Itália, Aspectos Gerais da Itália

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Itália, Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Itália

ITÁLIA, ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIOECONÔMICOS DA ITÁLIAGeografia: Área: 301.302 km². Hora local: +4h. Clima: mediterrâneo (S), temperado oceânico (N). Capital: Roma. Cidades: Roma (2.700.000), Milão (1.300.000), Nápoles (1.050.500), Turim (880.000), Palermo (700.000), Gênova (620.000) (2016).

População: 58 milhões (2016); nacionalidade: italiana; composição: italianos 97,7%, outros 2,3%. Idiomas: italiano (oficial), dialetos italianos, alemão, rético, francês, grego, albanês, sardo. Religião: cristianismo 82,1% (católicos 97,2%, outros 2,6% - dupla filiação 0,7%, desfiliados 17%), sem religião 13,2%, ateísmo 3,4%, outras 1,4%. Moeda: euro.

Relações Exteriores: Organizações: Banco Mundial, FMI, G-8, OCDE, OMC, ONU, Otan, UE. Embaixada: Tel. (61) 442-9900, fax (61) 443-1231 – Brasília (DF); e-mail: embitalia@embitalia.org.br, site na internet: www.embitalia.org.br.

Governo: República parlamentarista. Div. administrativa: 20 regiões subdivididas em províncias. Partidos: Coalizão Casa da Liberdade (Força Itália – FI, Aliança Nacional – AN, Liga Norte – LN, entre outros), coalizão A Oliveira (Democratas de Esquerda – DS, Popular Italiano – PPI, Renovação Italiana, dos Comunistas Italianos – PdCI, entre outros), Refundação Comunista (RC). Legislativo: bicameral – Senado, com 325 membros; Câmara dos Deputados, com 630 membros. Constituição: 1948.

A Itália ocupa a península Itálica, no sul da Europa, e algumas ilhas do mar Mediterrâneo. Na Antiguidade, a região é o berço do Império Romano, responsável pela difusão da língua e da cultura latinas pelo mundo. Roma preserva importantes monumentos do período, como o Coliseu e o Panteão. Encravado na capital italiana, está o Estado do Vaticano, sede da Igreja Católica – instituição com forte participação na vida nacional. Durante o Renascimento, o país torna-se centro de irradiação científica e cultural. As principais cidades italianas abrigam um patrimônio histórico e artístico de valor incalculável, o que atrai mais de 35 milhões de turistas anualmente. Uma das principais potências econômicas do mundo, a Itália apresenta grande disparidade interna: o norte é bastante industrializado, enquanto o sul é agrícola e mais pobre. A marca de sua história política recente é a instabilidade: 59 gabinetes já se sucederam desde o fim da II Guerra Mundial, em 1945.

Bandeira da ItáliaHistória da Itália

O poderoso Império Romano surge e se expande a partir da Itália central, na Antiguidade. No século V, com as invasões bárbaras, a península se fragmenta em Estados independentes. Após dois séculos de poder de reis lombardos (568-774), o franco Carlos Magno domina a península e é coroado imperador romano pelo papa em 800. Nos séculos XII e XIII surgem poderosas cidades-Estado, como Milão, Pisa, Gênova e Florença, que, com o Estado Pontifício, mantêm a hegemonia sobre a península.

Renascimento - O século XIV e o XV são o apogeu do Renascimento italiano, que marca as artes e a cultura em toda a Europa. Em 1494, o rei francês Carlos VIII conquista a região, iniciando período de invasões que perdura até o século XIX. Partes da Itália caem em mãos de franceses, espanhóis e austríacos. Na Sicília, a ocupação estrangeira leva à formação, já na época feudal, da máfia – organização criminosa baseada em laços familiares, que, no século XIX, controla a zona rural. O Congresso de Viena (1815) divide a península Itálica entre os Habsburgo austríacos (Veneza e Lombardia), a casa de Savóia (Ligúria), os Bourbon (Parma, Nápoles e Sicília) e o papado (Estados Pontifícios).

Roma, Capital da Itália
Roma, Capital da Itália
Unificação - Na primeira metade do século XIX tem início a unificação da Itália, com o Risorgimento (ressurgimento), movimento liberal e nacionalista. A primeira fase – marcada por revoltas e ações terroristas conduzidas por sociedades secretas, como a dos Carbonários – tem como principal figura Giuseppe Mazzini e termina com a derrota dos republicanos, em 1848. Na segunda fase, a liderança é dividida entre os monarquistas do Piemonte, chefiados por Camilo di Cavour, e as tropas do guerrilheiro republicano Giuseppe Garibaldi. Ajudados pela França, os piemonteses derrotam os austríacos no norte, e Garibaldi expulsa os Bourbon de Nápoles e da Sicília. O novo Estado nasce em 1861, com a proclamação de Vittòrio Emanuèle II, rei da Sardenha e Piemonte, como soberano da Itália. A anexação de Veneza, em 1866, e dos Estados Pontifícios, em 1870, completa a unificação italiana. Em 1900, com o assassinato do segundo rei italiano, Umberto I, por um anarquista, sobe ao trono Vittòrio Emanuèle III. O início do século XX é marcado pelo realinhamento externo do país: em 1915, durante a I Guerra Mundial, a Itália abandona a Alemanha e a Áustria-Hungria e passa para o lado da França e do Reino Unido.

Fascismo - Com o fim do conflito, o país é sacudido por agitações sociais – a esquerda revolucionária lidera ocupações de fábricas no norte. A crise econômica leva ao crescimento do fascismo, movimento de massas nacionalista e autoritário. Em 1922, depois de uma marcha de milícias fascistas em Roma, liderada por Benito Mussolini, o rei o convoca para chefiar o governo. As instituições são relativamente preservadas até 1929, quando é estabelecido regime de partido único, sob o comando de Mussolini. O líder organiza empresários e trabalhadores em corporações controladas pelo Estado. Greves são proibidas, e várias indústrias, estatizadas. No plano externo, a Itália fascista conquista a Abissínia (atual Etiópia), em 1936, e se alia à Alemanha nazista e ao Japão, formando o Eixo.

II Guerra Mundial - Mussolini declara guerra à França e ao Reino Unido, em 1940. As derrotas militares dos italianos na Grécia e na África enfraquecem sua posição na II Guerra Mundial e culminam com o desembarque dos Aliados – França, Reino Unido e Estados Unidos (EUA) – na Sicília, em 1943. No mesmo ano, Mussolini é deposto, e o governo é entregue ao marechal Badoglio, que firma a paz com os Aliados e declara guerra à Alemanha. Hitler invade o norte da Itália em apoio a Mussolini, que forma a efêmera República de Salò. Os alemães são expulsos em 1945 por tropas aliadas auxiliadas por guerrilheiros italianos. Mussolini é preso e executado.

República - Em maio de 1946, o rei Vittòrio Emanuèle III abdica em favor do filho, Umberto II. Três semanas depois, um plebiscito decide pela implantação da República, e a família real é obrigada a deixar o país. Beneficiada pelo Plano Marshall (política de recuperação da Europa patrocinada pelos EUA), a Itália experimenta um período de crescimento econômico nas décadas de 1950 e 1960. A nação participa da fundação da Comunidade Econômica Européia (CEE), atual União Européia (UE), em 1957. A decisão da Democracia Cristã (DC) de manter-se no poder e excluir os comunistas – que formam o segundo partido político italiano – provoca instabilidade permanente. Na década de 1970, a recessão e a crise financeira minam o Estado. Em 1976, o líder democrata-cristão Giulio Andreotti forma um governo minoritário em coalizão com vários pequenos partidos, incluindo o Socialista. Em 1978, o ex-primeiro-ministro democrata-cristão Aldo Moro é assassinado por terroristas das Brigadas Vermelhas, de extrema esquerda. Dois anos depois, um atentado da extrema direita faz 84 mortos e deixa cerca de 200 feridos numa estação ferroviária de Bolonha.

Operação Mãos Limpas - Acusações de tráfico de influência da Loja Maçônica P-2, de Licio Gelli, e a falência fraudulenta do Banco Ambrosiano, ligado ao Vaticano, derrubam governos em 1981 e 1982. Em 1983, Bettino Craxi torna-se o primeiro socialista a formar um governo na Itália. O Partido Comunista Italiano (PCI) renuncia ao marxismo em 1991 e muda o nome para Partido Democrático da Esquerda (PDS). Os movimentos de direita que defendem a independência do norte industrializado formam a Liga Norte (LN) e ganham força nas eleições regionais. A partir de 1992, a Itália mergulha na Operação Mãos Limpas, um enorme esforço da Justiça, iniciado pelo promotor Antonio di Pietro, para combater a corrupção. Os magistrados descobrem tráfico de influência e corrupção em todos os níveis da vida nacional. Líderes políticos, ex-chefes de governo, como Giulio Andreotti e Bettino Craxi, e empresários poderosos vão parar no banco dos réus. O resultado é a implosão do sistema político do pós-guerra.

Governo Berlusconi - Em março de 1994, o magnata da imprensa Silvio Berlusconi vence as eleições e lidera um governo de coalizão que reúne seu partido, Força Itália (FI), a xenófoba LN e os neofascistas da Aliança Nacional (AN). Em outubro, cerca de 3 milhões de pessoas protestam contra o projeto de orçamento de Berlusconi, que prevê cortes nos gastos sociais. Uma greve geral paralisa o país. Berlusconi renuncia em janeiro de 1995 e é substituído por Lamberto Dini, ex-ministro do Tesouro. Em 1996, os ex-primeiros-ministros Berlusconi e Craxi vão a julgamento, acusados de violação da lei de financiamento público dos partidos, e são condenados. No dia 13 de novembro de 2011 o Governo de Silvio Berlusconi tem seu fim, não por causa dos escândalos tanto na vida pública e pessoal, mas devido a crise econômica e a nova realidade na Europa, pois o sistema econômico atual não aceita governos com o perfil do ex-primeiro ministro da Itália Silvio Berlusconi.

Ex-comunistas no poder - A coligação de centro-esquerda A Oliveira, liderada pelo economista Romano Prodi, vence as eleições parlamentares de 1996. Para governar, ele se junta a ex-comunistas. Em 1998, o PDS muda seu nome para Democratas de Esquerda (DS), na tentativa de aglutinar várias facções da esquerda. As divergências sobre o orçamento levam à renúncia de Prodi, em outubro de 1998. Nova coalizão de centro-esquerda elege como primeiro-ministro Massimo D’Alema (líder do DS), primeiro ex-comunista a ocupar o cargo. A Itália é um dos países que adotam o euro, a moeda da UE, em janeiro de 1999. Em abril, o frágil equilíbrio do gabinete de D’Alema se desfaz, e ele renuncia. O socialista Giuliano Amato assume o posto, em nova coalizão de centro-esquerda.

A coalizão de direita Casa da Liberdade – liderada pela Força Itália, de Silvio Berlusconi, que inclui a LN e a AN – obtém ampla vitória nas eleições parlamentares de 2001. Berlusconi volta à chefia do governo, dando prioridade à drástica redução de impostos e ao severo controle da imigração. Homem mais rico da Itália, ele responde a processos por irregularidades na construção de seu império no setor de comunicações. Em abril de 2002, cerca de 11 milhões de trabalhadores fazem um dia de greve e mais de 2 milhões se manifestam nas ruas contra a reforma da legislação trabalhista, que pretende facilitar as demissões. Semanas depois, o Parlamento aprova rígida lei de imigração, denominada Bossi-Fini, que restringe a possibilidade de entrada de imigrantes e prevê a rápida expulsão dos ilegais.

Berlusconi processado - No fim do ano, é aprovada lei que permite a réus em casos de corrupção solicitar a transferência do processo para outra cidade, se considerarem que os juízes são tendenciosos. A medida beneficia Berlusconi, que enfrenta várias ações judiciais. Outra lei deixa de qualificar como crime a apresentação de dados financeiros fraudulentos, o que também favorece o primeiro-ministro. Em 2003, Berlusconi enfrenta novos problemas com a Justiça. O pedido para que seu processo por corrupção num tribunal de Milão seja transferido é rejeitado pela Suprema Corte, e, em abril, começa o julgamento. Ele é acusado de ter subornado um juiz em 1985, por ocasião da compra de empresa estatal de alimentos. Em junho, o julgamento é suspenso, em virtude da aprovação, pelo Parlamento, de projeto de lei apresentado pela bancada governista que dá imunidade legal aos titulares dos cinco mais altos postos de governo. Em dezembro, explode o escândalo financeiro que envolve a multinacional Parmalat. O presidente da empresa, Calisto Tanzi, é preso, acusado de uma fraude com valor acima de 5 bilhões de euros. Outros executivos da Parmalat são presos no início de 2004. Em julho, Berlusconi assume a presidência da UE, pelo sistema de rodízio, que permite a cada país dirigir a comunidade. Em dezembro de 2004, Berlusconi é absolvido por decurso de prazo, pela Suprema Corte, da acusação de suborno. Em 2009 Belusconi se envolve em escândalos com farras e prostitutas. Em Novembro de 2011 Silvio Berlusconi deixa o cargo de Primeiro Ministro para que o economista Mário Monti assuma o cargo com o intuito de salvar a Itália de uma crise iminente que assola a Europa, principalmente os Países da zona do Euro.
Unificação Italiana

Unificação Italiana


Após a realização do Congresso de Viena (1814-1815) e a formação de um novo mapa político europeu, o território italiano foi dividido em oito Estados independentes, alguns deles sendo, inclusive, controlados pela Áustria. Com o fim de fazer a Itália voltar aos seus tempos de glória, surgiram diversos movimentos nacionalistas independentes, os quais tinham o objetivo comum de libertar o território italiano da dominação estrangeira.

Nesse sentido, as primeiras tentativas foram feitas em 1831 pela organização Jovem Itália e seu líder Giuseppe Mazzini. Tratava-se de confrontos militares contra as forças austríacas na região. Embora os revolucionários tenham tido algumas importantes vitórias, não resistiram ao poder militar da Áustria.

Mesmo assim, o movimento liderado por Giuseppe Mazzini foi importante para o crescimento do nacionalismo italiano e para o surgimento de outras manifestações. Uma das mais significativas foi liderada pelo próprio rei de um dos reinos italianos, o Reino Sardo-Piemontês, o qual buscou o apoio da França na luta contra a Áustria, que acabou derrotada e obrigada a entregar a Lombardia e os ducados de Parma, Módena e Toscana.

