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Behaviorismo

Behaviorismo

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No fim do século XIX, os psicólogos começaram a desenvolver novas concepções e novos métodos. A expressão máxima da nova tendência impôs-se na década de 1920, quando se consolidaram diferentes formas de entender a construção da teoria psicológica. A mais ampla e influente, sobretudo no mundo anglo-saxão, foi o behaviorismo.


Behaviorismo radical
Coube ao americano John B. Watson dar o grande impulso à psicologia behaviorista. Num artigo de 1913, "Psychology as the Behaviorist Views It" ("A Psicologia como o behaviorista a vê"), ele já apresentava as linhas fundamentais de seu pensamento. Mas foi em Psychology from the Standpoint of a Behaviorist (1919; A psicologia do ponto de vista de um behaviorista) que as teses de Watson encontraram sua mais nítida formulação. Nessa obra, ele definiu a psicologia como uma "ciência do comportamento" que devia omitir o estudo da consciência e da introspecção e basear-se apenas nos dados fisiológicos observáveis.

O behaviorismo radical watsoniano fundamentou-se em grande parte na escola reflexológica russa, particularmente na teoria do condicionamento de Ivan Pavlov, que explicava a forma como os estímulos se encadeavam com as reações para produzir o comportamento. Os dois conceitos fundamentais do behaviorismo foram, na verdade, a conexão estímulo-reação (reação do organismo diante de um determinado estímulo físico) e o reflexo condicionado. Este último baseou-se na descoberta de que um reflexo não condicionado a um estímulo natural -- por exemplo a secreção de saliva diante de um alimento -- podia ser associado a um estímulo diferente. Assim, em suas experiências com cachorros, Pavlov fazia uma campainha tocar antes de lhes dar comida. Ao cabo de certo tempo, os animais salivavam ao simples soar da campainha. A partir desta base, Watson considerou que todo comportamento humano podia ser explicado como uma sucessão de condicionamentos. Não haveria necessidade de recorrer a conceitos introspectivos como consciência, emoção ou sentimento.

O principal discípulo de Watson foi outro norte-americano, Karl Spencer Lashley, que contribuiu de forma notável para desenvolver a teoria comportamental. Suas experiências apoiavam-se diretamente na tese de Watson segundo a qual a conduta é composta por reações simples, como os reflexos, sejam eles condicionados ou não. Por meio dessas experiências, ele tentava correlacionar o grau de perda de uma habilidade adquirida pelos ratos e a destruição de determinada zona cortical. Essa correlação era estudada com métodos experimentais e quantitativos. Lashley comprovou que as reações perduram após eliminar-se a base fisiológica do reflexo.

Na década de 1930, o americano Edwin R. Guthrie desenvolveu as teses comportamentais de forma radical e afirmou que o complexo comportamento do homem, em última instância, pode ser explicado como resultado de um desenvolvimento evolutivo que o levou a aprender determinados padrões de reação muscular diante de estímulos recebidos em dadas circunstâncias. Caberia aos psicólogos, portanto, estabelecer as regras mais gerais que descrevessem as condições observáveis em que se produzissem comportamentos concretos, selecionando também os estímulos e as reações observáveis. Para Guthrie, um estímulo é "qualquer mudança de energia física que ativa um receptor e cria impulsos condutores no sistema nervoso". Reação, por sua vez, é o movimento de qualquer músculo ou grupo de músculos, ou a secreção de qualquer glândula. Assim, não se descreveriam "ações", mas só movimentos.

Burrhus Frederic Skinner, em suas obras The Behavior of Organisms (1938; Comportamento dos organismos) e Science and Human Behavior (1953; Ciência e comportamento humano), afirmou que o objeto da psicologia era o estudo do comportamento que exerce algum efeito sobre o ambiente onde se acha e, em especial, daquele que produz uma realimentação ou retroalimentação (feedback) capaz de influir sobre o comportamento futuro. Em outras palavras, é preciso estudar a aprendizagem e os mecanismos de adaptação.

Para Skinner, as leis empíricas da psicologia devem descrever da forma mais exata possível as relações que ocorrem com regularidade entre as variáveis dependentes -- controladas pelo cientista -- e as independentes. Devem também mostrar como uma reação concreta é função de um dado tipo de estímulo. Diante de um determinado estímulo, o psicólogo tem que ser capaz de prever a resposta subseqüente do organismo.


Neobehaviorismo
Diante das teses radicais dos autores citados, outros behavioristas consideraram que a teoria do reflexo não bastava para explicar o comportamento humano. O primeiro deles foi o americano Edward C. Tolman, que, em Purposive Behavior in Animals and Men (1932; Comportamento proposital nos animais e nos homens), sustentou que o comportamento se volta para um objetivo e, portanto, não é possível reduzi-lo a uma mera conexão entre estímulos e reações.

Coerente com essa tese, Tolman introduziu o conceito das "variáveis intervenientes". Tais variáveis seriam representações, não de algum estado mental, mas de propriedades funcionais que supostamente se encontram no organismo e atuam como mediadoras entre os estímulos e as respostas. Isto não significou o abandono do behaviorismo, pois não se pretendeu definir essas variáveis como conteúdos concretos de consciência, mas sim estudá-las em termos operacionais para modificar o comportamento, o que só pode ser feito a partir de dados objetivos. Outro americano, Clark L. Hull, autor de The Principles of Behavior (1943; Princípios do behaviorismo) também se afastou do behaviorismo radical e ortodoxo e, assim como Tolman, defendeu a ação das variáveis intervenientes. Hull sustentou que o organismo mantém com o meio uma relação dinâmica que a psicologia tem condições de estudar, descobrindo leis do comportamento que, em última análise, remetem à física e à fisiologia. Para Hull, a maior parte da atividade animal e humana volta-se para a satisfação de necessidades básicas. Esses "impulsos" (drives) constituem autênticas variáveis intervenientes, assim como o hábito, que é uma disposição para reagir de um modo específico, fixado mediante uma determinada configuração do sistema nervoso em dadas condições do ambiente externo. Nem os impulsos nem os hábitos podem ser observados, mas é possível inferi-los a partir da ciência física e fisiológica e da observação das conexões estímulo-resposta.

