ser escolhido para a instalação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), no município de Volta Redonda, ponto de partida para a implantação da indústria de base no país.A cidade do Rio de Janeiro mantém-se como importante zona comercial, industrial e financeira. Mas o declínio acentua-se com a mudança da capital federal para Brasília, em 1960. Nesse ano, a cidade é transformada no estado da Guanabara, que dura apenas 14 anos. Em 1974, as duas unidades (Rio de Janeiro e Guanabara) fundem-se e voltam a constituir o atual estado do Rio de Janeiro.Com o objetivo de recuperar sua importância política e econômica, os governos militares investem pesadamente no estado: duas usinas nucleares são construídas em Angra dos Reis, além de ser implantados um polo de indústria naval na baía de Sepetiba e um polo petrolífero na bacia de Campos, que se torna o mais produtivo do país. O governo estadual pretende agora criar um polo petroquímico na baía de Sepetiba.

Biografias de algumas personalidades do Estado do Rio de Janeiro

Antônio ParreirasAntônio Parreiras
Antônio Diogo da Silva Parreiras nasceu em Niterói (RJ) em 1860. A partir de 1882, estudou com Georg Grimm na Academia Imperial de Belas-Artes, no Rio de Janeiro RJ. Em 1888, partiu para a Itália e ingressou na Academia de Veneza. De volta ao Brasil em 1890, foi nomeado professor da Academia, mas logo abandonou o cargo e dedicou-se ao paisagismo ao ar livre.

Admirado pelas belas paisagens e pelos nus femininos, que tratou com grande sensualidade, Antônio Parreiras dedicou-se especialmente à pintura histórica.

Sua vida dividiu-se a seguir entre o Brasil e a França, onde os nus femininos, como "Flor brasileira" e "Dolorida", mal recebidos no país natal, lhe granjearam sólida reputação. "Sertanejas", de 1896, sintetiza os estudos que realizou ao ar livre nas matas de Teresópolis RJ. Já a "Conquista do Amazonas", pintada entre 1906 e 1907, distingue-se entre os quadros históricos que constituiriam uma crônica visual do Brasil. Em 1925 foi eleito o pintor mais popular do país. Em 1927, rico e famoso, Antônio Parreiras inaugurou o próprio busto em Niterói, onde morreu em 1937. Em 1941, seu ateliê-residência na cidade natal foi transformado no Museu Antônio Parreiras, que abriga a maior parte de sua obra.

Antônio José da Silva
Antônio José da Silva
Antônio José da Silva, mais conhecido como o Judeu, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 8 de maio de 1705. Era filho de cristãos-novos que, suspeitos de praticar a religião judaica, foram presos com os filhos por agentes do Santo Ofício, em 1713, e enviados para Lisboa. Somente a mãe do futuro teatrólogo foi então indiciada e torturada nos cárceres da Inquisição. Antônio José bacharelou-se na Universidade de Coimbra, apesar de ter tido o curso de direito interrompido por nova denúncia e prisão temporária, e estabeleceu-se como advogado em Lisboa.

Primeiro a adotar a prosa no teatro português, com um lirismo que alguns críticos consideram tipicamente brasileiro, Antônio José é conhecido sobretudo por Guerras de Alecrim e Manjerona (1737), sua melhor criação. Vista em conjunto, sua obra, que é do período rococó, revela influências do teatro de Molière, do teatro popular de fantoches e da ópera italiana, então em moda em Portugal.

Suas peças são as mais conhecidas da literatura portuguesa do século XVIII. Parodiando enredos mitológicos de óperas contemporâneas, podem ser consideradas operetas pela tendência parodística e o apoio da música. Com intenção quase exclusiva de provocar o riso, foram apresentadas no Teatro do Bairro Alto em Lisboa, de 1733 a 1738, nesta ordem: Vida do grande Dom Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança (1733), Esopaida ou vida de Esopo (1734), Anfitrião (1736), O labirinto de Creta (1736), As variedades de Proteu (1737) e O precipício de Faetonte (1738). Autor dos mais originais, por seus jogos de palavras e pelo uso que fez do latim macarrônico, de plebeísmos e de termos indecorosos, Antônio José da Silva foi preso novamente em 1737. Dois anos mais tarde, em 19 de outubro de 1739, foi queimado em praça pública, em Lisboa. Sua vida e morte trágica foram tema da peça Antônio José ou O poeta e a Inquisição (1838), de Domingos Gonçalves de Magalhães.

Antônio HouaissAntônio Houaiss
Antônio Houaiss nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 15 de outubro de 1915. Após diplomar-se em contabilidade (1933), formou-se em letras clássicas e lecionou latim, português e literatura. Em 1945 ingressou na carreira diplomática, interrompida em 1964 com a cassação de seus direitos políticos pelo regime militar. Representou o Brasil em Genebra, São Domingos, Atenas e nas Nações Unidas. Entre 1966 e 1970 foi editor-chefe da Enciclopédia Delta-Larousse.

