Guerra do Kosovo (1999)

Guerra do Kosovo (1999)

Guerra do Kosovo (1999)Quase 1 milhão de kosovares escolhem em outubro de 2000 os conselhos municipais de Kosovo, em eleições consideradas cruciais para a pacificação da província, ainda marcada pela tensão entre as comunidades sérvia e albanesa. Embora a votação transcorra em clima tranquilo, a minoria sérvia boicota o pleito, com o apoio do novo presidente da Iugoslávia, Vojislav Kostunica.

Confluência de povos – O conflito em Kosovo - uma província da Sérvia que passa para a tutela da ONU em 1999 - é o mais recente capítulo do violento processo de dissolução da Iugoslávia. Habitado por vários povos, o país tem dificuldade em manter a unidade nacional desde sua criação, no final da I Guerra Mundial. Josip Broz , o marechal Tito, consegue a coesão ao chegar ao poder, em 1945. Tito estabelece o regime comunista e garante direitos iguais a seis repúblicas iugoslavas - Sérvia, Montenegro, Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegóvina e Macedônia - e a suas regiões autônomas - Voivodina e Kosovo. Sua morte, em 1980, associada ao colapso do comunismo, abala a federação.

Guerra civil – Apoiado pelo Exército, o líder nacionalista Slobodan Milosevic assume a Presidência da Sérvia em 1989 e procura firmar o domínio sérvio sobre a federação. A declaração de independência da Eslovênia e da Croácia, em 1991, dá início à desintegração e aos conflitos militares. Os mais sangrentos ocorrem na Bósnia-Herzegóvina, a partir de 1992. Contrárias à separação, milícias sérvias da Bósnia massacram as minorias étnicas bósnio-muçulmanas e croatas. Só em 1995 é criada uma confederação, composta da República Sérvia e da Federação da Bósnia (muçulmano-croata). Cerca de 200 mil pessoas morrem na guerra, a mais grave em solo europeu após a II Guerra Mundial.

Conflito em Kosovo – Os albaneses de Kosovo (90% da população) iniciam uma violenta campanha pela independência em 1998, sob o comando do Exército de Libertação de Kosovo (ELK). A opção pela luta armada acontece quase dez anos após a província ter sua autonomia cassada (1989) por Milosevic. Em represália, o presidente iugoslavo (no cargo desde 1997) incentiva a "limpeza étnica" contra civis albaneses, método usado na Bósnia. Negociações de paz fracassam e, em março de 1999, a Otan decide atacar a Iugoslávia. Num primeiro momento, os bombardeios acirram a repressão sérvia em Kosovo, e quase 1 milhão de albaneses kosovares fogem para nações vizinhas. Mas, após 78 dias de ofensiva e um saldo de 1,2 mil civis mortos, Milosevic capitula e retira suas tropas da região.

Protetorado – Uma força internacional de paz, a KFOR, assume o controle militar e a ONU instala um governo provisório. Com o fim da guerra, aumentam os atentados contra a minoria sérvia (sobre tudo em Mitrovica), que vive em enclaves vigiados por tropas da KFOR. Até abril de 2000, quase 200 mil sérvios haviam deixado a província e cerca de 880 mil kosovares estavam de volta. Nas eleições de outubro, a Liga Democrática de Kosovo (LDK), do líder moderado albanês Ibrahim Rugova, obtém a maioria dos votos, derrotando o Partido Democrático de Kosovo (PDK), fundado por ex-milicianos do ELK. Lideranças albanesas vêem a eleição como o primeiro passo para a independência, mas a deposição de Milosevic, em outubro, não altera a postura do governo central. Kostunica reprova a eleição, afirmando que ela "legaliza uma sociedade monoétnica" e pede o início de negociações sobre o status de Kosovo "no seio da Iugoslávia".

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