Espanha, Aspectos Gerais da Espanha

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Espanha, Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Espanha

Espanha, Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da EspanhaGeografia: Área: 505.954 km². Hora local: +4h. Clima: mediterrâneo, oceânico (N). Capital: Madri. Cidades: Madri (3.092.759), Barcelona (1.582.738), Valença (780.653), Sevilha (709.975), Zaragoza (626.081) (2016).

População: 42 milhões (2016); nacionalidade: espanhola; composição: espanhóis 98,5%, outros 1,5%. Idiomas: espanhol, línguas regionais (principais: basco, galego, catalão) (oficiais). Religião: cristianismo 93,6% (católicos 96,1%, outros 1,7% - dupla filiação 0,7%, desfiliados 3,5%), sem religião e ateísmo 5,7%, islamismo 0,5% .

Relações Exteriores: Organizações: Banco Mundial, FMI, OCDE, OMC, ONU, Otan, UE. Embaixada: Tel. (61) 244-2121, fax (61) 242-1781 – Brasília (DF); e-mail: embespbr@correo.mae.es.

Governo: Monarquia parlamentarista. Div. administrativa: 50 províncias. Chefe de Estado: rei Juan Carlos I (desde 1975). Partidos: Socialista Operário Espanhol (PSOE), Popular (PP), coalizão Esquerda Unida (IU) (Comunista Espanhol – PCE, Esquerda Republicana – IR, entre outros). Legislativo: bicameral – Senado, com 256 membros; Congresso dos Deputados, com 350 membros. Constituição: 1978. Territórios administrados: Ceuta e Melilla.

*Substitui a peseta, que deixa de circular em 2002

A Espanha ocupa cerca de 80% da península Ibérica, no sudoeste da Europa, e é banhada pelo mar Mediterrâneo e pelo oceano Atlântico. Potência colonial entre os séculos XV e XIX, o país difundiu a língua espanhola pelo mundo. Sua população é formada por povos de várias nacionalidades – castelhanos, catalães, galegos, andaluzes e bascos –, que vivem em regiões com diferentes graus de autonomia. Anseios separatistas, porém, continuam a agitar o País Basco, onde a guerrilha Pátria Basca e Liberdade (ETA) lidera violenta campanha pela independência. Graças ao vasto patrimônio histórico, a Espanha só perde para a França como destino preferido dos turistas, arrecadando cerca de 40 bilhões de dólares em 2002 com o setor. A economia, que combina modernas indústrias com zonas rurais atrasadas, cresce com vigor a partir do fim dos anos 1980, em grande medida devido aos subsídios para o desenvolvimento aplicados pela União Europeia (UE). O desemprego cai para 11,4% da força de trabalho, em 2002, após ter superado a barreira dos 20%, mas a taxa ainda é das mais altas da Europa Ocidental.

Bandeira da EspanhaHistória da Espanha

A região da Ibéria, como é conhecida na Antiguidade, é ocupada por fenícios, gregos e cartagineses até ser incorporada ao Império Romano, entre os séculos III e I a.C. Roma estabelece a unidade política e introduz posteriormente o cristianismo na península. No início do século V, o território é tomado pelos visigodos. Eles são responsáveis, em boa parte, pela unidade espanhola. Em 711, Roderico, o último rei visigodo, é derrotado pelos mouros, que se apossam de quase toda a península. Nos séculos X e XI surgem pequenos reinos cristãos no norte, em áreas que vão escapando ao domínio muçulmano, como Navarra, Leão, Castela e Aragão. A reconquista cristã dura cinco séculos e termina em 1492, quando Fernando de Aragão e Isabel de Castela – que haviam unificado seus reinos com o casamento – tomam Granada, última cidadela moura. No mesmo ano expulsam os judeus, que fogem para Portugal e outros países ou são convertidos ao catolicismo à força, passando a ser conhecidos como cristãos-novos.

Conquista da América - Fernando e Isabel financiam as viagens de Cristóvão Colombo, que chega à América em 1492 e funda o vasto império colonial espanhol no Novo Mundo. Carlos I de Habsburgo (1500-1558) herda o reino e torna-se, em decorrência de casamentos dinásticos, o governante mais poderoso da Europa: senhor da Holanda, Áustria, Sardenha, Sicília, Nápoles e imperador do Sacro Império Romano-Germânico, com o título de Carlos V.

Fim do império - Portugal e sua colônia, o Brasil, sob domínio da Coroa espanhola desde 1580, libertam-se em 1640. A Espanha sai arrasada da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), em que luta contra os países protestantes, apoiados pela França, sendo obrigada a reconhecer a independência da Holanda. Os Bourbon sobem ao trono em 1700. Em 1713, a Espanha perde Gibraltar, o Ducado de Milão, o Reino de Nápoles e a Sardenha. No início do século XIX, rebeliões nacionalistas na América trazem a independência a quase todas as colônias. O império colonial termina com a Guerra Hispano-Americana, em 1898, quando a Espanha perde Cuba, Porto Rico, Guam e Filipinas para os Estados Unidos (EUA).

Madri, Capital da Espanha
Madri, Capital da Espanha
Guerra Civil Espanhola – Em 1923, um golpe militar do general Primo de Rivera dá início a um governo de coloração fascista, que reprime manifestações operárias e reivindicações regionais. Em 1931, o rei é deposto e a República, proclamada. A Frente Popular, aliança entre republicanos, socialistas e comunistas, ganha as eleições de 1936. Em seguida, o general Francisco Franco lidera um levante militar contra o governo, apoiado pela Igreja e pela oligarquia rural. Iniciam-se violentos combates entre milícias populares – lideradas por anarquistas, socialistas e comunistas – e o Exército. A guerra civil dura até 1939 e ganha dimensão internacional. Os republicanos contam com o auxílio da União Soviética (URSS), que envia armas e organiza as Brigadas Internacionais, com milhares de voluntários comunistas de 50 países. Os franquistas recebem ajuda dos governos da Alemanha (Adolf Hitler) e da Itália (Benito Mussolini), que mandam tropas e aviões. Perto de 1 milhão de pessoas morrem no conflito. A vitória dos militares leva à ditadura de Franco.

Franquismo - Apoiado pelo Exército, Franco institui um regime de partido único, em que exerce os poderes Executivo e Legislativo e controla o Judiciário. Mantém o país fora da II Guerra Mundial, mas envia soldados para ajudar os nazistas na invasão da URSS. Em 1947, o ditador restaura a monarquia e passa a ser regente vitalício. Em 1969 nomeia como seu sucessor o príncipe Juan Carlos, neto do antigo rei Alfonso XIII. No período franquista, a Espanha se isola do restante da Europa, mas a ajuda financeira e militar dos EUA proporciona relativo progresso econômico a partir dos anos 1960.

Redemocratização - Com a morte de Franco, em 1975, é coroado o rei Juan Carlos I e inicia-se o processo de redemocratização. Em 1977 são realizadas as primeiras eleições livres na Espanha desde 1936, vencidas pela União de Centro Democrático (UCD), partido do primeiro-ministro Adolfo Suárez. Um plebiscito realizado em 1978 aprova a nova Constituição, que institui a monarquia parlamentarista e restabelece a liberdade partidária e sindical no país.

Regiões autônomas - A Constituição cria 17 regiões autônomas. Catalunha, Galícia e País Basco conquistam maior autonomia por ser consideradas nacionalidades históricas, com cultura e língua próprias. A Catalunha, com capital em Barcelona, é a mais rica e industrializada das regiões. O idioma catalão é falado por cerca de 7 milhões de pessoas. A Galícia baseia sua economia na agricultura e abriga Vigo, um dos principais portos de pesca do país. O País Basco, no norte, conta com destacados estaleiros e grande setor siderúrgico.

Social-democracia - Em 1981, os militares tomam o Parlamento e tentam dar um golpe de Estado. A ação firme do rei Juan Carlos e a oposição da sociedade reprimem o movimento e consolidam o regime democrático. Em 1982, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) ganha as eleições e Felipe González torna-se o primeiro chefe de governo socialista desde 1936. González promove a entrada da Espanha na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em 1982 e adota medidas de austeridade econômica. Em 1986, a Espanha ingressa na Comunidade Econômica Europeia (CEE), atual União Europeia (UE). O desemprego aumenta nos anos 1990 e escândalos de corrupção enfraquecem o governo socialista. Na campanha eleitoral de 1996, a Espanha é sacudida por assassinatos cometidos pelos separatistas bascos. O conservador Partido Popular (PP) vence as eleições, e seu líder, José María Aznar, torna-se primeiro-ministro.

Recuperação econômica - A economia experimenta forte recuperação nas décadas de 1980 e 1990. A Espanha é beneficiada pelas reformas estruturais e pelos fundos da UE de apoio ao desenvolvimento. O Produto Interno Bruto (PIB) cresce em média 2,5% ao ano entre 1990 e 2000.

Entra em vigor em 2001, por iniciativa do governo espanhol, uma nova lei de imigração, mais rigorosa, com o objetivo de controlar o crescente fluxo de imigrantes ilegais para o país. Atualmente, calcula-se que vivam cerca de 200 mil estrangeiros ilegais na Espanha, vindos principalmente do norte da África e da América Latina.

Conflito com o Marrocos - Um grupo de soldados marroquinos ocupa em 11 de julho de 2002 a desabitada ilhota espanhola de Perejil, chamada de Leila pelo Marrocos. A ilhota, de 13,5 hectares, situa-se a 200 metros da costa do Marrocos e a 11 quilômetros do território espanhol de Ceuta. A ação é considerada uma resposta às pressões da Espanha, que acusa o Marrocos de incentivar a imigração ilegal para a Europa pelo estreito de Gibraltar. No dia 17, a Espanha envia comandos armados à ilha e retoma seu controle. Sob mediação da UE e da Organização das Nações Unidas (ONU), os dois países firmam acordo pelo qual concordam em deixar Perejil desabitada.

Catástrofe ambiental - Em novembro de 2002, o petroleiro Prestige, de bandeira das Bahamas, afunda a 250 quilômetros da costa da Galícia. Na pior catástrofe ambiental do país em dez anos, mais de 10 mil toneladas de petróleo vazam e uma mancha negra chega ao litoral galego, atingindo a fauna e prejudicando a pesca na região.

Guerra no Iraque - Em janeiro de 2003, o governo espanhol manifesta apoio oficial ao plano norte-americano de lançar uma ação militar contra o Iraque. A atitude é repudiada pela opinião pública, contrária ao conflito numa proporção de mais de 80%, segundo as pesquisas. Em fevereiro, mais de 3 milhões de espanhóis saem às ruas em protesto contra a guerra. Aznar mantém a posição pró-EUA e, depois da derrubada do regime de Saddam Hussein pelas tropas anglo-americanas, envia 900 soldados espanhóis ao Iraque.

Terror e eleições - Em 11 de março de 2004, três dias antes das eleições gerais que escolheriam o novo governo espanhol, dez bombas explodem em três trens em Madri, matando 191 pessoas e ferindo 1,4 mil. O governo do Partido Popular (PP), do primeiro-ministro Aznar, atribui os atentados ao grupo terrorista Terra Basca e Liberdade (ETA), mesmo com evidências em contrário. O governo, assim, pretenderia jogar a população contra o candidato do PSOE, cuja liderança regional na Catalunha havia se encontrado com dirigentes da organização terrorista basca em novembro de 2003. Em 13 de março, porém, um dia antes das eleições, é divulgado que o atentado foi praticado por marroquinos ligados à rede Al Qaeda e que setores dos serviços de segurança governamentais tinham conhecimento desse fato. O candidato do PSOE, José Luís Zapatero, é então favorecido pela percepção popular de que o governo manipulou as informações sobre a autoria do atentado para obter benefícios eleitorais e vence o pleito, com 42,7% dos votos, contra 37,7% dados ao candidato do PP, Mariano Rajoy Brey. O PSOE conquista 164 cadeiras na Câmara dos Deputados, contra 149 do PP, que obtém, em contrapartida, 102 assentos no Senado, ante 81 do PSOE. Zapatero assume o cargo e retira as tropas espanholas do Iraque, em maio, como havia prometido na campanha eleitoral. Em junho, é preso, em Milão, na Itália, Hamed Sayed Osman Habei, conhecido como Mohamed, o Egípcio, considerado líder do atentado de 11 de março. Outros 21 suspeitos de envolvimento com o atentado são presos na Bélgica e no norte da Espanha, em junho. Todos são espanhóis e têm, aparentemente, ligação com Habei.

TERRITÓRIOS - A Espanha possui dois territórios autônomos. Eles têm total autonomia interna e podem decidir pela independência em ato unilateral. São os enclaves de Ceuta e Melilla.

Ceuta e Melilla - Localizados no norte da África, Ceuta e Melilla faziam parte, até a década de 1950, do Marrocos, que ainda reivindica sua posse. A relação entre a população de origem espanhola e a minoria muçulmana é conflituosa. Bases militares ocupam a maior parte dos territórios e a economia sustenta-se na atividade portuária. Situada nas proximidades do estreito de Gibraltar, que separa a África da Europa, Ceuta enfrenta problemas com a afluência de imigrantes africanos interessados em entrar ilegalmente na Europa, além de integrar a rota do tráfico internacional de drogas. Para barrar o fluxo de imigrantes, a UE financia a construção de uma cerca que isola Ceuta do Marrocos. Mas a cerca, concluída em 2000, é considerada ineficaz. A nova lei de imigração, que passa a vigorar na Espanha em 2001, estabelece punições para os traficantes de drogas e os que entrarem ilegalmente no país.

