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Nazismo e o Reich do Führer Adolf Hitler

Nazismo e o Reich do Führer Adolf Hitler

Nazismo e o Reich do Führer Adolf Hitler
O Reich do Führer
Chamou-se III Reich porque havia o I Reich (O Sacro Império Romano Germânico que Oton I fundou em 962 e durou até 1806); e o II Reich, nascido em 1871 sob Guilherme I, com a unificação alemã. Adolf Hitler suprimiu o Estado federalista. Os Estados receberam chefes Por ele indicados. Dissolveu a Assembleia do Reino. O país adotou a bandeira do Partido Nazista, com a suástica. Os membros do partido ocuparam todos os cargos da administração e a vida política reduziu-se a manifestações anuais do nazismo - os congressos realizados em Nuremberg. O Parlamento, todo nazista, reunia-se conforme a vontade de Adolf Hitler de ser aclamado.

Os judeus, duramente perseguidos, foram excluídos da administração, ensino, jornalismo, atividades artísticas e literárias. Passaram à condição de súditos; perderam os direitos civis, o acesso a lugares públicos; casamento de “ariano” com judeu passou a ser punido como crime de profanação racial. A partir de 1938, a violência cresceu: espancamentos, destruição de sinagogas e casas, uso de sinais identificadores e proibição de deixar o país. Mesmo assim, Einstein, Thomas Mann e muitos outros conseguiram fugir. Milhares de obras foram excluídas dos museus ou destruídas, como arte degenerada: abstracionismo, impressionismo, cubismo.

O Estado intervinha moderadamente na economia. Procurava controlar o mundo do trabalho e orientar a produção sem alterar basicamente a estrutura capitalista. Integrou as atividades de modo a harmonizar a produção. O Estado fixava a jornada de trabalho, os salários e os lucros, mas tembém velava pela formação profissional e pelo lazer. Suprimiu as liberdades sindicais e o direito de greve. No campo, o Estado nacional-socialista criou o Erbhof, domínio familiar de menos de 125 acres (menos de 21 alqueires), inalienável, indivisível e transmissível somente a um só herdeiro.

Realizou-se uma frente de trabalhadores, operários e camponeses e uma frente de patrões, em estilo corporativo, tudo supervisionado pelo Führer. As grandes empresas foram protegidas; impôs-se a formação de cartéis e acelerou-se a concentração industrial.

O novo Reich buscou o desenvolvimento com base em planos quadrienais. No primeiro Plano, iniciado em 1933, realizaram-se obras públicas para absorver desempregados: aeroportos, estradas, ferrovias, tudo com finalidade estratégica. O desemprego desapareceu em 1937. Mas o grande trunfo estava no desenvolvimento secreto da indústria bélica, que provocou a retomada industrial.

A falta de recursos monetários levou Schacht, ministro da economia de 1934 a 1937, a obrigar o pagamento de importações com produtos da indústria alemã. Isto correspondia às necessidades dos países da Europa central, exportadores de produtos primários. O Segundo Plano quadrienal, a partir de 1936, agora sob a direção do marechal Goering, tinha Por finalidade libertar a Alemanha de matérias-primas importadas. Retomou-se a exploração de minérios, avançou-se na pesquisa têxtil e na produção de borracha, carburantes e petróleo.

Em 1939, a indústria alemã é a segunda do mundo. Mas faltam minérios para a siderurgia. A agricultura fornece 75% do que o país precisa. A indústria bélica exige mais e mais matéria prima. A indústria de bens de consumo ficou prejudicada, tal como o comércio exterior, reduzido à metade. Havia limites para essa autarquia - essa auto-suficiência econômica. A acumulação de estoques levaria necessariamente à tese expansionista, à busca do espaço vital, sobretudo na Europa central. Essa necessidade vinha a calhar para a propaganda nazista em torno da questão nacional.

Hitler e o nazismo

Hitler e o nazismo

Adolf Hitler nasceu em 1888 em Brunau, na Áustria, filho de um empregado de alfândega. Aos 21 anos, mudou-se para Viena e tentou sem sucesso entrar na Academia de Belas-Artes para estudar pintura e arquitetura.

Vivia de expedientes, como pintar cartões postais. Perambulava pelos bares, lia jornais e livros, pernoitava em asilos. Autodidata, assimilava mal as leituras. Desprezava judeus, marxistas e as massas, todas incapazes, segundo ele, do sentimento nacional - ideias apreendidas da pequena burguesia vienense. Em 1913, com 25 anos, mudou-se para Munique. Lutou na Grande Guerra com bravura. Ferido duas vezes, foi condecorado com a Cruz de Ferro. No hospital, remoía a derrota, que atribuía não à eficiência do inimigo, mas à traição de grupos políticos radicais dentro da própria Alemanha. Voltou a Munique e passou a trabalhar na sessão de imprensa e propaganda do Quarto Comando das Forças Armadas, a Reichswerth.

Em setembro de 1919, Hitler aderiu a um grupo pomposamente chamado de Partido Trabalhista Alemão, fundado por um mecânico ferroviário. Seu programa falava em bem-estar do povo, igualdade perante o estado, anulação dos tratados de paz, exclusão dos judeus da comunidade.

Hitler pôs sua capacidade oratória a serviço do grupo e contribuiu para a mudança de nome para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães - Nazi (abreviado do alemão Nationalsozialist). O símbolo era a bandeira vermelha com a cruz gamada. Possuíam um jornalzinho. O capitão Roehm incorporou uma organização paramilitar, as SA (Seções de Assalto), encarregadas de perturbar as reuniões dos adversários. O confuso programa denunciava judeus, marxistas e estrangeiros; prometia trabalho e a supressão das regras citadas em Versalhes.

Em 1921, aos 33 anos de idade, Hitler tornou-se chefe do Partido, que tinha apenas 3.000 filiados.

Depois de fracassar na tentativa de golpe em Munique (1923), Hitler foi condenado a cinco anos de prisão. Cumpriu oito meses, que aproveitou para escrever a primeira parte de seu livro Mein Kampf (Minha Luta).

Inspirando-se no bolchevismo, reorganizou seu partido, dando-lhe mais eficiência e disciplina, dotando-o de estruturas administrativas e hierárquicas regionais, de um jornal e de formações paramilitares: além da SA, as SS, brigadas de segurança. Organizou a juventude hitlerista e atraiu sindicatos, associações de médicos, professores, juristas, funcionários e outros profissionais.

Fundamentos e ideologia do Nazismo

A ideologia Nazista incorporou velhos princípios, com significado novo. Subsídios importantes foram fornecidos Por escritores e pensadores: o anti-semitismo, de teorias racistas de Gobineau, Chamberlain e Wagner; o pangermanismo, de Wagner; o neopaganismo, de Rosemberg; o Estado forte e a regeneração nacional, de Spengler; a idéia do Terceiro Reich, de Van der Bruck; o nacionalismo exaltado, de Jüger e Von Solomon. O programa do Partido Trabalhista (1920) e os textos de Hitler sintetizavam sua proposta ideológica.

Racismo, ponto fundamental do nazismo. O povo alemão pertenceria a uma raça ariana superior. Sua missão será dominar o mundo sem se contaminar Por raças ou elementos “inferiores”: franco maçonaria, liberalismo, marxismo, igreja católica e os judeus, cujo espírito liberal crítico os transformava e no principal elemento de dissolução da “pureza da raça”.

Totalitarismo, desdobramento do racismo. O indivíduo pertenceria ao Estado: seria um instrumento da comunidade racial. Assim, o Estado não poderia ser liberal e nem parlamentar, pois não poderia dividir-se em função de interesses sociais. Como o fascismo, o nazismo era antiparlamentar, antiliberal e antidemocrático. Da mesma forma, deveria ter um único chefe, o Führer. Ele simbolizaria a Alemanha e teria toda a responsabilidade das decisões, embora pudesse submetê-las a plebiscitos. Esses princípios podiam ser resumidos assim: um povo (Volk), um império (Reich) e um chefe (Führer).

Antimarxismo e anticapitalismo, desdobramentos do princípios fundamentais também. O marxismo era produto do pensamento judaico (Karl Marx), que propunha a luta de classes; o capitalismo seria danoso ao agravar as desigualdades e atentar contra a unidade do Estado. Hitler passou a destinguir o capital nacional, útil à comunidade, do capital internacional, impregnado de judaísmo.

Unipartidarismo, decorrencia do conjunto.. Hitler pregava que a nova ordem seria atingida nos quadros de um Estado totalitário, fundado sobre o fanatismo nacional e fervor racista; vanguarda seria o Partido Nacional-Socialista, partido único, hierarquizado e dirigido segundo o principio da chefia absoluta. O chefe supremo era ele, que tinha como suplente Rudolf Hess, substituído após 1941 Por Martins Bormann. As forças paramilitares das Waffen SS, comandadas por Himmler, chegaram a ter 500.000 homens; eram tropas de elite, ligadas ao exército. Himmler assumiu o controle da polícia política, a Gestapo.

Nacionalismo reinvidicativo, para o nazismo, era preciso destruir as “humilhações” do Tratado de Versalhes e integrar as comunidades germânicas da Europa (Áustria, Sudetos, Dantzig). Em suma, conquistar para a Alemanha, na Polônia e na Ucrânia, em espaço vital, o que implicava ajustar contas primeiro com os franceses, aliados dos eslavos.

O partido único controlava toda a a população, pela fiscalização das informações e da propaganda, conduzida Por um ministro especialista nisso: Goebbels. Ele supervisionava imprensa, literatura, cinema, rádio - este, a grande arma da comunicação com as massas.

Tiveram grande importância o lazer dos jovens e dos trabalhadores e a educação da juventude nazista, uma elite fanatizada, obrigada a trabalhar a a partir de 1935.

A Tomada do poder na Alemanha

Com a crise de 1929, os nazistas passaram a fazer proclamações, gigantescas paradas e desfile das SA e SS. Hitler surgia como o campeão da luta contra o bolchevismo. Empresas capitalistas passaram a dar-lhe apoio financeiro a partir de 1932. Reunindo descontentes de todo lado, especialmente na classe média e no campo, o partido saltou dos 400.000 membros em 1928 para 1,5 milhão em 1930; e dos 2,3% de votos para 18,3%. Fez 107 deputados, contra 77 comunistas.

Em 1932, Hindemburg encarregou o católico Brüning de combater o comunismo. A violência nazista obrigou a dissolver as SA e SS. A crise o obrigou também a tomar medidas socializantes: controle de mercado, socialização de bancos. O velho marechal Hindemburg foi reeleito com 19 milhões de votos, mas Hitler obteve 13 milhões.

Brüning projetou colonizar as grandes propriedades e os latifundiários pressionaram Hindemburg. O chanceler Von Pappen dissolveu o parlamento e convocou eleições. Os nazistas tiveram 37,3% dos votos e fizeram 230 deputados, graças ao apoio maciço da burguesia, proletarizada pela crise. Hindemburg recusou-se a fazer de Hitler chanceler e, convocadas novas eleições, permaneceu a vantagem dos nazistas.

O novo chanceler, o general Von Schleiter, queria quebrar a força de nazistas e comunistas organizando uma ditadura corporativa ao modelo italiano; pretendia fazer reformas sociais com o apoio dos sindicatos. Mas o que conseguiu foi atrair a ira dos grandes capitalistas. Von Pappen, ligado a eles, aproximou-se de Hitler; propôs a ele diminuir a agressão verbal contra os capitalistas. E Hitler foi nomeado chanceler em 30 de janeiro de 1933.
O empresariado e os conservadores monarquistas achavam que iam manobrá-lo. Os comunistas poderiam ter evitado a chegada de Hitler ao poder caso tivessem apoiado o centro, dando-lhe maioria no Parlamento. Mas também achavam que Hitler cairia logo.