Simultaneamente a essas disputas ocorria outro confronto nacionalista na região sul da Itália, pelo controle do Reino das Duas Silícias. Liderados por Giuseppe Garibaldi, os voluntários, conhecidos como camisas vermelhas, tiveram sucesso na tentativa de libertação de tal região.
Decima Flottiglia Mas (X Mas)

Decima Flottiglia Mas (X Mas)


A Decima Flottglia MAS, mais conhecida como Decima Mas ou X MAS, foi uma elite Italiana durante a Segunda Guerra Mundial. São famosos por terem afundado com sucesso várias embarcações aliadas.

A Decima Mas foi dividida em duas unidades. Um unidade especializada em ataques "torpedo humano" - o uso de um torpedo dirigido como um submarino por dois marinheiros, e também como um explosivo. A outra especializada em tácticas navais.

Após a rendição da Itália aos Aliados, alguns membros da elite continuaram a servir com as forças do Eixo, e outros combateram com as forças Aliadas. O seu comandante foi Junio Valerio Borghese.
Cordilheira dos Apeninos

Cordilheira dos Apeninos


Apeninos
A cordilheira dos Apeninos surgiu durante as duas últimas épocas do terciário, o mioceno e o plioceno, como conseqüência dos movimentos orogênicos do período. O dobramento ainda não se concluiu nas estruturas falhadas do centro e do sul, como confirmam o vulcanismo (Etna e Vesúvio) e a atividade sísmica.
A cordilheira se divide em três seções: os Apeninos setentrionais, constituídos pelos Apeninos lígures, que se afundam bruscamente na Riviera italiana (litoral do golfo de Gênova), e pelos Apeninos toscanos, que formam as bacias internas da campina florentina; os Apeninos centrais, constituídos pela região dos Abruzzi -- onde, no conjunto montanhoso denominado Gran Sasso d,Itália, fica o ponto culminante da cordilheira, o monte Corno (2.914m) --, e pelas bacias de afundamento da Umbria; e os Apeninos meridionais, formados pelos Apeninos campanos, lucanos e calabreses, que constituem grandes planaltos de altitude inferior a dois mil metros, exceto na região vulcânica de Aspromonte, na Calábria, onde fica o monte Pollino (2.248m).

De formação muito recente, geologicamente contemporâneos dos Alpes e dos Pireneus e pertencentes à cadeia de soerguimentos alpinos, os Apeninos constituem a espinha dorsal da Itália, a qual percorrem de norte a sul, da Ligúria à Sicília.

A altitude atenua a secura mediterrânea, determinando uma vegetação de tipo misto (azinheiras e freixos), nas zonas baixas, e oceânica (faias), a partir dos mil metros. As possibilidades agrícolas dos Apeninos são muito limitadas (videiras, oliveiras, cereais); o cultivo se realiza nos vales e nas vertentes terraceadas. O subsolo é rico em ardósia, mármore (os famosos mármores de Carrara), pirita, estanho, mercúrio e enxofre. Além disso, obtém-se energia hidrelétrica dos numerosos rios que nascem nas montanhas (Tibre, Arno, Volturno e Sele). São também abundantes as fumarolas, as fontes termais e, em algumas crateras antigas da região do Lácio, os lagos (Bolsena e Vico).

Ao longo da história, a barreira natural dos Apeninos favoreceu a fragmentação política da Itália. No século XX, a construção de túneis e rodovias significou o fim da "muralha apenina".
Rio Tibre
Rio Tibre - Mapa

Rio Tibre

O Tibre (em italiano, Tevere), segundo rio da Itália em extensão, nasce nas encostas do monte Fumaiolo, nos Apeninos toscanos. Em seu percurso de 405km, segue para o sul por entre montanhas, vales abertos e gargantas panorâmicas pelas terras da Toscana, da Úmbria e do Lácio. Os principais afluentes do Tibre são os rios Chiascio, Nestore, Paglia, Nera e Aniene. O baixo Tibre atravessa a cidade de Roma e, poucos quilômetros mais adiante, divide-se em vários braços que formam um delta antes de desaguar no mar Tirreno.

Contam escritores antigos que o rio Tibre era então chamado Albulus, numa referência a sua limpidez, mas recebeu o nome Tiberis depois que Tibério, rei de Alba Longa, morreu afogado em suas águas.

Rio Tibre
Rio Tibre em Roma
O regime do Tibre é irregular e provocava inundações em alguns bairros romanos. Esse problema foi sanado recentemente com a canalização de seu leito no trecho em que passa pela capital italiana. Embora nunca tenha oferecido condições muito favoráveis à navegação fluvial, há indicações históricas de que já constituía importante artéria de comércio regional no século VIII a.C. Na Roma clássica, era a via de transporte, até o centro da cidade, dos materiais de construção, madeiras e pedras, e grandes quantidades de cereais, vinho e azeite. Todas essas mercadorias eram descarregadas próximo a sua foz, no porto de Ostia Antica.

Na Idade Média, porém, a navegação pelo Tibre estagnou, tal a quantidade de sedimentos depositada pela correnteza em seu leito. Do fim do século XVII ao meado do século XIX fizeram-se sucessivas tentativas de restaurar sua navegabilidade por meio da dragagem e recondicionamento de seu leito. Tais esforços, contudo, foram abandonados no século XX. Nos últimos dois mil anos, o delta do Tibre avançou pelo mar cerca de três quilômetros.
Rio Pó
Rio Pó

Rio Pó

O rio Pó flui pelo norte da Itália, entre os Alpes ao norte e os Apeninos ao sul. Nasce no monte Viso, a 3.843m de altitude nos Alpes ocidentais, e desce para o leste. Ao chegar a Salazzo, seu rumo toma a direção norte, cruza a cidade de Turim e, após Chivasso, segue para o leste até formar um grande delta no mar Adriático. Em seus 652km de extensão recebe, entre outros afluentes, o Adda, o Oglio, o Mincio e o Trebbia. A superfície ocupada por sua bacia é de 70.091km2.

Maior via fluvial da Itália, o rio Pó irriga um vale fértil ao longo de seu curso, o que o torna importante área agrícola e industrial.

Rio PóAproveitado desde a época dos romanos para a irrigação das terras adjacentes, o Pó é o eixo fluvial de uma das áreas mais ricas da Itália. Apresenta um regime de seca, no verão, e de duas cheias, uma na primavera e outra no outono. Canais, diques e outras obras hidráulicas vêm sendo implantadas e aperfeiçoadas desde a época do Império Romano para deter as enchentes, drenar as zonas pantanosas e controlar o aluvião. Em razão do regime fluvial, dentre as poucas cidades importantes às suas margens merecem destaque apenas Cremona e Piacenza.
Pádua
Pádua (em italiano, Padova)

Pádua

Pádua (em italiano, Padova) fica na região do Veneto, a 43km de Veneza. Situa-se às margens do rio Bacchiglione. Os vários braços do rio, interligados por pontes, contribuíram na defesa da cidade que, no período romano, não tinha muralhas.

Importante centro comercial da antiguidade romana, a cidade de Pádua já existia no ano 302 a.C. (Patavium), segundo informações do historiador Tito Lívio, que ali nasceu em 59 a.C.

A cidade mantém características medievais, com ruas estreitas e irregulares, cingidas de arcos. Ali viveu Dante e morreu santo Antônio de Lisboa (ou de Pádua). A cidade abriga tesouros do Renascimento, como a estátua eqüestre do Gattamelata (Erasmo da Narni) de Donatello; afrescos de Giotto, na igreja de Santa Maria dell'Arena; e de Mantegna, na igreja dos Eremitani, quase destruídos na segunda guerra mundial. A basílica del Santo data do século XIII.

Foi importante o papel de Pádua no Risorgimento. Patriotas, artistas e escritores encontravam-se no tradicional café Pedrocchi, prédio neoclássico projetado por Giuseppe Zappelli. Na Universidade de Pádua (1222), a segunda fundada na Itália, estudaram Tasso e Petrarca. O museu local abriga relíquias que pertenceram a Galileu, um de seus mais ilustres mestres. O jardim botânico, de 1545, é dos mais antigos da Europa, assim como o observatório e a biblioteca, de 1629, com mais de 200.000 volumes.

Centro agrícola, comercial e industrial, Pádua produz azeite, cereais, vinho e gado bovino, além de tintas, madeira, seda, couro, máquinas agrícolas e motocicletas. No entroncamento da rede rodoviária do Veneto, liga-se também por ferrovias com o sul, leste e oeste da Itália.

Aquiléia

AquiléiaAquiléia foi fundada em 181 a.C. Conta a lenda que no momento em que seu plano foi traçado no solo com arado, segundo o costume romano, uma águia (aquila, em latim) planava no céu, e daí seu nome. Localizada a pouca distância do mar Adriático, ao qual se ligava por um canal, Aquiléia era um posto militar avançado, destinado a conter as invasões bárbaras e a efetivar o domínio romano na região. Além da importância militar, a localização em um entroncamento de estradas explica seu rápido crescimento, sobretudo a partir do século I da era cristã, quando o domínio romano estendeu-se ao Danúbio.

Na época do Império Romano, a cidade de Aquiléia desempenhou importante papel na defesa da fronteira norte do território que hoje constitui a Itália. Guarda ainda, nas ruínas paleocristãs e no museu arqueológico, testemunhos de sua celebridade.

Depois de ter sido sede episcopal e metropolitana de Veneza e Ístria, e de ter servido de residência temporária a alguns imperadores, a cidade acompanhou a decadência romana. Dominada por ostrogodos e bizantinos, foi devastada pelos hunos no ano 452. Sua importância política e comercial cessou com a invasão lombarda, em 568.
Neorrealismo

Neorrealismo


Movimento cinematográfico nascido na Itália, em plena II Guerra Mundial, como um desenvolvimento do cinema realista. Dura até meados dos anos 50. Caracteriza-se pelo engajamento político e pela posição antifascista e rejeita as produções de entretenimento nos moldes das realizadas em Hollywood. Inova nos temas por tratar criticamente o cotidiano do proletariado, de camponeses e da baixa classe média, marcado por desemprego, fome e outras dificuldades enfrentadas no período de guerra e nos anos seguintes. Para mostrar que os problemas coletivos não podem ser resolvidos na individualidade, a figura do herói é eliminada – ou reduzida –, e não existe final feliz. O movimento revoluciona ainda a linguagem ao substituir produções de estúdio com estrelas do cinema e cenários elaborados por filmagens externas, geralmente nas ruas, com atores pouco conhecidos ou não profissionais. O uso de mínimos recursos também é uma saída para produzir filmes na pobreza do pós-guerra. A decisão de abandonar o suspense, a aventura e o artificialismo para retratar o cotidiano é a principal contribuição do neo-realismo ao cinema moderno.

O termo neo-realismo surge em 1942 para definir Obsessão, filme de Luchino Visconti considerado a obra inaugural do gênero. Mas é Roma, Cidade Aberta (1945), de Roberto Rosselini, que alcança repercussão internacional. Paisà (1946) e Alemanha, Ano Zero (1947), dirigidos por Rossellini, também são marcos do movimento. Vittorio De Sica, outro expoente do neo-realismo, faz em 1948 Ladrões de Bicicletas, o filme mais popular do movimento, que trata do desemprego e da solidariedade na história de um operário que depende de sua bicicleta para trabalhar. Dirige também Milagre em Milão (1950) e Umberto D (1951).

Enfraquecido pela invasão das produções de Hollywood, o gênero perde força na Itália, mas exerce grande influência na cinematografia posterior de vários países. Na própria Itália influi na obra de Federico Fellini e de Michelangelo Antonioni. No Japão marca cineastas como Akira Kurosawa, em Ralé (1957), e Nagisa Oshima (1932-), em Uma Cidade de Amor e Esperança (1959). No Brasil, o neo-realismo inspira filmes como Rio, Quarenta Graus (1955) e Rio, Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos, e O Grande Momento (1958), de Roberto Santos, considerados precursores do cinema novo.
Pietro Aretino

Pietro Aretino

Pietro Aretino nasceu em Arezzo em 20 de abril de 1492. Famoso por suas violentas críticas aos grandes da época, aos artistas e aos religiosos, granjeou inimigos que chegaram a ameaçá-lo de morte. Viveu principalmente em Veneza. De família humilde, não teve formação clássica e, mesmo depois de enriquecido por chantagens contra os poderosos, que temiam a agressividade de seus escritos, fez questão de permanecer plebeu, avesso às convenções classicistas, ao petrarquismo, ao moralismo e a todos os mitos que sustentavam as concepções literárias da época.

Com versos mordazes ou lascivos, conforme a ocasião, o italiano Pietro Aretino se inclinava a escandalizar seus concidadãos. Amigo de reis e papas, foi também, no outro extremo, protetor de vagabundos e indigentes.

Conhecido por seus escritos pornográficos, sobretudo I ragionamenti (1534-1536; As argumentações), os Capitoli (1540; Capítulos), as canções líricas e os Sonetti lussuriosi (1525; Sonetos luxuriosos), Aretino é, porém, mais importante como jornalista. Suas críticas mordentes e às vezes caluniosas eram divulgadas no Pasquino, em Roma, e em Delle Lettere (1538-1557), distribuídos em volantes.

Sua independência, que dispensava a proteção dos ricos, manifestou-se também na literatura. Enquanto os comediógrafos de sua época imitavam Plauto, Aretino soube ser original, utilizando uma linguagem popular; na prosa, substituiu a metáfora petrarquista por expressões menos convencionais e mais vivas. Na tragédia Orazia (1546), embora não tenha criado uma grande obra, atingiu originalidade inexistente em outros autores do teatro italiano quinhentista. Pietro Aretino morreu em Veneza em 21 de outubro de 1556.

Giuseppe Arcimboldo

Giuseppe Arcimboldo
Giuseppe Arcimboldo
Giuseppe Arcimboldo nasceu em Milão, por volta de 1527. Iniciou a carreira aos 22 anos, como desenhista dos vitrais da catedral milanesa, ao lado do pai, Biaggio, seu primeiro mestre. Combinou o trabalho com o estudo das gravuras de Leonardo da Vinci, especialmente os de veia caricaturesca, cuja marca se evidenciaria em sua produção posterior. Em 1562 mudou-se para Praga, onde esteve sucessivamente a serviço dos imperadores Fernando I, Maximiliano II e Rodolfo II. Pintor favorito da corte, realizou vários cenários para o teatro imperial.

Tão grande foi a influência de Arcimboldo, pintor do assombroso e do maravilhoso, que inúmeros artistas beberam de sua fonte, entre eles o espanhol Salvador Dalí, como demonstra "Rosto paranóico", de 1935.