Repercussões do behaviorismo
As teses behavioristas exerceram grande impacto sobre a vida intelectual, especialmente nos países anglo-saxões. Como atitude metodológica e ideológica, ultrapassaram os limites da psicologia e projetaram-se na filosofia, na literatura (Skinner foi autor do romance utópico Walden Two) e, de modo geral, em todos os campos de debate ideológico. Junto com a psicanálise, representam a tendência psicológica mais difundida.

Todos os psicólogos empíricos, bem como especialistas de outras disciplinas, acreditam, em comum com o behaviorismo, em um ponto básico: o único modo científico de estudar o comportamento consiste no estudo objetivo de suas alterações. Assim, negou-se toda teoria especulativa. No entanto, a maior parte das escolas psicológicas abandonou a tentativa de reduzir os conteúdos mentais a meros produtos da reação estímulo-resposta. Nesse sentido, cabe afirmar que o behaviorismo radical foi de certo modo superado pela própria audácia de suas afirmações. Por outro lado, porém, contribuiu de forma decisiva para dar à psicologia o caráter de ciência autêntica, fornecendo-lhe uma metodologia indispensável e um critério de objetividade.

Modificação do comportamento
O behaviorismo constitui um corpo teórico específico da psicologia. As técnicas de modificação de comportamento, derivadas sobretudo da psicologia da aprendizagem e centradas no condicionamento reforçado, pressupõem a aplicação prática desse corpo teórico. Mediante os métodos de modificação de comportamento, o terapeuta tenta reforçar as manifestações comportamentais que deseja fixar e debilitar as não desejadas.

Tanto em tarefas de recuperação como de treinamento comportamental, utilizam-se meios específicos, de modo a reforçar ou inibir certos comportamentos. Como reforços positivos, aplicam-se estímulos agradáveis imediatamente após a obtenção da reação desejada. Como reforços negativos, eliminam-se estímulos desagradáveis tão logo se apresenta o comportamento visado.

O progresso rumo ao comportamento desejado pode partir do exercício dos comportamentos mais elementares (formação passiva do comportamento), ou limitar-se a sua progressiva modelagem. Para tanto, empregam-se por vezes técnicas de autocontrole que implicam por parte do paciente a clara noção de todas as regras e contingências a cumprir para obter o reforço. Quando se pretende suprimir um comportamento, tenta-se eliminar os reforços obtidos pela pessoa com sua realização ou reforçar os comportamentos opostos. Em casos extremos, recorre-se a técnicas de dessensibilização, relaxamento, exclusão, isolamento etc.


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Homossexualismo | História do Homossexualismo

Homossexualismo | História do Homossexualismo 

Homossexualismo é o comportamento que se caracteriza pelo interesse sexual exclusivo ou dominante por pessoa de mesmo sexo. Recebe essa denominação em contraposição a heterossexualismo, ou interesse sexual por pessoa de sexo oposto. Nas últimas décadas do século XX, tornou-se popular o termo gay para designar homens e mulheres homossexuais. O homossexualismo feminino costuma denominar-se lesbianismo, palavra derivada de Lesbos, ilha grega onde a poetisa Safo liderava um grupo de mulheres.

A atração erótica entre pessoas de mesmo sexo é aprovada, tolerada ou punida segundo a comunidade e a época em que se verifique. A moderna sociedade ocidental, em que as ideias sobre a sexualidade em geral estão em permanente evolução, tende a reduzir as restrições morais a pessoas que preferem relacionar-se sexualmente com outras de mesmo sexo e mesmo a amparar legalmente as uniões homossexuais.

Na Grécia antiga, o homossexualismo era aceito e até mesmo considerado uma forma de relacionamento amoroso superior ao heterossexualismo. Na cultura judaico-cristã, foi de maneira geral interpretado como comportamento pecaminoso e assim, em todo o Ocidente, passou a ser visto como socialmente inaceitável e mesmo sujeito a punições.

Homossexualismo | História do Homossexualismo

O primeiro grande estudo estatístico sobre a homossexualidade foi realizado pelo zoólogo e sexólogo americano Alfred Kinsey em 1948-1953 e estabeleceu um marco no estudo do fenômeno. O método empregado por Kinsey descarta como premissa a exclusividade da preferência homossexual ou heterossexual e toma a orientação exclusiva para uma ou outra tendência como comportamento situado num dos extremos de uma "escala" gradativa de possibilidades. Esse estudo revelou que trinta por cento dos homens americanos adultos haviam tido alguma experiência homossexual e dez por cento apresentavam padrões de comportamento homossexual. O número de mulheres predominantemente homossexuais era a metade em relação ao de homens. Verificou-se também que a atividade homossexual aumenta em ambientes em que não há condições para o extravasamento do desejo heterossexual. Identificou-se, além disso, grande número de bissexuais, que reagem sexualmente a pessoas de ambos os sexos.

Pesquisas mais recentes confirmaram as conclusões de Kinsey e indicaram que as estatísticas têm permanecido constantes desde a década de 1950. Aparentemente, portanto, apesar dos movimentos de liberação sexual das últimas décadas do século XX terem trazido mais liberdade e reduzido a culpa e a vergonha associadas às práticas sexuais em geral e ao homossexualismo em particular, não se registrou aumento significativo no número de pessoas que têm experiências homossexuais. O que cresceu, na verdade, foi a franqueza com que a preferência sexual passou a ser discutida e exposta. Na medida em que se ampliou a tolerância da sociedade ao comportamento homossexual, cresceu também o número de pessoas que se reconhecem como bissexuais.

