Roedores, Características Gerais dos Roedores

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Roedores, Características Gerais dos Roedores

Roedores, Características Gerais dos Roedores

Os roedores constituem a mais numerosa ordem (Rodentia) da classe dos mamíferos e se caracteriza por compreender, com poucas exceções, animais de pequeno porte, com membros locomotores com unhas. A ordem é integrada por cerca de 35 famílias, 350 gêneros e perto de 6.400 espécies e subespécies.

Presentes em todos os continentes, à exceção da Antártica, os roedores tanto são extremamente úteis ao homem -- caso das cobaias, utilizadas nos laboratórios de pesquisas médicas de todo o mundo -- quanto perniciosos, como as espécies cujos parasitas transmitem peste bubônica e outras moléstias graves.

Existentes desde o eoceno, alguns roedores tornaram-se cosmopolitas; acompanham o homem, levados por ele ou a despeito de seus esforços para evitá-los. Chinchilas, ratões-do-banhado e cobaias são também criados em cativeiro. O rato preto, Rattus rattus, invadiu a Europa no século XIII; a ratazana, R. norvegicus, somente no século XVIII. O camundongo, Mus musculus, vive por toda parte, quer nas casas, quer em estado silvestre, e é altamente nocivo, pois em algumas regiões chega a destruir até um quinto da produção de cereais cultivados.

Caracteres gerais - Entre as principais características dos roedores, sobressaem: (1) a presença de um par de incisivos superiores e um par inferior, de crescimento contínuo, recobertos de esmalte branco, amarelo ou vermelho, apenas na face externa, de maneira que o desgaste constante mantém um bordo cortante em bisel; (2) ausência de caninos e os molares reduzidos a um máximo de cinco na maxila e quatro na mandíbula, de cada lado; (3) e a modificação da fossa glenóide, onde se articula a mandíbula, de maneira a permitir seu movimento livre para a frente, para trás e para os lados. Os incisivos são utilizados pelos animais para roer as matérias vegetais, de cascas de árvores a sementes, das quais a maioria deles se alimenta.

A disposição das cristas de esmalte e das ilhas de cimento na coroa dos molares é típica de cada espécie, o que permite aos especialistas reconhecê-la com segurança. É a dentição que basicamente diferencia os roedores dos animais de outra ordem com características semelhantes, a dos lagomorfos, formada por coelhos, lebres e tapitis, que já estiveram incluídos na ordem dos roedores por terem incisivos semelhantes e por também não disporem de caninos. Os lagomorfos apresentam um segundo par de incisivos reduzidos por trás dos incisivos superiores anteriores. Entre os roedores encontram-se alguns dos menores mamíferos do mundo, que pesam cerca de dez gramas, ao lado de outros, como a capivara, que ultrapassam cinqüenta quilos.

Ressalvada a predileção por espécies vegetais, os roedores são onívoros e se alimentam também de vermes, artrópodes e moluscos. De acordo com a predominância da alimentação, varia a forma do estômago, que pode ser um simples saco ou apresentar uma estrutura complexa de ruminante, como nos lemingues. Algumas espécies, como a dos hamsters, são dotadas de bolsas na cavidade bucal, nas quais armazenam o alimento que mais tarde irão engolir lentamente.

Dada a grande variedade de ecossistemas aos quais os roedores se adaptaram, seus traços morfológicos diferem significativamente de uma família para outra. Entre as espécies arborícolas, algumas desenvolveram especializações locomotoras, como é o caso dos esquilos voadores, nos quais a expansão de uma membrana -- que se estende pelos flancos e une as quatro extremidades -- lhes permite planar por até cinqüenta metros, de uma árvore a outra. Os esquilos comuns têm uma longa cauda recurvada, que funciona como elemento equilibrador durante os saltos.

Outras espécies adaptaram-se à vida aquática, como os castores, cujas patas e caudas se achataram e passaram a ter função de membranas natatórias. Em espécies de hábitos cavadores ou fossoriais ocorreu o reforçamento do crânio e das patas dianteiras, com a redução da cauda e dos olhos. Houve o alongamento exagerado das pernas e da cauda nas formas saltadoras, como os gerbos. Os ouriços e os porcos-espinhos, por sua vez, têm o corpo e a cauda cobertos de espinhos córneos, que funcionam como eficiente elemento de defesa, pois se fixam no focinho dos animais que os atacam.

Uma característica importante dos roedores, responsável em grande parte pelo êxito evolutivo da ordem da qual fazem parte, é sua grande capacidade reprodutora, de modo a compensar a alta taxa de mortalidade de suas populações, que constituem presa habitual de répteis, aves e outros mamíferos. Assim, é freqüente as fêmeas terem várias ninhadas por ano, com grande número de crias em cada uma delas.