A erudição, o rigor e a multiplicidade foram traços marcantes da atividade de Antônio Houaiss, filólogo, crítico literário, tradutor e enciclopedista.

De 1971, ano em que se tornou membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), até 1975, Houaiss editou a Enciclopédia Mirador internacional, publicada pela Encyclopaedia Britannica do Brasil. Participou, como relator, da comissão da ABL incumbida de elaborar o vocabulário ortográfico da língua portuguesa segundo a reforma de 1971. A partir de maio de 1986, foi um dos principais idealizadores e negociador, pelo lado brasileiro, do projeto de unificação ortográfica entre os sete países de língua portuguesa, formalizado em 1990 com a assinatura do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em Lisboa. Em 1992 e 1993 foi ministro da Cultura no governo Itamar Franco.

Em sua obra destacam-se Seis poetas e um problema (1960); Crítica avulsa (1960); Poesia e estilo de Carlos Drummond de Andrade (1968); a tradução de Ulisses, de James Joyce (1966); os Elementos de bibliologia (1967); e edições críticas de vários autores de língua portuguesa. Antônio Houaiss morreu em 7 de março de 1999, no Rio de Janeiro.

Antônio de Morais e SilvaAntônio de Morais e Silva
Antônio de Morais e Silva nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 1º de agosto de 1755. Com 19 anos foi para Coimbra cursar a faculdade de direito mas, denunciado à Inquisição por negar os fundamentos da religião católica, teve de fugir para a Inglaterra, onde trabalhou como secretário do embaixador português. Iniciou estudos de literatura e encetou a tradução para o inglês, com uma associação de literatos, da História de Portugal, impressa em 1788, em três volumes.

O Dicionário da língua portuguesa, de Morais e Silva, foi o primeiro elaborado por um brasileiro e até o final do século XX constituía o maior repertório lexicográfico da língua, com a definição de cerca de 180.000 palavras e expressões.

Durante a estada em Londres, começou a fazer as anotações e os estudos para a realização do Dicionário, cuja primeira edição foi publicada em 1789 pelos livreiros Borel & Companhia, que em consequência do lucro vantajoso que obtiveram em pouco tempo, decidiram espontaneamente oferecer um prêmio financeiro ao autor. Por essa época, Morais e Silva obteve o indulto que lhe possibilitou voltar a Lisboa, onde em 1794 casou com a filha de um oficial do Exército. Acompanhou a família do sogro, que fora transferido para o Brasil, e foi juiz de fora na Bahia. Mudou-se depois para Pernambuco, onde comprou o engenho Muribeca. Dedicou-se então à agricultura, e obteve excelentes resultados com técnicas agrícolas modernas que implantou em sua propriedade. Em 1806 publicou Epítome da gramática da língua portuguesa, e dois anos depois recebeu a Ordem de Cristo, apesar das intrigas da Inquisição, que voltou a persegui-lo.

Em 1817, Morais foi aclamado membro do governo revolucionário, mas recusou-se a participar do movimento. Apesar do contínuo enfraquecimento da visão, ainda preparou uma Gramática portuguesa, publicada em 1824. Morais e Silva morreu em Recife PE, em 11 de abril de 1824, um ano antes de ser publicada a terceira edição de seu Dicionário.

Antônio da Silva JardimAntônio da Silva Jardim
Antônio da Silva Jardim nasceu em Capivari de Cima, depois Silva Jardim (RJ), em 18 de agosto de 1860. Concluiu os estudos preparatórios em Niterói e estudou depois no Rio de Janeiro. No jornal Labarum, dos alunos do Colégio São Bento, onde estudava, publicou aos 16 anos seu primeiro artigo político, sobre Tiradentes. Em 1878 transferiu-se para São Paulo, onde matriculou-se na faculdade de direito. Revelou-se orador brilhante e nesse mesmo ano escreveu, em colaboração com Valentim Magalhães, Ideias de moço. Foi redator e revisor do jornal A Tribuna Liberal, órgão do Partido Liberal. Em 1881 aderiu à filosofia de Auguste Comte e inaugurou o primeiro centro positivista de São Paulo.

Tribuno popular, orador brilhante, conferencista e jornalista, o político Silva Jardim destacou-se como o mais atuante propagandista da república.

Formado em 1882, começou a advogar, mas decidiu-se pelo magistério. Casou-se com uma filha do conselheiro Martim Francisco de Andrada e, em 1884, abriu, em sociedade com João Kopke, conhecido autor de obras didáticas, a Escola Neutralidade, de ensino primário e laico, numa iniciativa ousada para a época. Por sua iniciativa pessoal, realizou em Santos SP, em 28 de janeiro de 1888, onde fixara residência dois anos antes, o primeiro comício republicano do país. A partir de então e até o fim de 1889, dedicou-se à campanha republicana. Percorreu diversas cidades fluminenses, paulistas e mineiras para divulgar o novo regime político e promoveu, também no Rio de Janeiro, numerosos comícios. Ao mesmo tempo, colaborava na Gazeta de Notícias.