Terror e ditadura
Em apenas 23 meses, numa sucessão de golpes de força. ilegalidades e assassinatos, Hitler implantaria sua ditadura pessoal. Com autorização de Hindemburg, dissolveu o Parlamento e encarregou Goering de preparar as novas eleições. Este chamou as SA e SS, sob o pretexto de que as tropas regulares eram insuficientes para garantir a ordem.

A campanha eleitoral foi um terror. Reuniões invadidas, jornais depredados, líderes rivais assassinados. Em 27 de fevereiro de 1933, os nazistas incendiaram o Parlamento e culparam os comunistas, que foram presos junto com os socialistas e liberais. Restabeleceu-se a pena de morte e suspenderam-se as garantias individuais e civis.

A alegada conspiração comunista fez com que os nazistas tivessem 44% dos votos; os 81 comunistas eleitos foram excluídos do Parlamento e os nazistas ficaram em maioria absoluta. Em 23 de março, Hitler obteve o voto de plenos poderes, com apoio dos católicos, que acreditavam numa concordata, como havia acontecido na Itália de Mussolini.

Hitler começou a aplicar o programa nazista. Suspendeu os partidos políticos, menos o nazista, extinguiu os sindicatos, diminuiu os privilégios dos Estados em favor do poder central e tomou medidas anti-semitas.

A principal oposição surgiu dentro do próprio partido: Roehm, chefe das SA, aproximou-se do general Von Schleiter e planejou um golpe, com apoio dos 3 milhões de homens de sua força paramilitar, constituída basicamente de desempregados. Em 30 de junho de 1934, centenas de oponentes foram massacrados, entre ele Schleiter; adeptos de Roehm foram metralhados de surpresa em uma reunião. Foi a Noite dos Longos Punhais. Em toda a Alemanha, foram 3.000 assassinatos. Muitos outros foram juntar-se a comunistas e judeus nos campos de concentração, recém abertos, como Dachau e Buchenwald. Os generais, que viam na SA uma perigosa concorrente, felicitaram Hitler.

O regime definiu as relações com a Igreja. Concordata assinada com o Papa Pio XI impunha aos bispos o dever de prestar juramento ao chanceler. O Papa protestou, não contra a ditadura, mas contra o paganismo nazista. A tentativa de unificar a Igreja Luterana em torno do dr. Müller, bispo do Reich, provocou a reação de mais de 500 pastores, remetidos imediatamente aos campos de concentração.

Hindemburg morreu no fim de 1934. Hitler acumulou as funções de chanceler e presidente. Todos os funcionários oficiais e das forças armadas deveriam prestar-lhe juramento pessoal de fidelidade.

Totalitarismo na Europa

Totalitarismo na EuropaDe forma bastante simples, podemos definir totalitarismo como um regime no qual um único indivíduo domina todo o Estado, tomando para si todos os tipos de poderes existentes. O totalitarismo foi algo presente no contexto do pós-guerra, tendo como suas expressões máximas o Nazismo de Adolf Hitler, na Alemanha, o Fascismo de Mussolini, na Itália, e o Stalinismo de Josef Stalin, na União Soviética.

A principal característica de um regime totalitarista é a eliminação de toda e qualquer oposição política. Desta forma, para os totalitaristas, a existência de múltiplas organizações partidárias prejudicaria o empenho de toda a nação em direção a um único caminho. Por isso, há a adoção de um sistema unipartidário.

No contexto econômico, a intervenção do Estado é algo de fácil conclusão. Nesse sentido, o governo procurava se enriquecer mais e mais, colocando o fator mercado em segundo plano. Assim, o Estado assumia o controle de todos os bens e fontes de recursos existentes por meio da administração de empresas estatais. Podemos destacar também a ênfase dada pelos regimes totalitaristas na indústria de base, bélica e de tecnologia, setores estratégicos em casos de uma eventual guerra.

Outra característica marcante do totalitarismo é a existência de uma política de intolerância a quaisquer manifestações contrárias às suas formas de atuar. Desta forma, muitos cidadãos eram presos, torturados, exilados ou até mesmo mortos por causa de suas ideologias políticas contrárias ao regime instalado.

Os regimes totalitaristas utilizavam a propaganda como principal instrumento de domínio ideológico da população. Assim, faziam uso da história da nação e das imagens de heróis nacionais para despertar na população um sentimento de patriotismo e orgulho.

É importante ressaltar que cada regime totalitarista teve certas características peculiares. Além disso, podemos afirmar que, embora o totalitarismo seja algo difícil de ser aceito no mundo atual, predominantemente democrático, é possível localizarmos traços do regime em políticas adotadas por muitos países.

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Nazismo, Fascismo, Capitalismo, Comunismo e Socialismo

Nazismo, Fascismo, Capitalismo, Comunismo e Socialismo

Nazismo, Fascismo, Capitalismo, Comunismo e Socialismo

Nazismo

Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha foi palco de uma revolução democrática que se instaurou no país. A primeira grande dificuldade da jovem república foi ter que assinar, em 1919, o Tratado de Versalhes que, impunha pesadas obrigações à Alemanha.

À medida que os conflitos sociais foram se intensificando, surgiram no cenário político-alemão partidos ultranacionalistas, radicalmente contrários ao socialismo. Curiosamente, um desses partidos chamava-se Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista) e era liderado por um ex-cabo de nome Adolf Hitler. As eleições presidenciais de 1925 foram vencidas pelo velho Von Hindenburg que, com a ajuda do capital estrangeiro, especialmente norte-americano, conseguiu com que a economia do país voltasse a crescer lentamente. Esse crescimento, porém, perdurou somente até 1929.

Foi quando a crise econômica atingiu com tal força a Alemanha, que, em 1932, já havia no país mais de 6 milhões de desempregados. Nesse contexto de crise, os milhões de desempregados, bem como muitos integrantes dos grupos dominantes, passaram a acreditar nas promessas de Hitler de transformar a Alemanha num país rico e poderoso. Assim, nas eleições parlamentares de 1932, o Partido Nazista conseguiu obter 38% dos votos (230 deputados), mais do que qualquer outro partido.

Valendo-se disso, os nazistas passaram a pressionar o presidente e este concedeu a Hitler o cargo de chanceler (chefe do governo). No poder, Hitler conseguiu rapidamente que o Parlamento aprovasse uma lei que lhe permitia governar sem dar satisfação de seus atos a ninguém. Em seguida, com base nessa lei, ordenou a dissolução de todos os partidos, com exceção do Partido Nazista. Em agosto de 1934, morreu Hindenburg e Hitler passou a ser o presidente da Alemanha, com o título de Führer (guia, condutor).

Fortalecido, o Führer lançou mão de uma propaganda sedutora e de violência policial para implantar a mais cruel ditadura que a humanidade já conhecera. A propaganda era dirigida por Joseph Goebbles, doutor em Humanidades e responsável pelo Ministério da Educação do Povo e da Propaganda. Esse órgão era encarregado de manter um rígido controle sobre os meios de comunicação, escolas e universidades e de produzir discursos, hinos, símbolos, saudações e palavras de ordem nazista. Já a violência policial esteve sob o comando de Heinrich Himmler, um racista extremado que se utilizava da SS (tropas de elite), das SA (tropas de choque) e da Gestapo (polícia secreta de Estado) para prender, torturar e eliminar os inimigos do nazismo.

No plano econômico, o governo hitlerista estimulou o crescimento da agricultura, da indústria de base e, sobretudo, da indústria bélica. Com isso, o desemprego diminuiu, o regime ganhou novos adeptos e a Alemanha voltou a se equipar novamente, ignorando os termos do Tratado de Versalhes.

Fascismo

Regime político de caráter totalitário que surge na Europa no entre guerras (1919-1939). Originalmente é empregado para denominar o regime político implantado na Itália por Benito Mussolini entre 1919 e 1943.

Suas principais características são o nacionalismo, que tem a nação como forma suprema de desenvolvimento, e o corporativismo, em que os sindicatos patronais e trabalhistas são os mediadores das relações trabalhistas. O fascismo nasce oficialmente em 1919, em Milão, quando Mussolini funda o movimento intitulado Fascio de Combatimento, cujos integrantes, os camisas pretas (camicie nere), se opõem à classe liberal. Em 1922, as milícias fascistas desfilam na Marcha sobre Roma. Pretendem tomar o poder militarmente e ocupam prédios públicos e estações ferroviárias, exigindo a formação de um novo gabinete.

Mussolini é convocado para chefiar o governo do país, que atravessa profunda crise econômica, agravada por greves e manifestações de trabalhadores. Por meio de fraudes, os fascistas conseguem maioria parlamentar. Em seguida, Mussolini dissolve os partidos de oposição, persegue parlamentares oposicionistas e passa a governar por decretos.

As características do regime são cerceamento da liberdade civil e política, unipartidarismo, derrota dos movimentos de esquerda e limitação ao direito dos empresários de administrar sua força de trabalho. A política adotada, entretanto, é eficiente na modernização da economia industrial e na diminuição do desemprego.

Capitalismo

Capitalismo é o sistema sócio-econômico em que os meios de produção (terras, fábricas, máquinas, edifícios) e o capital (dinheiro) são propriedade privada, ou seja, tem um dono.

Antes do capitalismo, o sistema predominante era o Feudalismo, cuja riqueza vinha da exploração de terras e também do trabalho dos servos. O progresso e as importantes mudanças na sociedade (novas técnicas agrícolas, urbanização, etc) fizeram com que este sistema se rompesse. Estas mesmas mudanças que contribuíram para a decadência do Feudalismo, cooperaram para o surgimento do capitalismo.

Os proprietários dos meios de produção (chamados de burgueses ou capitalistas) são a minoria da população e os não-proprietários (proletários ou trabalhadores – maioria) vivem dos salários pagos em troca de sua força de trabalho.

No Capitalismo toda mercadoria é destinada para a venda e não para o uso pessoal. O trabalhador recebe um salário em troca do seu trabalho. Toda negociação é feita com dinheiro. O capitalista pode admitir ou demitir trabalhadores, já que é dono de tudo (o capital e a propriedade).


Fases do Capitalismo
  1. Capitalismo Comercial ou mercantil: consolidou-se entre os séculos XV e XVIII. É o chamado Mercantilismo. As grandes potências da época (Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e França) exploravam novas terras e comercializavam escravos, metais preciosos etc. com a intenção de enriquecer.
  2. Capitalismo Industrial: Foi a época da Revolução Industrial.
  3. Capitalismo Financeiro: após a segunda guerra, algumas empresas começaram a exportar meios de produção por causa da alta concorrência e do crescimento da indústria.

O capitalismo vem sofrendo modificações desde a Revolução Industrial até hoje. No início do século XX, algumas empresas se uniram para controlar preços e matérias-primas impedindo que outras empresas menores tenham a chance de competir no mercado.

Nessa época várias empresas se fundiram, dando origem as transnacionais (também conhecidas como multinacionais). São elas: Exxon, Texaco, IBM, Microsoft, Nike, etc.

A união de grandes empresas trouxe prejuízo para as pequenas empresas que não conseguem competir no mercado nas mesmas condições. Ou acabam sendo “devoradas” pelos gigantes ou conseguem apenas uma parcela muito pequena no mercado.

Visando sempre o lucro e o progresso, grandes empresas passaram a valorizar seus empregados oferecendo-lhes benefícios no intuito de conseguir extrair deles a vontade de trabalhar.

Consequentemente, essa vontade e dedicação ao trabalho levará o empregado a desempenhar o serviço com mais capricho e alegria, contribuindo para o sucesso da empresa.

Comunismo e Socialismo

As expressões “comunismo” e “socialismo” recebem significados nem sempre muito precisos. Numa explicação bem resumida, daria para dizer que, segundo a teoria marxista, o socialismo é uma etapa para se chegar ao comunismo. Este, por sua vez, seria um sistema de organização da sociedade que substituiria o capitalismo, implicando o desaparecimento das classes sociais e do próprio Estado. “No socialismo, a sociedade controlaria a produção e a distribuição dos bens em sistema de igualdade e cooperação, para tanto todos, ou pelo menos a grande maioria, os indivíduos deveriam pensar e agir praticamente da mesma forma, o que é impossível sem o uso da força. O socialismo culminaria no comunismo, no qual todos os trabalhadores seriam os proprietários de seu trabalho e dos bens de produção, neste caso, devido as diferenças de pensamento entre indivíduos, levaria ao empobrecimento cultural e econômico da sociedade.

