China, Aspectos Gerais da China

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China, Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da China

China - Aspectos Geográficos e Sociais da China

Geografia: Área: 9.572.900 km²*. Hora local: +11h. Clima: de montanha (O e SO), árido frio (N, NO e centro), de monção (litoral S). Capital: Pequim. Cidades: Xangai (aglomeração urbana: 12.887.000 em 2000. cidade: 9.537.000). Pequim (Beijing) (aglomeração urbana: 10.839.000 em 2000. cidade: 7.336.000). Tianjin (9.156.000), Wuhan (5.169.000), Chongqing (4.900.000), Shenyang (4.828.000), Guangzou (Cantão) (3.893.000) (aglomerações urbanas) (2016).

População: 1.400 bilhão (2016); nacionalidade: chinesa; composição: chineses han 92%, grupos étnicos minoritários 7,5% (chuans, manchus, uigures, huis, yis, duias, tibetanos, mongóis, miaos, puyis, dongues, iaos, coreanos, bais, hanis, cazaques, dais, lis), outros 0,5%. Idiomas: mandarim (oficial), dialetos regionais (principais: min, vu, cantonês). Religião: sem religião 42,2%, crenças populares chinesas 28,5%, budismo 8,4%, ateísmo 8,1%, cristianismo 7,1% (independentes 6,4%, outros 0,7%), crenças tradicionais 4,3%, islamismo 1,5% - dupla filiação 0,1%.

China - Aspectos Geográficos e Sociais da ChinaRelações Exteriores: Organizações: Apec, Banco Mundial, FMI, OMC, ONU. Embaixada: Tel. (61) 346-4436, fax (61) 346-3299 – Brasília (DF); site na internet: www.embchina.org.br.

Governo: Regime de partido único (PCCh) e um órgão supremo (Congresso Nacional do Povo). Div. administrativa: 22 províncias, 5 regiões autônomas (inclui Tibet), 2 regiões administrativas especiais (Hong Kong e Macau) e 4 municipalidades. Presidente: Hu Jintao (desde 2003). Primeiro-ministro: Wen Jiabao (desde 2003). Partido: Comunista Chinês (PCCh) (único legal). Legislativo: unicameral – Congresso Nacional do Povo, com 2.916 membros. Constituição: 1982.
*Exclui Hong Kong e Macau

Pequim ou Beijing
Pequim ou Beijing
A China combina, desde os anos 1970, uma rápida liberalização econômica, concentrada em Zonas Econômicas Especiais, com a hegemonia do Estado na produção. A estratégia do Partido Comunista Chinês (PCCh) é atrair investimentos estrangeiros para as cidades exportadoras do litoral oferecendo mão-de-obra barata. Isso resulta em crescimento e na invasão de produtos chineses pelo mundo. Na esfera política, prossegue o regime fechado de partido único, que realizou em 2003 apenas sua quarta troca de liderança desde a revolução chinesa, em 1949. O país é criticado por violação constante aos direitos humanos. Nação mais populosa do planeta e a terceira maior em extensão territorial, a China apresenta grandes variações climáticas. No oeste fica a cordilheira do Himalaia. No leste predominam planícies, utilizadas para a agricultura. As diferenças de altitude garantem enorme potencial hidrelétrico. Com uma cultura milenar, o país é berço do confucionismo, do taoismo e de vertentes do budismo.

História da China

A civilização chinesa surge por volta de 2000 a.C., nas margens do rio Azul (Yang-tsé). Torna-se um vasto império no século II a.C., época em que se inicia a construção da Grande Muralha. Mantém contato com o Ocidente apenas depois do século XIII, por intermédio de mercadores, como o veneziano Marco Polo. No século XVI chegam os portugueses, que fundam Macau.

Domínio ocidental - A partir do século XIX, a influência ocidental causa grande impacto sobre o Império Chinês. Em 1820, os britânicos obtêm exclusividade de comércio no porto de Cantão. Interesses comerciais opõem China e Reino Unido e levam-nos às duas Guerras do Ópio (1839/1842, 1856/1860). Vitoriosos, os britânicos garantem o monopólio do comércio da droga, a abertura de cinco portos chineses ao Ocidente e a posse de Hong Kong. Em 1844, os Estados Unidos (EUA) e a França conquistam privilégios comerciais. A Rússia ocupa, em 1858, territórios no norte. Em 1885, a China cede o Anã (Vietnã) à França e, dez anos depois, perde a península da Coreia e Taiwan (Formosa) para o Japão. A submissão da dinastia manchu à intervenção externa provoca, entre 1898 e 1900, a Guerra dos Boxers, revolta dos nacionalistas contra estrangeiros e missionários cristãos. A rebelião é sufocada com a ajuda de tropas ocidentais e japonesas.

Fim do império - Em 1908, o médico Sun Yat-sen funda o Partido Nacionalista (Kuomintang), em oposição à monarquia e à hegemonia estrangeira. Apoiado por militares, é proclamado presidente provisório em 1911, mas a república não consegue estabelecer-se em todo o país, que entra em longo período de guerra civil.A morte de Sun Yat-sen, em 1925, provoca luta pelo poder no Kuomintang. A facção vitoriosa, liderada por Chiang Kai-shek, une-se ao Partido Comunista Chinês (PCCh) – fundado em 1921 – contra os senhores feudais do norte do país. A aliança dura até 1927, quando uma insurreição operária em Xangai é reprimida com violência pelo Kuomintang. Os comunistas, liderados por Mao Tsé-tung, são colocados na clandestinidade.Debilitada, a China não resiste ao Japão, que, em 1931, invade a Manchúria. Para escapar ao cerco do Kuomintang, 90 mil comunistas, liderados por Mao, deslocam-se 9 mil quilômetros rumo ao norte. É a Grande Marcha (1934/1935), que dá prestígio e dimensão quase mítica aos comunistas.

Comunismo - Diante do avanço japonês, o Kuomintang e o PCCh fazem nova aliança em 1936. Com a rendição do Japão, no fim da II Guerra Mundial, recomeçam os combates entre comunistas e nacionalistas. Em outubro de 1949, os comunistas proclamam a República Popular da China, com Mao Tsé-tung como dirigente supremo. Chiang Kai-shek foge para Taiwan (Formosa), onde instala a República da China. A China continental é reorganizada nos moldes comunistas, com coletivização das terras, nacionalização das empresas estrangeiras e controle estatal da economia. Em 1950, a China assina tratado de amizade com a União Soviética (URSS). No mesmo ano ocupa e anexa o Tibet.Após a morte do ditador soviético Josef Stálin, em 1953, Mao enfatiza sua autonomia em relação à URSS. Em 1956 lança a Campanha das Cem Flores, para estimular críticas da população à burocracia partidária. Quando essas críticas ultrapassam limites considerados toleráveis, o regime reage com a Campanha Antidireitista. Milhares de intelectuais são perseguidos, presos e mortos. Em seguida, Mao lança outra campanha: o Grande Salto para a Frente (1958/1960), que pretendia transformar rapidamente a China em nação desenvolvida e igualitária. Os camponeses são obrigados a se juntar em gigantescas comunas agrícolas. Siderúrgicas improvisadas são instaladas por toda a parte. O "salto" leva à total desorganização econômica. Milhares de camponeses morrem de fome.

Revolução Cultural - A cúpula do PCCh afasta Mao da condução dos assuntos internos. Outros veteranos da revolução, como Liu Shaoqi e Deng Xiaoping, assumem as decisões do dia-a-dia. Mao continua a chefiar a política externa. Crescem as críticas à URSS, que reage e suspende a ajuda econômica e militar, em 1960.Em 1966, Mao lança uma ofensiva para voltar ao poder: a Grande Revolução Cultural Proletária. A população – em especial a juventude – é instigada a se rebelar contra as autoridades, acusadas de burocratização. Cerca de 20 milhões de estudantes formam as Guardas Vermelhas, que fazem perseguições em enorme escala. Mas o pacto com as guardas acaba em 1969, quando Mao usa o Exército para liquidar seus aliados, agora acusados de extremismo. Aos poucos, a ala reformista do PCCh reconquista posições e, após a morte de Mao, em 1976, assume o poder.

Reformas econômicas - Com Deng Xiaoping à frente do governo, o país adota a política das Quatro Grandes Modernizações (da indústria, da agricultura, da ciência e tecnologia e das Forças Armadas). São criadas Zonas Econômicas Especiais, abertas a investimentos estrangeiros, e incentiva-se a propriedade privada no campo. O modelo propicia grande crescimento econômico à China a partir de 1978.

