Clonagem, O Que é Clonagem?

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Clonagem, O Que é Clonagem?

Clonagem, O Que é Clonagem?
A primeira clonagem bem-sucedida de um animal adulto é realizada, em 1996, pelo embriologista escocês Ian Wilmut, do Instituto Roslin, na Escócia. Da experiência nasce a ovelha Dolly. Deste ano em diante, outros animais, como camundongos, macacos, bois, porcos e gatos, foram clonados. Apesar de declarações polêmicas do médico italiano Severino Antinori, até hoje não há um caso comprovado de clonagem humana. Oficialmente, em 2001, a empresa norte-americana Advanced Cell Technology conseguiu clonar um embrião que morreu quando tinha apenas seis células. Em 2004, cientistas da Coreia do Sul anunciaram sucesso na clonagem de 30 embriões humanos, que se desenvolvem até o tamanho de 100 células, para obtenção de células-tronco. A longo prazo, os cientistas esperam obter tecidos para transplantes que não ofereçam nenhum tipo de rejeição.

A clonagem é um método artificial de reprodução que emprega células somáticas, como as que formam os órgãos, os ossos ou a pele, no lugar de células sexuais, como o óvulo e o espermatozoide. Na natureza, os organismos se reproduzem por meio das células sexuais. As exceções são os vírus, as bactérias e outros seres unicelulares. Há também certos vegetais que, mesmo tendo células sexuais, geram novas mudas das células somáticas. Isso pode ser observado nas plantas que se multiplicam de um ramo do vegetal adulto.

Clonagem, O Que é Clonagem?A técnica da clonagem – A experiência da clonagem ainda não foi compreendida perfeitamente do ponto de vista teórico. Em princípio, não seria possível forçar uma célula somática a se multiplicar, já que nela quase todos os genes estão desligados. Dolly, no entanto, nasce de células mamárias tiradas de uma ovelha adulta. Dessas células, quase toda a massa celular interna, chamada citoplasma, foi descartada. Apenas os núcleos, onde estão os genes, sem os quais não é possível gerar um embrião, foram guardados. Em seguida, os núcleos das células da mama foram colocados dentro de óvulos não-fertilizados de outra ovelha, dos quais haviam sido extirpados os núcleos. Assim, Wilmut construiu células artificiais, usando núcleos de células mamárias dentro do citoplasma de óvulos. As novas células foram colocadas num caldo muito pobre em nutrientes e entraram numa espécie de dormência, interrompendo todas as suas atividades químicas. Então, com um choque elétrico, o cientista as despertou, voltando a alimentá-las bem. Os genes voltaram à ação e as células se transformaram em embriões. Colocados no útero da ovelha que fornecera os óvulos, a imensa maioria não conseguiu se desenvolver, mas um deles deu origem a Dolly.

Foram necessários quase 100 anos de pesquisa até que se chegasse a uma clonagem bem-sucedida. No início do século, diversas experiências com rãs apresentaram resultados controversos. Em todas elas pairou a dúvida de que algumas células sexuais teriam se infiltrado entre as somáticas. Mesmo a experiência com Dolly foi questionada e só recebeu o aval da comunidade científica quando todos os procedimentos foram checados por uma comissão de especialistas.

Partenogênese – Outra técnica desenvolvida recentemente visa obter a reprodução a partir dos próprios óvulos da fêmea sem a contribuição do macho. Denominada partenogênese, essa técnica foi aplicada com sucesso por cientistas coreanos e japoneses em maio de 2004. Eles anunciaram o nascimento da fêmea do camundongo Kaguya, o primeiro mamífero nascido apenas de óvulos, sem nenhuma participação de espermatozoides. Normalmente, quando um ovo (a união de um óvulo com um espermatozoide) se desenvolve, um dos conjuntos do DNA é cedido pelo pai e o outro pela mãe. Nesse caso, foi preciso "apagar" alguns genes de um dos óvulos para que ele "parecesse" com o DNA paterno e combiná-lo com o outro óvulo, que permaneceu inalterado. Foi uma maneira de enganar a natureza, de modo a que uma das mães fizesse o papel do pai biológico. A técnica ainda está em estágio inicial e a taxa de sucesso é muito pequena. Os pesquisadores começaram a pesquisa com 457 óvulos, dos quais 371 foram implantados em 24 fêmeas de camundongo. Desses, 28 alcançaram um estágio fetal avançado, mas 18 nasceram mortos. Oito sobreviveram por 15 minutos após o parto e dois nasceram saudáveis, mas um teve de ser sacrificado para estudos. Sobrou apenas Kaguya, que cresceu e já teve os próprios filhotes pelo método convencional.

