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Nazismo e o Reich do Führer Adolf Hitler

Nazismo e o Reich do Führer Adolf Hitler

Nazismo e o Reich do Führer Adolf Hitler
O Reich do Führer
Chamou-se III Reich porque havia o I Reich (O Sacro Império Romano Germânico que Oton I fundou em 962 e durou até 1806); e o II Reich, nascido em 1871 sob Guilherme I, com a unificação alemã. Adolf Hitler suprimiu o Estado federalista. Os Estados receberam chefes Por ele indicados. Dissolveu a Assembleia do Reino. O país adotou a bandeira do Partido Nazista, com a suástica. Os membros do partido ocuparam todos os cargos da administração e a vida política reduziu-se a manifestações anuais do nazismo - os congressos realizados em Nuremberg. O Parlamento, todo nazista, reunia-se conforme a vontade de Adolf Hitler de ser aclamado.

Os judeus, duramente perseguidos, foram excluídos da administração, ensino, jornalismo, atividades artísticas e literárias. Passaram à condição de súditos; perderam os direitos civis, o acesso a lugares públicos; casamento de “ariano” com judeu passou a ser punido como crime de profanação racial. A partir de 1938, a violência cresceu: espancamentos, destruição de sinagogas e casas, uso de sinais identificadores e proibição de deixar o país. Mesmo assim, Einstein, Thomas Mann e muitos outros conseguiram fugir. Milhares de obras foram excluídas dos museus ou destruídas, como arte degenerada: abstracionismo, impressionismo, cubismo.

O Estado intervinha moderadamente na economia. Procurava controlar o mundo do trabalho e orientar a produção sem alterar basicamente a estrutura capitalista. Integrou as atividades de modo a harmonizar a produção. O Estado fixava a jornada de trabalho, os salários e os lucros, mas tembém velava pela formação profissional e pelo lazer. Suprimiu as liberdades sindicais e o direito de greve. No campo, o Estado nacional-socialista criou o Erbhof, domínio familiar de menos de 125 acres (menos de 21 alqueires), inalienável, indivisível e transmissível somente a um só herdeiro.

Realizou-se uma frente de trabalhadores, operários e camponeses e uma frente de patrões, em estilo corporativo, tudo supervisionado pelo Führer. As grandes empresas foram protegidas; impôs-se a formação de cartéis e acelerou-se a concentração industrial.

O novo Reich buscou o desenvolvimento com base em planos quadrienais. No primeiro Plano, iniciado em 1933, realizaram-se obras públicas para absorver desempregados: aeroportos, estradas, ferrovias, tudo com finalidade estratégica. O desemprego desapareceu em 1937. Mas o grande trunfo estava no desenvolvimento secreto da indústria bélica, que provocou a retomada industrial.

A falta de recursos monetários levou Schacht, ministro da economia de 1934 a 1937, a obrigar o pagamento de importações com produtos da indústria alemã. Isto correspondia às necessidades dos países da Europa central, exportadores de produtos primários. O Segundo Plano quadrienal, a partir de 1936, agora sob a direção do marechal Goering, tinha Por finalidade libertar a Alemanha de matérias-primas importadas. Retomou-se a exploração de minérios, avançou-se na pesquisa têxtil e na produção de borracha, carburantes e petróleo.

Em 1939, a indústria alemã é a segunda do mundo. Mas faltam minérios para a siderurgia. A agricultura fornece 75% do que o país precisa. A indústria bélica exige mais e mais matéria prima. A indústria de bens de consumo ficou prejudicada, tal como o comércio exterior, reduzido à metade. Havia limites para essa autarquia - essa auto-suficiência econômica. A acumulação de estoques levaria necessariamente à tese expansionista, à busca do espaço vital, sobretudo na Europa central. Essa necessidade vinha a calhar para a propaganda nazista em torno da questão nacional.

Hitler e o nazismo

Hitler e o nazismo

Adolf Hitler nasceu em 1888 em Brunau, na Áustria, filho de um empregado de alfândega. Aos 21 anos, mudou-se para Viena e tentou sem sucesso entrar na Academia de Belas-Artes para estudar pintura e arquitetura.