Mas essas duas expressões também pode assumir outros significados. Pode-se entender o socialismo, num sentido mais limitado, significando as correntes de pensamento que se opõem ao comunismo por defenderem a democracia na teoria, pois na prática tanto o "comunismo" quanto o "socialismo" sempre foram opressores . Em contraposição, o comunismo serviria de modelo para a construção de regimes autoritários. Os especialistas são quase unânimes em afirmar que nunca houve um país comunista de fato. Alguns estudiosos vão mais longe e questionam até mesmo a existência de nações socialistas. Os países ditos comunistas, como Cuba e China, são assim chamados por se inspirarem nas idéias marxistas.

Contudo, para seus críticos de esquerda, esses países sequer poderiam ser chamados de socialistas, por terem Estados fortes, nos quais uma burocracia ligada a um partido único exerce o poder em nome dos trabalhadores

Nazismo e Neonazismo

Nazismo e Neonazismo

Nazismo e Neonazismo
Regime político de caráter totalitário que se desenvolve na Alemanha durante as sucessivas crises da República de Weimar, entre 1919 e 1933. Baseia-se na doutrina do nacional-socialismo, formulada por Adolf Hitler, que orienta o programa do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP). De caráter nacionalista, defende o racismo, a superioridade da raça ariana e a luta pelo expansionismo alemão e nega as instituições da democracia liberal e a revolução socialista. A essência da ideologia nazista encontra-se no livro de Hitler, Minha Luta (Mein Kampf).

Ao final da I Guerra Mundial, além de perder territórios para França, Polônia, Dinamarca e Bélgica, os alemães são obrigados pelo Tratado de Versalhes a pagar altas indenizações aos países vencedores. Essa penalidade faz crescer a dívida externa e compromete os investimentos internos, gerando falências, inflação e desemprego em massa. As tentativas frustradas de revolução socialista (1919, 1921 e 1923) e as sucessivas quedas de gabinetes de orientação social-democrata criam condições favoráveis ao surgimento e à expansão do nazismo no país. O NSDAP, utilizando-se de espetáculos de massa (comícios e desfiles) e dos meios de comunicação (jornais, revistas, rádio e cinema), consegue mobilizar a população por meio do apelo à ordem e ao revanchismo. Recebe ajuda da grande burguesia, que teme o movimento operário. Favorecidos por uma divisão dos partidos de esquerda, os nazistas são vitoriosos nas eleições de 1932. Em 1933, Hitler é nomeado primeiro-ministro, com o auxílio de nacionalistas, católicos e setores independentes. Um ano depois se torna chefe de governo (chanceler) e chefe de Estado (presidente). Interpreta o papel de führer, o guia do povo alemão, criando o III Reich (III Império).

Com poderes excepcionais, Hitler suprime todos os partidos políticos, exceto o nazista; dissolve os sindicatos; cassa o direito de greve; fecha os jornais de oposição; e estabelece a censura à imprensa. Apoiando-se em organizações paramilitares, SA (guarda do Exército), SS (guarda especial) e Gestapo (polícia política), realiza perseguições aos judeus, aos sindicatos e aos políticos comunistas, socialistas e de outros partidos. O intervencionismo e a planificação econômica adotados por Hitler eliminam, no entanto, o desemprego e impedem a retirada do capital estrangeiro do país. Há um acelerado desenvolvimento industrial, que estimula a indústria bélica e a edificação de obras públicas. Esse crescimento se deve em boa parte ao apoio dos grandes grupos alemães, como Krupp, Siemens e Bayer, a Adolf Hitler. Em desrespeito ao Tratado de Versalhes, Hitler reinstitui o serviço militar obrigatório, em 1935, remilitariza o país e envia tanques e aviões para amparar as forças conservadoras do general Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola, em 1936. Nesse mesmo ano promove o extermínio sistemático dos judeus por meio da deportação para guetos ou campos de concentração. Anexa a Áustria e a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia (1938). Ao invadir a Polônia, em 1939, dá início à II Guerra Mundial.

Terminado o conflito, instala-se na cidade alemã de Nürenberg um tribunal internacional para julgar os crimes de guerra cometidos pelos nazistas. Realizam-se 13 julgamentos entre 1945 e 1947, 25 alemães são condenados à morte, 20 à prisão perpétua, 97 a penas curtas de prisão e 35 são absolvidos. Dos 21 principais líderes nazistas capturados, dez são executados por enforcamento em 16 de outubro de 1946.

Neonazismo – A partir dos anos 80, na Europa, há uma retomada de movimentos autoritários e conservadores denominados neonazistas, principalmente na Alemanha, Áustria, França e Itália. Eles são favorecidos, entre outros motivos, pela imigração, pela recessão, pelo desemprego e pelo ressurgimento de velhos preconceitos étnicos e raciais. Manifestam-se de forma violenta e têm nos estrangeiros o alvo preferencial de ataque. Em determinados países, os movimentos neonazistas valem-se também da via institucional parlamentar, como o partido político Frente Nacional, na França. No Brasil, carecas, skinheads e white power são alguns dos grupos em evidência nos grandes centros urbanos, promovendo ataques verbais, pichações e agressões dirigidas principalmente contra os migrantes nordestinos.

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História do Nazismo da Republica de Weimar ao III Reich

História do Nazismo da Republica de Weimar ao III Reich

Período entre guerras: Nazismo da Republica de Weimar ao III ReichA derrota na Grande Guerra e a queda do Império deixaram a Alemanha a beira de uma guerra civil. O governo social-democrata não poderia impedir a revolução bolchevique sem apelar ao exército. Setores políticos moderados dominaram a República, proclamada em Weimar. Apesar da recuperação econômico-financeira a partir de 1923, o futuro era incerto, diante da miséria, da pressão de militares e da agitação dos nacionalistas — entre os quais se destacava o Partido nacional-socialista de Adolf Hitler.

A crise mundial aguçou as tendências comunistas e as nacionalistas. Monarquistas conservadores e empresários se articularam. Pensavam usar Hitler em proveito próprio. Isto facilitou sua ascensão ao cargo de chanceler em 1933. Em seguida, Hitler impôs a ditadura. O regime ganhou logo apoio dos anti comunistas , antidemocráticos e antiliberais.

O Nazismo ou nacional-liberalismo introduzia nova concepção do mundo: racista e anti-semita, concebia os alemães como raça superior, que se expressaria num Estado Totalitário, guiado por um chefe infalível. O regime se apoiava num partido único, usava grupos de assalto compostos por fanáticos e uma política implacável. O país se nazificou. O regime eliminou todos os inimigos, políticos, ideológicos ou raciais. Praticando uma autarquia econômica, teoricamente anticapitalista, os nazistas conseguiram, em vigoroso esforço, recuperar o país e consolidar o novo sistema político.

A Alemanha de 1918

Desde a unificação em 1871, aristocratas prussianos passaram a constituir as classes dirigentes alemãs. Grandes proprietários conservadores, protestantes, tinham se beneficiado com a alta de preços dos cereais no fim do século XIX. Eram os junkens .A eles se somavam os grandes empresários, favorecidos especialmente pela política de conquista de novos mercados mundiais, desenvolvida Por Guilherme II. A elite militar, adepta do novo pangermanismo, dependia de uma sólida base industrial. A economia de guerra havia estabelecido laços entre Estado e grande industria.

Apesar das mortes e perdas territoriais da guerra, a população ainda era grande: 58 milhões de habitantes, 70% nas cidades. A massa trabalhadora urbana e camponesa representada mais da metade da população ativa. O socialismo ganhou rapidamente o proletariado urbano, integrado nos sindicatos ligados ao Partido Social-Democrata. Em 1917, socialistas radicais se desligam do conjunto, liderados por Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo. As ideias bolcheviques passaram a ecoar fortemente no seio do proletariado, sensível a teses revolucionárias.

O Levante Bolchevista

Proclamada a República em 9 de Novembro de 1918, um comitê provisório de comissários do povo, do Partido Social Democrata, tomou o poder sob a presidência de Friedich Ebert. Seus esforços se voltavam para a manutenção da unidade do País e o desenvolvimento de uma legislação social avançada. Sob o impacto da Revolução Russa, multiplicavam-se Por toda a parte os conselhos de trabalhadores, soldados e marinheiros.

Tendências separatistas pipocavam pelo país. Os sociais-democratas no poder, moderados, haviam concedido o direito de voto e a jornada de trabalho de 8 horas, e prometiam a socialização das empresas, mas não estavam dispostos a aplicar um programa socialista. Queriam uma república constitucional e liberal. O apoio militar tornou-se indispensável para preservar a ordem. A reaproximação com o exército reavivou o mito de invencibilidade e da traição dos revolucionários; governo e exército estavam decididos a destruir os bolchevistas. Em dezembro de 1918, Liebknecht e Rosa Luxemburgo lideraram um levante de socialistas bolchevistas, os espartaquistas. Eles tomaram Berlim, com a ajuda de soldados e marinheiros amotinados. Com apoio de Hindemburgo, que liberou tropas vindas de frente de batalha. Ebert dominou a insurreição. Liebknecht e Rosa foram assassinados. Os militares então eliminaram focos bolchevistas em outras cidades.

A Constituição de Weimar

A crise social apressou a convocação de uma Assembleia constituinte em janeiro de 1.919, eleita por voto universal. . A extrema esquerda perdeu posição, mas os sociais-democratas não conseguiram a maioria. Eleito presidente, Ebert teve de fazer uma composição partidária para governar. A Constituição criou uma República Federalista. liberal, democrática, parlamentarista com dezessete estados. Por voto direto, os eleitores escolheriam um presidente a cada sete anos. Ele indicaria um chanceler para exercer o governo: aplicar as leis, submetê-las a aprovação popular, dissolver o Parlamento e adotar medidas excepcionais em caso de crise.

O Reichstag, (assembleia), seria composto Por deputados eleitos Por voto universal; O Reichsrat (assembleia do Reino), Por representantes dos Estados.

As principais tendências políticas eram:
• - Partido Nacional, dos grande proprietários.
• - Partido Democrata e Partido Populista, da grande burguesia capitalista.
• - Partido do Centro Católico, dos pequenos proprietários do Sul e do oeste.
• - Partido Social-Democrata, dos operários marxistas e sindicalizados.

Dificuldades e crises

As dificuldades econômicas ampliaram as tensões políticas. Na guerra, sem poder aumentar os impostos sobre os ganhos de capital. O governo equilibrou as finanças emitindo dinheiro. O marco se desvalorizou: um dólar comprava 4 marcos em 1914; 84 em 1920; 186 no início 1922; em julho, 401; em janeiro de 1923, o dólar já comprava 7.260 marcos. A indústria se beneficiou, pois as mercadorias ficaram mais baratas e competiam facilmente no mercado internacional. Para se protegerem, os grandes capitalistas se uniram em Cartéis. acomodaram-se á situação, lucrando muito e fazendo altos investimentos em equipamentos, máquinas e novas fábricas. Em 1923, a situação se complicou. Os franceses ocuparam o Ruhr, região industrial, para garantir o pagamento de indenizações estipuladas no Tratado de Versalhes. As emissões cresceram desordenadamente. O dólar passou a valer 260.000 marcos em julho; 13 milhões em setembro; 4 bilhões e 200 milhões em novembro. A confusão instalou-se. O salário variava no curso do dia. Um carrinho de mão cheio de marcos comprava um maço de cigarros. Nas cervejarias, o freguês pedia vários copos de uma vez, pois na próxima rodada, o preço poderia ter aumentado. Os camponeses recusavam-se a aceitar o papel-moeda, fazendo ressurgir o sistema de troca.