Massacre da praça da Paz Celestial - A abertura na economia estimula reivindicações por democracia. Em 1986, Hu Yaobang, secretário-geral do partido desde 1982, é acusado de "desvios liberais" e substituído por Zhao Ziyang. A morte de Hu, em abril de 1989, desencadeia onda de protestos.Os estudantes exigem a reintegração póstuma de Hu ao partido. Em maio, centenas de milhares de estudantes fazem manifestações contra a corrupção e exigem abertura política. Os jovens reúnem-se na praça da Paz Celestial, em Pequim, onde estão instalados os principais órgãos do poder. Em junho, o Exército abre fogo contra os estudantes. A imprensa estrangeira estima entre 2 mil e 5 mil o número de mortos. Ascensão de Jiang Zemin Deng Xiaoping morre em 1997, aos 92 anos. Seu sucessor, Jiang Zemin, mantém a política de reformas econômicas. Nesse mesmo ano, o PCCh rompe um princípio básico do comunismo, a propriedade estatal dos meios de produção, e anuncia gigantesco programa de privatizações. Ao mesmo tempo, o PCCh reforça o controle político sobre o país. O governo reprime duramente a seita religiosa Falun Gong. Receoso de que sua popularidade enfraqueça o PCCh, bane a seita em 1999 e prende milhares de fiéis.

Censo divulgado em 2001 mostra que a população chinesa cresce menos do que se previa. Para Pequim, isso demonstra a eficácia do projeto de um só filho por casal, adotado no início dos anos 1980. OMC Após 15 anos de negociações, a China torna-se membro da Organização Mundial do Comércio (OMC), em dezembro de 2001. Com isso, o país tem de abrir seu mercado às importações e permitir a entrada do capital estrangeiro em setores antes protegidos, como bancos e telecomunicações. Em troca, amplia o acesso dos produtos chineses ao mercado mundial.

Nova geração no poder - No 16º Congresso do PCCh, em 2002, o vice-presidente, Hu Jintao, é conduzido à chefia do partido. Em março de 2003 é eleito presidente do país pelo 10º Congresso Nacional do Povo. O ex-presidente Zemin mantém-se chefe do Comitê Militar. Wen Jiabao substitui Zhu Rongji como primeiro-ministro. Os objetivos declarados para os próximos cinco anos da "quarta geração de líderes revolucionários", depois de Mao, Deng e Zemin, são manter a estabilidade, priorizar a diplomacia "pragmática" e atrair os empresários para o partido. A meta é quadruplicar o Produto Interno Bruto até 2020.

Sars - Em abril de 2003, milhares de pessoas são postas em quarentena em Pequim por causa do surgimento da epidemia da síndrome respiratória aguda severa (sars). Organizações internacionais criticam a China por falta de transparência nas informações sobre a doença. Em agosto, o governo chinês dá como encerrada a epidemia, que contagiou 5,3 mil pessoas e matou 349 no país. Em outubro, a China torna-se o terceiro país a lançar uma missão espacial tripulada. O foguete Grande Marcha 2F dá 14 voltas em torno da Terra. Megabarragem Em setembro de 2004, o presidente chinês, Hu Jintao, amplia seus poderes, assumindo a chefia do Comitê Militar e afastando o ex-presidente Zemin. Em outubro, entra em operação o primeiro grupo de geradores da megabarragem de Três Gargantas, no rio Azul (Yang Tsé), com 22 comportas e uma represa que terá 600 quilômetros de extensão quando concluída. A barragem será a maior do mundo.

América Latina - Em novembro, o presidente Hu Jintao visita diversos países da América Latina, entre eles o Brasil, com o qual firma acordos comerciais. O governo brasileiro reconhece a China como "economia de mercado", condição que fornece maior competitividade econômica ao país asiático.

Regiões Administrativas Especiais da China

Hong Kong - O protetorado volta à soberania da China em 1º de julho de 1997, com status de Região Administrativa Especial, após 156 anos de domínio britânico. Com a transferência – é um dos maiores mercados financeiros do mundo e possui o porto mais movimentado da Ásia –, a China amplia seu poderio econômico. A devolução segue o lema "um país, dois sistemas" (comunista e capitalista). Hong Kong deverá manter, pelo menos até 2047, seu sistema econômico e autonomia administrativa. A China responderá pela política externa e pela defesa.

Controle britânico - A ilha de Hong Kong foi cedida ao Reino Unido em 1842, com a derrota chinesa na I Guerra do Ópio. A península de Kowloon passa para o controle da Grã-Bretanha em 1860, e os Novos Territórios são arrendados em 1898. Nos anos 1960, Hong Kong elimina impostos, taxas e encargos sociais para atrair investimentos externos.

Reintegração à China - Em 1997, o empresário Tung Chee-Hwa é escolhido chefe do Executivo pelo governo chinês, como prevê a lei. Em 2002 obtém novo mandato. No mesmo ano, o anúncio de um projeto de lei anti-subversão, que amplia o poder do Executivo, atrai críticas dentro e fora de Hong Kong. Os protestos culminam com uma manifestação, em julho de 2003, que reúne 500 mil pessoas. Em setembro, Tung susta a tramitação do projeto.

Eleições - Em novembro de 2003, na eleição para os conselhos distritais, o oposicionista Partido Democrático (DP) consegue importante resultado, conquistando 93 dos 120 bairros em que disputa. Estavam em jogo 326 cadeiras por eleição direta, enquanto 102 são ocupadas por indicação de Tung Chee-Hua. No mesmo mês, é derrotada, por pequena margem (21 votos contra 19), a moção apresentada no Conselho Legislativo de Hong Kong por James To (DP), prevendo a instauração da democracia na ilha. Em abril de 2004, o Parlamento chinês derrota a proposta de instaurar instituições democráticas em Hong Kong, vetando particularmente a eleição direta para o chefe do Executivo local em 2007 e para todos os 60 membros do Conselho Legislativo (apenas metade é eleita diretamente) em 2008. Em setembro, os partidos pró-democracia elegem 18 deputados, contra 12 dos partidos pró-Pequim, nas 30 cadeiras eleitas diretamente para o Legislativo de Hong Kong. Mas, no resultado final (incluindo as 30 vagas preenchidas por escolha indireta), o governo chinês obtém 34 deputados, contra 25 da oposição e um independente.

Macau - O território está encravado no sudeste chinês e inclui a península de mesmo nome e as ilhas de Taipa e Colôane. Com população de maioria chinesa, vive do jogo e do turismo.

Controle português - Em 1557, Portugal estabelece um entreposto comercial na região, que, em 1951, se torna província ultramarina. Em 1986, portugueses e chineses chegam a um acordo para a devolução. Macau torna-se Região Administrativa Especial com autonomia exceto nos assuntos de defesa e política externa. O status será mantido por 50 anos.

Devolução - O chefe do Executivo da região, o banqueiro Edmund Ho, é nomeado em maio de 1999. Em dezembro, Macau é transferido pacificamente para a China.

A China procura reforçar domínio sobre o Tibet

Localizado no centro-leste da Ásia, o Tibet é uma região de tradição budista. A prática religiosa aliada à submissão e à autoridade suprema do dalai lama sela a identidade do povo tibetano, que nunca aceitou a ocupação chinesa, ocorrida em 1950. Uma rebelião liderada por monges budistas, em 1959, é esmagada pelas tropas da China, forçando ao exílio o líder espiritual tibetano, o 14º dalai lama, Tenzin Gyatso. Ele se refugia em Dharmsala, no norte da Índia. A causa da independência do Tibet ganha força no Ocidente após a concessão do Prêmio Nobel da Paz a Gyatso, em 1989. Apesar dos protestos internacionais, a China continua a punir severamente os militantes pela independência do Tibet.

Opressão - Nas primeiras décadas da ocupação, o governo comunista destrói a maioria dos monastérios da região e toma medidas para suprimir a identidade e a religião do povo tibetano. Uma é romper a unidade político-territorial, incorporando a porção leste a províncias chinesas. Outra é estimular a emigração de chineses han para o Tibet, de forma a diluir a cultura local. Estima-se que o número de chineses supere o de tibetanos na região. Ferrovia no teto do mundo Megaempreendimentos estão em andamento com o objetivo de desenvolver economicamente o Tibet, uma das áreas mais atrasadas do país, e tentar conquistar a simpatia dos tibetanos. A principal iniciativa é a construção da monumental ferrovia que ligará Lhasa, a capital tibetana, à cidade chinesa de Golmud, em Qin Ghai, a 1.140 quilômetros de distância.

China supera Japão como segunda economia mundial

O PIB do Japão, em termos nominais, tem o PIB de 5,48 bilhões dólares, segundo as estatísticas publicadas em Tóquio. Na mesma comunicação, o governo japonês salientou que o PIB da China atingiu o equivalente a 5,95 bilhões de dólares. Com estes resultados, a economia chinesa ultrapassou a do do Japão em 2010 e tornou-se na segunda economia do Mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. O Japão ocupava o segundo lugar desde 1968. A China consegue há anos uma taxa de crescimento que se aproxima ou ultrapassa os 10%. O PIB chinês aumentou 10,3% em 2010.

Duramente atingida pela recessão econômica mundial em 2008 e 2009, a economia do Japão recuperou em 2010, com o seu crescimento ao  atingir os 3,9%, mas isso não foi suficiente para impedisse que a China ocupasse o posto de segunda maior economia do planeta.
Arte Chinesa

Arte Chinesa

Nas últimas décadas do século XX, arqueólogos chineses empreenderam importantes escavações em diferentes partes da China, das quais resultou a descoberta de grande número de peças artísticas da época neolítica. Nelas já se manifestam o equilíbrio da energia criadora e do refinamento técnico, características permanentes da arte chinesa, que floresceu sobretudo nas épocas de influência de sistemas religiosos como o taoismo, o budismo e o zen-budismo.