Vivia de expedientes, como pintar cartões postais. Perambulava pelos bares, lia jornais e livros, pernoitava em asilos. Autodidata, assimilava mal as leituras. Desprezava judeus, marxistas e as massas, todas incapazes, segundo ele, do sentimento nacional - ideias apreendidas da pequena burguesia vienense. Em 1913, com 25 anos, mudou-se para Munique. Lutou na Grande Guerra com bravura. Ferido duas vezes, foi condecorado com a Cruz de Ferro. No hospital, remoía a derrota, que atribuía não à eficiência do inimigo, mas à traição de grupos políticos radicais dentro da própria Alemanha. Voltou a Munique e passou a trabalhar na sessão de imprensa e propaganda do Quarto Comando das Forças Armadas, a Reichswerth.

Em setembro de 1919, Hitler aderiu a um grupo pomposamente chamado de Partido Trabalhista Alemão, fundado por um mecânico ferroviário. Seu programa falava em bem-estar do povo, igualdade perante o estado, anulação dos tratados de paz, exclusão dos judeus da comunidade.

Hitler pôs sua capacidade oratória a serviço do grupo e contribuiu para a mudança de nome para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães - Nazi (abreviado do alemão Nationalsozialist). O símbolo era a bandeira vermelha com a cruz gamada. Possuíam um jornalzinho. O capitão Roehm incorporou uma organização paramilitar, as SA (Seções de Assalto), encarregadas de perturbar as reuniões dos adversários. O confuso programa denunciava judeus, marxistas e estrangeiros; prometia trabalho e a supressão das regras citadas em Versalhes.

Em 1921, aos 33 anos de idade, Hitler tornou-se chefe do Partido, que tinha apenas 3.000 filiados.

Depois de fracassar na tentativa de golpe em Munique (1923), Hitler foi condenado a cinco anos de prisão. Cumpriu oito meses, que aproveitou para escrever a primeira parte de seu livro Mein Kampf (Minha Luta).

Inspirando-se no bolchevismo, reorganizou seu partido, dando-lhe mais eficiência e disciplina, dotando-o de estruturas administrativas e hierárquicas regionais, de um jornal e de formações paramilitares: além da SA, as SS, brigadas de segurança. Organizou a juventude hitlerista e atraiu sindicatos, associações de médicos, professores, juristas, funcionários e outros profissionais.

Fundamentos e ideologia do Nazismo

A ideologia Nazista incorporou velhos princípios, com significado novo. Subsídios importantes foram fornecidos Por escritores e pensadores: o anti-semitismo, de teorias racistas de Gobineau, Chamberlain e Wagner; o pangermanismo, de Wagner; o neopaganismo, de Rosemberg; o Estado forte e a regeneração nacional, de Spengler; a idéia do Terceiro Reich, de Van der Bruck; o nacionalismo exaltado, de Jüger e Von Solomon. O programa do Partido Trabalhista (1920) e os textos de Hitler sintetizavam sua proposta ideológica.

Racismo, ponto fundamental do nazismo. O povo alemão pertenceria a uma raça ariana superior. Sua missão será dominar o mundo sem se contaminar Por raças ou elementos “inferiores”: franco maçonaria, liberalismo, marxismo, igreja católica e os judeus, cujo espírito liberal crítico os transformava e no principal elemento de dissolução da “pureza da raça”.

Totalitarismo, desdobramento do racismo. O indivíduo pertenceria ao Estado: seria um instrumento da comunidade racial. Assim, o Estado não poderia ser liberal e nem parlamentar, pois não poderia dividir-se em função de interesses sociais. Como o fascismo, o nazismo era antiparlamentar, antiliberal e antidemocrático. Da mesma forma, deveria ter um único chefe, o Führer. Ele simbolizaria a Alemanha e teria toda a responsabilidade das decisões, embora pudesse submetê-las a plebiscitos. Esses princípios podiam ser resumidos assim: um povo (Volk), um império (Reich) e um chefe (Führer).