Por seu radicalismo, foi excluído do movimento que proclamou a república e do primeiro governo republicano. Frustrado por não ter sucedido a Quintino Bocaiúva no Itamarati, ainda disputou as eleições para a constituinte, amargurado com os velhos companheiros. Depois, exilou-se na Europa. Silva Jardim morreu na cidade italiana de Nápoles, em 1º de julho de 1891, quando visitava o Vesúvio e foi tragado por uma fenda que abriu-se inesperadamente junto à cratera do vulcão. Entre suas obras mais importantes, destacam-se O general Osório (1879), Gente do mosteiro (1879), Reforma do ensino da língua materna (1884) e Memórias e viagens, publicado postumamente em Lisboa em 1891.

Antônio Carlos Jobim
Antônio Carlos Jobim
Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, também conhecido como Tom Jobim, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 25 de janeiro de 1927. Desde a infância viveu em Ipanema e já tocava violão quando, aos 13 anos, interessou-se pelo piano. Foi aluno de Lúcia Branco, uma das melhores professoras de música da cidade em sua época, e, a partir de 1941, do alemão Hans-Joachim Koellreutter, mestre de muitos compositores eruditos brasileiros. Em 1946 iniciou o curso de arquitetura, mas abandonou a carreira para dedicar-se à música. Tocou em casas noturnas e no estúdio da gravadora Continental, onde também foi arranjador e conviveu de perto com o maestro e compositor Radamés Gnatalli.

A soma do grande talento com a formação musical erudita fizeram de Antônio Carlos Jobim mais que um compositor brasileiro reconhecido internacionalmente. Pianista, maestro e arranjador, compôs canções ao mesmo tempo sofisticadas e acessíveis ao gosto popular. Ao lado de João Gilberto e Vinícius de Morais, foi um dos criadores da bossa nova.

Seu primeiro sucesso como compositor foi uma parceria com Billy Blanco, Teresa da praia, gravada em 1954 por Lúcio Alves e Dick Farney. Dois anos depois, Vinícius de Morais pediu a Tom para musicar sua peça Orfeu da Conceição, logo depois adaptada para o cinema pelo francês Marcel Camus. Nasceram assim clássicos da música popular brasileira, como Se todos fossem iguais a você e A felicidade, esta última composta para o filme.

Tom Jobim foi diretor artístico da gravadora Odeon até 1958, ano em que Elisete Cardoso gravou várias de suas canções com Vinícius no disco Canção do amor demais, marco na história da música no Brasil. Em 1959, com o lançamento do disco Chega de saudade, de João Gilberto, Tom ficou conhecido como um dos principais compositores da bossa nova. As faixas de maior sucesso do disco foram, além da canção-título, Desafinado (1958) e Samba de uma nota só (1960), compostas com Newton Mendonça e que se tornaram a base da sólida carreira internacional do "maestro da bossa nova", introdutor de arranjos que renovaram as estruturas tradicionais da música popular brasileira.

Em novembro de 1962, Tom apresentou-se no Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall, em Nova York, com outros músicos brasileiros. No ano seguinte gravou um disco com o saxofonista Stan Getz e, em 1967, com Frank Sinatra. Em 1968, Sabiá, de Tom e Chico Buarque, venceu o Festival Internacional da Canção. Nas décadas seguintes, Tom teve canções interpretadas por grandes nomes como Ella Fitzgerald e Elis Regina, musicou filmes e produções para televisão.

Tom teve muitos parceiros musicais, entre os quais Dolores Duran (Por causa de você) e Aluísio de Oliveira (Dindi), mas a parceria com Vinícius foi das mais prolíficas e gerou sucessos como Chega de saudade (1958), Eu sei que vou te amar (1958) e Ela é carioca (1963), além de Garota de Ipanema, que chegou a figurar entre as dez canções mais executadas em todo o mundo. Também compôs sozinho alguns clássicos e na maioria deles revela seu amor ao Rio de Janeiro, como em Corcovado (1960), Samba do avião (1963) e Lígia (1973).

Letrista e compositor refinado, autor de inúmeras canções inspiradas na natureza, como Wave (1969), Águas de março (1972) e Passarim, a partir de Urubu, de 1976, Tom Jobim passou a fazer arranjos mais complexos, repletos de efeitos orquestrais. Da década de 1980 em diante, os temas de suas composições voltaram-se cada vez mais para a riqueza da natureza brasileira. Antônio Carlos Jobim morreu em 8 de dezembro de 1994, em Nova York.