O estudo e a avaliação da obra de Arcimboldo só foram tratados com rigor no início do século XX, talvez como reflexo do interesse que o surrealismo teve por ela. Seu trabalho mais conhecido é a série "As quatro estações" (Kunsthistorisches Museum, Viena), série de cabeças formadas por uma infinidade de elementos vegetais como flores, folhas etc. Em diversos museus europeus encontram-se obras semelhantes. Arcimboldo faleceu em Milão, em 11 de julho de 1593.
Arcangelo Corelli
Arcangelo Corelli

Arcangelo Corelli

Arcangelo Corelli nasceu na cidade italiana de Fusigno, que na época pertencia aos estados pontifícios, em 17 de fevereiro de 1653. De família aristocrática, começou os estudos musicais em Bolonha e continuou-os em Roma, onde conquistou reputação como violinista e compositor, e participou dos círculos sociais que se formaram em torno do cardeal Pietro Ottoboni, sobrinho do papa Alexandre VIII.

Corelli passou à história da música por dignificar o violino como instrumento orquestral e por dar forma definitiva à sonata e ao concerto grosso.

Como violinista, conseguiu aperfeiçoar significativamente a técnica interpretativa do instrumento; como compositor, dedicou-se exclusivamente à sonata e ao concerto grosso, forma musical que se caracteriza pela oposição entre um grupo de solistas e o conjunto orquestral. Esse aspecto o diferencia de seus contemporâneos, dedicados à composição de todos os gêneros. Suas criações de maior sucesso são as doze sonatas para violino e baixo contínuo, opus 5, dedicadas a Sofia Carlota de Brandenburgo, e os doze concertos grossos, opus 6. Em 1710, doente, recolheu-se a uma vida solitária. Morreu em 8 de janeiro de 1713 em Roma.
Guillaume Apollinaire

Guillaume Apollinaire

Filho de mãe polonesa e pai italiano, Wilhelm Apollinaris de Kostrowitzki nasceu em Roma em 26 de agosto de 1880. Foi levado, criança, para a Côte d'Azur e depois para Paris, onde se fixou. Traduziu obras libertinas e escreveu textos pornográficos. Em 1909 publicou o primeiro livro, L'Enchanteur pourrissant (O sedutor que apodrece).

O mais original, profundo e versátil dos renovadores da poesia francesa no primeiro quartel do século XX, Guillaume Apollinaire pode também ser apontado como um legítimo precursor de todos os movimentos vanguardistas surgidos nas décadas que se seguiram.

Ao mesmo tempo, tornou-se amigo de poetas como Max Jacob e de pintores como Pablo Picasso e Georges Braque, participando ativamente de suas discussões e formulações de vanguarda. Foi o crítico de arte mais destacado na luta pela imposição do cubismo, cuja estética defenderia em dois textos, ambos de 1913: Méditations esthétiques. Les Peintres cubistes (Meditações estéticas. Os pintores cubistas) e L,Antitradition futuriste (A antitradição futurista).

Pouco depois de publicar seu primeiro livro de poesia, Le Béstiaire ou Cortège d,Orphée (1911; O bestiário ou cortejo de Orfeu), Apollinaire envolveu-se em ruidoso escândalo, sob acusação de pertencer a um grupo que teria roubado algumas estatuetas do Museu do Louvre. Foi preso, em decorrência disso, e a experiência de um período de cárcere reflete-se em versos de sua obra-prima, Alcools (1913). O primeiro poema desse livro, "Zone", é uma profissão de fé modernista que eleva o banal ao plano lírico e declara guerra ao passado, à gramática, à pontuação e à sintaxe.

Em 1914 Apollinaire naturalizou-se francês e engajou-se como voluntário na primeira guerra mundial. Em 1916, ferido gravemente na cabeça, foi submetido a uma trepanação mas não parou de escrever. Autor prolífico, grande parte de sua obra só viria a ser publicada após a morte. Em 1964 surgiu a edição de Les Diables amoureux (Os diabos enamorados). Sua peça Les Mamelles de Tirésias (As tetas de Tirésias) voltou à cena com sucesso em 1947, após breve temporada em 1918.

Cinco mulheres participaram de modo destacado da vida do poeta, a começar pela inglesa Annie Playden, inspiradora da famosa "Chanson du mal-aimé", passando pela pintora Marie Laurencin -- de "Zone" e "Pont Mirabeau" -- e as musas do tempo da guerra: Lou (Louise de Coligny-Châtillon), Madeleine Pagès (de quem ficou oficialmente noivo) e Jacqueline Kolb, a "jolie rousse" do último poema de Calligrammes, poèmes de la paix et de la guerre, 1913-1916 (1918; Caligramas, poemas da paz e da guerra, 1913-1916). Casou-se com esta última em 1917, tendo como padrinho Picasso.

Em Calligrammes, outro de seus livros fundamentais, estão traçadas as linhas mestras do concretismo, que surgiria décadas depois. A antevisão do surrealismo ocorreu ao poeta num manifesto de 1918 em que ele fala de uma nova poética dentro de uma nova desordem. Guillaume Apollinaire morreu em Paris em 9 de novembro de 1918, vitimado pela gripe espanhola.
Michelangelo Antonioni

Michelangelo Antonioni

Michelangelo Antonioni nasceu em Ferrara, Itália, em 29 de setembro de 1912. Antes de consagrar-se como cineasta, estudou letras e economia e trabalhou como crítico cinematográfico no jornal II Corriere Padano e na revista Cinema, onde entrou em contato com alguns dos artífices do neo-realismo, como Luchino Visconti e Roberto Rossellini. Após três meses de estudo no Centro Experimental de Cinematografia de Roma, participou como roteirista de filmes realizados por Rossellini, Enrico Fulchignoni e Federico Fellini.

Na obra de Antonioni expressou-se uma reação intelectualizada e estetizante contra o neo-realismo urbano que dominou o cinema italiano nos anos seguintes à segunda guerra mundial.

Tendo realizado um primeiro documentário, Gente del Po (1942-1947; A gente do Pó), Antonioni prosseguiu seu aprendizado numa série de filmes curtos, como Nettezza urbana (1948; Limpeza urbana). Passou à longa metragem com Cronaca di un amore (1950; Crimes da alma). Através de personagens freqüentemente extraídos da burguesia italiana, estudou muitas inquietações e angústias do mundo moderno em filmes cada vez mais densos: Le amiche (1955; As amigas), L,avvetura (1959; A aventura), La notte (1960; A noite), L,eclisse (1962; O eclipse).

A partir de Il deserto rosso (1964; Dilema de uma vida), o esteticismo de Antonioni reflete-se no tratamento pictórico que ele deu a seus filmes, tirando o máximo partido da composição e da cor e acentuando a importância da paisagem como parte integrante da narrativa. Em filmes feitos em inglês, acrescentou novos recursos fotográficos à complexidade de sua linguagem. Em Londres, realizou Blow-up (1967; Depois daquele beijo), inspirado num conto de Julio Cortázar. Nos Estados Unidos, filmou Zabriskie Point (1970), espécie de autópsia da civilização americana realizada através da fotografia ultra-rápida.

Um dos temas centrais de Antonioni é a solidão, que se evidencia em crescendo desde as realizações mais antigas, como Il grido (1957; O grito). Entre seus últimos filmes destacou-se, pela beleza da cor, The Mistery of Oberwald (1980; O mistério de Oberwald).
Antonio Vivaldi

Antonio Vivaldi

Antonio Lucio Vivaldi nasceu em 4 de março de 1678, em Veneza. Em 1703, ordenado sacerdote, foi nomeado mestre de violino do Ospedale della Pietà, instituição veneziana que acolhia crianças abandonadas, famosa por seu conservatório musical. Impedido de celebrar missa em decorrência de uma doença crônica, provavelmente asma, Vivaldi compôs a maior parte de suas obras para os grupos musicais da instituição e assim consolidou sua reputação como compositor e maestro.

Apesar da fama de que gozou em vida, Vivaldi foi logo esquecido com o advento do classicismo. Seus originais, encadernados após sua morte em 27 volumes e vendidos a particulares, foram redescobertos na década de 1920.

A partir de 1713, o diretor do coro do Ospedale deixou seu posto e a Vivaldi foi encomendada música vocal sacra. O compositor criou mais de trinta cantatas, oito motetes e um Stabat mater. No mesmo ano, sua primeira ópera, Ottone in villa, foi produzida em Vicenza. De 1718 a 1720, Vivaldi trabalhou em Mântua como diretor musical e compôs várias óperas. A década de 1720 correspondeu ao auge de sua carreira. Novamente radicado em Veneza, forneceu obras instrumentais para toda a Europa.

A música instrumental do barroco tardio deve a Vivaldi muitos de seus elementos característicos. De sua obra conservam-se quase 500 concertos, compostos na maior parte para um instrumento solista, orquestra de cordas e contínuo. Destacam-se as coleções L'estro armonico (1712), La stravaganza e Il cimento dell'armonia e dell'inventione (1720), que inclui os concertos conhecidos como Le quattro stagioni (As quatro estações). A partir de 1729, parou de publicar suas obras, por perceber que era mais lucrativo vender os manuscritos a compradores particulares. Na década de 1730, seguiu-se o declínio. Vivaldi morreu em Viena, em 28 de julho de 1741. Seus concertos foram tomados como modelos formais por vários compositores do barroco tardio, inclusive Bach, que transcreveu dez deles para teclados.
Antonio Stradivarius

Antonio Stradivarius

Antonio Stradivari, conhecido pelo nome latinizado de Stradivarius, nasceu em Cremona, ducado de Milão, por volta de 1644. Discípulo do renomado luthier (construtor de instrumentos de corda com caixa de ressonância) Nicolo Amati, iniciou atividade independente em 1666, mas ajustou-se no início aos cânones estabelecidos pelo mestre. Em meados da década de 1680, entretanto, começou a elaborar um novo modelo de violino, maior e mais estreito, características que acentuou gradualmente.

A técnica do artífice italiano Antonio Stradivarius levou à máxima perfeição a construção de violinos. O segredo de seu sucesso foi justamente saber harmonizar todos os fatores que influem na qualidade do som emitido por esses instrumentos.

Os violinos e violoncelos mais célebres de Stradivarius, criador de aproximadamente 1.100 instrumentos, foram fabricados a partir de 1700 com a ajuda de seus filhos Francesco e Omobono. A acústica perfeita desses modelos foi durante muito tempo creditada ao tipo de verniz usado por Stradivarius,  cuja fórmula até hoje não se conhece com exatidão. Mais tarde, porém, comprovou-se que a sonoridade dos violinos é influenciada por diversos fatores, como a espessura das lâminas de madeira usadas para fabricar o instrumento (o que altera suas propriedades vibratórias), o estado dos poros microscópicos da madeira e, por último, o tipo de verniz. Stradivarius morreu na cidade natal, em 18 de dezembro de 1737.
Antonio Salieri

Antonio Salieri

Antonio Salieri nasceu em Legnano, na república de Veneza, em 18 de agosto de 1750. Aos 16 anos foi levado a Viena por Florian Leopold Gassmann, então diretor musical (Hofkapellmeister) e compositor oficial da corte austríaca, que o apresentou ao imperador José II. Sua primeira ópera, Le donne letterate, foi encenada em 1770, no Burgtheater, em Viena. Quatro anos depois, o imperador nomeou-o compositor da corte. Em 1788, tornou-se Hofkapellmeister e permaneceu no cargo por 36 anos.

Alvo de especulações sobre uma suposta rivalidade com Mozart, o compositor italiano Antonio Salieri teve suas óperas aclamadas em toda a Europa no final do século XVIII.

Durante sua carreira oficial, Salieri compôs muitas óperas, não apenas para os teatros da Áustria, mas também para companhias da França e da Itália. Seu trabalho mais conhecido é a ópera francesa Tarare (1787), traduzida para o italiano com o nome de Axur, re d'Ormus (Axur, rei de Ormus), mais bem aceita pelo público vienense do que o Don Giovanni de Mozart.

A última ópera de Salieri foi montada em 1804, após o que o compositor dedicou-se à música sacra. Durante toda a vida foi amigo pessoal de Haydn e Beethoven, a quem ensinou contraponto e que lhe dedicou as três sonatas para violino, opus 12 (1797). Não há evidências de que Salieri tenha prejudicado Mozart com intrigas, ou de que tenha tentado envenená-lo. O próprio Mozart comentou, numa carta, a recepção favorável de Salieri a sua ópera Die Zauberflöte (1791; A flauta mágica). A versão imaginosa da tentativa de envenenamento é a base do enredo da ópera Mozart e Salieri, de Rimski-Korsakov (1898). O relacionamento entre os dois compositores foi novamente abordado de forma especulativa na peça Amadeus, de Levin Peter Shaffer (1979), adaptada para o cinema em 1984. Antonio Salieri morreu em Viena, em 7 de maio de 1825.
Antonio Pisanello

Antonio Pisanello

Antonio di Puccio Pisano nasceu em Pisa, Itália, em 27 de novembro de 1395. Colaborou com Gentile da Fabriano em afrescos para o palácio dos doges, em Veneza, entre 1415 e 1422, e para a igreja de São João de Latrão, em Roma, depois de 1427. Entre seus afrescos, os únicos remanescentes são "Anunciação" e "São Jorge libertando a princesa de Trebizonde", respectivamente nas igrejas de San Fermo e Santa Anastasia, ambas em Verona. Essas obras caracterizam-se por detalhes do estilo gótico internacional -- do qual o artista jamais se libertou de modo completo -- mas já em transição para o renascentista.

Mais conhecido pela arte da medalha, o pintor italiano conhecido como Pisanello foi um dos primeiros artistas de sua época a trabalhar a partir da realidade concreta, em lugar de aceitar a tradição medieval, que era a de copiar desenhos já existentes.

A fama de Pisanello deve-se sobretudo às medalhas de bronze em baixo-relevo, que trazem no verso cenas simbólicas da vida e do caráter dos homenageados. Seus desenhos, os únicos do século XV quase intatos, estão preservados no códice Vallardi (Museu do Louvre, Paris). Pisanello morreu por volta de 1455, provavelmente em Roma.
Antonio Gramsci

Antonio Gramsci

Antonio Gramsci nasceu em Ales, Sardenha, em 23 de janeiro de 1891. Na Universidade de Turim entrou em contato com a Federação Juvenil Socialista e filiou-se em 1914 ao Partido Socialista. Em 1919 fundou, com Palmiro Togliatti, o jornal L'Ordine nuovo, que defendia a participação política do proletariado. Em 1921 foi um dos fundadores do Partido Comunista Italiano. Depois de dois anos na União Soviética, como membro executivo da Terceira Internacional, voltou à Itália, assumiu a direção do partido e elegeu-se deputado.

Fundador do Partido Comunista Italiano, Gramsci se dispôs a estabelecer uma unidade entre a teoria e a prática do marxismo. Criticou o elitismo dos intelectuais e exerceu profunda influência sobre o pensamento marxista.