Antimarxismo e anticapitalismo, desdobramentos do princípios fundamentais também. O marxismo era produto do pensamento judaico (Karl Marx), que propunha a luta de classes; o capitalismo seria danoso ao agravar as desigualdades e atentar contra a unidade do Estado. Hitler passou a destinguir o capital nacional, útil à comunidade, do capital internacional, impregnado de judaísmo.

Unipartidarismo, decorrencia do conjunto.. Hitler pregava que a nova ordem seria atingida nos quadros de um Estado totalitário, fundado sobre o fanatismo nacional e fervor racista; vanguarda seria o Partido Nacional-Socialista, partido único, hierarquizado e dirigido segundo o principio da chefia absoluta. O chefe supremo era ele, que tinha como suplente Rudolf Hess, substituído após 1941 Por Martins Bormann. As forças paramilitares das Waffen SS, comandadas por Himmler, chegaram a ter 500.000 homens; eram tropas de elite, ligadas ao exército. Himmler assumiu o controle da polícia política, a Gestapo.

Nacionalismo reinvidicativo, para o nazismo, era preciso destruir as “humilhações” do Tratado de Versalhes e integrar as comunidades germânicas da Europa (Áustria, Sudetos, Dantzig). Em suma, conquistar para a Alemanha, na Polônia e na Ucrânia, em espaço vital, o que implicava ajustar contas primeiro com os franceses, aliados dos eslavos.

O partido único controlava toda a a população, pela fiscalização das informações e da propaganda, conduzida Por um ministro especialista nisso: Goebbels. Ele supervisionava imprensa, literatura, cinema, rádio - este, a grande arma da comunicação com as massas.

Tiveram grande importância o lazer dos jovens e dos trabalhadores e a educação da juventude nazista, uma elite fanatizada, obrigada a trabalhar a a partir de 1935.

A Tomada do poder na Alemanha

Com a crise de 1929, os nazistas passaram a fazer proclamações, gigantescas paradas e desfile das SA e SS. Hitler surgia como o campeão da luta contra o bolchevismo. Empresas capitalistas passaram a dar-lhe apoio financeiro a partir de 1932. Reunindo descontentes de todo lado, especialmente na classe média e no campo, o partido saltou dos 400.000 membros em 1928 para 1,5 milhão em 1930; e dos 2,3% de votos para 18,3%. Fez 107 deputados, contra 77 comunistas.

Em 1932, Hindemburg encarregou o católico Brüning de combater o comunismo. A violência nazista obrigou a dissolver as SA e SS. A crise o obrigou também a tomar medidas socializantes: controle de mercado, socialização de bancos. O velho marechal Hindemburg foi reeleito com 19 milhões de votos, mas Hitler obteve 13 milhões.

Brüning projetou colonizar as grandes propriedades e os latifundiários pressionaram Hindemburg. O chanceler Von Pappen dissolveu o parlamento e convocou eleições. Os nazistas tiveram 37,3% dos votos e fizeram 230 deputados, graças ao apoio maciço da burguesia, proletarizada pela crise. Hindemburg recusou-se a fazer de Hitler chanceler e, convocadas novas eleições, permaneceu a vantagem dos nazistas.

O novo chanceler, o general Von Schleiter, queria quebrar a força de nazistas e comunistas organizando uma ditadura corporativa ao modelo italiano; pretendia fazer reformas sociais com o apoio dos sindicatos. Mas o que conseguiu foi atrair a ira dos grandes capitalistas. Von Pappen, ligado a eles, aproximou-se de Hitler; propôs a ele diminuir a agressão verbal contra os capitalistas. E Hitler foi nomeado chanceler em 30 de janeiro de 1933.
O empresariado e os conservadores monarquistas achavam que iam manobrá-lo. Os comunistas poderiam ter evitado a chegada de Hitler ao poder caso tivessem apoiado o centro, dando-lhe maioria no Parlamento. Mas também achavam que Hitler cairia logo.

Terror e ditadura
Em apenas 23 meses, numa sucessão de golpes de força. ilegalidades e assassinatos, Hitler implantaria sua ditadura pessoal. Com autorização de Hindemburg, dissolveu o Parlamento e encarregou Goering de preparar as novas eleições. Este chamou as SA e SS, sob o pretexto de que as tropas regulares eram insuficientes para garantir a ordem.

