Relaxamento | Psicologia

Relaxamento | Psicologia

Relaxamento | Psicologia

Do ponto de vista fisiológico e psicológico, relaxamento é a redução voluntária ou involuntária do tônus muscular do corpo, com o objetivo de pôr fim a estados de fadiga corporal ou de esgotamento psíquico. Os métodos de relaxamento constituem um valioso instrumento terapêutico no tratamento de neuroses, alterações psicossomáticas e lesões neurológicas.

Na vida diária, o termo relaxamento é associado à noção de tranquilidade e ao desejo de escapar do estresse e do ritmo acelerado da vida moderna.

Precedentes dos métodos de relaxamento

Ao contrário do que ocorre com os orientais, o interesse do mundo ocidental pelo fenômeno do relaxamento não é filosófico, pois ele aparece apenas de modo esporádico na tradição mística cristã e, na medicina, constitui uma derivação de fenômenos como o magnetismo e a hipnose. O médico alemão Franz Anton Mesmer, que deu nome ao mesmerismo, inventou no século XVIII um método de tratamento baseado no magnetismo, que se processava num ambiente sugestivo onde as manifestações de histeria e euforia eram seguidas de estados de languidez, devaneio, prostração e adormecimento. A evolução do mesmerismo, que levou à prática do sono magnético como método de insensibilizar o paciente submetido a cirurgia, preparou a base para a sugestão verbal e a hipnose propriamente dita.

O cirurgião James Braid, de Manchester, introduziu o termo hipnose para designar uma técnica de indução de sono artificial, com perda de memória. A partir de 1841, ele usou experimentalmente o hipnotismo e refutou a crença popular segundo a qual a habilidade para hipnotizar se relacionava à passagem mágica de fluidos ou outra influência do cirurgião sobre o paciente. Os especialistas franceses que criaram a escola de Nancy, em 1875, defenderam o caráter puramente psicológico do estado hipnótico e de suas  propriedades (anestesia, catalepsia, alucinação etc.) e situaram sua origem na sugestão verbal, que servia não somente para provocar o estado hipnótico, mas também para levar ao paciente imagens psíquicas de cura. Nessa investigação, chegaram mesmo a prescindir da hipnose prévia, induzindo verbalmente a simples imaginação de um estado físico e produzindo, com êxito, em muitas ocasiões, a realização efetiva desse estado.

A escola de Salpêtrière, do doutor Jean-Martin Charcot, utilizou a hipnose para o tratamento de histéricos, que ele fazia entrar em catalepsia, provocando crises e acessos violentos. O criador da psicanálise, Sigmund Freud, descobriu, a partir das experiências de Charcot, que o efeito da hipnose dependia da relação pessoal entre paciente e médico, o que o levou a abandonar o método hipnótico. Na psicanálise freudiana, a posição relaxada sobre o divã é apenas uma circunstância facilitadora da busca do trauma original, da análise dos sonhos e da livre associação.

Métodos ocidentais de relaxamento

Os métodos ocidentais de relaxamento mais conhecidos são o treinamento autógeno de Johannes Heinrich Schultz e o método de relaxamento progressivo de Edmund Jacobson. Schultz, neurologista e psiquiatra berlinense, notou que os pacientes hipnotizados sentiam o corpo mais pesado e uma sensação difusa de calor. Isso o levou a pensar que se produzia nessa circunstância um relaxamento muscular e uma dilatação vascular periférica. Se essas sensações eram básicas nos estados sugestivos, e não meramente concomitantes, poder-se-ia ensinar aos pacientes como produzir em si mesmos, de forma voluntária, tais sensações e, portanto, os estados psíquicos correspondentes -- daí o nome de treinamento autógeno.

O método compreende dois ciclos

No primeiro, ou inferior, ensina-se o indivíduo a auto-induzir uma sensação de peso ou calor, mediante exercícios de concentração em zonas do corpo, no ritmo cardíaco e na respiração. Dessa forma, se consegue amortecer a própria ressonância emocional e facilitar o auto-esclarecimento e a auto-expressão espontânea. No ciclo superior, de caráter mental, busca-se a concentração sobre objetos, cores, sentimentos, conceitos, relações pessoais, objetivos etc.

Dedicado à psicofisiologia, o doutor Jacobson, de Chicago, partiu do estudo fisiológico e clínico das tensões dos músculos e de sua importância em psicologia e em terapêutica para estabelecer seu método de relaxamento. Observou que o simples ato de pensar um ato motor desencadeava na musculatura correspondente potenciais de ação mínimos, mas mensuráveis, embora não se produzisse movimento. Isso levou-o a pensar que os estados de nervosismo, emoção, reflexão etc. poderiam  estar associados a modelos neuromusculares transitórios, razão pela qual o relaxamento progressivo das zonas corporais poderia comportar um repouso cerebral regional. O método consiste no aprendizado da percepção das próprias contrações musculares e de seu relaxamento. Diferentemente do que sucede com o treinamento autógeno, são produzidas fases ativas de contração.

Neurofisiologia do relaxamento

A musculatura estriada é percorrida por um duplo sistema de inervação motora: as fibras motoras alfa, que se integram, para sua coordenação, no sistema reticular, e as fibras nervosas alfa, conectadas com as primeiras e que mantêm indiretamente o tônus ou tensão muscular adequados, também controlado pelo sistema reticular. Da mesma forma que uma central telefônica, esse emaranhado reticular pode sofrer uma sobrecarga provocada por tensões que venham a ocasionar desordens orgânicas como úlceras, rigidez muscular, tremores, dores na nuca etc. Quando é introduzida a atividade de relaxamento, o feixe ou círculo vicioso da tensão que se realimenta a si mesmo se rompe, descarregando o estímulo reticular e baixando o tônus muscular, o que diminui quase todas as funções orgânicas.

Respiração e relaxamento

A respiração é o aspecto fundamental do relaxamento. É bem conhecido o papel central que a respiração ocupa na ioga e o fato de que um ramo da hatha-yoga, o pranayama, tem por objetivo o domínio de uma série de técnicas respiratórias. Enquanto no Oriente se atribui à respiração um acento subjetivo e mental, no Ocidente o enfoque é predominantemente fisiológico. Desse ponto de vista, por sua situação especial entre os processos vegetativos e voluntários, pode-se utilizar a respiração para influir consciente e voluntariamente em processos involuntários ou inconscientes. Como a causa do estresse e das doenças psicossomáticas se encontra sempre numa alteração forçada do ritmo natural dos processos vitais, ao recuperar a respiração natural se adquire uma vivência interna de harmonização ou identificação com a natureza que se estende, com sua continuação, aos demais processos orgânicos.

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