Varíola

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Varíola

VaríolaVaríola é uma doença infectocontagiosa provocada por um agente virótico da família dos poxvírus. Letal em cerca de trinta por cento dos casos, determina complicações em diferentes órgãos e tecidos do corpo. Descrita na China em 1122 a.C., a doença é mencionada também em antigos textos indianos em sânscrito. A cabeça mumificada do faraó egípcio Ramsés V, morto por volta de 1156 a.C., apresenta evidências da infecção. No Brasil, a varíola é conhecida também como bexiga e, em sua forma mais branda, como alastrim.

A possibilidade de usar uma única vacina contra todas as formas clínicas da varíola encorajou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a tentar a erradicação total da doença em todo o mundo. Aparentemente, o projeto foi bem-sucedido: aos dois milhões de mortos por varíola em 1967, contrapôs-se a marca de nenhum caso registrado entre 1977 e 1980.

O primeiro sintoma é a febre súbita, acompanhada de mal-estar, prostração, dores de cabeça, no abdome e na coluna vertebral. Cerca de dois dias depois, surgem erupções que caracterizam o período de contágio e que passam sucessivamente pelos estágios de mácula, pápula, vesícula e pústula, com formação de crostas que secam e finalmente se destacam ao término da terceira semana. A distribuição da erupção é importante para o diagnóstico clínico: comumente simétrica e generalizada, é mais extensa nas áreas irritadas, proeminências e superfícies extensoras do que nas áreas protegidas, depressões e superfícies flexoras. Aparece primeiro e é mais ativa na face, depois nos antebraços e nos punhos. É mais abundante nos membros do que no tronco; e nos ombros e no peito, do que no dorso e no abdome.

Manifestações mais brandas podem ocorrer em indivíduos vacinados cuja imunidade esteja declinando. Às vezes, as lesões são tão esparsas que passam despercebidas. Mais raramente, são precedidas por outras manifestações cutâneas, como manchas vermelhas. A ocorrência de pontos hemorrágicos subcutâneos indica infecção severa, em geral fatal.

A transmissão se verifica por contato direto com o paciente, ou por seu hálito, a curtas distâncias. O poxvírus é muito resistente, tendo sido relatada sua sobrevivência em algodão por 18 meses. Todas as peças de tecido em contato com o doente podem, portanto, ser agentes de contaminação. Mesmo assim, a varíola não é considerada altamente infecciosa: geralmente um paciente infecta no máximo uma ou duas pessoas muito próximas. O risco de contágio é maior nas formas brandas da doença, cujos portadores, em geral vacinados, podem inadvertidamente disseminá-la em suas formas letais. Para evitá-lo, é necessário manter em observação todos os que tiverem contato direto com um doente, até ter certeza de que não se contaminaram, e isolá-los ao primeiro sinal de infecção.

A vacinação antivariólica protege também contra doenças assemelhadas, como a varicela. A partir do final da década de 1970, a vacinação de rotina foi interrompida em inúmeros países. O vírus da varíola é mantido em apenas quatro laboratórios, em todo o mundo, para a eventualidade de que seja necessário retomar a fabricação da vacina.

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