Antônio Carlos de Mariz e BarrosAntônio Carlos de Mariz e Barros
Antônio Carlos de Mariz e Barros nasceu em 7 de março de 1835, no Rio de Janeiro (RJ). Filho do almirante Joaquim José Inácio, visconde de Inhaúma, decidiu seguir a carreira do pai e ingressar na Marinha. No comando da canhoneira Campista, patrulhou a costa brasileira para impedir o tráfico de escravos. Realizou em 1862 uma viagem de exploração do rio Amazonas, que documentou no livro Roteiro de viagem da corveta Belmonte pelo rio Amazonas (1863). Como guarda-marinha, distinguiu-se na tomada de Paysandú, em janeiro de 1865, episódio da campanha do Uruguai cujo desfecho foi fundamental para a vitória brasileira.

Herói da guerra do Paraguai, o capitão Mariz e Barros, morreu em combate quando comandava o encouraçado Tamandaré.

Mariz e Barros foi o primeiro comandante do encouraçado Tamandaré, que, na guerra do Paraguai, participou dos combates nas barrancas do rio Paraná, no início de 1866. Na defesa do forte de Itapiru, foi ferido juntamente com outros 33 tripulantes. Teve a perna esquerda amputada, mas não resistiu aos ferimentos e morreu a bordo do navio-hospital Onze de Julho, em 28 de março de 1866.

Antônio Cândido
Antônio Cândido
Antônio Cândido de Melo e Sousa nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 24 de julho de 1918. Lecionou sociologia antes de se tornar professor de literatura brasileira e chefe do departamento de teoria literária da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de São Paulo. Estreou na crítica em 1945, com o ensaio Brigada ligeira e a tese Introdução ao método crítico de Sílvio Romero. Fez crítica literária, nos dois anos seguintes, no Diário de São Paulo. Em 1956 publicou Ficção e confissão, estudo sobre a obra de Graciliano Ramos, ao qual se seguiram O observador literário (1959) e Tese e antítese (1964). Também de 1959 é Formação da literatura brasileira, obra básica.

Aliando um estilo elegante e claro a sólidos conhecimentos, Antônio Cândido impôs-se como crítico e historiador literário da maior importância, apoiando-se, não raro, em evidências sociológicas.

Em Os parceiros do Rio Bonito (1964), Antônio Cândido se deteve na pesquisa sociológica sem motivações literárias, estudando o caipira paulista e a transformação de seus meios de vida. No mesmo ano publicou, com José Aderaldo Castelo, os três volumes, de história e antologia, de Presença da literatura brasileira. Publicou ainda outros ensaios, como Literatura e sociedade (1965), Vários escritos (1970) e Teresina etc. (1980).

Antônio CaladoAntônio Calado
Antônio Carlos Calado nasceu em Niterói (RJ) em 26 de janeiro de 1917. Formou-se em direito, mas já em 1937 abraçou a carreira jornalística, estreando como cronista e repórter no Correio da Manhã. Na Europa, trabalhou na BBC, em Londres (1942-1944), e na Radiodifusion Française, em Paris (1944-1946). Depois de seu regresso ao Brasil, foi redator-chefe do Correio da Manhã (1954-1959). Entre 1960 e 1963, foi redator-chefe da Enciclopédia Barsa, publicada no Brasil pela Encyclopaedia Britannica. Voltou ao Correio da Manhã, por pouco tempo, em 1964. Até 1975, foi editorialista do Jornal do Brasil.

Foi com a peça Pedro Mico (1957) que Antônio Calado, já conhecido como jornalista, despontou para o sucesso na criação literária. Dez anos depois, foi consagrado como escritor ao publicar Quarup (1967), romance cuja composição o absorveu por dois anos.

Como extensão de sua atividade na imprensa, publicou várias reportagens em livros, como O esqueleto da lagoa Verde (1957), Os industriais da seca e os "galileus" de Pernambuco (1959) e Tempo de Arraes (1965). Além de Pedro Mico, escreveu peças como O tesouro de Chica da Silva (1959) e Forró no Engenho Cananéia (1965). Como romancista, publicou ainda Assunção de Salviano (1954), A madona de cedro (1957), Bar Don Juan (1971), Reflexos do baile (1976), Sempreviva (1981), Concerto carioca (1985). Em 1994 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Morreu no Rio de Janeiro em 28 de janeiro de 1997.

Antenor NascentesAntenor Nascentes
Antenor de Veras Nascentes nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 17 de junho de 1886. Estudou no Colégio Pedro II e bacharelou-se pela Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro. Ainda jovem, conquistou por concurso a cátedra de espanhol do Pedro II. Transferiu-se depois para a cátedra de português, matéria que lecionou também na antiga Faculdade de Filosofia do Estado da Guanabara.

Pesquisador do idioma português falado no Brasil, o filólogo e lexicógrafo brasileiro Antenor Nascentes deixou volumosa obra didática e filológica.

Escreveu diversas obras didáticas, entre elas Método prático de análise lógica (1920), Como evitar silabadas em latim (1920), Gramática da língua espanhola (1920), Método prático de análise gramatical (1921) e Noções de estilística e literatura (1929). Admirador dos clássicos gregos e latinos, foi também tradutor, entre outras obras, do Faust (1808-1832), de Goethe, e da obra teatral de Beaumarchais. Preocupado em preservar os textos literários, editou a obra completa de Luís de Camões, Manuel Botelho de Oliveira e Laurindo Rebêlo.