A campanha eleitoral foi um terror. Reuniões invadidas, jornais depredados, líderes rivais assassinados. Em 27 de fevereiro de 1933, os nazistas incendiaram o Parlamento e culparam os comunistas, que foram presos junto com os socialistas e liberais. Restabeleceu-se a pena de morte e suspenderam-se as garantias individuais e civis.

A alegada conspiração comunista fez com que os nazistas tivessem 44% dos votos; os 81 comunistas eleitos foram excluídos do Parlamento e os nazistas ficaram em maioria absoluta. Em 23 de março, Hitler obteve o voto de plenos poderes, com apoio dos católicos, que acreditavam numa concordata, como havia acontecido na Itália de Mussolini.

Hitler começou a aplicar o programa nazista. Suspendeu os partidos políticos, menos o nazista, extinguiu os sindicatos, diminuiu os privilégios dos Estados em favor do poder central e tomou medidas anti-semitas.

A principal oposição surgiu dentro do próprio partido: Roehm, chefe das SA, aproximou-se do general Von Schleiter e planejou um golpe, com apoio dos 3 milhões de homens de sua força paramilitar, constituída basicamente de desempregados. Em 30 de junho de 1934, centenas de oponentes foram massacrados, entre ele Schleiter; adeptos de Roehm foram metralhados de surpresa em uma reunião. Foi a Noite dos Longos Punhais. Em toda a Alemanha, foram 3.000 assassinatos. Muitos outros foram juntar-se a comunistas e judeus nos campos de concentração, recém abertos, como Dachau e Buchenwald. Os generais, que viam na SA uma perigosa concorrente, felicitaram Hitler.

O regime definiu as relações com a Igreja. Concordata assinada com o Papa Pio XI impunha aos bispos o dever de prestar juramento ao chanceler. O Papa protestou, não contra a ditadura, mas contra o paganismo nazista. A tentativa de unificar a Igreja Luterana em torno do dr. Müller, bispo do Reich, provocou a reação de mais de 500 pastores, remetidos imediatamente aos campos de concentração.

Hindemburg morreu no fim de 1934. Hitler acumulou as funções de chanceler e presidente. Todos os funcionários oficiais e das forças armadas deveriam prestar-lhe juramento pessoal de fidelidade.

Totalitarismo na Europa

Totalitarismo na EuropaDe forma bastante simples, podemos definir totalitarismo como um regime no qual um único indivíduo domina todo o Estado, tomando para si todos os tipos de poderes existentes. O totalitarismo foi algo presente no contexto do pós-guerra, tendo como suas expressões máximas o Nazismo de Adolf Hitler, na Alemanha, o Fascismo de Mussolini, na Itália, e o Stalinismo de Josef Stalin, na União Soviética.

A principal característica de um regime totalitarista é a eliminação de toda e qualquer oposição política. Desta forma, para os totalitaristas, a existência de múltiplas organizações partidárias prejudicaria o empenho de toda a nação em direção a um único caminho. Por isso, há a adoção de um sistema unipartidário.

No contexto econômico, a intervenção do Estado é algo de fácil conclusão. Nesse sentido, o governo procurava se enriquecer mais e mais, colocando o fator mercado em segundo plano. Assim, o Estado assumia o controle de todos os bens e fontes de recursos existentes por meio da administração de empresas estatais. Podemos destacar também a ênfase dada pelos regimes totalitaristas na indústria de base, bélica e de tecnologia, setores estratégicos em casos de uma eventual guerra.

Outra característica marcante do totalitarismo é a existência de uma política de intolerância a quaisquer manifestações contrárias às suas formas de atuar. Desta forma, muitos cidadãos eram presos, torturados, exilados ou até mesmo mortos por causa de suas ideologias políticas contrárias ao regime instalado.

Os regimes totalitaristas utilizavam a propaganda como principal instrumento de domínio ideológico da população. Assim, faziam uso da história da nação e das imagens de heróis nacionais para despertar na população um sentimento de patriotismo e orgulho.