Eclodiram greves e insurreições. Um grupo do recentemente lançado Partido Nacional-Socialista, liderado Por Hitler e apoiado pelo General Ludendorff, tentou um golpe fracassado em Munique. Pretendiam fazer a revolução, acusando os capitalistas e os judeus de conspirar contra a República.

Uma fase estável
Entre 1924 e 1929, a República de Weimar passou por uma fase estável, graças a alguns fatores:

• no plano político, a habilidade do ministro das Relações Exteriores, Stresemann, que diminuiu as dividas de guerra ; a admissão dos alemães na Sociedade das Nações; a evacuação antecipada da Renânia (1930); a entrada de créditos americanos.
• no plano econômico, a habilidade de Schacht, criador do rentenmark, a nova moeda : 1 rentenmark =4,2 dólares = 4,2 bilhões de marcos-papel. Recursos ingleses e americanos, com a garantia do patrimônio da industria alemã, sustentaram a nova moeda.

A industria se recuperou; os fracos faliram e deu-se um processo de concentração , com avanço tecnológico que abriu as portas do mercado internacional às empresas alemãs. Uma só empresa empregava 160.000 operários e detinha 25% da produção de carvão e 40% da de aço. Um só conglomerado detinha 80% da produção química Ao substituir Ebert, morto em 1925, o monarquista Hindemburg trouxe o apoio da aristocracia e do exército para a República. Ele pretendia uma restauração imperial. Eleito com 15 milhões de votos contra 14 milhões do adversário, imprimiu sentido conservador ao governo. As radicalizações perderam força. basta dizer que o partido de Hitler, que conseguira 2 milhões de votos em 1924 não chegou a 1 milhão em 1928.

1929: Agitação política

A crise de 1929 pegou a Alemanha em cheio. Sem créditos americanos, não podia continuar pagando indenizações de guerra. Superindustrializada, não encontrava mercado para seus produtos e nem podia pagar mais as matérias primas. As grandes corporações continuaram firmes. Sofriam os pequenos e médios, que empregavam metade dos trabalhadores. O resultado foi o desemprego em massa: 1 milhão de pessoas em 1929; 3 milhões em 1930; mais de 6 milhões em 1931. A classe média ficou arruinada. Os agricultores deviam mais que o valor de suas terras e se organizavam para impedir a tomada delas pelos credores. A crise deu força aos anti-semitas, que identificavam os judeus com o dinheiro, a usura e o capitalismo internacional. Foi um golpe fatal nos sentimentos republicanos, liberais e democráticos. Os comunistas ganhavam cada vez mais votos e se dispunham a formar uma frente vermelha contra os fascistas. A extrema direita nacionalista estava dividida, mas subia o prestígio do Partido Nacional-Socialista.

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Antissemitismo | Sentimento de Hostilidade Contra os Judeus

Antissemitismo | Sentimento de Hostilidade Contra os Judeus

ANTISSEMITISMO, SENTIMENTO DE HOSTILIDADE CONTRA OS JUDEUSEntendido como hostilidade ou discriminação velada ou ostensiva contra os judeus enquanto grupo religioso ou étnico, o antissemitismo tem raízes na antiguidade, quando esse povo foi forçado a abandonar a Palestina, dispersando-se pelo Oriente e Ocidente, onde se agrupava em pequenas comunidades fechadas que procuravam preservar sua cultura, sem se integrarem com os outros habitantes. Inicialmente a justificativa para a discriminação apoiava-se em motivos religiosos, já que os primeiros cristãos os acusavam da crucificação de Jesus Cristo. A isso somou-se um fator econômico, pois o empréstimo de dinheiro a juros era condenado pela igreja e tornara-se quase um monopólio judeu na Europa. A prosperidade financeira de algumas dessas comunidades também despertava inveja, gerando lendas acerca de pactos com o demônio.

Por muitas vezes, ao longo da história, verificaram-se tentativas de excluir o povo judeu do convívio com outros povos, e a tendência alcançou seu momento de violência máxima no século XX, com a ascensão do nazismo.
Na Idade Média, os judeus foram segregados em guetos e obrigados a usar um distintivo que os identificava, amarelo e com a estrela-de-davi no centro. Periodicamente ocorreram expulsões em massa, perseguições e massacres. A Inquisição, particularmente, desempenhou papel ativo nesse processo, nos países em que se instalou. Em busca de melhores condições de sobrevivência, grandes contingentes de judeus deslocaram-se para a Europa oriental.

No século XIX recrudesceu o movimento contra os judeus, com legislações que confiscavam suas propriedades, seguidas pelos programas na Europa oriental, violentos massacres em que centenas de judeus eram dizimados. A participação de muitos judeus na revolução russa de 1917 forneceu novo argumento aos conservadores antissemitas, o do "bolchevismo judeu".

A ascensão do nazismo na Alemanha, a partir de 1930, levou as perseguições ao auge. A teoria da superioridade racial ariana, com base em supostas pesquisas "científicas", foi amplamente explorada pela propaganda hitlerista e conseguiu envolver tanto as massas quanto as elites. Criaram-se os campos de extermínio, onde se estima que cerca de seis milhões de judeus foram metodicamente eliminados.

A derrota do nazismo em 1945 acarretou o esvaziamento do antissemitismo. A criação do Estado de Israel na Palestina, em 1948, gerou graves problemas de convivência com os árabes instalados na região. Como os árabes são também semitas, sua hostilidade a Israel baseia-se em fatores político-econômicos e religiosos.

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FILOSOFIA: ESCOLA DE FRANKFURT


Grupo de filósofos e pesquisadores alemães que, na década de 20, se dedica a reflexões e críticas sobre a razão, a ciência e o avanço do capitalismo. Consideram a racionalidade tecnológica do mundo moderno uma nova forma de dominação cultural. O grupo desenvolve várias teorias e conceitos, como a Teoria da Manipulação, elaborada para explicitar os mecanismos de dominação na Alemanha. Influenciado pelas idéias de Karl Marx e Max Weber (1864-1920), contrapõe-se ao iluminismo e ao funcionalismo de Émile Durkheim (1858-1917), que concebe a sociedade como um organismo com funções específicas, desconsiderando o processo histórico. Expressão da crise teórica e política do século XX, a Escola de Frankfurt está inserida na conjuntura política dos anos 30, quando surgem a República de Weimar, o nazismo e o stalinismo.

Com a ascensão do nazismo na Alemanha, a Escola de Frankfurt muda-se para Genebra, depois para Paris e, finalmente, para Nova York. Após a vitória dos aliados na II Guerra Mundial, os principais filósofos retornam à Alemanha. Entre os pensadores vinculados ao grupo de Frankfurt destacam-se Walter Benjamin (1892-1940), Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973). Junta-se a eles, mais tarde, Jürgen Habermas (1929-), responsável pela difusão da Teoria Crítica (conjunto de textos dos principais filósofos frankfurtianos). A idéia de deixar a ciência mais acessível à sociedade e, assim, favorecer a reflexão coletiva marca o trabalho desses filósofos. Suas idéias influenciam os movimentos estudantis alemão e norte-americano no final dos anos 60.

Walter Benjamin discute a arte e a cultura do século XX. Em A Obra de Arte na Época de Sua Reprodutibilidade Técnica reflete sobre a perda da aura, aquilo que faz do objeto de arte algo único e irreproduzível. Horkheimer volta-se para a investigação das características da sociedade capitalista e para as questões como a legitimidade do Estado e a luta de classes. Entre seus escritos estão Um Novo Conceito de Ideologia e Teoria Tradicional e Teoria Crítica.

Theodor Adorno, autor de Idéias para a Sociologia da Música, dissemina o conceito de indústria cultural, que diz respeito aos bens (produtos) culturais difundidos pelos meios de comunicação de massa, que impõem formas de comportamento e consumo. Segundo Adorno, a indústria cultural caracteriza-se pela exploração comercial e pela vulgarização da cultura, produzindo entretenimento e não reflexão. Uma de suas principais obras é Dialética do Esclarecimento, em co-autoria com Horkheimer.



Suíça | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Suíça

Suíça | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Suíça



A Suíça é uma pequeno Nação Confederada (Estado confederado) localizado no centro da Europa. Possui uma área de 41 300 km², dos quais 1 289 são cobertos por lagos.

A Suíça faz fronteira a Norte com a Alemanha, a Leste com a Áustria e o Liechtenstein, a Sul com a Itália e a Oeste com a França. A Suíça conta com 7 427 000 habitantes resultando numa densidade populacional de 176 habitantes por quilômetro quadrado. A capital administrativa é Berna. Outras cidades importantes são Zurique, Genebra, Lausane e Basileia.

A Suíça é uma das economias mais ricas do mundo e é sede de inúmeros bancos privados e de organizações internacionais. A sua história é marcada pela sua neutralidade política perante as outras nações e representa um marco de liberdade e de democracia para o mundo inteiro.

Geografia – Área: 41.285 km². Hora local: +4h. Clima: temperado continental. Capital: Berna. Cidades: Zurique (350.900), Genebra (180.000), Basileia (168.900), Berna (125.500), Lausanne (120.600) (2018).

População – 7,2 milhões (2018); nacionalidade: suíça; composição: alemães 65%, franceses 18%, italianos 10%, grisões 1%, espanhóis 2%, portugueses 1,5%, outros 2,5%. Idiomas: alemão, francês, italiano (oficiais), romanche (reto-romano). Religião: cristianismo 88,4% (católicos 44,1%, protestantes 41,2%, outros 5,6% - dupla filiação 2,5%), sem religião 7,1%, outras 3,4%, ateísmo 1,1%. Moeda: franco suíço.

SUÍÇA - ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIAIS DA SUÍÇA
Bandeira da Suiça

Relações Exteriores – Organizações: Banco Mundial, FMI, OCDE, OMC, ONU. Embaixada: Tel. (61) 443-5500, fax (61) 443-5711 – Brasília (DF); e-mail: vertretung@bra.rep.admin.ch, site na internet: www.dfae.admin.ch/brasilia.

Governo – República confederativa. Div. administrativa: 20 cantões e 6 subcantões. Presidente da confederação: Samuel Schmid (SVP) (desde 2005). Partidos: do Povo da Suíça (SVP), Social-Democrático (SPS), Radical Democrático (FDP), Cristão Democrático do Povo (CVP). Legislativo: bicameral – Conselho dos Estados, com 46 membros; Conselho Nacional, com 200 membros. Constituição: 1874.

 Zurique
 Zurique

Berna
 Berna

 Genebra
 Genebra

Basiléia
Basileia

Lausanne
Lausanne

As montanhas ocupam 70% do território da Suíça, país na região central da Europa. O maciço da Jura, ao norte, e a cordilheira dos Alpes, no centro e no sul, atraem grande número de turistas às estações de esqui. Entre as duas cadeias ficam as cidades mais populosas e o parque industrial, forte em ramos como relojoaria, química e alimentos. O país é um dos principais centros bancários do mundo. O Poder Executivo é exercido pelo Conselho Federal, integrado por sete parlamentares. Anualmente, o Parlamento elege um deles como presidente da confederação.

História da Suíça

A ocupação humana significativa na região data de, pelo menos, 30 mil anos. Os helvéticos, de origem celta, instalam-se no território nos últimos séculos antes de Cristo. Os romanos conquistam a região em 58 a.C. e permanecem até a invasão de alamanos, burgúndios e francos, no século V. No século IX, o país fica dividido entre a Suábia e a Borgonha Transjurana. Em 1033 recupera sua unidade no Sacro Império Romano-Germânico. Em fins do século XIII, três cantões (regiões) mantêm-se autônomos, formam a Liga Perpétua, de defesa comum, e criam o embrião do Estado suíço. Em 1315, a Liga derrota os austríacos. Entre 1386 e 1388, acrescida de outros cinco cantões, vence novo ataque austríaco e constitui uma federação de regiões soberanas. Em 1499, o Sacro Império Romano-Germânico aceita sua independência.

