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Percepção e Percepção Visual

Percepção e Percepção Visual

Percepção e Percepção VisualPercepção é o termo utilizado em psicologia para designar o processo pelo qual se conhecem situações e objetos próximos no tempo e no espaço. Objetos distantes no tempo não podem ser percebidos, mas apenas evocados, imaginados ou pensados. Também não podem ser percebidos objetos distantes no espaço, quando ultrapassados os limites operacionais dos órgãos receptores ou quando obstruídos por obstáculos.

Diferentemente dos demais animais superiores, que captam e retêm as imagens da realidade a partir de sensações, o homem tem também a faculdade da percepção, ou seja, é capaz de interpretar esses dados sensoriais e integrá-los à consciência.

Para a maioria dos psicólogos, percepção é o processo cognoscitivo que permite ao observador tornar-se consciente de objetos, situações ou acontecimentos concretos e presentes. Os termos "objetos, situações ou acontecimentos" indicam que pela percepção se conhece não apenas uma qualidade do mundo circundante, como ocorre na sensação, mas uma totalidade mais complexa. O termo "presente"  distingue percepção de memória e o adjetivo "concreto" a diferencia da inteligência, que se processa no nível da abstração. Os psicólogos associacionistas consideram a percepção um simples produto de diversos elementos sensitivos vinculados a experiências anteriores. Os da escola da Gestalt (psicologia da forma) acentuam seu caráter global.

Atenção

O processo perceptivo mediante o qual o ser seleciona determinados elementos do fluxo sensorial e filtra os dados proporcionados pela sensação é um mecanismo de alerta do sistema nervoso que tem o nome de atenção. A atenção é necessária para fazer frente à limitada capacidade de absorção de informação externa. A informação de entrada de um determinado objeto ou aspecto da realidade pode organizar-se em "figuras" (Gestalten), que permitem manter numa situação de pré-consciência a parte da informação que se considera marginal. Entre os fatores objetivos que determinam a atenção figuram a posição do estímulo, sua intensidade física, seu tamanho, o fundo sobre o qual se destaca, seus movimentos, cores, luminosidade etc. Os fatores subjetivos são a novidade do estímulo, o caráter que poderá ter (desejável ou de potencial ameaça), sua incongruência etc.

Para que se tenha percepção de algum objeto, este precisa destacar-se do resto do mundo fenomênico, de forma a que sua estrutura se diferencie nitidamente dos demais objetos que o rodeiam. Estes, mais difusos, passarão a ser o "fundo" sobre o qual o objeto ("figura") se destaca. A relação figura-fundo varia segundo diferentes fatores e está sujeita a modificações que em determinadas circunstâncias podem transformar a figura em fundo e vice-versa. Às vezes será a proximidade de vários estímulos o fator decisivo para que estes se constituam em figura; em outras, será sua semelhança, intensidade, continuação etc.

Assim se explica, por exemplo, porque determinados sons de uma melodia se destacam de outros, pertencentes ao acompanhamento, embora estes, eventualmente, possam ser mais fortes ou estar mais próximos entre si. Há casos em que a passagem de figura a fundo e vice-versa ocorre pela saturação produzida no sistema nervoso por uma mesma classe de estímulos; é o que acontece quando alguém, ao fixar o olhar em determinados tipos de azulejos com desenhos simétricos, percebe maior ou menor nitidez de alguns deles, sem que tenha ocorrido qualquer modificação real no estímulo externo. Também a expectativa interna do indivíduo contribui para que ele perceba certos objetos em detrimento de outros, que se diluem no fundo.

Percepção visual
Além dos fatores gerais que determinam o que seja fundo, existem outros, específicos, para diferentes categorias de objetos e situações. Assim, para a percepção visual de profundidade, ou seja, a visão dos objetos em três dimensões no espaço, intervêm o contexto visível, a fisiologia ocular e a movimentação da cabeça. Sobre o contexto visível influem: (1) a interposição dos objetos, pela qual o que cobre parcialmente o outro surge aparentemente mais perto do observador; (2) o tamanho relativo, que faz a figura maior ser vista como mais próxima; (3) a perspectiva linear, pela qual quanto maior for a convergência linear, tanto mais distante parecerá o objeto; e (4) o jogo de luz e sombra, que também interfere na percepção da distância relativa dos objetos. Todos esses fatores são amplamente utilizados em pintura, para criar a percepção de três dimensões em figuras representadas sobre o plano, que só tem duas dimensões.

A percepção do movimento pode ser produzida não apenas pelo deslocamento real do objeto, mas também pela adição rápida e sucessiva de estímulos visuais procedentes de objetos fixos, como ocorre no cinema. Mesmo a percepção da causalidade, ou seja, a percepção do movimento de um objeto como se fosse causado por outro, depende da presença de uma série de fatores precisos. Isso pode fazer com que uma ação seja considerada efeito de uma causa, quando na realidade houve apenas uma simples sucessão de movimentos.

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Afasia De Expressão, Afasia Sensorial e Afasia Amnésica

Afasia De Expressão, Afasia Sensorial e Afasia Amnésica

Afasia De Expressão, Afasia Sensorial e Afasia AmnésicaAfasia é um distúrbio da linguagem decorrente de lesões cerebrais que afetam a capacidade de exprimir ou compreender os signos verbais. Ao contrário de deficiências como a surdez, localizadas nos órgãos periféricos de recepção e emissão da fala, ela tem origem nos centros cerebrais responsáveis pela linguagem. Do ponto de vista clínico, a afasia é uma manifestação de disfunções dos centros da fala e pode ser classificada de acordo com seus principais sinais exteriores.

O ato de falar supõe a escolha e combinação de algumas das milhares de palavras que compõem o universo vocabular do indivíduo. Uma desorganização no mecanismo cerebral que regula essa articulação pode manifestar-se clinicamente sob a forma de afasia.

Afasia de expressão
O discurso do indivíduo assemelha-se à linguagem telegráfica, com a emissão de sons que se repetem. A leitura e o canto não são afetados, mas outras funções intelectuais, como o cálculo, podem ser prejudicadas.

Afasia sensorial
A fala espontânea é formalmente correta, mas carece de sentido. O sujeito afetado não compreende as ordens recebidas nem é capaz de um discurso coerente. A perturbação se localiza no mecanismo de evocação das palavras e se verifica também na leitura.

Afasia amnésica
Decorre de um distúrbio geral da capacidade de abstração. A perturbação dominante se relaciona à evocação das palavras, que frequentemente são substituídas por expressões como '"a coisa", "o negócio" ou por gestos explicativos.
Afasia de condução. Caracteriza-se pela impossibilidade de compreender e de se fazer compreender associada ao distúrbio da repetição verbal. A dificuldade em estruturar o enunciado se manifesta também na leitura e na escrita.

Outras disciplinas além das ciências médicas tomaram a afasia por objeto de estudo. A linguística reinterpretou o fenômeno relacionando-o aos dois polos fundamentais em que se estrutura a linguagem, a emissão e a recepção, e aplicou a afásicos os métodos de análise da comunicação verbal normal. A psicologia classificou as perturbações do enunciado como decorrentes do transtorno de mecanismos internos, no caso dos psicóticos, e simples resultado de uma organização particular da linguagem, sem comprometimento do sistema de comunicação propriamente dito.

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Inteligência e Criatividade

Inteligência e Criatividade

Inteligência e CriatividadeInteligência é o conjunto de aptidões em função das quais os indivíduos aprendem mais rapidamente novas informações e se revelam mais eficientes no manejo e aproveitamento adequado de conhecimentos já armazenados por meio de aprendizados anteriores. Essa definição, bastante genérica, é a adotada pela psicologia, embora algumas correntes de pensamento prefiram conceituar a inteligência de forma diferente. Este é o caso, por exemplo, do psicólogo suíço Jean Piaget, para quem a inteligência é uma qualidade que se expressa pela maneira como o indivíduo se adapta ao meio, implicando tal adaptação processos de assimilação e acomodação. Já o psicólogo inglês Charles Edward Spearman definiu a inteligência, no começo do século XX, como a capacidade de fazer deduções a partir de relações e correlações. O psicólogo americano David Wechsler, a quem se devem duas das escalas de inteligência mais comumente usadas, definiu inteligência como a capacidade global do indivíduo para atuar de acordo com as finalidades previstas, para pensar racionalmente e atuar de maneira eficaz em relação a seu ambiente.