É importante ressaltar que cada regime totalitarista teve certas características peculiares. Além disso, podemos afirmar que, embora o totalitarismo seja algo difícil de ser aceito no mundo atual, predominantemente democrático, é possível localizarmos traços do regime em políticas adotadas por muitos países.

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Nazismo, Fascismo, Capitalismo, Comunismo e Socialismo

Nazismo, Fascismo, Capitalismo, Comunismo e Socialismo

Nazismo, Fascismo, Capitalismo, Comunismo e Socialismo

Nazismo

Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha foi palco de uma revolução democrática que se instaurou no país. A primeira grande dificuldade da jovem república foi ter que assinar, em 1919, o Tratado de Versalhes que, impunha pesadas obrigações à Alemanha.

À medida que os conflitos sociais foram se intensificando, surgiram no cenário político-alemão partidos ultranacionalistas, radicalmente contrários ao socialismo. Curiosamente, um desses partidos chamava-se Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista) e era liderado por um ex-cabo de nome Adolf Hitler. As eleições presidenciais de 1925 foram vencidas pelo velho Von Hindenburg que, com a ajuda do capital estrangeiro, especialmente norte-americano, conseguiu com que a economia do país voltasse a crescer lentamente. Esse crescimento, porém, perdurou somente até 1929.

Foi quando a crise econômica atingiu com tal força a Alemanha, que, em 1932, já havia no país mais de 6 milhões de desempregados. Nesse contexto de crise, os milhões de desempregados, bem como muitos integrantes dos grupos dominantes, passaram a acreditar nas promessas de Hitler de transformar a Alemanha num país rico e poderoso. Assim, nas eleições parlamentares de 1932, o Partido Nazista conseguiu obter 38% dos votos (230 deputados), mais do que qualquer outro partido.

Valendo-se disso, os nazistas passaram a pressionar o presidente e este concedeu a Hitler o cargo de chanceler (chefe do governo). No poder, Hitler conseguiu rapidamente que o Parlamento aprovasse uma lei que lhe permitia governar sem dar satisfação de seus atos a ninguém. Em seguida, com base nessa lei, ordenou a dissolução de todos os partidos, com exceção do Partido Nazista. Em agosto de 1934, morreu Hindenburg e Hitler passou a ser o presidente da Alemanha, com o título de Führer (guia, condutor).

Fortalecido, o Führer lançou mão de uma propaganda sedutora e de violência policial para implantar a mais cruel ditadura que a humanidade já conhecera. A propaganda era dirigida por Joseph Goebbles, doutor em Humanidades e responsável pelo Ministério da Educação do Povo e da Propaganda. Esse órgão era encarregado de manter um rígido controle sobre os meios de comunicação, escolas e universidades e de produzir discursos, hinos, símbolos, saudações e palavras de ordem nazista. Já a violência policial esteve sob o comando de Heinrich Himmler, um racista extremado que se utilizava da SS (tropas de elite), das SA (tropas de choque) e da Gestapo (polícia secreta de Estado) para prender, torturar e eliminar os inimigos do nazismo.

No plano econômico, o governo hitlerista estimulou o crescimento da agricultura, da indústria de base e, sobretudo, da indústria bélica. Com isso, o desemprego diminuiu, o regime ganhou novos adeptos e a Alemanha voltou a se equipar novamente, ignorando os termos do Tratado de Versalhes.

Fascismo

Regime político de caráter totalitário que surge na Europa no entre guerras (1919-1939). Originalmente é empregado para denominar o regime político implantado na Itália por Benito Mussolini entre 1919 e 1943.

Suas principais características são o nacionalismo, que tem a nação como forma suprema de desenvolvimento, e o corporativismo, em que os sindicatos patronais e trabalhistas são os mediadores das relações trabalhistas. O fascismo nasce oficialmente em 1919, em Milão, quando Mussolini funda o movimento intitulado Fascio de Combatimento, cujos integrantes, os camisas pretas (camicie nere), se opõem à classe liberal. Em 1922, as milícias fascistas desfilam na Marcha sobre Roma. Pretendem tomar o poder militarmente e ocupam prédios públicos e estações ferroviárias, exigindo a formação de um novo gabinete.