Abordagem psíquica do homossexualismo. No início do século XX, Sigmund Freud definiu homossexualidade como resultado dos conflitos do desenvolvimento psicossexual e explicou o homossexualismo masculino a partir de uma longa e intensa ligação edipiana com a mãe. Na puberdade, incapaz de renunciar a ela como objeto sexual, o jovem identifica-se com a mãe, "transforma-se" nela e começa a procurar objetos que possa amar e de que possa cuidar da mesma forma como foi amado e cuidado. No caso do lesbianismo, a mulher, depois da fase fálica, seria obrigada a trocar o clitóris pela vagina como órgão sexual e a mudar também o objeto de seu amor, ou seja, trocar a mãe pelo pai. Nessa dupla passagem, que requer um enorme esforço psíquico, a jovem pode identificar-se com o pai ou com a mãe virilizada e regredir a uma virilidade que não se confunde com a fase fálica infantil.

A teoria freudiana contribuiu de maneira decisiva para o esclarecimento de vários aspectos do comportamento humano, sobretudo ao retirar do terreno moral o debate em torno da homossexualidade. Até o fim do século XX, no entanto, a psicanálise encarava o homossexualismo como patologia, embora esse ponto de vista seja cada vez mais contestado. A maior parte dos profissionais de psicologia, psiquiatria e psicanálise viam o homossexual como alguém que ainda não amadureceu completamente e, por esse motivo, é incapaz de relacionar-se plenamente com o sexo oposto. A ideia de que o homossexual é um doente passível de cura, no entanto, cedeu lugar, principalmente em áreas onde a população homossexual é grande, a maior ou menor grau de tolerância ou aceitação.

Os especialistas que reconhecem no homossexualismo um padrão de comportamento anormal classificaram-no em pelo menos dois subgrupos: homossexuais "assumidos", razoavelmente satisfeitos com sua identidade sexual e capazes de desenvolver relações estáveis e maduras com outros homossexuais; e homossexuais "heterófobos", cuja sexualidade encontra expressão no homossexualismo por incapacidade de relacionamento íntimo com pessoas do sexo oposto. Tais categorias, no entanto, não são mais aceitas de forma universal. A discussão sobre os fatores que determinam a homossexualidade continuava em aberto ao finalizar o século XX, pois não se demonstrou sua hipotética origem genética nem a determinação cultural do fenômeno.

Homossexualismo como fenômeno social. Em resultado da crescente evidência da atividade homossexual e de sua aceitação cada vez maior como variante comum da sexualidade humana, ideias tradicionais sobre a homossexualidade começaram a perder credibilidade e, para a maioria das pessoas, foram descartados os conceitos, disseminados no Ocidente entre as décadas de 1950 e 1960, de que todos os homossexuais masculinos são efeminados ou de que todas as lésbicas são masculinizadas e agressivas. Apesar das dificuldades que muitos homossexuais enfrentam, pressionados pelos padrões de normalidade sexual que os obrigam a dissimular, outros atingem uma situação de estabilidade sexual favorecida por meios tolerantes e podem assumir claramente suas relações.

A homossexualidade tornou-se uma questão política em alguns países durante as últimas décadas do século XX, como desdobramento tardio dos vários movimentos a favor dos direitos civis da década de 1960. Muitos homossexuais passaram a identificar-se como tais no meio familiar e social e outros assumiram publicamente essa condição. A comunidade homossexual tornou-se abertamente conhecida e seus integrantes passaram a reivindicar o direito à igualdade de tratamento no emprego e na vida social, bem como a modificação de normas legais que restringem seus direitos. Em muitas jurisdições, leis para condenar a discriminação contra homossexuais tornaram-se objeto de acirrados debates e mesmo de atos de violência e repulsa.

Nos Estados Unidos da América, por exemplo, até o início da década de 1970, o homossexualismo era considerado pelas autoridades da área psiquiátrica como um distúrbio mental, mas a crescente atividade política e os esforços dos homossexuais para serem encarados como indivíduos que exercitam uma preferência sexual diferente e não como personalidades aberrantes acabou por derrubar essa classificação. Durante a década de 1990, a discussão sobre os direitos dos homossexuais ganhou espaço nos meios de comunicação, quando diversos países criaram leis para regular o assunto. Nos Estados Unidos, o governo enfrentou forte oposição quando derrubou o veto a homossexuais nas forças armadas. No Reino Unido, onde a atividade sexual é legalmente permitida a partir dos 18 anos de idade, foi liberado o homossexualismo a partir dos 21. Nos Países Baixos, foi autorizado o casamento entre pessoas do mesmo sexo e, no Brasil, o direito de herança do parceiro homossexual foi reconhecido na prática.

Percepção e Percepção Visual

Percepção e Percepção Visual

Percepção e Percepção VisualPercepção é o termo utilizado em psicologia para designar o processo pelo qual se conhecem situações e objetos próximos no tempo e no espaço. Objetos distantes no tempo não podem ser percebidos, mas apenas evocados, imaginados ou pensados. Também não podem ser percebidos objetos distantes no espaço, quando ultrapassados os limites operacionais dos órgãos receptores ou quando obstruídos por obstáculos.

Diferentemente dos demais animais superiores, que captam e retêm as imagens da realidade a partir de sensações, o homem tem também a faculdade da percepção, ou seja, é capaz de interpretar esses dados sensoriais e integrá-los à consciência.

Para a maioria dos psicólogos, percepção é o processo cognoscitivo que permite ao observador tornar-se consciente de objetos, situações ou acontecimentos concretos e presentes. Os termos "objetos, situações ou acontecimentos" indicam que pela percepção se conhece não apenas uma qualidade do mundo circundante, como ocorre na sensação, mas uma totalidade mais complexa. O termo "presente"  distingue percepção de memória e o adjetivo "concreto" a diferencia da inteligência, que se processa no nível da abstração. Os psicólogos associacionistas consideram a percepção um simples produto de diversos elementos sensitivos vinculados a experiências anteriores. Os da escola da Gestalt (psicologia da forma) acentuam seu caráter global.

