Revolução Iraniana (1979)

Revolução Iraniana (1979)

Revolução Iraniana (1979)
A Revolução Iraniana derruba em 1979 o xá Reza Pahlevi, no Irã, e substitui seu regime pró-ocidental por uma República islâmica xiita, em que o poder de fato é exercido pelos líderes religiosos. O período moderno do Irã tem como marco o golpe de Estado de 1921, quando o general Reza Khan derruba o último sultão Kajar, coroando-se xá em 1926 com o nome de Reza Shah Pahlevi. Um decreto real em 1935 muda o nome do país de Pérsia para Irã.

A II Guerra Mundial atinge o Irã em 1941 com a ocupação do país por tropas inglesas e soviéticas. O xá, que simpatizava com o nazismo, abdica em favor do filho, Mohammad Reza Pahlevi. A ocupação estrangeira termina em 1946. O novo xá volta-se para o Ocidente, que lhe garante recursos necessários para sustentar os conflitos fronteiriços com o Iraque.

Em 1951, o país entra em choque com os interesses do Reino Unido, em conseqüência da decisão do Parlamento iraniano, sob o comando do primeiro-ministro Mohammad Mussadeq, de nacionalizar as companhias petrolíferas estrangeiras, quase todas britânicas. O Irã rompe relações com o Reino Unido. A União Soviética (URSS) apóia o Irã e começa a comprar seu petróleo para compensar o boicote decretado pelos países ocidentais. Em agosto de 1953, Mussadeq é deposto por um golpe militar realizado com a ajuda do serviço secreto do Reino Unido e dos Estados Unidos da América (EUA). O xá Reza Pahlevi, que havia fugido do país, retorna e assume poderes ditatoriais. Mussadeq é preso. A influência norte-americana cresce no país.

O xá inicia em 1963 a "revolução branca", uma campanha de modernização que inclui a reforma agrária e o direito de voto às mulheres. Os laços militares com os EUA aprofundam-se em 1971, quando os norte-americanos concedem ao Irã crédito para a compra de armas no valor de 1 bilhão de dólares. Cresce o descontentamento popular com a influência secular do Ocidente, principalmente dos EUA. A aliança com o Ocidente não impede o governo iraniano de assumir o controle da indústria petrolífera nem de aderir ao embargo decretado pela Opep em 1973.

O autoritarismo do regime, as perseguições e torturas da polícia política (Savak) treinada pela CIA e a instituição do monopartidarismo em 1975 desencadeiam forte oposição ao xá Reza Pahlevi. Os líderes muçulmanos xiitas, religião professada por mais de 90% da população, condenam a ocidentalização dos projetos de reforma, que se desviam da tradição islâmica. Os líderes políticos protestam contra o desrespeito aos direitos humanos. A partir de 1977, crescem as manifestações contra o governo. Em 1978, as diversas correntes de oposição ao xá (esquerdistas, liberais e muçulmanas tradicionalistas) unem-se sob a liderança do aiatolá Ruhollah Khomeini, exilado na França desde 1963.

O governo não consegue controlar a insurreição e, em janeiro de 1979, o xá Reza Pahlevi foge do país com toda a família. O poder é transferido ao primeiro-ministro Shapur Bakhtiar. As Forças Armadas aderem aos revoltosos. Khomeini regressa triunfalmente a Teerã, capital do país, em 1º de fevereiro de 1979 e, dez dias depois, assume o poder, com a renúncia e fuga de Bakhtiar.

Em 1º de abril, o Irã é declarado oficialmente uma República islâmica, cuja autoridade suprema é um chefe religioso (o próprio Khomeini). Para a chefia executiva do governo, é eleito presidente da República, em janeiro de 1980, Abolhasan Bani-Sadr, um dos líderes da oposição laica ao governo do xá. Os chefes da polícia política do xá (a Savak) são executados. Khomeini estimula o fanatismo religioso e consagra o terrorismo como política de Estado. Prega a guerra santa contra os opositores do regime, principalmente os EUA, apontados como o "grande satã".

Em 4 de novembro de 1979, um grupo de militantes islâmicos ocupa a Embaixada dos EUA em Teerã e toma 64 norte-americanos como reféns. O governo iraniano apóia a ocupação e faz várias exigências, entre as quais a extradição do xá, que estava nos EUA. O governo norte-americano congela os bens iranianos no país e, em abril de 1980, ordena uma fracassada incursão militar em território iraniano. O impasse não se resolve nem com a morte do xá, em 27 de julho de 1980, no Egito. Os reféns norte-americanos são libertados somente em janeiro de 1981, depois de um acordo para a devolução dos bens do Irã nos EUA, com mediação da Argélia.

Nessa época, o país já enfrenta a guerra com o Iraque, cujo governo havia ocupado áreas em litígio às margens do rio Chatt El-Arab. A guerra provoca grande destruição nas duas nações. Só termina em 1988, e as fronteiras – objeto da disputa – permanecem inalteradas. Estima-se que tenham morrido 400 mil iranianos e 300 mil iraquianos.

A Revolução Islâmica logo degenera numa luta pelo poder em que se confrontam os aiatolás, partidários da instalação de um regime teocrático, e as forças civis, defensoras da separação entre o Estado e a religião. Em 1981 ocorrem combates entre a Guarda Revolucionária, milícia ligada aos aiatolás, e os Combatentes do Povo (mujahedin), de esquerda. O presidente Bani-Sadr, que se havia aliado aos mujahedin, é destituído pelo Parlamento e se exila na França. Os mujahedin tentam uma insurreição e são esmagados num conflito em que morrem 13 mil pessoas.

Os rebeldes realizam atos terroristas, assassinando altas autoridades. Em 1983, a repressão atinge o Partido Comunista (Tudeh), com o qual o regime de Khomeini convivia pacificamente. Os principais dirigentes comunistas são presos e o partido é declarado ilegal. Os problemas econômicos, agravados pela queda do preço do petróleo, trazem à tona as divergências entre os aiatolás. A ala mais moderada – os chamados "pragmáticos" – prega o abandono da política isolacionista e a aproximação com o Ocidente, visando obter recursos para desenvolver o país. A corrente radical opõe-se às influências externas. O predomínio dos radicais expressa-se na sentença de morte decretada pelo aiatolá Khomeini, em 1989, contra o escritor anglo-indiano Salman Rushdie, cujo livro Versos Satânicos é julgado ofensivo ao Islã. A morte de Khomeini, em 3 de junho de 1989, favorece os pragmáticos. Um líder religioso moderado, Ali Hashemi Rafsanjani, é eleito presidente. Entra em choque com Ali Khamenei, aiatolá radical escolhido por Khomeini para sucedê-lo. Rafsanjani é reeleito presidente em 1993, com 63% dos votos, e promete manter a abertura para o exterior, principalmente na área econômica.

Em 1995 há um agravamento da crise econômica e do confronto com os EUA, motivado pela possibilidade de o Irã fabricar uma bomba nuclear com tecnologia russa. Em 1996, o Congresso norte-americano aprova uma lei de sanções a empresas que investirem mais de 40 milhões de dólares anuais no Irã ou na Líbia, países acusados de terrorismo. Na eleição presidencial de 1997 vence o moderado Sayed Mohammad Khatami, com 70% dos votos, derrotando Ali Nateq Nouri, o candidato do clero. O novo presidente assume em agosto e busca maior aproximação com os EUA e os países ocidentais, o que provoca reações dos setores de linha dura.

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