Produziu ainda várias obras ligadas ao ensino superior de filologia. No âmbito das obras de referência, publicou dois volumes do Dicionário etimológico da língua portuguesa (1932 e 1952), Dicionário de dúvidas e dificuldades do idioma nacional (1941), Vocabulário ortográfico da língua nacional (1941), Dicionário básico do português do Brasil (1949), Gíria brasileira (1953) e Dicionário de sinônimos (1957). Em 1967, a Academia Brasileira de Letras editou seu Dicionário da língua portuguesa. Antenor Nascentes morreu no Rio de Janeiro em 6 de setembro de 1972.

Alceu Amoroso LimaAlceu Amoroso Lima
Conhecido também como Tristão de Ataíde, pseudônimo que adotou em 1919 ao iniciar-se como crítico em O Jornal, Alceu Amoroso Lima nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 11 de dezembro de 1893. Formou-se em direito (1913) e, após publicar seu primeiro livro, o ensaio biocrítico Afonso Arinos (1922), travou com Jackson de Figueiredo um famoso e fértil debate, do qual decorreu, em 1928, sua conversão ao catolicismo. No mesmo ano lançou Adeus à disponibilidade e outros adeuses, que ficaria como um divisor de águas na sua evolução intelectual.
 
Crítico literário e pensador católico que sempre se envolveu com a política e as questões sociais, Alceu Amoroso Lima partiu de uma posição muito conservadora para chegar ao fim da vida como um intelectual progressista, em luta contra as transgressões à lei e a censura que o regime militar de 1964 iria impor ao Brasil.

Com a morte de Jackson de Figueiredo, Alceu o substituiu na direção do Centro Dom Vital e da revista A Ordem, tornando-se um ativo líder das correntes católicas conservadoras, sobretudo como presidente da Ação Católica (1932-1945). Engajado nas campanhas da igreja, combateu a Aliança Nacional Libertadora (1935), posicionou-se a favor de Franco na guerra civil espanhola (1936) e integrou uma comissão governamental que se propunha a defender a cultura nacional contra o bolchevismo (1937).

Sob a ditadura de Vargas, foi escolhido para substituir Afonso Pena Júnior na reitoria da Universidade do Distrito Federal, onde assumiu também a cátedra de sociologia. A partir de 1941, ensinou literatura brasileira na Faculdade Nacional de Filosofia, da Universidade do Brasil, e na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Em 1947, começou a escrever para o Diário de Notícias a coluna "Letras universais", que manteve por longos anos e deu-lhe enorme projeção como crítico ao ser transcrita em jornais de várias capitais do país.

Após diversas missões no exterior, entre as quais uma série de conferências na Sorbonne sobre a civilização brasileira, tornou-se em 1958 colaborador regular do Jornal do Brasil e da Folha de São Paulo. Nessa fase, incentivado pelas transformações oriundas, no início da década de 1960, do papado de João XXIII e do Concílio Vaticano II, passou a alinhar-se na ala mais progressista do pensamento católico. Sua forte oposição ao regime militar definiu-se logo após o golpe de março de 1964, quando denunciou pela imprensa a repressão que se abatia sobre a liberdade de pensamento.

Membro da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira no 40, publicou dezenas de livros sobre os temas mais variados, como Problemas da burguesia (1932), Introdução ao direito moderno (1933), Três ensaios sobre Machado de Assis (1941), O existencialismo (1951), A segunda revolução industrial (1961), Memórias improvisadas (1973). Sem nunca renunciar aos seus artigos na imprensa, que contaram sempre com um público dos mais fiéis, Alceu Amoroso Lima morreu em Petrópolis RJ em 14 de agosto de 1983.

Américo Jacobina Lacombe
Américo Jacobina Lacombe
Américo Lourenço Jacobina Lacombe nasceu no Rio de Janeiro RJ em 7 de julho de 1909. Formou-se em direito em 1931. Foi secretário do Conselho Nacional de Educação (1931-1939), diretor e depois presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa desde 1939, secretário de Educação e Cultura do Distrito Federal (1959-1960) e diretor da Casa do Brasil em Paris (1962-1963). A partir de 1957, passou a dirigir a coleção Brasiliana, da Companhia Editora Nacional. Catedrático da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, foi também professor do Colégio Pedro II  e do Instituto Rio Branco. Entrou para a Academia Brasileira de Letras em 1974.

Ligado à Fundação Casa de Rui Barbosa durante mais de meio século, Américo Jacobina Lacombe foi um dos maiores divulgadores da obra de Rui Barbosa.