Área: Ceuta – 19,7 km2; Melilla – 12,5 km2. População: Ceuta – 71,5 mil; Melilla – 66,4 mil (2016). Idioma: espanhol, árabe.

Terror Basco Persiste na Espanha

Encravada entre o norte da Espanha e o sudoeste da França, a região basca tem uma cultura própria, sobretudo pela língua, o euskara, e sustenta um movimento nacionalista desde fins do século XIX. A campanha pela independência cresce com a fundação, em 1959, da organização separatista Pátria Basca e Liberdade (ETA), em plena ditadura de Francisco Franco (1939/1975). Em 1968, o grupo inicia a luta armada, e, desde então, são atribuídos ao ETA mais de 800 assassinatos. Com a Constituição espanhola de 1978, o País Basco conquista alto grau de autonomia, e a maior parte do movimento depõe armas, criando partidos legais. Alguns remanescentes do ETA, porém, decidem continuar a luta pela independência completa.

Terror - Na década de 1990, a prisão de diversos dirigentes do movimento e a acirrada reprovação popular à campanha de atentados promovida pelo ETA levam o grupo ao maior isolamento de sua história. Em 2000, depois de uma série de assassinatos de autoridades, mais de 1 milhão de pessoas saem às ruas de Barcelona para protestar contra o ETA. O governo reage prendendo mais de 100 supostos "etarras", como são conhecidos os ativistas do grupo. O repúdio ao terrorismo se manifesta na eleição legislativa local, ocorrida em maio de 2001. À frente do governo regional desde a democratização, o moderado Partido Nacionalista Basco (PNV) obtém a maior representação no Parlamento do País Basco: 33 deputados de um total de 75. Já o radical Euskal Herritarrok – que depois se integraria ao partido Batasuna (Unidade, o braço político do ETA) – recua de 14 para sete assentos.

Batasuna banido - Em 2002, o juiz espanhol Baltasar Garzón ordena a suspensão do Batasuna por três anos, o congelamento de seus bens e contas bancárias e o fechamento de suas sedes e publicações. No mês seguinte, são presos, na França, Juan Antonio Olarra, considerado o principal dirigente militar da organização, e sua mulher, Ainhoa Múgica. Em dezembro, o Batasuna forma nova organização, os Socialistas Patrióticos, numa tentativa de contornar a suspensão legal. Em 2003, o governo anula 1,5 mil candidaturas em eleições regionais e municipais por suspeita de ligações com o ETA. Tortura Um relatório divulgado em março de 2004 pelo especialista em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) Theo van Boven afirma haver tortura, "não-sistemática", por parte da polícia espanhola contra supostos membros do ETA detidos na região basca. O governo espanhol, ainda sob o governo do PP, nega as acusações e diz ser vítima de uma "campanha de descrédito".

Prisões - A polícia francesa recaptura Ibon Fernandez, suspeito de ser o principal chefe de logística do grupo, em Mont-de-Marsan, na França. A polícia espanhola já havia prendido 12 suspeitos de integrarem a liderança da organização, em novembro de 2003, em uma grande campanha antiterror. Isso havia ocorrido após a explosão de bombas em um resort na região de Alicante, que feriu 13 pessoas. Cinco dias depois, outra bomba explode um carro no estacionamento do aeroporto de Santander.

Batasuna versus EUA - O governo norte-americano declara, em maio de 2004, que o Batasuna, o braço político da ETA, é "um grupo terrorista", posição adotada pela União Europeia no mês seguinte que reforça o banimento do partido.

Guerra Civil Espanhola Guerra Civil Espanhola

Revolta militar contra o governo republicano na Espanha que tem início em 18 de julho de 1936, com o levante de militares da guarnição de Melilla, no Marrocos espanhol, liderados pelo general Francisco Franco. A guerra alcança todo o país, opondo nacionalistas e republicanos, e termina em 1939, com a morte de 1 milhão de pessoas. Os nacionalistas são vitoriosos e implantam a ditadura franquista, que governa a Espanha até 1975, quando morre Franco.

Antecedentes – O conflito tem origem na crise econômica espanhola, que, entre 1929 e 1936, impulsiona grande número de greves, manifestações e levantes de direita e de esquerda. A proclamação da República (1931) e as reformas que ela promove não conseguem sanar a economia, deixando descontentes vários setores da sociedade. A vitória da direita nas eleições, em 1933, provoca uma insurreição de operários liderados pelos socialistas. As regiões da Catalunha e Astúrias são tomadas pelos revoltosos, que proclamam a independência. Após duas semanas de luta, a revolta é dominada. Em fevereiro de 1936, as forças políticas de centro e de esquerda vencem as eleições gerais. A oficialidade do Exército, agrupada na União Militar Espanhola, conspira para um golpe. Em 29 de julho, o general Franco, à frente das divisões estacionadas na África, entra na Espanha, tomando Sevilha e Cádiz. Outra frente militar ataca as províncias do norte, chegando perto da capital. O país divide-se em zonas nacionalistas, em geral concentradas em áreas agrícolas, e zonas republicanas, situadas nas regiões mais industrializadas e urbanas do território.

Apoios e composições – Os militares rebelados têm o apoio das Forças Armadas, com exceção da aviação, e de católicos, nacionalistas e tradicionalistas. Do lado republicano estão operários, camponeses e setores da classe média, que contam com contingentes da aviação e da polícia. Cerca de 70 mil voluntários fascistas italianos, tanques e material bélico alemães são enviados a Franco. Pela República participam 25 mil voluntários de 53 países, organizados nas Brigadas Internacionais. A URSS dá auxílio financeiro limitado aos militantes comunistas, dividindo as forças republicanas. No início de novembro, a capital da República é transferida para Valença. Em 1937, rivalidades entre os republicanos levam o comunista Juan Negrín a assumir o governo. Ele promove, entre os próprios republicanos, uma política de eliminação de oponentes ideológicos, principalmente anarquistas e trotskistas, enfraquecendo o movimento. Franco chega ao Mediterrâneo, corta o contato entre Valença e Catalunha e obriga o governo republicano a se transferir para Barcelona.

Consequências – Barcelona cai em 26 de janeiro de 1939 e, em 1º de abril, a República é abolida. Fogem do país 400 mil republicanos. Guernica, a pequena aldeia do País Basco, é arrasada em junho de 1937, inspirando o quadro de mesmo nome do pintor espanhol Pablo Picasso. No pós-guerra a violência continua. Os republicanos são apontados como inimigos da Espanha. Nos quatro primeiros anos após a guerra civil, milhares de opositores do franquismo são executados – as estimativas oficiais são de 37
mil.

Literatura Catalã

A literatura catalã apresenta, desde a Idade Média até o século XX, todas as características de uma tradição amadurecida. Por sua posição geográfica, a Catalunha pôde absorver as mais diversas tendências emergentes da Europa, assumindo o papel de "antena receptora" das muitas vibrações culturais europeias. Além disso, o catalão é o mais importante dos idiomas falados na Espanha, depois do castelhano.

Situadas entre a Espanha e a França, e abertas ao comércio com a Itália, a Catalunha e as regiões de seu contexto -- Valência e as ilhas Baleares -- tiveram de fazer grande esforço para preservar sua identidade e sua língua diante das influências estrangeiras, sobretudo após a implantação da hegemonia de Castela, no século XVI.

Primeiras manifestações medievaisPrimeiras manifestações medievais

Até meados do século XIII o latim, como língua culta, predominava em toda a Europa. Nesse período, o catalão ficou relegado à literatura oral transmitida pelos jograis ou à tradução de textos litúrgicos. Mesmo assim, desde o final do século XI, existia uma literatura escrita em provençal trovadoresco e de temática fundamentalmente amorosa, em que se destacaram poetas catalães como Guillem de Berguedà, Guillem de Cabestany e Cerverí de Girona (pseudônimo de Guillem de Cervera).
Com o agravamento da crise do sistema feudal na segunda metade do século XIII, e a ascensão da burguesia mercantilista, o latim começou a decair. Por essa época, a literatura em prosa já utilizava o catalão popular como forma de expressão. A grande figura literária dessa fase foi o maiorquino Raimundo Lúlio, cuja extensa obra inclui tratados filosóficos e teológicos, como o Llibre de contemplació en Déu (Livro da contemplação de Deus), poemas de fundo místico e relatos em prosa e verso, como o célebre e autobiográfico Llibre de Blanquerna (Livro de  Blanquerna).

Transição para o Renascimento

Os séculos XIV e XV registraram excepcional florescimento da literatura catalã, que abandonava os temas medievais e se aproximava do humanismo renascentista. As obras em prosa de autores como Anselm Turmeda e Bernat Metge, autor de Lo somni (O sonho), de 1399, obra considerada a pedra fundamental do humanismo catalão, traziam concepções que se aproximavam do racionalismo e do ceticismo. O bispo Francesc Eiximenis, autor de Lo chrestià (O cristão), dessa mesma época, ainda refletia em seus escritos o cunho ideológico predominante na Idade Média.

Na poesia lírica, sob a clara influência de italianos como Petrarca, aparece na primeira metade do século XV a obra do valenciano Ausià March, escrita num catalão sem provençalismos. Nos versos de Cant espiritual e Cants de mort (Canto espiritual e Cantos de morte), oferece uma imagem tipicamente humanista do homem, premido pela dúvida, o pecado e a morte. O melhor exemplo de sátira poética da época é o poema Lo Spill o llibre de les dones (O espelho ou o livro das mulheres), de Jaume Roig.

Em meados do século XV surgiu um romance anônimo de cavalaria, Curial e Güelfa, que antecedeu aquela que seria, talvez, a maior obra no gênero em toda a Europa: Tirant, lo Blanc. Nesse romance, quase todo escrito por Joanot Martorell e concluído por Martí Joan de Galba, que o publicou em 1490, o tom fantástico habitual foi substituído por toques realistas e até mesmo irônicos, o que levou Cervantes a afirmar que, "por seu estilo, aquele era o melhor livro do mundo".

Séculos XVI a XVIII e Renascença do século XIX

Com a ascensão dos reis católicos Isabel de Castela e Fernando de Aragão, no final do século XV, veio a hegemonia de Castela, e a literatura catalã praticamente parou de se desenvolver. Entre as poucas exceções estão textos isolados do humanista Cristófor Despuig, e a Crónica universal del principat de Catalunya, de Jeroni Pujadas (1609). Na poesia, registram-se obras renascentistas de Pere Serafí, poemas barrocos de Francesc Fontanella e Vicenç Garcia, ou mesmo canções anônimas como a Cançó del comte Arnau (Canção do conde Arnaldo).

A revolução industrial levou a um extraordinário renascimento da cultura catalã, conhecido como Renaixença (Renascença). A obra de Buenaventura Carles Aribau, Oda a la pàtria (1832), foi o primeiro exemplo desse movimento, empenhado em recuperar a língua e as tradições catalãs.

O movimento naturalista surgiu por volta de 1890, procurando retratar melhor a realidade social da Catalunha. Seu principal representante foi Narcis Oller, em obras como La febre d'or (A febre do ouro) e Pilar Prim. No teatro, a obra mais forte da nova tendência naturalista seria Terra baixa, de Àngel Guimerà (1897).

Século XX

O maior movimento literário do início do século XX foi o noucentisme (novecentismo), que valorizava a estética, a forma e o intelectualismo cosmopolita, assim como as referências ao classicismo greco-latino. Seu maior teórico foi o filósofo e romancista Eugenio D'Ors. Poetas como Joseph Carner, Joseph Maria López-Picó e Guerau de Liost (pseudônimo de Jaume Bofill i Mates) estão entre seus melhores representantes.

A partir de 1920, começou uma forte reação ao noucentisme e uma abertura às novas correntes literárias europeias. Isso beneficiou grandemente a poesia, que revelou autores como Carles Riba, Joan Salvat Papasseit, Josep Maria de Sagarra e outros. Na mesma época, Josep Pla iniciava sua imensa obra como jornalista e contista, um verdadeiro testemunho da vida moderna na Catalunha.

Nos anos 40, após o silêncio imposto pela guerra civil espanhola, a literatura catalã produziu alguns de seus melhores frutos na obra de Salvador Espriu, autor de textos teatrais como Ariadna al laberint grotesc (Ariadne no labirinto grotesco) e a Primeira història d'Ester, e de poemas como Cementeri de Sinera e La pell de brau (A pele do touro). A obra de Espriu  caracterizou-se pelo compromisso com a liberdade criadora, a denúncia social e a defesa da identidade catalã.

Dois romances extraordinários marcaram a década de 1960: La plaça del Diamant, de Mercè Rodoreda, recriação poética da Barcelona da década de 1930, e Bearn, de Llorenç Villalonga, retrato psicológico da  decadência de um velho nobre.

Com o fim do regime franquista, a literatura catalã se abriu às mais diversas tendências, o que não excluiu nem mesmo a sátira a suas próprias tradições. O teatro se voltou para suas raízes populares com o trabalho de grupos como Els Comediants e Els Joglars, e a narrativa enriqueceu-se com o experimentalismo e a ironia de Valentí Puig, Quim Monzó e Biel Mesquida. A literatura catalã, no final do século XX, se renovava muito rapidamente, abrindo novos caminhos.