Atenção

O processo perceptivo mediante o qual o ser seleciona determinados elementos do fluxo sensorial e filtra os dados proporcionados pela sensação é um mecanismo de alerta do sistema nervoso que tem o nome de atenção. A atenção é necessária para fazer frente à limitada capacidade de absorção de informação externa. A informação de entrada de um determinado objeto ou aspecto da realidade pode organizar-se em "figuras" (Gestalten), que permitem manter numa situação de pré-consciência a parte da informação que se considera marginal. Entre os fatores objetivos que determinam a atenção figuram a posição do estímulo, sua intensidade física, seu tamanho, o fundo sobre o qual se destaca, seus movimentos, cores, luminosidade etc. Os fatores subjetivos são a novidade do estímulo, o caráter que poderá ter (desejável ou de potencial ameaça), sua incongruência etc.

Para que se tenha percepção de algum objeto, este precisa destacar-se do resto do mundo fenomênico, de forma a que sua estrutura se diferencie nitidamente dos demais objetos que o rodeiam. Estes, mais difusos, passarão a ser o "fundo" sobre o qual o objeto ("figura") se destaca. A relação figura-fundo varia segundo diferentes fatores e está sujeita a modificações que em determinadas circunstâncias podem transformar a figura em fundo e vice-versa. Às vezes será a proximidade de vários estímulos o fator decisivo para que estes se constituam em figura; em outras, será sua semelhança, intensidade, continuação etc.

Assim se explica, por exemplo, porque determinados sons de uma melodia se destacam de outros, pertencentes ao acompanhamento, embora estes, eventualmente, possam ser mais fortes ou estar mais próximos entre si. Há casos em que a passagem de figura a fundo e vice-versa ocorre pela saturação produzida no sistema nervoso por uma mesma classe de estímulos; é o que acontece quando alguém, ao fixar o olhar em determinados tipos de azulejos com desenhos simétricos, percebe maior ou menor nitidez de alguns deles, sem que tenha ocorrido qualquer modificação real no estímulo externo. Também a expectativa interna do indivíduo contribui para que ele perceba certos objetos em detrimento de outros, que se diluem no fundo.

Percepção visual
Além dos fatores gerais que determinam o que seja fundo, existem outros, específicos, para diferentes categorias de objetos e situações. Assim, para a percepção visual de profundidade, ou seja, a visão dos objetos em três dimensões no espaço, intervêm o contexto visível, a fisiologia ocular e a movimentação da cabeça. Sobre o contexto visível influem: (1) a interposição dos objetos, pela qual o que cobre parcialmente o outro surge aparentemente mais perto do observador; (2) o tamanho relativo, que faz a figura maior ser vista como mais próxima; (3) a perspectiva linear, pela qual quanto maior for a convergência linear, tanto mais distante parecerá o objeto; e (4) o jogo de luz e sombra, que também interfere na percepção da distância relativa dos objetos. Todos esses fatores são amplamente utilizados em pintura, para criar a percepção de três dimensões em figuras representadas sobre o plano, que só tem duas dimensões.

A percepção do movimento pode ser produzida não apenas pelo deslocamento real do objeto, mas também pela adição rápida e sucessiva de estímulos visuais procedentes de objetos fixos, como ocorre no cinema. Mesmo a percepção da causalidade, ou seja, a percepção do movimento de um objeto como se fosse causado por outro, depende da presença de uma série de fatores precisos. Isso pode fazer com que uma ação seja considerada efeito de uma causa, quando na realidade houve apenas uma simples sucessão de movimentos.

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Afasia De Expressão, Afasia Sensorial e Afasia Amnésica

Afasia De Expressão, Afasia Sensorial e Afasia Amnésica

Afasia De Expressão, Afasia Sensorial e Afasia AmnésicaAfasia é um distúrbio da linguagem decorrente de lesões cerebrais que afetam a capacidade de exprimir ou compreender os signos verbais. Ao contrário de deficiências como a surdez, localizadas nos órgãos periféricos de recepção e emissão da fala, ela tem origem nos centros cerebrais responsáveis pela linguagem. Do ponto de vista clínico, a afasia é uma manifestação de disfunções dos centros da fala e pode ser classificada de acordo com seus principais sinais exteriores.

O ato de falar supõe a escolha e combinação de algumas das milhares de palavras que compõem o universo vocabular do indivíduo. Uma desorganização no mecanismo cerebral que regula essa articulação pode manifestar-se clinicamente sob a forma de afasia.

Afasia de expressão
O discurso do indivíduo assemelha-se à linguagem telegráfica, com a emissão de sons que se repetem. A leitura e o canto não são afetados, mas outras funções intelectuais, como o cálculo, podem ser prejudicadas.

Afasia sensorial
A fala espontânea é formalmente correta, mas carece de sentido. O sujeito afetado não compreende as ordens recebidas nem é capaz de um discurso coerente. A perturbação se localiza no mecanismo de evocação das palavras e se verifica também na leitura.

Afasia amnésica
Decorre de um distúrbio geral da capacidade de abstração. A perturbação dominante se relaciona à evocação das palavras, que frequentemente são substituídas por expressões como '"a coisa", "o negócio" ou por gestos explicativos.
Afasia de condução. Caracteriza-se pela impossibilidade de compreender e de se fazer compreender associada ao distúrbio da repetição verbal. A dificuldade em estruturar o enunciado se manifesta também na leitura e na escrita.

Outras disciplinas além das ciências médicas tomaram a afasia por objeto de estudo. A linguística reinterpretou o fenômeno relacionando-o aos dois polos fundamentais em que se estrutura a linguagem, a emissão e a recepção, e aplicou a afásicos os métodos de análise da comunicação verbal normal. A psicologia classificou as perturbações do enunciado como decorrentes do transtorno de mecanismos internos, no caso dos psicóticos, e simples resultado de uma organização particular da linguagem, sem comprometimento do sistema de comunicação propriamente dito.