De todos os atributos especificamente humanos, o mais valorizado é a inteligência, pois é por meio dela que a pessoa compreende as situações e adapta-se ou reage a elas como lhe parecer mais adequado.

Níveis de abordagem
Historicamente, fixaram-se duas abordagens para o estudo da inteligência: a quantitativa, ou estatística, e a qualitativa. A primeira concentrou-se na análise das diferenças individuais e visou basicamente a medida. A segunda orientou-se no sentido de descobrir as leis gerais do comportamento inteligente. Essa última orientação, que reflete a tradição fixada mediante os estudos de lógica e epistemologia, expressa a influência das pesquisas efetuadas em nível de psicologia comparada.

Com o passar do tempo, essas orientações evoluíram por caminhos próprios e independentes, do que resultaram desvantagens consideráveis. Uma delas foi o descompasso entre o elevado número de pesquisas sobre elaboração e eficiência de testes e a reduzida atenção dada aos processos psicológicos que participam da obtenção de respostas corretas. Houve tentativas de unificação dessas duas linhas de abordagem, mas a prática mais frequente foi a análise separada dos aspectos quantitativos e qualitativos.

Na pesquisa dos aspectos qualitativos, acentuaram-se as estratégias de solução de problemas e processos de formação de conceitos. No estudo dos aspectos quantitativos, o interesse centralizou-se na detecção das aptidões efetivamente envolvidas nas estratégias de solução de impasses e na questão da medida.

Abordagem quantitativa
A introdução do conceito de inteligência em psicologia remonta ao final do século XIX, com os filósofos ingleses Herbert Spencer e Francis Galton. Para ambos, a inteligência identifica-se com uma aptidão geral superposta a aptidões específicas. Spearman partiu da constatação de que existem correlações positivas entre os diversos testes, e para explicá-las admitiu a intervenção de um fator geral comum a todos, e que atuaria ao lado de fatores específicos para cada teste. Ao estudar esse fator geral, Spearman identificou-o com uma espécie de energia geral ou mental. Podia-se comparar o funcionamento psíquico com o de máquinas, cujo acionamento correria por conta de uma fonte geradora de energia, que é o fator geral.

Medição da inteligência
A primeira grande tentativa de mensuração da inteligência foi feita pelo psicólogo francês Alfred Binet. Convidado a participar de uma comissão organizada pelo governo francês para estudar o problema da educabilidade dos débeis mentais, Binet elaborou um método que constava de uma série de perguntas bastante simples, que eram propostas às crianças. Os resultados obtidos de uma delas era comparado aos produzidos pelas outras da mesma faixa de idade. A técnica de Binet consistiu em partir da observação do que fazem os sujeitos mais bem dotados em relação à média dos indivíduos. Não partiu, portanto, de uma conceituação prévia do que pudesse ser a inteligência. Sua metodologia nunca se revelou adequada, mas salvou-se sua perspectiva operacional.

Binet partiu do princípio de que, em média, as crianças mais velhas têm a inteligência mais desenvolvida que as mais novas. Nessas condições, conservou em seus testes os itens nos quais os desempenhos melhoravam com a idade e rejeitou os outros. Ao compor o primeiro teste de inteligência, Binet estabeleceu o resultado médio para crianças de três, quatro, cinco anos etc. Sempre que uma criança de seis anos alcançava no teste um resultado que correspondia à média das crianças de cinco anos, era considerada retardada em seu desenvolvimento mental. Embora com idade cronológica de seis anos, apresentava idade mental de cinco anos.

Deve-se à contribuição de William Stern a formulação dos resultados não mais em termos de idade mental, mas em termos de quociente de inteligência (QI). A ideia consistiu em dividir a idade mental (IM) pela idade cronológica (IC) e multiplicar o resultado por 100, segundo a fórmula QI = (IM / IC) x 100.

O método de Binet revelou-se inadequado quanto às possibilidades de aplicação ao nível do adulto. Essa dificuldade foi superada pelo psicólogo americano Edward Lee Thorndike, que partiu de dois grupos claramente identificáveis como integrados por indivíduos brilhantes e por indivíduos deficientes. A escala métrica de Binet foi publicada em 1905. Mas logo sofreu revisões, quando em 1908 foi traduzida para o inglês. Em 1916 foi feita nova revisão, graças a Lewis Madison Terman, da Universidade de Stanford. A fórmula, dita de Stanford-Binet, voltou a reestruturar-se em 1937 e 1960, e desde então ficou sendo a fórmula mais usada de avaliação da inteligência individual.

Constância do QI
De maneira geral, o QI é estável e só muda muito lentamente. No adulto é bastante constante, e apresenta poucas alterações na faixa entre os 15 e os 25 anos, ou mesmo trinta anos. Daí em diante ocorre um lento declínio. Como a inteligência não é constituída apenas por uma simples aptidão, mas de várias, registra-se em algumas delas certo incremento, mesmo após os quarenta ou cinquenta anos. Nas crianças, a constância do QI depende de um meio adequadamente estimulante.

Inteligência e criatividade
Posteriormente a pesquisa orientou-se para as relações entre inteligência e criatividade. Supõe-se que, ainda quanto positivamente correlacionadas, uma distingue-se da outra, de vez que indivíduos que apresentam altos índices de capacidade criativa nem sempre se revelam altamente dotados nos testes de inteligência.

Os testes de medida para avaliação de uma ou outra apresentam grandes diferenças. Os testes de inteligência são concebidos de forma que os resultados produzidos sejam rigorosamente os programados ou previstos pelos construtores da prova. São muito rígidos e só admitem um tipo de resposta correta. Já os testes elaborados para avaliar condições de criatividade caracterizam-se pela plasticidade ou flexibilidade em relação às respostas admitidas. São, portanto, provas "abertas", que admitem mais de uma resposta correta. Diz-se por isso que enquanto a inteligência depende de processos convergentes, a criatividade subordina-se a produções divergentes.

Inteligência e hereditariedade
Uma das questões clássicas no estudo da inteligência diz respeito a ser ela hereditária ou não. Os resultados das pesquisas experimentais mostraram-se inconclusivos. Num dos experimentos mais citados, ratos machos e fêmeas mais inteligentes foram acasalados, o mesmo acontecendo com outros menos inteligentes, até a sétima geração. Comparando-se os resultados em aprendizados de labirinto, os ratos do primeiro grupo mostraram-se bastante superiores aos do segundo. Embora tal resultado pareça comprovar a hereditariedade da inteligência, nada esclarece e apenas evidencia ser a hereditariedade um fator importante mas não único.

Outro fator apontado como relevante para a inteligência é o meio, a partir de uma outra experiência com ratos. Dividida uma ninhada em dois grupos, um foi submetido a ambiente limitado e restrito e outro a ambiente rico e estimulante. Os resultados apontaram enorme vantagem para o grupo que recebeu melhor incentivo do ambiente. Entretanto, também nesse caso o resultado é unilateral, pois nada diz sobre o papel da hereditariedade, embora deixe clara a importância do meio.

Os resultados mostram-se também pouco esclarecedores com sujeitos humanos. Em experimentos com gêmeos idênticos realmente se comprova a importância dos fatores genéticos. Contudo, para que os experimentos pudessem ser efetivamente esclarecedores seria necessário que os meios atuantes fossem totalmente diversos. Em suma, ambos os fatores são importantes, e por isso o psicólogo canadense Donald Olding Hebb sugere a conveniência de distinguir entre o que chama de inteligência A e inteligência B: a primeira seria essencialmente determinada por condições genéticas; a segunda, tanto por fatores hereditários quanto ambientais.