Antifascista, Gramsci foi preso em 1926 e condenado a mais de vinte anos de prisão. Sua obra, consubstanciada em 32 cadernos escritos na prisão, foi depois distribuída em volumes, só publicados depois da guerra. De tudo que escreveu, porém, a parte mais divulgada são suas Lettere dal carcere (1947; Cartas do cárcere), notável documento humano e cultural em que o autor revela suas preocupações familiares e discute problemas filosóficos e estéticos. Gramsci analisou as conseqüências do marxismo no mundo moderno, visto como a "filosofia da práxis". Para ele, o marxismo contém as bases para uma concepção global do mundo, além de revigorar e reformar a sociedade, que passa a ser agente de sua própria transformação. A partir dessa evidência, a conquista do poder não seria só uma tarefa política do partido, mas também, e fundamentalmente, uma luta para tornar indispensável à sociedade a nova ideologia, impondo-se sua hegemonia, conceito fundamental em seu pensamento. A principal tarefa dos intelectuais revolucionários seria, então, a de opor o marxismo à concepção ideológica da burguesia e levá-lo a camadas cada vez mais amplas da sociedade.

Tuberculoso, Gramsci foi hospitalizado em 1935 numa clínica romana. Morreu em 27 de abril de 1937, em Roma, quatro dias depois de alcançar a liberdade.
Antonio Canova

Antonio Canova

Antonio Canova nasceu em Possagno, república de Veneza, em 1º de novembro de 1757. Órfão desde a infância, foi trabalhar como aprendiz no ateliê de Giuseppe Bernardi, também chamado Torretti, que lhe proporcionou uma formação eminentemente barroca. Em 1779 mudou-se para Roma e estudou as grandes obras clássicas, que exerceram sobre ele profunda impressão.  O grupo "Dédalo e Ícaro", realizado em seu próprio ateliê veneziano, foi a primeira obra a assinalar o abandono do estilo barroco.

Expoente máximo da escultura neoclássica européia, Antonio Canova quis devolver à escultura a simplicidade e a pureza características da antiguidade.

Após dois anos de viagens, quando visitou Nápoles e as ruínas de Herculano e Pompéia, Canova regressou a Roma em 1781 e realizou a obra que lhe deu grande prestígio, "Teseu e o Minotauro", cuja perfeição  anatômica foi possível graças a sua prática diária de desenho. Recebeu depois a incumbência de realizar dois monumentos funerários, dos papas Clemente XIII e  Clemente XIV, ambos em Roma.  Dessa época romana é também a escultura "Eros e Psiquê", da qual realizou duas versões, uma conservada em Paris e outra em São Petersburgo. Nela o artista demonstrou total domínio da estética clássica, sobretudo na textura que deu à pele das figuras e na espontaneidade do panejamento.

Quando Roma foi invadida pelos franceses, Canova transferiu-se para Viena, mas em 1802 aceitou o convite de Napoleão para pintar, em Paris, retratos do imperador e de sua família, idealizados à maneira das esculturas romanas, como se pode observar em "Paulina Borghese como Vênus vencedora", e nas duas estátuas de Napoleão -- uma em bronze e outra em mármore -- nu e de corpo inteiro, completadas em 1811. Um ano antes foi nomeado presidente da Academia de São Carlos, em Roma.

A convite do papa, depois da queda definitiva de Napoleão, Canova regressou a Paris, onde conseguiu a devolução das obras de arte italianas confiscadas durante a invasão napoleônica, fato que lhe valeu o título de marquês de Ischia.

Antonio Canova faleceu em Veneza em 13 de outubro de 1822. Embora sua obra -- como a de todos os neoclássicos -- tenha sido acusada de fria, mais tarde a crítica do século XX reconheceria nele um escultor acadêmico de suma maestria e elegância.
Antonino Pio

Antonino Pio

Tito Aurélio Fulvo Boiônio Antonino nasceu em Lanúvio, no Lácio, em 19 de setembro de 86. Oriundo da nobreza, foi cônsul, governador da província da Ásia e conselheiro de Adriano, que o adotou e designou seu sucessor. Quando Adriano morreu, Antonino convenceu o Senado a lhe conferir honras divinas, o que lhe teria valido o cognome Pio.

O império romano alcançou o apogeu no reinado de Antonino Pio, entre os anos 138 e 161, em um período sem inovações, mas de grande prosperidade e equilíbrio.

Seu período é considerado o apogeu do império, pela relativa paz e grande prosperidade. Antonino reformou a justiça, abrandando os rigores da legislação, e administrou habilmente as finanças. Uma rebelião na Bretanha levou-o a construir ali um muro de defesa, para reforçar o erguido por Adriano e garantir o domínio romano na região. As revoltas na Bretanha, Mauritânia, Judéia, Egito e Dácia revelaram os primeiros sinais de fraqueza do império, mas não chegaram a lhe abalar a segurança.

Seu nome foi dado à dinastia iniciada por Nerva, em que a sucessão se fazia por adoção. Seu sucessor, adotado por indicação de Adriano, foi Marco Aurélio. Antonino Pio morreu em Lório, na Etrúria, em 7 de março de 161.
Antonello da Messina

Antonello da Messina

Antonio di Antonio, conhecido como Antonello da Messina, cidade em que nasceu por volta de 1430, formou-se artisticamente em Nápoles e na Sicília, antes de estabelecer seu próprio ateliê de pintura na cidade natal. As influências góticas que inicialmente recebeu, patentes em "São Zózimo", foram aos poucos abrindo espaço a uma pintura caracterizada pela plasticidade, o colorido e a precisão no desenho, frutos da cuidadosa análise das obras de grandes mestres italianos da época, como Giovanni Bellini, Piero della Francesca e Andrea Mantegna, assim como dos trabalhos -- que provavelmente pôde estudar em Nápoles -- dos pintores flamengos, de cuja técnica a óleo parece ter sido o introdutor na Itália. O sentido da luz e a minuciosidade na representação dos motivos naturais, característicos da escola dos irmãos Van Eyck, podem ser apreciados em "São Jerônimo em seu estúdio" e na "Crucificação".

A pintura do século XV no sul da Itália tem em Antonello da Messina o maior expoente da integração e da síntese das diversas correntes artísticas surgidas até então na Europa.

A partir de 1457 e até 1474, Antonello viveu em Messina. Suas principais obras do período são o "Salvator Mundi" (1465), que já anuncia a caracterização da psicologia humana presente na fase veneziana; o políptico de 1473 e a "Anunciação", do ano seguinte. Entre 1475 e 1476 o artista residiu em Veneza, onde suas obras "Cabeça de homem" -- também chamada "Condottiere" -- e "Cristo morto sustentado por um anjo" despertaram a admiração de seus jovens discípulos venezianos. Registram-se também nessa época o "Retábulo de São Cassiano", realizado para o altar da igreja do mesmo nome, e o extraordinário "São Sebastião", obra-prima da época de maturidade do pintor, em que o rigoroso desenvolvimento da perspectiva e a habitual mestria no emprego da luz realçam o tratamento escultórico do corpo do santo martirizado.

Os últimos anos de sua vida transcorreram em sua cidade natal, para a qual se retirou, admirado e celebrado como um dos grandes mestres da arte de seu tempo. Entre as últimas manifestações de seu estilo brilhante deve-se mencionar a "Anunciação", hoje na Galeria Nacional de Palermo, que constitui o apogeu de sua criação artística.

Antonello da Messina, que morreu, ao que parece, em 19 de fevereiro de 1479, na mesma cidade em que nascera, exerceu grande influência sobre numerosos pintores do sul da Itália e de Veneza, entre os quais se destacam Giambellino e Vittore Carpaccio.

Santo AnselmoSanto Anselmo

Santo Anselmo nasceu na cidade italiana de Aosta, em 1033. De família nobre, fora destinado pelo pai à carreira política, mas escolheu a vida monástica. Recebeu excelente educação e foi considerado um dos melhores latinistas de seu tempo. Em 1060 entrou para o mosteiro beneditino de Sainte-Marie du Bec-Hellouin, na Normandia. Fez votos monásticos em 1061, tornou-se prior em 1063 e abade em 1078, transformando Bec em importante centro de aprendizado monástico. Nesse período escreveu duas de suas obras principais, Monologium e Proslogium.

Teólogo e primeiro dos filósofos escolásticos, santo Anselmo foi um dos mais importantes pensadores entre santo Agostinho e são Tomás de Aquino, tendo proposto a prova ontológica da existência de Deus.

Mediante doações do rei Guilherme I o Conquistador, o mosteiro de Bec recebeu terras na Normandia e na Inglaterra, o que levou Anselmo a visitar esse país por três vezes e a aceitar, em 1093, o chamado de Guilherme II o Ruivo, que o nomeou arcebispo de Canterbury (Cantuária), objetivando reformar a igreja na Inglaterra. Recusou, porém, a consagração enquanto o rei não restituiu as terras de Canterbury e reconheceu o papa Urbano II, então contestado pelo antipapa Clemente III. Consagrado em 1093, pouco depois teve de deixar a Inglaterra, pois o rei voltara atrás e novamente se recusava a reconhecer o papa. Em 1098 retirou-se para Cápua (Itália), onde concluiu Cur Deus homo? (Por que Deus se fez homem?). Com a ascensão de Henrique I, foi chamado de volta à Inglaterra e posteriormente exilado (1103-1106), por não aceitar que o rei consagrasse os prelados. A controvérsia resolveu-se no sínodo de Westminster e Anselmo passou seus dois últimos anos em paz, no cargo.

Anselmo defendia a capacidade da razão humana para investigar os mistérios divinos. Propôs a prova ontológica da existência de Deus: se temos a idéia de um ser perfeito, a perfeição absoluta existe, logo o ser perfeito existe. Esse argumento foi apoiado por Duns Scotus, Descartes, Leibniz e Hegel, mas foi refutado por santo Tomás de Aquino e Kant. Anselmo rejeitava a idéia de que, pelo pecado, o homem contraía uma dívida com o diabo. Essa dívida é contraída com Deus, mas o homem, enquanto tal, não pode oferecer reparação. A essência da redenção acha-se na união do indivíduo com Cristo na eucaristia. E o batismo abre o caminho para essa união.

Canonizado em 1163 e declarado um dos doutores da igreja em 1720, pelo papa Clemente XI, Anselmo morreu em Canterbury em 21 de abril de 1109.
Angiolo Poliziano

Angiolo Poliziano

Angiolo Poliziano nasceu em Montepulciano na Itália, em 14 de julho de 1454. Fez os primeiros estudos em Florença e iniciou a tradução, em versos latinos, do segundo livro da Ilíada com apenas 16 anos. Com notável facilidade para compor versos em latim e grego, por sua cultura e talento recebeu, a partir de 1473, a proteção de Lourenço de Medici o Magnífico, que o encarregou da educação de seus filhos.

Em sua obra-prima, Stanze per la giostra (Estâncias para um torneio), de 1475, o poeta italiano Angiolo Poliziano descreveu a natureza num poema tipicamente hedonista, a partir de um mundo imaginário.

Primeiro classicista da literatura européia, o poeta não se limitou à cópia de modelos antigos. Poliziano transformou o passado em vida. Uniu a problemática pessoal, sua profunda angústia, ao realismo poético e ao naturalismo moral para dar vida a seus versos. Poliziano, entretanto, tornou-se mais conhecido pelas obras em italiano, como as Estâncias, escritas por encomenda de seu protetor para celebrar a vitória de seu irmão Giuliano num torneio. A importância desse trabalho reside, especialmente, em ter revelado a riqueza poética da oitava, que caracterizaria, no futuro, a forma predileta dos poemas épicos.

A extrema musicalidade das Estâncias transparece no drama lírico Orfeo, considerado a primeira ópera italiana. Composto em linguagem popular, introduz habilmente, no contexto da representação sacra, a mitologia e a poesia pastoril. O escritor foi, ainda, um dos pioneiros da filologia clássica moderna, pelos ensaios de filologia e crítica reunidos no volume Miscellanea. Durante muitos séculos, sua obra não teve o devido reconhecimento, em parte devido ao julgamento desfavorável de De Sanctis, mas foi redescoberta nos tempos modernos. Poliziano morreu em Florença, em 29 de setembro de 1494.
Fra Angelico

Fra Angelico

Pintor italiano, Giovanni da Fiesole, dito também fra Giovanni, nasceu em Vicchio, aldeia de Mugello, em 1387. Seu nome verdadeiro pode ter sido Guido ou Guidolino "da Pietro" (isto é, filho de Pedro). A beleza de sua pintura e a santidade de sua vida granjearam-lhe o cognome de fra Angelico (ou irmão angélico). Aos vinte anos ingressou no convento dominicano de Fiesole. A vocação artística é tardia: o "Retábulo dos Linaioli", primeira de suas obras assinadas, é de 1433. Tem-se hoje como certo que estudou a arte da iluminura com Lorenzo Monaco. Quando os Medici cederam aos dominicanos, em 1436, o convento de São Marcos em Florença, fra Angelico participou das obras de readaptação, efetuadas sob a chefia do arquiteto Michelozzo, pintando nas celas afrescos de cenas do Evangelho. O papa Eugênio V chamou-o a Roma logo depois, para que pintasse os afrescos da capela do Santíssimo Sacramento, hoje destruídos.

A pintura de fra Angelico surpreende tanto por sua qualidade técnica quanto pela profunda devoção que a inspira. "Excelente pintor e miniaturista, e ótimo religioso, ele merece, por ambas as razões, que dele se tenha uma honorável memória", escreveu Giorgio Vasari.

Em sua primeira viagem a Roma, fra Angelico deve ter encontrado o pintor francês Jean Fouquet, cujo estilo se assemelha ao seu. Contemporâneo de Ghiberti, Brunelleschi e Donatello, era mais moço que Masaccio, cujos afrescos da capela Brancacci, no dizer de Vasari, estudou com minúcia. Tecnicamente pode ser considerado um pintor da primeira Renascença; do ponto de vista espiritual, contudo, é um filho da Idade Média. Esse artista, que o povo denominou Beato sem que a igreja ratificasse o título, buscou em suas obras prolongar o ideal religioso dos séculos anteriores, já abalado pelo aparecimento dos primeiros humanistas.

Entre suas obras principais estão o "Retábulo da Madona", em Perugia; a "Coroação da Virgem cercada por anjos músicos" (Louvre, Paris); o "Cristo cercado de anjos, patriarcas, santos e mártires" (National Gallery, Londres); a "Anunciação" (Prado, Madri); e o "Juízo final" (Galeria Nacional, Roma). Quem quiser penetrar no âmago da pintura de fra Angelico deve visitar o convento de São Marcos em Florença, hoje museu; ali verá, além das cenas religiosas executadas num período de 17 anos nas diversas celas e a "Grande Anunciação", outras vinte obras do artista, ilustrações de trechos do Evangelho e de episódios da Legenda áurea.