Reforma Protestante – Em 1519, Ulrich Zwinglio, vigário da Catedral de Zurique, revolta-se contra a Igreja Católica e inicia a Reforma Protestante no país. Em 1536, João Calvino introduz o protestantismo e, posteriormente, torna-se chefe de um Estado teocrático. Com o fim da Guerra dos Trinta Anos, em 1648, é reconhecida a independência da Suíça. Entre 1798 e 1803, Napoleão Bonaparte tenta subordiná-la à França, mas, em 1815, o Congresso de Viena aceita sua neutralidade – respeitada, no século XX, nas duas guerras mundiais. No fim da década de 1970, crescem as críticas ao sistema bancário sigiloso, que faz da Suíça um paraíso financeiro e centro internacional de lavagem de dinheiro ilegal. Em 1982, um plebiscito rejeita o fim do sigilo bancário.

Indenização às vítimas do nazismo – Em 1995, a Suíça é acusada de ter comprado dos nazistas, na II Guerra Mundial, ouro pilhado nos países ocupados. Além disso, grandes bancos privados são acusados de ter se apropriado de depósitos de judeus mortos em campos de extermínio nazistas. A revelação dá origem a investigações e, em 1998, os bancos concordam em pagar 1,25 bilhão de dólares aos herdeiros das vítimas do nazismo que tinham depósitos nessas instituições.

Em 2002, o ingresso da Suíça na Organização das Nações Unidas (ONU) é aprovado em referendo por 54% dos votos. Nas eleições de outubro de 2003, o Partido do Povo da Suíça (SVP), de direita, conquista 55 das 200 cadeiras do Conselho Nacional, contra 52 do Partido Social-Democrático (SPS). O resultado quebra o tradicional equilíbrio do governo, que reservava ao SVP apenas uma das sete cadeiras do Conselho Federal. Pela primeira vez em 44 anos, o partido fica com dois lugares. Joseph Deiss, agora único representante do Partido Cristão Democrático do Povo (CVP), é eleito presidente e toma posse em janeiro de 2004. Em setembro, proposta governamental que facilitava a naturalização de imigrantes é rejeitada em referendo por 56,8% dos votantes. Dois meses depois, 66,4% dos eleitores aprovam o uso de células-tronco de embriões humanos na pesquisa científica. Em dezembro, Samuel Schmid (SVP) é eleito presidente para 2005 e assume em 1 de janeiro.

Diminui a neutralidade

A Suíça ingressa na Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro de 2002. Até então, só mantinha o status de observador na organização, por temer comprometer sua tradição de quase 200 anos de neutralidade. A adesão, aprovada em referendo popular, só ocorre depois de a ONU aceitar uma salvaguarda segundo a qual o país não é obrigado a participar de intervenções militares em outras nações nem enviar tropas para missões de paz. A neutralidade fez do Estado suíço um membro ativo de vários órgãos de cooperação internacional. A cidade de Genebra abriga a sede da Cruz Vermelha e a da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Alberto GiacomettiAlberto Giacometti

Alberto Giacometti nasceu em Borgonovo, Suíça, em 10 de outubro de 1901, filho de um pintor pós-impressionista, Giovanni Giacometti, que estimulou sua inclinação para as artes e o matriculou na Escola de Artes e Ofícios de Genebra. Em 1922 mudou-se para Paris. Estudou cerca de cinco anos com Émile-Antoine Bourdelle mas, como prova a escultura "Torso", de 1925, sempre esteve mais próximo dos cubistas e dos pós-cubistas. A "Mulher-colher", do ano seguinte, mostra as influências da arte primitiva da África negra e da Oceania em sua obra.

Comparável ao trabalho dos existencialistas em literatura, a obra plástica de Giacometti percorreu a escultura, a pintura e mesmo a cenografia. Suas figuras estilizadas semelhavam estar "a meio caminho entre o nada e o ser".

Toda semelhança com objetos reais desapareceu da obra de Giacometti entre 1925 e 1929. Ele finalmente uniu-se aos surrealistas e idealizou as esculturas-objetos, entre as quais "Objeto desagradável", de 1932. Perturbado pela ideia segundo a qual o distanciamento da realidade tornava sua arte meramente decorativa, rompeu com o surrealismo e adotou, a partir de 1935, um estilo em que a figura humana, alongada e afilada, se reduz a formas essenciais.

A exemplo do que ocorrera na fase surrealista, quando escreveu versos, o escultor decidiu exercitar outro meio de expressão e, a partir de 1947, passou a dedicar-se também à pintura. Suas esculturas adquiriram maiores dimensões nessa época, ao longo da qual produziu trabalhos como "O homem pontual", "Mulher em pé", "Três homens andando" e "Quatro mulheres numa base". Conhecido pela simplicidade e integridade pessoal, Giacometti tornou-se em vida uma figura tão lendária quanto seus personagens sofridos, magros e solitários. Morreu em Chur, França, em 11 de janeiro de 1966.

Albrecht von Haller

Albrecht von Haller

Albrecht von Haller nasceu em 16 de outubro de 1708 em Berna, Suíça. Estudou medicina em Tübingen (Alemanha) e Leyden (Países Baixos). Doutorou-se em 1727 e no ano seguinte fixou-se em Basileia, na Suíça, onde iniciou estudos sobre a flora do país. A partir de 1736 foi professor de medicina, anatomia, cirurgia e botânica da Universidade de Göttingen, até retornar à cidade natal, em 1753.

Além de dar importante contribuição à anatomia, à botânica e à embriologia, Haller, considerado o criador da fisiologia experimental, deixou também extensa e valiosa obra poética.

Quando lecionava em Göttingen, fundou na cidade o horto florestal, o centro anatômico e o instituto fisiológico. Distinguiu-se nos vários ramos das ciências e das artes, particularmente na medicina, na botânica e na poesia. Fundou o método experimental em fisiologia e formulou a doutrina da irritabilidade, típica do sistema muscular. Outras contribuições à medicina foram o reconhecimento do mecanismo da respiração, do automatismo cardíaco e da importância da bile na digestão das gorduras. Haller descreveu o desenvolvimento embrionário e estudou a anatomia dos órgãos genitais, do cérebro e do sistema cardiovascular.

Como poeta, Haller é conhecido por "Die Alpen" (1732; "Os Alpes"), poema em versos alexandrinos escrito após uma viagem à região alpina da Suíça. Impressionado pelo contraste da paisagem com o aspecto decadente dos centros urbanos, criou o poema no qual os Alpes são ao mesmo tempo cenário e personagem principal. Igualmente importantes são as obras Tagebücher seiner Reisen nach Deutschland, Holland und England (1783; Diários de viagens pela Alemanha, Holanda e Inglaterra) e Tagebüch seiner Beobachtungen über Schriftsteller und über sich selbst (1787; Diário de observações sobre escritores e sobre si mesmo). Haller morreu em 12 de dezembro de 1777, em Berna.

Alfonsina StorniAlfonsina Storni

Alfonsina Storni nasceu em Sala Capriasca, Suíça, em 29 de maio de 1892 e muito cedo mudou-se com a família para a Argentina. Obrigada a trabalhar, incorporou-se a grupos teatrais e passou a lecionar na zona rural argentina. Em 1913 foi para Buenos Aires, onde continuou a lecionar e trabalhar com grupos de teatro jovem. Seu primeiro livro, La inquietud del rosal (1916), incluiu-a no circuito literário de Buenos Aires, mas foi apenas com El dulce daño (1918) que se tornou conhecida do grande público. Seguem o mesmo estilo Irremediablemente (1919) e Languidez (1920).

O estilo espontâneo e emotivo de seus primeiros livros fez da argentina Alfonsina Storni uma das escritoras mais populares da América Latina.

Enérgica e independente, opôs-se aos preconceitos sociais, mas seu tema principal foi a frustração amorosa. Odiava os homens, mas tinha extrema necessidade de amor e soube muito bem expressar esses sentimentos ambivalentes numa poesia ao mesmo tempo simples, profundamente sensual e delicadamente erótica. Ocre (1925), El mundo de siete pozos (1934), Mascarilla y trébol (1938; Máscara e trevo) foram obras que marcaram o início de uma poética mais intelectual e menos subjetiva, que adotou a forma de um simbolismo hermético e atormentado, na qual a autora abandonou muito da sensibilidade extremada e da paixão presentes dos trabalhos anteriores. Ao saber que tinha câncer, Alfonsina suicidou-se em Mar del Plata, Argentina, em 25 de outubro de 1938.

Alfred WernerAlfred Werner

Alfred Werner nasceu na cidade alsaciana de Mulhouse, em 12 de dezembro de 1866. Doutorou-se em física na Universidade de Zurique em 1890 com uma pesquisa em parceria com Arthur Rudolf Hantzsch sobre compostos orgânicos nitrogenados, que constituiu importante contribuição para o estudo das relações espaciais entre os átomos que constituem uma molécula. Depois de uma estada em Paris, onde colaborou com Marcellin Berthelot, regressou a Zurique e dedicou-se à docência.

No final do século XIX, o suíço Alfred Werner formulou uma hipótese sobre a estrutura dos compostos que, levemente modificada nas décadas seguintes, foi fundamental para o progresso da química inorgânica moderna e para a compreensão do fenômeno das ligações químicas.

Sua teoria da coordenação, sobre a estrutura dos compostos inorgânicos, permitiu uma classificação simples e ampliou o conceito de isomeria (fenômeno pelo qual substâncias de idêntica composição química apresentam diferentes propriedades físicas). Premiado em 1913 com o Nobel de química, Werner morreu em Zurique, Suíça, em 15 de novembro de 1919.

Jean-Louis-Rodolphe AgassizJean-Louis-Rodolphe Agassiz

Jean-Louis-Rodolphe Agassiz nasceu em Môtier, Suíça, em 28 de maio de  1807. Frequentou as universidades de Zurique, Heidelberg e Munique, doutorando-se em filosofia em Erlangen (1829) e em medicina em Munique (1830). Seu permanente interesse pela ictiologia (ramo da zoologia que trata dos peixes) surgiu quando, ainda estudante, foi indicado por Martius para completar a classificação dos peixes que recolhera em sua viagem com Spix ao Brasil (1817-1820).

A intensa atividade científica de Louis Agassiz, um dos sistematizadores do estudo da história natural nos EUA, desenvolveu-se na zoologia, paleontologia e geologia.

Em 1831, em Paris, conheceu Humboldt e Cuvier, naturalistas que influenciariam sua carreira. De volta a seu país no ano seguinte, foi nomeado professor de história natural em Neuchâtel, onde pesquisou peixes e moluscos fósseis. Posteriormente dedicou-se ao estudo sobre o movimento, a estrutura e a história das geleiras, publicando Études sur les glaciers (1840; Estudos sobre as geleiras). Em 1846, seguiu para os Estados Unidos a fim de pronunciar conferências e, em 1848, aceitou o convite para a cadeira de zoologia da Universidade de Harvard, onde permaneceu. Ali fundou um museu de pesquisa em zoologia, que se tornaria o Museu de  Zoologia Comparada.


Viajou ao Brasil (1865-1866) como chefe de uma expedição para estudar a fauna ictiológica da bacia amazônica, de que resultou A Journey in Brazil (l868; Viagem ao Brasil), valioso relato sobre a vida e os costumes brasileiros da época.

Extraordinário professor, Agassiz costumava dizer que "a natureza é um livro aberto". Morreu em Cambridge, Massachusetts, em 12 de dezembro de 1873.

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Arte Brasileira | História da Arte no Brasil

Arte Brasileira | História da Arte no Brasil

Arte Brasileira, História da Arte no Brasil
As artes visuais brasileiras evoluíram por meio da adaptação e estilização de tendências plásticas europeias, a partir do barroco, ou da evocação de tais tendências por artistas estrangeiros radicados no Brasil. Assim, não é possível falar numa escola de artes plásticas genuinamente brasileira, como se fala, por exemplo, na tradição da arte italiana, holandesa ou espanhola.

