Cantar de Mío Cid

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Cantar de Mío Cid

Cantar de Mío CidRodrigo Díaz de Vivar, ou Bivar, chamado El Cid (senhor) pelos árabes e El Campeador (guerreiro) pelos espanhóis, nasceu por volta de 1043 em Vivar, perto de Burgos. O pai era fidalgo da corte de Castela e a mãe descendia de rica família. Trazido à corte de Fernando I, agregou-se à casa do príncipe primogênito, o futuro Sancho II de Castela, que ao assumir o trono nomeou-o comandante das tropas reais, cargo em que empreendeu uma campanha vitoriosa contra o reino mourisco de al-Muqtadir. Depois ajudou seu rei na luta contra os irmãos pela unificação do reino.

Um herói que luta contra seu próprio rei para defender a liberdade, vence todas as batalhas e combate corajosamente os mouros até libertar Valência - eis o enredo do maior poema épico da literatura espanhola, baseado em fatos reais.

Com a morte de Sancho subiu ao trono Afonso VI, mas as intrigas da corte culminaram no exílio do Cid, que passou a servir à dinastia mourisca de Saragoça. Em 1086, com a invasão da Espanha pelos almorávidas, foi chamado de volta por Afonso, mas preferiu lutar pelo reino de Valência, à frente do qual tornou-se magistrado supremo de mouros e cristãos. Morreu em Valência em 10 de julho de 1099.

Cantar de mío Cid divide-se em três partes: o desterro, após o conflito com o rei; o casamento de suas filhas com os príncipes de Aragão e Barcelona e a traição dos genros; e a ação do Cid contra os traidores. Embora a imaginação popular considere que a parte principal do poema seja a luta contra os mouros e a conquista de Valência, tal episódio figura no poema apenas como consequência do desterro. Sem a bravura romântica da poesia medieval, o poema do Cid é quase um relato autobiográfico, que mostra o herói como homem corajoso e justo, mas também desconfiado e avarento como os camponeses de sua terra.

A autoria do poema é desconhecida. Ao que se sabe, o Cantar de Mío Cid foi escrito por volta de 1140, por autor anônimo, talvez por mais de um autor. A única cópia manuscrita, feita por Per Abbat, é de maio de 1307. A edição crítica definitiva, com centenas de notas e comentários, é de Menéndez Pidal, publicada em Madri, em dois volumes (1908-1911), com o título Cantar de mío Cid; texto, gramática y vocabulario.

Também inspirada na figura de Ruy Díaz de Vivar é a tragédia em cinco atos Le Cid, do dramaturgo francês Corneille, encenada em Paris em 1637. A ação tem duração de 24 horas e transcorre em Sevilha. Corneille simplificou a história e concentrou a ação no conflito entre o amor e a honra: Rodrigo é levado pela honra a matar o pai da mulher que ama, enquanto ela é obrigada a pedir vingança ao rei para dar provas de sua devoção filial. Corneille foi injustamente acusado de plágio. A grandeza de sua peça independe da fonte de inspiração: reside nas implicações morais que soube extrair da situação. Le Cid é geralmente considerada como a primeira das tragédias francesas.

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