Literatura Britânica

Literatura Britânica

A poesia de Geoffrey Chaucer, cuja obra contribuiu decisivamente para a fixação do idioma inglês; o teatro de William Shakespeare, que revolucionou a dramaturgia do Ocidente; e a ficção de James Joyce, frequentemente considerado o romancista de maior influência no século XX representam alguns dos pontos altos da literatura britânica.

Literatura medieval - Ao longo da antiguidade e da Idade Média as ilhas britânicas sofreram sucessivas invasões de povos que traziam consigo sua própria língua ou dialeto. Assim, a progressiva elaboração da língua inglesa permite distinguir dois períodos: o do inglês antigo, ou anglo-saxão, e o do inglês médio, posterior à conquista normanda.

Inglês antigo - Os textos mais antigos da literatura britânica correspondem à época de cristianização dos anglo-saxões, fato que provocou a confluência da tradição latina e da épica germânica. O grande monumento do inglês antigo é o poema épico Beowulf, composto por um autor anônimo em meados do século VIII. Já o início da prosa em língua inglesa está ligado ao rei Alfredo, em cujo reinado, na segunda metade do século IX, foram traduzidas numerosas obras latinas.

Inglês médio - Com a conquista da Inglaterra em 1066 por Guilherme I o Conquistador, o cultivo da tradição anglo-saxônica passou a ser severamente reprimido e deu-se prioridade ao francês e ao latim como línguas "cultas", empregadas sobretudo para escrever obras históricas sobre temas nacionais. Entre os cronistas anglo-latinos, destacaram-se Guilherme de Malmesbury e, no início do século XII, Godofredo de Monmouth, que fixou a lenda do rei Artur a partir de fontes celtas. Na poesia, o inglês manteve sua proeminência.

De Chaucer ao Renascimento - Nascido em 1340, Geoffrey Chaucer, considerado o primeiro grande mestre da poesia britânica, produziu obras como Parliament of Fowles (Parlamento das aves) e Troilus and Criseyde (Troilo e Criseida). Todavia, foram The Canterbury Tales (Os contos de Canterbury), inspirados num texto de Boccaccio, que lhe deram fama universal. Essas narrativas foram colocadas pelo autor na boca de um grupo de peregrinos a caminho de Canterbury. Na obra, Chaucer desenvolveu os fundamentos do idioma inglês.

Expressão de circunstâncias sociais em grande transformação, a obra de Chaucer abriu novos caminhos, mas nem seus contemporâneos (como John Gower) nem tampouco seus sucessores (como Thomas Hoccleve e John Lydgate) conseguiram ultrapassar os limites da imitação retórica. Seus verdadeiros seguidores foram os chaucerianos escoceses do século XV, entre os quais Robert Henryson, autor de Testament of Criseyde (Testamento de Criseida), e William Dunbar, cuja grande obra foi Dance of the Seivin Deidly Syneris (Dança dos sete pecados capitais). Da mesma época é a obra-prima do ciclo arturiano, Le Morte Darthur (A morte de Artur), de Sir Thomas Malory.

A literatura popular constituía-se de obras de teatro, poemas líricos e narrativos, representados ou recitados nos dias de festa. Dentro dessa mesma tradição oral incluíam-se os carols - canções acompanhadas de dança - sobre temas políticos ou religiosos, e as baladas tradicionais inglesas e escocesas, que desempenharam papel fundamental na transmissão da antiga literatura.

Renascimento - O relativo isolamento das ilhas britânicas em relação às tendências culturais do continente europeu fez com que as concepções renascentistas só começassem a expandir-se durante o século XVI. A força das tradições locais, no entanto, estimulou os autores britânicos a superar a mera imitação e desenvolver uma personalidade própria. Tal esforço alcançaria sua definitiva consolidação com a obra excepcional de William Shakespeare.

