Revolução Mexicana (1910 - 1940)

Revolução Mexicana (1910 - 1940)

Revolução Mexicana (1910 - 1940)A Revolução Mexicana período de grandes transformações sociais e políticas no México, que se estende de 1910 a 1940. A revolução mobiliza milhões de camponeses índios e provoca a derrocada do poder da Igreja, dos grandes latifundiários e do capital estrangeiro. Suas origens datam dos conflitos e tensões gerados pelas transformações demográficas, econômicas e sociais ocorridas durante a Presidência de Porfírio Díaz, conhecida como "porfiriato" (1876-1911).

Nesse período, grandes empresas dos Estados Unidos (EUA) apoderam-se da economia mexicana, dominando desde as plantações até o petróleo. A presença do capital estrangeiro proporciona certo avanço econômico, com o aparecimento de uma nova classe burguesa e um novo tipo de proprietário de terras. Essa camada, contrária à ditadura de Díaz, defendia uma democracia liberal, sem modificações profundas na estrutura de poder.

O regime torna-se cada vez mais centralizador e autoritário. A corrupção do grupo no poder torna-se ostensiva. O governo favorece as elites tradicionais e as emergentes, mas impede a participação política das crescentes classes média e trabalhadora. Apenas 4% do povo vota, em eleições fraudulentas, e o analfabetismo atinge 70% da população.

Díaz convoca eleições presidenciais em 1910 e prende o latifundiário liberal Francisco Madero, líder do movimento que se opunha à reeleição do ditador. Como candidato único, Díaz é considerado eleito. Madero foge da prisão e vai para os EUA. Do exílio, lança uma conclamação à rebelião com armas para derrubar Díaz, prometendo, em um novo governo, uma reforma eleitoral e terras para os camponeses. A resposta que recebe é entusiástica. Rapidamente, a revolta alastra-se pelo país. Um dos chefes camponeses destacados, no sul do país, é Emiliano Zapata, que comanda 20 mil homens na "Legião da Morte", combatendo as forças porfiristas com fuzis e facões de cortar cana. Ao norte, os líderes camponeses importantes são Pancho Villa e Pascual Orozco. O crescimento da movimentação camponesa leva Díaz a renunciar e fugir, em maio de 1911.

Madero é eleito presidente e, no poder, mantém intato o aparelho de Estado, em particular o Exército, o que provoca revolta entre seus apoiadores. Zapata recusa-se a desarmar seus homens e exige a reforma agrária, negada pelo novo presidente. A reação do líder camponês é proclamar-se em rebelião contra Madero e anunciar o Plano de Ayala, em novembro de 1911, para a distribuição da terra dos latifundiários aos camponeses. Villa engrossa o movimento. Madero envia o general Victoriano Huerta para caçar Zapata, que repele a ofensiva do Exército e vê seu prestígio crescer junto às populações pobres. Num lance ousado, Zapata vai disfarçado à Cidade do México para uma audiência com o presidente, em que pretendia obter a legalização de seu Exército de Libertação do Sul. Madero recusa-se a negociar.

Em fevereiro de 1913, enquanto a luta prossegue no Norte e no Sul, o general Huerta assassina Madero. O golpe contra-revolucionário é organizado com apoio da Embaixada dos EUA e das empresas petrolíferas, que querem um governo militar forte para derrotar os revolucionários. A morte do presidente leva a uma passageira frente da oposição, com participação de Zapata e Villa, chefiada pelo liberal Venustiano Carranza, que proclama o Plano de Reconstrução Constitucional. Um incidente com soldados norte-americanos provoca a intervenção do governo dos EUA no porto de Vera Cruz. O objetivo é intimidar Huerta, a quem o governo norte-americano não conseguia mais controlar, e também as forças revolucionárias. Sob pressão conjunta da hostilidade diplomática dos EUA e da oposição, Huerta renuncia em julho de 1914. O poder passa a Carranza e o novo governo é imediatamente reconhecido pelos EUA.

Vitoriosos, os revolucionários dividem-se em constitucionalistas (Carranza e Álvaro Obregón), que propõem a reforma da Constituição Liberal de 1857, e convencionistas (Zapata e Villa), que desejam implementar as propostas de transformações radicais da convenção de Aguascalientes (1914). Nas regiões controladas por Zapata começam a ser colocadas em prática as reformas do Plano de Ayala, que prevê a devolução da terra às comunidades indígenas, expropriação de um terço das terras dos grandes proprietários para distribuição aos camponeses sem terra, fundação de um Banco Agrícola Nacional e de um Partido Agrário e confisco total das terras de quem se opusesse às reformas. As medidas vão mais longe do que o proposto no texto original. Além da reforma agrária, formam-se escolas técnicas, fábricas de ferramentas e um banco de crédito rural. Carranza, no entanto, pretende institucionalizar a revolução e Zapata aparece como um obstáculo.

Em fevereiro de 1917 é promulgada a Constituição reformada, com algumas transformações oriundas do Plano de Ayala, como a nacionalização do solo e do subsolo e devolução das terras comuns aos indígenas (os ejidos). A Igreja Católica é separada do Estado e tem seus poderes diminuídos. Os trabalhadores passam a ter direitos reconhecidos, como jornada de trabalho de oito horas, proibição do trabalho infantil e indenização por tempo de serviço aos empregados dispensados. As medidas previstas na Constituição, no entanto, são amplamente ignoradas pelo governo. Zapata é assassinado a mando de Carranza em 1919 e o país continua em guerra civil. Carranza é deposto e assassinado em 1920 e o novo presidente passa a ser o general Álvaro Obregón, que consolida a revolução. Villa abandona a luta em 1920 e é assassinado três anos depois. Ao mesmo tempo, vários revolucionários no governo procuram enriquecer, traindo a confiança que as amplas massas populares depositam em sua atuação.

Apesar disso, muitas mudanças ocorrem nos anos seguintes. No governo de Obregón (1920-24) organizam-se sindicatos e consolida-se o sistema de educação nacional, mesmo com a oposição da Igreja Católica. No plano artístico, inicia-se o desenvolvimento da grande pintura mural mexicana, que tem entre seus maiores realizadores Diego Rivera, José Clemente Orosco e David Siqueiros.

Em 1929 é fundado o Partido Revolucionário Nacional (PRN), rebatizado em 1938 de Partido Revolucionário do México e em 1946 de Partido Revolucionário Institucional (PRI), que se torna, por décadas, o virtual partido único no país. O general Lázaro Cárdenas, presidente entre 1934 e 1940, aprofunda a reforma agrária e nacionaliza as empresas de petróleo e ferrovias. Quando o presidente Manuel Ávila Camacho (1940-1946) é eleito, um período de consolidação e reconciliação marca o fim da revolução, dando início a uma fase de desenvolvimento industrial.

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