Geração de Noventa e oitoGeração de Noventa e oito

Conhece-se por geração de 98 o grupo de intelectuais espanhóis atuantes na época da guerra hispano-americana, que promoveu a revitalização da cultura espanhola nas primeiras décadas do século XX. Embora as tendências diferissem muito em sua forma de compreender as questões nacionais, tinham em comum o anseio de pôr fim à apatia do povo espanhol e restaurar o orgulho nacional.

A perda das últimas colônias de ultramar em 1898 provocou na Espanha uma crise de consciência nacional e um movimento, conhecido como geração de 98, orientado para a reflexão sobre os problemas da cultura e da sociedade no país.

O termo "geração de 98" foi cunhado por José Martínez Ruiz, conhecido como Azorín, e logo passou a ser aplicado aos escritores que se preocupavam com a herança e a situação da Espanha no mundo moderno. Joaquín Costa, Ángel Ganivet e Miguel de Unamuno são considerados os precursores do movimento, mas muitos estudiosos os incluem na própria geração de 98. Outras figuras de destaque do movimento foram Azorín, o filósofo e crítico José Ortega y Gasset, os romancistas Pío Baroja, Vicente Blasco Ibáñez e Ramón María del Valle-Inclán, além dos irmãos Antonio e Manuel Machado. Apesar de heterogêneo, o grupo, que incluía ainda outros escritores, como Ramiro de Maeztu, foi o iniciador da linguagem literária espanhola do século XX.

A meditação sobre a Espanha e a língua espanhola caracterizou especialmente a obra de Unamuno, considerado mestre de Baroja, Azorín e Maeztu. Em outros autores, como Antonio Machado e Valle-Inclán, nota-se uma atenção mais centrada nos assuntos claramente literários e estéticos, sobretudo no início de suas carreiras. Na política, Unamuno e Maeztu militaram no socialismo, enquanto Azorín e Baroja adotavam posições anarquistas. Mais tarde, todos moderaram suas posições. Já Antonio Machado e Valle-Inclán, partindo de uma orientação marcadamente esteticista e descomprometida, passaram a posições progressistas.

A história foi um dos campos que mais atraiu a geração de 98. Também foi grande a influência dos filósofos irracionalistas (Nietzsche, Schopenhauer, Kierkegaard) e, na obra de Unamuno, Azorín e Baroja, começou a despontar a problemática existencial. Outro traço marcante foi sua devoção à literatura medieval espanhola e aos clássicos da idade de ouro, sobretudo Cervantes.
Andaluzia
Sevilha, capital da Região Autônoma de Andaluzia

Andaluzia

O nome Andaluzia, para muitos, vem de "Vandaluzia", designação que se teria dado à região nos tempos em que esteve ocupada pelos vândalos. Desde 1981 comunidade autônoma na Espanha, a Andaluzia limita-se ao norte com a Estremadura e Castela, ao sul com o mar Mediterrâneo, a leste com a Múrcia e a oeste com Portugal e o oceano Atlântico. Com uma superfície de 87.966km2, o território andaluz, na maior parte montanhoso, compreende as províncias de Huelva, Sevilha, Córdoba, Jaén, Cádiz, Málaga, Granada e Almería.

Caracteristicamente mediterrânea e com história própria, a Andaluzia foi ponto de encontro de muitas raças, onde particularmente os árabes deixaram marcas profundas -- na linguagem, nas artes e nos costumes de cidades como Sevilha, Córdoba e Granada.

A serra Morena, que constitui sua fronteira norte, estende-se sem grandes altitudes por 600km. O vale do rio Guadalquivir a separa das cordilheiras béticas, debruçadas sobre o Mediterrâneo. Integrando os enrugamentos alpinos, essas cordilheiras originam-se de terrenos mesozóicos e paleozóicos dobrados na era cenozóica, e apresentam na serra Nevada as maiores elevações da península ibérica: os picos de Mulhacén (3.478m) e Veleta (3.327m). Além do Guadalquivir, outros rios de importância para a Andaluzia são o Guadiana, o Odiel, o Tinto e o Guadalete.

O clima mediterrâneo, muito seco e quente, tem uma variação pluviométrica de 400 a 600mm anuais. Nas serras essa tendência se suaviza, surgindo mananciais e até geleiras. Há ainda outras significativas diferenças locais, como a influência oceânica em Cádiz e adjacências. O sudoeste e o sul da Andaluzia encontram-se no vértice da ponta Marroqui, no estreito de Gibraltar. Do outro lado a uns vinte quilômetros, está a África --  Ceuta e Marrocos.

Uma percentagem muito alta da população andaluza vivia no campo, trabalhando em grandes propriedades, mas nas últimas décadas emigrou, tanto para os principais centros urbanos da região (Sevilha, Córdoba, Málaga, Granada), como para outras regiões da Espanha e de países estrangeiros. Nos anos mais recentes essa mobilidade vem diminuindo, porém os problemas econômicos e sociais estão crescendo. A costa de Málaga, internacionalmente conhecida como costa do Sol, vem apresentando um crescimento populacional semelhante ao das cidades do vale.

EspanhaHistória e cultura. Entre 2000 e 500 a.C. os fenícios e os gregos estiveram no litoral andaluz. Situou-se aí o reino de Tartessos, que nos séculos VII e VI atingiu o auge, sendo depois destruído por Cartago. Dois séculos mais tarde os romanos tomaram a região. Os vândalos chegaram no século V da era cristã, seguidos pelos visigodos e depois por tropas do imperador de Bizâncio, Justiniano. No século VIII, os árabes atravessaram o estreito de Gibraltar e deram a toda a península ibérica o nome de "al-Andalus".

A dominação durou quase oito séculos e foi magnificamente proveitosa: a Andaluzia tornou-se um dos maiores centros da civilização muçulmana, Córdoba ganhou mesquitas e palácios impressionantes, uma biblioteca de 400.000 volumes, manufaturas de seda e couro. O apogeu foi o califado de Abd al-Rahman III, no século X. Também Sevilha, Málaga e Almería prosperaram muito. Nos séculos seguintes, a divisão interna, o triunfo dos reis cristãos e a descoberta da América alteraram a fundo os destinos da região. A região ainda teve dias de glória, mas depois entrou em franco declínio.

Hoje, além dos olivais e vinhedos, da indústria extrativa e petroquímica, a Andaluzia vive também de sua cultura, suas touradas, seu folclore. Terra de esplêndida arte mourisca (em Córdoba, mesquita e palácio de Madinat al-Zahra; em Sevilha, o Alcázar; em Granada, o Alhambra e o palácio do Generalife), de arte renascentista e barroca, é igualmente berço de alta literatura, árabe e espanhola, em que avultam nomes como os de Ibn Guzmán, Góngora, Antonio Machado, Juan Ramón Jiménez, Federico García Lorca. A Andaluzia destaca-se ainda por seu rico folclore, que tem na música e na dança do flamenco um de seus elementos mais característicos. Manuel de Falla nasceu em Cádiz e deu a toda sua música um frêmito andaluz.

Dinastia de Aragão
A dinastia de Aragão teve origem no começo do século IX, consolidou-se no século XII e extinguiu-se no início do século XV. Com a morte de Sancho III o Grande, rei de Navarra (1035), seu filho bastardo Ramiro I investiu-se na posse não somente do núcleo do reino, como de outros territórios vizinhos, declarando-se vassalo do papa. Morreu em luta contra os mouros, em 1089. Seu sucessor, Pedro I, ajudado por forças castelhanas, tomou Huesca aos muçulmanos em 1096. Com isso, abriu-se aos aragoneses o caminho da expansão através dos domínios árabes.

Espanha
A ofensiva de Carlos Magno contra os mouros incentivou as populações das margens do rio Aragão a ocupar territórios que viriam a formar o reino de Aragão, no nordeste da Espanha. A região compreende hoje as províncias de Huesca, Saragoça e Teruel.

Afonso I o Batalhador, irmão de Pedro I, com o reforço de cruzados vindos da França, alcançou uma série de vitórias e tomou Saragoça, em 1118. Morreu sem deixar filhos, passando o reino às mãos de seu irmão, o monge Ramiro, que teve de casar-se para assumir o trono. Petronilha, filha e herdeira de Ramiro, casou-se com Ramón Berenguer IV, conde de Barcelona, que se intitulou "príncipe e governador" de Aragão. Os muçulmanos, no entanto, reagiram. Afonso II de Aragão e Afonso VIII de Castela assinaram, em 1179, o acordo de Cazorla, pelo qual dividiram entre os dois reinos as partes da Espanha moura que lhes caberia conquistar. Com a inclusão da Catalunha e de Majorca (1228), a anexação de Valencia (1238) e o domínio da Sicília (1282), sob o reinado de Pedro III, Aragão passou a figurar no século XIII no primeiro plano das nações europeias.

Pedro IV, que reinou até 1387, envolveu-se entre 1356 e 1359 numa guerra ruinosa com Castela, que lhe alienou a simpatia dos nobres aragoneses. Isso precipitou o fim da dinastia. Em 1412, o compromisso de Caspe leva ao poder um castelhano, Fernando de Antequera, com o que se prepara a unificação dos dois reinos sob uma nova linhagem de reis católicos. O casamento de Fernando II, filho e herdeiro de João II de Aragão, com Isabel I, herdeira de Henrique IV de Castela, em 1469, foi o passo decisivo para a unificação, que se consumou em 1479, com a morte de João II. A partir daí a história de Aragão se confunde com a da Espanha, e sua língua, o aragonês, funde-se com o castelhano.

AndaluziaO nome Andaluzia, para muitos, vem de "Vandaluzia", designação que se teria dado à região nos tempos em que esteve ocupada pelos vândalos. Desde 1981 comunidade autônoma na Espanha, a Andaluzia limita-se ao norte com a Estremadura e Castela, ao sul com o mar Mediterrâneo, a leste com a Múrcia e a oeste com Portugal e o oceano Atlântico. Com uma superfície de 87.966km2, o território andaluz, na maior parte montanhoso, compreende as províncias de Huelva, Sevilha, Córdoba, Jaén, Cádiz, Málaga, Granada e Almería.

Caracteristicamente mediterrânea e com história própria, a Andaluzia foi ponto de encontro de muitas raças, onde particularmente os árabes deixaram marcas profundas -- na linguagem, nas artes e nos costumes de cidades como Sevilha, Córdoba e Granada.

A serra Morena, que constitui sua fronteira norte, estende-se sem grandes altitudes por 600km. O vale do rio Guadalquivir a separa das cordilheiras béticas, debruçadas sobre o Mediterrâneo. Integrando os enrugamentos alpinos, essas cordilheiras originam-se de terrenos mesozóicos e paleozóicos dobrados na era cenozóica, e apresentam na serra Nevada as maiores elevações da península ibérica: os picos de Mulhacén (3.478m) e Veleta (3.327m). Além do Guadalquivir, outros rios de importância para a Andaluzia são o Guadiana, o Odiel, o Tinto e o Guadalete.

O clima mediterrâneo, muito seco e quente, tem uma variação pluviométrica de 400 a 600mm anuais. Nas serras essa tendência se suaviza, surgindo mananciais e até geleiras. Há ainda outras significativas diferenças locais, como a influência oceânica em Cádiz e adjacências. O sudoeste e o sul da Andaluzia encontram-se no vértice da ponta Marroqui, no estreito de Gibraltar. Do outro lado a uns vinte quilômetros, está a África --  Ceuta e Marrocos.

Uma percentagem muito alta da população andaluza vivia no campo, trabalhando em grandes propriedades, mas nas últimas décadas emigrou, tanto para os principais centros urbanos da região (Sevilha, Córdoba, Málaga, Granada), como para outras regiões da Espanha e de países estrangeiros. Nos anos mais recentes essa mobilidade vem diminuindo, porém os problemas econômicos e sociais estão crescendo. A costa de Málaga, internacionalmente conhecida como costa do Sol, vem apresentando um crescimento populacional semelhante ao das cidades do vale.

História e cultura. Entre 2000 e 500 a.C. os fenícios e os gregos estiveram no litoral andaluz. Situou-se aí o reino de Tartessos, que nos séculos VII e VI atingiu o auge, sendo depois destruído por Cartago. Dois séculos mais tarde os romanos tomaram a região. Os vândalos chegaram no século V da era cristã, seguidos pelos visigodos e depois por tropas do imperador de Bizâncio, Justiniano. No século VIII, os árabes atravessaram o estreito de Gibraltar e deram a toda a península ibérica o nome de "al-Andalus".

A dominação durou quase oito séculos e foi magnificamente proveitosa: a Andaluzia tornou-se um dos maiores centros da civilização muçulmana, Córdoba ganhou mesquitas e palácios impressionantes, uma biblioteca de 400.000 volumes, manufaturas de seda e couro. O apogeu foi o califado de Abd al-Rahman III, no século X. Também Sevilha, Málaga e Almería prosperaram muito. Nos séculos seguintes, a divisão interna, o triunfo dos reis cristãos e a descoberta da América alteraram a fundo os destinos da região. A região ainda teve dias de glória, mas depois entrou em franco declínio.

Hoje, além dos olivais e vinhedos, da indústria extrativa e petroquímica, a Andaluzia vive também de sua cultura, suas touradas, seu folclore. Terra de esplêndida arte mourisca (em Córdoba, mesquita e palácio de Madinat al-Zahra; em Sevilha, o Alcázar; em Granada, o Alhambra e o palácio do Generalife), de arte renascentista e barroca, é igualmente berço de alta literatura, árabe e espanhola, em que avultam nomes como os de Ibn Guzmán, Góngora, Antonio Machado, Juan Ramón Jiménez, Federico García Lorca. A Andaluzia destaca-se ainda por seu rico folclore, que tem na música e na dança do flamenco um de seus elementos mais característicos. Manuel de Falla nasceu em Cádiz e deu a toda sua música um frêmito andaluz.