As características da cultura chinesa na pré-história são uma vida social organizada ritualisticamente em torno da agricultura e a preocupação com o destino do homem após a morte. A forma arcaica do grupo familiar, inerente à civilização patriarcal que se desenvolveu, persistiu durante séculos. Um dos valores fundamentais do grupo familiar era o culto aos ancestrais, responsável pela vigência de arraigado tradicionalismo. Esse apego ao passado produziria uma cultura una e harmônica, traduzida em manifestações artísticas das quais está ausente o individualismo característico da arte ocidental, mas cercearia a criação, dificultando ou impedindo o surgimento de novas ideias artísticas.

No século VI a.C., Confúcio estabeleceu as normas básicas do intrincado código ético-social que desde então passaria a reger todos os aspectos da vida cotidiana, com ênfase no amor à tradição. A arte chinesa, estreitamente ligada ao passado e presa à concepção confuciana, segundo a qual as manifestações artísticas devem servir à sociedade para fins didáticos e morais, só não se estiolou num formalismo estéril graças à força dos grandes sistemas religiosos, como o taoismo, o budismo e o zen- budismo.

É significativo que as grandes épocas de florescimento das artes correspondam, na China, a momentos de grande efervescência religiosa. Assim, a arte que se produziu sob a dinastia Tang (618-907) desenvolveu-se quando o budismo se impõs a todo o país, enquanto a da dinastia Song (960-1279) muito deve ao zen-budismo, então em plena expansão. Outros períodos de auge da arte chinesa se verificaram sob as dinastias Yuan (1280-1368), Ming (1368-1644) e Qing (Tsing) (1644-1912). Inversamente, os anos de predomínio do confucionismo e de declínio da influência religiosa são épocas de menor relevo no que respeita às artes.

Escultura

A partir da introdução do budismo, evidencia-se na escultura chinesa a assimilação da arte indiana. Da tradição puramente autóctone subsistem belos exemplares como as esculturas monumentais do período Han (206 a.C.-220 da era Cristã), representando cavalos, búfalos e leões de granito, que reapareceriam com frequência no futuro.

A evolução da escultura de inspiração budista, que surgiu no século IV, pode ser estudada a partir da iconografia dos templos rupestres situados em Yungang (Yün-kang). De inspiração indiana, tais esculturas cedo seriam adaptadas ao gosto chinês. Nelas fundem-se as formas redondas de influência indiana e os expressivos ritmos lineares, típicos do espírito chinês. O sensualismo comumente associado à escultura indiana desaparece na chinesa, voltada para o espiritual e muito mais sutil. Exemplo característico é a transformação de um dos bodhisattva em divindade feminina, Kuanyin, curiosamente semelhante à Madona cristã.

O material dos escultores do período Tang é a pedra, trabalhada em alto-relevo ou cortada na própria rocha das cavernas. Ocasionalmente, as estátuas do Buda alcançam altura descomunal. Mais comuns são os nichos abertos na pedra, com cinco figuras -- o Buda ao centro, ladeado por um bodhisattva e seguidores -- e os monstros guardiães postados à entrada dos templos. Traço característico da escultura Tang é seu naturalismo, observável tanto em figuras monumentais, como os cavalos de pedra do túmulo do imperador Li Shimin (Li Shih-min) quanto nas pequenas figuras em bronze, terracota ou cerâmica, que retratam personagens da vida cotidiana.

As grandes obras de arte budista na arquitetura, escultura e pintura dos séculos VII e VIII foram destruídas durante as perseguições que marcaram a história do budismo na China. Tudo o que restou da arte de então encontra-se, na atualidade, na vila de Nara, no Japão.

O declínio do budismo encerra o capítulo mais belo da escultura chinesa. Após o período Tang, a história da escultura na China não registra momentos semelhantes de brilho e vigor, embora casos isolados tenham surgido e continuassem atuando muitas escolas regionais, sobretudo nos séculos X e XI (dinastia Liao do norte). As melhores esculturas após o período Tang são as numerosas imagens em madeira, a maioria oriunda da província de Shanxi (Chansi), datada dos períodos Song e Yuan. Em fins do século XIV, tais imagens já tinham se transformado em clichês.

Quanto às esculturas Ming e Qing, tanto de inspiração budista quanto taoista, existem em quantidade, mas em geral seu nível não é elevado. Destacam-se certos retratos votivos e figuras de heróis populares eivados de vivo realismo.

Pintura

Antes do budismo, existia uma tradição puramente autóctone da paisagem, aliada à caligrafia e à linguagem do pincel. Por volta do terceiro milênio antes da era cristã, os chineses desenvolveram um sistema de escrita peculiar, a partir de pictogramas, grafada com auxílio de pena ou pincel e caracterizada pelo ritmo e a beleza, tanto ou mais que pelo significado. A pintura chinesa é o desenvolvimento de tal sistema de escrita. Os principais pintores chineses foram também grandes calígrafos, quando não notáveis poetas, pensadores ou sacerdotes. A arte sutil e expressiva da caligrafia, que floresceu como expressão artística independente ao fim do período Han, exerceu influência considerável na evolução da tradição da pintura chinesa, sobretudo no curso dos três séculos que se seguiram à queda dos Han.

A pintura chinesa nada tem em comum com a ocidental. Assim, inexiste uma pintura de cavalete e suportes como tela ou madeira: o artista utiliza exclusivamente seda ou papel e preserva suas obras em rolos, só de tempos em tempos admirados por seus possuidores. É bem verdade que o afresco foi praticado em larga escala, já em tempos da dinastia Han e, sobretudo, a partir da introdução do budismo, mas praticamente nada sobreviveu dessa técnica, cujos melhores exemplos acham-se descritos em fontes literárias e da qual alguns murais antigos preservados no Japão (como os murais do século VII que se acham no salão dourado de Nara) proporcionam uma vaga ideia.

Como a escultura, a pintura budista dos Tang deve ter combinado elementos autóctones com outros estrangeiros. Não subsiste na China nenhuma obra que reflita a fusão, sob os Tang, da arte indiana com a tradicional linguagem chinesa do pincel. Os tratados sobre pintura citam inúmeros artistas célebres com suas respectivas obras, todas depois destruídas.

De acordo com as fontes literárias, foi durante a época Tang que a pintura chinesa enfrentou e resolveu alguns problemas surgidos na época das Seis Dinastias (221-589), relacionados ao espaço e à representação em profundidade. Os grandes inovadores do período foram Sseu-hiun (Li Ssu-hsün) e Wang Wei (Wang Mo-ch'i), considerados pela tradição como fundadores das escolas do norte e do sul, respectivamente. O último florescimento da pintura Tang deu-se no Japão, durante o período Fujiwara (897-1185).

O período Song (960-1279) foi um dos grandes momentos da história da arte chinesa, espécie de renascimento artístico traduzido em grandes afrescos sacros, pinturas em seda, representando figuras humanas ou animais, cenas campestres etc. A união com a natureza, princípio da doutrina zen, expressou-se na pintura de paisagens. Tema predileto dos pintores da época é a figura isolada de um ser humano imerso em contemplação, ante uma paisagem que ocupa praticamente todo o espaço pictórico. Um dos grandes nomes da pintura na época é o de Ma Yüan, um dos criadores da chamada escola Maxia (Ma-hsia). Também no caso da pintura Song, seu último período transcorreria no Japão, com a obra do monge zen Sesshu (1420-1506).

Os pintores do período Yuan foram responsáveis por uma verdadeira revolução, que libertou sua arte das convenções observadas pelos Song do sul. Assim, os elementos intelectuais e literários ganharam destaque na pintura de paisagens e tornou-se usual que o pintor acrescentasse a sua obra uma inscrição ou um poema. Mais tarde, seriam acrescentados escritos de amigos e admiradores do autor. A partir de então, os artistas passaram a pintar sobre papel, mais absorvente que a seda e de reação mais rápida ao toque do pincel. A arte da pintura em bambu, que exige precisão e mestria, chegou ao apogeu sob os Yuan.

Durante a dinastia Ming buscou-se revitalizar a pintura de épocas passadas, sem que todavia fossem de novo atingidas a profundidade e a emoção da arte dos períodos Tang e Song. A pintura Ming, de elevado apuro técnico, é não raro fria e destituída de emoção, regida por severo formalismo, a despeito de artistas notáveis como Wang Fu, seu discípulo Xia Chang (Hsia Chang) e, talvez o maior deles, Dong Qichang (Tung Chi-chang). Em fins do século XVII, Matteo Ricci, sacerdote católico e pintor, fundou na China uma escola de belas-artes nos moldes europeus, aos quais se adaptariam artistas como Wu Li e os quatro Wang: Shih-min, Chien, Hui e Yuan-chi (Yüan-chi), além de Yun Shouping (Yun Shou-ping), esses já pertencentes ao período Qing.