Inteligência e raça
A questão da relação entre inteligência e raça está intimamente correlacionada com a anterior. Hebb afirma não existir base científica para se acreditar que a inteligência A esteja de alguma forma correlacionada com a cor da pele, seja ela negra, amarela ou branca. Uma vez que o teste de inteligência supõe o conhecimento prévio dos materiais do teste, ou um contato anterior com eles, fica evidente que o QI não pode servir de base para a comparação da inteligência A de pessoas de culturas diferentes. Todas as comparações somente poderão ocorrer em relação à inteligência B, que se for baixa, não expressará obrigatoriamente uma inteligência A baixa, pois dependerá substancialmente das condições do meio, isto é, das oportunidades oferecidas pelo ambiente em função do qual se desenvolve o indivíduo.

Fases de desenvolvimento
Para Piaget, pesquisador que mais contribuiu para o estudo do desenvolvimento da inteligência, a criança está sempre criando e recriando seu próprio modelo de realidade e desenvolve-se mentalmente ao integrar conceitos mais simples em conceitos de nível mais elevado. Piaget defende assim o conceito de "epistemologia genética", espécie de cronograma estabelecido pela natureza para o desenvolvimento da capacidade infantil de pensar.

Esse cronograma desenrola-se em quatro estágios: no primeiro, chamado período sensório-motor, que vai do nascimento até um ano e meio ou dois anos, a criança começa a tomar consciência de seu próprio corpo, de seus reflexos físicos inatos e da possibilidade de manipulá-los para fazer coisas interessantes ou ter prazer. Começa também a tomar consciência de si mesma como uma entidade separada e das coisas a sua volta como entidades separadas também.

O segundo estágio é o do pensamento pré-operacional e vai mais ou menos dos dois aos sete anos. A criança consegue manipular simbolicamente seu universo, por meio de representações internas, ou pensamentos, sobre o mundo exterior. Durante essa fase, ela aprende a representar os objetos por meio de palavras e a manipular mentalmente as palavras, tal como anteriormente manipulara os objetos físicos.

No terceiro estágio, chamado de operacional concreto, dos sete aos 11 ou 12 anos, a criança começa a utilizar algumas operações lógicas, como a reversibilidade, a classificação dos objetos por suas semelhanças e diferenças, e também a compreender os conceitos de número e de tempo. Introduz-se, assim, a lógica no processo de pensamento da criança.

O quarto estágio é o período das operações formais, que começa aos 12 anos e se estende pela vida adulta. Caracteriza-se pela capacidade de pensar ordenadamente e pelo domínio do pensamento lógico, o que enseja uma espécie de experimentação mental mais flexível. Nesse estágio final, a criança aprende a manipular ideias abstratas, a formular hipóteses e a entender as implicações de sua maneira de pensar e da maneira de pensar dos outros.

Desvios da normalidade
Tomando-se como referência a inteligência caracterizada como normal, registram-se desvios tanto ascendentes quanto descendentes. Estes caracterizam-se como retardamentos, e se manifestam em relação à maturação, à aprendizagem ou à adaptação social. A determinação dos retardamentos é feita por meio da aplicação dos testes de inteligência. Assim, um indivíduo com resultado equivalente a 70 ou 85 de QI é considerado ligeiramente retardado. Na faixa de cinquenta a setenta de QI, considera-se retardamento em grau moderado. Os índices graves são os abaixo de cinquenta, caso em que o indivíduo necessita de custódia. Os retardamentos podem provir de fatores anteriores, concomitantes ou posteriores ao nascimento. Um dos casos mais comuns é o do mongolismo, ou síndrome de Down, cujos portadores apresentam 47 cromossomos em suas células, ao invés do número normal de 46 cromossomos.

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Afetividade e Percepção

Afetividade e Percepção

Afetividade e PercepçãoEm psicologia, entende-se por afetividade o conjunto de fenômenos psíquicos que compreendem sobretudo o prazer, a dor e as emoções - fenômenos ditos afetivos. É também a capacidade de experimentar estados afetivos e de produzir reações de caráter afetivo, confundindo-se, nesse sentido, com o conceito de sensibilidade. A afetividade é a base do psiquismo e o elemento mais fundamental na estruturação da conduta e das reações de cada indivíduo. Num sentido mais amplo, engloba as tendências afetivas (inclinações, paixões) e os estados passivos (prazer, dor, emoções).

Seria errôneo identificar os sentimentos e as paixões, duas formas de afetividade, com o lado "irracional" da psicologia humana. Toda a conduta do homem, até mesmo seus aspectos mais racionais e intelectuais, está marcada por esses elementos.

AmplitudeA afetividade domina desde a esfera instintiva __ à qual estão vinculadas as emoções primárias, as inclinações e as paixões __ até a sensibilidade corporal, da qual se originam as sensações de prazer e de dor, com seus correspondentes estados afetivos sensoriais (agradáveis ou desagradáveis). Nesse âmbito situam-se tanto as dimensões corporais da afetividade __ como o tom afetivo, o humor, o temperamento __ quanto os conteúdos afetivos do eu consciente, isto é, as emoções e os sentimentos, incluindo-se ainda os afetos mais nobres e mais diferenciados da alma humana, como o sentimento estético, moral, religioso etc.

A afetividade abrange assim um vasto domínio da atividade pessoal, indo até às raízes da instintividade biológica e estendendo-se ao próprio soma (o organismo considerado como matéria, em oposição as funções psíquicas), de onde partem estímulos aferentes que levam a certas disposições de humor e em que se projetam as emoções e sentimentos. Exerce ela, portanto, um papel fundamental nas correlações psicossomáticas básicas, além de influenciar decisivamente a percepção, a memória, o pensamento, a vontade e as ações, e ser assim um componente essencial da harmonia e do equilíbrio da personalidade.

Afetividade e percepçãoO ser humano, tal como os animais, é dotado de órgãos do sentido, que transmitem sensações ao receberem estímulos. Tais sensações tanto podem levar a que o sujeito se aperceba dos objetos que se situam fora dele (percepção), quanto fazer com que estabeleça uma relação consigo próprio que dá uma certa significação ao sentido de sua experiência (afetividade). Muitas vezes, um estímulo ao mesmo tempo que é percebido desperta afetividade, como no caso da música, por exemplo, que, percebida enquanto estímulo auditivo, provoca também emoção no ouvinte. De certa forma, a afetividade é um sistema perceptivo, que reage de maneira própria a certos sinais ou situações e é insensível a outros, sendo sempre capaz de deformar, mais ou menos, as significações intelectuais de qualquer informação.

Existe acentuada confusão terminológica em relação à afetividade e ao grande número de vocábulos associados ao seu conceito. Os estados afetivos fundamentais são as emoções, os sentimentos, as inclinações e as paixões. As emoções são complexos psicofisiológicos que se caracterizam por súbitas e insólitas rupturas do equilíbrio afetivo, com repercussões concomitantes ou consecutivas, leves ou intensas, mas sempre de curta duração, sobre a integridade da consciência e a atividade funcional dos órgãos; os sentimentos são estados afetivos duráveis, atenuados em sua intensidade vivencial, às vezes revestidos de tonalidades intelectuais e morais e quase sempre desacompanhados de concomitantes somáticos; as inclinações são movimentos afetivos involuntários, duráveis, contínuos, persistentes, em direção a determinado objeto, e que emergem de disposições extraconscientes; paixões são estados afetivos absorventes e tiranizantes, que polarizam a vida psíquica do indivíduo na direção de um objeto único, que passa a monopolizar seus pensamentos e ações, com exclusão ou em detrimento de tudo o mais.

A afetividade acompanha o ser humano desde seu nascimento até sua morte. De maneira geral, pode-se dizer que até à segunda infância, a vida da criança é inteiramente afetiva, e que no fim deste período, as principais formas de afetividade do futuro adulto já estão estabelecidas. Dessa forma, não parece existir, como queria Piaget, um estreito paralelismo entre o desenvolvimento afetivo e o desenvolvimento intelectual, com este último determinando as formas de cada etapa da afetividade. Ao contrário, parece ser a afetividade que obsta ou favorece o conhecimento intelectual, pois o desenvolvimento normal da inteligência só ocorre se há uma relação afetiva anterior normal. É a afetividade que constitui o alicerce sobre o qual se constrói o conhecimento racional. É possível observar na prática como as crianças portadoras de bloqueios afetivos apresentam também inibições intelectuais, e como as que possuem uma boa relação afetiva - segurança, sentido de realidade, interesse pelo mundo exterior - têm seu desenvolvimento intelectual facilitado.