Nomeado prior de Fiesole, fra Angelico foi novamente chamado a Roma, por Nicolau V, onde veio a falecer em 18 de fevereiro de 1455. O papa compôs-lhe o epitáfio, em quatro versos latinos, e mandou que o gravassem numa simples lápide -- homenagem à modéstia do pintor.
Andrea Pisano

Andrea Pisano

Andrea Pisano nasceu em Pontedera, perto de Pisa, entre 1270 e 1290. Em 1330 fixou-se em Florença, onde recebeu a influência de Giotto. Uma das primeiras obras de Andrea Pisano é a série de vinte cenas da vida de são João Batista e oito representações das virtudes cristãs, executada em tetrafólios góticos numa das portas de bronze do batistério de Florença. Nessa série, concluída em 1336, é patente a influência de Giotto.

Também conhecido como Andrea de Pontedera, Andrea Pisano foi um dos principais escultores italianos do século XIV, com um estilo que se caracteriza pela simplicidade, contenção e disposição harmoniosa das figuras.

Após a morte de Giotto, em 1337, Andrea sucedeu-lhe como arquiteto do campanário da catedral de Florença, ao qual acrescentou dois andares com painéis em relevo. Andrea Pisano morreu em 1348 ou 1349, durante a construção da catedral de Orvieto, iniciada em 1347 sob sua responsabilidade e finalizada por seu filho Nino.
Andrea Palladio

Andrea Palladio

Andrea di Pietro della Gondola, que se tornaria mais conhecido como Andrea Palladio, nasceu em 30 de novembro de 1508, em Pádua, na então República de Veneza. Era um simples pedreiro quando, com pouco mais de vinte anos, foi tomado sob a proteção do humanista Gian Giorgio Trissino, que descobriu seu talento e lhe custeou os estudos.

O rigoroso classicismo dos palácios e vilas projetados por Palladio marcou a fase tardia do Renascimento italiano. Algumas de suas obras mais importantes encontram-se em Vicenza, considerada uma das mais belas cidades da Europa.

Influenciado pela erudição do mecenas, estudou as antigas ruínas romanas e as origens da arquitetura renascentista. Seus primeiros projetos - a Villa Godi, em Loneto, e o Palazzo Civena, em Vicenza - datam de 1540. Dez anos depois seu estilo já se encontrava plenamente desenvolvido: uma síntese da severidade de Bramante e da imaginação de Jacopo Sansovino, com a disciplina arquitetônica de Vitrúvio, mestre do século I a.C.

Entre suas obras mais significativas destacam-se a Villa Rotonda, o Palazzo Valmarana e o Teatro Olímpico, em Vicenza, e as igrejas de San Giorgio Maggiore e Il Redentore, em Veneza. Como escritor, publicou Le antichità di Roma (1554; As antiguidades de Roma) e I quattro libri dell'architettura (1570; Os quatro livros de arquitetura). Palladio morreu em Vicenza, em 19 de agosto de 1580..
Andrea Mantegna

Andrea Mantegna

Andrea Mantegna nasceu perto de Vicenza, na República de Veneza, em 1431, e formou-se na oficina de Francesco Squarcione, em Pádua. Em 1448 possuía sua própria oficina e recebeu a primeira encomenda importante: o painel da igreja de Santa Sofia, hoje perdido. Pintou em 1449, na igreja dos eremitas de Pádua, os afrescos da capela Ovetari, destruídos num bombardeio durante a segunda guerra mundial.

Precursor da pintura renascentista no norte da Itália, Andrea Mantegna iniciou uma tradição de decoração com afrescos, com efeitos criados pela manipulação da perspectiva, que foi seguida durante três séculos.

Em 1453, o artista casou-se com a filha de Jacopo Bellini, de uma das principais famílias de pintores de Veneza. Interessou-se pelos estudos de perspectiva e desenhos arquitetônicos de Bellini, mas preferiu seguir seu trabalho de modo independente em Pádua, onde foi influenciado pelo escultor Donatello. Em 1459, começou a trabalhar como pintor da corte de Ludovico Gonzaga, em Mântua. Realizou nesse período algumas de suas obras mais célebres, como os afrescos da Camera degli Sposi (Aposento Nupcial), no palácio Ducale de Mântua. Nela, o artista construiu um sistema de decoração homogênea, com elementos pintados no teto e nas paredes, que, vistos do chão, imitavam formas tridimensionais. Outras obras notáveis do período foram "Morte da Virgem" (1465), "Cristo morto" (1466) e "Triunfo de César" (1486).

Hoje em dia, os historiadores da arte atribuem tanto à personalidade quanto à obra de Mantegna uma importância excepcional. Com efeito, foi esse artista que, trabalhando nas cidades do vale do Pó, rompeu definitivamente com o estilo gótico, que se mantinham plenamente vivo ainda em meados do século XV. Desde o precoce início de sua carreira, ele assumiu uma decidida atitude em favor da renovação e do progresso da pintura -- e jamais, ao longo da vida, afastou-se dessa posição. Por tudo isso, foi fortíssima sua influência sobre os pintores venezianos e lombardos.

Entre 1488 e 1490, decorou a capela do palácio Belvedere em Roma, destruída em 1780. Durante os últimos anos de vida, prosseguiu seu trabalho de criação com obras como "Madona da Vitória" (1495) e "Parnaso" (1497). Mantegna morreu em Mântua, em 13 de setembro de 1506.
Andrea del Verrocchio

Andrea del Verrocchio

Andrea del Verrocchio nasceu em Florença em 1435. Foi de início aprendiz do ourives Giuliano Verrocchi, cujo nome, ao que parece, adotou. É provável que tenha estudado pintura com Alesso Baldovinetti e escultura com Antonio Rossellino e, segundo alguns, também com Donatello. A hipótese de sua ligação com este último, o maior escultor italiano da primeira fase renascentista, é porém negada por muitos, em face das diferenças de estilo.

Mais conhecido como escultor, Verrocchio foi também pintor e dirigiu em Florença um ateliê com muitos alunos de pintura, entre os quais Perugino, Lorenzo di Credi e Leonardo da Vinci. Em seu quadro mais famoso, o "Batismo de Cristo", um dos dois anjos e a paisagem no fundo foram pintados pelo jovem da Vinci.

Com a morte de Donatello, em 1466, Verrocchio tornou-se o artista favorito dos Medici, para cujas recepções e festividades concebeu estandartes e outros elementos decorativos. Sua primeira obra de porte foi o suntuoso sepulcro de Pedro e João de Medici, na igreja de San Lorenzo em Florença, concluído em 1472 e notável pelo uso de mármore e pórfiro coloridos em associação com ornatos de bronze. Muito mais conhecido é porém o juvenil "David" do Bargello em Florença, anterior a 1476.

A morte de Verrocchio deixou inacabado o túmulo do cardeal Forteguerri (1476-1488) na catedral de Pistóia, cuja forma atual foi dada por escultores barrocos do século XVII. Em Florença, sua obra em bronze mais importante é talvez "Cristo e São Tomás" (1467-1483), na fachada do Or San Michele. Sua obra-prima é a estátua eqüestre em bronze do condottiere Bartolomeo Colleoni, em Veneza. A obra, encomendada em 1483, ainda não estava pronta quando Verrocchio morreu em Veneza, em 1488. Foi fundida pelo escultor veneziano Alessandro Leopardi e inaugurada em 1496.
Andrea del Sarto

Andrea del Sarto

Andrea d'Agnolo nasceu em Florença, Itália, em 16 de julho de 1486. O cognome pelo qual viria a ser conhecido resultou da profissão de seu pai, alfaiate (sarto em italiano). Na juventude, colaborou com o escultor Jacopo Sansovino, a quem alguns atribuem a sólida estrutura de suas figuras. Por volta de 1517 casou-se com Lucrezia del Fede, que lhe serviu de modelo em vários retratos e em sua famosa "Virgem das harpias", um dos melhores exemplos do estilo clássico do alto Renascimento. Dessa mesma época é sua "Disputa da Trindade".

Durante muito tempo Andrea del Sarto foi menosprezado pelos críticos, que lhe admiravam a técnica, mas o achavam pouco inspirado. Até seu discípulo, o cronista Giorgio Vasari, falou dele sem entusiasmo. No entanto, com o tempo o pintor, que soube aproveitar as inovações de Michelangelo e Leonardo da Vinci, passou a ser visto como uma figura central da escola florentina de pintura.

Em 1518, a convite de Francisco I, mudou-se para Paris, onde passou longa temporada, embora em 1519-1520 tenha feito uma viagem a Roma. Em 1526 concluiu a "Vida de são João Batista" no claustro dos Scalzi em Florença, conjunto de afrescos em grisaille (em negros, cinzas e brancos) em que mostrou influências de Michelangelo e das gravuras de Dürer. Embora suas primeiras obras se tenham caracterizado por um estilo sereno e contido, que lhe valeu a admiração dos companheiros mais jovens -- entre os quais seus discípulos Giovanni Battista Rosso e Jacopo Pontormo --, nos quadros tardios, como a belíssima "Pietà", demonstrou que não lhe faltava emoção.

Andrea del Sarto, que morreu em 28 de setembro de 1530, vítima da peste, em Florença, exerceu importante influência sobre os mais notáveis pintores florentinos da primeira metade do século XVI, já então representantes de um precoce maneirismo.
Andrea del Castagno

Andrea del Castagno

Andrea di Bartolo de Bargilla nasceu em San Martino a Corella, perto de Florença, Itália, por volta de 1421; o apelido "del Castagno" vem do nome de uma aldeia próxima. Ainda muito jovem, fez sua primeira obra conhecida: um mural de intenção edificante na fachada do Palazzo del Podestà, mostrando adversários de Cosimo de Medici pendurados pelos calcanhares. Seu temperamento irascível lhe granjeou muitos inimigos. Giorgio Vasari recolheu uma crônica que lhe atribuía a morte do pintor Domenico Veneziano, que faleceu quatro anos depois dele.

A partir de um tratamento essencialmente escultórico e espacial de seus temas, o pintor Andrea del Castagno evoluiu para outro em que predominavam os aspectos emocionais.

Suas primeiras obras importantes foram os afrescos de "A última ceia" e "A paixão de Cristo", realizados por volta de 1445 para o refeitório do convento de Sant'Apollonia, posteriormente Museu Castagno, em Florença; neles mostrava especial preocupação com a perspectiva e a monumentalidade das figuras, reflexo da influência de Masaccio e da escultura de Donatello. As lições deste último foram determinantes em seu trabalho posterior. É o que se pode apreciar no conjunto "Homens e mulheres famosos", que pintou com novo estilo, pleno de dinamismo e expressividade, para a Villa Carducci Pandolfini de Legnaia. Seu último trabalho foi um retrato eqüestre de Niccolò da Tolentino (catedral de Florença). Andrea del Castagno morreu em 19 de agosto de 1457 em Florença, onde passou a maior parte da vida.
André João Antonil

André João Antonil

Giovanni ou João Antonio Andreoni, mais conhecido por André João Antonil, pseudônimo literário, nasceu em Lucca, na Toscana, em 8 de fevereiro de 1649. Começou a estudar direito, mas em 1667 abandonou o curso para ingressar na Companhia de Jesus. Trazido em 1681 para o Brasil, pelo padre Antônio Vieira, em 1683 proferiu votos de jesuíta na Bahia. Foi professor de retórica e secretário dos provinciais, visitador em Pernambuco, reitor do colégio da Bahia e provincial (1706-1709).

Antonil foi autor do mais importante depoimento sobre a economia colonial do Brasil, na fase de transição entre o ciclo do açúcar e o da mineração.

Em 1711 foi editada em Lisboa sua obra Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas, sob o pseudônimo de André João Antonil. Trata-se de um relato minucioso em que se dão "várias notícias curiosas do modo de fazer o açúcar, plantar e beneficiar o tabaco, tirar ouro das minas e descobrir as de prata", além de abordar a extração de diamantes e a expansão do gado. Discute-se ainda a situação do escravo, em um contexto objetivo, em que o Brasil é apresentado como "inferno dos negros, purgatório dos brancos e paraíso dos mulatos e das mulatas". Antonil defendia o cativeiro, que distinguia entre bom e mau, e recomendava o regime dos três P: "pão, pau e pano", ministrado com moderação e bom senso, com base na doutrinação religiosa.

Essa obra fundamental da historiografia brasileira teve sua primeira edição confiscada e quase totalmente destruída, por determinação da coroa portuguesa, receosa de que a descrição detalhada das riquezas despertasse o interesse de outras cortes européias. Antonil morreu em Salvador BA em 13 de março de 1716.
Américo Vespúcio

Américo Vespúcio

Vespúcio, cujo nome italiano era Amerigo Vespucci, nasceu em Florença em 1454. Filho de um notário, recebeu educação humanística na Itália e na França, onde aprofundou os estudos de geografia, astronomia e cosmografia. De volta a Florença, entrou para o serviço da família Medici, que em 1491 o enviou a Sevilha, Espanha, como ajudante de Giannotto Berardi, importante armador e fornecedor dos navios de Cristóvão Colombo. Em 1496, após a morte de Berardi, Vespúcio assumiu a direção da firma, e mais tarde, sem dúvida estimulado por seu contato com Colombo e outros navegantes, decidiu participar pessoalmente das viagens de exploração às Índias.

O nome da América é uma homenagem ao mercador e navegador italiano Américo Vespúcio, primeiro a constatar que as recém-descobertas terras do Novo Mundo constituíam um continente e não parte da Ásia.

A determinação do número de viagens que Vespúcio fez à América constitui objeto de polêmica histórica, devido a contradições significativas entre os dois conjuntos de documentos existentes a respeito: uma carta de Vespúcio ao magistrado veneziano Piero Soderini, conhecida apenas por sua edição italiana de Florença (1505) e por duas versões latinas -- Mundus novus (Novo Mundo) e Quattuor Americi navigationes (Quatro viagens de Américo), menciona quatro viagens; já três cartas escritas pelo próprio Vespúcio aos Medici, são citadas apenas duas.

A primeira viagem de Vespúcio, posta em dúvida por muitos historiadores e negada totalmente por outros, teria começado em Cádiz, em 1497, e a volta teria ocorrido em 1498. Não há dúvida, porém, de que Vespúcio partiu em maio de 1499 de Cádiz no comando, ao lado de Alonso de Ojeda e Juan de la Cosa, de uma frota espanhola de quatro navios, que pretendia seguir a rota da terceira viagem de Colombo. Quando chegou ao local onde mais tarde seria a Guiana, Vespúcio, que parece ter se separado de Ojeda, rumou para o sul pela costa do Brasil. Avistou o estuário do Amazonas e alcançou o cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Voltou para o norte, explorou a desembocadura do Orinoco e a ilha de Trindade e chegou à Espanha em junho de 1500.