Frans Post, por exemplo, é artista holandês, embora também pertença à história da pintura brasileira, e os temas brasileiros de Nicolas Antoine Taunay não o descaracterizam como pintor francês. A partir da segunda metade do século XIX, sobretudo após 1922, buscou-se o abrasileiramento da pintura, mas foi sobretudo em termos temáticos que essa busca conduziu a resultados mais palpáveis.

Pintura

Período colonial
Além de europeus, os primeiros pintores ativos no Brasil foram religiosos, ou de algum modo ligados a igrejas e conventos. Predominou, portanto, a pintura de temática religiosa, pouco voltada para o retrato, a paisagem e a natureza-morta. Baseadas em estampas de antigos missais franceses e flamengos, as obras desses artistas exibem curiosos anacronismos que, somados ao tosco desenho e à extrema simplificação da composição, emprestam-lhes aparência ingênua e despretensiosa.

É possível que o primeiro pintor a pisar solo brasileiro tenha sido Jean Gardien, "expert en l'art du portrait", companheiro de Jean de Léry na viagem de 1555. Outros pintores do século XVI e início do século XVII, no Brasil, foram o jesuíta Belchior Paulo, ativo em Pernambuco e depois na Bahia até 1589; Hierônimo de Mendonça, nascido no Porto em 1570, e que em 1595 residia em Olinda; e Rita Joana de Sousa (1595-1618), nascida e falecida em Olinda.

Um dos episódios mais importantes da história da pintura colonial brasileira é a presença, em Pernambuco, na primeira metade do século XVII, de um grupo de pintores holandeses, flamengos e alemães reunidos em torno de Maurício de Nassau. Embora o próprio Nassau haja escrito que tinha a sua disposição, no Brasil holandês, seis pintores, apenas dois são perfeitamente identificáveis: o paisagista Frans Post, autor de pequenas vistas de Olinda e outras cidades nordestinas, e Albert Eckhout, pintor de figuras e de naturezas-mortas, talvez as primeiras  executadas em solo americano.

Muitos outros artistas -- alguns de presença comprovada, outros de permanência curta ou hipotética no Brasil -- terão eventualmente executado pinturas. Dos que trabalharam para Nassau, ou para a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, destacam-se: Jorge Marcgrave, autor das ilustrações da Historia naturalis Brasiliae; Zacharias Wagener, que traçou as ilustrações do Zoobiblion -- Livro de animais do Brasil; e Johan Nieuhof, autor e ilustrador da Memorável viagem.

Os pintores de Nassau foram os primeiros a abordar assuntos não-religiosos, num nível de elaboração artística até então desconhecido no Brasil, mas constituem grupo isolado, já que não tiveram discípulos ou continuadores. A evolução da pintura colonial brasileira deu-se em outra direção, fiel aos postulados herdados da metrópole. Materializou-se em obras agrupadas em quatro escolas: pernambucana, baiana, fluminense e mineira, com centros de menor importância no Pará e em São Paulo.

Escola pernambucana
Embora o surto inicial tenha ocorrido em fins do século XVI, somente no século XVIII a escola pernambucana alcançou seu apogeu, com a obra de artistas como Canuto da Silva Tavares; João de Deus Sepúlveda, tido como o maior artista pernambucano de todo o período colonial, que entre 1764 e 1768 executou a pintura do teto da igreja de São Pedro dos Clérigos; e José Elói e Francisco Bezerra, que trabalharam nas pinturas do mosteiro de São Bento em Olinda.

Morro da favela de Tarsila do Amaral
Escola baiana. A tradição dá Eusébio de Matos, morto em 1694, como o primeiro pintor nascido na Bahia, mas nenhuma obra de sua autoria subsistiu. O verdadeiro fundador da escola baiana é José Joaquim da Rocha, que estudou em Lisboa e Roma e executou, entre outras obras, o teto da igreja da Conceição da Praia, em Salvador.

Discípulo seu foi José Teófilo de Jesus, que se aperfeiçoou na Europa e realizou trabalhos na Ordem Terceira de São Francisco, em Salvador, bem como a "Glorificação de Nossa Senhora", na igreja do Carmo, na mesma cidade. Também discípulo de José Joaquim da Rocha foi Antônio Joaquim Franco Velasco, pintor de temas religiosos, retratista e mestre de desenho, a quem coube por sua vez iniciar Bento José Rufino da Silva Capinam, pintor de panoramas e litógrafo, e José Rodrigues Nunes, retratista.

Escola fluminense
Em qualidade e quantidade, a escola fluminense é talvez a mais importante das quatro escolas de pintura colonial, tendo sido iniciada por frei Ricardo do Pilar, religioso alemão cujas obras podem ser admiradas no mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro.

Outros componentes dessa escola são José de Oliveira Rosa, autor da pintura do teto do salão-mor do palácio dos vice-reis, representando "O gênio da América" (destruída), e do teto da capela-mor da igreja das carmelitas. Foi mestre de João de Sousa, autor de temas religiosos e retratos, e de João Francisco Muzzi, cenógrafo, autor dos dois quadros do "Incêndio" e da "Reconstrução da igreja e recolhimento de Nossa Senhora do Parto"; Caetano da Costa Coelho, talvez nascido em Portugal, autor da pintura do teto da capela-mor da igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, no Rio de Janeiro, considerada a mais antiga pintura perspectivista executada no Brasil; Manuel da Cunha, nascido escravo, aluno de João de Sousa, autor de temas religiosos e de retratos; frei Francisco Solano Benjamin, pintor de painéis religiosos no convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro, e de retratos; Leandro Joaquim, paisagista e retratista, além de cenógrafo ("Procissão marítima no hospital dos lázaros", Museu Histórico Nacional); Manuel Dias de Oliveira, cognominado o Brasiliense ou o Romano, que estudou em Portugal e em Roma, permanecendo por dez anos na Europa, autor de naturezas-mortas, miniaturas e pinturas religiosas ("Nossa Senhora da Conceição", Museu Nacional de Belas-Artes); José Leandro de Carvalho, pintor da corte na época da chegada da família real portuguesa ao Brasil, autor de alegorias e retratos como o "D. João VI" do convento de Santo Antônio; Raimundo da Costa e Silva, pintor religioso e retratista; e Francisco Pedro do Amaral, chefe de decorações da casa imperial após a independência e autor da ornamentação em diversas salas da quinta da Boa Vista.

Escola mineira
Além de bom número de pintores anônimos, destacam-se, entre os artistas coloniais mineiros, José Soares de Araújo, português, autor da pintura do teto da nave da igreja do Carmo, em Diamantina; João Nepomuceno Correia e Castro, que executou pinturas do santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas; e Manuel da Costa Ataíde, talvez o maior pintor brasileiro do período colonial, cuja produção pode ser admirada em igrejas de Ouro Preto, Santa Bárbara, Mariana e outras cidades mineiras, cuja obra-prima é a "Santa ceia", de 1828.

Missão artística francesa
Em março de 1816 chegaram ao Brasil os artistas e artesãos que D. João VI contratara na França por sugestão do conde da Barca. Chefiada por Joachim Lebreton, a missão artística francesa, que tinha por objetivo principal a organização de uma escola de artes e ofícios no Rio de Janeiro, iria dar novos rumos à arte brasileira.

Os pintores que a integravam eram Nicolas Antoine Taunay, seu filho Félix Émile Taunay e Jean-Baptiste Debret. Dos três, Nicolas Antoine Taunay era o    mais importante, adepto do neoclassicismo de David, mas poderoso colorista, cujas paisagens do Rio de Janeiro ("O morro de Santo Antônio", Museu Nacional de Belas-Artes) e retratos valem mais do que suas cenas de gênero e alegorias, cenas de batalhas e quadros bíblicos.

Debret, discípulo de David, foi retratista e pintor de história de menor fôlego ("Desembarque de D. Leopoldina", Museu Nacional de Belas-Artes), mas se notabilizou pelas ilustrações de cenas e costumes brasileiros da Viagem pitoresca e histórica ao Brasil (1834-1839), que só encontram paralelo nas estampas, no mesmo gênero, de Johann Moritz Rugendas, artista alemão ativo no Rio de Janeiro entre 1821 e 1835, autor de Viagem pitoresca através do Brasil. Félix Taunay, pintor de história e paisagista, teve maior importância como diretor da Academia de Belas-Artes, na qual criou, em 1840, as exposições gerais anuais, a pinacoteca e, após 1845, os prêmios de viagem à Europa. Participaram também da missão Lebreton o arquiteto Grandjean de Montigny, o escultor Auguste Marie Taunay e o gravador Charles Simon Pradier.

O ensino ministrado pelos artistas franceses tiraria o Brasil do estágio artístico defasado em que se achava, para nele introduzir um neoclassicismo então de vanguarda. Essa tendência, no entanto, já continha os germes do formalismo que terminaria em breve por condená-la. O estudo do modelo vivo, a supremacia do desenho e a importância do tema "nobre" -- religioso, histórico ou mitológico -- fizeram então sua aparição na arte nacional.

O primeiro diretor da Academia foi Henrique José da Silva, natural de Portugal e bom pintor de retratos. Português era também Simplício Rodrigues de Sá, pintor de história e de gênero ("Irmão pedinte", Museu Nacional de Belas-Artes), que substituiu o anterior como professor de pintura histórica na Academia. Frutos do ensino acadêmico foram August Müller, nascido na Alemanha, retratista, paisagista e pintor de história; Manuel de Araújo Porto Alegre, discípulo de Debret; e sobretudo Agostinho José da Mota, paisagista e autor de naturezas-mortas.

Citem-se ainda numerosos artistas estrangeiros ativos no Rio de Janeiro em meados do século XIX, como Claude-Joseph Barandier; Abraham Louis Buvelot; Ferdinand Krumholz, excepcional retratista; Alessandro Cicarelli; Nicolau Antônio Facchinetti, grande paisagista; Henri Nicolas Vinet, aluno de Corot; e Augustus Earle. Mesmo Manet e Gauguin estiveram no Brasil, mais ou menos por essa época.

Expoentes do academicismo
À segunda geração acadêmica, que desabrochou após 1850, pertencem alguns dos mais importantes pintores do Brasil, como Vítor Meireles de Lima, Pedro Américo de Figueiredo e Melo e João Zeferino da Costa, além de nomes de menor projeção, como Antônio Araújo de Sousa Lobo e Arsênio Cintra da Silva.

Vítor Meireles, que se aperfeiçoou em Roma e Paris, foi pintor de batalhas e de história ("Primeira missa no Brasil" e "Batalha dos Guararapes", Museu Nacional de Belas-Artes). Seguro de desenho e de composição, era, porém, frio colorista. Como professor, coube-lhe iniciar numerosos jovens, alguns transformados mais tarde em excelentes pintores.

Pedro Américo forma com Vítor Meireles o par de pintores mais conhecido do Brasil oitocentista. Sua arte é caracterizada por excelente desenho e elaborada composição, mas se revela às vezes pobre em  emoção ("Batalha do Avaí", "A carioca" e "Judite e Holofernes", Museu Nacional de Belas-Artes).

João Zeferino da Costa, bolsista em Roma, onde pintou suas obras mais célebres ("O óbolo da viúva" e "A caridade", ambas no Museu Nacional de Belas-Artes), notabilizou-se como autor das decorações da igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. Também professor, iniciou diversos artistas, como Batista da Costa, Henrique Bernardelli e Castagneto, os quais formariam, com outros, a terceira geração acadêmica,  que desabrochou em fins do século XIX e início do século XX. Os artistas José Ferraz de Almeida Júnior, Décio Vilares, Rodolfo Amoedo e Eliseu Visconti, entre outros, situam-se entre os principais expoentes dessa geração.

José Ferraz de Almeida Júnior foi dos primeiros brasileiros a consagrar em suas telas uma temática nacional, e por isso apontado pelos modernistas de 1922 como um de seus precursores ("Descanso do modelo" e "Caipiras negaceando", Museu Nacional de Belas-Artes). Por essas obras de tema regional, a crítica o considera o primeiro realista brasileiro.