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Inteligência e Criatividade

Inteligência e Criatividade

Inteligência e CriatividadeInteligência é o conjunto de aptidões em função das quais os indivíduos aprendem mais rapidamente novas informações e se revelam mais eficientes no manejo e aproveitamento adequado de conhecimentos já armazenados por meio de aprendizados anteriores. Essa definição, bastante genérica, é a adotada pela psicologia, embora algumas correntes de pensamento prefiram conceituar a inteligência de forma diferente. Este é o caso, por exemplo, do psicólogo suíço Jean Piaget, para quem a inteligência é uma qualidade que se expressa pela maneira como o indivíduo se adapta ao meio, implicando tal adaptação processos de assimilação e acomodação. Já o psicólogo inglês Charles Edward Spearman definiu a inteligência, no começo do século XX, como a capacidade de fazer deduções a partir de relações e correlações. O psicólogo americano David Wechsler, a quem se devem duas das escalas de inteligência mais comumente usadas, definiu inteligência como a capacidade global do indivíduo para atuar de acordo com as finalidades previstas, para pensar racionalmente e atuar de maneira eficaz em relação a seu ambiente.

De todos os atributos especificamente humanos, o mais valorizado é a inteligência, pois é por meio dela que a pessoa compreende as situações e adapta-se ou reage a elas como lhe parecer mais adequado.

Níveis de abordagem
Historicamente, fixaram-se duas abordagens para o estudo da inteligência: a quantitativa, ou estatística, e a qualitativa. A primeira concentrou-se na análise das diferenças individuais e visou basicamente a medida. A segunda orientou-se no sentido de descobrir as leis gerais do comportamento inteligente. Essa última orientação, que reflete a tradição fixada mediante os estudos de lógica e epistemologia, expressa a influência das pesquisas efetuadas em nível de psicologia comparada.

Com o passar do tempo, essas orientações evoluíram por caminhos próprios e independentes, do que resultaram desvantagens consideráveis. Uma delas foi o descompasso entre o elevado número de pesquisas sobre elaboração e eficiência de testes e a reduzida atenção dada aos processos psicológicos que participam da obtenção de respostas corretas. Houve tentativas de unificação dessas duas linhas de abordagem, mas a prática mais frequente foi a análise separada dos aspectos quantitativos e qualitativos.

Na pesquisa dos aspectos qualitativos, acentuaram-se as estratégias de solução de problemas e processos de formação de conceitos. No estudo dos aspectos quantitativos, o interesse centralizou-se na detecção das aptidões efetivamente envolvidas nas estratégias de solução de impasses e na questão da medida.

Abordagem quantitativa
A introdução do conceito de inteligência em psicologia remonta ao final do século XIX, com os filósofos ingleses Herbert Spencer e Francis Galton. Para ambos, a inteligência identifica-se com uma aptidão geral superposta a aptidões específicas. Spearman partiu da constatação de que existem correlações positivas entre os diversos testes, e para explicá-las admitiu a intervenção de um fator geral comum a todos, e que atuaria ao lado de fatores específicos para cada teste. Ao estudar esse fator geral, Spearman identificou-o com uma espécie de energia geral ou mental. Podia-se comparar o funcionamento psíquico com o de máquinas, cujo acionamento correria por conta de uma fonte geradora de energia, que é o fator geral.

Medição da inteligência
A primeira grande tentativa de mensuração da inteligência foi feita pelo psicólogo francês Alfred Binet. Convidado a participar de uma comissão organizada pelo governo francês para estudar o problema da educabilidade dos débeis mentais, Binet elaborou um método que constava de uma série de perguntas bastante simples, que eram propostas às crianças. Os resultados obtidos de uma delas era comparado aos produzidos pelas outras da mesma faixa de idade. A técnica de Binet consistiu em partir da observação do que fazem os sujeitos mais bem dotados em relação à média dos indivíduos. Não partiu, portanto, de uma conceituação prévia do que pudesse ser a inteligência. Sua metodologia nunca se revelou adequada, mas salvou-se sua perspectiva operacional.

Binet partiu do princípio de que, em média, as crianças mais velhas têm a inteligência mais desenvolvida que as mais novas. Nessas condições, conservou em seus testes os itens nos quais os desempenhos melhoravam com a idade e rejeitou os outros. Ao compor o primeiro teste de inteligência, Binet estabeleceu o resultado médio para crianças de três, quatro, cinco anos etc. Sempre que uma criança de seis anos alcançava no teste um resultado que correspondia à média das crianças de cinco anos, era considerada retardada em seu desenvolvimento mental. Embora com idade cronológica de seis anos, apresentava idade mental de cinco anos.

Deve-se à contribuição de William Stern a formulação dos resultados não mais em termos de idade mental, mas em termos de quociente de inteligência (QI). A ideia consistiu em dividir a idade mental (IM) pela idade cronológica (IC) e multiplicar o resultado por 100, segundo a fórmula QI = (IM / IC) x 100.

O método de Binet revelou-se inadequado quanto às possibilidades de aplicação ao nível do adulto. Essa dificuldade foi superada pelo psicólogo americano Edward Lee Thorndike, que partiu de dois grupos claramente identificáveis como integrados por indivíduos brilhantes e por indivíduos deficientes. A escala métrica de Binet foi publicada em 1905. Mas logo sofreu revisões, quando em 1908 foi traduzida para o inglês. Em 1916 foi feita nova revisão, graças a Lewis Madison Terman, da Universidade de Stanford. A fórmula, dita de Stanford-Binet, voltou a reestruturar-se em 1937 e 1960, e desde então ficou sendo a fórmula mais usada de avaliação da inteligência individual.

Constância do QI
De maneira geral, o QI é estável e só muda muito lentamente. No adulto é bastante constante, e apresenta poucas alterações na faixa entre os 15 e os 25 anos, ou mesmo trinta anos. Daí em diante ocorre um lento declínio. Como a inteligência não é constituída apenas por uma simples aptidão, mas de várias, registra-se em algumas delas certo incremento, mesmo após os quarenta ou cinquenta anos. Nas crianças, a constância do QI depende de um meio adequadamente estimulante.

Inteligência e criatividade
Posteriormente a pesquisa orientou-se para as relações entre inteligência e criatividade. Supõe-se que, ainda quanto positivamente correlacionadas, uma distingue-se da outra, de vez que indivíduos que apresentam altos índices de capacidade criativa nem sempre se revelam altamente dotados nos testes de inteligência.