Os quase três séculos de hegemonia da dinastia Qing presenciariam o desenvolvimento de numerosas escolas, entre as quais se destacam os Oito Excêntricos de Yangzhou (Yang-tcheou), os Quatro Mestres de Anhui e os Oito Mestres de Nanquim (Nanjing). Ao mesmo tempo, Pequim (Beijing) insistia na tradição acadêmica, produzindo artistas medíocres e só invulgarmente pintores importantes. Equidistantes do academicismo de Pequim e das escolas regionais situam-se os Grandes Individualistas, cada um deles à procura de seu próprio caminho artístico, indiferentes a grupos e modismos. Os maiores pintores individualistas foram Chu Ta (Pa-ta Shan-jen) e, sobretudo, o monge Tao chi (Shih-tao), cuja rejeição à arte tradicional revela-se em seu célebre aforisma: "O método perfeito reside no método de não obedecer a nenhum método."

A maior parte dos pintores modernos lutou, conscientemente ou não, com o problema de integrar a pintura tradicional aos novos costumes. Após a primeira guerra mundial, escolas de arte moderna foram criadas em Pequim, Nanquim e Xangai. Jovens provenientes de Paris trouxeram uma influência pós-impressionista. Por volta de 1925, formou-se em Xangai uma espécie de Montmartre, centro da vida boêmia, à margem das aspirações populares.

Importantes mudanças tiveram lugar depois de 1930. Os artistas e escritores passaram a discutir o papel da arte na sociedade, opondo-se os realistas à arte pela arte e defendendo a união profunda com o povo. Coincidindo com as radicais modificações políticas então em curso no país, as últimas obras dos pintores boêmios e as dos realistas expressam o sentimento da descoberta do povo e da pátria. Surgem desenhos de humor com conteúdo político e obras que tendem a uma forma de simbolismo socialista indireto, mas muito elaborada.

Ao mesmo tempo em que transformava sua vida econômica e social com a construção da República Popular em 1949, segundo os princípios do marxismo,  a China se voltou, como nunca o fizera, para a pesquisa arqueológica e a salvaguarda de seu patrimônio artístico. O estudo e a prática da pintura clássica chinesa passaram a ser encorajados pelo governo e alguns artistas tentaram conciliar a tradição com a procura de uma expressão nova. O culto ao passado veio corrigir a intransigência do realismo dos primeiros anos. A revolução cultural do fim da década de 1960 reativou, porém, o chamado realismo socialista e o caráter propagandístico da arte.

Jades

Intimamente associado à civilização chinesa, o jade -- verde, azul ou amarelo-escuro -- constituía objeto de uma semiveneração. Os jades rituais eram usados em cerimônias de culto, ou enterrados com os mortos. Formas típicas de jades rituais são o disco pi (símbolo do céu) com seu orifício central evocando o Sol e o retângulo tsong (que simboliza a Terra). Nos túmulos dos Shang foram encontradas pequenas esculturas em jade, mas a grande maioria eram objetos decorativos ou rituais, além de armas. Grande refinamento estilístico encontra-se nos jades esculpidos no final do período Zhou (771 a.C.). Os objetos rituais perderam o valor simbólico original e tornaram-se ornamentos. Fizeram-se em jade guarnições de espadas, grampos de cabelo e broches.

Cerâmica

As mais antigas cerâmicas chinesas datam do período neolítico (cerca de 2500 a.C.) e foram descobertas pelo geólogo sueco Gunnar Andersson em Henan (Honan) e Gansu (Kansu). Têm como ornamento motivos simples como o triângulo, o círculo e o ziguezague.

Formas mais tipicamente chinesas surgiram a partir do período Shang (1766-1122 a.C.). Executados em argila fina de cor branca (caulim), os vasos Shang exibem uma decoração em que aparecem motivos geométricos, com máscaras taotie (t'ao-t'ieh, animal mítico) que se destacam em relevo pouco acima da base e de ambos os lados do bojo.

Pouco restou da cerâmica produzida na época turbulenta situada entre o fim do período Han e o início do Tang. Sob essa última dinastia, entretanto, a cerâmica, como todas as demais artes chinesas, fez grandes progressos. O esplendor da arte Tang se avalia mais justamente pela cerâmica, pois muito pouco resta da pintura e praticamente nada da arquitetura desse período, enquanto a escultura, de fundo budista, diz mais das preocupações espirituais da época. As cerâmicas Tang mais conhecidas são, talvez, as figuras funerárias em terracota, algumas de extrema beleza, como as estatuetas de camelos e cavalos. A decoração é simples, à base de esmaltes coloridos, destacando-se o san-tsai tricolor: amarelo-âmbar, verde e azul sobre fundo branco. Mais ou menos à mesma época obteve-se porcelana pura pela primeira vez, fato citado em fontes literárias do século IX.

Sob a dinastia Song iniciou-se uma fase clássica da cerâmica chinesa, caracterizada pelo apuro formal e grande desenvolvimento técnico. Surgiram peças de qualidade soberba, nas quais foram empregados novos tipos de esmalte, como o celadon, de coloração verde-oliva. Os tratados sobre cerâmica escritos na época citam até 24 tipos de cerâmica utilitária então produzidos, exportados para regiões tão afastadas entre si como a Samarra e o Japão.

A cerâmica Yuan segue, em linhas gerais, a Song, talvez com maior rebuscamento. Importante processo técnico é a utilização do azul-cobalto como corante, processo que no futuro viria a ter grande aceitação.

Nova fase importante na história da cerâmica chinesa iniciou-se com a dinastia Ming. Instalou-se uma manufatura imperial na província de Kiangsi (Chiang-hsi), onde havia grandes jazidas de caulim. Produziram-se milhões de peças até o século XIX, algumas de beleza excepcional, logo recolhidas às coleções imperiais. Produto básico da indústria cerâmica Ming é a louça azul e branca, com decoração figurada ou geométrica. Fabricou-se também louça policromada de extremo rigor técnico. A cerâmica Ming, no entanto, considerada como um todo, não apresenta o refinamento nem a elegância da Song.

Excelentes peças destinadas ao palácio imperial surgiram durante o período Qhing. Os gêneros de decoração -- cerca de 58 -- em uso na manufatura imperial em 1729 foram descritos por Tang-ying (T'ang Yin), considerado o maior ceramista chinês do século XVIII. A porcelana atingiu, nessa época, sua máxima perfeição. Surgiram o azul-safira, à base de cobalto, brancos-da-china, vermelhos-sangue-de-boi etc. Destacam-se as cerâmicas policrômicas de decoração pintada: azul e branca, família verde (personagens ou motivos florais sobre fundo branco), família negra (decoração policrômica sobre fundo negro) e família rosa (cores pálidas e esfumadas). Predominam os motivos decorativos bucólicos, idílicos, legendários ou simbólicos. Milhares dessas peças tomaram o caminho da Europa, produzidas em série para o gosto ocidental (louça Companhia das Índias, porcelana tipo exportação). Manifestou-se a partir de então a decadência da cerâmica chinesa, que terminou por se estiolar num frio exercício de formas e técnicas.

Artes decorativas

Os vasos rituais em bronze, utilizados em cerimônias de culto ou comemorações relevantes, constituem importantes elementos das artes decorativas da China. Da época dos Shang conhecem-se pelo menos trinta tipos principais de vasos, de tamanhos que variam entre 10 e 130 centímetros, que é a altura do gigantesco ting quadrado de 680kg de peso desenterrado em Nanyang (Nan-yang), em 1943. Esses objetos classificam-se de acordo com a finalidade a que serviam: vasos para cozinhar alimentos, para servi-los, para servir líquidos ou para abluções rituais. Por sua perfeição técnica, força expressiva e decoração, os bronzes do Shang figuram entre as mais belas peças artísticas das civilizações arcaicas.

O gênio nacional chinês realizou obras de riqueza inexcedível no mobiliário, nas artes do vidro, nos produtos têxteis como a seda, nas tapeçarias, na laca e nos marfins. No período Tang, destaca-se a arte dos objetos funerários, principal modalidade depois da pintura e da escultura. Os móveis, instrumentos musicais e mesas de jogos, todos pintados, laqueados ou incrustados de motivos em nácar, ouro ou prata, representam flores ou animais. Outros objetos preciosos do período são vasos de vidro, pratos, espelhos, brocados de seda e armas.

Uma nova técnica de esculpir a laca antes de endurecer, surgida no Song, tornou-se popular durante o Ming, cujo gosto pelos objetos de luxo e pelas cores exprimiu-se também em esmaltes e panos ricamente tecidos. As sedas e brocados já eram tradicionais no período Song, quando os tecelões aperfeiçoaram o ko-sseu, tapeçaria de seda inventada na Ásia central que passou à China no século XI. Durante o Yuan, peças de ko-sseu foram exportadas para a Europa.

A arte decorativa produzida depois que o governo revolucionário tomou o poder em 1949 mantém a qualidade técnica, em alguns casos melhorada, mas os motivos são em geral cópias tomadas sem critério a várias épocas da arte chinesa -- ao contrário da pintura da segunda metade do século XX, cuja prática patenteia as correntes contraditórias que contribuíram para o surgimento da China moderna.