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Adivinhação | Classificação das Técnicas Divinatórias

Adivinhação | Classificação das Técnicas Divinatórias

Dá-se o nome de adivinhação ao conjunto de procedimentos empregados para obter informação sobre os acontecimentos futuros, recorrendo para isso a meios sobrenaturais, é o que se denomina de adivinhação. Essa vinculação com o transcendental se depreende da etimologia latina da palavra, que literalmente significa "descobrimento da vontade dos  deuses".

O desejo de predizer o futuro é provavelmente tão antigo quanto o ser humano, que tem tentado satisfazer esse impulso de diversas maneiras, dando-lhe, conforme a época e a mentalidade reinante, maior ou menor importância.

O recurso a técnicas divinatórias não implica necessariamente a convicção de que o futuro seguirá as ordens de quaisquer divindades, crença entranhada em muitas culturas antigas, mas, pressupõe, no mínimo, a crença numa ordem de coisas que transcendem a realidade perceptível aos sentidos e que só podem ser conhecidas utilizando-se os métodos que estão -- ou pretendem estar -- além do normal. Em conseqüência, o adivinho se considera  um mediador entre ambos os planos da realidade.

A presente exposição emprega, com ligeiras modificações, a dicotomia clássica elaborada por Cícero em sua obra De divinatione (Sobre a adivinhação), inspirada no Fedro de Platão. Segundo Cícero, há duas grandes classes de adivinhação, a natural e a artificial. A primeira é intuitiva: o adivinho não faz qualquer raciocínio e é mero instrumento de uma força superior, a qual se manifesta por meio dele. A segunda forma de adivinhação é indutiva: o adivinho estabelece conjecturas baseadas em observações cujo significado interpreta à luz de um código mais ou menos elaborado.

Adivinhação intuitiva

Na adivinhação intuitiva  pode-se distinguir duas subclasses. Uma delas é a profecia, denominada adivinhação intuitiva pura, já que ocorre em estado de vigília, e a outra que acontece em estado hipnótico ou alucinatório, natural ou provocado por meios artificiais. Neste último grupo cabem tanto os oráculos das pitonisas gregas quanto as palavras proferidas pelos médiuns nas sessões espíritas, as quais não passam de uma versão atenuada e aceita pela sociedade atual da necromancia, tão temida e perseguida durante a Idade Média.

Adivinhação indutiva

Também aqui podem-se distinguir dois grupos. Ao primeiro pertencem as práticas divinatórias realizadas a partir da observação de fenômenos naturais que ocorrem espontaneamente. É o caso da astrologia, da geomancia (adivinhação pelo estado e aspecto da Terra), da aruspicação (adivinhação pelo exame das vísceras dos animais), da quiromancia (adivinhação pela análise das linhas da mão) etc. Pode-se situar esse tipo de adivinhação na origem do espírito científico, já que exige observação paciente, estabelecimento meticuloso de correspondências e a procura de uma ordem de repetição nos acontecimentos.

No segundo grupo incluem-se técnicas de adivinhação que tomam como ponto de partida eventos provocados. Assim, por exemplo, a distribuição aleatória das cartas (cartomancia), da borra do chá, de varetas ou moedas (o I Ching, empregado na China) é interpretada pelo adivinho como resposta para quem a ele recorre.

As três formas de adivinhação indutiva com importância histórica são provavelmente a astrologia, a aruspicação e a técnica de cartomancia denominada tarô.

Astrologia

É uma das técnicas de adivinhação mais antigas, originária aparentemente da Mesopotâmia. A importância que os povos mesopotâmicos atribuíam à escrita foi decisiva na instituição da astrologia.  Se os homens transmitiam suas mensagens por meio de símbolos gravados em pequenos blocos de barro, os deuses deviam fazer algo semelhante. O céu estrelado seria o lugar onde traçavam sua escrita, cujo significado só poderia ser conhecido através de inúmeras observações, que relacionavam a posição dos astros com os acontecimentos terrestres. Essas observações eram registradas e armazenadas, de forma a tornar possível sua consulta cada vez que se queria fazer uma predição.

A astrologia se difundiria depois entre quase todas as culturas da antiguidade. Na Europa medieval e renascentista propagou-se a teoria de que o homem, o microcosmo, era um reflexo do macrocosmo universal. Assim, o alemão Paracelso empregava a astrologia para diagnosticar as enfermidades, na crença de que as variações dos astros teria correspondência no corpo humano. Embora a partir do Iluminismo a astrologia tenha começado a decair progressivamente, houve um ressurgimento dessa prática nos tempos modernos.

Aruspicação

O exame das vísceras dos animais é também originário da Babilônia, onde -- analogamente ao que ocorria com os astros -- achava-se que nelas os deuses escreviam suas mensagens, as quais poderiam ser decifradas por meio de um ritual rigoroso e detalhado. Essa prática divinatória teve também um grande desenvolvimento entre os etruscos, que a transmitiram aos romanos.

Tarô

A leitura do tarô, hoje em dia muito popular, originou-se na baixa Idade Média, quando abundavam os jogos de cartas relacionados com a prática da adivinhação. Ao que parece as cartas do tarô atualmente usadas surgiram na Espanha, mas foi na Itália que aos quatro naipes (espadas, paus, copas e ouros) se adicionaram os chamados "arcanos maiores": são 21 cartas numeradas - o mago, a sacerdotisa, a imperatriz, o imperador, o sumo-sacerdote, os enamorados, o carro, a justiça, o ermitão, a roda da fortuna, a força, o enforcado, a morte, a temperança, o diabo, a torre, a estrela, a lua, o sol, o julgamento e o mundo - e uma não numerada, o louco. Cada arcano possui um significado simbólico e a seqüência e a ordem em que aparecem permitem ao adivinho predizer o futuro. O original tarocco italiano sofreu mais tarde diversas adaptações, das quais a mais conhecida é o chamado tarô de Marselha.

O fenômeno da adivinhação

Os homens recorrem geralmente à adivinhação quando estão desorientados e não sabem que escolha fazer entre aquelas que se lhes apresentam como possíveis. Os tipos de perguntas que se fazem ao adivinho costumam versar sobre as raízes ocultas do passado, que interessam ao consulente na medida em que podem influenciar o presente e principalmente, o futuro. A desorientação e a perplexidade são situações habituais entre os seres humanos. Não é de se estranhar, portanto, que para se livrar dessas situações as pessoas busquem o auxílio de todos os meios imagináveis, o que explica em grande parte o ressurgimento da adivinhação em nossa época.

A validade das técnicas divinatórias está sujeita, como é lógico, a diversas interpretações. Não se pode esquecer, por exemplo, que a astrologia medieval se considerava uma ciência baseada em concepções teóricas comumente aceitas, e que a alquimia e a cabala defendiam firmemente a adivinhação. O fato de alguns inescrupulosos explorarem a insegurança humana com técnicas divinatórias arbitrárias e em proveito próprio, não constitui necessariamente uma prova contra essas práticas. Por outro lado, não resta dúvida de que algumas técnicas divinatórias têm pouco fundamento na realidade.

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Adolescência | Características Físicas e Psicossociais dos Adolescentes

Adolescência | Características Físicas e Psicossociais dos Adolescentes

Adolescência | Características Físicas e Psicossociais dos Adolescentes

Entende-se como adolescência a fase compreendida entre a infância e a idade adulta, durante a qual se definem os caracteres sexuais secundários e se evidenciam as qualidades específicas do indivíduo. Nas sociedades simples e homogêneas, como as comunidades rurais, o período de preparação do adolescente para a vida adulta é mais curto e menos conflitivo do que nas sociedades complexas. A longa fase de dependência, que na civilização contemporânea se estende por aproximadamente dez anos, entra em choque com o desenvolvimento parcial alcançado pelo adolescente e determina uma etapa crítica e repleta de contradições.