Os testes de medida para avaliação de uma ou outra apresentam grandes diferenças. Os testes de inteligência são concebidos de forma que os resultados produzidos sejam rigorosamente os programados ou previstos pelos construtores da prova. São muito rígidos e só admitem um tipo de resposta correta. Já os testes elaborados para avaliar condições de criatividade caracterizam-se pela plasticidade ou flexibilidade em relação às respostas admitidas. São, portanto, provas "abertas", que admitem mais de uma resposta correta. Diz-se por isso que enquanto a inteligência depende de processos convergentes, a criatividade subordina-se a produções divergentes.

Inteligência e hereditariedade
Uma das questões clássicas no estudo da inteligência diz respeito a ser ela hereditária ou não. Os resultados das pesquisas experimentais mostraram-se inconclusivos. Num dos experimentos mais citados, ratos machos e fêmeas mais inteligentes foram acasalados, o mesmo acontecendo com outros menos inteligentes, até a sétima geração. Comparando-se os resultados em aprendizados de labirinto, os ratos do primeiro grupo mostraram-se bastante superiores aos do segundo. Embora tal resultado pareça comprovar a hereditariedade da inteligência, nada esclarece e apenas evidencia ser a hereditariedade um fator importante mas não único.

Outro fator apontado como relevante para a inteligência é o meio, a partir de uma outra experiência com ratos. Dividida uma ninhada em dois grupos, um foi submetido a ambiente limitado e restrito e outro a ambiente rico e estimulante. Os resultados apontaram enorme vantagem para o grupo que recebeu melhor incentivo do ambiente. Entretanto, também nesse caso o resultado é unilateral, pois nada diz sobre o papel da hereditariedade, embora deixe clara a importância do meio.

Os resultados mostram-se também pouco esclarecedores com sujeitos humanos. Em experimentos com gêmeos idênticos realmente se comprova a importância dos fatores genéticos. Contudo, para que os experimentos pudessem ser efetivamente esclarecedores seria necessário que os meios atuantes fossem totalmente diversos. Em suma, ambos os fatores são importantes, e por isso o psicólogo canadense Donald Olding Hebb sugere a conveniência de distinguir entre o que chama de inteligência A e inteligência B: a primeira seria essencialmente determinada por condições genéticas; a segunda, tanto por fatores hereditários quanto ambientais.

Inteligência e raça
A questão da relação entre inteligência e raça está intimamente correlacionada com a anterior. Hebb afirma não existir base científica para se acreditar que a inteligência A esteja de alguma forma correlacionada com a cor da pele, seja ela negra, amarela ou branca. Uma vez que o teste de inteligência supõe o conhecimento prévio dos materiais do teste, ou um contato anterior com eles, fica evidente que o QI não pode servir de base para a comparação da inteligência A de pessoas de culturas diferentes. Todas as comparações somente poderão ocorrer em relação à inteligência B, que se for baixa, não expressará obrigatoriamente uma inteligência A baixa, pois dependerá substancialmente das condições do meio, isto é, das oportunidades oferecidas pelo ambiente em função do qual se desenvolve o indivíduo.

Fases de desenvolvimento
Para Piaget, pesquisador que mais contribuiu para o estudo do desenvolvimento da inteligência, a criança está sempre criando e recriando seu próprio modelo de realidade e desenvolve-se mentalmente ao integrar conceitos mais simples em conceitos de nível mais elevado. Piaget defende assim o conceito de "epistemologia genética", espécie de cronograma estabelecido pela natureza para o desenvolvimento da capacidade infantil de pensar.

Esse cronograma desenrola-se em quatro estágios: no primeiro, chamado período sensório-motor, que vai do nascimento até um ano e meio ou dois anos, a criança começa a tomar consciência de seu próprio corpo, de seus reflexos físicos inatos e da possibilidade de manipulá-los para fazer coisas interessantes ou ter prazer. Começa também a tomar consciência de si mesma como uma entidade separada e das coisas a sua volta como entidades separadas também.

O segundo estágio é o do pensamento pré-operacional e vai mais ou menos dos dois aos sete anos. A criança consegue manipular simbolicamente seu universo, por meio de representações internas, ou pensamentos, sobre o mundo exterior. Durante essa fase, ela aprende a representar os objetos por meio de palavras e a manipular mentalmente as palavras, tal como anteriormente manipulara os objetos físicos.

No terceiro estágio, chamado de operacional concreto, dos sete aos 11 ou 12 anos, a criança começa a utilizar algumas operações lógicas, como a reversibilidade, a classificação dos objetos por suas semelhanças e diferenças, e também a compreender os conceitos de número e de tempo. Introduz-se, assim, a lógica no processo de pensamento da criança.

O quarto estágio é o período das operações formais, que começa aos 12 anos e se estende pela vida adulta. Caracteriza-se pela capacidade de pensar ordenadamente e pelo domínio do pensamento lógico, o que enseja uma espécie de experimentação mental mais flexível. Nesse estágio final, a criança aprende a manipular ideias abstratas, a formular hipóteses e a entender as implicações de sua maneira de pensar e da maneira de pensar dos outros.

Desvios da normalidade
Tomando-se como referência a inteligência caracterizada como normal, registram-se desvios tanto ascendentes quanto descendentes. Estes caracterizam-se como retardamentos, e se manifestam em relação à maturação, à aprendizagem ou à adaptação social. A determinação dos retardamentos é feita por meio da aplicação dos testes de inteligência. Assim, um indivíduo com resultado equivalente a 70 ou 85 de QI é considerado ligeiramente retardado. Na faixa de cinquenta a setenta de QI, considera-se retardamento em grau moderado. Os índices graves são os abaixo de cinquenta, caso em que o indivíduo necessita de custódia. Os retardamentos podem provir de fatores anteriores, concomitantes ou posteriores ao nascimento. Um dos casos mais comuns é o do mongolismo, ou síndrome de Down, cujos portadores apresentam 47 cromossomos em suas células, ao invés do número normal de 46 cromossomos.