I Ching ou Livro das MutaçõesI Ching ou Livro das Mutações

O I Ching ou Livro das Mutações, também transcrito como Yi Jing, I Ging, é um texto clássico chinês composto de várias camadas, sobrepostas ao longo do tempo. É um dos mais antigos e um dos únicos textos chineses que chegaram até nossos dias. Ching, significando clássico, foi o nome dado por Confúcio à sua edição dos antigos livros. Antes era chamado apenas I: o ideograma I é traduzido de muitas formas, e no século XX ficou conhecido no ocidente como "mudança" ou "mutação".

O "I Ching" é um oráculo e é um livro de sabedoria.

Filosofia e cosmologia no I Ching

As oito figuras que formam o I Ching estão na base da cultura que se desenvolveu na China durante milênios. Para os chineses a ordem do mundo depende de se dar o nome correto às coisas, portanto o significado de "I" sempre foi objeto de discussão.

Alguns vêem o ideograma I como semelhante ao desenho de um camaleão, representando o movimento (como o lagarto) e a mutação (como o mimetismo do camaleão). Outros afirmam que o ideograma é formado pelo do Sol em cima e o da Lua embaixo, a mutação sendo simbolizada pelo movimento incessante destes astros no céu.

Para o pensameno chinês, não há o que mude, há apenas o mudar. A mutação seria o caráter mesmo do mundo. Mas a mutação é, em si mesma, invariável, ela sempre existe. Portanto, "I" significa mutação e não-mutação. Subjaz, à complexidade do universo, uma 'simplicidade' que consiste nos princípios que estão por trás de todos os ciclos. Ao fluir com as circunstâncias se evita o atrito e portanto a resistência: esse é o caminho do homem sábio.

Tanto o taoismo como o confucionismo, as duas linhas da filosofia chinesa, beberam da fonte do I.

Tudo que ocorre no céu e na terra tem sua imagem nos oito trigramas, que estão continuamente se transformando um no outro. Têm váras camadas de significados, e representam processos da natureza. São, portanto, o mundo arquetípico, ou o mundo das ideias de Platão. É usada para ilustrá-los a analogia com a família:

o pai é forte
a mãe é maleável
os três filhos são as três fases do movimento: início, perigo e repouso
as três filhas são as três etapas da devoção: suave penetração, clareza e tranquilidade
Em Heráclito, e mais tarde na dialética europeia, encontramos os ecos da fluidez que é a base do I Ching.

História - O I Ching surgiu antes da dinastia Chou (1150-249 a.C.) e era um conjunto de oito Kua, figuras formadas por três e seis linhas sobrepostas. James Legge, em sua tradução para o inglês (1882), chamou de trigrama o conjunto de três linhas e hexagrama o de seis, para distingui-los entre si.

A origem dos 64 hexagramas é atribuída a Fu Hsi, o criador mítico chinês, e até a dinastia Chou eles formavam o I. Os oito trigramas têm nomes não encontrados em chinês, sua origem é pré-literária.

O tempo obscureceu a compreensão das linhas, e no começo da dinastia Chou surgiram dois anexos: o Julgamento, atribuído pela tradição ao rei Wên, e as Linhas, atribuídas a seu filho, o duque de Chou, ambos fundadores desta dinastia.

Mais tarde, mesmo o significado destes textos começou a ficar obscuro, e no século VI a.C. foram acrescentadas as Dez Asas, que a tradição atribui a Confúcio, embora seja claro que a maioria delas não pode ser de sua autoria. O nome "I Ching" é dado ao conjunto dos Kua e todos os textos posteriores.

O I Ching escapou da grande queima de livros feita pelo tirano Ch'in Shih Huang Ti, no tempo em era considerado um livro de magia e adivinhação, o que levou a escola de magos das dinastias Ch'in e Han a interpretá-lo segundo outras visões A doutrina do yin-yang foi sobreposta ao texto. O sábio Wang Pi veio a resgatá-lo como livro de sabedoria.

Houve várias traduções do "I Ching" para línguas ocidentais, algumas claramente desrespeitosas, tratando a cultura chinesa como primitiva. A tradução de Legge fez parte da série Sacred books of the East (Livros sagrados do Oriente), e foi traduzida também para o português.

Richard Wilhelm traduziu o I Ching para o alemão ao longo dos anos em que viveu na China, inclusive durante a invasão japonesa, quando a cidade em que estava foi cercada. Teve o apoio de um velho e sábio mestre, Lao Nai Suan, que morreu ao ser concluída a tradução. A edição alemã é do fecundo ano de 1923. Wilhelm traduziu também outro clássico chinês, o Tao Te Ching.

Seguindo a tendência histórica do livro, a tradução para o português custou três anos de trabalho.

O uso oracular do I Ching - A ênfase no aspecto oracular do "I" variou com o tempo. No século VI a.C. era visto mais como livro de filosofia, ao passo que na dinastia Han, quando a magia teve grande papel, era visto como oráculo. No ocidente, infelizmente, seu uso como livro de sabedoria tem papel irrelevante.

Como todo oráculo, exige a aproximação correta: a meditação prévia, o ritual, e a formulação precisa da pergunta. O oráculo nunca falha, quem falha é o consulente: se a pergunta não foi clara e precisa, isto indica que a pessoa não tem clareza sobre o que deseja saber. O ritual tem a função psicológica de focar a atenção da pessoa na consulta.

A consulta oracular é feita com 50 varetas (originalmente de mil-folhas, uma planta sagrada), das quais uma é separada e as outras 49 manuseadas, seguindo seis vezes a mesma operação matemática, para a obtenção da resposta. Dessa manipulação resulta uma linha firme ou uma linha maleável, que podem ser móveis. As linhas firmes são resultado da obtenção dos números 7 ou 9, e as maleaveis vêm dos números 6 ou 8. Destes, 6 e 9 correspondem a linhas móveis que, por estarem prestes a mudar, têm importância na interpretação.

O I Ching, por ser um livro sagrado, e as varetas usadas na consulta, eram guardados em uma caixa de madeira virgem, embrulhados em seda também virgem.

No Japão, a consulta é feita com o uso de três moedas. Esta prática encurta a consulta, e aí reside seu defeito: nem sempre cria a disposição interior necessária à consulta.

Yin e Yang Yin e Yang

A doutrina chinesa do Yin e Yang é básica na filosofia e metafísica da cultura daquele país.

Segundo esta filosofia, duas forças complementares compõem tudo que existe, e do equilíbrio dinâmico entre elas surge todo movimento e mutação. Essas forças são:

yin, o princípio passivo, feminino, noturno, escuro, frio
yang, o princípio ativo, masculino, diurno, luminoso, quente.

Essas qualidades acima atribuídas a cada um dos dois princípios são, não definições, mas analogias que exemplificam a expressão de cada um deles no mundo fenomênico. Os princípios em si mesmos estão implícitos em toda e qualquer manifestação.

Os exemplos acima não incluem qualquer juízo de valor, e não há qualquer hierarquia entre os dois princípios. Assim, referir-se a yin como negativo indica apenas que ele é oposto a yang, quando chamado de positivo. Esta analogia é como a carga elétrica atribuída a prótons e elétrons: os opostos se complementam, positivo não é bom ou mau, é apenas o oposto complementar de negativo.

A realidade observada é fluida e em constante mutação, na perspectiva da filosofia chinesa tradicional. Portanto, tudo que existe contém tanto o princípio yin quanto o yang. O símbolo yin-yiang expressa esse conceito: dentro do yin escura está contido o yang claro, dentro do yang claro está contido o yin escuro.

O I Ching, ou Livro das mutações, mostra uma aplicação do princípio yin-yang ao dividir as combinações possíveis da manipulação das 49 varetas em yin-jovem e yin-velho, yiang-jovem e yiang-velho. As linhas velhas, ou móveis, indicam uma sobrecarga do princípio que representam, portanto estão prestes a se transformar no princípio oposto.

O símbolo Yin yang teve origem na Coreia e representa o equilíbrio da natureza, da força, das mente e do físico. Representa todas as forças negativas (preto) e positivas (branco).

Reino de Xi Xia Reino de Xi Xia

O Reino de Xi Xia (em pinyin, ou Hsi Hsia, no sistema de transliteração de Wade-Giles) existiu entre os séculos IX e XIII no planalto da região noroeste da atual República Popular da China.

Xi Xia surgiu trezentos anos após uma migração forçada dos tangutes nativos do Tibete, pressionados por outros povos tibetanos no Século VII. Os tangutes estabeleceram-se nos vales férteis do médio Rio Amarelo, tendo como centro de sua civilização a localidade de Ordos. Após a queda da Dinastia Tang, na China, e o estabelecimento da Dinastia Song (que causou a divisão e o enfraquecimento do Império Chinês), os tangutes aproveitaram a oportunidade para tomar terras mais a leste e fundar formalmente o reino de Xi Xia, sob o reinado de Li Yuan-hao. Construíram uma capital próxima a atual cidade chinesa de Yinchuan e expandiram suas fronteiras em todas as direções, ocupando uma área entre os contrafortes nortes do Himalaia e o sul do Deserto de Gobi, e entre as montanhas Helan a oeste e o reino vassalo de Xia ("Xi Xia", em mandarim, significa "Xia Ocidental"), do Império Song, a leste, incluindo um trecho de 1000 quilômetros da lucrativa Rota da Seda.