Além de Um passeio pela história do Brasil (1943), destacam-se em sua obra vários estudos sobre Rui: Mocidade e exílio de Rui Barbosa (1934), cartas de Rui anotadas e prefaciadas; O pensamento vivo de Rui Barbosa (1944); Rio Branco e Rui Barbosa (1948); Formação literária de Rui Barbosa (1954); e Presença de Rui na vida brasileira (1967). Lacombe faleceu em 7 de abril de 1993, no Rio de Janeiro.

Inácio José de Alvarenga Peixoto Inácio José de Alvarenga Peixoto
Inácio José de Alvarenga, que só por volta de 1769 acrescentou a seu nome literário o sobrenome Peixoto e se assinava também, como integrante da Arcádia Mineira, com os pseudônimos de Alceu e Eureste Fenício, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 1º de fevereiro de 1742. Doutor em leis pela Universidade de Coimbra, foi juiz de Cintra, regressando ao Brasil (1775) como ouvidor de Rio das Mortes (atual São João del-Rei). Aí casou-se com Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, a quem dedicou alguns de seus melhores versos.

Inconfidente e poeta brasileiro, do qual restam apenas alguns sonetos e uma pequena obra laudatória, Alvarenga Peixoto ocupa uma posição mediana entre os três grandes árcades (Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga) e os numerosos versejadores ativos na segunda metade do século XVIII, em Minas Gerais.

Proprietário de lavras no sul de Minas, tomou parte na Inconfidência, ao que parece, por ser contrário às pesadas taxações do reino. Preso, negou sua participação no movimento, mas mesmo assim foi condenado à morte, pena comutada para o degredo na África (1792).

Teria escrito, segundo a tradição, o drama lírico Enéias no Lácio, desaparecido. Suas composições existentes, reunidas em Obras poéticas (1865) por Joaquim Norberto, foram reproduzidas por Péricles Eugênio da Silva Ramos na antologia Poesia do ouro (1964). Embora tenha escrito versos de lealdade a D. Maria I e ao marquês de Pombal, Alvarenga Peixoto permaneceu desterrado e morreu no presídio de Ambaca, em Angola, em 27 de agosto de 1792.

Henrique Foréis Domingues, dito Almirante
Almirante
Henrique Foréis Domingues, dito Almirante, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 19 de fevereiro de 1908. Fez o serviço militar na Marinha, e o uniforme impecável valeu-lhe o apelido definitivo. Integrou em 1929 o Bando de Tangarás, com João de Barro, Álvaro Miranda, Henrique Brito e Noel Rosa. Ganharam fama as marchinhas que compôs na época, como Na Pavuna, com Homero Dornelas.

Figura das mais atuantes da música popular carioca, Almirante marcou também a história dos primórdios da  radiodifusão no Brasil.

Cantor de estilo humorístico, trabalhou em filmes como Alô, alô, Carnaval e, em 1938, iniciou carreira de radialista. Anunciando-se como "a mais alta patente do rádio", liderou numerosos programas de grande audiência, como Incrível! Fantástico! Extraordinário! (1947), em que teatralizava episódios sobrenaturais. Revalorizou antigos músicos, cantores e compositores e, em 1954, criou o Dia da Velha Guarda. Em 1963 publicou No tempo de Noel Rosa, panorama da música popular. Reuniu um vasto arquivo de partituras, discos e documentos, incorporado ao Museu da Imagem e do Som, do Rio de Janeiro. Almirante morreu em 22 de dezembro de 1980, no Rio de Janeiro.

Manuel Antônio de AlmeidaManuel Antônio de Almeida
 Manuel Antônio de Almeida nasceu no Rio de Janeiro RJ em 17 de novembro de 1831. Órfão de pai aos dez anos, conseguiu diplomar-se em medicina, mas desde cedo, para sobreviver, trabalhou como jornalista. Foi revisor e redator do Correio Mercantil, onde suas Memórias, em forma de folhetins e assinadas sob o pseudônimo de "Um Brasileiro", saíram originalmente entre 1852 e 1853. Mais tarde, nomeado administrador da Tipografia Nacional, conheceu o ainda aprendiz de tipógrafo Machado de Assis.

Com um único romance que escreveu aos 21 anos (Memórias de um sargento de milícias) Manuel Antônio de Almeida conquistou na literatura brasileira uma posição também única, fixando a tradição do romance urbano e pressagiando Machado de Assis.

Revalorizado pela geração modernista de 1922, o livro de Manuel Antônio é um típico romance picaresco, ou de costumes, ambientado no mundo da baixa classe média carioca sob D. João VI. Mais que o personagem central, o irrequieto e simpático Leonardo Pataca, é esse mundo de comadres e barbeiros, vadios e ingênuos, policiais e espertalhões, que ascende ao primeiro plano como foco e motor da narrativa. Segundo a síntese de Antônio Cândido, "seus personagens-tipos são mais sociais do que psicológicos, definindo antes um modo de existir do que de ser".