Prosa - Primeiro grande representante do humanismo inglês, Sir Thomas More, na Utopia, escrita em latim, descreveu a república ideal. Duro opositor da Reforma, More, após a separação da Igreja Anglicana em relação a Roma, foi executado (1535). Na época, apareceram os primeiros romances. John Lyly, autor de Euphues, the Anatomy of Wit (Euphues, a anatomia do espírito), desenvolveu um estilo elaborado e retórico. Mais realistas foram The Unfortunate Traveller (O viajante sem sorte), de Thomas Nashe, e Jacke of Newberie, de Thomas Deloney.

Poesia - Os poetas das primeiras décadas do século, como John Skelton, Thomas Wyat e Henry Howard, procuraram adaptar formas e motivos italianos, mas raramente deram a suas criações características efetivamente pessoais. A obra de Sir Philip Sydney, ao contrário, manteve uma linha fundamentalmente individual e estetizante, como nos primorosos sonetos de Astrophel and Stella. Edmund Spenser foi quem melhor representou o afã de renovação com o poema alegórico The Faerie Queene (A rainha das fadas). Quanto aos poemas breves, o destaque foi para o emprego do soneto, que teve seus maiores apreciadores em Samuel Daniel, Henry Constable e, especialmente, William Shakespeare.

Teatro de Shakespeare - Baseados nas normas e recursos das grandes tragédias de Sêneca e das comédias de Plauto, um grupo de autores chamados university wits (gênios universitários), produziu peças que prepararam o terreno para o teatro shakespeareano. Assim, John Lyly cultivou a comédia refinada (Endiminion, Campaspe), e George Peele e Robert Greene esboçaram o verso sem rima e o romance idílico que caracterizariam a comédia posterior; Thomas Kyd iniciou com The Spanish Tragedy (A tragédia espanhola) o melodrama sem limites e introduziu o tema da vingança, típico da tragédia dos anos seguintes; e Christopher Marlowe, o criador mais importante do grupo, deu passos decisivos em suas tragédias Tamburlaine, The Jew of Malta (O judeu de Malta) e Eduardo II.

O caminho estava aberto e o público preparado para William Shakespeare, nascido em 1564. Suas obras constituiriam, por si sós, toda uma literatura. Além de escrever os Sonetos e poemas amorosos mitológicos (Vênus e Adônis), Shakespeare iniciou sua carreira com peças históricas (Henrique VI, Ricardo III, Ricardo II) e comédias -- The Two Gentlemen of Verona (Os dois cavalheiros de Verona) e The Comedy of Errors (A comédia dos erros). Em 1595, produziu suas primeiras grandes criações. Em A Midsummer Night's Dream (Sonho de uma noite de verão), comédia "mágica", desenvolveu esquemas e procedimentos empregados depois em obras como The Merchant of Venice (O mercador de Veneza), Twelfth Night (Noite de Reis) e Romeu e Julieta, exemplo supremo da tragédia romântica em língua inglesa.

Por volta de 1600, o teatro de Shakespeare adotou um tom sombrio, que se refletiu tanto no ceticismo das comédias -- Measure for Measure (Medida por medida) -- como na explosão verbal das tragédias, escritas em sua maior parte em verso livre. São obras-primas Hamlet, Otelo, Macbeth e Rei Lear. A fase final, de maior serenidade, teve suas primeiras expressões em Cimbelino e The Winter's Tale (Conto de Inverno), culminando com The Tempest (A tempestade), drama filosófico em que Shakespeare levou ao limite sua capacidade de transcender os gêneros.

O único rival de Shakespeare entre seus contemporâneos foi seu amigo Ben Jonson, autor das comédias Every Man in His Humour (Cada qual no seu humor), Volpone e The Alchemist (O alquimista), nas quais, partindo de sua teoria de que os "humores" determinam o caráter dos homens, e usando argumentos deliberadamente ingênuos, retratou a vida da Londres elisabetana com uma rica caracterização de personagens.