Pesquisas sobre envelhecimento – A técnica que deu origem a Dolly vem permitindo a Wilmut estudar como fica nos clones o chamado telômero – pedaço dos cromossomos responsável pelas divisões das células durante a gestação e no decorrer de toda a vida de um animal ou de um ser humano. A cada divisão celular, o telômero se desgasta, sofrendo pequenas mutações. Depois que seus defeitos se acumulam bastante, o organismo ao qual ele pertence morre. A medição do número de mudanças ocorridas no telômero permite estimar a idade de um indivíduo.

No caso de Dolly, como sua mãe tinha 6 anos, a célula que virou embrião e deu origem ao clone também tinha essa idade. Mas, apesar de adulta, a célula começou a funcionar de novo, e nesse momento todos os seus genes voltaram à idade zero. Nessa etapa havia a possibilidade de que os defeitos de seus cromossomos tivessem sido corrigidos. Isso não aconteceu. Segundo Wilmut, todos os genes rejuvenesceram, menos os do telômero. As pesquisas continuam sem resposta. Dolly teve de ser sacrificada em fevereiro de 2003, após ser constatada uma doença pulmonar progressiva. Ela tinha a metade da idade normal em que morrem as ovelhas (12 a 13 anos) quando adquiriu a doença, comum em animais mais velhos. Além disso, Dolly já havia desenvolvido artrite – doença incomum em ovelhas de sua idade. No entanto, o Instituto Roslin nega que o problema da ovelha fosse velhice precoce. Para os cientistas do instituto, Dolly tinha um sistema imunológico deficiente e portanto era mais frágil que as ovelhas comuns.

Clones brasileiros – O Brasil também entrou na era da clonagem de animais. O primeiro clone bovino da América Latina, criado pela Embrapa, foi a vaca Vitória, nascida em 2001, a partir de células de um embrião de cinco dias. Ela cedeu a célula que resultou no nascimento de Vitoriosa, o primeiro clone de clone brasileiro, nascida em fevereiro de 2004, mas morta em 30 de maio por causa de problemas de coração causados por hipertensão arterial. Antes disso, em maio de 2003, houve outra tentativa de clonar filhos de Vitória. Duas bezerras foram gestadas por esse método, mas uma morreu no oitavo mês de gestação e a outra sobreviveu apenas três dias. O segundo clone brasileiro, o novilho Marcolino, nasceu um mês depois de Vitória. Seus criadores, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, esperavam uma fêmea, mas nasceu um macho, que segundo os pesquisadores foi em decorrência de um erro gerado em laboratório. Penta, nascida na Unesp de Jaboticabal em julho de 2002, foi o primeiro clone gerado de células de uma vaca adulta. Ela resistiu apenas um mês, vítima de infecções. Lenda, nascida em setembro de 2003, foi clonada de uma vaca morta em acidente. Ela ainda vive. Em dezembro, a USP anunciou o nascimento de Bela, também a partir de células de uma vaca adulta premiada e ainda viva. O objetivo dos pesquisadores brasileiros é recuperar animais de alto valor reprodutivo, como touros premiados e vacas leiteiras.

Clonagem humana - Polêmica, proibida e perigosa, a clonagem humana nunca foi comprovada. Em 2004, o médico italiano Severino Antinori anunciou que pelo menos três clones humanos teriam nascido em experiências reprodutivas com as quais colaborou. Ele não apresentou provas científicas de suas afirmações. Disse apenas que havia utilizado uma técnica de clonagem na qual o material genético de uma célula adulta é transferido para um óvulo vazio – semelhante à que deu origem à ovelha Dolly. Antinori ganhou notoriedade em 1993 quando ajudou uma mulher de 62 anos a engravidar utilizando um óvulo doado. Mais polêmico, o movimento raeliano – uma seita que acredita que a vida na Terra foi criada por visitantes do espaço – afirma, em 2003, que produziu o primeiro clone humano do mundo, mas também não demonstrou evidências científicas do feito.

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