Mussolini é convocado para chefiar o governo do país, que atravessa profunda crise econômica, agravada por greves e manifestações de trabalhadores. Por meio de fraudes, os fascistas conseguem maioria parlamentar. Em seguida, Mussolini dissolve os partidos de oposição, persegue parlamentares oposicionistas e passa a governar por decretos.

As características do regime são cerceamento da liberdade civil e política, unipartidarismo, derrota dos movimentos de esquerda e limitação ao direito dos empresários de administrar sua força de trabalho. A política adotada, entretanto, é eficiente na modernização da economia industrial e na diminuição do desemprego.

Capitalismo

Capitalismo é o sistema sócio-econômico em que os meios de produção (terras, fábricas, máquinas, edifícios) e o capital (dinheiro) são propriedade privada, ou seja, tem um dono.

Antes do capitalismo, o sistema predominante era o Feudalismo, cuja riqueza vinha da exploração de terras e também do trabalho dos servos. O progresso e as importantes mudanças na sociedade (novas técnicas agrícolas, urbanização, etc) fizeram com que este sistema se rompesse. Estas mesmas mudanças que contribuíram para a decadência do Feudalismo, cooperaram para o surgimento do capitalismo.

Os proprietários dos meios de produção (chamados de burgueses ou capitalistas) são a minoria da população e os não-proprietários (proletários ou trabalhadores – maioria) vivem dos salários pagos em troca de sua força de trabalho.

No Capitalismo toda mercadoria é destinada para a venda e não para o uso pessoal. O trabalhador recebe um salário em troca do seu trabalho. Toda negociação é feita com dinheiro. O capitalista pode admitir ou demitir trabalhadores, já que é dono de tudo (o capital e a propriedade).


Fases do Capitalismo
  1. Capitalismo Comercial ou mercantil: consolidou-se entre os séculos XV e XVIII. É o chamado Mercantilismo. As grandes potências da época (Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e França) exploravam novas terras e comercializavam escravos, metais preciosos etc. com a intenção de enriquecer.
  2. Capitalismo Industrial: Foi a época da Revolução Industrial.
  3. Capitalismo Financeiro: após a segunda guerra, algumas empresas começaram a exportar meios de produção por causa da alta concorrência e do crescimento da indústria.

O capitalismo vem sofrendo modificações desde a Revolução Industrial até hoje. No início do século XX, algumas empresas se uniram para controlar preços e matérias-primas impedindo que outras empresas menores tenham a chance de competir no mercado.

Nessa época várias empresas se fundiram, dando origem as transnacionais (também conhecidas como multinacionais). São elas: Exxon, Texaco, IBM, Microsoft, Nike, etc.

A união de grandes empresas trouxe prejuízo para as pequenas empresas que não conseguem competir no mercado nas mesmas condições. Ou acabam sendo “devoradas” pelos gigantes ou conseguem apenas uma parcela muito pequena no mercado.

Visando sempre o lucro e o progresso, grandes empresas passaram a valorizar seus empregados oferecendo-lhes benefícios no intuito de conseguir extrair deles a vontade de trabalhar.

Consequentemente, essa vontade e dedicação ao trabalho levará o empregado a desempenhar o serviço com mais capricho e alegria, contribuindo para o sucesso da empresa.

Comunismo e Socialismo

As expressões “comunismo” e “socialismo” recebem significados nem sempre muito precisos. Numa explicação bem resumida, daria para dizer que, segundo a teoria marxista, o socialismo é uma etapa para se chegar ao comunismo. Este, por sua vez, seria um sistema de organização da sociedade que substituiria o capitalismo, implicando o desaparecimento das classes sociais e do próprio Estado. “No socialismo, a sociedade controlaria a produção e a distribuição dos bens em sistema de igualdade e cooperação, para tanto todos, ou pelo menos a grande maioria, os indivíduos deveriam pensar e agir praticamente da mesma forma, o que é impossível sem o uso da força. O socialismo culminaria no comunismo, no qual todos os trabalhadores seriam os proprietários de seu trabalho e dos bens de produção, neste caso, devido as diferenças de pensamento entre indivíduos, levaria ao empobrecimento cultural e econômico da sociedade.