Décio Rodrigues Vilares, aluno de Cabanel em Paris, é autor de retratos, alegorias e deliciosas paisagens de minúsculas dimensões. Rodolfo Amoedo, discípulo de Vítor Meireles, Cabanel, Baudry e Puvis de Chavannes, oscilou entre o academicismo mais empedernido e o romantismo tardio, deixando obras como "A narração de Filetas" e "Marabá" (Museu Nacional de Belas-Artes). Pedro Weingartner, gaúcho de origem alemã, distinguiu-se por suas paisagens e cenas de costumes. Aurélio de Figueiredo é autor de "O baile da ilha Fiscal" (Museu Histórico Nacional).

Antônio Parreiras, paisagista de méritos que estudou com o alemão Jorge Grimm, foi o primeiro a praticar no Brasil a pintura ao ar livre. Belmiro Barbosa de Almeida, também escultor, radicou-se em Paris e aproximou-se por vezes do impressionismo ("Dame à la rose", Museu Nacional de Belas-Artes). Oscar Pereira da Silva, pintor de história, estudou em Paris com Gerôme e Bonnat. João Batista Castagneto, italiano chegado ao Brasil com três anos, estudou com Grimm e é o melhor marinhista brasileiro do século XIX. João Batista da Costa foi o primeiro a tratar a paisagem brasileira como assunto autônomo, embora ainda preso a postulados acadêmicos. Henrique Bernardelli destacou-se como pintor decorativista; Pedro Alexandrino Borges, como autor de naturezas-mortas; e Gustavo dall'Ara, como pintor de cenas urbanas cariocas.

O maior pintor brasileiro da passagem do século foi Eliseo d'Angelo Visconti. Elo entre a estética do século XIX e a do século XX, Visconti cultivou todos os gêneros, notabilizando-se como paisagista, retratista e decorativista ("Gioventù", Museu Nacional de Belas-Artes, e decorações do Teatro Municipal do Rio de Janeiro). Algumas de suas últimas obras, como "Revoada de pombos" (no mesmo museu), aproximaram-no do impressionismo quase abstrato, característico também da última fase de Monet.

Outros artistas do início do século XX são Henrique Alvim Correia, pintor de batalhas; Helios Seelinger, que sentiu a influência do simbolismo e do art nouveau; Carlos Oswald, Rodolfo e Carlos Chambelland, Eugênio Latour, Lucílio de Albuquerque, João e Artur Timóteo da Costa, Augusto José Marques Júnior, Georgina de Albuquerque e Henrique Cavaleiro. Sob certos aspectos, alguns deles podem ser considerados precursores do modernismo.

Semana de Arte Moderna
A primeira exposição de pintura moderna realizada no Brasil ocorreu em 1913, em São Paulo. O expositor era Lasar Segall, nascido na Lituânia mas ligado aos movimentos vanguardistas alemães. Segall, que terminaria adotando a cidadania brasileira, é um expressionista germânico, cujas séries mais importantes evocam o drama do povo judeu, ao qual pertencia, e os horrores da guerra ("Navio de emigrantes", Museu Segall). É considerado um dos maiores pintores que trabalharam no Brasil.

A mostra de Segall em 1913 não provocou reações. A de Anita Malfatti, realizada também em São Paulo, em 1917, gerou, ao contrário, o protesto de Monteiro Lobato, que no artigo "Mistificação ou paranóia" acusou a jovem pintora de insinceridade ou desequilíbrio mental. Após essa crítica, Malfatti recuou de sua posição vanguardista, passando a praticar uma arte mais comportada e de acordo com postulados tradicionais. Ainda assim, sua exposição é tida como o autêntico estopim do modernismo.

Poucos anos depois, um grupo de artistas e escritores levou a efeito, no Teatro Municipal de São Paulo, a Semana de Arte Moderna de 1922. Di Cavalcanti e Vicente do Rego Monteiro eram os principais pintores presentes, com menção ainda para a própria Anita Malfatti; o suíço John Graz, que chegara a São Paulo em 1920, e a mineira Zina Aita, que estudara em Florença. Faziam também parte do grupo o desenhista e gravador Osvaldo Goeldi e os escultores Vítor Brecheret, Hildegardo Leão Veloso e Wilhelm Haarberg. Outros dois criadores, Antônio Garcia Moya e Georg Przyrembel, compareceram com projetos arquitetônicos.

A intenção geral era antiacadêmica, mas a mostra apresentava obras de tendências diversas, inclinando-se para o expressionismo, o art nouveau e o pós-impressionismo, classificadas pelo público e a imprensa em geral como futuristas.

Emiliano Di Cavalcanti, o maior idealizador da Semana, que ocorreu de 11 a 18 de fevereiro de 1922, pintou sobretudo figuras e paisagens. Sensível à influência de Picasso e dos muralistas mexicanos, criou depois um estilo bem pessoal, no qual demonstra um temperamento sensual e lírico. Pintor das mulatas e do carnaval carioca, dentro de uma veia expressionista caracterizada por intenso cromatismo, fez em 1931 o primeiro painel moderno do Brasil: as decorações do teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.

Vicente do Rego Monteiro praticou a pintura alternadamente com a poesia, abandonando por longos anos a primeira para a ela voltar no fim da vida. Influenciado por Juan Gris, chegou a um estilo tipicamente art déco, no qual se mesclaram influências arcaicas, pré-colombianas e egípcias.

Sem participar da Semana de Arte Moderna, mas considerados pioneiros da arte moderna no Brasil, citam-se ainda Ismael Néri, personalidade das mais originais, pintor expressionista e, em algumas obras, tocado pelo surrealismo; Tarsila do Amaral, que adaptou o cubismo de Léger à realidade brasileira e deu início aos movimentos Pau-Brasil (1924) e antropofágico (1928), de índole nacionalista, baseados em motivos tradicionais do Brasil suburbano e rural, tornando-se particularmente importante com suas obras de temática social, como "Trem de segunda classe" e "Operários"; Cícero Dias, espécie de Chagall tropical em suas primeiras obras, que mais tarde aderiu ao abstracionismo para afinal retornar à temática figurativa do início de sua carreira; Antônio Gomide, que após prolongada formação europeia levou para São Paulo a influência cubista de Picasso e Braque; Joaquim do Rego Monteiro, falecido muito jovem em Paris; Alfredo Volpi, que atravessou fases impressionista, expressionista e concreta, antes de fixar-se na valorização da textura e do cromatismo; e Alberto da Veiga Guignard, paisagista das cidades históricas de Minas Gerais, retratista e pintor de gênero.

Portinari e a fixação do modernismo
Com Cândido Portinari, a arte moderna impôs-se definitivamente no Brasil. Aluno de Rodolfo Amoedo e Lucílio de Albuquerque na Escola Nacional de Belas-Artes, Portinari ganhou em 1928 o primeiro prêmio de pintura no Salão Nacional de Belas-Artes, com um retrato de inspiração acadêmica. Após dois anos na Europa, voltou ao Brasil praticando uma arte de cunho moderno, expressionista e dramática.

O quadro "Café" (1935), hoje no Museu Nacional de Belas-Artes, foi premiado nos Estados Unidos, projetando o nome de seu autor no cenário nacional e internacional. Vieram em seguida as decorações para o Ministério da Educação, no Rio de Janeiro (1936-1945), projetado sob risco original de Le Corbusier, que o transformaram no símbolo da pintura moderna no Brasil. Retratista, pintor de temas religiosos e sociais ("Enterro na rede", Museu de Arte de São Paulo), Portinari é sob muitos aspectos o maior nome da pintura brasileira. Sua influência sobre as gerações posteriores foi enorme, tendo repercutido, por exemplo, em artistas como Tomás Santa Rosa, Clóvis Graciano e Enrico Bianco. Em semelhante linha temática desenvolveu-se também a pintura de Orlando Teruz.

Outros pintores brasileiros surgidos depois de Portinari sobressaíram pela articulação de linguagens de cunho bem pessoal, garantindo graças a isso lugares indisputáveis na produção do século XX. Entre eles, merecem ser citados: José Pancetti, marinhista de nível extraordinário; Djanira, que abordou cenas rurais e folclóricas com cores chapadas, numa visão limítrofe da chamada art naïf; Emeric Marcier, romeno de nascimento, voltado para temas religiosos, além de paisagens e retratos; Quirino Campofiorito e Eugênio de Proença Sigaud, cultores de temas sociais; Flávio de Resende Carvalho, também arquiteto, que se manteve fiel ao expressionismo; Iberê Camargo, ex-paisagista que, com sucessivos afastamentos da figura, chegou ao despojamento abstrato; e Carlos Scliar, autor de naturezas-mortas e paisagens em suaves combinações cromáticas de grande força expressiva.

Capítulo curioso, na história da pintura no Brasil, é o dos pintores primitivos, ingênuos ou instintivos, que passaram a despertar interesse à medida que as fronteiras do gosto se ampliavam pelas concepções modernistas. Citam-se entre os melhores e mais autênticos José Bernardo Cardoso Júnior, o Cardosinho; Heitor dos Prazeres, pintor dos morros cariocas; Paulo Pedro Leal, que pintou cenas de naufrágios e visões terríveis de guerra e destruição; e José Antônio da Silva, na origem um simples lavrador, que mostrou ser colorista notável ao enfocar aspectos da vida rural e enredos de sua própria existência.

Abstracionismo geométrico e tachismo
No começo da década de 1950, sob influência das ideias de Mondrian e, sobretudo, de Max Bill, um grupo de artistas jovens praticou uma arte extremamente depurada, utilizando formas geométricas simples e somente cores complementares, sem qualquer apelo ao desenho, à textura ou mesmo à expressão. Com essa linha de trabalho, entrou em cena o concretismo, cujos primeiros representantes foram Ivan Serpa, Almir Mavignier, Décio Vieira, Aluísio Carvão, Lígia Pape, Geraldo de Barros, Valdemar Cordeiro e Lígia Clark.

Organizado em 1954, o grupo sofreu uma cisão em 1957, que converteu-se no movimento neoconcreto do Rio de Janeiro, liderado pelo poeta Ferreira Gullar. O neoconcretismo buscava acrescentar expressão à fria concepção estética do concretismo, cujas coordenadas continuaram a vigorar em São Paulo.

Não-figurativos de tendência geométrica, que permaneceram à margem do concretismo e do neoconcretismo, afirmaram-se também, em fins da mesma década, artistas como Raimundo Nogueira, Maria Leontina e Milton Dacosta, que, tendo começado a carreira como paisagista, cedeu à influência da pintura metafísica, aderiu ao abstracionismo e adotou por fim um figurativismo dos mais originais, baseado em formas geometrizadas de Vênus e de pássaros.

Por volta de 1960, em reação aos excessos do abstracionismo de expressão geométrica e em sintonia com as correntes que já se impunham na Europa, numerosos pintores aderiram ao abstracionismo informal ou lírico e ao tachismo, estilos internacionais que propunham a libertação pela cor. À frente da tendência se achava o cearense Antônio Bandeira, que se radicara em Paris, onde fora companheiro de Wols. Dignos de menção, entre os que seguiram esse caminho, são também Manabu Mabe, Tikashi Fukushima, Tomie Ohtake e Kazuo Wakabayashi, destacados membros de um grupo de pintores nascidos no Japão ou de ascendência nipônica.

Muitos artistas que atravessaram na época uma fase abstrata, seguindo a voga internacional, evoluíram depois para estilos próprios e bem caracterizados. Citem-se como exemplos o gaúcho Glauco Rodrigues, que passou do tachismo ao eficiente tratamento de uma figuração irônica, e o polonês Franz Krajcberg, que em meados da década de 1960 passou a trabalhar com relevos à base de materiais naturais -- raízes, troncos, pedras -- realizando uma arte de inspiração ecológica, na qual pintura e escultura não raro iriam conjugar-se na mais perfeita fusão.

