Brinquedo | Evolução Histórica dos Brinquedos

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Brinquedo | Evolução Histórica dos Brinquedos

Brinquedo é todo objeto destinado ao entretenimento infantil, fabricado ou não especialmente para esse fim. Desempenha importante papel no desenvolvimento fisiológico e psicológico da criança, como instrumento de aprendizagem e como exercício preparatório para a vida adulta.

Conhecidos desde a antiguidade, os brinquedos sofreram profundas modificações em sua concepção. Originariamente estáticos, passaram a ser projetados com base em princípios da física e de máquinas simples, como a balança, o pêndulo, a roda, a alavanca, a mola, a força centrífuga e o magnetismo, até chegarem  aos modelos eletrônicos popularizados no final do século XX.

História. Sobrevivem objetos de divertimento infantil de épocas remotas, embora muitas peças assim classificadas possam ter sido modelos empregados por artesãos, oferendas votivas ou objetos destinados aos túmulos. Museus de diversas partes do mundo conservam bonecas de madeira, barro cozido, pedra ou metal, com as quais brincavam as crianças egípcias, além de bolas de couro cheias de crina ou palha. Bonecos articulados movidos por meio de barbantes eram os brinquedos preferidos das crianças gregas e romanas, que também conheciam miniaturas de móveis, jarros e outros objetos da vida cotidiana.

Brinquedo | Evolução Histórica dos Brinquedos

A fabricação de brinquedos assumiu importância na vida econômica de cidades e países desde a Idade Média. No século XV começaram a ganhar renome os fabricantes de Nuremberg, que organizaram corporações imitadas, nos 200 anos seguintes, por artesãos de Ulm, Augsburg e outras cidades alemãs. Essas organizações reuniam fabricantes de casas de bonecas e miniaturas de instrumentos musicais e de peças de mobiliário que são obras-primas de artesanato.

Mecanismos que mais tarde tiveram aplicação prática foram incorporados inicialmente aos brinquedos. Assim, em alguns casos é difícil distinguir entre os fabricantes de brinquedos e os pioneiros da física. Os excepcionais relógios da Idade Média tinham também um papel lúdico, com suas figuras e sons musicais. Realejos, pianolas e caixas de música foram, de certa forma, antepassados do computador; os autômatos dos séculos XVIII e XIX podem ser tidos como precursores dos brinquedos programados e dos robôs industriais, da mesma forma que a lanterna mágica representou o passo inicial para o cinema.

A indústria de brinquedos existe hoje em quase todo o mundo. Fabricam-se trens elétricos, automóveis, aviões, barcos de controle remoto e toda sorte de aparelhos complexos destinados a cativar a imaginação infantil. A indústria se volta para a fabricação de artefatos altamente sofisticados, com base na tecnologia eletrônica, como robôs e naves espaciais. O computador tornou-se também um brinquedo, com seus videojogos, que ganharam popularidade mundial a partir da década de 1980.

Um dos progressos mais notáveis nessa área é a produção de brinquedos com fins pedagógicos. Desenhados de acordo com recomendações técnicas precisas, destinam-se ao aprimoramento da função motora e ao desenvolvimento intelectual. Em diversos países, a fabricação de brinquedos obedece a normas legais cujo objetivo é impedir a distribuição de objetos que estimulem ideias prejudiciais à criança. Assim, a fabricação de armas de brinquedo foi motivo de polêmica e condenação por certos educadores, que viam nelas uma incitação à violência.

Brinquedos tradicionais. Apesar da progressiva sofisticação da indústria de brinquedos, alguns objetos tradicionalmente usados para divertimento infantil continuam a despertar o interesse das crianças modernas.

Bola. Feita de couro, meia, pano, plástico, borracha, celuloide ou vidro, bem como de madeira, pedra ou ferro, a bola serve para diversos jogos desde épocas remotas. Modernamente é mais empregada em esportes como futebol, basquete, vôlei e tênis.

Papagaio ou pipa. Empinar papagaio é a arte de fazer com que estruturas leves e de formas variadas, recobertas de papel, plástico ou pano, ganhem altura impelidas pelo vento. O papagaio é controlado por meio de uma linha que se desenrola à medida que ele sobe. No Brasil, esse brinquedo é chamado também pipa, raia, arraia, quadrado, cafifa, pandorga e bardo. Os tipos mais comuns são os de três varas (hexagonal), o de cruzeta e o de caixa. São comuns no Brasil as brigas de papagaio, em que o objetivo dos litigantes é cortar a linha do adversário. Usado também para fins práticos, o artefato serviu a uma famosa experiência de Benjamin Franklin, que pendurou um objeto metálico à linha de um papagaio durante uma tempestade, atraindo assim uma faísca elétrica que provou a natureza elétrica do raio.

Pião. Brinquedo em forma de pera cujo modelo mais comum, de madeira, é arremessado por um cordão. Possui, na extremidade inferior, uma ponta de metal  sobre a qual gira e, na parte superior, uma cabeça, que serve para firmar o cordão antes de envolvê-lo em espiral no corpo do brinquedo. O jogador arremessa o pião e puxa a fieira, do que resulta o movimento giratório. A origem antiga desse brinquedo é atestada por um vaso grego, pintado presumivelmente no século V a.C., no qual se veem duas pessoas a observar a dança de um grande pião de madeira.

Existem diversos tipos de pião: o alemão, que gira a golpes de um látego; a zorra, feita de metal e de forma achatada, sonorizada pelo ruído que o ar produz ao passar por uma fenda lateral; e a piorra ou rapa, impulsionada por um movimento dos dedos polegar e indicador. Quando se destina a jogos de azar, a rapa tem forma de cubo em cujas faces estão gravadas as letras t, de tira; p, de põe; d, de deixa, e r, de rapa, que identificam a finalidade de cada jogada. O tipo mais moderno e usado até a atualidade data do século XVI.

Peteca. Com uma base arredondada e chata, feita de couro ou palha de milho, na qual se inserem penas, a peteca é de origem indígena e popularizou-se nas festas juninas. O jogo de peteca americana ou peteca de salão nasceu no América Futebol Clube do Rio de Janeiro. É praticado por duas equipes de seis jogadores, dos quais um é o guarda que defende a meta. O campo mede 18 x 9m e é dividido por uma rede com dois metros de altura máxima. Disputa-se o jogo em três partidas de cinquenta pontos cada uma. Se a peteca ultrapassa a linha da meta, a equipe que a lançou marca cinco pontos. Somente ao guarda é permitido tocar duas vezes consecutivas na peteca.

Balanço. Composto de uma pequena tábua que serve de assento, suspensa por cordas, o balanço é um dos mais antigos brinquedos infantis. Em alguns países orientais se associava a ritos, como o da fecundidade.

Títeres. Os bonecos suspensos por cordéis ou manipulados, também denominados fantoches, marionetes ou bonifrates, são de origem possivelmente egípcia. Na região Nordeste do Brasil, as representações com bonecos denominam-se mamulengos.

Balão. Feito com papel colorido e cheio de ar quente, o balão é um brinquedo tradicional das festas juninas em todo o Brasil. Causador de incêndios, continua muito popular apesar da proibição sobre seu uso. Em alguns subúrbios do Rio de Janeiro, existem verdadeiras comunidades de baloeiros, responsáveis pela construção de balões de grandes proporções e artisticamente decorados.