Século XVII - O pensamento e a literatura britânicos do século XVII estiveram marcados pela revolução puritana, com seu apego à religião e pela instauração da monarquia parlamentarista de Guilherme de Orange em 1688, que permitiu a consolidação da ideologia liberal desenvolvida ao longo do século e prolongada em épocas posteriores.

Prosa - O grande precursor do interesse pela pesquisa e pela análise que caracterizaria a filosofia britânica foi Francis Bacon, que em seu Advancement of Learning (O progresso do saber) e Novum organum postulou uma teoria do conhecimento baseada no emprego do método indutivo e definiu a prioridade do estudo científico sobre os pressupostos teológicos. As teses de Bacon foram utilizadas em outra perspectiva por Thomas Hobbes, cujo Leviathan constituiu uma apologia do absolutismo monárquico.

A obra de Sir Thomas Browne Urne-buriall (Urna sepulcral) seguiu uma linha mais conciliadora. Robert Burton realizou em sua Anatomy of Melancholy (Anatomia da melancolia) uma indagação poética e complexa sobre o espírito humano. O idealismo metafísico teve notáveis representantes em Henry More e Thomas Cudworth, líderes do grupo dos "platônicos de Cambridge". O grande expoente do puritanismo foi John Bunyan, que concebeu suas obras como meio de expressão de ideias religiosas.

Poesia e teatro - John Donne, em poemas amorosos e religiosos, transmitiu sua paixão aos "poetas metafísicos" que lhe sucederam. Estes se dividiram em dois grupos: os partidários da coroa (Thomas Carew, John Suckling e Richard Lovelace) e os defensores do Parlamento (George Herbert, Richard Crashaw e Henry Vaughan).

O principal poeta inglês do período e um dos maiores de toda a literatura europeia foi John Milton. Os ambiciosos poemas de seus últimos anos, como o célebre Paradise Lost (Paraíso perdido), Samson Agonistes e Paradise Regained (Paraíso recuperado), eram essencialmente reflexões sobre a existência humana. Já John Dryden foi o autor mais prolífico e representativo da época de restauração tanto na poesia quanto no teatro, com peças como All for Love (Tudo por amor).

Século XVIII - A cultura britânica, no século XVIII, manteve estreita inter-relação com as tendências culturais do continente. Assim, o espírito científico e a tolerância dos filósofos John Locke e David Hume retomaram a seu modo a herança do racionalismo e, por sua vez, exerceram singular influência sobre a ilustração francesa. Na literatura, a primeira metade do século foi marcada pelo exemplo do classicismo francês, desenvolvido por Alexander Pope e Samuel Johnson. No decorrer do século, porém, chegou ao auge a narrativa realista, que tendeu a desenvolver uma linguagem mais próxima do cotidiano, e a "novela gótica" de mistério. Surgiram também os primeiros autores românticos.

Poesia e teatro - A lírica e, em geral, a estética do início do século, esteve dominada pela figura de Alexander Pope, tradutor de Homero e Horácio, que defendeu uma postura marcadamente classicista. Pope teve como seguidores Edward Young, Thomas Gray e William Cowper.

Na segunda metade do século, o poeta William Blake, praticamente ignorado em sua época, desenvolveu uma obra de suma complexidade em poemas breves, como Songs of Innocence and Experience (Canções de inocência e experiência), ou em ambiciosos textos proféticos, como Milton e Jerusalém, escritos já no século seguinte. O escocês Robert Burns se inspirou nas tradições e no espírito popular de sua pátria. Finalmente, a publicação, em 1796, das Lyrical Ballads, obra conjunta de William Wordsworth e Samuel Coleridge, marcou a definitiva consagração da poesia romântica.

No teatro, a abordagem mais original foi a obra de John Gay, que em The Beggar's Opera (A ópera do mendigo) realizou uma mistura de ópera, comédia e paródia. A temática moralizante caracterizou as comédias de Oliver Goldsmith, enquanto Richard Brinsley Sheridan abordou a sátira moral e social em The School of Scandal (A escola de escândalo).

