Custo de Vida

Custo de Vida

Custo de VidaCusto de vida é a quantia de dinheiro necessária para consumir bens e serviços em certa quantidade e de certa qualidade, o que caracteriza um padrão de vida. Esses dois conceitos - custo de vida e padrão de vida - estão portanto em relação inversa: para um mesmo indivíduo ou família, com a mesma renda, quanto maior o custo de vida, mais baixo tende a ser seu padrão de vida. Quando um indivíduo mora numa casa ou apartamento confortável, alimenta-se bem e com regularidade, tem acesso a bons serviços de saúde, boas escolas, a atividades culturais e de lazer, diz-se que tem um bom padrão de vida. Esse conceito, no entanto, é determinado por fatores subjetivos, pois um padrão de vida considerado excelente por um indivíduo pode ser apenas razoável para outro. Para que se possa falar de custo de vida é preciso estabelecer um conjunto ideal de bens e serviços e medir seus preços em dois momentos diferentes para conhecer sua variação.

As pessoas e as famílias têm necessidade de morar, alimentar-se, vestir-se, cuidar da saúde, estudar e divertir-se. Todos esses itens custam dinheiro e a variação de preços dos bens e serviços afeta o padrão de vida das pessoas. O registro de preços em diferentes momentos permite verificar a variação para mais ou para menos no custo de bens e serviços e, consequentemente, no padrão de vida.

VariaçõesAs condições de vida de uma sociedade e o poder de compra de seus integrantes, bem como as mudanças nessas variáveis, podem ser avaliados pela medição do custo de vida. Esses dados são essenciais para determinar o valor dos salários, pensões e aposentadorias. O que se mede é sempre o preço das mercadorias e por isso se propõe a expressão "índice de preços ao consumidor" ou "índice de preços a varejo" para substituir "custo de vida". O fundamental, no entanto, é estabelecer a variação de preços, a fim de comparar o custo de vida em momentos ou períodos diferentes.

O impacto da variação do custo de vida sobre os salários ou rendimentos dos indivíduos ou grupos sociais acarreta aumento ou diminuição de seu poder aquisitivo, que é a capacidade de adquirir certa quantidade de bens e serviços de certa qualidade. Em consequência das disparidades entre o custo de vida e os salários ou rendimentos de indivíduos, famílias, grupos ou camadas sociais, pode-se verificar se houve mudança de seu nível de vida, ou seja, a média das condições sócio-econômicas reais em que vive um grupo, camada social, comunidade ou povo.

Histórico As primeiras avaliações do custo de vida remontam ao período compreendido entre 1829 e 1879, quando o engenheiro e sociólogo francês Frédéric Le Play realizou estudos sobre a pobreza e descreveu as condições de vida de algumas famílias operárias na França. Em 1903, o sociólogo britânico Charles Booth publicou um estudo semelhante sobre as condições de vida do proletariado inglês. Tanto o estudo de Le Play quanto o de Booth e de outros pesquisadores procuraram determinar em valores absolutos - e não sob a forma de índices - os gastos indispensáveis à sobrevivência de uma família e a renda necessária para cobri-los.

Progressivamente, a definição dos indicadores foi se tornando mais precisa. Assim, todos os métodos de aferição do custo de vida se baseiam, de maneira geral, na evolução dos preços de bens e serviços consumidos por determinada camada da população, residente numa área geográfica definida. O conjunto de bens e serviços definido pode representar o mínimo necessário para manter a vida e a saúde de uma família de determinada classe sócio-econômica, ou os hábitos efetivos de consumo de determinada camada da população. No primeiro caso, o consumo mínimo se determina com base em informações rigorosas fornecidas por especialistas da área médica, de nutrição e outras; no segundo, os dados se obtêm mediante pesquisa dos orçamentos familiares.

Por maior que seja o cuidado em conferir rigor científico a essas aferições, elas apresentam sempre resultados aproximados devido à multiplicidade de fatores subjetivos que intervêm no consumo. Como exemplos, citem-se a tendência à procura de similares mais baratos cada vez que um produto aumenta de preço, o surgimento de novos produtos e o desaparecimento de outros e os novos hábitos de consumo. O aumento ou diminuição da renda e do poder aquisitivo de alguns segmentos sociais alteram os parâmetros do custo de vida, cujo cálculo se torna ainda mais complexo em presença de inflação, que se exerce em todas as instâncias da circulação de mercadorias -- produtor, importador, exportador, atacadista e varejista -- e não apenas no conjunto de bens e serviços que representa a pauta de consumo de um grupo sócio-econômico específico.

No Brasil, o cálculo do índice do custo de vida passou a ser feito de forma sistemática desde a instituição do salário mínimo, em 1936. Por esse instrumento, todo trabalhador tem direito, em pagamento dos serviços prestados, a um salário teoricamente capaz de satisfazer, em determinada região do país e em determinada época, suas necessidades básicas de habitação, alimentação, vestuário, higiene e transporte. O cálculo dos índices de custo de vida é efetuado, desde 1944, pela Fundação Getúlio Vargas, com critérios que variaram ao longo do tempo. O sistema de ponderação, que atribui diferentes pesos aos itens de consumo, também se modificou para melhor espelhar as consequências da evolução de preços. Foi estabelecido um painel sazonal de ponderação para produtos como hortaliças e frutas, cuja oferta oscila em função da época do ano. Influenciadas pelo processo inflacionário, que exige índices de reajuste para períodos cada vez mais curtos, as pesquisas passaram a tomar como referência não o ano todo, mas o trimestre e depois cada mês.

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