Guerra Franco-Prussiana e a Comuna de Paris

Guerra Franco-Prussiana e a Comuna de Paris

Guerra Franco-Prussiana e a Comuna de ParisA França declarou guerra à Prússia em 19 de julho de 1870. A causa imediata do conflito foi o temor de que o trono da Espanha, vago com a morte de Isabel II, fosse ocupado pelo príncipe Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen, primo do rei da Prússia, Guilherme I, o que contribuiria para a formação de uma frente antifrancesa. Os conselheiros de Napoleão III lhe asseguraram que o exército francês era capaz de derrotar os prussianos, o que restauraria a declinante popularidade do imperador. Otto von Bismarck, chanceler da Prússia, viu na ambição de Napoleão uma oportunidade de unir os estados alemães do sul à Confederação da Alemanha do Norte, dominada pela Prússia, e construir um forte império germânico.

A derrota da França na guerra de 1870 teve graves consequências na política europeia: acabou com a hegemonia francesa no continente; pôs fim ao poder temporal do papa, apoiado pelas tropas de Napoleão III, possibilitando a unificação da Itália; estimulou a expansão da Rússia na Europa oriental; e ensejou a unificação da Alemanha, sob a liderança da Prússia.

A eficácia da ofensiva alemã, comandada pelo brilhante general Helmuth von Moltke, contrastou com a ineficiência da mobilização francesa. Em apenas quatro semanas, os alemães cercaram em Metz a divisão comandada pelo general Bazaine. Um exército chefiado pelo próprio Napoleão e pelo marechal Mac-Mahon tentou libertar o general, mas acabou cercado pelos alemães na batalha de Sedan, em 31 de agosto. No dia seguinte, os franceses tentaram inutilmente romper o cerco e, em 2 de setembro, Napoleão, Mac-Mahon e 83.000 soldados renderam-se aos alemães.

A resistência francesa prosseguiu sob um novo governo de defesa nacional, que assumiu o poder em Paris em 4 de setembro, depois de proclamar a deposição do imperador e o estabelecimento da terceira república. No dia 19, os alemães começaram a sitiar Paris. O novo governo se dispôs a negociar com Bismarck, mas suspendeu as conversações quando soube que os alemães exigiam a Alsácia e a Lorena. O principal líder do novo governo, Léon Gambetta, fugiu de Paris num balão, para reorganizar o exército no interior, mas o esforço foi em vão: em 27 de outubro, o general Bazaine capitulou em Metz e, em 28 de janeiro de 1871, Paris se rendeu.

O armistício incluía a eleição de uma assembleia nacional francesa que teria a autoridade de firmar uma paz definitiva. O acordo, negociado por Adolphe Thiers, foi assinado em 26 de fevereiro e ratificado em 1º de março. O povo de Paris se revoltou em 10 de maio e instituiu um breve governo revolucionário, a Comuna de Paris. Depois de dois meses de luta sangrenta, a Comuna foi esmagada pelas tropas de Thiers, que aceitou as duras medidas do Tratado de Frankfurt, assinado em 10 de maio: a Alemanha anexou a Alsácia e a Lorena; a França foi obrigada a pagar pesada indenização de guerra e a financiar os custos da ocupação das províncias do norte pelas tropas alemãs, até o pagamento da indenização. O maior triunfo de Bismarck ocorreu em 18 de janeiro de 1871, quando Guilherme I da Prússia foi proclamado imperador da Alemanha em Versalhes, o antigo palácio dos reis da França.

Comuna de Paris
Comuna de Paris - Insurreição popular ocorrida em Paris em 1871, quando, pela primeira vez na história, se instala um governo revolucionário de tendência socialista. Apesar da curta duração, dois meses, influencia movimentos socialistas posteriores, como a Revolução Russa.


A derrota sofrida pela França na Guerra Franco-Prussiana (1870) provoca a derrubada do imperador Napoleão III e a proclamação da III República. O novo governo, chefiado por Adolphe Thiers, negocia a paz com Otto von Bismarck, da Prússia, sob protestos da população. Os habitantes de Paris, sitiados pelo inimigo, revoltados com a capitulação francesa e castigados pelo alto custo de vida, organizam a resistência.

Em março de 1871, os rebeldes tomam o poder em Paris com o apoio da Guarda Nacional e organizam a Comuna. O governo revolucionário, formado por um conselho de cidadãos eleitos pelo voto universal, conta com a participação de representantes de várias tendências socialistas. A administração da cidade é delegada a funcionários eleitos e as fábricas passam a ser geridas por conselhos de trabalhadores. Em abril, a Comuna de Paris faz um manifesto à nação, conclamando todos os cidadãos franceses a formar uma federação de comunas livres e independentes. O Tratado de Paz entre a França e a Alemanha é assinado em maio de 1871 e, em seguida, as tropas do governo de Thiers invadem Paris. Em poucos dias a Comuna é derrotada. Cerca de 20 mil pessoas são mortas e mais de 40 mil, presas. Após a derrota da Comuna, as tropas alemãs deixam o país. A expressão Comuna de Paris também se refere ao governo instituído em Paris em 1792, durante a Revolução Francesa. Na época, os sans-culotte, liderados pelos jacobinos, organizam tropas nacionais e assumem o governo da capital.

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