Mas essas duas expressões também pode assumir outros significados. Pode-se entender o socialismo, num sentido mais limitado, significando as correntes de pensamento que se opõem ao comunismo por defenderem a democracia na teoria, pois na prática tanto o "comunismo" quanto o "socialismo" sempre foram opressores . Em contraposição, o comunismo serviria de modelo para a construção de regimes autoritários. Os especialistas são quase unânimes em afirmar que nunca houve um país comunista de fato. Alguns estudiosos vão mais longe e questionam até mesmo a existência de nações socialistas. Os países ditos comunistas, como Cuba e China, são assim chamados por se inspirarem nas idéias marxistas.

Contudo, para seus críticos de esquerda, esses países sequer poderiam ser chamados de socialistas, por terem Estados fortes, nos quais uma burocracia ligada a um partido único exerce o poder em nome dos trabalhadores

Nazismo e Neonazismo

Nazismo e Neonazismo

Nazismo e Neonazismo
Regime político de caráter totalitário que se desenvolve na Alemanha durante as sucessivas crises da República de Weimar, entre 1919 e 1933. Baseia-se na doutrina do nacional-socialismo, formulada por Adolf Hitler, que orienta o programa do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP). De caráter nacionalista, defende o racismo, a superioridade da raça ariana e a luta pelo expansionismo alemão e nega as instituições da democracia liberal e a revolução socialista. A essência da ideologia nazista encontra-se no livro de Hitler, Minha Luta (Mein Kampf).

Ao final da I Guerra Mundial, além de perder territórios para França, Polônia, Dinamarca e Bélgica, os alemães são obrigados pelo Tratado de Versalhes a pagar altas indenizações aos países vencedores. Essa penalidade faz crescer a dívida externa e compromete os investimentos internos, gerando falências, inflação e desemprego em massa. As tentativas frustradas de revolução socialista (1919, 1921 e 1923) e as sucessivas quedas de gabinetes de orientação social-democrata criam condições favoráveis ao surgimento e à expansão do nazismo no país. O NSDAP, utilizando-se de espetáculos de massa (comícios e desfiles) e dos meios de comunicação (jornais, revistas, rádio e cinema), consegue mobilizar a população por meio do apelo à ordem e ao revanchismo. Recebe ajuda da grande burguesia, que teme o movimento operário. Favorecidos por uma divisão dos partidos de esquerda, os nazistas são vitoriosos nas eleições de 1932. Em 1933, Hitler é nomeado primeiro-ministro, com o auxílio de nacionalistas, católicos e setores independentes. Um ano depois se torna chefe de governo (chanceler) e chefe de Estado (presidente). Interpreta o papel de führer, o guia do povo alemão, criando o III Reich (III Império).

Com poderes excepcionais, Hitler suprime todos os partidos políticos, exceto o nazista; dissolve os sindicatos; cassa o direito de greve; fecha os jornais de oposição; e estabelece a censura à imprensa. Apoiando-se em organizações paramilitares, SA (guarda do Exército), SS (guarda especial) e Gestapo (polícia política), realiza perseguições aos judeus, aos sindicatos e aos políticos comunistas, socialistas e de outros partidos. O intervencionismo e a planificação econômica adotados por Hitler eliminam, no entanto, o desemprego e impedem a retirada do capital estrangeiro do país. Há um acelerado desenvolvimento industrial, que estimula a indústria bélica e a edificação de obras públicas. Esse crescimento se deve em boa parte ao apoio dos grandes grupos alemães, como Krupp, Siemens e Bayer, a Adolf Hitler. Em desrespeito ao Tratado de Versalhes, Hitler reinstitui o serviço militar obrigatório, em 1935, remilitariza o país e envia tanques e aviões para amparar as forças conservadoras do general Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola, em 1936. Nesse mesmo ano promove o extermínio sistemático dos judeus por meio da deportação para guetos ou campos de concentração. Anexa a Áustria e a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia (1938). Ao invadir a Polônia, em 1939, dá início à II Guerra Mundial.