Alhambra, Cidadela Fortificada da Espanha Alhambra, Cidadela Fortificada da Espanha

A cidadela fortificada de Alhambra localiza-se em Granada, região da Andaluzia, na Espanha. Foi construída entre 1238 e 1358, nos reinados de Mohamed ibn Yusuf al-Ahmar e seus sucessores, soberanos mouros de Granada. O conjunto, que compreende várias torres e castelos, rodeados de muralhas fortificadas, ocupa o cimo da colina de Sabika.

O mais belo conjunto da arte maometana no Ocidente atendeu a fins militares, religiosos e civis. Seu nome provém do árabe al-Hamra (a Vermelha), em alusão à cor dos tijolos que lhe revestem as paredes externas.

Histórico. Desde o século IX existia em Granada uma pequena fortaleza moura. Mas só após a conversão da cidade em emirado independente foi que Mohamed al-Ahmar, da dinastia násrida, decidiu abandoná-la e construir Alhambra. Realizaram-se obras durante toda a dinastia násrida, seguindo-se o estilo mourisco característico da região.

Após a expulsão dos mouros, sucessivos soberanos católicos empreenderam obras em Alhambra, mas em estilo completamente diverso, o que contribuiu para descaracterizar em parte o conjunto. Essas edificações começaram com a reconquista de Granada pelos reis católicos, Fernando e Isabel, que ainda se dispuseram a restaurar o conjunto, mas esse projeto foi dificultado pela perda de sua importância militar e estratégica. O imperador Carlos V empreendeu alterações, entre elas a transformação da pequena mesquita da corte de los Arrayanes em capela e a demolição de parte do palácio para, em seu lugar, iniciar a construção de um edifício renascentista. No final do século XVI demoliu-se a grande mesquita para erguer nesse local a igreja de Santa Maria. O conjunto sofreu ainda com a invasão dos franceses, em 1812, e foi danificado por um terremoto em 1821.

Alhambra ficou praticamente ao abandono até o começo do século XIX. Só então foi que artistas, intelectuais e autoridades voltaram-se para sua beleza e grande importância histórica. Fernando VII contratou o arquiteto José Contreras para cuidar de sua restauração, sendo este sucedido na obra pelo filho e pelo neto.

Arquitetura. O conjunto de Alhambra, que comporta a fortaleza com suas torres, os palácios e outras áreas, como os jardins, as salas de banho e as mesquitas, ocupa um quadrilátero irregular. No flanco meridional situa-se a Porta da Justiça, entrada principal da cidadela. Após a porta, no centro do quadrilátero, fica o palácio de Carlos V.

Na parte oeste ergue-se o Alcácer, verdadeira fortaleza dentro da fortaleza, em cujo interior se encontram: (1) a sala dos Embaixadores; (2) a sala da Barca; (3) a sala das Duas Irmãs; (4) a sala dos Abencerrajes, na qual o último soberano násrida, Mohamed XI, conhecido como Boabdil, teria degolado os chefes da família Abencerrajes, por volta de 1485; (5) a sala dos Reis; (6) o pátio dos Arrayanes (mirtos), também chamado de "la Alberca"; (7) o pátio dos Leões, em cujo centro se acha a fonte dos Leões, um tanque de alabastro seguro por 12 leões de mármore; (8) a mesquita, depois transformada em capela; (9) o jardim de Lindajara.

No lado norte situa-se o palácio Árabe, que compreende nove torres, entre elas a de Comares; o Mexuar ou sala do Conselho, onde se realizavam as audiências públicas; e a torre das Damas, que abrigava a sala de banho das odaliscas. No extremo nordeste de Alhambra fica o pequeno palácio de Generalife, construído por Yusuf I para isolar-se de um surto de peste. Adiante dele estendia-se um cemitério-parque com os restos mortais dos soberanos árabes.

Alhambra representa não apenas um monumento da arquitetura moura, mas também uma prova da diversidade de gosto entre Oriente e Ocidente. O conjunto, ao mostrar lado a lado os palácios dos príncipes násridas e o palácio de Carlos V, evidencia uma diferença básica entre os dois estilos: o exterior, para o estilo mouro, é antes sóbrio, em contraste com a riqueza de elementos e cores presentes na decoração do interior. Já o palácio de Carlos V, em estilo renascentista, é centralizado e simétrico. Sua fachada evidencia os princípios da Renascença italiana, com sua superimposição de ordens, isto é, pilastras jônicas, ou meias colunas, sobre pilastras toscanas, e pilastras coríntias sobre jônicas.

Zaragoza Zaragoza

Cidade espanhola, Saragossa ou Saragoça (Zaragoza em castelhano) é a capital da comunidade autônoma de Aragão e da Província de Saragoça. Seu nome atual deriva de seu antigo topônimo romano, Caesar Augusta, homenagem ao primeiro imperador de Roma. Está às margens do rio Ebro, no centro de um grande vale com grande variedade de paisagens, desde desertos, (Las Bardenas), a bosques densos, prados, montanhas, etc..

Está situada a 199 metros sobre o nível do mar contando com 630.000 habitantes, ou seja, mais ou menos a metade da população de Aragão. A situação geográfica de Saragoça é excepcional, pois se encontra a meio-caminho entre Madrid, Barcelona e Bilbao, distando cerca de 300km das cada uma das três.

Ceuta e Melilla Ceuta e Melilla

Área - Ceuta – 19,7 km²; Melilla – 12,5 km².
População - Ceuta – 72.500; Melilla – 68.000 (2016).
Idiomas - espanhol, árabe.

Ceuta e Melilla Com autonomia reconhecida desde 1995, Ceuta e Melilla são territórios espanhóis do norte da África. Até a década de 1950, faziam parte de Marrocos, que ainda reivindica a região. A relação entre a população de origem espanhola e a minoria muçulmana, em geral constituída de imigrantes marroquinos, é conflituosa. A maior parte dos territórios é ocupada por bases militares espanholas e a economia sustenta-se com a atividade portuária. Situadas nas proximidades do estreito de Gibraltar, que separa a África da Europa, Ceuta e Melilla enfrentam problemas com a afluência de imigrantes africanos interessados em entrar ilegalmente na Europa, além de integrar uma rota do tráfico internacional de drogas. As pessoas nascidas no território são consideradas cidadãs espanholas.
Tratado de Madrid

Tratado de Madrid

Após a união das coroas portuguesa e espanhola e a formação da União Ibérica em 1580, a ideia por trás do Tratado de Tordesilhas (1494) parecia não fazer mais sentido. Além disso, o desenvolvimento do bandeirismo e das missões jesuítas possibilitou o deslocamento de muitos portugueses em direção a áreas que pertenciam oficialmente aos espanhóis, segundo os limites estabelecidos desde o final do século XV.

Para tentar redefinir os limites territoriais de toda a região, os governos ibéricos celebraram o Tratado de Madri, em 1750. Era evidente que os portugueses já haviam ocupado e desenvolvido atividades econômicas em várias regiões de posse dos espanhóis. Desta forma, os diplomatas de Portugal foram inteligentes ao propor o princípio do Uti Possidetis (direito de posse) para ser usado na definição da nova limitação geográfica de cada reino no continente americano. Além disso, alegavam que a usurpação de terras era algo mútuo, tomando como exemplo as atividades espanholas desenvolvidas em partes da Ásia (Filipinas, Marianas e Molucas), regiões que estariam fora dos limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas.

Além do direito de posse, o Tratado de Madri também usava os acidentes geográficos, como montanhas e rios, por exemplo, como limites naturais de espaço. O acordo resultou quase na triplicação das posses de Portugal na América: passou a controlar oficialmente os atuais Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, além de grande parte da região amazônica. Em compensação, teve que ceder aos espanhóis a Colônia do Sacramento, uma região de colonização originalmente lusitana, porém grandemente explorada e influenciada pelos espanhóis.

O Tratado de Madri foi importante pelo fato de ter praticamente definido o atual contorno geográfico do Brasil.
Rio Ebro
Rio Ebro

Rio Ebro

Citado por Plínio o Velho, no século I, o Ebro (Iberus) é, depois do Tejo, o maior rio da península ibérica, em extensão e volume d'água.

Com 910km de extensão, o Ebro nasce perto de Reinosa, na cordilheira Cantábrica, atravessa um grande trecho montanhoso e, a partir da região vinícola de La Rioja, forma um vale muito largo e só se torna navegável nos últimos 15 quilômetros. Seus afluentes mais importantes procedem da vertente pirenaica: Aragão, Arga, Gallego, Segre e Cinca; do sistema ibérico recebe afluentes menos caudalosos. O delta que se forma a sua desembocadura, no Mediterrâneo, adentra pelo mar cerca de trinta quilômetros.

O volume de água do Ebro é irregular. Seu regime é pluvionival -- águas de chuva e neve -- na cabeceira e na zona setentrional da bacia, onde recebe os afluentes do Pireneu central; o restante da bacia é pluvial, sujeito a grandes estiagens no verão, devido à aridez do clima e à intensa evaporação. O Ebro alimenta diversos canais de irrigação, que fertilizam as áridas terras por que passa. Além disso, proporciona energia elétrica em abundância, por meio de numerosas represas.
Rio Douro

Rio Douro

O Douro, terceiro em extensão da península ibérica, drena as mesetas do norte de Castela e vai desembocar no oceano Atlântico, na região vinícola portuguesa do Porto.

O rio Douro, com 895km de extensão, conta com uma bacia superior a 79.000km2. Nasce na Espanha, na serra de Urbión, a uma altitude de 2.200m. Até as proximidades de Soria vence grandes desníveis. A partir de Almazán toma a direção definitiva leste-oeste, e a partir de Aranda do Douro entra na meseta de Castela. Ao longo desse percurso, seu volume de água aumenta ao receber os afluentes procedentes da cordilheira Cantábrica, aos quais deve a maior parte de seu caudal (Pisuerga, Esla) e do sistema Central (Duratón, Adaja).

Abaixo de Zamora, o Douro ganha mais velocidade ao descer da meseta. Nesse trecho, faz a fronteira entre Espanha e Portugal. Já em Portugal, segue novamente por terrenos planos. Entre Peso de Régua e o Porto, onde desemboca no Atlântico, é navegável.


Através de um sistema de canais, o rio irriga amplas planícies da meseta espanhola. Também na zona fronteiriça sua canalização permitiu a construção de grandes represas e centrais hidrelétricas. Em seu percurso, o Douro percorre as províncias espanholas de Burgos, Salamanca, Sória, Valladolid e Zamora; em Portugal, separa a antiga província de Trás-os-Montes das duas Beiras.
Juan Ruiz, arcipreste de Hita
Arcipreste de Hita

Juan Ruiz, arcipreste de Hita

Juan Ruiz, arcipreste de Hita, nasceu por volta de 1283, provavelmente em Alcalá de Henares, na Espanha, e nada se sabe ao certo sobre sua vida. Não se tem certeza sequer do seu nome: nos arquivos da cidade de Hita referentes ao período compreendido entre 1330 e 1343, datas prováveis de publicação do Libro, não existe menção a nenhum arcipreste com esse nome.

Embora seja a única obra conhecida do arcipreste de Hita, o Libro de buen amor é um clássico da literatura espanhola e principal precursor do gênero picaresco.

Para alguns, foi homem de grande erudição eclesiástica, moralista severo que pretendeu advertir seus contemporâneos para os males do pecado da carne. Essa hipótese tem como apoio a suposição de que era homem de confiança do arcebispo de Toledo, D. Gil de Albornoz, que o teria encarregado de fiscalizar e doutrinar o clero de Talavera. Para outros, foi um vigário jovial, que se divertiu com narrações eróticas, talvez de caráter autobiográfico, e que tinha costumes tão livres quanto os que descreveu.

No Libro de buen amor, o arcipreste faz a distinção entre o amor bom, dedicado às coisas divinas, e o amor louco, devotado aos prazeres do mundo. A obra inclui orações ao Senhor, cânticos à Virgem, textos sobre os pecados capitais e fábulas de conteúdo moral. Contém ainda narrativas de conquistas eróticas, fórmulas para que essas conquistas tenham êxito e sátiras contra as mulheres. O Libro combina elementos de doutrinação dogmática, da poesia burlesca dos jograis, das fábulas moralistas, da Ars amatoria de Ovídio e da comédia erótica latina Pamphilus de amore. A obra é um conjunto de poemas que constituem, na verdade, um único poema, ao mesmo tempo edificante e satírico, e realista na descrição dos costumes livres dos clérigos do seu tempo. Juan Ruiz morreu provavelmente em Hita, por volta de 1350.

Antonio SolerAntonio Soler

Antonio Soler y Ramos nasceu em Olot de Porrera, na Catalunha, em 3 de dezembro de 1729. Iniciou sua formação musical na escola coral de Montserrat e ainda muito jovem foi nomeado mestre de capela da catedral de Lérida. Em 1752 entrou para a Ordem de São Jerônimo e tornou-se organista do mosteiro de São Lourenço do Escorial, onde estudou com Domenico Scarlatti, que estava a serviço da corte.

Aluno do compositor italiano Domenico Scarlatti e mestre de órgão e cravo da família real da Espanha, o compositor e organista Antonio Soler foi um dos grandes nomes da música espanhola no século XVIII.