A prosperidade gerada pelo comércio e pelas abundantes pastagens no século XI provocou uma guerra de 6 anos entre a China Song e Xi Xia, resultando na vitória dos tangutes. Dizem os relatos que a vitória mais significativa de Xi Xia deu-se quando seu exército, ao confrontar 20000 soldados chineses, virou-se e marchou em direção a um estreito vale, esperando fazer uma emboscada. Porém, não havia visibilidade nos esconderijos para saber se os chineses estariam no local certo, o que dificultaria a ação. Então, o rei Yuan-hao ordenou a captura de pássaros e mandou prendê-los em caixas fechadas e deixá-los pelo caminho no vale. Quando os chineses chegaram e se depararam com as caixas ressoando o canto dos pássaros, os soltaram. A revoada foi o sinal para o ataque, que resultou na vitória dos tangutes.

Neste tempo, ainda, é atribuído a Li Yuan-hao a criação da escrita tangute, um sistema de escrita que mais tarde seria também adotado pelos mongóis. As leis budistas (sua religião oficial) foram codificadas segundo esta escrita, além de outras obras ainda não codificadas encontradas nas ruínas de Xi Xia.

No início do Século XII, Xi Xia possuía cidades populosas, escolas públicas, artesãos especializados, metalúrgicos habilidosos, uma universidade para a formação de sábios e burocratas, e um exército que poderia chegar aos 300000 homens, segundo estimativas. Porém, em meados daquele século, terremotos, invasões e disputas sucessionais freiaram o crescimento do reino, que no entanto manteve-se como um poder estável na região. Mas mesmo com todo seu poderio e organização não seria páreo para o exército de arqueiros montados de Genghis Khan, que em 1209 invadiram Xi Xia pelo norte. Os tangutes tentaram uma aliança com a China controlada pela Dinastia Jin, sem sucesso.

As hordas mongóis chegaram rapidamente à capital Xi Xia, mas jamais haviam tentado tomar uma cidade fortificada. Sem máquinas de sítio ou armas apropriadas, os mongóis se viram obrigados a romper diques de reservatórios de águas próximos, mas sem sucesso. Frente à ferocidade e violência do exército mongol, e sem apoio dos vizinhos chineses, Xi Xia viu-se logo reduzida ao status de Estado vassalo do Império de Genghis Khan.

Nas décadas seguintes, Xi Xia viu seu povo e sua cultura serem lentamente exterminados pela política agressiva de Genghis para com os povos conquistados. Após o enfraquecimento do Império Mongol, os chineses se encarregaram de apagar os últimos vestígios da cultura tangute e das obras de Xi Xia. Hoje, Xi Xia é praticamente desconhecido entre os próprios moradores atuais da região, com poucas ruínas ainda de pé, tendo grande parte de sua história revitalizada pelos esforços de arqueólogos russos e chineses do Século XX.

Xinjiang - Região Autonoma da China

Xinjiang - Região Autonoma da China
Xinjiang (ou Sinkiang; 新疆 em chinês) é uma região autônoma da República Popular da China.

Zhejiang Província da China

Zhejiang Província da China
Zhejiang (ou Chekiang; 浙江 em chinês) é uma província da República Popular da China.

Yunnan Província da China

Yunnan Província da China
Yunnan (云南 em chinês) é uma província da República Popular da China.

Muralha da China Muralha da China

A Grande Muralha, ou chang cheng, foi concluída no século III a.C., após a primeira unificação do império chinês, e cobre uma extensão de cerca de 2.400km, de leste a oeste. Começa no golfo de Bo (Chihli), no mar Amarelo, e se estende para oeste, contornando o norte de Pequim, até o rio Amarelo (Huanghe). Em seguida muda de rumo para sudoeste e alcança os arredores da cidade de Lanzhou. Depois avança mais alguns quilômetros para oeste e atravessa a região de Ganzhou, no limite meridional do deserto de Gobi.

Construída como recurso de defesa contra os bárbaros do norte, a Grande Muralha chinesa é, segundo o testemunho de astronautas, a única obra humana do planeta Terra visível no espaço.

No final do século III a.C., subiu ao trono Shi Huangdi, imperador que unificou a China e imaginou um sistema defensivo para manter seu império livre dos povos bárbaros do norte. Shi Huangdi decidiu construir uma grande muralha na fronteira norte e valeu-se para isso de outras muralhas levantadas nos reinados anteriores, em áreas importantes e estratégicas. A muralha primitiva unia as localidades de Lintao e Fushun e contornava o rio Amarelo pelo norte. Mais tarde, na dinastia Han, ela foi prolongada até seu extremo oeste, na região de Ganzhou, onde se situam os montes Qilian.

Muralha da China
Muralha da China
Muralha da China
Muralha da China

No século VI completou-se o traçado da muralha e, entre o mar e o povoado de Yinchuan, construiu-se, em alguns trechos, uma segunda linha de defesa. No século XV, devido à ameaça mongol, os imperadores da dinastia Ming adaptaram o traçado inicial da obra e concluíram os trechos inacabados. A muralha ficou então formada de um muro duplo de pedras e terra. O caminho existente na parte superior apresenta rampas muito íngremes. A altura da muralha oscila entre seis e oito metros e a largura, entre seis metros na base e cinco no topo. As rampas são interrompidas a cada 180m, aproximadamente, por uma torre de vigilância. Em geral, todo o traçado foi perfeitamente adaptado aos desníveis e à configuração do terreno.

A Grande Muralha tinha uma dupla finalidade: em primeiro lugar, defender o império de qualquer invasor, ao proteger simultaneamente a população civil e as colheitas, e, em segundo, servir como meio de comunicação rápido entre pontos distantes do império. Para essa tarefa os chineses utilizavam sinais de fumaça durante o dia e de fogo, à noite. Na década de 1930, a guerra sino-japonesa destruiu parte da porção leste da muralha, a mais próxima do mar. Mais tarde foram restaurados alguns trechos próximos a Pequim. Embora a Grande Muralha não tenha podido cumprir rigorosamente suas finalidades defensivas, serviu para separar, durante séculos, a cultura chinesa da cultura mongol.

Macau

Macau

MacauÁrea - 26,80 km².
População – 495 mil (2016).
Idiomas - chinês e português (oficiais).
Capital - Macau.

Dominado pelos portugueses há mais de 400 anos, Macau é transferido para a soberania chinesa em dezembro de 1999. O território de Macau está encravado no sudeste da China e inclui a península de mesmo nome e as ilhas de Taipa e Colôane. Com população de maioria chinesa, a região vive do cassino e do turismo, responsáveis por grande parte do PIB. Em Macau não existem riquezas naturais nem atividade agrícola. Seu modesto parque industrial se baseia no setor têxtil.

Macau
Macau

Hong Kong

Hong Kong

Hong Kong Área - 1.098 km².
População – 7,2 milhões (2016).
Idiomas - chinês e inglês (oficiais).
Capital - Victoria.

Hong Kong volta à soberania da China em 1º de julho de 1997, com status de Região Administrativa Especial (SAR), encerrando 156 anos de colonialismo britânico. Com sua transferência – é o quarto mercado financeiro do mundo e o porto mais movimentado da Ásia –, a China amplia seu poderio econômico. A devolução segue o acordo selado em 1984 pelos governos da China e do Reino Unido, sob o lema "um país, dois sistemas". A China é a última potência comunista do planeta, e Hong Kong é tida como a economia mais liberal existente, onde 2,3 mil multinacionais mantêm escritórios, incluindo 85 dos 100 maiores bancos do mundo. Essas diferenças, no entanto, têm sido amenizadas pelas transformações ocorridas na China a partir da década de 1970, quando o país começou a abrir sua economia. Pelo acordo de 1984, Hong Kong deverá manter, pelo menos até 2047, seu sistema econômico (inclusive a moeda e um alto grau de autonomia administrativa. A China responde pela política externa e pela defesa da região.

Hong Kong

Rio Yangzi (Yangtze)

O rio Yangzi (Yangtze) nasce no planalto do Tibet, no oeste da China, e corre no sentido nordeste até a desembocadura, num amplo delta no mar da China Oriental. Segue em ziguezague entre as montanhas em mais de três quartos do percurso; o curso inferior situa-se na extensa planície do leste da China. Sua bacia cobre uma área de 1.959.000km2 e entre seus tributários se destacam os rios Yalong, Min e Han. Quarto rio em volume d'água no mundo, o Yangzi transborda no verão, causando enormes enchentes.

Principal via de comunicação fluvial entre o interior e o litoral da China, o Yangzi é o mais longo rio da Ásia e o terceiro em todo o mundo.

Rio Yangzi (Yangtze)
Rio Yangzi (Yangtze)
Localizam-se em sua bacia cidades como Xangai, Nanquim, Wuhan, Chongqing e Chengdu. A bacia do Yangzi é o celeiro da China e contribui com mais da metade da produção agrícola do país, que inclui perto de três quartos da produção total de arroz. Outras culturas importantes são trigo, cevada, milho, soja e cânhamo. Os rios e grandes lagos da bacia, especialmente os lagos Dongting, Poyang e Tai, têm abundância de peixes de valor comercial. A pesca é extremamente desenvolvida e ocupa grande parte da população. É intenso o tráfego de carga e passageiros nos 2.700km de curso do rio; navios grandes chegam até Wuhan, a 1.100km da costa marítima.