Como em geral acontece em obras similares, a lógica dos acontecimentos se sobrepõe ao destino dos protagonistas para gerar um painel sociológico através de uma sequência de cenas que se encadeiam sem muito rigor. O romance resulta assim de uma justaposição de flagrantes, como se fosse uma movimentada colagem de hilariantes situações do dia-a-dia, narradas de maneira direta e simples, sempre bem-humorada e às vezes francamente caricatural ("O homem era romântico, como se diz hoje, e babão, como se dizia naquele tempo").

Os homens, basicamente, são sempre os mesmos -- parece sugerir essa estrutura de texto -- e suas facetas individuais contam menos, para revelá-los, do que o conjunto dos comportamentos em grupo. Um indício claro da postura do autor, a esse respeito, é que muitos personagens de sua galeria de tipos são indicados, não por nomes, mas sim pelo lugar que ocupam ou a função que desempenham no grupo: o "compadre", a "comadre", a "cigana", o "tenente-coronel", o "fidalgo", entre outros. Contador talentoso, o autor mostra como a vida social progredia, sempre aproveitando os pretextos para submeter os costumes -- as trocas de influência, os pactos de interesse, os desmandos -- a uma crítica irreverente e mordaz.

Além de Memórias de um sargento de milícias, publicadas em dois volumes (1854-1855) logo após a serialização em jornal, Manuel Antônio deixou ainda um drama lírico, Dois amores (1861), e algumas traduções, bem como textos esparsos no Correio Mercantil, recolhidos por Marques Rebelo na Bibliografia de Manuel Antônio de Almeida (1951).

Tentado a ingressar na política, quando exercia o cargo de oficial de secretaria no Ministério da Fazenda, Manuel Antônio de Almeida candidatou-se a deputado provincial, mas morreu no naufrágio do vapor Hermes, perto de Macaé RJ, em 28 de novembro de 1861, quando se dirigia a Campos em viagem de campanha.

Alceu Amoroso LimaAlceu Amoroso Lima
Conhecido também como Tristão de Ataíde, pseudônimo que adotou em 1919 ao iniciar-se como crítico em O Jornal, Alceu Amoroso Lima nasceu no Rio de Janeiro RJ em 11 de dezembro de 1893. Formou-se em direito (1913) e, após publicar seu primeiro livro, o ensaio biocrítico Afonso Arinos (1922), travou com Jackson de Figueiredo um famoso e fértil debate, do qual decorreu, em 1928, sua conversão ao catolicismo. No mesmo ano lançou Adeus à disponibilidade e outros adeuses, que ficaria como um divisor de águas na sua evolução intelectual.

Crítico literário e pensador católico que sempre se envolveu com a política e as questões sociais, Alceu Amoroso Lima partiu de uma posição muito conservadora para chegar ao fim da vida como um intelectual progressista, em luta contra as transgressões à lei e a censura que o regime militar de 1964 iria impor ao Brasil.

Com a morte de Jackson de Figueiredo, Alceu o substituiu na direção do Centro Dom Vital e da revista A Ordem, tornando-se um ativo líder das correntes católicas conservadoras, sobretudo como presidente da Ação Católica (1932-1945). Engajado nas campanhas da igreja, combateu a Aliança Nacional Libertadora (1935), posicionou-se a favor de Franco na guerra civil espanhola (1936) e integrou uma comissão governamental que se propunha a defender a cultura nacional contra o bolchevismo (1937).

Sob a ditadura de Vargas, foi escolhido para substituir Afonso Pena Júnior na reitoria da Universidade do Distrito Federal, onde assumiu também a cátedra de sociologia. A partir de 1941, ensinou literatura brasileira na Faculdade Nacional de Filosofia, da Universidade do Brasil, e na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Em 1947, começou a escrever para o Diário de Notícias a coluna "Letras universais", que manteve por longos anos e deu-lhe enorme projeção como crítico ao ser transcrita em jornais de várias capitais do país.

Após diversas missões no exterior, entre as quais uma série de conferências na Sorbonne sobre a civilização brasileira, tornou-se em 1958 colaborador regular do Jornal do Brasil e da Folha de São Paulo. Nessa fase, incentivado pelas transformações oriundas, no início da década de 1960, do papado de João XXIII e do Concílio Vaticano II, passou a alinhar-se na ala mais progressista do pensamento católico. Sua forte oposição ao regime militar definiu-se logo após o golpe de março de 1964, quando denunciou pela imprensa a repressão que se abatia sobre a liberdade de pensamento.

Membro da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira no 40, publicou dezenas de livros sobre os temas mais variados, como Problemas da burguesia (1932), Introdução ao direito moderno (1933), Três ensaios sobre Machado de Assis (1941), O existencialismo (1951), A segunda revolução industrial (1961), Memórias improvisadas (1973). Sem nunca renunciar aos seus artigos na imprensa, que contaram sempre com um público dos mais fiéis, Alceu Amoroso Lima morreu em Petrópolis RJ em 14 de agosto de 1983.

