Míssil, Projétil e Foguete, Diferenças entre Míssil, Projétil e Foguete

Míssil, Projétil e Foguete, Diferenças entre Míssil, Projétil e Foguete

Míssil, Projétil e FogueteEm sentido amplo, foguete é qualquer dos veículos impulsionados por um motor a propulsão ou motor-foguete, como os fogos de artifício, projéteis-foguetes, mísseis e propulsores de lançamento de naves espaciais.

Na defesa da capital da província chinesa de Henan, no século XIII, foram empregados foguetes descritos como "flechas de fogo voadoras". Desde então, os artefatos construídos para lançar objetos à distância com o uso da pólvora se aperfeiçoaram cada vez mais.

Impulsão de foguetes e projéteis. As munições que lançam os diferentes materiais bélicos se classificam, de modo geral, pelo modo de lançamento e pelo controle da trajetória. A munição pode impelir por meio de uma carga explosiva, que produz gases no interior da boca de fogo, ou por meio de um motor de propulsão a jato que empuxa o projétil-foguete ou míssil durante toda a trajetória ou parte dela até atingir o objetivo. O projétil pode seguir uma trajetória previamente determinada, sem possibilidade de modificação uma vez iniciada; ou pode variar de trajetória, em resposta a ordens de comando emitidas a distância. Os artefatos dotados desse mecanismo de controle denominam-se mísseis. Pela classificação militar, os objetos lançados dividem-se em projéteis, projéteis-foguetes e mísseis.

Projéteis

Projéteis. Corpo pesado lançado pelas bocas de fogo e animado por uma velocidade inicial, o projétil é capaz de alcançar um objetivo e produzir sobre ele efeitos destrutivos. Ao deslocar-se no espaço, descreve uma curva denominada trajetória. Os projéteis podem ser maciços ou ocos. Quando maciços e de pequeno diâmetro, denominam-se bala; quando, ao contrário, são ocos e podem causar explosão, recebem o nome de granada.

Um projétil oco consta de uma espoleta, que produz a detonação da carga interna, e um cartucho ou cápsula, recipiente feito normalmente de aço que contém a carga interna, constituída de um explosivo ou outro tipo de substância (fumígena, iluminante, tóxica etc.), segundo o efeito desejado.

A forma exterior do projétil é aerodinâmica, para vencer a resistência do ar. O projétil é cilíndrico e estriado na parte central, o que o faz deslizar adaptado às estrias do cano. Esse ajuste impede a fuga de gases e ao mesmo tempo provoca a rotação do projétil ao longo das raias internas, com o que se consegue a estabilidade de giro. A parte frontal recebe o nome de ogiva, por suas características morfológicas. A parte posterior é a escorva; o gatilho, onde se aplica a pressão para o disparo, libera o pino de detonação, que bate a ponta contra o detonador e inflama o conteúdo da escorva, que por sua vez inflama o explosivo propulsivo. Calibre é o diâmetro na faixa de condução.

O projétil é impulsionado por meio dos gases resultantes da queima de uma carga de pólvora. Os fluidos em expansão obrigam a um movimento de translação, segundo o princípio de ação e reação, e a um movimento de rotação, no caso do cano ser raiado, quando então a base do projétil é entalhada com raias ou estrias. Ao sair do cano, o projétil tem estabilização de giro e segue uma trajetória balística livre, isto é, sem correção.

Quando o projétil atinge o objetivo, produz efeitos que variam em função de sua constituição: os maciços, por impacto direto, e os ocos, por ação de sua carga explosiva interna, provocam a fragmentação. O projétil rompedor encerra um potente explosivo dentro do casco e produz onda explosiva e múltiplos fragmentos de metralha. O perfurante, de paredes grossas, se emprega para atravessar chapas de blindagem. O de carga oca, pela disposição especial do explosivo, consegue grandes perfurações. Existem projéteis nucleares, de metralha, de produtos químicos tóxicos, fumígenos, de iluminação etc.

Foguetes

Foguetes. Artefato com um ou vários estágios, o foguete se move no espaço por propulsão a jato e pode ser empregado como arma de guerra ou instrumento de pesquisa científica. Na terminologia militar, a palavra foguete designa o dispositivo que segue uma trajetória que não pode ser modificada por meios de controle internos ou remotos. O que caracteriza esse tipo de artefato é o motor de propulsão, que se distingue dos reatores atmosféricos empregados nos aviões a jato por não precisar de ar para a combustão do agente propulsor (combustível ou propelente), já que o elemento oxidante (comburente) é transportado no próprio foguete, em câmara separada ou em mistura com o combustível, conforme seja este líquido ou sólido.