Rio Amarelo

O rio Amarelo, com extensão de 5.464km e bacia de 745.000km2, nasce ao norte do Tibet e ao longo de seu curso muda várias vezes de direção, atravessando as depressões lacustres de Oring Nor e Tsaring Nor e o maciço de Anme Machin (Animaqingshan). Em seu curso médio avança espremido entre profundas gargantas pela depressão de Lanzhow e pelos montes Qinling; no inferior, percorre 600km através da grande planície no norte da China. Desemboca no golfo de Bo, no mar Amarelo, onde forma um vasto delta.

Nenhum outro rio do mundo transporta uma quantidade tão grande de aluviões quanto o Amarelo, cujo nome em chinês, Huanghe (na transliteração pinyin), ou Huang Ho, refere-se à cor barrenta de suas águas, provocada pelo acúmulo de terra amarela ou loess, arrancada de sua bacia superior.

Rio Amarelo

Embora impressione por sua extensão e pela área que drena, o Amarelo apresenta um caudal relativamente modesto: 1.500m3 por segundo, ou  metade do débito do Reno. O motivo de tal desproporção é que a maior parte da bacia se localiza em regiões áridas da China. O derretimento das neves nas cabeceiras e, durante o verão, as moderadas chuvas de monção (que produzem frequentes transbordamentos) constituem as únicas fontes de alimentação do rio. A proporção média de sedimentos em suas águas é de 78g por litro, mas em algumas enchentes pode atingir setenta por cento do volume total.

No decorrer da história, as enchentes têm produzido inundações catastróficas e até mesmo modificações no curso do rio, com perda de milhões de vidas e destruição de grandes extensões de terras cultivadas. Por isso o rio Amarelo recebeu a designação de "desgraça da China". A irregularidade do débito, com estiagens no inverno e enchentes no verão, dificulta a navegabilidade, assim como seu aproveitamento para a irrigação. Tampouco tem permitido o desenvolvimento de grandes cidades em suas margens. Os principais centros urbanos da bacia são: Lanzhou, Xi'an, Tai'an, Luoyang e Jinan.

As obras para controlar o rio têm-se multiplicado desde a revolução chinesa de 1949. Além disso, foi desenvolvido um vasto programa de reflorestamento para reduzir a erosão do solo.

Rio Amur

Rio Amur

O Rio Amur Situado no nordeste asiático, nasce, no limite setentrional da China, da junção dos rios Chilka e Argun e deságua na baía que leva seu nome, situada no estreito da Tartária, que liga o mar de Okhotsk ao do Japão, separando a ilha Sakalina do continente. Sua bacia ocupa uma área de 1.855.000km2 e a vazão média na desembocadura é de 10.900m3 por segundo. Seus principais afluentes são o Zeia e o Bureia, pela margem esquerda, e o Sungari e o Ussuri (também na fronteira sino-russa), pela direita.

Chamado de "rio do dragão negro" (Heilong Viong) pelos chineses e "rio negro" (Sejalin Ula) pelos manchus, o Amur, principal rio russo da vertente do Pacífico, serve de fronteira com a China em grande parte de sua extensão, de 2.824 km.

Rio Amur
O Amur recebe água das chuvas e da neve derretida, combinando o regime dos rios siberianos com o regime monçonal, típico do Extremo Oriente. As chuvas de monção libertam o rio dos gelos no verão, de maio a outubro, tornando-o navegável desde a confluência, onde toma seu nome. O curso do rio é ocupado por importantes vales agrícolas. O tráfego fluvial transporta, a jusante, cereais, sal e produtos manufaturados; para montante, petróleo bruto e refinado, peixe e madeiras. Uma de suas principais riquezas é a pesca - em suas águas habitam mais de 25 espécies comerciais; outra é a energia elétrica, de desenvolvimento recente.

O povoamento russo no vale do Amur começou em 1644, com a chegada de um grupo de cossacos vindos de Iakutsk. Entre 1649 e 1651 Ierofei Khabarov explorou o curso fluvial. Em 1689 um tratado concedeu à China a soberania sobre as margens do Amur, mas em 1858, pelo tratado de Aigun, a Rússia ganhou todos os direitos sobre as terras situadas ao norte do Amur e a leste do Ussuri. Subsistem, até hoje, divergências entre a China e a Rússia para o aproveitamento econômico do rio.

Mar Amarelo Mar Amarelo

O mar Amarelo tem cerca de 960km de norte a sul e 700km de leste a oeste e tem uma superfície de 404.000km2, excluído o golfo de Bo, suas características fisiográficas são típicas de um mar costeiro, com profundidade máxima de 103m e média de 44m. A pouca profundidade e o fato de estar isolado do efeito moderador do Pacífico, explicam as grandes variações térmicas de suas águas. O litoral é baixo, retilíneo e arenoso (planícies de Hebei e Liaoyang), embora em alguns pontos haja áreas rochosas, elevadas e acidentadas por numerosas ilhas e ilhotas (costa da Coreia).

A pesca e o comércio têm sido as riquezas tradicionais do mar Amarelo (em chinês, Huanghai). Formado por um prolongamento do mar da China Oriental, o Amarelo constitui um vasto golfo do oceano Pacífico, entre as grandes planícies da China e da Coreia. As penínsulas de Liaodong (Liaotung) e Shandong (Chan-tong) dividem-no em três partes: baía da Coréia, baía de Liaodong e golfo de Bo ou Chihli.

Os rios que deságuam no mar Amarelo, sobretudo seu homônimo, o rio Amarelo, trazem grande quantidade de sedimentos argilosos, que turvam suas águas, conferindo-lhe a cor que lhe deu o nome. Esses depósitos lodosos gradativamente assoreiam o leito submarino que, dentro de alguns milhares de anos, se transformará num alagadiço, antes de secar de todo.

O mar Amarelo constitui importante via de acesso à China, através do vale do rio Amarelo. Tal fato levou o Reino Unido, a França e a Rússia, em fins do século XIX, a procurar controlá-lo. Por ligarem a zona industrializada da Manchúria às férteis planícies do Yangzi, suas águas também propiciam intenso comércio. O Amarelo tem características de mar interior e a maioria de seus portos não possui profundidade suficiente para receber embarcações de grande calado. Os principais portos são os de Inchon, na Coreia, e Liushun (antigo Port Arthur), na China.

Xangai (Shangha)

Xangai (chinês:上海市; Shanghai) é a maior cidade da República Popular da China, situada no litoral do Oceano Pacífico. O município de Xangai é um dos quatro na China que tem estatuto de província. Tem cerca de 14 milhões de habitantes.

História de Xangai

A história de Xangai pode ser traçada até o século XI. Tornou-se um centro econômico importante em 1842, com a abertura do porto aos estrangeiros. Foi criada uma zona internacional que funcionou à parte do resto da cidade até 1941, data da ocupação japonesa.

Xangai (Shangha)
Xangai (Shangha)
Xangai (Shangha)
Xangai (Shangha)
Xangai (Shangha) Xangai (Shangha)

Cidade de Xian

Cidade de Xian
Cidade de Xian

Xian, Sian ou Hsian é uma cidade da China, na província de Shaanxi. Situa-se no vale do Wei. Tem cerca de 4.5 milhões de habitantes e é um centro industrial, comercial e turístico. Foi a capital da China ao longo de várias dinastias: Chin (255 a 206 AC), Han (202 AC a 25 DC) e Tang (618 a 907).

Xiangtan ou Siangtan

Xiangtan ou Siangtan
Xiangtan ou Siangtan é uma cidade da província de Hunan, na China. Localiza-se nas margens do rio Xiang. Tem cerca de 693 mil habitantes. Foi fundada no século VIII.

Xianyang

Xianyang
Xianyang

Xianyang é uma cidade da província de Shaanxi, na China. Localiza-se a 25 km a norte de Xian. Tem cerca de 1 milhão habitantes. Foi capital da dinastia Qin em 221 a.C.

Xinxiang, Hsinhsiang ou Sinsiang

Xinxiang, Hsinhsiang ou Sinsiang
Xinxiang, Hsinhsiang ou Sinsiang é uma cidade da província de Henan, na China. Localiza-se no norte da província. Tem cerca de 800 mil habitantes. Foi fundada no século VI.

Xuzhou ou Suchow

Xuzhou ou Suchow
Xuzhou ou Suchow é uma cidade da China, na província de Jiangsu. Situa-se nas margens do Grande Canal, no leste do país. Tem cerca de 1,8 milhão de habitantes. A sua importância data do século II A.C.

Yangquan

Yangquan
Yangquan
Yangquan

Yangquan (阳泉) é uma cidade da província de Shanxi, na China. Localiza-se no leste da província. Tem cerca de 601 mil habitantes. Era uma pequena aldeia no início do século XX, sendo a sua expansão devido à ferrovia.