Alberto TorresAlberto Torres
Alberto de Seixas Martins Torres nasceu em Porto das Caixas, Itaboraí RJ, em 26 de novembro de 1865. Por pressão paterna, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1880. Transferiu-se para a Faculdade de Direito de São Paulo em 1882. Já abolicionista e republicano, ajudou a fundar nessa cidade o Centro Abolicionista e a revista Ça Ira, destinada a difundir os ideais republicanos.

As ideias abolicionistas e republicanas de Alberto Torres evoluíram para uma concepção nacionalista da história, que influenciou o integralismo. Suas últimas obras defendem o nacionalismo, a miscigenação e a necessidade de fortalecimento do poder executivo, ideias que marcaram a constituição de 1934.

Formou-se em Recife em 1885 e no ano seguinte iniciou atividades jornalísticas e políticas no Rio de Janeiro, então capital federal. Colaborou na publicação Vida Moderna (1886) e fundou em 1889, em Niterói RJ, o jornal O Povo. Elegeu-se deputado à Assembleia Constituinte do estado em 1892 e deputado à primeira legislatura federal em 1893. Exerceu os cargos de ministro da Justiça e Negócios Interiores em 1896 e presidente do Rio de Janeiro de 1897 a 1900. Em 1901 tornou-se ministro do Supremo Tribunal Federal e, seis anos depois, assumiu a direção do influente jornal O País, em que assinava uma coluna sobre questões internacionais.

Em 1909, aposentado, publicou dois livros de caráter pacifista: Vers la paix (1909; A caminho da paz) e Le Problème mondial (1913; O problema mundial). Suas principais obras -- A organização nacional e O problema nacional, publicadas em 1914 -- reúnem artigos publicados no Diário de Notícias, entre 1910 e 1911, e no Jornal do Comércio, em 1912. Neles, afirma que o Brasil deveria aproveitar as lições dos outros povos, sem lhes copiar as instituições, as quais "deveriam resultar da própria natureza do país". Seu último livro, As fontes da vida no Brasil (1915), dá prosseguimento à defesa do nacionalismo étnico-social. Alberto Torres morreu no Rio de Janeiro RJ em 29 de março de 1917.

Alberto Cavalcanti
Alberto Cavalcanti
Alberto de Almeida Cavalcanti nasceu no Rio de Janeiro RJ em 6 de fevereiro de 1897. Depois de  estudar direito e arquitetura na Suíça, foi como cenógrafo que fez seus primeiros exercícios em cinema, em filmes de Marcel L'Herbier, Louis Delluc e outros. Naturalizou-se francês e passou à direção em 1926 com Le Train sans yeux (O trem sem olhos) e Rien que les heures (Apenas as horas). O terceiro, En rade (1927; À deriva) tornou-se um clássico e seria por ele refilmado no Brasil como O canto do mar (1954).

Filmes vanguardistas, rodados na década de 1920 na França, e as experiências inovadoras nas duas décadas seguintes no cinema documental e ficcional inglês fizeram de Alberto Cavalcanti um dos nomes mais destacados entre os cineastas de sua geração.

Com o advento do cinema falado, foi contratado pela Paramount e realizou versões sonoras, em francês e português, de 21 filmes produzidos em Hollywood. Suas teorias inovadoras sobre a função de ruídos e palavras atraíram a atenção de John Grierson, que o convidou a fazer parte do grupo experimental do General Post Office (Correio Geral) britânico, no qual desenvolveu-se o documentário moderno. Produtor e montador, Cavalcanti contribuiu para filmes marcantes como Coalface (1936; Cara de carvão), Night Mail (1936; Correio noturno), North Sea (1938; Mar do Norte) e outros.

Durante a segunda guerra mundial, na produtora Ealing, combinou documentário e ficção em filmes como The Foreman Went to France (1941; O capataz foi à França) e Went the Day Well? (1942; O dia foi bem?). Logo retornou à ficção pura e dirigiu filmes que lhe consagraram o prestígio: Dead of Night (1945; Na solidão da noite), Adventures of Nicholas Nickleby (1946; Nicholas Nickleby), do romance de Dickens; For Them That Trespass (1948; O transgressor) e outros.

Regressando ao Brasil, Cavalcanti ajudou a criar a Vera Cruz, empresa para a qual produziu Caiçara (1950) e Terra é sempre terra (1951). Na Maristela, dirigiu Simão, o caolho (1952), considerado o seu melhor filme brasileiro, e na Kino-Filmes, O canto do mar e Mulher de verdade (1954). Ainda no Brasil publicou o livro Filme e realidade (1952). Malvisto por suas posições de esquerda e inconformado com o marasmo da vida cultural brasileira, voltou à Europa, onde realizou outros filmes, como Herr Puntilla und sein Knecht Matti (O senhor Puntilla e seu criado Matti), baseado na peça de Brecht. Alberto Cavalcanti morreu em Paris em 23 de agosto de 1982.

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