Arte conceitual e volta à pintura
Na década de 1970, a arte brasileira já se achava identificada com o que ocorria no restante do mundo, seguindo passo a passo as numerosas linguagens que se sucediam com velocidade crescente. Figuras como Hélio Oiticica e Lígia Clark, oriundas do movimento neoconcreto, passaram a ser valorizadas por suas transgressões e o desejo de ir além das artes formais, abrindo caminho para os happenings e manifestações análogas de expressão com o próprio corpo.

A pop art, criada nos Estados Unidos, mobilizou pintores como o paraibano Antônio Dias e o paulista Wesley Duke Lee. Por um caminho semelhante, no início de suas carreiras, enveredaram artistas que rejeitaram o abstracionismo puro e simples em proveito de uma nova objetividade, como Rubens Gerchman, Carlos Vergara, Roberto Magalhães e Antônio Henrique Amaral. Este resgatou, com tratamento hiper-realista, alguns dos temas já presentes no repertório dos modernistas de 1922.

Os movimentos de vanguarda, progressivamente orientados por tentativas de integração de diferentes técnicas, acabaram desembocando na arte conceitual, em que a ideia de criação se antepõe à própria obra criada. Nomes como Cildo Meireles e Valtércio Caldas, assumindo posturas conceituais, projetaram-se no país e no exterior, com obras em que a preocupação com a originalidade era sempre dominante. Distantes das posições de vanguarda, artistas como João Câmara, Reinaldo Fonseca e Siron Franco mantiveram-se fiéis à produção de quadros, revelando com frequência uma entonação satírica nas composições com figuras.

Em 1980 e nos anos seguintes, o surgimento de uma nova safra de talentos, a chamada geração 80, composta em sua maioria por discípulos do pintor Luís Áquila, acompanhou-se de uma reflexão crítica que propunha a volta à pintura, depois de todas as negações e avanços, como a melhor saída para o impasse a que a arte havia chegado. A pintura brasileira, a essa altura, mostrava uma ampla convivência de todas as opções essenciais definidas desde meados do século: a expressão figurativa, de cunho mais tradicional, ao lado do abstracionismo geométrico e dos diversos matizes da abstração informal.

Escultura
Além de uma interessante cerâmica de fins utilitários, os índios também faziam bonecos, de barro ou de madeira, em geral pintados. A cerâmica da ilha de Marajó e a terracota carajá da ilha do Bananal são particularmente estimadas. Os negros escravos fabricavam fetiches e ex-votos. As pequenas esculturas barrocas trazidas pelos portugueses foram copiadas, iniciando-se com isso a produção de imagens de santos, até hoje em curso, de inspiração ibérica.

Os primeiros escultores de formação estiveram ativos em igrejas e mosteiros, como o de São Bento, no Rio de Janeiro, em cujas obras se distinguiram frei Domingos da Conceição, José da Conceição e Simão da Cunha. O maior desses escultores religiosos foi o português Agostinho da Piedade, monge beneditino morto em 1661, cuja arte se enquadra na tradição peninsular. Com ele aprendeu Agostinho de Jesus, já nascido no Brasil. Cumpre mencionar ainda o trabalho dos mestres entalhadores do século XVIII, entre os quais foram identificados Manuel de Brito, José Coelho de Noronha e Francisco Vieira Servas.

O grande escultor e arquiteto do Brasil colonial foi o mineiro Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, cuja atividade cobriu, a partir de 1760, um período de mais de cinquenta anos. Nas figuras em pedra-sabão dos doze profetas no adro do santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, sua arte chegou a um nível nunca alcançado no Brasil. Seu contemporâneo Valentim da Fonseca e Silva, dito mestre Valentim, fez também obra memorável, modificando a paisagem urbana do Rio de Janeiro e criando para o Passeio Público pirâmides, terraços, estátuas e pinhas.

Com a missão artística francesa de 1816 veio para o Brasil o escultor Augusto Maria Taunay, que gozava de certo prestígio na Europa, e logo foi seguido pelos irmãos Marc e Zéphyrin Ferrez, também franceses, que em 1818 participaram da ornamentação dos novos prédios erguidos no Rio de Janeiro para as comemorações da coroação de D. João VI. Marc Ferrez figurou nas primeiras exposições realizadas no Brasil, por iniciativa de Debret, em 1829 e 1830, e tornou-se catedrático da Academia Imperial de Belas-Artes em 1837. Executou diversos bustos em bronze, entre os quais destaca-se o de D. Pedro I (hoje no Museu Nacional de Belas-Artes). É autor dos baixos-relevos do palacete da marquesa de Santos, no Rio de Janeiro, e, com o irmão Zéphyrin, das esculturas do frontão da Academia.

Rodolfo Bernardelli, o maior escultor brasileiro do século XIX, realizou, entre outras obras, os monumentos ao duque de Caxias e ao general Osório, no Rio de Janeiro; o mausoléu de D. Pedro II, em Petrópolis; e a estátua de Castro Alves, em Salvador. Com ele, o neoclassicismo se impôs e se esgotou no país.

O primeiro escultor modernista é Vítor Brecheret, que depois de tomar parte na Semana de Arte Moderna de 1922 evoluiu para os limites do não-figurativo, sem chegar no entanto ao abstrato puro. Dois escultores estrangeiros, o italiano Ernesto de Fiori e o polonês August Zamoyski, radicados no Brasil na década de 1940, contribuíram para a formação de jovens artistas e a pesquisa de novas formas. O austríaco Franz Weissmann, discípulo de Zamoyski, colaborou com Guignard na fundação da Escola de Belas-Artes de Belo Horizonte.

Na fase de fixação do modernismo, em que o escultor mais importante e influente foi sem dúvida Bruno Giorgi, destacaram-se igualmente Maria Martins, Alfredo Ceschiatti e Francisco Stockinger. Menção à parte deve ser feita a Celso Antônio, aluno de Bourdelle e de Bernardelli, autor do "Monumento do café" em Campinas SP.

O advento da escultura abstrata, quer de índole geométrica, quer informal, acompanhou a evolução da pintura e data igualmente de meados do século XX. Às intenções não representativas e cada vez mais despojadas somaram-se desde então a pesquisa e o aproveitamento de materiais incomuns. Pelas inovações apresentadas em seus trabalhos, assumiram grande importância, nessa fase, artistas como Sérgio de Camargo, autor de relevos em madeira cortada e reduzida aos sólidos fundamentais (cilindro, cone, esfera); Mary Vieira, aluna de Max Bill, autora de esculturas com partes móveis e de curiosas formas espiraladas eletro-rotatórias; Amílcar de Castro e Lígia Clark, representantes da vertente concretista; Maurício Salgueiro, que fez montagens com peças de ferro velho; Mário Cravo Júnior, cuja obra de espírito expressionista alude às vezes a motivos do folclore baiano; e Abraham Palatinik, criador de relevos progressivos e do aparelho cinecromático, que projeta imagens coloridas e abstratas em permanente mutação.

Gravura
O gravador Charles Simon Pradier, membro da missão artística francesa de 1816, ficou no Brasil até 1818 e gravou muitas das estampas da Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, de seu colega Jean-Baptiste Debret. Este, juntamente com o alemão Johann Moritz Rugendas e o austríaco Thomas Ender são os mais ilustres dos estrangeiros que passaram pelo Brasil ou nele se fixaram no século XIX, dedicando-se com especial interesse ao desenho e à gravura.

Antes mesmo dessa época, no entanto, a gravura já fora praticada, em Vila Rica (atual Ouro Preto MG), pelo padre José Joaquim Viegas de Meneses. Mais tarde, na Impressão Régia, trabalharam os portugueses Romão Elói Casado e Paulo dos Santos Ferreira. A aula pública de gravura, no entanto, só foi criada em 1837, com Zéphyrin Ferrez como professor.

A litografia, também nas primeiras décadas do século XIX, contou com alguns cultores isolados, como Armand Julien Pallière, no Rio de Janeiro, e Hercule Florence, em São Paulo. No Rio, a primeira oficina litográfica comercial foi a de Louis-Aléxis Boulanger e Carlo Risso (1829-1830). Charles Rivière também montou ateliê no Rio, especializando-se em retratos; a eles se associou um brasileiro, Frederico Guilherme Briggs, autor de famosa série sobre tipos populares cariocas. Sébastien Auguste Sisson, ativo no Rio desde 1852, criou a primeira história em quadrinhos (1855) e a Galeria de brasileiros ilustres, com noventa pranchas litografadas entre 1859 e 1861.

O primeiro gravador em madeira identificado foi o português Alfredo Pinheiro, com oficina no Rio de Janeiro desde o começo da década de 1870. A xilogravura chegou à maturidade com os trabalhos de Modesto Brocos y Gómez, popularizados pelo jornal O Mequetrefe. Paralelamente, dois artistas expatriados fizeram obra independente na Europa: Henrique Alvim Correia (Paris, Bruxelas) e Carlos Oswald (Florença). Alvim Correia ilustrou, em 1906, uma edição belga do livro A guerra dos mundos, de H. G. Wells, com estampas de caráter expressionista. Foi assim o primeiro de uma linhagem de gravadores voltados para o fantástico, a que se filiariam nomes como Raul Pedrosa e Darel, que teve expressão maior no magnífico bestiário de Marcelo Grassmann.

Carlos Oswald integrou a formação clássica às formas do impressionismo. Seu discípulo e continuador Orlando da Silva foi um dos mestres de Roberto Delamonica; seu filho e homônimo, várias vezes premiado no Salão Nacional de Belas-Artes, muito contribuiu para a formação de diversos artistas.

O modernismo chegou ao Brasil com Lasar Segall, em 1913. Ligado ao expressionismo alemão, foi ele o primeiro gravador brasileiro moderno (ilustração para Mangue, de Benjamin Costallat). Osvaldo Goeldi, que participou da Semana de Arte Moderna de 1922, fez obra pessoal, extensa, marcada pela densidade e certa morbidez. Influenciado pelo austríaco Alfred Kubin, influenciaria por sua vez, direta ou indiretamente, Newton Cavalcanti, Adir Botelho, Gilvan Samico, Iara Tupinambá e o próprio Grassmann.

Outro mestre é Lívio Abramo, que fundou em Assunção o Taller de Grabado Julian de la Herreria (1957) e, em São Paulo, o Estúdio Gravura (1960),  com Maria Bonomi, exímia gravadora nascida na Itália e radicada no Brasil desde 1944.

Igualmente fecunda, no Brasil, foi a atividade dos artistas estrangeiros Axel de Leskoschek e Johnny Friedlander. O primeiro, refugiado do nazismo, foi professor de Fayga Ostrower, Ivan Serpa, Renina Katz e Edith Behring. Friedlander ministrou o curso inaugural do ateliê de gravura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1959), por onde passariam, nos anos seguintes, Ana Bela Geiger, Ana Letícia Quadros, Isabel Pons, Delamonica, Rossini Perez, José Lima e Marília Rodrigues.

Um dos grandes representantes da abstração lírica, Iberê Camargo, teve também relevante atuação didática na década de 1950. Do mesmo período é a atividade independente do grupo gaúcho (Porto Alegre, Bajé) reunido em torno de Carlos Scliar. Dele fizeram parte Vasco Prado, Glauco Rodrigues, Danúbio Gonçalves e Glênio Bianchetti.

Do mesmo modo que Iberê ou Scliar, a maioria dos pintores brasileiros consagrados na tradição moderna, como Tarsila, Portinari, Djanira ou Dacosta, também se dedicou à gravura com maior ou menor intensidade. A produção do século XX, longe de restringir-se aos grandes centros, disseminou-se pouco a pouco pelos estados, revelando gravadores ativos na Bahia, como Caribé ou Emanoel Araújo, ou em Minas Gerais, como Vilma Martins, Marília Andrés ou Lótus Lobo. Entre os gravadores de extração popular cabe mencionar os autores anônimos da xilogravura ingênua do Nordeste, feita para ilustrar a literatura de cordel.

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