Prosa - Junto a Alexander Pope, o principal mestre do classicismo foi o doutor Samuel Johnson. Já os estudos históricos tiveram como expoentes máximos o filósofo David Hume, que aplicou neles seu método empírico, e Edward Gibbon, cuja The History of the Decline and Fall of the Roman Empire (História da decadência e queda do Império Romano) exerceu grande influência sobre a historiografia da época por sua aplicação das técnicas narrativas próprias da ficção.

Os romancistas realistas do século XVIII podem ser vistos como herdeiros do espírito revolucionário de Shakespeare. O primeiro grande narrador da época foi o clérigo irlandês Jonathan Swift, que desenvolveu uma obra cáustica e demolidora em que atacou tanto as instituições políticas e religiosas quanto a própria essência da condição humana. Sua obra magna foi Gulliver's Travels (As viagens de Gulliver). O desenvolvimento da narrativa realista esteve ligado ao nome de Daniel Defoe, cujo célebre Robinson Crusoe combinou a exaltação da vontade e da inteligência humanas com enfoque estilístico baseado na descrição minuciosa.

A partir da obra de Defoe, Samuel Richardson, com elementos melodramáticos e sentimentais (Pamela, Clarissa), e Henry Fielding, com sua riqueza de ações e personagens (Tom Jones, Joseph Andrews), representaram os dois pólos opostos do gênero. Já Laurence Sterne apresentou em Tristram Shandy a vida como uma sucessão de acontecimentos que só se relacionam através da experiência vivida pelo homem.

O interesse crescente pelos temas medievais e a atração pelos elementos fantásticos fizeram surgir na segunda metade do século a "novela gótica". Esse gênero terrível e sombrio foi iniciado por Horace Walpole em seu Castle of Otranto (O castelo de Otranto) e posteriormente cultivado por Clara Reeve, Ann Radcliffe, Matthew Lewis e William Beckford.

Século XIX - O desenrolar da revolução industrial, que permitiu ao Reino Unido ampliar seu império colonial e converter-se na primeira potência política do mundo, refletiu-se num extraordinário florescimento da literatura, dividido em duas fases: o romantismo e a época vitoriana.

Período romântico

Período romântico

Poesia - A expressão espontânea dos sentimentos, a harmonia com a natureza e a valorização da imaginação como faculdade criadora definem a poesia romântica. Em sua primeira geração destacaram-se os citados William Wordsworth e Samuel Taylor Coleridge. Entre os poetas menores, cabe citar Robert Southey e Thomas Moore. Já na segunda geração, três grandes nomes se destacaram. George Gordon (Lord Byron), foi protótipo do herói romântico que expressava com orgulho, violência e desprezo sua aversão a um mundo convencional, e cujo perfil ele mesmo descreveu em Don Juan. Percy Bysshe Shelley, o mais radical da geração, deu ao verso inglês uma flexibilidade sem precedentes, base do humanismo progressista de Prometheus Unbound (Prometeu liberado). John Keats, portador de uma doença que causaria sua morte em plena juventude, explorou as contradições entre arte e realidade numa lírica de inspiração clássica, como em Endymion e Hyperion.

Romance - A novela gótica foi aprimorada por Charles Robert Maturin e Mary Shelley, esposa do poeta e autora de Frankenstein. Enquanto isso, Jane Austen revelou sua mestria nos diálogos em novelas sentimentais, como Sense and Sensibility (Sensatez e sentimento) e Pride and Prejudice (Orgulho e preconceito); de terror, como Northanger Abbey (A abadia de Northanger); e psicológicas, como Emma. Na grande produção de Walter Scott, o mais célebre dos narradores românticos, destacaram-se as obras que tinham como marco sua Escócia natal: Rob Boy, Guy Mannering. Ainda relacionada com o romantismo estava a obra das três irmãs Brontë, Anne, Charlotte (Jane Eyre) e Emily, autora de Wuthering Heights (O morro dos ventos uivantes).

