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Índios no Período Colonial do Brasil


Índios no Período Colonial do Brasil

Índios no Período Colonial do Brasil
No final do século XV, às vésperas da chegada dos europeus, o continente americano possuía entre 80 milhões e 100 milhões de habitantes. Desse total, cerca de 30 milhões estariam na América do Sul. Na área do atual território brasileiro, havia uma população de 3 milhões a 5 milhões de habitantes, segundo as estimativas mais aceitas, divididos em cerca de 1,5 mil grupos tribais étnica e culturalmente distintos. Existiam 40 grandes famílias linguísticas, com duas ou três dezenas de línguas cada uma, na sua maioria agrupadas em três principais troncos. O tupi-guarani era o mais importante entre as populações litorâneas, o macro-jê predominava nos cerrados, e o aruak dominava na Amazônia. Dessas populações nativas originais restavam, no início dos anos 90, aproximadamente 350 mil índios, de 215 etnias e 170 línguas, segundo a Funai. Hoje há no Brasil 710 mil índios, segundo os dados do Censo de 2010, confirmando o crescimento da população indígena no país.

Sociedade indígena – Ao chegar ao litoral brasileiro, os portugueses encontram povos nativos que não são mais apenas caçadores-coletores. Praticam uma agricultura diversificada – mandioca, milho, feijão, abóbora, batata-doce, amendoim –, ainda que com técnica rudimentar, baseada na queimada e no plantio manual. Criam alguns pequenos animais – não conhecem cavalos, porcos nem vacas, por exemplo –, completando o abastecimento de carne com a pesca e a caça em matas, rios e manguezais próximos das aldeias. As relações entre as tribos são determinadas por regras e tradições sociais e políticas, como as celebrações religiosas, o enterro dos mortos, o casamento, as alianças, as guerras e as migrações. Os colonizadores registram sua visão inicial dos povos do Novo Mundo em numerosos textos, pinturas, gravuras e desenhos. Apesar de refletir o olhar europeu, com muitas simplificações e preconceitos, esses documentos estão entre as principais fontes de informação sobre essas populações. Também são importantes os estudos antropológicos, linguísticos e arqueológicos, feitos tanto quanto possível em contato direto com os grupos nativos existentes, que ainda conservam o legado cultural de seus antepassados.

Relações entre colonizadores e indígenas – No início, a visão dos portugueses sobre os índios é de estranheza e encantamento. Conforme o relato de Caminha, eles se espantam com a nudez dos tupiniquins da Bahia, mas ficam fascinados com sua inocência. Os primeiros jesuítas surpreendem-se com o fato de que determinados grupos tupis vivam "em sossego", enquanto outros, que são chamados de tapuias, como os caetés e os carijós, vivam em "guerras e tropelias". Mas tanto os religiosos como os colonos, ao conhecer mais de perto a vida de alguns povos, com seus rituais de curandeirismo e canibalismo, e ao sentir as primeiras reações ferozes à conquista portuguesa, passam a alimentar uma grande desconfiança ou mesmo rejeição em relação aos nativos. O chefe dos jesuítas, o padre Manuel da Nóbrega, classifica os índios em geral de bárbaros e defende sua dominação para convertê-los e salvá-los. Os colonizadores desejam que eles trabalhem nas plantações. As tentativas iniciais de uma parceria dos conquistadores com os nativos, feitas em torno do escambo do pau-brasil, não perduram. Os interesses econômicos e políticos da colonização impõem a submissão dos nativos de uma forma ou de outra, e a estes só resta reagir, enfrentando os conquistadores até a morte, fugindo em massa para regiões distantes ou aceitando a integração à vida das fazendas e vilas coloniais.

Escravidão e miscigenação – Com a falta de mão-de-obra para as lavouras, os colonos buscam na captura e na escravização dos índios a solução para o trabalho em suas roças, plantações, moinhos e engenhos, e também para os serviços domésticos. Nas regiões da grande agricultura canavieira, essa solução não se mostra eficaz, e os índios são substituídos pelos negros africanos. Mas, por toda a colônia, eles continuam a atuar nos mais diversos serviços, como na plantação de roças, no transporte de alimentos, na caça em matas e na construção de casas nas vilas. E continuam a misturar-se à população colonial, num processo intenso de miscigenação. Com a escassez permanente de mulheres brancas, os colonos casam-se com índias e têm filhos mestiços, que logo representam parte expressiva da população da colônia. Em regiões como São Paulo, onde a utilização da mão-de-obra indígena é constante, estima-se que no século XVII eles formem pelo menos a metade de toda a população da capitania. É também nessas regiões que a aculturação se dá mais intensamente, nos costumes, nas práticas religiosas e no uso do idioma. Por quase todo o litoral, nos dois primeiros séculos da colonização, uma língua bastante usada é a "geral" ou "brasílica", mistura de português com tupi que os jesuítas ajudam a elaborar para facilitar o entendimento entre colonos e índios. Apesar de ser proibida por lei, a escravidão indígena é amplamente praticada. Ao lado das doenças, das guerras e da fome, ela é responsável pela eliminação de dois terços da população nativa entre os séculos XVI e XVIII. Calcula-se que na época da independência o Brasil tenha menos de 1 milhão de índios, aculturados ou não.

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