O primeiro amor e a primeira desilusão, a rebeldia e a disposição de mudar o mundo são sentimentos próprios de uma etapa da existência marcada por intensa atividade de iniciação, decisiva para a vida posterior do indivíduo. A adolescência normalmente é vivida como um período em que coexistem grandes transformações e crise profunda.

A importância que psicólogos e educadores atribuem à adolescência é fenômeno recente. Até o começo do século XX, a etapa de transição era breve e caracterizada principalmente por alterações biológicas. A integração à vida adulta se dava de forma mais imediata, pois os papéis sociais eram menos diversificados e já estavam determinados pela herança familiar. Os estudos antropológicos indicam que nas comunidades primitivas contemporâneas a adolescência é marcada apenas pelo desenvolvimento físico. Uma simples cerimônia de iniciação integra o indivíduo na vida adulta. O progresso científico e tecnológico trouxe maior complexidade à sociedade moderna e a consequente dificuldade de integração do adolescente, além do aumento quantitativo das populações jovens que se verifica em grande parte dos países.

Características físicas

A adolescência se caracteriza, do ponto de vista anatômico, por fenômenos como o crescimento acelerado (estirão), o desenvolvimento do corpo e a modificação da aparência. O surgimento dos seios na moça, o crescimento da barba e a mudança de voz no rapaz obrigam o adolescente a adquirir uma nova consciência de seu corpo. Do ponto de vista fisiológico, as trocas hormonais próprias do período provocam reações diversas, das quais a mais importante é o aparecimento do desejo sexual.

Todas essas novidades relativas ao corpo são perturbadoras para o adolescente, sobretudo porque não ocorrem sempre da mesma maneira, ou na mesma idade. É mais comum, por exemplo, que a menina apresente a menarca (primeira menstruação) entre os dez e os 14 anos, mas o fenômeno é muito variável em função de determinações genéticas, socioeconômicas ou emocionais.

Características psicossociais

As transformações físicas por que passa o adolescente têm forte repercussão psíquica, que se revela em comportamentos típicos e transitórios. A consciência recém-adquirida da masculinidade ou feminilidade desperta a necessidade de auto-afirmação, que se manifesta em primeiro lugar como um anseio de liberdade em relação à família. O núcleo familiar, que durante a infância funcionou como fonte de proteção e segurança, na adolescência se torna opressivo. O ambiente doméstico se transforma em palco de conflitos que podem dar margem a graves sentimentos de rejeição.

A aprendizagem formal pode ser prejudicada pelo fato do indivíduo estar especialmente voltado para si mesmo e para o objeto de seu desejo sexual. Nessa etapa, em que as emoções impedem um exercício intelectual disciplinado, pode ocorrer pela primeira vez o fracasso escolar, agravado pela atitude desafiadora e crítica que o adolescente costuma manter para com os educadores e qualquer adulto investido de alguma autoridade.

A percepção do desejo sexual e os comportamentos agressivos são responsáveis pelo surgimento do sentimento de culpa, que se atenua quando o adolescente descobre um objeto amoroso. Os romances na adolescência, no entanto, podem conduzir a grandes frustrações, para as quais o indivíduo não se encontra ainda preparado. Nesse caso, estará sujeito a estados alternados de depressão e euforia. A integração a um grupo de jovens que compartilhem os mesmos interesses pode ser uma boa alternativa para contrapor as frustrações e substituir, em alguns aspectos, a família, em cujo seio o adolescente já não se sente à vontade.

Teorias sobre  a adolescência

Os especialistas têm estudado o comportamento dos adolescentes sob diversos enfoques. De modo geral, a psicologia moderna reserva ao adolescente um espaço próprio, do qual estão afastadas as atitudes autoritárias e repressivas.

Teoria biogenética

A primeira tentativa de sistematização do comportamento do adolescente, influenciada pela teoria evolucionista de Darwin, foi a teoria biogenética. Pretende explicar as condutas como decorrentes de alterações biológicas geneticamente determinadas. A exuberância do adolescente se explica pelo desenvolvimento neurológico e glandular. A teoria biogenética é basicamente descritiva e não propõe alternativas terapêuticas.

Teoria culturalista

A fonte principal da teoria culturalista é a antropologia cultural. Os traços característicos do comportamento do adolescente são resultado da integração do indivíduo na comunidade. Os conflitos decorrem de pressões culturais. A adolescência pode ser uma fase de crises ou de alterações graduais, segundo o tipo de cultura em que apareça.

Teoria psicanalítica

 A psicanálise atribui relativamente pouca importância à adolescência. O desenvolvimento da personalidade é vinculado à evolução da libido e à passagem progressiva do princípio do prazer ao princípio da realidade. As fases de evolução da libido, no entanto, não são estáticas. Apresentam uma integração contínua e dinâmica, e isso significa que as características sexuais primitivas não desaparecem por completo quando a personalidade avança para um estágio superior. O final da infância é marcado por um estado de latência, devido às pressões da socialização. A adolescência é o período em que as fases pré-genitais da libido regridem para dar lugar à sexualidade genital madura. O complexo de Édipo, o complexo de castração e outros conflitos próprios da sexualidade infantil desaparecem, mas podem reeditar-se em comportamentos típicos da transição, como a paixão por pessoas muito mais velhas. Em síntese, a teoria psicanalítica enfatiza na adolescência o conflito entre os impulsos instintivos e o estabelecimento de valores.

Teoria de Spranger

A teoria de Eduard Spranger fundamenta-se na filosofia da cultura, para a qual as leis que regem a natureza não são aplicáveis às ciências humanas. Assim, o crescimento físico e as transformações sexuais sofridas pelo adolescente não constituem o essencial de seu estado. A consciência da sexualidade é o que importa, não o fenômeno fisiológico que ocorre independentemente da consciência. Spranger distingue erotismo de sexualidade. O erotismo não é uma função da sexualidade, mas esta é decorrente do erotismo. Ambos constituem uma totalidade de vivências. O desenvolvimento da personalidade na adolescência depende de uma estruturação psíquica que se dá principalmente pela aquisição da consciência de si mesmo. Os conflitos são produto do choque de valores sociais, éticos e religiosos. O sistema de valores depende do meio em que o adolescente vive e se integra.

Teoria de campo

Para Kurt Lewin a adolescência é uma fase marginal, que não se situa no campo definido do adulto nem da criança. O aumento da perspectiva temporal é intenso na adolescência: o adolescente integra o passado e vive em função dos objetivos situados no futuro. Tal como acontece com os que pertencem às minorias, o adolescente procura apoio em seu próprio grupo e se revolta contra os outros. As diferenciações somáticas são relevantes na adolescência e produzem efeitos na auto-imagem, um de seus valores predominantes, assim como o modo como é visto pelo grupo. A teoria de campo mostra que a adolescência é um período transitório, de aspecto altamente dinâmico, entre o espaço de vida da criança e o da maturidade.

Teoria cognitiva de Jean Piaget

As intensas alterações decorrentes do amadurecimento psíquico e sexual do adolescente provocam um desequilíbrio provisório que conduz posteriormente a um equilíbrio superior. O reconhecimento do mundo exterior se dá na criança pelo contato dos sentidos e pela ação concreta. Na adolescência, as estruturas intelectuais que comandam o conhecimento se tornam aptas ao raciocínio lógico e abstrato, sem necessidade de apoio na experiência e na ação. O adolescente é capaz de formular teorias e de desenvolver atitudes críticas e contestatórias. A partir do pensamento abstrato recentemente adquirido, o adolescente elabora planos de vida. A intensa atividade reflexiva explica a fantasia e a idealização. A integração na sociedade adulta se faz por meio de projetos, sistemas teóricos e mesmo de reformas sociais. O amor e a vida afetiva assumem grande importância em consequência do afastamento da realidade pela via da abstração. A adaptação social definitiva ocorre quando o adolescente parte da criação reflexiva para a realização objetiva de projetos.