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Afetividade e Percepção

Afetividade e Percepção

Afetividade e PercepçãoEm psicologia, entende-se por afetividade o conjunto de fenômenos psíquicos que compreendem sobretudo o prazer, a dor e as emoções - fenômenos ditos afetivos. É também a capacidade de experimentar estados afetivos e de produzir reações de caráter afetivo, confundindo-se, nesse sentido, com o conceito de sensibilidade. A afetividade é a base do psiquismo e o elemento mais fundamental na estruturação da conduta e das reações de cada indivíduo. Num sentido mais amplo, engloba as tendências afetivas (inclinações, paixões) e os estados passivos (prazer, dor, emoções).

Seria errôneo identificar os sentimentos e as paixões, duas formas de afetividade, com o lado "irracional" da psicologia humana. Toda a conduta do homem, até mesmo seus aspectos mais racionais e intelectuais, está marcada por esses elementos.

AmplitudeA afetividade domina desde a esfera instintiva __ à qual estão vinculadas as emoções primárias, as inclinações e as paixões __ até a sensibilidade corporal, da qual se originam as sensações de prazer e de dor, com seus correspondentes estados afetivos sensoriais (agradáveis ou desagradáveis). Nesse âmbito situam-se tanto as dimensões corporais da afetividade __ como o tom afetivo, o humor, o temperamento __ quanto os conteúdos afetivos do eu consciente, isto é, as emoções e os sentimentos, incluindo-se ainda os afetos mais nobres e mais diferenciados da alma humana, como o sentimento estético, moral, religioso etc.

A afetividade abrange assim um vasto domínio da atividade pessoal, indo até às raízes da instintividade biológica e estendendo-se ao próprio soma (o organismo considerado como matéria, em oposição as funções psíquicas), de onde partem estímulos aferentes que levam a certas disposições de humor e em que se projetam as emoções e sentimentos. Exerce ela, portanto, um papel fundamental nas correlações psicossomáticas básicas, além de influenciar decisivamente a percepção, a memória, o pensamento, a vontade e as ações, e ser assim um componente essencial da harmonia e do equilíbrio da personalidade.

Afetividade e percepçãoO ser humano, tal como os animais, é dotado de órgãos do sentido, que transmitem sensações ao receberem estímulos. Tais sensações tanto podem levar a que o sujeito se aperceba dos objetos que se situam fora dele (percepção), quanto fazer com que estabeleça uma relação consigo próprio que dá uma certa significação ao sentido de sua experiência (afetividade). Muitas vezes, um estímulo ao mesmo tempo que é percebido desperta afetividade, como no caso da música, por exemplo, que, percebida enquanto estímulo auditivo, provoca também emoção no ouvinte. De certa forma, a afetividade é um sistema perceptivo, que reage de maneira própria a certos sinais ou situações e é insensível a outros, sendo sempre capaz de deformar, mais ou menos, as significações intelectuais de qualquer informação.

Existe acentuada confusão terminológica em relação à afetividade e ao grande número de vocábulos associados ao seu conceito. Os estados afetivos fundamentais são as emoções, os sentimentos, as inclinações e as paixões. As emoções são complexos psicofisiológicos que se caracterizam por súbitas e insólitas rupturas do equilíbrio afetivo, com repercussões concomitantes ou consecutivas, leves ou intensas, mas sempre de curta duração, sobre a integridade da consciência e a atividade funcional dos órgãos; os sentimentos são estados afetivos duráveis, atenuados em sua intensidade vivencial, às vezes revestidos de tonalidades intelectuais e morais e quase sempre desacompanhados de concomitantes somáticos; as inclinações são movimentos afetivos involuntários, duráveis, contínuos, persistentes, em direção a determinado objeto, e que emergem de disposições extraconscientes; paixões são estados afetivos absorventes e tiranizantes, que polarizam a vida psíquica do indivíduo na direção de um objeto único, que passa a monopolizar seus pensamentos e ações, com exclusão ou em detrimento de tudo o mais.

A afetividade acompanha o ser humano desde seu nascimento até sua morte. De maneira geral, pode-se dizer que até à segunda infância, a vida da criança é inteiramente afetiva, e que no fim deste período, as principais formas de afetividade do futuro adulto já estão estabelecidas. Dessa forma, não parece existir, como queria Piaget, um estreito paralelismo entre o desenvolvimento afetivo e o desenvolvimento intelectual, com este último determinando as formas de cada etapa da afetividade. Ao contrário, parece ser a afetividade que obsta ou favorece o conhecimento intelectual, pois o desenvolvimento normal da inteligência só ocorre se há uma relação afetiva anterior normal. É a afetividade que constitui o alicerce sobre o qual se constrói o conhecimento racional. É possível observar na prática como as crianças portadoras de bloqueios afetivos apresentam também inibições intelectuais, e como as que possuem uma boa relação afetiva - segurança, sentido de realidade, interesse pelo mundo exterior - têm seu desenvolvimento intelectual facilitado.

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Adivinhação | Classificação das Técnicas Divinatórias

Adivinhação | Classificação das Técnicas Divinatórias

Dá-se o nome de adivinhação ao conjunto de procedimentos empregados para obter informação sobre os acontecimentos futuros, recorrendo para isso a meios sobrenaturais, é o que se denomina de adivinhação. Essa vinculação com o transcendental se depreende da etimologia latina da palavra, que literalmente significa "descobrimento da vontade dos  deuses".

O desejo de predizer o futuro é provavelmente tão antigo quanto o ser humano, que tem tentado satisfazer esse impulso de diversas maneiras, dando-lhe, conforme a época e a mentalidade reinante, maior ou menor importância.

O recurso a técnicas divinatórias não implica necessariamente a convicção de que o futuro seguirá as ordens de quaisquer divindades, crença entranhada em muitas culturas antigas, mas, pressupõe, no mínimo, a crença numa ordem de coisas que transcendem a realidade perceptível aos sentidos e que só podem ser conhecidas utilizando-se os métodos que estão -- ou pretendem estar -- além do normal. Em conseqüência, o adivinho se considera  um mediador entre ambos os planos da realidade.