A influência de Scarlatti marcou profundamente a obra de Soler e pode ser mais claramente percebida na técnica viva do teclado, no estilo ágil e surpreendentemente harmônico das numerosas sonatas para cravo, que, depois de algum tempo esquecidas, voltaram a ser valorizadas no início do século XX. Compôs também música sacra, música incidental para peças de Calderón de la Barca e de outros dramaturgos, seis quintetos para órgão e corda e seis concertos para dois órgãos. Publicou ainda um tratado de teoria musical, Llave de la modulación y antigüedades de la musica (1762; Chave de modulação e antiguidades da música). Para realizar suas experiências musicais, inventou um instrumento de teclado chamado afinador. Morreu no mosteiro do Escorial, em 20 de dezembro de 1783.

Antonio PérezAntonio Pérez

Antonio Pérez nasceu em Madri em 1534. De origem controversa, foi reconhecido oficialmente como filho do secretário de estado Gonzalo Pérez. Recebeu esmerada educação, ganhou a confiança de Filipe II e acabou por herdar o cargo do pai. Odiado por nobres e rivais na administração, buscou se proteger por meio de intrigas: conspirou com D. João da Áustria, meio-irmão de Filipe II, contra o soberano espanhol, com este contra D. João e provavelmente com os rebeldes flamengos contra ambos. Além disso, vendeu cargos e conseguiu amealhar grande fortuna.

Conselheiro de Filipe II, Antonio Pérez contribuiu para fomentar nas cortes europeias a chamada "lenda negra" que, a partir de informações truncadas, atribuía ao soberano espanhol assassinatos, conspirações e outros delitos.

Em 1577, D. João da Áustria enviou à Espanha seu secretário Juan de Escobedo para pedir apoio a seus planos de invadir a Inglaterra a fim de libertar e desposar Mary Stuart, rainha da Escócia. Temeroso de ver descobertas suas intrigas, Pérez convenceu o rei de que Escobedo era um traidor e obteve consentimento real para tramar seu assassinato, consumado em 31 de março de 1578. Ao se saber enganado, em 28 de julho de 1579 Filipe II mandou prender o secretário, que ficou 11 anos na prisão e fugiu para Aragão em abril de 1590. Filipe II tentou entregá-lo à Inquisição, mas o povo de Saragoça, sublevado, o defendeu duas vezes. Em 1591, Antonio Pérez seguiu para a França e, acolhido pela corte de Henrique IV, fixou residência em Paris, onde morreu em 3 de novembro de 1611.

Antonio MachadoAntonio Machado

Antonio Machado y Ruiz nasceu em Sevilha, em 26 de julho de 1875. Aos oito anos de idade mudou-se com a família para Madri, onde recebeu formação liberal e estudou língua e literatura francesas. Iniciou sua atividade literária com artigos de caráter satírico e humorístico publicados no periódico La Caricatura em 1895. Quatro anos mais tarde transferiu-se para Paris, onde trabalhou como tradutor da editora Garnier e conheceu figuras literárias da estatura do britânico Oscar Wilde e do espanhol Pío Baroja. Ao regressar a Madri, meses depois, entregou-se sem êxito à carreira de ator teatral e em 1902 voltou para Paris. Entrou então em contato com o movimento modernista, por intermédio do poeta Rubén Darío, que exerceu grande influência sobre suas primeiras produções poéticas. Mais tarde, rejeitou o modernismo dos contemporâneos para adotar o que denominou "poesia eterna".

Vinculado à "Geração de 98" por suas inquietudes e atitude crítica ante a realidade nacional, Machado marcou com seu apurado humanismo boa parte da literatura espanhola do século XX.

Na obra literária de Antonio Machado distinguem-se três etapas fundamentais. A primeira é representada pelo volume poético Soledades (1903) e por Soledades, galerías e outros poemas (1907), ampliação do livro anterior, ambos marcados pelo romantismo tardio do século XIX. Extremamente lírico e subjetivo, o autor cultiva temas como a morte, o tempo e a melancolia, mas já exibe a dicção autenticamente castelhana que imprimiria em sua poesia posterior, bem como a temática de motivos populares.

A mudança para a cidade de Soria, na região de Castela, onde passou a lecionar francês, propiciou a segunda etapa da evolução literária do autor, caracterizada por uma poesia menos intimista. A obra mais representativa desse período é Campos de Castilla (1912), que se destaca não só pelo caráter descritivo, ao transmitir a imagem de uma região desolada, mas pelo uso das formas do romanceiro popular. As inquietudes políticas, filosóficas e morais do autor se conjugam com a descrição da austera paisagem castelhana.

Após a morte da esposa, Machado abandonou Soria e residiu sucessivamente em Baeza e Segóvia, até que em 1931 instalou-se em Madri. Nesse período publicou Nuevas canciones (1924), que marca a predominância do verso sobre a prosa em sua obra, e Poesías completas (1928), cujo tom sombrio e de indagação intelectual assinalou a terceira fase poética. Durante esse período, Machado escreveu também diversas peças teatrais, em colaboração com seu irmão Manuel. Em 1936 publicou um autêntico testamento literário, a coleção de textos em prosa Juan de Mairena, imaginário alter ego do autor e porta-voz de seus pensamentos cívicos e humanistas.

A eclosão da guerra civil surpreendeu Machado em Madri. Partidário dos republicanos, foi primeiro para Valência e depois para Barcelona, e ao final do conflito exilou-se na França. Antonio Machado, que manifestou o desejo de que lembrassem dele sobretudo como "um homem bom", morreu em Collioure, França, em 22 de fevereiro de 1939.

Antonio Gaudí

Antonio Gaudí y Cornet nasceu em Reus, Tarragona, em 25 de junho de 1852. Estudou na Escola de Arquitetura de Barcelona. Solteiro e de hábitos austeros, dedicou toda a vida à arquitetura,  considerada por ele uma síntese de todas as artes. A influência dos arquitetos da Idade Média está presente em suas primeiras obras, como a Casa Vicens, com abundantes elementos hispano-arábicos, e o palácio Güell, da década de 1880. Em ambas já se notam algumas das constantes de sua arquitetura, como a execução artesanal, a concepção de cada prédio como um todo e a importância concedida aos elementos decorativos, com predomínio da cerâmica e do ferro forjado, que Gaudí manipulava com absoluto domínio.

Em anos posteriores realizou algumas de suas obras fundamentais -- o palácio episcopal de Astorga e a casa dos Botines, de León -- nas quais interpretou com originalidade os motivos estilísticos do gótico. À fase de maturidade modernista, caracterizada por formas ondulantes e naturalistas, e pela ligação entre arquitetura e escultura, pertencem obras como a Casa Batlló e a Casa Milá, edificadas na primeira década do século XX.

Com obra personalíssima, em que os elementos das construções se assemelham a formas vegetais petrificadas, Gaudí criou uma arquitetura fantástica, que escapa às classificações convencionais. Foi um dos grandes inovadores da estética modernista e sua realização mais célebre é a igreja da Sagrada Família, que se converteu em símbolo de Barcelona.

Concebido também de um prisma modernista, o parque Güell, iniciado em 1910, é um conjunto urbanístico em que Gaudí integrou à perfeição a natureza e as artes plásticas. Entre seus detalhes fantásticos salienta-se o grande banco corrido, decorado por um mosaico de cacos de azulejos, que circunda uma praça sustentada por enormes colunas. Seu patrocinador, o conde de Güell, permitiu que Gaudí continuasse a expressar seu talento na igreja da colônia Güell, em Santa Coloma de Cervelló, com suas famosas colunas e abóbadas irregulares.

Entre 1883 e 1926, Gaudí alternou seu trabalho nas construções assinaladas com a edificação de sua obra principal, a igreja da Sagrada Família em Barcelona. A inspiração africana das torres e os elementos góticos adquirem feição marcadamente naturalista nessa original construção que permaneceu inconclusa. Gaudí morreu em Barcelona, em 10 de junho de 1926.

Antonio de MendozaAntonio de Mendoza

Antonio de Mendoza nasceu em Granada, Andaluzia, por volta de 1490. Descendente de uma ilustre família de soldados e estadistas, acompanhou Carlos V (Carlos I da Espanha) na guerra contra os turcos e foi recompensado com a nomeação para vice-rei da Nova Espanha em 1535. Sua missão era pôr ordem na região recém-conquistada, aumentar a receita da coroa, evitar o abuso da escravidão indígena e acabar com as rivalidades entre os grupos de exploradores. Construiu escolas e hospitais, adotou novos conceitos para as políticas agrícola e mineradora e foi o introdutor da imprensa na América.

Primeiro e provavelmente o mais hábil vice-rei da Nova Espanha, Antonio de Mendoza administrou o território conquistado do México e instituiu um programa político e econômico básico que perdurou até a independência das colônias.

Não conseguiu aplicar com o rigor que pretendia as Novas Leis (1542), sancionadas por Carlos I para limitar o poder dos colonos sobre os índios. Mesmo assim, adotou importantes medidas em benefício dos nativos, como a limitação da jornada de trabalho, a determinação de dias de descanso e da remuneração para o trabalho dos índios, além da defesa das terras indígenas. Como reconhecimento a seus serviços, foi promovido em 1551 a vice-rei do Peru. Morreu em Lima, em 21 de julho de 1552.

Andrés SegoviaAndrés Segovia

Andrés Segovia nasceu em Linares, Andaluzia, Espanha, em 18 de fevereiro de 1894. Na infância estudou piano e violoncelo, mas logo dedicou sua atenção ao violão, instrumento depreciado na época. A dificuldade para encontrar professores competentes levou-o a desenvolver sua técnica de forma autodidata, guiado pela própria intuição. Em 1909 deu o primeiro concerto público em Granada e, já internacionalmente consagrado, depois de viajar pela Espanha e pela América Latina, estreou em Paris em 1924.

No século XX, o violão foi revalorizado como instrumento de concerto sobretudo graças às interpretações de Andrés Segovia. Seu virtuosismo estimulou destacados compositores contemporâneos, como os italianos Castelnuovo-Tedesco e Alfredo Casella, o espanhol Joaquín Turina, o brasileiro Heitor Villa-Lobos e o francês Albert Roussel, a criar obras especialmente concebidas para o instrumento, situação incomum até então.

Mediante a transcrição de mais de 150 peças de compositores barrocos como Bach, Couperin e Rameau, escritas originalmente para alaúde, guitarra espanhola e cravo, Segovia ampliou o repertório e as possibilidades expressivas do violão. Em suas últimas apresentações públicas, o artista contava já mais de noventa anos. Andrés Segovia morreu em Madri em 2 de junho de 1987.

Ana d'ÁustriaAna d'Áustria

Ana d'Áustria nasceu em 22 de setembro de 1601 em Valladollid, Espanha. Filha de Filipe III da Espanha e de Margarida da Áustria, casou-se com Luís XIII da França aos 14 anos de idade. Tratada com indiferença pelo marido e enfrentando a desconfiança do primeiro-ministro, o cardeal de Richelieu, Ana se envolveu em vários escândalos. Um dos mais ruidosos aconteceu quando o primeiro duque de Buckingham, George Villiers, declarou publicamente estar apaixonado por ela.

Regente da França durante a minoridade de seu filho Luís XIV, Ana d'Áustria foi personagem de Alexandre Dumas em dois de seus romances, Os três mosqueteiros e Vinte anos depois.

As tentativas de Ana para afastar Luís XIII do cardeal não tiveram êxito e Richelieu acabou por declarar guerra a Filipe IV, rei de Espanha e irmão de Ana, em 1635. Durante a guerra a rainha foi acusada pelo cardeal de colaborar com os espanhóis. O nascimento do príncipe herdeiro em 1638 ajudou-a a recuperar seu prestígio na corte francesa.

Com a morte do cardeal de Richelieu e também de Luís XIII, Ana d'Áustria se tornou regente da França enquanto o herdeiro do trono não atingia a maioridade. Como regente, Ana fez do cardeal Jules Mazarin seu primeiro-ministro e resistiu à pressão da nobreza, que queria ver restaurados seus privilégios. Alguns historiadores acreditam que Ana e Mazarin casaram-se secretamente. Juntos, enfrentaram a série de revoltas conhecida como a Fronda, entre 1648 e 1653.

A regência de Ana d'Áustria terminou oficialmente em 1651, quando foi proclamada a maioridade de Luís XIV. Em 1659 terminava a guerra contra a Espanha, iniciada 24 anos antes por Richelieu, e Luís XIV casava-se com sua prima Maria Teresa, filha de Filipe IV, rei de Espanha. Ana d'Áustria morreu em 20 de janeiro de 1666 em Paris.

Américo CastroAmérico Castro

Américo Castro e Quesada nasceu em Cantagalo RJ, em 1885. Filho de espanhóis, estudou na Universidade de Granada, Espanha, onde se formou em letras em 1904. Mais tarde ampliou os conhecimentos em Paris. Discípulo de Ramón Menéndez Pidal, foi figura destacada da Institución Libre de Enseñanza, onde dirigiu o departamento de lexicografia, e ocupou a cátedra de língua espanhola na Universidade de Madri. Participou da política espanhola, antes da proclamação da segunda república, e em 1931 foi nomeado embaixador de Berlim.

Nascido no Brasil, o filólogo, ensaísta e historiador espanhol Américo Castro foi mestre de sucessivas gerações de pesquisadores e procurou ressaltar o caráter peculiar da Espanha e da América hispânica dentro da civilização ocidental.