RebeldiaRebeldia

De todos os adolescentes são esperados comportamentos rebeldes e a rebeldia já virou, inclusive, sinônimo de adolescência. Esta relação feita entre esta fase da vida e este padrão comportamental faz com que a rebeldia seja entendida como uma característica própria da idade, que passa com o tempo e que, como tal, não pode ser solucionada nem discutida. Na verdade a rebeldia é um comportamento comum na fase adolescente, comum no sentido de frequente e não de próprio desta fase. O próprio da fase adolescente, universal e que inevitavelmente acontece com todos os jovens normais, são as mudanças corporais, o aparecimento do interesse sexual, a mudança de outros tipos de interesse e uma nova forma de se relacionar com o mundo, que não é mais infantil nem adulta e que, portanto, caracterizam uma fase de transição muito marcante.

Todas as transformações biológicas e físicas provocam reações diferentes nas pessoas que lidam com o adolescente. Uma grande confusão a respeito do que permitir, o que proibir e o que pode ser aceito desta nova pessoa, acontece com os adultos. Todas as modificações da adolescência provocam conflitos na forma do adulto se relacionar com o adolescente e a sociedade também provoca discussões e leis confusas, que autorizam o voto e outras responsabilidades e desautorizam responsabilidade criminal e outras coisas, fazendo com que a maturidade do jovem seja vista de diferentes formas. Tudo isto é polêmico, controverso e confuso e é este conjunto de coisas que caracteriza o ambiente do adolescente como confuso e conflituoso. A institucionalização das características adolescentes também provocam expectativas de que com todos eles, tudo aconteça exatamente da mesma forma nesta fase e a criança que cresce ouvindo que será assim a partir de determinada idade, provavelmente desenvolve alguns comportamentos para responder ao esperado, sem que isto se desenvolvesse normalmente.

Frente a estes aspectos, é desleal atribuir à fase adolescente toda a responsabilidade pela rebeldia comum nesta fase. Dependendo da relação familiar e do grupo de convívio do adolescente, suas características podem ser diferentes do esperado. Nem todos os jovens desenvolvem os mesmos comportamentos convencionados como característicos, e nem todas as famílias têm problemas na definição de como educar o adolescente. A rebeldia pode ser apenas uma reação à falta de jeito dos adultos para lidar com esta nova fase, da falta de compreensão, apoio e esclarecimento das modificações, que podem assuntar o jovem, se forem absolutamente desconhecidas, e de outros problemas de trato com esta pessoa, que não pode mais ser tratada como a criança que era, e que não tem maturidade suficiente para assumir uma vida adulta. Se os adultos que se relacionam com o adolescente continuam a tratá-lo como criança, se não conseguem aceitar que os interesses dele são outros e não tiverem condições de estabelecer uma relação de colaboração e confiança, a probabilidade de rebeldia na adolescência continuará sempre fazendo com que esta característica seja marcante nesta fase.

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Relaxamento | Psicologia

Relaxamento | Psicologia

Relaxamento | Psicologia

Do ponto de vista fisiológico e psicológico, relaxamento é a redução voluntária ou involuntária do tônus muscular do corpo, com o objetivo de pôr fim a estados de fadiga corporal ou de esgotamento psíquico. Os métodos de relaxamento constituem um valioso instrumento terapêutico no tratamento de neuroses, alterações psicossomáticas e lesões neurológicas.

Na vida diária, o termo relaxamento é associado à noção de tranquilidade e ao desejo de escapar do estresse e do ritmo acelerado da vida moderna.

Precedentes dos métodos de relaxamento

Ao contrário do que ocorre com os orientais, o interesse do mundo ocidental pelo fenômeno do relaxamento não é filosófico, pois ele aparece apenas de modo esporádico na tradição mística cristã e, na medicina, constitui uma derivação de fenômenos como o magnetismo e a hipnose. O médico alemão Franz Anton Mesmer, que deu nome ao mesmerismo, inventou no século XVIII um método de tratamento baseado no magnetismo, que se processava num ambiente sugestivo onde as manifestações de histeria e euforia eram seguidas de estados de languidez, devaneio, prostração e adormecimento. A evolução do mesmerismo, que levou à prática do sono magnético como método de insensibilizar o paciente submetido a cirurgia, preparou a base para a sugestão verbal e a hipnose propriamente dita.

O cirurgião James Braid, de Manchester, introduziu o termo hipnose para designar uma técnica de indução de sono artificial, com perda de memória. A partir de 1841, ele usou experimentalmente o hipnotismo e refutou a crença popular segundo a qual a habilidade para hipnotizar se relacionava à passagem mágica de fluidos ou outra influência do cirurgião sobre o paciente. Os especialistas franceses que criaram a escola de Nancy, em 1875, defenderam o caráter puramente psicológico do estado hipnótico e de suas  propriedades (anestesia, catalepsia, alucinação etc.) e situaram sua origem na sugestão verbal, que servia não somente para provocar o estado hipnótico, mas também para levar ao paciente imagens psíquicas de cura. Nessa investigação, chegaram mesmo a prescindir da hipnose prévia, induzindo verbalmente a simples imaginação de um estado físico e produzindo, com êxito, em muitas ocasiões, a realização efetiva desse estado.

A escola de Salpêtrière, do doutor Jean-Martin Charcot, utilizou a hipnose para o tratamento de histéricos, que ele fazia entrar em catalepsia, provocando crises e acessos violentos. O criador da psicanálise, Sigmund Freud, descobriu, a partir das experiências de Charcot, que o efeito da hipnose dependia da relação pessoal entre paciente e médico, o que o levou a abandonar o método hipnótico. Na psicanálise freudiana, a posição relaxada sobre o divã é apenas uma circunstância facilitadora da busca do trauma original, da análise dos sonhos e da livre associação.

Métodos ocidentais de relaxamento

Os métodos ocidentais de relaxamento mais conhecidos são o treinamento autógeno de Johannes Heinrich Schultz e o método de relaxamento progressivo de Edmund Jacobson. Schultz, neurologista e psiquiatra berlinense, notou que os pacientes hipnotizados sentiam o corpo mais pesado e uma sensação difusa de calor. Isso o levou a pensar que se produzia nessa circunstância um relaxamento muscular e uma dilatação vascular periférica. Se essas sensações eram básicas nos estados sugestivos, e não meramente concomitantes, poder-se-ia ensinar aos pacientes como produzir em si mesmos, de forma voluntária, tais sensações e, portanto, os estados psíquicos correspondentes -- daí o nome de treinamento autógeno.

O método compreende dois ciclos

No primeiro, ou inferior, ensina-se o indivíduo a auto-induzir uma sensação de peso ou calor, mediante exercícios de concentração em zonas do corpo, no ritmo cardíaco e na respiração. Dessa forma, se consegue amortecer a própria ressonância emocional e facilitar o auto-esclarecimento e a auto-expressão espontânea. No ciclo superior, de caráter mental, busca-se a concentração sobre objetos, cores, sentimentos, conceitos, relações pessoais, objetivos etc.

Dedicado à psicofisiologia, o doutor Jacobson, de Chicago, partiu do estudo fisiológico e clínico das tensões dos músculos e de sua importância em psicologia e em terapêutica para estabelecer seu método de relaxamento. Observou que o simples ato de pensar um ato motor desencadeava na musculatura correspondente potenciais de ação mínimos, mas mensuráveis, embora não se produzisse movimento. Isso levou-o a pensar que os estados de nervosismo, emoção, reflexão etc. poderiam  estar associados a modelos neuromusculares transitórios, razão pela qual o relaxamento progressivo das zonas corporais poderia comportar um repouso cerebral regional. O método consiste no aprendizado da percepção das próprias contrações musculares e de seu relaxamento. Diferentemente do que sucede com o treinamento autógeno, são produzidas fases ativas de contração.