Convencido até então de ter percorrido a península do extremo leste da Ásia descrita por Ptolomeu, Vespúcio conseguiu que o rei D. Manuel I de Portugal financiasse nova expedição em busca de uma passagem para os mares da China. Nessa segunda viagem, de importância fundamental, o navegador italiano partiu de Lisboa no dia 13 de maio de 1501, chegou ao cabo Santo Agostinho no final do mesmo ano, desceu ao largo do litoral do Brasil, avistou a baía de Guanabara e ultrapassou o estuário do rio da Prata, que foi o primeiro europeu a registrar, e alcançou a costa meridional da Patagônia. Essa circunstância convenceu-o de que havia percorrido a costa de um novo continente, pois seria impossível que a suposta península asiática se prolongasse de tal forma para o sul. Chegou de volta a Lisboa a 22 de julho de 1502, em rota desconhecida, e divulgou a notícia na Europa.

Em sua suposta quarta viagem, Vespúcio teria partido de Lisboa em 1503, na expedição chefiada por Gonçalo Coelho, e voltado em 1504. Embora essa viagem seja duvidosa, é certo que em 1505 entrou de novo para o serviço da coroa espanhola e não viajou mais. A partir de 1508 ocupou em Sevilha o importante posto de piloto-mor da corte espanhola. Ajudou a preparar o mapa oficial das novas terras e das rotas marítimas a partir dos dados fornecidos pelas expedições.

O primeiro a sugerir, em honra de Vespúcio, a designação de América para o novo continente foi o humanista alemão Martin Waldseemüller, que em 1507 reeditou as Quattuor Americi navigationes, precedidas do panfleto de sua autoria Cosmographiae introductio. Apesar do êxito final da idéia, a posterior detecção de contradições nos textos atribuídos a Vespúcio gerou, sobretudo por parte de historiadores portugueses e espanhóis, a acusação de que somente havia usurpado os méritos de outros navegantes.

Os diários de bordo de Vespúcio e o mapa que fez do litoral por ele descoberto desapareceram, mas permaneceram alguns mapas, além do de Waldseemüller, originados direta ou indiretamente de seu trabalho. Vespúcio morreu em Sevilha em 1512.
Amedeo Modigliani

Amedeo Modigliani

Amedeo Modigliani nasceu na cidade italiana de Livorno, em 12 de julho de 1884, filho de abastada família judia. Por causa da saúde precária não recebeu educação formal e voltou-se para o estudo da pintura, que iniciou na cidade natal e prosseguiu em Veneza e Florença. Em 1906 mudou-se para Paris e, ao fim de três anos de vida boêmia, executou uma de suas obras mais importantes: "O violoncelista", que expôs no Salão dos Independentes de 1909.

Um dos principais integrantes da escola de Paris, Modigliani marcou a pintura da primeira metade do século XX com suas figuras alongadas, que se destacam pelo despojamento e pela estilização.

O encontro com o escultor Constantin Brancusi marcou a carreira de Modigliani, que por um longo período abandonou a pintura pela escultura.  Impressionado pelo cubismo, muito influenciado por Cézanne, Toulouse-Lautrec e Picasso, o artista executou nesse período esculturas nas quais se misturam influências da escola de Siena e da arte da África negra, sobretudo das esculturas do Congo e do Gabão. Também a influência dos kouroi (esculturas gregas que representam jovens atletas desnudos) se faz sentir nesses trabalhos, que Modigliani esculpia sempre diretamente na pedra, na tentativa de preservar a unidade plástica do bloco. Essa fase se prolongou até 1914, quando o artista, sem dispor dos recursos necessários à produção de esculturas, retornou à pintura.

Os temas preferidos de Modigliani foram, a partir de então, os retratos e os nus femininos com modelos que, segundo o artista, expressavam "a muda aceitação da vida". Com o raro dom de conseguir uma imediata empatia entre seus retratos e o observador, dotou suas figuras de uma sensualidade que se transmite não pela nudez, mas pelo movimento e pelo alongamento dos traços. Essa breve fase final do artista foi a mais importante de sua obra, caracterizada por um despojamento que alguns críticos creditaram a sua inclinação para a escultura. Modigliani morreu em Paris, em 24 de janeiro de 1920.
Amedeo Avogadro

Amedeo Avogadro

Amedeo Avogadro, conde de Guaregna e Ceretto, nasceu em 9 de agosto de 1776 em Turim, Itália. Estudou direito e, posteriormente, matemática e física, disciplinas que lecionou no Real Colégio de Vercelli. Mais tarde, entre 1820 e 1822, foi catedrático de física na Universidade de Turim.

As idéias de Avogadro constituíram a base para o entendimento da estrutura dos gases e das leis da química. Embora ignoradas durante muitos anos pela comunidade científica, elas permitiram calcular o número exato de moléculas contidas em determinado volume de gás.

Em 1811, estabeleceu uma teoria revolucionária segundo a qual "volumes iguais de quaisquer gases, nas mesmas condições de temperatura e pressão, contêm o mesmo número de moléculas". Essa lei permitiu explicar por que os gases se combinam quimicamente em proporções simples de números inteiros, como havia observado, anos antes, Joseph-Louis Gay-Lussac. Possibilitou, também, elucidar a estrutura diatômica das moléculas de gases como o nitrogênio, o hidrogênio e oxigênio.

Segundo Avogadro, o número de moléculas existentes em uma molécula-grama ou mol (pelo molecular expresso em gramas) de qualquer substância é uma constante, denominada número de Avogadro (N), cujo valor é igual a 6,022 x 1023.

Avogadro morreu em Turim, em 9 de julho de 1856.  Dois anos mais tarde, Stanislao Cannizzaro conseguiu que a hipótese de Avogadro fosse definitivamente aceita pelos pesquisadores da área química.
Alfredo Volpi

Alfredo Volpi

Alfredo Volpi nasceu em Lucca, Itália, em 14 de abril de 1896. Chegou ao Brasil com 18 meses de idade, quando sua família se fixou em São Paulo, e desde a década de 1910 se dedicou à pintura. Autodidata, participou com Francisco Rebolo Gonsales, Mário Zanini e Aldo Bonadei do grupo Santa Helena, com ateliê na praça da Sé, motivado pelas origens proletárias de seus integrantes. Estes, de fato, não assumiam a princípio a postura de artistas: trabalhavam como pintores e decoradores de paredes e consideravam-se antes de tudo artesãos.

As bandeirinhas surgiram na obra de Volpi no começo da década de 1950. Com outro tema, o das fachadas, relacionado por sua vez a paisagens e marinhas cada vez mais simplificadas, ele já se encaminhava então para um construtivismo maduro que, em meados daquela década, identificou-se às propostas da abstração geométrica e do movimento concretista.

Volpi era o mais velho do grupo. Influenciado pela arte italiana da década de 1920, realizou nesta e na seguinte paisagens de cunho realista, mostrando vistas de bairros pobres da capital paulista ou de cidades do interior, bem como marinhas do litoral de Santos e retratos. Na década de 1940, a paisagem continuou a ser sua preocupação mais constante, diversificada por viagens à Bahia e a Minas Gerais. A predileção pela têmpera já se destacava a essa altura, revelando seu apego a processos tradicionais da pintura e a aplicação artesanal que dedicava ao trabalho.

Na década de 1950 e na seguinte, quando a obra de Volpi assumiu a entonação construtivista que mais a caracteriza, a originalidade do artista se tornou inconteste. Numerosos prêmios foram-lhe então conferidos, como o de melhor pintor brasileiro na II Bienal de São Paulo (1953). Por quatro vezes, sua obra esteve na Bienal de Veneza (1952, 1954, 1962 e 1964), além de também ter sido vista em importantes exposições montadas em cidades como Tóquio, Paris, Buenos Aires, Roma e Nova York. Nessa fase de maturidade e sucesso, o pintor realizou diversos painéis, como na igreja do Cristo Operário em São Paulo (1951), na capela de Nossa Senhora de Fátima em Brasília (1959) e em navios da Companhia Nacional de Navegação Costeira (1962). Alfredo Volpi morreu em São Paulo SP, em 28 de maio de 1988.
Vittorio Alfieri

Vittorio Alfieri

Vittorio Alfieri nasceu em Asti, Itália, a 16 de janeiro de 1749. Filho de família nobre, obteve o título de conde antes de entrar para a carreira militar. Mas em 1766, após a morte de seu tutor, deixou a vida militar e iniciou um ciclo de viagens pela Europa, que se prolongou até 1772. Nos três anos seguintes, entregou-se a uma vida ociosa, de prazeres e dissipação, no ambiente da aristocracia de Turim.
O conde Vittorio Alfieri, conhecido como "apóstolo da libertação da Itália", é hoje considerado pelos historiadores uma singular combinação de revolucionário e aristocrata.

Após uma dilacerante desilusão amorosa, o conde Alfieri passou por séria crise existencial, de que se libertou como autor de uma peça trágica, Cleópatra (1775). Escreveu 19 tragédias em verso, a maior parte delas refletindo seu ódio pela tirania e sua admiração pela dignidade humana. Em 1787, radicou-se em Paris, após quase dez anos de viagens pela Itália e Inglaterra.

Alfieri é artista representativo de toda a conflituosa expressão intelectual da nobreza européia decadente, ante os primeiros sinais da revolução burguesa. Como poeta, soube temperar a paixão com disciplina clássica, notabilizando-se especialmente nos sonetos, que são de fisionomia própria e caráter marcadamente confessional.

Como autor dramático ele revelou a natureza agitada e contraditória de seu talento e, ao mesmo tempo, obteve o reconhecimento e a consagração de seus contemporâneos. Considerado por Benedetto Croce um pré-romântico, suas melhores peças são Virgínia (1777), Mirra (1784), Merope (1782), Agammemnone (1776), Oreste (1777), Timoleone (1780) e, principalmente, Saul (1782), escritas entre 1776 e 1786. No impetuoso heroísmo de alguns protagonistas, observa-se toda uma transposição do próprio conde Alfieri, com seu individualismo violento, sua lição -- algo anarquista -- de liberdade. Todos esses traços afloram na autobiografia Vita di Vittorio Alfieri scritta da esso (1804; Vida de Vittorio Alfieri escrita por ele próprio), talvez sua obra-prima. Vittorio Alfieri morreu em Florença em 8 de outubro de 1803.
Alexandre III

Alexandre III

Rolando Bandinelli nasceu em Siena em torno do ano 1105. Depois de estudar direito e teologia, sua carreira na igreja foi fulgurante. Já como cardeal demonstrou sua oposição ao crescente poder do imperador germânico Frederico Barba-Roxa. Em 7 de setembro de 1159 foi feito pontífice, sucedendo a Adriano IV. O novo papa tornou sua a decisão de seu predecessor de combater Barba-Roxa (que havia então sitiado Milão). Em resposta, o imperador nomeou um antipapa (Vítor IV), ao que a igreja reagiu com a excomunhão de ambos.

A conduta inteligente e moderada de Alexandre III contribuiu para incrementar o prestígio da hierarquia eclesiástica medieval, sem debilitar o poder do imperador alemão e dos reis cristãos da Europa.

Diante da irada reação do imperador, em 1162 Alexandre III se viu forçado a refugiar-se em Sens, na França, onde encontrou a proteção de Luís VII. Ali permaneceu até 1165, enquanto o antipapa se estabeleceu em Roma. Naquele mesmo ano o papa decidiu voltar à Itália, embora tivesse que exilar-se novamente em 1166. Mais tarde regressou, disposto a enfrentar Frederico Barba-Roxa; em Roma derrubou o antipapa imposto por seu rival e se aliou às cidades lombardas.

Em 1168, Alexandre III organizou a Liga Lombarda e fundou Alessandria, que foi sitiada pelo imperador em 1174. A ofensiva de Frederico Barba-Roxa não surtiu efeito e ele teve que dobrar-se ao papa, que lhe concedeu o perdão depois da assinatura da paz de Veneza com a Santa Sé (1177) e da de Constança com a Liga Lombarda (1183).

A autoridade do papa sobre os poderes seculares se fez também notar na Inglaterra quando, em 1174, ele obrigou o rei desse país, Henrique II, a fazer penitência pública pelo assassínio do arcebispo de Canterbury, Thomas à Becket.

Em 1179 Alexandre III destacou-se como paladino dos direitos da Igreja católica no III Concílio de Latrão, no qual se estabeleceu que a eleição do papa se realizaria por maioria de dois terços do colégio cardinalício.
Alexandre III, que dedicou seu pontificado à luta pela supremacia do poder espiritual da igreja em relação ao poder temporal do império e às monarquias cristãs, morreu em 30 de agosto de 1181 em Roma.
Alessandro Volta

Alessandro Volta

Alessandro Giuseppe Antonio Anastasio Volta nasceu em Como em 18 de fevereiro de 1745. Estudou na cidade natal, onde passou a lecionar física em 1774. Dedicado à pesquisa de fenômenos elétricos, em 1775 inventou o eletróforo, usado para gerar eletricidade estática. Isolou o metano em 1778, desenvolvendo o aparelho chamado eudiômetro, e no ano seguinte assumiu a cátedra de física da Universidade de Pavia.

Em homenagem ao italiano Alessandro Volta, inventor da pilha elétrica, em 1881 a unidade de força eletromotriz passou a chamar-se volt.

É a pilha elétrica, a primeira fonte de corrente contínua, que se pode considerar a obra principal de Volta. Por volta de 1792, ele iniciou suas pesquisas, partindo de notas de Galvani sobre os movimentos agitados de uma rã morta, em cujo tronco se aplicara um arco metálico. Desenvolveu daí uma tábua de tensões, divulgada em 1793, referente aos metais. Suas pesquisas levaram, em 1800, à criação da pilha, que construiu empilhando discos de cobre e zinco, separados por algodão umedecido em ácido sulfúrico.