Yanji ou Yenki

Yanji ou Yenki
Yanji ou Yenki é uma cidade da província de Jilin, na China. Localiza-se no nordeste do país. Tem cerca de 539 mil habitantes.

Yantai ou Chefoo

Yantai ou Chefoo
Yantai ou Chefoo é uma cidade do norte da província de Shandong, na China. É um porto, no nordeste do país. Tem cerca de 652 mil habitantes.

Yichun

Yichun

Yichun é uma cidade da província de Heilongjiang, na China. Localiza-se nas margens do rio Songhua. Tem cerca de 883 mil habitantes. Era uma pequena localidade até aos anos 50 do século XX quando se começou a desenvolver com a exploração das florestas da zona.

Yueyang

Yueyang
Yueyang

Yueyang é uma cidade da província de Hunan, na China. Localiza-se no norte da província. Tem cerca de 550 mil habitantes. Foi fundada no ano 210 a.C.

Zhangjiakou ou Changkiakow

Zhangjiakou ou Changkiakow
Zhangjiakou ou Changkiakow é uma cidade da província de Hebei, na China. Localiza-se no noroeste da província. Tem cerca de 876 mil habitantes. É historicamente uma cidade fronteiriça da China com a Mongólia.

Zhangzhou

Zhangzhou
Zhangzhou é uma cidade da província de Fujian, na China. Localiza-se no sul da província. Tem cerca de 520 mil habitantes. Foi fundada em 686.

Zhanjiang ou Chankiang

Zhanjiang ou Chankiang
Zhanjiang ou Chankiang (Tsamkong em cantonês) é uma cidade da província de Guangdong, na China. Localiza-se no sul da província. Tem cerca de 1,5 milhão habitantes. Foi território francês entre 1898 e 1945, com o nome de Kwangchowan. A sua capital era a cidade de Fort-Bayard.

Zhaotong

Zhaotong
Zhaotong é uma cidade da província de Yunnan, na China. Localiza-se no sul do país. Tem cerca de 800 mil habitantes.

Zhengzhou ou Chengchow

Zhengzhou ou Chengchow

Zhengzhou ou Chengchow é uma cidade da China, capital da província de Henan. Tem cerca de 2.2 milhões de habitantes.

Zhenjiang ou Chinkiang

Zhenjiang ou Chinkiang
Zhenjiang ou Chinkiang (镇江) é uma cidade da província de Jiangsu, na China. Localiza-se no sul da província. Tem cerca de 1,1 milhão habitantes. Foi uma concessão britânica até 1927 quando foi devolvida à China.

Zhuzhou ou Chuchow

Zhuzhou ou Chuchow

Zhuzhou ou Chuchow é uma cidade da província de Hunan, na China. Localiza-se no leste da província, nas margens do rio Xiang. Tem cerca de 729 mil habitantes. Era uma pequena vila até ao desenvolvimento industrial iniciado nos anos 50 do século XX.

Zibo

Zibo

Zibo é uma cidade da China, na província de Shandong. Também conhecida como Tzepo ou Tzupo. Tem cerca de 2.8 milhões de habitantes.

Zigong, Tzekung ou Tzukung

Zigong, Tzekung ou Tzukung

Zigong, Tzekung ou Tzukung é uma cidade da província de Sichuan, na China. Localiza-se no sul da província. Tem cerca de 710 mil habitantes. Foi criada em 1939 pela fusão de duas cidades: Kung-ching e Tzu-liu-ching.

Yi Fu Tuan, Geógrafo da China Yi Fu Tuan, Geógrafo da China

Yi Fu Tuan é um geógrafo nascido na China em 1930 e professor de Geografia em várias Universidades ocidentais. Yi Fu Tuan é autor das obras: "Space and Place", "Landscapes of Fear" e Topofilia.

Zhāng Yìmóu, cineasta Chinês

Zhāng Yìmóu (张艺谋 Chinês tradicional: 張藝謀) (nascido a 14 de Novembro, 1950) é um cineasta Chinês.

Filmografia
O Segredo dos Punhais Voadores (十面埋伏 2004)
Hero (英雄 2002)
Happy Times (幸福时光 2000)
The Road Home (我的父亲母亲 1999)
Not One Less (一个都不能少 1999)
Zhāng Yìmóu, cineasta Chinês Keep Cool (有話好好說 1997)
Lumière and Company (1995)
Shanghai Triad (搖呀搖﹐搖到外婆橋 1995)
To Live (活着 1994)
The Story of Qiu Ju (秋菊打官司 1992)
Raise the Red Lantern (大紅燈籠高高掛 1992)
Ju Dou (菊豆 1991)
Codename Cougar (代號“美洲豹” 1989)
Red Sorghum (紅高梁 1987)

Zheng He (1371 - 1435, Explorador chinês Zheng He (1371 - 1435, Explorador chinês

Zheng He foi o maior explorador da história chinesa. Ele viajou extensamente pela Ásia e África, e alguns historiadores alegam que ele teria descoberto a América antes de Cristóvão Colombo.

Zheng He, que também é conhecido como Cheng Ho, nasceu em 1371 em uma família pobre de camponeses muçulmanos. Ele foi capturado e castrado pelo exército chinês quando ainda era um garoto. Mais tarde, ele se uniu à corte da dinastia Ming, onde sua capacidade de liderança se tornou evidente.

O explorador visitou muitos países da Ásia e da África, incluindo Java, Sumatra, Sri Lanka, Índia, Pérsia, Arábia e Taiwan. Ele navegou com frotas imensas, de mais de 300 navios, com 30 mil homens sob seu comando. E trouxe tesouros incalculáveis, em grande quantidade, para a corte chinesa.

Zheng He morreu no mar em 1435, aos 60 anos, quando retornava de uma exploração na África. Ele foi enterrado em um grande túmulo fora de Nanjing, que foi reconstruído como um tributo ao explorador em 1985.


Zheng He (1371 - 1435) foi um explorador chinês do século XV. Realizou viagens por mar pelo sudoeste asiático e pelo Oceano Índico. Chegou à India, ao Mar Vermelho e a Moçambique.

Zheng He foi originalmente chamado Ma He e nasceu em 1371. De etnia hui, era o segundo filho de um família muçulmana, que também teve quatro filhas, de Kunyang (昆阳), atual Jinning (晋宁), ao sul de Kunming, perto do canto sudoeste do Lago Tian em Yunnan.

Tanto seu avô e quanto seu bisavô tinham o título de Hajji, o que indica que fizeram a peregrinação a Meca. Seu bisavô foi nomeado Bayan e pode ter sido um membro de uma guarnição mongol em Yunnan. Zheng He teria escutado os relatos de suas viagens a terras longínquas.

Zheng He (1371 - 1435, Explorador chinês

Em 1381, ano em que seu pai morreu e após a derrota da dinastia Yuan do Norte, um exército ming foi enviado para Yunnan para acabar com o rebelde mongol Basalawarmi. Ma He, então com apenas onze anos de idade, foi tomado cativo e castrado, convertendo-se assim num eunuco. Foi enviado para a Corte Imperial, onde era chamado de ‘San Bao’, que significava ‘Três Joias’. Acabou se tornando um conselheiro de confiança do imperador Yongle (o terceiro imperador da dinastia Ming, tendo reinado entre 1403 e 1424), ajudando-o a depor o seu antecessor, o imperador Jianwen. Em troca do serviço meritório, o eunuco recebeu do imperador Yongle o nome de Zheng He.

Estudou em Nanjing Taixue (Colégio Central Imperial). Suas missões exibiram impressionantes demonstrações de sua capacidade organizativa e poder tecnológico, mas não produziram grandes resultados em comércio já que Zheng He foi um almirante e um oficial, mas não um mercador.

Em 1425, o imperador Hongxi o nomeou para ser Defensor de Nanquim. Em 1428, o imperador Xuande designou-o para completar a construção do magnífico templo Da Baoen, um templo budista de nove andares em Nanquim, e em 1430 o nomeou para liderar a sétima e última expedição para o "Oceano Ocidental".

Zheng He navegou a Malaca no século XV e trouxe consigo uma princesa chinesa, a Princesa Hang Li Po. Ela teria de desposar o rei de Malaca. A princesa foi com seus 1 500 serviçais, que se assentaram eventualmente em Bukit Cina, em Malaca. Os seus descendentes são conhecidos na atualidade comoBaba (o título masculino) e Nyonya (o título feminino).

Em 1424, o imperador Yongle faleceu. Seu sucessor, Hongxi (governante de 1424 a 1425), decidiu reprimir a influência dos eunucos na corte. Zheng He realizou uma última viagem sob o governo do imperadorXuande (governante de 1426 a 1435), mas, depois disso, as frotas de tesouro chinesas terminaram. Ainda que sua tumba se encontre em Nanquim, na colina de Niushou (em 1985, a sepultura foi restaurada), é muito possível que tenha morrido em alto-mar e que seu cadáver tenha sido lançado ao mar. Também construiu os estaleiros de Nanquim, que ainda funcionam atualmente.

Zheng He morreu durante a última viagem da frota do tesouro, na viagem de regresso após a frota chegar a Ormuz em 1433.
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