Entre as enfermidades que os ratos e ratazanas abrigam e transmitem ao homem estão a peste, cujo vetor é a pulga, a encefalite que tem como vetor o carrapato, a febre hemorrágica, a tularemia, a leishmaniose cutânea, a leptospirose, a toxoplasmose. A peste constituiu no passado um dos maiores flagelos da humanidade e hoje ainda ocorre entre os roedores silvestres e seus comensais de alguns pontos da Ásia, África e Américas.

As cobaias (Cavia porcellus), domesticadas em tempos pré-incaicos no Peru e desde então criadas para servir de alimento aos habitantes da cordilheira andina, estão presentes em todos os laboratórios do mundo, juntamente com as variedades albinas de ratos e camundongos, todas elas elementos valiosos na luta pelo controle das enfermidades.

Classificação - Alguns especialistas agrupam os roedores em três subordens -- ciuromorfos, miomorfos e histricomorfos --, que se diferenciam pela posição e estrutura do músculo masseter, que serve ao movimento da mandíbula.

Ciuromorfos - No Brasil, os ciuromorfos estão representados por esquilos, caxinguelês, serelepes e quatipurus, cujas espécies são mais numerosas na Amazônia e que vão do tamanho de um camundongo ao de um gato. São todos arborícolas, vivem nas regiões cobertas de mata e evitam os cerrados e as caatingas.

Miomorfos - Nessa subordem incluem-se, entre outras famílias, a dos murídeos, cosmopolitas e importados, e a dos cricetídeos, ratos-do-mato, nativos. Da primeira, fazem parte o rato preto, que prefere os forros das casas, e a ratazana, que tem hábitos semi-aquáticos e ocorre nas galerias de esgotos. Entre os cricetídeos, conhecem-se no Brasil cerca de vinte gêneros, chamados vulgarmente de ratos-do-mato. A diferença entre as duas famílias está nas cúspides (extremidades) dos molares superiores. Nos murídeos, elas são dispostas em três séries em relação ao eixo longitudinal -- trisseriadas --, enquanto que nos cricetídeos os molares superiores ou têm cúspides dispostas em duas séries -- bisseriadas --, ou são apenas laminados ou prismáticos.

Histricomorfos - Ouriços-cacheiros ou cuandus fazem parte desta ordem, na qual se encontram também as cutias, as pacas e as preás. Os gigantes da ordem são as capivaras, que vivem nos rios e lagos e chegam a atingir um metro de comprimento.

Espécies brasileiras. Ao todo, cerca de 250 espécies constituem a fauna de roedores do Brasil. Dentre elas estão os tuco-tucos (C. brasiliensis), da família dos octodontídeos, gênero Ctenomys. Podem atingir até trinta centímetros. Ocorrem, sobretudo, no Rio Grande do Sul e sul de Mato Grosso. A área territorial preferida pelo tuco-tuco-de-colar (C. torquatus), é a região sulina compreendida entre a lagoa dos Patos e o litoral. Vivem em galerias subterrâneas e raramente saem à superfície. As galerias ficam entre trinta a cinqüenta centímetros abaixo da superfície do solo.

No extremo sul do país, ocorre o ratão-do-banhado ou nútria (Myocastor coypus), da família dos capromiídeos. Tem aspecto semelhante ao da cutia ou capivara. Mede cerca de cinqüenta centímetros de corpo e quarenta centímetros de cauda. Sua coloração é castanho-acinzentada e os pêlos que saem de seu focinho, como se fossem bigodes, são brancos e longos. Seus pés posteriores possuem membranas entre os dedos, pois passa dentro d'água a maior parte da vida. Vive muito bem em cativeiro e jardins zoológicos, e hoje é criado em viveiros especiais, devido à valorização de sua pele no comércio. É vegetariano; seus incisivos são tão grandes que costumam projetar-se para fora da boca.

No Nordeste do Brasil encontra-se o mocó (Kerodon rupestris), da família dos cavídeos. Semelhante e pouco maior que a preá e de coloração cinzenta como ela, vive em regiões descampadas e pedregosas das caatingas. Esconde-se em buracos e abriga em sua toca os chupões ou Triatoma, responsáveis pela transmissão da doença de Chagas. Muito sagaz, conserva-se apesar da intensa perseguição que sofre. Nos machos o olfato é bem desenvolvido. Alimenta-se de cascas de árvore e de gramíneas em geral.

Animal exclusivo da Amazônia, da região do rio Purus e adjacências é a pacarana, da família dos cavídeos, gênero Dinomys. Parecida com a paca no aspecto geral, coloração e tamanho, dela se distingue por duas claras diferenças anatômicas: a presença, na pacarana, de uma cauda e cinco dedos. Embora viva bem em cativeiro, constitui raridade altamente valorizada pelos jardins zoológicos.

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