A mecânica do foguete se baseia no princípio de conservação da quantidade de movimento linear e no princípio da ação e reação. Se não atuam forças sobre o corpo, essa lei estabelece a seguinte relação: peso do foguete x incremento de velocidade + peso do combustível queimado x velocidade de saída dos gases = zero. Dado que a energia cinética do jato do foguete provém da conversão da energia química, por combustão, é desejável um alto rendimento de energia termoquímica por unidade de peso de propelente, ainda que na prática só se consiga entre quarenta e setenta por cento. Mediante a disposição adequada das saídas de escape, o foguete é empurrado pelo efeito retropropulsor das partículas de gases queimados.

Os motores de combustível sólido são simples: o propelente é uma mistura de hidrocarboneto e oxidante. Os de combustível líquido são complexos e precisam de depósitos de combustível e oxidante, câmara de combustão, injetores, refrigeradores etc. Seu combustível pode ser hidrogênio, oxigênio líquido, hidrocarbonetos e outros.

Os projéteis-foguetes seguem uma trajetória balística que depende de parâmetros previamente estabelecidos. Uma vez fora do lançador, o foguete continua impulsionado pela carga de propulsão até que ela se consuma, quando passa a uma trajetória balística pura, isto é, sem correções. A chegada ao objetivo ocorre com maior dispersão do que no caso do projétil convencional, em consequência da dificuldade de conseguir tempos de propulsão idênticos para todos os foguetes e da falta de alinhamento entre o tubo, ou tubos, de saída de gases e o centro de gravidade. Por isso, os foguetes empregados para fins destrutivos são lançados em massa, para cobrir objetivos muito extensos em lugar de alvos exatos.

Os componentes básicos do projétil-foguete são a ogiva, com a carga explosiva ou de outro tipo; o motor-foguete; os elementos de estabilização (tubos inclinados ou tubo único com aletas); e os sistemas de ignição. Entre os modernos foguetes de uso militar cabe citar o LARS alemão, de 110mm e alcance de 14km; o francês RAP, de 140mm e 16km, respectivamente; e os russos BM 21, de 122mm e 14km, e BMD 25, de 250 mm e 30km.

Mísseis

Mísseis. Projétil-foguete a que se incorporou um sistema de comando guiado, que permite modificar sua trajetória para chegar ao objetivo, o míssil compõe-se de cabeça, motor-foguete e sistema de guia. Este último calcula a diferença entre a posição do míssil e a do objetivo a cada momento e gera ordens ou sinais que atuam sobre os controles aerodinâmicos. Compõem o sistema os radares, as calculadoras eletrônicas ou instrumentos analógicos e os servossistemas de controle, definidos como sistemas em que as magnitudes dos sinais de entrada controlam, mediante funções de transferência, os comandos que regulam as funções ditas "de saída". Constam também do sistema de guia as fontes de energia elétrica, hidráulica ou pneumática. Os tipos básicos de guia são a teleguia, a perseguição automática, a guia por feixes, a trajetória preestabelecida e a guia por comando.

A teleguia controla a trajetória do míssil mediante um equipamento de terra formado por radares seguidores do artefato e do objetivo. Estes enviam dados a um computador, que prepara a trajetória de encontro que o míssil deve seguir. Na perseguição automática, o míssil é dirigido com a ajuda de sinais que ele mesmo produz. Se tal emissão é ativa, o próprio míssil gera e processa os sinais. Na semi-ativa, são recebidos os sinais produzidos em equipamento exterior; na passiva, o emissor associa o sinal a algum tipo de energia gerada pelo objetivo, como a radiação infravermelha. Na guia por feixes, o míssil se mantém dentro de um feixe energético ou iluminador que segue automaticamente o alvo. Por sua vez, a trajetória preestabelecida é calculada previamente e introduzida no computador do míssil. Este compara a posição real com a desejada, para o que se vale de referências astronômicas, geográficas, inerciais ou de outra índole e efetua as correções adequadas. Finalmente, a guia por comando pode ser visual, por televisão ou qualquer outro método de controle direto manipulado por um operador em terra.