Era vitoriana - A literatura vitoriana esteve diretamente relacionada com o progresso industrial, comercial e colonial dessa época, com a burguesia, empreendedora, materialista e conservadora, e com o empobrecimento sem precedentes das classes mais baixas. Tais contradições sociais, junto ao choque entre um pensamento progressista e liberal - como o do filósofo utilitarista John Mill e do evolucionista Charles Darwin - e o imobilismo da ideologia oficial, constituíram o agitado ambiente cultural do período.

Romance - O grande mestre do romance realista britânico do século XIX foi Charles Dickens, que descreveu os sórdidos subúrbios da Inglaterra industrializada e denunciou a crueldade das instituições pedagógicas, em romances como Oliver Twist e David Copperfield. Seu grande opositor foi William Makepeace Thackeray, irônico retratista do mundo burguês em Vanity Fair (A feira das vaidades). Já Thomas Hardy foi um pessimista cujo estilo, de grande lirismo, se revelou em Far from the Madding Crowd (Longe deste insensato mundo) e Jude, the Obscure (Judas, o obscuro).

No século XIX, vários narradores enriqueceram os chamados "gêneros menores". Os irlandeses Bram Stoker - autor do célebre Drácula - e Joseph Sheridan Le Fanu cultivaram a ficção de terror. O romance de intriga e mistério foi aprimorado por Wilkie Collins e Arthur Conan Doyle - criador do personagem Sherlock Holmes. O escocês Robert Louis Stevenson foi o mestre do romance de aventuras graças a obras como Treasure Island (A ilha do tesouro). Finalmente, a literatura infantil ganhou uma obra que transcendeu todos os gêneros com Alice's Adventures in Wonderland (Alice no país das maravilhas), de Charles Lutwidge Dogson, que adotou o pseudônimo de Lewis Carroll.

Poesia - O nome mais representativo da lírica vitoriana foi Alfred Tennyson, cuja obra-prima foi Idylls of the King, de inspiração medieval. Além dele, houve quatro outros grandes líricos no período: Thomas Hardy, Robert Louis Stevenson, Gerald Manley Hopkins e Robert Browning.

Crítica e ensaio - Enquanto Thomas Carlyle exaltou em suas obras a energia criadora e a personalidade heróica, John Ruskin desenvolveu considerações estéticas sobre a liberdade intelectual do artista, enquanto William Morris, Walter Pater e Matthew Arnold denunciaram o materialismo da sociedade industrial e defenderam a volta à moral artesanal de séculos passados.

Escritores de fim de século - Rudyard Kipling e Oscar Wilde representaram o ponto final da evolução literária do século XIX e a transição para o XX. Porta-voz dos valores do império britânico, Kipling revelou poder descritivo em romances como Kim. Representante do esteticismo individualista e amoral, Wilde demonstrou sua genialidade e feroz crítica da hipocrisia social em comédias e no romance The Picture of Dorian Gray (O retrato de Dorian Gray). Durante sua permanência na prisão, acusado de homossexualismo, Wilde escreveu The Ballad of Reading Gaol (Balada do cárcere de Reading), poema de grande humanidade.

Século XX - A literatura britânica do século XX tem constituído um reflexo fiel da história do Reino Unido durante o período, abalado por guerras mundiais e uma progressiva crise econômica e social, acentuada, no início da segunda metade do século, pelo desmantelamento do império colonial.

Poesia na Literatura Britânica - A sinceridade e rigor da poesia do irlandês William Butler Yeats lhe deu posição de alto relevo. Os "poetas georgianos" Rupert Brooke e Walter de La Mare cultivaram a descrição melancólica e medievalizante da natureza. Nascidos nos Estados Unidos, Ezra Pound e T. S. Eliot introduziram um estilo de enorme refinamento intelectual e formal. Eliot, autor de The Waste Land (Terra abandonada), estimulou ainda o reconhecimento de autores como W.  H. Auden e Stephen Spender. Na década de 1930, a influência do surrealismo se fez notar em William Empson e no galês Dylan Thomas. Entre os poetas surgidos após a segunda guerra mundial, destacaram-se Ted Hughes, Thom Gunn e Philip Larkin.