Neurofisiologia do relaxamento

A musculatura estriada é percorrida por um duplo sistema de inervação motora: as fibras motoras alfa, que se integram, para sua coordenação, no sistema reticular, e as fibras nervosas alfa, conectadas com as primeiras e que mantêm indiretamente o tônus ou tensão muscular adequados, também controlado pelo sistema reticular. Da mesma forma que uma central telefônica, esse emaranhado reticular pode sofrer uma sobrecarga provocada por tensões que venham a ocasionar desordens orgânicas como úlceras, rigidez muscular, tremores, dores na nuca etc. Quando é introduzida a atividade de relaxamento, o feixe ou círculo vicioso da tensão que se realimenta a si mesmo se rompe, descarregando o estímulo reticular e baixando o tônus muscular, o que diminui quase todas as funções orgânicas.

Respiração e relaxamento

A respiração é o aspecto fundamental do relaxamento. É bem conhecido o papel central que a respiração ocupa na ioga e o fato de que um ramo da hatha-yoga, o pranayama, tem por objetivo o domínio de uma série de técnicas respiratórias. Enquanto no Oriente se atribui à respiração um acento subjetivo e mental, no Ocidente o enfoque é predominantemente fisiológico. Desse ponto de vista, por sua situação especial entre os processos vegetativos e voluntários, pode-se utilizar a respiração para influir consciente e voluntariamente em processos involuntários ou inconscientes. Como a causa do estresse e das doenças psicossomáticas se encontra sempre numa alteração forçada do ritmo natural dos processos vitais, ao recuperar a respiração natural se adquire uma vivência interna de harmonização ou identificação com a natureza que se estende, com sua continuação, aos demais processos orgânicos.

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Psicose | O Que é Psicose?

Psicose | O Que é Psicose?

#Psicose | O Que é Psicose?
A psicose é utilizada em diferentes sentidos e em diversas situações. É comum que tenhamos contato com este termo através de filmes e livros, os quais se referem a um comportamento anormal, ou ainda como referência de um medo ou terror, que acomete várias pessoas ao mesmo tempo, aparecendo como “psicose coletiva”. As definições em psiquiatria também são muitas e não há nenhuma plenamente satisfatória. A psicose é caracterizada por alterações psicológicas muito graves e muito mais comprometedoras que outros distúrbios, como é o caso da neurose. 


Para diagnosticar uma psicose, o profissional observa o nível de consciência do paciente, se ele está sonolento, desperto ou em vigília, se é capaz de se concentrar, de memorizar, se tem noção de tempo e de espaço, se reage afetivamente, se tem ideias a respeito das coisas que se lhe apresentam, se é capaz de raciocinar e se tem percepção e juízo da realidade. Todas estas observações apontam o nível de comprometimento apresentado por um psicótico. A característica psicológica que apresenta um nível de comprometimento mais preocupante é o juízo da realidade apresentado pelo paciente. A comunicação fica quase totalmente prejudicada, porque esta síndrome provoca a incapacidade de reconhecer fatos e fazer relações entre eles. A principal alteração do juízo é caracterizada pelo aparecimento do delírio, onde o paciente distorce totalmente a realidade e acredita plenamente nas suas fantasias, ficando irredutível a qualquer tentativa de argumentação lógica. 

A psicose não se refere a uma doença específica, trata-se de uma síndrome, ou seja, de um conjunto de doenças diferentes, que possuem sinais e sintomas semelhantes. A esquizofrenia é um dos quadros psicóticos de maior importância. As doenças afetivas, que se caracterizam por fases de depressão e mania, podem também se apresentar como quadros psicóticos, apresentando os conteúdos afetivos da doença como características do delírio. A fase depressiva apresenta delírios de ruína, de culpa, prejuízo, morte, o paciente se sente responsável por grandes catástrofes mundiais, por guerras e desastres. Na fase maníaca os delírios são de grandeza ou de poder. Os quadros psicóticos são caracterizados também por visões de situações fúnebres, por depressão, a pessoa pode chorar muito e ouvir vozes que podem ser de comando ou podem estar chamando pessoas que já morreram, além de outros delírios. A psicose pode aparecer em qualquer fase da vida.

O autismo é um exemplo de uma psicose típica da infância que se caracteriza por um alheamento e pela falta de contato com as pessoas. O uso de drogas como LSD e cocaína podem causar sintomas psicóticos. O álcool também pode causar alucinose alcoólica e o delirium tremens. Algumas doenças como tumores cerebrais e até a AIDS podem levar ao aparecimento da síndrome. A psicose é tratada com medicamentos e, em casos mais graves, a internação é inevitável, mesmo que tenha como objetivo um tratamento rápido com alta precoce. O indivíduo psicótico não tem consciência do seu estado e, por este motivo, pode recusar a medicação. Estas características da síndrome reforçam a ideia da importância da intervenção da família até que o paciente possa tomar conta de si próprio.

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Morte | Conceitos Etimológicos sobre a Morte

Morte | Conceitos Etimológicos sobre a Morte

#Morte | Conceitos Etimológicos sobre a MorteMorte, do ponto de vista físico, é o que ocorre quando cessa a vida de um indivíduo, seja por causas naturais, como velhice ou alterações funcionais devidas ao desgaste dos tecidos e órgãos, seja por motivos acidentais e causas externas. Na morte rompe-se o equilíbrio biológico e físico indispensável à manutenção da vida.

O único fenômeno que desperta no homem igual ou maior interesse que a vida humana é, possivelmente, a extinção da própria vida. Pelo que envolve de inelutável, trágico e misterioso, a morte é objeto de estudo da medicina, da psicologia, da filosofia e da antropologia.

Na natureza, vida e morte estão indissoluvelmente unidas, pois a primeira é condição para a segunda. Além disso, a vida de alguns seres depende da morte de outros, numa complexa cadeia de ações interdependentes em que alguns organismos se alimentam de outros para obter a matéria e a energia de que necessitam. Na cadeia natural da vida, a própria evolução das espécies depende da morte.

Em filosofia, a morte ou a consciência da morte é tema de reflexão sobre o homem e a existência. Do ponto de vista da antropologia social, o fenômeno inevitável da morte é estudado em suas representações nas diferentes sociedades. Por meio da comparação sistemática, verifica-se como as várias sociedades humanas classificam e absorvem o fato de que, periodicamente, alguns de seus membros desaparecem. Na morte, manifesta-se o problema do desaparecimento do corpo físico, do indivíduo e também de sua própria vida social. É preciso que se cuide não só de dar lugar a um corpo - transformado em objeto inerte - por motivos práticos, como também é necessário que se restabeleça uma continuidade na vida social momentaneamente interrompida.

No funeral, a coletividade manifesta as diferenças de significado entre, por exemplo, a morte de um chefe de família, considerado um ser social completo, e a de uma criança na primeira infância, quando ainda não se constituiu em representante completo de seu grupo social, que nela apenas havia começado a investir. Por meio dos rituais, o grupo reorganiza suas relações e encontra um momento para refletir sobre as próprias convenções e sua finitude.

As religiões que separam o corpo da alma, com isso, visam à imortalidade. De outra maneira, busca-se a imortalidade de figuras políticas importantes ao dar seus nomes a ruas e praças. Para imortalizar um membro de uma coletividade, escolhe-se como referência uma das máscaras sociais desse indivíduo, geralmente a que teve maiores consequências para o grupo ao qual pertenceu. Reduzem-se, assim, todos os papéis sociais desempenhados pelo indivíduo a somente aquele que foi mais importante do ponto de vista público. Machado de Assis, por exemplo, é cultuado como escritor, e não como marido ou funcionário, numa relação em que o homem e o papel público que desempenhou se identificam de maneira quase absoluta. A imortalidade, desse modo, concilia num plano sociológico (ou simbólico) a morte do corpo (que ameaça todo o grupo social) com a sobrevivência e a perpetuidade do sistema social. Por isso, todas as sociedades conhecidas pela antropologia social cuidam da imagem social do morto.

Morte física. A suspensão das funções vitais nos seres humanos se reconhece por uma série de sinais, dos quais os mais importantes são: (1) paralisação dos centros nervosos vitais, representada por perda da consciência, da mobilidade voluntária, da reação reflexa aos estímulos e do tono muscular; (2) paralisação da respiração, o que provoca imobilidade respiratória, silêncio auscultatório e quietude radioscópica costodiafragmática; (3) parada das funções circulatórias, com paralisação cardíaca e da corrente sanguínea, o que se manifesta por cessação das pulsações, expressão de morte, palidez, desingurgitação, diminuição da tensão ocular, descoloração retiniana, apagamento do brilho da córnea e deformação ovalar da pupila.