Classificação dos mísseis
De acordo com a função que desempenham, os mísseis podem ser estratégicos ou táticos. Os primeiros são capazes de alcançar grandes distâncias levando carga nuclear e constituem vetores nucleares. Por serem mísseis balísticos com trajetória preestabelecida, um aspecto importante é sua precisão: o erro é da ordem de apenas 250m na cobertura de uma distância de dez mil quilômetros. Outro aspecto essencial é o número de cabeças que cada míssil transporta. Distinguem-se modelos de uma ou diversas cabeças, que podem evoluir segundo a técnica MIRV (multiple independently targetable reentry vehicle, veículo de reentrada múltipla contra objetivos independentes) ou a técnica MARV (manoeuvering reentry vehicle, veículo de reentrada manobrável). Os mísseis balísticos intercontinentais (ICBM, ou intercontinental ballistic missile) têm alcances superiores a seis mil quilômetros; tais são o Minuteman III americano e o SS-19 russo. Os mísseis balísticos de alcance intermediário (IRBM, ou intermediate range ballistic missile) têm alcance entre 2.500 e 6.000km; são desse tipo o SSBS-S-3 francês e o SS-20 russo. Os mísseis balísticos de alcance médio (MRBM, medium-range ballistic missile) alcançam até 2.500km e entre eles se destaca o Pershing II americano. Entre os mísseis balísticos lançados de submarinos (SLBM ou submarine-launched ballistic missile), cabe citar o Trident C-4, também americano. Existem ainda mísseis de cruzeiro de grande alcance, que se mantêm a pequena altitude durante a trajetória para evitar ataque de antimísseis. A essa categoria pertence o BCH 109 Tomahawk. Os mísseis nucleares táticos têm alcance de até 170km e são projetados para dar combate a grandes unidades. Os mísseis anticarro chegaram à terceira geração, em que são autoguiados; seu alcance é inferior a quatro quilômetros e utilizam guias infravermelhas.

Os mísseis táticos para defesa antiaérea podem ser lançados de terra ou do mar; os de baixa e muito baixa cota alcançam até cinco mil metros; os de altura média chegam a vinte quilômetros; os de grande altura complementam o teto da aviação. Em conjunto, formam famílias de armas, como o Chaparral (de baixa cota), o Hawk (de cota média) e o Nike-Hercules (de alta cota), todos eles americanos. Um tipo de míssil lançado do ar é o ar-mar, com sistema de guia preestabelecido inicialmente, que termina em autoguiado; um exemplo é o Exocet francês. Os mísseis mar-ar são adequados para defesa a longa distância (trinta a cem quilômetros).

Os mísseis lançados do ar são empregados para combate aéreo ou para combate de superfície. Os mísseis ar-ar podem chegar a longa distância (200 km). Os ar-superfície empregam a técnica de lançamento sobre objetivos a mais de trinta quilômetros para posteriormente se orientarem por anti-radiação, televisão, infravermelho ou radar ativo.

Histórico. O primeiro dispositivo usado como munição foi o foguete, inventado pelos chineses no século XIII. Durante o século XIV surgiram as bocas de fogo de bronze ou ferro, que inicialmente lançavam projéteis esféricos de ferro forjado. Ao aumentarem os calibres, apareceram as bolas ou balas de pedra. No século XVI se empregaram balas ocas cheias de pólvora, chamadas bombas, que recebiam o nome de granadas quando de pequeno tamanho.

No princípio do século XIX, William Congreve introduziu o uso do foguete no Exército britânico. O surgimento da artilharia raiada, por volta de 1850, eclipsou o emprego do foguete e substituiu-o pelo projétil oblongo com estrias, que devia ser guiado pelo tubo.

Os fundamentos do emprego moderno dos foguetes foram estabelecidos nas primeiras décadas do século XX pelo físico americano Robert Hutchings Goddard, que utilizou pela primeira vez combustível líquido. Na segunda guerra mundial, Wernher von Braun dirigiu a construção do primeiro míssil balístico guiado, totalmente operativo, o V-2 (ou A-4) alemão. O progresso da astronáutica e da balística permitiu que a União Soviética pusesse em órbita em 1957 o primeiro satélite artificial, o Sputnik I. O primeiro disparo de um canhão atômico com projétil nuclear tático foi efetuado a 25 de maio de 1954 em Nevada, Estados Unidos da América.

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