Em 1936, a guerra civil obrigou-o a exilar-se. Encontrou nova pátria na Argentina, onde ministrou diferentes cursos. Também foi, durante algum tempo, professor de várias universidades americanas. Seu pessimismo intelectual, compartilhado por outros escritores da chamada geração de 98, repercutiu consideravelmente em sua ampla produção, na qual se destacam obras como El pensamiento de Cervantes (1925) e La realidad histórica de España (1954). Américo Castro morreu em Lloret de Mar, Barcelona, em 1972.

Amadís de GaulaAmadís de Gaula

A primeira versão conhecida, escrita em castelhano por Garci Ordóñez (ou Rodríguez) de Montalvo, são Los quatro libros del virtuoso caballero Amadís de Gaula (1508). Com títulos diferentes, inúmeras traduções e adaptações surgiram outras em diferentes partes da Europa. Em português, a versão mais conhecida é a Chronica do Emperador Clarimundo... (1520), de João de Barros. Ainda no século XV, o português Gomes Eanes de Zurara reivindicara para sua terra a autoria do Amadís, atribuindo-a a Vasco de Lobeira, trovador do século XIII. Todavia, nada existe de conclusivo quanto à origem da obra, a não ser que surgiu na península ibérica e difundiu-se através da versão de Garci Ordóñez.

Antiga e por vezes apaixonada é a controvérsia sobre o idioma e o país de origem de Amadís de Gaula, o mais famoso ciclo de romances de cavalaria.

O Amadís de Gaula, embora lembre os romances franceses do ciclo arturiano, não parte de nenhum conjunto de lendas determinado. A personalidade de Amadís, com suas aventuras em castelos encantados, lutando contra feras, feiticeiros, anões e gigantes, tudo para merecer o amor de Oriana, difere muito do caráter de heróis como Tristão e Lancelote, pela sublimação do elemento erótico, pela idealização quase casta da conquista amorosa e da própria conduta do cavaleiro, o que prenuncia as formas estéticas renascentistas.

Observa-se ainda o conflito entre um individualismo anárquico -- representativo da decadência do sistema feudal -- e a solenidade da autoridade monárquica, que prenuncia o absolutismo. Em todos esses elementos, pode-se ver um novo conceito de cavalaria, sua última tentativa de afirmação literária enquanto ainda não se tornara alvo de críticas e sátiras.

Pedro de AlvaradoPedro de Alvarado

Pedro de Alvarado nasceu em Badajoz, Espanha, por volta de 1485. Em 1510 partiu para a América, onde atuou como lugar-tenente de Cortés na conquista do México. Em 1523 empreendeu a conquista da Guatemala, missão árdua e sangrenta em virtude da resistência dos índios da região. Um ano depois fundou a cidade de Santiago de los Caballeros, hoje Antigua, importante núcleo de colonização da América Central.
Famoso entre os astecas por seu porte, força física e entusiasmo guerreiro, Pedro de Alvarado empreendeu a conquista do México em companhia de Hernán Cortés e protagonizou a colonização da Guatemala, além da primeira expedição pela selva equatoriana.

Voltou à Espanha em 1527, disposto a reivindicar uma compensação pelos serviços prestados à coroa. Contemplado com o cargo de governador e capitão-general da Guatemala, regressou à América e fundou a cidade de San Miguel, decidido a incrementar o comércio do Pacífico. Acabou com os feudos e rivalidades surgidas entre os espanhóis em sua ausência e organizou a vida civil mediante leis e decretos.

Decidido a conquistar para a Espanha as ilhas Molucas, organizou uma expedição em 1531. As notícias sobre riquezas recentemente descobertas no Peru fizeram-no mudar de rumo, mas foi dissuadido de partir para o sul por Diego de Almagro. Viajou novamente à Espanha em 1537 e lá obteve a renovação do cargo de governador da Guatemala por mais sete anos, o governo de Honduras e uma licença para explorar as costas ocidentais da Nova Espanha e as ilhas das Especiarias.

Durante um combate contra os índios da Nova Galícia (México), foi gravemente ferido. Não resistindo aos ferimentos, morreu em Guadalajara em 4 de julho de 1541.

Álvar Núñez Cabeza de VacaÁlvar Núñez Cabeza de Vaca

Álvar Núñez Cabeza de Vaca nasceu na Extremadura, Espanha, por volta de 1490. Era neto de Pedro de Vera, conquistador da ilha de Gran Canaria. De sua juventude só se conhecem os dados revelados no livro Naufragios, onde narrou com detalhes sua participação na fracassada expedição de Pánfilo de Narváez à Flórida, iniciada em 1527. A aventura durou oito anos e levou um grupo de espanhóis a percorrer a costa sul americana, desde a baía de Tampa, na Flórida, até o rio Bravo. Depois da morte de Narváez, a expedição atravessou o Texas e entrou no atual território mexicano. Dali, Cabeza de Vaca foi à Cidade do México, antes de voltar à Espanha.

A vida de aventuras de Cabeza de Vaca teve um final contemplativo, quando o navegador e explorador tornou-se monge na cidade de Sevilha.

As dificuldades da viagem não esmoreceram Cabeza de Vaca, que assinou em 18 de março de 1540 um contrato pelo qual o imperador Carlos V lhe confiava a chefia da expedição à pouco conhecida região do Rio da Prata. O contrato lhe concedia dez por cento de tudo que ali encontrasse. Anteriormente, Pedro de Mendoza fora enviado ao rio da Prata. Ignorava-se, porém, se ele ainda estava vivo, e os títulos outorgados a Cabeza de Vaca dependiam de estar ou não morto Juan de Ayolas, lugar-tenente de Mendoza. A expedição partiu de Cádiz em 1540.

Em março de 1541, os espanhóis desembarcaram na ilha de Santa Catarina, no Brasil, onde souberam das dificuldades dos colonizadores de Buenos Aires, da morte de Ayolas em combate com os índios e da fundação da cidade de Assunção. Cabeza de Vaca decidiu ajudar essas cidades. No caminho para Assunção descobriu as grandes cataratas do Iguaçu. Instalado na cidade, reorganizou o governo e promoveu uma expedição à serra da Prata, na região de Potosí, na Bolívia. A iniciativa foi um fracasso, mas serviu para alimentar as lendas sobre as Amazonas e o Eldorado. Quando Cabeza de Vaca voltou a Assunção, em 1544, rebentou um motim contra sua política de defesa dos índios. Foi enviado à Espanha e desterrado em Orán; mas Filipe II o absolveu e acabou nomeando-o presidente do tribunal supremo de Sevilha. Mais tarde, Cabeza de Vaca tomou o hábito e chegou a ser prior num convento. Morreu em Sevilha por volta de 1560.
Alonso de Ercilla

Alonso de Ercilla

 Alonso de Ercilla y Zúñiga nasceu em Madri, em 7 de agosto de 1533. De origem nobre, recebeu educação esmerada e desde muito jovem foi destinado a pajem do futuro rei Filipe II da Espanha. Com ele viajou pela Europa e, na Inglaterra, decidiu seguir para a América, com o propósito de participar na expedição contra os índios araucanos, no Chile. Integrado à carreira militar pelo espírito de aventura, distinguiu-se em vários combates, escapou de ser degolado por ordem de um chefe prepotente e voltou à Espanha em 1562.

A figura de Alonso de Ercilla, cortesão, soldado, amante dos clássicos e poeta, reúne características do pensamento e da vida aventureira renascentista.

A fama de Ercilla como poeta se deve ao grande poema épico sobre a América, La araucana, publicado entre 1569 e 1589. Escrita em oitavas e dividida em três partes, com um total de 37 cantos, a obra é uma crônica das lutas cruéis entre araucanos e espanhóis em terras chilenas. A epopéia salienta-se entre as numerosas obras de estilo virgiliano na literatura de língua espanhola e encontrou receptividade variável: elogiada por Voltaire e Chateaubriand, raramente foi lida pelo grande público. À diferença de outros poemas épicos, La araucana tem como protagonista não um herói, mas um grupo, que pode ser o araucano ou o espanhol. A obra é encarada no Chile como ponto de partida da literatura nacional chilena. Alonso de Ercilla morreu em Madri, em 29 de novembro de 1594.

Dámaso AlonsoDámaso Alonso

Nascido em Madri em 22 de outubro de 1898, Alonso estudou direito, filosofia e letras. Durante vários anos colaborou com Ramón Menéndez Pidal no Centro de Estudos Históricos, da capital espanhola, até ser nomeado catedrático de filologia românica da Universidade de Valencia.
Entre os intelectuais que permaneceram na Espanha após a guerra civil, Dámaso Alonso demonstrou singular empenho no esforço para impedir que a vida acadêmica do país se isolasse das grandes correntes internacionais.

Os poetas da geração de 27 tiveram em Dámaso um de seus principais incentivadores. Também foi ele o artífice da redescoberta de Góngora, com sua edição crítica de Soledades (1927; As solidões) e estudos como Temas gongorinos (1927; Temas do gongorismo) e La lengua poética de Góngora (1935; A língua poética de Góngora), que contribuíram para divulgar na Espanha as análises estilísticas da escola do alemão Karl Vossler.

Em 1968, deixou a cátedra de filologia na Universidade de Madri para substituir Menéndez Pidal na direção da Real Academia Española. Além da incessante atividade como professor convidado em universidades europeias e americanas e da continuação de sua obra crítica __ com textos como La poesia de san Juan de la Cruz (1942; A poesia de são João da Cruz) e La novela cervantina (1969) __, Alonso exerceu grande influência na poesia espanhola do pós-guerra com o livro de poemas Hijos de la ira (1944; Filhos da ira), em que a indagação religiosa e metafísica mostra-se impregnada de profundo humanismo. A publicação posterior de Hombre y Dios (1954; Homem e Deus) e Gozos de la vista (1981; Gozos de visão), não fez mais que confirmar a estatura literária do escritor, também patente em sua prosa serena e clássica. Dámaso Alonso morreu em Madri em 24 de janeiro de 1990.

Alonso CanoAlonso Cano

Cano nasceu em Granada a 19 de março de 1601, onde foi iniciado nas artes pelo pai, escultor de retábulos. Em 1614, transferiu-se para Sevilha, dedicando-se à pintura no ateliê de Francisco Pacheco, onde se tornou amigo de Velázquez, e ao aprendizado da escultura com Juan Martínez Montañés. Em suas primeiras telas, como "São Francisco de Borja" ou "São João Evangelista", observa-se um estilo de realismo tenebrista que revela influência da obra juvenil de Velázquez. Como escultor, manifestou desde o início personalidade própria, misturando elementos barrocos e clássicos. A melhor obra desse período sevilhano foi o monumental retábulo de Santa María de Lebrija.

O escultor, pintor e arquiteto espanhol Alonso Cano deixou uma obra caracterizada por um sereno estilo barroco, em contraste com sua vida tumultuada.

Devido a um duelo, teve de fugir em 1637 para Madri, sendo introduzido na corte de Filipe IV graças a Velázquez. Acusado de matar sua segunda mulher em 1644, foi preso e depois autorizado a transferir-se para Valência, ali permanecendo até o ano seguinte, quando retornou à capital. Dedicou-se então quase só à pintura, sendo dessa época o quadro "O milagre do poço", suave e elegante.

Assumiu um cargo eclesiástico na catedral de Granada em 1652, mas não interrompeu a carreira artística. Por entrar em conflito com os cônegos, foi expulso da catedral em 1656 e regressou a Madri, onde se ordenou. Novamente enviado a Granada, ali passou os últimos anos de vida. São dessa fase os desenhos para a fachada da catedral. Contudo, sua morte em Granada, em 3 de setembro de 1667, não lhe permitiu ver concluída essa grande obra.

Pedro Almodóvar Pedro Almodóvar

Pedro Almodóvar nasceu em 1949 em Calzada de Calatrava, na província de Ciudad Real, região de La Mancha. Mudou-se para Madri aos 17 anos e passou a trabalhar na companhia telefônica. Nas horas vagas, dedicava-se a realizar imagens "transgressoras", como ele as chamou, com uma câmara super-8. Estreou como diretor em 1978, com o média-metragem em super-8 Folle, Folle, Folle-me Tim. Em seguida, fez o curta-metragem Salomé, em 16mm.

Consagrado internacionalmente, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar provocou polêmica quando, em 1990, recorreu à justiça americana, sem sucesso, para alterar a classificação X-rated, em geral reservada para filmes pornográficos, em que foi enquadrada sua comédia romântica Atame (Ata-me) nos Estados Unidos.

Em 1980 realizou seu primeiro longa-metragem, Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón. Também escritor, publicou o livro Fuego en las entrañas (1982), além de vários contos e artigos. Seguiram-se os filmes Laberinto de pasiones (1982) e Qué he hecho yo para merecer esto? (1984). Posteriormente fez Matador (1986), Mujeres al borde de un ataque de nervios (1988; Mulheres à beira de um ataque de nervos) e Tacones lejanos (1991; De salto alto).

Diego de AlmagroDiego de Almagro

Diego de Almagro nasceu em Almagro, Espanha, em 1475. Viajou para a América em 1514 e estabeleceu-se no Panamá, onde conheceu Pizarro. Dez anos mais tarde assinou com ele um contrato com o objetivo de empreenderem juntos expedições de conquista à América do Sul. Nesse mesmo ano partiram para o Peru, onde começaram as rivalidades entre ambos, motivadas pelo controle das ricas regiões descobertas. O conflito foi resolvido pela coroa espanhola, que nomeou Pizarro primeira autoridade do Peru.
A vida do conquistador espanhol Diego de Almagro foi marcada por disputas com Francisco Pizarro pelo governo de Cuzco. A rivalidade custou-lhe a vida, mas seria vingado pelo filho, também chamado Diego, que mandou assassinar Pizarro.

