domingo, 26 de março de 2017

Litosfera e Crosta Terrestre

Litosfera e Crosta Terrestre

Litosfera e Crosta Terrestre
A teoria da tectônica de placas, aceita consensualmente a partir da década de 1960, explicou grande número de fenômenos geológicos e lançou novas luzes sobre o estudo da litosfera, camada da Terra que congrega a maior parte das fontes de sustento e adaptação da vida humana.

Litosfera é a camada sólida e externa da TerraA palavra é tradicionalmente usada como sinônimo de crosta terrestre mas, com a tectônica de placas, que estuda os deslocamentos continentais, os terremotos, os cinturões vulcânicos e o alargamento do assoalho marinho, passou a designar o conjunto de cerca de vinte segmentos rígidos, ou placas, que compõe a superfície da terra, inclusive o fundo dos oceanos. O limite inferior da litosfera está abaixo do limite inferior da crosta terrestre e, portanto, ela engloba a crosta. A minuciosa observação das rochas e sedimentos da litosfera permite reconstituir as forças e processos que modelaram a superfície sólida da Terra.

Estrutura da TerraO interior da Terra, inacessível a partir de certo limite, se estuda indiretamente, por observação do fenômeno de propagação das ondas sísmicas. Pesquisadores medem o tempo gasto por uma onda, a partir do centro de um terremoto ou de uma explosão nuclear, para chegar a uma estação sismográfica. As variações de tempo revelam a existência, no interior da Terra, de diversas camadas concêntricas de diferentes densidades, que fazem com que as ondas se propaguem com velocidades distintas.

Ao estudar a estrutura da Terra, os especialistas empregam duas classificações. Na primeira, dividem-na em litosfera, astenosfera e mesosfera. A litosfera é a parte mais rígida, com cerca de cem quilômetros de profundidade. Menos espessa sob os oceanos, onde pode chegar a cinquenta quilômetros, a litosfera pode atingir a profundidade de 150km sob os continentes. A astenosfera é uma camada menos rígida, de 100 a 700km de profundidade, e a mesosfera é a parte mais profunda, em estado de fusão.

Pela segunda classificação, a Terra compõe-se de crosta, manto e núcleo. A crosta vai da superfície até cerca de 35km de profundidade, ponto em que se encontra a descontinuidade de Mohorovicic (ou simplesmente Moho). Nos continentes, é mais espessa, com até cinquenta quilômetros, enquanto no fundo dos oceanos, em geral, não passa de dez. Embaixo da crosta situa-se o manto, que vai até 2.900km de profundidade, composto de materiais fluidos e heterogêneos quanto à temperatura e à densidade. O núcleo, formado essencialmente de materiais de níquel e ferro de grande densidade, situa-se entre os 2.900 e os 6.370km de profundidade.

A crosta terrestre divide-se em duas camadas de características geológicas bem distintas. A mais superficial é a camada granítica cristalina ou sial (com predomínio de silício e alumínio) que, recoberta de sedimentos, forma os continentes. Compõe-se de rochas metamórficas, ígneas (ou magmáticas) e sedimentares. Abaixo do sial encontra-se o sima (com predomínio de silício e magnésio), que corresponde ao fundo basáltico dos oceanos e ocorre parcialmente sob o sial.

O assoalho dos oceanos é recoberto apenas por uma fina camada sedimentar, de acordo com a região, e não há sial. Nas regiões de contato do sial com o sima, onde pode haver formação de cordilheiras, o sial fornece sedimentos abundantes e forma camadas sedimentares espessas. O sial, mais leve que o sima, comporta-se como um corpo que flutua num líquido. Quando o bloco de sial é sobrecarregado pela acumulação de sedimentos ou massas de gelo (glaciações), submerge no sima, em profundidade proporcional ao aumento de volume.

Limite da litosferaO limite inferior da litosfera situa-se na zona de baixa velocidade (Low Velocity Zone - LVZ), superfície de maior plasticidade entre a camada externa sólida do manto (manto superior) e a astenosfera. A base que separa a crosta do manto é a superfície de Mohorovicic, zona de mudança na composição química. Em relação aos eventos responsáveis pela formação de montanhas, blocos continentais e bacias oceânicas, porém, a superfície de Mohorovicic é menos significativa do que a LVZ.

Crosta continental e crosta oceânica. Cerca de oitenta por cento do volume total da crosta terrestre é do tipo continental e vinte por cento do tipo oceânico, já que a crosta continental engloba a plataforma e uma parcela do talude continental. A crosta continental mostra maior variabilidade composicional e estrutural em relação à oceânica, e os dois tipos são bem distintos entre si.

A crosta continental é variável não apenas na espessura, pois o comportamento da superfície de descontinuidade (Moho) entre suas camadas e o manto também varia. A passagem pode ser brusca, a profundidades de até 25km, ou ser gradual e imperceptível. As variadas regiões tectônicas dos continentes se devem a diferentes estágios de desenvolvimento da crosta. O fato de existirem lado a lado sugere que a evolução não se processou simultaneamente em todos os pontos da crosta continental. Quanto à composição, embora a crosta continental seja rica em silício, a quantidade de rochas básicas (de baixo teor de silício) aumenta com a profundidade e, na zona inferior, atinge até cinquenta por cento do total. A crosta oceânica é mais homogênea, e noventa por cento dela se compõe de rochas basálticas. Nela não ocorrem os fenômenos de granitização, e os processos de diferenciação e fusão do manto são mais intensos que na crosta continental.

Crescimento dos continentes. Apesar da marcante diferença entre as crostas oceânicas e continental, as relações entre ambas não são estáticas. Há muito que os geólogos reconhecem o aparente crescimento dos continentes ao longo dos tempos geológicos, mediante a evolução dos geossinclinais, depressões formadas nos bordos continentais sob o peso dos sedimentos que se depositam. Quando os geossinclinais são comprimidos, elevam-se isostaticamente, isto é, em busca de equilíbrio, e formam altas cadeias de montanhas que se soldam à massa continental. O resultado desse processo é o aumento das áreas continentais.

O fenômeno do crescimento dos continentes encontrou explicação na teoria da tectônica de placas, que justifica a compressão dos geossinclinais pelo movimento convergente das placas litosféricas, que são rígidas mas móveis. As bacias oceânicas também não são fixas. No início da década de 1990 comprovou-se, por exemplo, que o oceano Atlântico está se abrindo e o Pacífico se fechando.

As zonas de subducção, ou seja, de contato de placas, podem ocorrer entre continente e oceano (contato sial-sima) e dentro dos oceanos (contato sima-sima). Na migração dos continentes, há uma borda condutora do movimento e outra passiva. Nos últimos 200 milhões de anos, a costa pacífica do continente americano vem atuando como borda condutora. A costa atlântica é passiva e tectonicamente mais estável. O divisor continental situa-se na borda montanhosa do Pacífico, onde se encontram a cordilheira dos Andes e as montanhas Rochosas, ambas ainda em evolução.

Ao longo da costa passiva se formam grandes geossinclinais. Se houvesse inversão do padrão de movimento das placas, e uma borda condutora se formasse ao longo de uma borda previamente passiva, os geossinclinais seriam amarrotados e levantados isostaticamente, para formar cadeias de montanhas que seriam incorporadas ao continente.

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