Imediatamente após a morte produz-se um estado de relaxamento e flacidez em todos os músculos do corpo. Após certo tempo, no entanto, inicia-se um lento processo de contração muscular, conhecido pelo nome de rigidez cadavérica, que afeta tanto a musculatura estriada do aparelho locomotor como o miocárdio, o diafragma e os músculos de fibra lisa. Terminados os processos abióticos, iniciam-se novas atividades bioquímicas que conduzem o cadáver à destruição ou desintegração. São os processos cadavéricos destrutivos: autólise e putrefação.

Em consequência do aumento dos recursos à disposição da medicina em tempos recentes, como transplantes de órgãos e aparelhos de manutenção artificial das funções vitais, cresceu também o interesse na definição de critérios para determinar a ocorrência da morte, especialmente importantes em casos de potenciais doadores de órgãos e de indivíduos cuja vida depende do funcionamento de equipamentos. Entre esses novos critérios, o mais importante é a ausência de funcionamento do tronco cerebral - área na base do cérebro que se junta ao topo da medula espinhal e controla as funções de consciência, respiração e pressão sanguínea do organismo - e a parada irreversível da respiração espontânea. Diante dessas evidências, diz-se que ocorreu morte cerebral e não há possibilidade de recuperação.

O diagnóstico de morte cerebral se faz em três etapas e visa a determinar se houve perda irreversível da função do tronco cerebral. Primeiro se apura a causa do coma e se procura estabelecer com certeza que o paciente sofreu lesão irreversível na estrutura cerebral. O conceito de irreversibilidade se baseia na ausência de melhora com a passagem do tempo e com as seguidas tentativas de reverter o quadro clínico. Depois, devem ser excluídas todas as causas possíveis de uma disfunção reversível do tronco cerebral, como hipotermia, intoxicação por drogas ou perturbação metabólica grave. Finalmente, deve-se demonstrar a ausência de todos os reflexos do tronco cerebral, além de confirmar que o paciente é incapaz de respirar, mesmo sob forte estímulo.

Um teste de função do tronco cerebral dura menos de meia hora. O médico verifica a presença das seguintes reações normais: (1) constrição das pupilas em resposta a estímulos luminosos; (2) piscar de olhos em resposta ao estímulo da córnea; (3) contrações da face como reação à pressão firme logo acima do globo ocular; (4) movimentos oculares em resposta à inserção de água gelada nos ouvidos; e (5) tosse ou engasgo após a introdução de um cateter nas vias aéreas. O teste deve ser feito em duas ocasiões diferentes.

A concepção de morte relacionada à perda da capacidade de estar consciente (embora os conteúdos da consciência não tenham sido afetados), combinada à apneia irreversível, fornece equivalentes filosoficamente seguros, eticamente aceitáveis e clinicamente aplicáveis aos conceitos de "separação da alma com relação ao corpo" e de "perda do sopro vital", tão importantes para algumas culturas.

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História da Astrologia

História da Astrologia

História da AstrologiaA astrologia estuda a influência dos astros, especialmente por meio dos signos, no caráter, no comportamento e no destino dos homens. A grande popularidade de que essa disciplina desfruta modernamente, aliada ao rigor matemático e à coerência interna de suas relações, faz com que muitos pretendam para ela a categoria de ciência, sem levar em conta que seus postulados, embora plausíveis, não podem ser submetidos a comprovação experimental.

Desde tempos imemoriais os homens acreditaram que os astros exercem influência sobre sua vida e sobre os acontecimentos. Um sistema complexo de relações, em que se misturam matemática e adivinhação, foi estabelecido pelas antigas civilizações mesopotâmicas, com o propósito de determinar as leis que regem as relações entre os astros, os homens e os fatos.

HistóriaA astrologia nasceu na Babilônia, relacionada à matemática e à astronomia, disciplinas muito desenvolvidas naquela civilização. O sistema astrológico babilônio constava de seis mil signos, cuja observação e interpretação visavam a estabelecer uma relação entre os acontecimentos terrenos e a organização celeste, a fim de melhor atender à vontade dos deuses. Desta derivava a legitimidade do poder constituído e a ela deviam prestar contas o rei e demais dirigentes.

Para os antigos povos mesopotâmicos, os próprios deuses estavam submetidos aos azares do destino, de forma semelhante ao que ocorria com os mortais. Não se acreditava que o destino de cada indivíduo fosse predeterminado em detalhe, mas a astrologia permitia conhecer, em linhas gerais, as obrigações e possibilidades de vitória ou derrota dos governantes sem, no entanto, desprezar a noção de responsabilidade. O código de Hamurabi (século XII  a.C.) prescrevia severas penas para médicos e arquitetos incompetentes, e não lhes reconhecia o direito de invocar o destino para justificar erros. Os astros assinalavam tendências gerais; descobrir as regras que eles ditavam levava à retidão, não à fatalidade.

Vários séculos antes de nossa era a astrologia já era conhecida na Índia, China, Egito, Pérsia e Grécia. Nesta última, seu desenvolvimento foi favorecido pela obra de filósofos como Heráclito e Pitágoras. Os gregos sistematizaram os conhecimentos astrológicos de maneira particular. Entre os séculos VI  e III a.C. modificaram o zodíaco babilônio, dando-lhe a configuração que conhecemos atualmente, e atribuíram cada divisão do círculo zodiacal a um deus. Planetas e deuses ocupantes de cada casa zodiacal teriam influência sobre a conformação física, o temperamento e o destino das pessoas. O horóscopo, sistema que relaciona datas e lugares geográficos à posição dos astros, passou a ser usado para previsões no campo das atividades políticas, bélicas e de colonização.

Durante a antiguidade clássica, a astrologia confundiu-se com a astronomia e perdeu o caráter sagrado, mas não sua natureza tradicional e empírica. Teve muito prestígio durante a Idade Média, apesar da condenação da igreja, que a considerava contrária à doutrina cristã. Entre os árabes as práticas astrológicas também se disseminaram: foram criadas várias escolas às quais concorriam astrólogos árabes, persas e hebreus. No Renascimento, a astrologia conheceu um momento de apogeu: grandes astrônomos da época, como Tycho Brahe e Copérnico, valorizavam a disciplina; artistas representavam seus símbolos em quadros, esculturas e edifícios, bem como pensadores aspiravam a construir um sistema universal de relações que estabelecesse a correspondência entre o macrocosmo celeste e o microcosmo humano.

Com o desenvolvimento e prestígio crescente das ciências exatas, porém, as práticas astrológicas durante muitos anos permaneceram limitadas aos horóscopos - muitas vezes forjados - publicados por jornais e revistas. Mas atualmente ganharam novo alento. Multiplicaram-se as publicações especializadas e firmou-se a profissão de astrólogo, misto de adivinho e conselheiro, que faz previsões e sugere comportamentos baseados principalmente no mapa astral - configuração celeste no momento do nascimento do consulente - que elabora.

Zodíaco e astrologia
A carta celeste se divide, para a astrologia, em 12 casas, cada uma presidida por uma constelação, que dá origem a um signo do zodíaco. O signo principal ou solar, o signo ascendente e o signo lunar determinam uma série de características e tendências relativas à constituição física, caráter e preferências da pessoa nascida sob sua influência. Os quatro elementos da natureza -- água, ar, fogo e terra - se relacionam, cada um, a três signos e emprestam  suas características aos nativos dos mesmos. Os signos de água são Peixes, Câncer e Escorpião; os de ar, Aquário, Gêmeos e Libra; os de fogo, Áries, Leão e Sagitário e os de terra são Capricórnio, Touro e Virgem. Para a astrologia, as pessoas nascidas sob um signo de fogo são dinâmicas e empreendedoras, enquanto que os nativos dos signos de água apresentam temperamento oscilante e flexível.

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