Em 1531, enquanto Pizarro partia novamente para o sul, Almagro solicitou à Espanha licença para separar-se do sócio, mas teve recusado o pedido. No ano seguinte, dirigiu-se a Cajamarca no comando de um navio e, com Pizarro, ocupou Cuzco. Ao saber do desembarque de Pedro de Alvarado em costas peruanas, foi ao seu encontro para demovê-lo dos intentos de conquista. Ao regressar a Cuzco, em 1535, recebeu a notícia de sua nomeação para o governo de Nova Toledo, cargo equiparado ao de Pizarro no Peru.

Na expedição ao Chile, iniciada em 1536, Almagro perdeu a maior parte dos homens, durante a travessia dos Andes, mas conseguiu chegar ao vale do Aconcágua, onde desistiu do empreendimento. De volta ao Peru, encontrou a rebelião inca comandada por Manco Cápac II. Decidido a acabar com Pizarro e seu irmão Alonso, aliou-se aos índios e prendeu os rivais em Cuzco. As autoridades locais, porém, determinaram que Almagro abrisse mão do governo da cidade, enquanto enviavam uma delegação à Espanha para decidir na corte o pleito. Almagro solicitou a dissolução dos exércitos dos irmãos Pizarro e o estabelecimento de livre comércio entre seus domínios e os do rival.

A solução encontrada pela corte espanhola desagradou às duas partes envolvidas. Não demorou para que recomeçassem as hostilidades e choques armados entre eles. Finalmente, na batalha de Salinas, Pizarro conseguiu a vitória definitiva. Almagro foi preso, julgado e executado em Cuzco, em 1538.

Alexandre VIAlexandre VI

Rodrigo de Borja y Doms, em italiano Rodrigo Borgia (em português, Bórgia), que como papa tomou o nome de Alexandre VI, nasceu em Játiva, na província de Valência, Espanha (então no reino de Aragão), em 1º de janeiro de 1431. Eram seus tios, pelo lado materno, Afonso, rei de Aragão, e, pelo lado paterno, Alfonso Borja, o papa Calixto III. Graças a este último, estudou direito em Bolonha, e depois ordenou-se, iniciando uma meteórica carreira eclesiástica, que lhe permitiu acumular enorme fortuna pessoal.

Membro da poderosa família Borgia, Alexandre VI foi um papa corrupto e ambicioso, cujo pontificado contribuiu para o crescimento da Reforma. Por outro lado, sua eficiência como diplomata concorreu para a unificação da península italiana.

Com a morte do tio, Rodrigo tornou-se o personagem mais importante da cúria. Sob o pontificado de Xisto IV, foi legado na Espanha. De Pio II recebeu a advertência pela vida dissoluta: teve numerosos filhos de várias mulheres, e reconheceu por bula os que nasceram de Vannozza Catanei: Giovanni, César, Lucrécia e Jofre. Em 1492 morreu Inocêncio VIII, e Rodrigo usou quase todos os seus bens para eleger-se papa, comprando os competidores.

Com nepotismo desenfreado, Alexandre VI povoou a cúria de Borgias, ao mesmo tempo que se ligava a Júlia Farnese, chamada pelo povo Giulia la Bella ou "a esposa de Cristo". Com ela, teve uma filha, Laura. Em 1501, reconhecia numa bula, como filho, a Giovanni, conhecido como o "infante romano", enquanto em outra, do mesmo dia, atribuía sua paternidade a César. O frade Girolamo Savonarola denunciou-o como "simoníaco, herético e infiel". Em 1498, Alexandre VI convocou-o a Roma, e Savonarola foi julgado e condenado à morte na fogueira.

O pontificado de Alexandre VI coincidiu com uma época de conflito, pois a França e a Espanha disputavam a posse do reino de Nápoles e o controle sobre a península italiana. Alexandre VI exibiu então sua habilidade como árbitro: inicialmente opôs-se à França, quando Carlos VIII realizou uma expedição à Itália, porém mais tarde aliou-se a Luís XII, em resposta ao apoio deste às tropas de seu filho César, que tentou criar um reino na Itália central. Do mesmo modo, negou apoio incondicional à política de Fernando o Católico em relação à Itália. Com a bula Inter caetera (1493), base do Tratado de Tordesilhas, demarcou as fronteiras das terras de Portugal e da Espanha depois do descobrimento da América.   Internamente, Alexandre VI consolidou a estrutura política do pontificado e prestigiou a criação artística em uma das etapas mais importantes do Renascimento, mas também inaugurou a censura à imprensa pelas autoridades eclesiásticas. Morreu em Roma em 18 de agosto de 1503.
Vicente Aleixandre

Vicente Aleixandre

Vicente Aleixandre nasceu em Sevilha em 26 de abril de 1898. Sua carreira literária começou em 1925, quando uma enfermidade o afastou do trabalho de professor de direito mercantil, obrigando-o a retirar-se para o campo, onde escreveu seu primeiro livro de poemas, Ámbito. Seu estilo, inicialmente influenciado por Rubén Darío, se enriqueceu a partir de 1927 com elementos do surrealismo, como se pode apreciar em Espadas como labios (1932) e Pasión en la tierra (1935). Aleixandre publicou em 1935 sua obra de maior substância, La destrucción o el amor, agraciada com o Prêmio Nacional de Literatura da Espanha. Utilizando com mestria o verso livre, expressa nessa obra um sentido panteísta do universo e uma concepção romântica e exuberante do amor.

Membro destacado da geração de 27, Aleixandre foi uma das poucas figuras de relevo no panorama literário da Espanha logo depois da guerra civil.

A reflexão sobre a identificação do homem com a  natureza, presente em Sombra del paraíso (1944), cedeu lugar, em obras posteriores, a uma preocupação por temas como o tempo, a morte, o conhecimento e a experiência vital do homem: Historia del corazón (1954), En un vasto dominio (1962), Poemas de la comunicación (1968) e Diálogos del conocimiento (1974).

A originalidade de sua "poesia pura" e sua peculiar concepção romântica do surrealismo valeram-lhe a admiração das novas gerações de poetas espanhóis como também o reconhecimento internacional, representado pelo Prêmio Nobel de literatura (1977). Membro da Real Academia Espanhola desde 1949, Vicente Aleixandre faleceu em Madri a 14 de dezembro de 1984.

Alberto ChurrigueraAlberto Churriguera

Alberto Churriguera nasceu em 7 de agosto de 1676 em Madri. Membro de ilustre família de arquitetos, escultores e decoradores espanhóis, era irmão de José Benito, o chefe da família, e de Joaquín. Dos três irmãos, Alberto foi o de estilo mais pessoal; sua obra mais significativa, a bela praça Mayor de Salamanca, constitui importante monumento do barroco espanhol. Faleceu em 1750, provavelmente em Orgaz.

A importância da família Churriguera na história da arte espanhola é de tal ordem que seu nome passou a designar um estilo barroco, o "churrigueresco", que combinou elementos góticos e renascentistas.

O estilo churrigueresco representou uma modalidade tardia do barroco na Espanha, entre fins do século XVII e princípios do XVIII. Sua tônica foram as complexas soluções encontradas para problemas estéticos de arquitetura, onde o fator ornamental constituía o elemento predominante. O estilo caracterizou-se pela exuberância decorativa, com uma profusão de formas encurvadas e retorcidas.

O trabalho realizado pelos Churriguera em Salamanca estendeu-se por toda a Espanha e também pela América espanhola. Nesse difundido estilo arquitetônico destacaram-se alguns exemplos de moderação e equilíbrio, como a fachada do Obradoiro da catedral de Santiago de Compostela, realizada por Fernando Casas Novoa, mas também outros de intensa exaltação e exagero decorativo, como a catedral de Toledo, obra de Narciso Tomé.

Rafael AlbertiRafael Alberti

Rafael Alberti nasceu em Puerto de Santa María, Cadiz, em 16 de dezembro de 1902. Aos 15 anos se mudou para Madri e, após precoces estudos de pintura, dedicou-se principalmente à poesia. Com seu primeiro livro de poemas, Marinero en tierra (1925), conquistou o Prêmio Nacional de literatura. Seguiram-se La amante (1926) e El alba del alhelí (1927; A aurora do goivo). Seu intenso lirismo, nessa fase, procura reencontrar, em torno de temas folclóricos, o ritmo antigo dos cancioneiros.

Vida e obras extensas e comprometidas a fundo com a Espanha, Rafael Alberti foi um dos principais representantes da geração de 27. Poeta de raízes clássicas, era ao mesmo tempo corajosamente inovador.

Em 1927 Alberti publicou Cal y canto, mas foi com Sobre los ángeles (1929) que se ligou à geração de 27, mostrando em imagens surrealistas a destruição do mundo. Em 1931 entrou para o Partido Comunista. Sua posição durante a guerra civil espanhola obrigou-o ao exílio na França, depois na Argentina, Uruguai e Itália, e lhe inspirou obras engajadas como De un momento a otro (1937). Redescobre mais tarde um toque clássico nos poemas de nostalgia da Espanha, e escreve prosa e teatro. Em 1977 voltou para seu país, ganhando em 1983 o Prêmio Miguel de Cervantes.

Isaac AlbénizIsaac Albéniz

Manuel Francisco Isaac Albéniz nasceu em Camprodón, Gerona, em 29 de maio de 1860. Com apenas quatro anos deu seu primeiro recital de piano em Barcelona, e a partir dos dez realizou numerosas turnês de concertos, tanto na Espanha como pela Europa e América Latina. Ao mesmo tempo, continuou aperfeiçoando sua formação musical, fundamentalmente em Barcelona e nos conservatórios de Leipzig e Bruxelas; neste último obteve o primeiro prêmio de piano.
O nacionalismo musical que tomou conta da Europa em fins do século XIX encontrou no espanhol Albéniz um de seus mais originais representantes.

Depois de seu casamento, em 1883, Albéniz entrou em contato com o maestro Felipe Pedrell, pioneiro da música nacionalista espanhola, que despertou nele o interesse pela composição. Suas inquietações musicais o levaram a mudar-se em 1893 para Paris, cidade em que se estava produzindo uma profunda renovação estética, graças ao trabalho de um grupo de músicos entre os quais se destacavam Claude Debussy e Gabriel Fauré. Da relação com esse grupo Albéniz extraiu sua técnica de composição.

O contato com as novas tendências europeias não o impediu de continuar mantendo um estreito vínculo  com a sensibilidade musical e o folclore de seu país,  do qual era grande conhecedor. A união que Albéniz conseguiu entre depuração técnica e sentimento popular teve como resultado uma extensa e original produção musical.

Integram sua obra mais de 200 peças de diversos gêneros musicais: zarzuelas e dramas líricos, entre os quais se destaca Pepita Jiménez; suítes orquestrais, como Cataluña; obras camerísticas e canções. Seus melhores trabalhos, no entanto, foram as peças para piano, como Suite española e Rapsodia española, nas quais o espírito da música hispânica tradicional aparece refletido com magistral síntese. Sua principal obra nesse sentido seriam as 12 composições pianísticas da Suite Iberia (1906-1909), que, a par de sua enorme complexidade técnica, representou uma radical inovação dentro da música nacionalista espanhola.

Albéniz morreu em Cambo-les-Bains, França, em 18 de maio de 1909, quando se encontrava em plena maturidade criativa.

Duque de AlbaDuque de Alba

Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel, terceiro duque de Alba, nasceu em Piedrahita, província de Ávila, Espanha, em 29 de outubro de 1507. Distinguiu-se no sítio de Fuenterrabía (1524), onde os espanhóis derrotaram os franceses. As campanhas subsequentes fizeram dele um notável chefe militar. Nos Países Baixos, a imagem do duque de Alba é de crueldade e intolerância religiosa. Para a Espanha, porém, ele representa os valores da velha nobreza castelhana, orgulhosa e altiva, mas leal à coroa.

Derrotou os príncipes alemães da Liga Schmalkalden (1546-1547), e a vitória que obteve em Mühlberg levou o imperador Carlos V ao auge de seu poder. Alba foi nomeado comandante das forças imperiais na Itália (1552) e, após a sucessão de Filipe II da Espanha, tornou-se vice-rei de Nápoles (1556). Enviado em 1556 aos Países Baixos, no comando de um exército de dez mil homens, a fim de punir os rebeldes e extirpar a heresia, Alba agiu com extrema crueldade. Derrotou a insurreição dos geuzen (em francês, Gueux), guerrilheiros calvinistas holandeses (1572), e repeliu as invasões comandadas por Luís de Nassau, a quem derrotou em Heminger (1568), e pelo príncipe Guilherme de Orange, a quem expulsou do Brabante (1568). Mas, por falta de uma esquadra, não conseguiu retomar aos geuzen todos os territórios ocupados.