A presente exposição emprega, com ligeiras modificações, a dicotomia clássica elaborada por Cícero em sua obra De divinatione (Sobre a adivinhação), inspirada no Fedro de Platão. Segundo Cícero, há duas grandes classes de adivinhação, a natural e a artificial. A primeira é intuitiva: o adivinho não faz qualquer raciocínio e é mero instrumento de uma força superior, a qual se manifesta por meio dele. A segunda forma de adivinhação é indutiva: o adivinho estabelece conjecturas baseadas em observações cujo significado interpreta à luz de um código mais ou menos elaborado.

Adivinhação intuitiva

Na adivinhação intuitiva  pode-se distinguir duas subclasses. Uma delas é a profecia, denominada adivinhação intuitiva pura, já que ocorre em estado de vigília, e a outra que acontece em estado hipnótico ou alucinatório, natural ou provocado por meios artificiais. Neste último grupo cabem tanto os oráculos das pitonisas gregas quanto as palavras proferidas pelos médiuns nas sessões espíritas, as quais não passam de uma versão atenuada e aceita pela sociedade atual da necromancia, tão temida e perseguida durante a Idade Média.

Adivinhação indutiva

Também aqui podem-se distinguir dois grupos. Ao primeiro pertencem as práticas divinatórias realizadas a partir da observação de fenômenos naturais que ocorrem espontaneamente. É o caso da astrologia, da geomancia (adivinhação pelo estado e aspecto da Terra), da aruspicação (adivinhação pelo exame das vísceras dos animais), da quiromancia (adivinhação pela análise das linhas da mão) etc. Pode-se situar esse tipo de adivinhação na origem do espírito científico, já que exige observação paciente, estabelecimento meticuloso de correspondências e a procura de uma ordem de repetição nos acontecimentos.

No segundo grupo incluem-se técnicas de adivinhação que tomam como ponto de partida eventos provocados. Assim, por exemplo, a distribuição aleatória das cartas (cartomancia), da borra do chá, de varetas ou moedas (o I Ching, empregado na China) é interpretada pelo adivinho como resposta para quem a ele recorre.

As três formas de adivinhação indutiva com importância histórica são provavelmente a astrologia, a aruspicação e a técnica de cartomancia denominada tarô.

Astrologia

É uma das técnicas de adivinhação mais antigas, originária aparentemente da Mesopotâmia. A importância que os povos mesopotâmicos atribuíam à escrita foi decisiva na instituição da astrologia.  Se os homens transmitiam suas mensagens por meio de símbolos gravados em pequenos blocos de barro, os deuses deviam fazer algo semelhante. O céu estrelado seria o lugar onde traçavam sua escrita, cujo significado só poderia ser conhecido através de inúmeras observações, que relacionavam a posição dos astros com os acontecimentos terrestres. Essas observações eram registradas e armazenadas, de forma a tornar possível sua consulta cada vez que se queria fazer uma predição.

A astrologia se difundiria depois entre quase todas as culturas da antiguidade. Na Europa medieval e renascentista propagou-se a teoria de que o homem, o microcosmo, era um reflexo do macrocosmo universal. Assim, o alemão Paracelso empregava a astrologia para diagnosticar as enfermidades, na crença de que as variações dos astros teria correspondência no corpo humano. Embora a partir do Iluminismo a astrologia tenha começado a decair progressivamente, houve um ressurgimento dessa prática nos tempos modernos.

Aruspicação

O exame das vísceras dos animais é também originário da Babilônia, onde -- analogamente ao que ocorria com os astros -- achava-se que nelas os deuses escreviam suas mensagens, as quais poderiam ser decifradas por meio de um ritual rigoroso e detalhado. Essa prática divinatória teve também um grande desenvolvimento entre os etruscos, que a transmitiram aos romanos.

Tarô

A leitura do tarô, hoje em dia muito popular, originou-se na baixa Idade Média, quando abundavam os jogos de cartas relacionados com a prática da adivinhação. Ao que parece as cartas do tarô atualmente usadas surgiram na Espanha, mas foi na Itália que aos quatro naipes (espadas, paus, copas e ouros) se adicionaram os chamados "arcanos maiores": são 21 cartas numeradas - o mago, a sacerdotisa, a imperatriz, o imperador, o sumo-sacerdote, os enamorados, o carro, a justiça, o ermitão, a roda da fortuna, a força, o enforcado, a morte, a temperança, o diabo, a torre, a estrela, a lua, o sol, o julgamento e o mundo - e uma não numerada, o louco. Cada arcano possui um significado simbólico e a seqüência e a ordem em que aparecem permitem ao adivinho predizer o futuro. O original tarocco italiano sofreu mais tarde diversas adaptações, das quais a mais conhecida é o chamado tarô de Marselha.

O fenômeno da adivinhação

Os homens recorrem geralmente à adivinhação quando estão desorientados e não sabem que escolha fazer entre aquelas que se lhes apresentam como possíveis. Os tipos de perguntas que se fazem ao adivinho costumam versar sobre as raízes ocultas do passado, que interessam ao consulente na medida em que podem influenciar o presente e principalmente, o futuro. A desorientação e a perplexidade são situações habituais entre os seres humanos. Não é de se estranhar, portanto, que para se livrar dessas situações as pessoas busquem o auxílio de todos os meios imagináveis, o que explica em grande parte o ressurgimento da adivinhação em nossa época.

A validade das técnicas divinatórias está sujeita, como é lógico, a diversas interpretações. Não se pode esquecer, por exemplo, que a astrologia medieval se considerava uma ciência baseada em concepções teóricas comumente aceitas, e que a alquimia e a cabala defendiam firmemente a adivinhação. O fato de alguns inescrupulosos explorarem a insegurança humana com técnicas divinatórias arbitrárias e em proveito próprio, não constitui necessariamente uma prova contra essas práticas. Por outro lado, não resta dúvida de que algumas técnicas divinatórias têm pouco fundamento na realidade.

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