Teatro na Literatura Britânica - A renovação iniciada pelo irlandês Oscar Wilde foi consolidada por três compatriotas seus. W. B. Yeats utilizou as lendas e a mitologia de seu país como pretexto para dramas simbolistas, como The Countess Cathleen. John Synge, por sua vez, em Riders to the Sea (Cavaleiros ao mar) expressou com grandeza trágica as duras condições de sobrevivência do povo irlandês, e George Bernard Shaw produziu diálogos brilhantes em muitas peças das quais a mais célebre é a comédia Pygmalion. Após a segunda guerra mundial, o teatro social foi desenvolvido pelos angry young men ("jovens irados"), cujo principal representante foi John Osborne, autor de Looking Back in Anger (Olhando para trás com ira). Além disso, a influência do teatro do absurdo foi evidente em Ann Jellicoe e Harold Pinter.

Romance na Literatura Britânica - As técnicas e recursos do romance realista foram levados a extremos de complexidade nas primeiras décadas do século XX. Assim, Joseph Conrad, de origem polonesa, utilizou, em obras como Lord Jim, os ambientes exóticos e a descrição da natureza como metáforas dos aspectos mutantes da alma humana. Os romances de ficção científica de H. G. Wells, como The Island of Dr. Moreau (A ilha do Dr. Moreau), encobriam parábolas do mundo moderno. Mas o autor mais polêmico da época foi D. H. Lawrence, narrador radical e vitalista que atacou os convencionalismos sociais em Sons and Lovers (Filhos e amantes) e teve proibido Lady Chatterley's Lover (O amante de Lady Chatterley), por sua audácia erótica. Os expoentes do liberalismo intelectual da década de 1920 foram E. M. Forster e Aldous Huxley, autor da sátira futurista Brave New World (Admirável mundo novo), que tinha afinidades com outra importante obra de crítica social, o 1984, de George Orwell.

O grande renovador da literatura britânica, e possivelmente o ficcionista mais influente na literatura ocidental do século XX, foi o irlandês James Joyce, cujo Ulysses rompeu radicalmente com todos os aspectos da narrativa precedente. Nessa obra, que registrava a peregrinação de seu protagonista por Dublin durante 24 horas, Joyce empregava a técnica do fluxo da consciência -- apresentação do pensamento do personagem tal como surge espontaneamente na mente -- em uma linguagem deliberadamente caótica e fragmentária que captou com singular agilidade a pulsação da vida cotidiana. Mais tarde, Joyce levaria ainda mais longe tais procedimentos em Finnegans Wake.

Por sua vez a escritora Virginia Woolf pretendeu captar a mutante natureza da realidade através de um estilo impressionista que pode ser conferido em Orlando e no muito pessoal A Room of One's Own (Um quarto todo seu). Após a segunda guerra mundial, surgiu uma narrativa profundamente crítica à mentalidade contemporânea, em que sobressaiu Evelyn Waugh, escritor católico que iniciou sua produção na década de 1930 com ferozes sátiras à alta sociedade britânica -- A Handful of Dust (Um punhado de pó). A influência de Waugh foi evidente em outros dois escritores, Graham Greene, numa linha progressista, e Anthony Burgess, célebre por sua parábola futurista A Clockwork Orange (A laranja mecânica). Mais experimental, Lawrence Durrell escreveu a tetralogia The Alexandria Quartet (O quarteto de Alexandria), e o talento sombrio e alucinado de Malcolm Lowry, atormentado por seus problemas com o álcool, foi exibido em Under the Volcano (À sombra do vulcão), ambientado no México.

Nas últimas décadas, a influência do existencialismo francês foi patente na irlandesa Iris Murdoch, e Mary Renault pontificou no romance histórico. Além disso, Samuel Beckett prosseguiu o trabalho de experimentação e dissolução da linguagem de seu compatriota Joyce.

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