Envolvido em intrigas palacianas, foi chamado à Espanha (1573), que só deixou de novo em 1580 para comandar a invasão de Portugal. Em dezembro do mesmo ano, Filipe II o nomeou Condestável de Portugal e lhe concedeu a Ordem do Tosão de Ouro. Fernando Álvares de Toledo morreu em Lisboa em 11 de dezembro de 1582.

al-Idrisial-Idrisi

Abu Abdala Mohamed al-Hasani al-Idrisi, nasceu em Ceuta, norte da África, no ano 1100, numa família árabe nobre. Estudou em Córdoba e viajou pela Espanha, Magreb, Egito e Anatólia. Em 1145, passou a servir a Rogério II da Sicília, em cuja corte viveu o resto da vida. Ali realizou três importantes trabalhos geográficos: uma esfera de prata, com a representação do mundo então conhecido; um mapa de terras situadas ao norte do equador, dividido em setenta paralelos; e um texto geográfico intitulado Kitav nujat al-mustaq fi ikhtiraq al-afaq (Excursão prazerosa de quem pretende conhecer o mundo), também conhecido como Livro de Rogério. A esfera e o mapa se perderam, mas o texto, no qual al-Idrisi procurava descrever com exatidão as regiões do planeta, foi conservado. Apesar das inexatidões, é uma das maiores obras da geografia medieval.

Em suas viagens pela Espanha, norte da África e Oriente Médio, al-Idrisi adquiriu os conhecimentos geográficos que lhe serviram para elaborar alguns dos mapas mais notáveis da Idade Média.

Al-Idrisi também se interessou pela medicina, como demonstra seu Kitab al-aduiya al-mufradá (Livro de medicamentos simples). Além disso, os versos de sua autoria que foram conservados mostram-no como um grande poeta. Acredita-se que al-Idrisi tenha morrido em 1165 ou 1166, na Sicília ou em Ceuta.

Agustín MoretoAgustín Moreto

Agustín Moreto y Cabaña nasceu em Madri em 1618. Filho de pais italianos, estudou direito na Universidade de Alcalá de Henares e tomou ordens menores em 1642, quando iniciou em Madri sua prolífica atividade de dramaturgo. Sua obra surgiu em plena decadência do teatro espanhol, durante a última fase de Calderón de la Barca e já depois de passado o esplendor de Lope de Vega e Tirso de Molina.

Herdeiro da tradição de Lope de Vega, Moreto é recordado sobretudo como autor de comédias refinadas, que anteciparam o gosto dominante na Europa do século XVIII.

Em mais de cem peças, muitas baseadas em obras de autores precedentes, Moreto brilhou sobretudo nas comédias ligeiras, entre as quais a mais conhecida é El desdén con el desdén, realizada a partir de quatro obras de Lope de Vega e que inspirou a Molière La Princesse d´Elide (1664; A princesa de Elida). Entre outros títulos famosos estão El lindo don Diego, Ocasión hace ladrones (A ocasião faz o ladrão) e Primero es la honra (Em primeiro lugar, a honra). Em 1657 Moreto ordenou-se e logo tornou-se capelão de um hospital de Toledo, onde morreu em 27 de outubro de 1669.

Lope de AguirreLope de Aguirre

Lope de Aguirre, também conhecido em sua época como o Louco, o Traidor e o Tirano, nasceu em Oñate, na província basca espanhola de Guipúzcoa, por volta de 1518. Dispõe-se de poucos dados sobre sua juventude, embora certos relatos deem conta de que viveu no Peru por mais de vinte anos e participou da repressão às revoltas indígenas.

Aventureiro ambicioso e desapiedado, Lope de Aguirre não se detinha ante a lei ou a autoridade quando estas constituíam empecilhos à busca de seus objetivos.

Em 1560, uniu-se à expedição encomendada pelo vice-rei do Peru, sob o comando de Pedro de Ursúa, para buscar o legendário reino de Eldorado. Ao longo da penosa travessia, Ursúa provocou a aversão dos soldados poir seu despotismo e arbitrariedade. Em janeiro de 1561, Aguirre liderou um motim que resultou na morte de Ursúa. O capitão Fernando de Guzmán foi proclamado príncipe do Peru, Terra Firme e Chile, mas em maio também foi assassinado. Aguirre fez-se proclamar general e conduziu os homens até a embocadura do Amazonas, como vinte anos antes fizera Francisco de Orellana.

A expedição, cujo primeiro objetivo fracassara, voltou-se para a luta contra a coroa e o ataque ao poder do vice-reino. Aguirre dirigiu-se à Venezuela e, além de saquear a ilha Margarita, escreveu a Filipe II, negando a legitimidade do poder do rei na América. As autoridades prometeram o perdão a todos que depusessem as armas. No caminho até o Peru, Aguirre comportou-se de forma cada vez mais cruel e violenta. Foi responsável pela morte de muitas pessoas, entre as quais mulheres, sacerdotes e até sua filha, que o acompanhava na viagem e se dispunha a entregar-se, em troca do perdão oferecido.

Ao chegarem a Barquisimeto, Venezuela, a deserção generalizou-se. Em 22 de outubro de 1561, um dos subordinados de Aguirre o matou, descarregando sobre ele seu arcabuz.

Contemporaneamente, sua figura despertou a atenção de escritores como o espanhol Ramón María del Valle-Inclán, que narra sua morte em Tirano Banderas, e de cineastas como o alemão Werner Herzog (Aguirre, a cólera dos deuses) e o espanhol Carlos Saura (El Dorado).

Abd al-Rahman IIIAbd al-Rahman III

O fundador do califado omíada de Córdoba foi um hábil estrategista que conseguiu submeter a seu poder toda a Espanha muçulmana, além de deter o avanço dos reinos cristãos.

Abd al-Rahman III nasceu no ano 891. Ao suceder ao avô, Abdala, no cargo de emir de Córdoba, recebeu um reino fragmentado em províncias com alto grau de autonomia. O emirado se achava ameaçado também pelos poderosos reinos cristãos, especialmente o de Leão, e pelo expansionismo do califado fatímida egípcio.

Ao iniciar seu reinado, Abd al-Rahman III tomou uma iniciativa audaciosa. Exigiu a submissão absoluta de todos os súditos, em troca do perdão para os que acatassem sua soberania, e ameaçou os rebeldes com severos castigos. Em poucos anos, conseguiu o domínio de quase todo o território do emirado andaluz, embora tenham persistido focos de resistência em algumas províncias, como o que foi liderado por Omar ibn Hafsun, em Granada e Jaén. Ibn Hafsun morreu em 917, mas sua fortaleza de Bobastro permaneceu independente até 928. No ano seguinte, Abd al-Rahman III proclamou-se califa, título que aliava a autoridade política à religiosa. Em 933, a conquista de Toledo consolidou o poder cordobês.

A pujança do califado foi pouco afetada pela derrota sofrida por Abd al-Rahman III em Simancas, no ano 939, para Ramiro II de Leão, e Córdoba prevaleceu sobre os reinados cristãos.

Sob o governo de Abd al-Rahman III, Córdoba viveu seu período de maior esplendor. A cidade foi embelezada com a ampliação da mesquita e a construção do alcáçar, bem como da cidade palaciana de Medina Azahara. O califado conquistou um extraordinário poder político e militar, comparável ao dos impérios germânico e bizantino.

Abd al-Rahman III morreu em 961, deixando como herança à Espanha muçulmana uma economia próspera, intensa atividade cultural e uma comunidade fraterna, na qual conviveram mouros, judeus e cristãos.

Afonso X o SábioAfonso X o Sábio

Afonso X de Castela e Leão, primogênito de Fernando III e da princesa germânica Beatriz de Suábia, nasceu em Burgos em 23 de novembro de 1221. Aos 23 anos, obedecendo a motivações políticas, contraiu matrimônio com Violante de Aragão, e, em 1252, após a morte do pai, subiu ao trono. Entre seus dez filhos, tiveram particular importância histórica o primeiro, Fernando, cuja morte ocasionou lutas armadas por questões sucessórias, e o segundo, que sucederia ao pai no trono com o nome de Sancho IV.

Não é na história política e militar da Idade Média  que se devem buscar as marcas deixadas por Afonso X, e sim no terreno do saber, no qual ele desempenhou um papel decisivo dentro da evolução cultural europeia.

As únicas contribuições bélicas de importância que seu reinado deu à Reconquista foram a campanha de Niebla, cidade tomada pelo monarca em 1262, e as de Jerez, Medina-Sidonia, Lebrija e Cádiz. Tampouco em sua ação política interna lhe sorriu a fortuna: para sufocar o levante mudéjar em Múrcia e na zona cristã da Andaluzia, viu-se forçado a chamar em seu auxílio o rei aragonês Jaime I, seu sogro. Na realidade, grande parte das dificuldades do reinado de Afonso X se deveu a seu intento de reforçar a autoridade real, o que lhe acarretou numerosos choques com os nobres, e ao tempo perdido com suas pretensões frustradas ao trono imperial germânico (ao qual podia aspirar pela linha materna).

A extraordinária obra cultural e científica de Afonso X o Sábio teve três consequências transcendentais: com ela se estabeleceram os alicerces da língua castelhana, criou-se um vínculo entre a Europa medieval e a cultura árabe, e pela primeira vez se considerou a história de uma perspectiva moderna. Afonso X reuniu -- em Toledo, Sevilha e Múrcia -- os mais destacados cientistas árabes, judeus e cristãos da época, e impulsionou a célebre escola de tradutores na primeira dessas cidades. Sua obra em prosa, embora de realização coletiva, foi em sua gênese absolutamente pessoal, e pode assim classificar-se: livros históricos -- Primera crónica general (história da Espanha), Gran e general estória (história universal); jurídicos --  Siete partidas (código legal baseado no direito romano e na tradição castelhana) e Foro real; científicos -- Lapidario (descrição e análise de meio milhar de gemas, metais e substâncias), Libros del saber de astronomia (com suas tábuas ditas "afonsinas", mandadas compilar pelo monarca, tratados, resumos e traduções que sintetizavam o saber astronômico da época); recreativos -- Libros de ajedrez, damas e tablas, Libros de cabalos e Calila e Dimna (fabulário). No que se refere a sua obra poética, destacam-se as Cantigas de santa Maria, um dos pontos altos da lírica espanhola (420 composições), e as Cantigas de escarnio. As duas últimas obras foram escritas em galaico-português, a língua utilizada na corte para a expressão poética.

Os últimos anos de Afonso X foram dedicados a resolver a questão sucessória. Afonso de la Cerda, filho do primogênito falecido, e o infante Sancho disputaram o trono. Foi o segundo que conseguiu ser declarado herdeiro da coroa, opondo-se além disso a estabelecer um reino em Jaén para seu sobrinho e oponente, como desejava o rei. Isso provocou a guerra entre pai e filho. O monarca só contou com o apoio de Múrcia e Sevilha, cidade onde morreu, em 4 de abril de 1284.

Adolfo Suárez Adolfo Suárez 

Adolfo Suárez González nasceu em Cebreros, Ávila, Espanha, em 25 de setembro de 1932. Sua mãe pertencia a uma tradicional família de Cebreros, influente na política. Aos 16 anos, ele ingressou na Universidade de Salamanca, onde se graduou em direito. Posteriormente doutorou-se na Universidade de Madri e ingressou na carreira política como partidário do Movimento Nacional, braço político do regime de Francisco Franco. Suárez foi governador civil de Segóvia, em 1968, e um ano depois tornou-se diretor de radiodifusão e televisão. Em 1975 assumiu a Secretaria Geral do Movimento Nacional, organismo de nível ministerial. No mesmo ano, fundou e presidiu uma associação política reformista inscrita no mesmo Movimento Nacional, a União do Povo Espanhol, e em 1976 defendeu no Parlamento a nova lei que legalizava partidos políticos.

O processo de restabelecimento da democracia na Espanha, depois da morte do general Francisco Franco, teve em Adolfo Suárez umas de suas principais personalidades.

Após a morte de Franco, o fracasso da tímida reforma empreendida por Carlos Arias Navarro fez com que o rei Juan Carlos I encarregasse Suárez da formação de novo governo em 1976. Apesar das controvérsias que seu passado político despertava, o parlamentar assumiu o caminho da democratização, legalizou os partidos socialista e comunista e convocou as primeiras eleições livres no país desde 1936. Suárez formou então um partido de perfil liberal, a União de Centro Democrático (UCD). Com a vitória dessa organização nas eleições de 1977, foi nomeado chefe de governo. Eleito também presidente da UCD, submeteu a nova constituição a um plebiscito e em 1979 convocou novas eleições, que seu partido ganhou com maioria simples.

ZoelasAnte as tensões sociais surgidas no país, Suárez demitiu-se em janeiro de 1981 tanto da chefia do governo quanto do partido. A cerimônia de transmissão de poderes a seu sucessor, Leopoldo Calvo Sotelo, foi aproveitada para uma frustrada tentativa de golpe de estado, em 23 de fevereiro daquele ano. Adolfo Suárez González, a quem o rei concedeu o título de duque, abandonou afinal a UCD e fundou em 1982 um novo partido, o Centro Democrático e Social.

Zoelas


Os zoelas (em latim, ZOELAE) era um povo pré-romano mencionado por Estrabão que habitava as serras da Nogueira, Sanabria e Culebra até aos montes de Mogadouro no norte de Portugal e Espanha.

Os zoelas estão também referidos em aras encontradas em Bragança no Castro de Avelãs, este povo deixou-nos estelas funerárias decoradas com suásticas circulares, simbolizando o sol, e com desenhos de animais como o porco e o veado. Os zoelas são de origem desconhecida, não sabendo se eram autoctones ou celtas. Muitos autores consideram os zoelas como uma das mais antigas etnias da Península Ibérica.
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