Em 1801, a convite de Napoleão, Volta foi a Paris para fazer uma demonstração de suas pesquisas sobre a geração de corrente elétrica por uma bateria. Recebeu de Napoleão a medalha da Légion d'Honneur e foi feito senador do reino da Lombardia. Em 1815, nomeado pelo imperador da Áustria, tornou-se diretor da faculdade de filosofia da Universidade de Pádua. Volta morreu em 5 de março de 1827 em Como.
Alessandro Scarlatti

Alessandro Scarlatti

Pietro Alessandro Gaspare Scarlatti nasceu em 2 de maio de 1660 em Palermo, Itália. A primeira de suas 115 óperas, Gli equivoci nel sembiante (1679; Os equívocos no semblante), escrita para uma fraternidade religiosa em Roma, valeu-lhe a proteção da rainha Cristina da Suécia, para quem escreveu L'honestà negli amori (1680; A honestidade nos amores). Permaneceu até 1683 na corte sueca e depois serviu como maestro di cappella na corte de Nápoles, e compôs mais de quarenta óperas. Seguiu então para Florença onde, em dois anos, escreveu quatro óperas para o teatro do príncipe Ferdinando III de Medici, cujas partituras se perderam.

Famoso operista e criador da abertura italiana, Alessandro Scarlatti escreveu também música sacra e de câmara, além de introduzir novos instrumentos na orquestra. Mestre da transição do barroco para o século XVIII, foi um dos mais importantes nomes na história da harmonia clássica.

Em 1707, tornou-se maestro di cappella do cardeal Pietro Ottoboni, em Roma. No ano seguinte, ocupou o mesmo posto na basílica de Santa Maria Maggiore e criou duas óperas maiores para o carnaval de Veneza: Il trionfo della libertà (1707; O triunfo da liberdade) e Mitridate Eupatore (1707), esta última considerada um de seus melhores trabalhos. Seguiu-se um período de intensa atividade em Nápoles, onde compôs serenatas, missas e óperas e desenvolveu a ária em forma ternária. Scarlatti morreu em Nápoles em 24 de outubro de 1725.
Alessandro Manzoni

Alessandro Manzoni

Alessandro Manzoni nasceu em Milão, em 7 de março de 1785. Procedente da aristocracia lombarda, educou-se em escolas religiosas. Em 1805 passou a morar com a mãe em Paris e logo introduziu-se nos círculos liberais e anticlericais parisienses. Após casar-se, em 1808, com Henriette Blondel, jovem calvinista convertida ao catolicismo, o próprio Manzoni retornou à fé católica e entregou-se a uma vida de meditação, dividida entre Milão e sua villa de Brusiglio. Produtos desses anos foram os Inni sacri (1815; Hinos sagrados) e o tratado Osservazioni sulla morale cattolica (1819; Observações sobre a moral católica), que mostram o profundo humanismo de suas convicções religiosas.

O célebre romance de Manzoni intitulado I promessi sposi (Os noivos) avivou a chama do nacionalismo italiano e criou um modelo de linguagem literária.

A reputação de Manzoni se firmou com sua ode à revolução piemontesa, "Marzo 1821", e duas tragédias históricas de fundo romântico, Il conte di Carmagnola (1820) e Adelchi (1822), que fizeram sucesso pelo lirismo e marcado vigor patriótico. Com I promessi sposi (1825-1827) Manzoni conseguiu o perfeito equilíbrio estilístico. Ambientada na Lombardia do século XVII, assolada pela peste, com o pano de fundo da dominação espanhola e da guerra dos trinta anos, a obra relata a história do amor de dois jovens camponeses cujo desejo de casar-se enfrentava a oposição do senhor local. O romance é uma bem-sucedida síntese de conteúdo histórico, com apelo ao nacionalismo e ao sentimento cristão, todo ele matizado por uma linguagem fluente e realista. Na reedição da obra em dialeto toscano em 1842, I promessi sposi incluiu o apêndice "La storia della colonna infame" ("A coluna infame"), sobre fato verídico acontecido durante a epidemia de peste em Milão, e proporcionou ao autor celebridade imediata em toda a Europa.

Em seus últimos anos, Manzoni empenhou-se em impor o toscano popular e vivo como língua oficial da Itália, idéia que defendeu em seus trabalhos lingüísticos. Morreu em Milão, em 22 de maio de 1873.
Alessandro Farnese

Alessandro Farnese

Alessandro Farnese (em espanhol Alejandro Farnesio), duque de Parma e de Piacenza, nasceu em Roma em 27 de agosto de 1545. Seus pais foram Ottavio Farnese e Margarida de Áustria, filha natural do imperador Carlos V. Educado na corte de Filipe II, em Alcalá de Henares, em 1571 lutou contra os turcos na batalha de Lepanto. Sete anos depois, ajudou a sufocar a rebelião das forças holandesas na batalha de Gembloux. Naquele mesmo ano, 1578, Filipe II nomeou-o governador-geral dos Países Baixos. Foi uma escolha feliz. Farnese era de uma flexibilidade intelectual que contrastava com o sectarismo e a intransigência dos governadores anteriores. Era um grande soldado, com profundo conhecimento da profissão das armas e homem de muito prestígio.

Governador-geral dos Países Baixos em nome de Filipe II da Espanha, Alessandro Farnese conseguiu manter o domínio espanhol ante o avanço dos protestantes graças a seus dotes de estrategista e diplomata.

Farnese buscou a reconciliação com os estados valões, de população predominantemente católica, e restaurou a paz nessas províncias meridionais pelo Tratado de Arras em 1579. Ao mesmo tempo, deu seqüência às operações militares contra as províncias protestantes do norte, coligadas na União de Utrecht. Farnese saiu vitorioso no cerco a Maastricht e tomou a cidade em 1579. Submeteu Ypres, Bruges, Gand e Bruxelas e, em 1585, conquistou Antuérpia. A consolidação de uma linha de defesa contra as Províncias Unidas fortaleceu a união dos Países Baixos católicos.

Filipe II constrangeu Farnese a participar de seu plano para a conquista da Inglaterra. Ordenou-lhe que retirasse suas tropas dos Países Baixos e as concentrasse no canal da Mancha, a fim de associá-las à Invencível Armada, sob o comando do duque de Medina-Sidônia. Esse encontro deixou de ocorrer, por  falta de coordenação entre as diversas forças. O fracasso da iniciativa culminou com a derrota da Invencível Armada em 1588. Na Espanha, parte da responsabilidade pelo desastre foi atribuída a Farnese, cujo prestígio declinou. Em 1590, ele recebeu ordem de apoiar os católicos franceses adversários de Henrique IV de Bourbon e iniciou a invasão da França pelo norte. De volta a Flandres, foi ferido em combate e, em 3 de dezembro de 1592, morreu em Arras, França.
Aldo Moro

Aldo Moro

Aldo Moro nasceu em Maglie, perto de Roma, em 23 de setembro de 1916. Professor de direito na Universidade de Bari, onde se graduara, presidiu a federação universitária católica italiana, serviu na Marinha durante a segunda guerra mundial e em 1944 ingressou no Partido Democrata Cristão. Eleito deputado, liderou a bancada até 1955, quando passou a ocupar diversos cargos no governo, entre os quais os de ministro da Justiça, das Relações Exteriores e de Obras Públicas.

O seqüestro e assassinato de Aldo Moro, que ocupou cinco vezes o cargo de primeiro-ministro da Itália, tornou-se um dos mais dramáticos episódios da história do século XX e mobilizou a opinião pública mundial.

No início de 1959, Moro assumiu a liderança dos democrata-cristãos e, ao formar o seu primeiro gabinete, em 1963, nele incluiu representantes do Partido Socialista, que havia 16 anos não participava do governo. Após seu quinto governo, em 1976, tornou-se presidente do Partido Democrata Cristão e conservou sua influência, embora sem ocupar cargos públicos. Em 16 de março de 1978, foi seqüestrado pela organização Brigadas Vermelhas, que exigiu como resgate a libertação de 13 de seus militantes, então em julgamento em Turim. O governo, com apoio dos comunistas, se recusou a negociar. O corpo de Moro foi encontrado em 9 de maio no porta-malas de um carro abandonado numa rua de Roma.
Alcide De Gasperi

Alcide De Gasperi

Alcide De Gasperi nasceu em 3 de abril de 1881 em Pieve Tesino, província de Trentino. Em 1911 elegeu-se para o Parlamento representando sua província (então integrada à Áustria-Hungria) na defesa dos direitos da minoria italiana da região. Cidadão italiano em 1919, com a incorporação da província à Itália, em 1921 elegeu-se para o Parlamento como um dos fundadores do Partito Popolare Italiano, porta-voz da democracia cristã. Por hostilidade ao fascismo, em 1927 foi condenado a quatro anos de prisão. Libertado após alguns meses, afastou-se da política e trabalhou no Vaticano até a queda de Mussolini. Foi então nomeado ministro sem pasta no governo de Ivanoe Bonomi e do Exterior nos dois gabinetes seguintes.

Como primeiro-ministro da Itália depois da segunda guerra mundial, De Gasperi trabalhou pela recuperação do país e pela união européia.

Primeiro-ministro de 1945 a 1953, De Gasperi ajudou a instauração da república (1946) e promulgou uma nova constituição (1948). Promoveu a reforma agrária e desenvolveu os recursos energéticos do país. Morreu em 19 de agosto de 1954 em Sella di Valsugana, em sua província natal.
Alberto Moravia

Alberto Moravia

Alberto Pincherle, que se tornaria conhecido pelo pseudônimo de Alberto Moravia, nasceu em Roma em 28 de novembro de 1907. Dois anos de internação num sanatório de tratamento da tuberculose obrigaram-no a interromper os estudos. Cedo começou a colaborar em jornais e em 1929 publicou Gli indifferenti (Os indiferentes), romance de um neo-realismo pioneiro, em que estigmatizava a corrupção da classe média.

Capaz de sintetizar em sua ficção alguns dos maiores problemas psicológicos e sociais da vida moderna, Alberto Moravia foi também um dos escritores que mais lutaram por um estreito compromisso entre a literatura e a militância política.

O sexo, a solidão e as frustrações existenciais foram temas constantes nos romances de Moravia, entre os quais sobressai La Romana (1947; A Romana), cuja protagonista, uma prostituta conhecida apenas pelo nome que dá título ao livro, encarna os vícios e vicissitudes dos moradores da capital italiana. Em Racconti romani (1954; Contos romanos), Moravia voltou-se para embaraçosas situações vividas por personagens das camadas mais pobres da população.

São também significativos, sobretudo pela acuidade psicossocial, Le ambizioni sbagliate (1935; As ambições frustradas), La disubbidienza (1948; A desobediência), L'amore coniugale (1949), Il conformista (1951), drama psicológico que se transforma em libelo contra o fascismo, Il disprezzo (1954; O desprezo), La ciociara (1957; A camponesa) e La noia (1960; O tédio). Prevalece, em todos, a denúncia da precariedade das relações humanas, em que nem o amor nem o sexo garantem a comunicação.

Perseguido pelo fascismo, Moravia se tornou mais atuante e exerceu a militância política ao findar a segunda guerra mundial, enquanto sua celebridade crescia no exterior com a adaptação de várias de suas obras para o cinema. Em 1963 expôs suas idéias sobre literatura nos ensaios de L'uomo come fine (O homem como meta). Foi casado com a escritora Elza Morante, que morreu em 1985. Seu prestígio confirmou-se em 1984, quando foi eleito deputado, pelo Partido Comunista, para o Parlamento Europeu. Moravia morreu em Roma, em 26 de setembro de 1990.
Leon Battista Alberti

Leon Battista Alberti

Leon Battista Alberti nasceu em Gênova em 14 de fevereiro de 1404, filho ilegítimo de um nobre florentino. Formou-se em direito em Bolonha, escrevendo nessa época uma comédia clássica, Philodoxeus, tomada por seus contemporâneos como uma antiga peça de teatro romano. Nomeado secretário do papa (1432), seguiu para Roma e, quando a família Colonna cercou a cidade, refugiou-se em Florença, sob a proteção de Eugênio IV.

Presença criativa e sistematizadora em inúmeros campos de conhecimento, Leone Battista Alberti foi o grande teórico da arte renascentista e um dos mais notáveis representantes de sua arquitetura.

Escreveu então o famoso tratado Della pittura (1436; Sobre a pintura), em que tanto os aspectos estéticos como os científicos da arte renascentista são pela primeira vez teoricamente apreciados, fixando as bases da perspectiva tridimensional e defendendo a imitação da natureza como ideal a ser alcançado. A cultura do Renascimento o impressiona em todos os planos e Alberti detém-se em questões de educação, de moral familiar, de filosofia, música, matemática, tornando-se um humanista atuante e disposto a influir objetivamente: advogou o uso do italiano em lugar do latim nos livros de crítica e erudição, e organizou em Florença (1441) o primeiro concurso de poesia da península.

Em 1443 voltou para Roma, contando novamente com o apoio do papa, já então Nicolau V, para quem preparou a Descriptio urbis Romae (Descrição da cidade de Roma), tendo por fim a remodelação urbanística. Entregou-se em seguida a sua maior obra, De re aedificatoria (1452; Sobre a edificação), em dez volumes e traduzida em 1565 para o italiano. Baseando-se em manuscritos de Vitrúvio, arquiteto romano, propõe uma estética de harmonia e proporção, que tivesse como ponto de partida as contribuições e técnicas já dominadas pelos gregos e romanos.

Entre seus trabalhos de arquitetura propriamente dita, sobressaem, em Rimini, a igreja de San Francesco (1447), chamada de "templo Malatesta" em homenagem a Sigismondo Pandolfo, que lhe encomendara a obra; o palácio Rucellai, em Florença; as igrejas de Sant'Andrea e de San Sebastiano, em Mântua (1470); e em Roma as fachadas dos palácios Picchi e Venezia, e da igreja de San Marco.

Como outros mestres de seu tempo, Alberti defendia a aplicação de princípios racionais e salientava a necessidade de uma formação integral, que conferisse sentido à obra do artista. Por isso escreveu Della famiglia (1437-1444; Sobre a família), De iciarchia (1470; Sobre o governo da casa), Religio (Religião), Virtus (Virtude), Patientia (Paciência), Felicitas (Felicidade), Parsimonia (Parcimônia), Della tranquilità dell'animo (Sobre a tranqüilidade do espírito). Escreveu também sobre animais domésticos, mecânica, filosofia e jurisprudência, além de fábulas, diálogos e poemas. Pioneiro no estudo da câmara escura, na agrimensura e no planejamento urbano, Leon Battista Alberti foi bem o uomo universale do Renascimento, e morreu em Roma em 25 de abril de 1472.
Agripa

Agripa

Marco Vipsânio Agripa (Marcus Vipsanius Agrippa) nasceu por volta do ano 63 a.C. Pouco se sabe de sua vida até os vinte anos de idade, quando começou a apoiar Augusto na luta pelo poder desencadeada após a morte de César. Posteriormente, Agripa ocupou diversos cargos públicos de relevância, entre os quais o de tribuno, e atuou freqüentemente como preposto do imperador.

Amigo e colaborador do imperador romano Otávio Augusto, Agripa destacou-se pela capacidade militar e política, pelas construções com que embelezou a cidade de Roma e pelo mapa do mundo antigo que elaborou com os dados obtidos em suas viagens.

Entre suas vitórias militares deve-se salientar a batalha de Nauloco contra Sexto Pompeu, no ano 36 a.C., a batalha do Accio contra Marco Antônio, em 31 a.C., e a subjugação dos cântabros na Hispânia no ano 19 a.C. Agripa distinguiu-se também por sua participação em diferentes obras de restauração de Roma, como as realizadas no Panteão e nas canalizações, e pela construção de aquedutos e termas. Entre 17 a 13 a.C., governou as províncias orientais do império. No inverno de 13 a.C. adoeceu e, pouco depois de seu regresso a Roma, em março do ano seguinte, faleceu. Augusto ordenou que fosse sepultado no mausoléu imperial.
Adriano

Adriano

Públio Élio Adriano nasceu em Itálica (Bética), hoje na Espanha, em 24 de janeiro do ano 76. Como tribuno da II Legião, distinguiu-se em sucessivas campanhas militares empreendidas por seu tio e antecessor, o imperador Trajano. Foi nomeado chefe do exército e governador da Síria antes de ser adotado por Trajano, a quem sucedeu em 117. Seu reinado caracterizou-se pelo empenho em reforçar a unidade do império e garantir sua prosperidade. Incentivou as relações entre as províncias do império, facilitou  o acesso ao direito de cidadania e garantiu a liberdade religiosa. Aboliu a subordinação das províncias à metrópole e criou uma federação de cidades gregas, denominada Panhellenium.

Homem culto, amante das artes e do direito, Adriano foi o terceiro imperador romano da dinastia dos Antoninos e proporcionou ao império um período de esplendor.

Adriano contribuiu ativamente para a consolidação do direito romano. Reestruturou o conselho imperial, formado por técnicos, juristas e políticos e, em colaboração com ele, reformou a legislação e organizou os diferentes setores da vida pública. Estendeu o direito do Lácio às províncias, abrandou as leis que regiam a escravidão e encomendou a Sálvio Juliano a elaboração do Edictum perpetuum, obra que serviria de ponto de partida para toda a literatura jurídica desde então.

Dotado de espírito aventureiro e cosmopolita, decidido a garantir a presença romana em todo o império, Adriano dedicou grande parte de sua vida a viajar. Esteve na Bretanha, onde mandou construir uma imensa linha fortificada conhecida como muralha de Adriano. Viajou três vezes à Grécia, onde concluiu a construção do templo de Zeus Olímpico, iniciada pelos Psistratas cinco séculos antes. Em suas viagens reuniu grande número de obras de arte, que colecionava na mansão que mandou construir em Tivoli, perto de Roma.

Nos últimos anos de seu reinado, doente e pressionado por intrigas palacianas relativas à sucessão, Adriano permaneceu em Roma e aplicou políticas mais severas. No ano 138 adotou Árrio Antonino, que lhe sucedeu no trono com o nome de Antonino Pio. Morreu em 10 de julho desse mesmo ano em Baias, Itália, e foi sepultado no magnífico mausoléu que mandara construir em Roma, hoje conhecido como castelo de Sant'Angelo.
Galileu Galilei, Físico Italiano

Galileu Galilei, Físico Italiano


Artesão, físico, matemático, filósofo e astrônomo italiano nascido em Pisa, o mais importante cientista de sua época e um dos maiores sábios que a humanidade já teve. Filho de Vincenzo Galilei, matemático competente e músico razoável, obteve sua educação em um monastério de Vallombrosa, próximo a Florença e na Universidade de Pisa, onde interrompeu o curso de medicina para se dedicar ao estudo da matemática e das ciências. Lá desenvolveu seus primeiros trabalhos sobre queda livre de corpos, aprimorando os estudos de Francisco Soto, principalmente sobre trajetórias parabólicas de projéteis em queda livre.

Observar o movimento oscilatório de um dos lustres da catedral de Pisa, enquanto contava as próprias pulsações, constatou que o movimento era periódico e descobriu o isocronismo das oscilações do pêndulo (1581). Constatou também que o período de um pêndulo independe da natureza e da massa da substância, ponto de partida para algumas de suas mais importantes pesquisas. Escreveu De Motu (1590), reunindo seus experimentos sobre a queda livre dos corpos.

De volta à universidade, doutorou-se (1585) e passou a ensinar na Academia Florentina. Logo ficou conhecido nos círculos científicos devido a um de seus inventos, a balança hidrostática (1588). Depois de publicar um estudo sobre a gravidade (1589), foi convidado a ensinar na Universidade de Pisa, onde realizou experiências de máxima importância sobre o movimento físico, em especial os movimentos que se registram na superfície terrestre, sendo a mais famosa, a que comprovou que objetos de diferentes massas em queda livre caem com a mesma aceleração, lançando pioneiramente a noção de gravidade, posteriormente desenvolvida por Newton, e abalando pela primeira vez os preceitos da física aristotélica. Inventou o termômetro (1592 - pode não ter sido o pioneiro! - ver Sanctorius Santori Capodistria) e divulgou Della scienza mechanica, sobre problemas de levantamento de pesos. Foi professor de matemática em Pádua (1592-1610), universidade fundada três séculos e meio antes (1222), onde se especializou nas teorias de Copérnico e de Kepler e, portanto, opondo-se a mecânica de Aristóteles e apresentou definitivamente os primeiros enunciados para as leis de queda dos corpos e da oscilação (1602).

Artesão habilidoso, ali criou uma oficina onde trabalhavam fundidores, torneiros e marceneiros, inventando e fabricando material científico como, por exemplo, microscópios simples, lunetas e telescópios para vender. Importou as idéia das lentes ópticas criadas por pesquisadores holandeses, aperfeiçoou o invento e criou um telescópio capaz de aumentar a imagem 32 vezes, tornando-se pioneiro no uso de uma luneta para observar os corpos celestes.

Registrou a existência de mares, crateras e montanhas na Lua e as manchas solares e a descoberta de Ganimedes, terceiro satélite de Júpiter (1610). Ao descobrir os quatro satélites de Júpiter, obteve a primeira prova de que alguns corpos celestes são capazes de orbitar outros astros. Observou que Vênus tinha as mesmas fases que a Lua e concluiu que isso ocorria porque o planeta, assim como a Terra, orbitava em torno do Sol. Com isso, comprovava o sistema heliocêntrico de Copérnico. Expôs todas essas descobertas no livro Sidereus nuncius (1610) e em Istoria i dimostrazioni intorno alle macchie solari (1613) em que, pela primeira vez, defendeu publicamente a tese do heliocentrismo de Copérnico, e declarou que as Escrituras eram alegóricas e, assim, não podiam servir de base para conclusões científicas. Por causa de suas afirmações teve sérios problemas com a Igreja, chegando a ser julgado pela Inquisição e, sob ameaça de excomunhão e morte pela Igreja, renegou formalmente suas descobertas.

A polêmica provocada pelo tema levou também a Igreja Católica a proibir o livro de Copérnico. Segundo a tradição suas obras se tornavam ainda mais perigosas para a Igreja Católica, que preconizava o geocentrismo, porque, ao contrário dos outros sábios, não escrevia em latim, mas na própria língua vulgar falada pelo povo, em estilo ágil e, dependendo do assunto, até irônico, o que o tornou muito popular. Impedido de prosseguir os estudos sobre o sistema de Copérnico, recolheu-se a seu castelo, na localidade de Arcetri, nos arredores de Florença, onde se dedicou a estabelecer e comprovar novos métodos de pesquisa científica baseados na experimentação.

Solicitou ao papa Urbano VIII, seu protetor, permissão para escrever uma obra em que os dois sistemas seriam comparados. Publicou o que se tornaria seu principal trabalho, Diálogo sopra i due massimi sistemi del mondo, ptolemaico e copernicano (1632), um diálogo hipotético entre o coperniciano Salviati e o aristotélico Simplício. A obra provocou acirrada polêmica e suas idéias foram consideradas por muitos mais perigosas que as de Lutero e Calvino. De novo julgado pela Inquisição, concordou em abjurar para evitar condenação maior (1633).

Recolhido definitivamente ao castelo de Arcetri, dedicou-se a partir de então à pesquisas e publicações essencialmente sobre o movimento, reunidas na obra Discorsi e dimostrazioni matematiche intorno a due nuove scienze (1638), tornando-se então conhecido como o criador da ciência do movimento. Estabeleceu os fundamentos da dinâmica e lançou as bases de uma nova metodologia científica, estimulou o aparecimento da hidráulica experimental e revisou o conceito aristoteliano sobre vácuo.

Embora tenha publicado pouco sobre hidrostática (1612), historicamente sua maior contribuição à hidráulica foi o fato de ter estabelecido que a sua mecânica é uma ciência experimental, principalmente através de suas experiências sobre deslocamentos em meios fluidos com o ar. Seu discípulo mais famoso foi Torricelli que, juntamente com seu mestere, tornaram-se os mais importantes nomes do surgimento da era da ciência moderna, sendo responsável também por transformações históricas no campo das medidas, graças a sua vontade sistemática pela determinação quantitativa das grandezas físicas.

Publicou argumentos defendendo a teoria ondulatória de propagação da luz, que desde Aristóteles tinha sido admitida por Da Vince. Foi o autor de uma das leis do movimento, posteriormente denominada de leis da inércia. Sua obra foi continuada por Torricelli, Pascal, Roberval, Fermat, Huygens, Varignon, Mersènne e muitos outros cientistas ao longo dos séculos seguintes. É, sem dúvida, a principal personalidade histórica da mecânica. A cegueira pôs fim às suas pesquisas (1637), cinco anos antes de sua morte, em Arcetri, perto de Florença.
Michelangelo, Escultor e Artista Plástico Italiano

Michelangelo, Escultor e Artista Plástico Italiano


Gênio italiano da escultura universal nascido em Caprese, localidade próxima à cidade toscana de Arezzo, autor de obras imortais da escultura, como o Davi e o Moisés, da arquitetura, como a cúpula da basílica de São Pedro e da pintura, como os afrescos da capela Sistina. Quando ainda era criança, sua família mudou-se para Florença, onde entrou como aluno (1488) para o ateliê do pintor Domenico Ghirlandaio, com quem aprendeu as técnicas de afresco e painel.

No ano seguinte, graças ao mecenato de Lourenço o Magnífico, passou a estudar escultura com Bertoldo di Giovanni no jardim onde a família senhorial de Florença conservava uma valiosa coleção de esculturas antigas. Com a morte de Lourenço (1492), e pouco antes da expulsão da família Medici pelo pregador e reformador religioso Girolamo Savonarola, fugiu para Bolonha, onde, sob a influência de Jacopo della Quercia, esculpiu três estátuas para o túmulo de são Domingos.

De volta a Florença, esculpiu em madeira a Crucificação (autenticada somente em 1965), que doou a uma igreja em agradecimento por lhe terem permitido estudar os cadáveres ali conservados. Mudou-se para Roma (1496), onde esculpiu Baco e a extraordinária Pietà (1498), toda em mármore e que se encontra na basílica de São Pedro, no Vaticano. Retornando a Florença (1501), foi contratado para realizar as 15 figuras da capela Piccolomini da catedral de Siena e o colossal Davi, todo em mármore (1502-1504), hoje na Academia de Belas-Artes de Florença.

Após o término do Davi (1504) começou a pintar o afresco Batalha de Cascina para a sala do conselho do Palazzo Vecchio florentino, pintura, posteriormente destruída, que gerou uma rivalidade entre ele e Leonardo da Vinci, que estava pintando A batalha de Anghiari na parede oposta. Desentendendo-se com o papa Júlio II por causa de pagamento de um projeto do mausoléu papal (1505), fugiu de Roma, mas em Florença, foi convencido por Piero Solderini a se desculpar, e o próprio Júlio II lhe encomendou então uma estátua em bronze para a igreja de São Petrônio, (1507-1508). Para o papa ainda pintou os afrescos da ampliação da capela Sistina (1508-1512), embora não gostasse de trabalhar como pintor.

Com a morte de Júlio II renegociou o contrato do mausoléu com seus herdeiros (1513). O projeto foi reduzido e ele idealizou para o sepulcro sua célebre estátua Moisés, em mármore, com as duas figuras torturadas de escravos. Com a volta dos Medici ao poder em Florença (1512), e com os papas Leão X e Clemente VII, membros dessa família, voltou a trabalhar quase que exclusivamente para a família em vários projetos para Florença (1514-1534), como a capela mortuária na igreja de São Lourenço (1520-1534), sepulcros da família Medici, para muitos a maior obra do artista, e a Biblioteca Laurenziana (1524), contratado por Clemente VII. A esta altura (1530) já alternava o trabalho em outras áreas com a criação de uma obra poética de grande sensibilidade. Nomeado pelo papa Paulo III (1534) escultor, pintor e arquiteto oficial do Vaticano, fixou residência definitiva em Roma.

Pintou o grande afresco Juízo final (1536-1541), no altar da capela Sistina (detalhe na figura: Criação do sol e da lua), transferiu a estátua antiga do imperador Marco Aurélio para o centro da praça do Capitólio (1538), e reurbanizou-a, criou as janelas do segundo andar e a grande ante-sala do Palazzo Farnese, em Roma (1546), iniciou (1547) os trabalhos da construção da basílica de São Pedro, cuja grande cúpula da basílica é de sua autoria, construiu, dentro das ruínas das termas de Diocleciano, a grande igreja Santa Maria degli Angeli (1561-1564) e, entre as esculturas de seus últimos anos, destaca-se a Pietà Rondanini. Deu grande contribuição ao humanismo renascentista com uma notável obra literária, tanto em prosa como em verso, uma seqüência de mais de 300 sonetos, madrigais e outros tipos de poemas, inclusive fragmentos inacabados.

Morreu em Roma, então nos Estados Pontifícios. Alcançou um grau de sofisticação representativa em suas figuras que prenunciou o barroco. No seu tempo surgiram na Bélgica e Holanda, os representantes do Renascimento flamengo como Jan van Eyck, Hans Memling e Rogier van der Weyden, que desenvolvem a pintura a óleo. O Renascimento foi um movimento artístico, científico e literário que floresceu na Europa no período correspondente entre à Baixa Idade Média e o início da Idade Moderna, do século XIII ao XVI, com o berço na Itália e tendo em Florença e Roma como seus dois centros mais importantes. Sua principal característica foi o surgimento da ilusão de profundidade nas obras e, cronologicamente, pode ser dividido em quatro períodos: Duocento (1200-1299), Trecento (1300-1399), Quattrocento (1400-1499) e Cinquecento (1500-1599).

Fonte: http://www-geografia.blogspot.com.br/