Terminado o conflito, instala-se na cidade alemã de Nürenberg um tribunal internacional para julgar os crimes de guerra cometidos pelos nazistas. Realizam-se 13 julgamentos entre 1945 e 1947, 25 alemães são condenados à morte, 20 à prisão perpétua, 97 a penas curtas de prisão e 35 são absolvidos. Dos 21 principais líderes nazistas capturados, dez são executados por enforcamento em 16 de outubro de 1946.

Neonazismo – A partir dos anos 80, na Europa, há uma retomada de movimentos autoritários e conservadores denominados neonazistas, principalmente na Alemanha, Áustria, França e Itália. Eles são favorecidos, entre outros motivos, pela imigração, pela recessão, pelo desemprego e pelo ressurgimento de velhos preconceitos étnicos e raciais. Manifestam-se de forma violenta e têm nos estrangeiros o alvo preferencial de ataque. Em determinados países, os movimentos neonazistas valem-se também da via institucional parlamentar, como o partido político Frente Nacional, na França. No Brasil, carecas, skinheads e white power são alguns dos grupos em evidência nos grandes centros urbanos, promovendo ataques verbais, pichações e agressões dirigidas principalmente contra os migrantes nordestinos.

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História do Nazismo da Republica de Weimar ao III Reich

História do Nazismo da Republica de Weimar ao III Reich

Período entre guerras: Nazismo da Republica de Weimar ao III ReichA derrota na Grande Guerra e a queda do Império deixaram a Alemanha a beira de uma guerra civil. O governo social-democrata não poderia impedir a revolução bolchevique sem apelar ao exército. Setores políticos moderados dominaram a República, proclamada em Weimar. Apesar da recuperação econômico-financeira a partir de 1923, o futuro era incerto, diante da miséria, da pressão de militares e da agitação dos nacionalistas — entre os quais se destacava o Partido nacional-socialista de Adolf Hitler.

A crise mundial aguçou as tendências comunistas e as nacionalistas. Monarquistas conservadores e empresários se articularam. Pensavam usar Hitler em proveito próprio. Isto facilitou sua ascensão ao cargo de chanceler em 1933. Em seguida, Hitler impôs a ditadura. O regime ganhou logo apoio dos anti comunistas , antidemocráticos e antiliberais.

O Nazismo ou nacional-liberalismo introduzia nova concepção do mundo: racista e anti-semita, concebia os alemães como raça superior, que se expressaria num Estado Totalitário, guiado por um chefe infalível. O regime se apoiava num partido único, usava grupos de assalto compostos por fanáticos e uma política implacável. O país se nazificou. O regime eliminou todos os inimigos, políticos, ideológicos ou raciais. Praticando uma autarquia econômica, teoricamente anticapitalista, os nazistas conseguiram, em vigoroso esforço, recuperar o país e consolidar o novo sistema político.

A Alemanha de 1918

Desde a unificação em 1871, aristocratas prussianos passaram a constituir as classes dirigentes alemãs. Grandes proprietários conservadores, protestantes, tinham se beneficiado com a alta de preços dos cereais no fim do século XIX. Eram os junkens .A eles se somavam os grandes empresários, favorecidos especialmente pela política de conquista de novos mercados mundiais, desenvolvida Por Guilherme II. A elite militar, adepta do novo pangermanismo, dependia de uma sólida base industrial. A economia de guerra havia estabelecido laços entre Estado e grande industria.

Apesar das mortes e perdas territoriais da guerra, a população ainda era grande: 58 milhões de habitantes, 70% nas cidades. A massa trabalhadora urbana e camponesa representada mais da metade da população ativa. O socialismo ganhou rapidamente o proletariado urbano, integrado nos sindicatos ligados ao Partido Social-Democrata. Em 1917, socialistas radicais se desligam do conjunto, liderados por Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo. As ideias bolcheviques passaram a ecoar fortemente no seio do proletariado, sensível a teses revolucionárias.

O Levante Bolchevista

Proclamada a República em 9 de Novembro de 1918, um comitê provisório de comissários do povo, do Partido Social Democrata, tomou o poder sob a presidência de Friedich Ebert. Seus esforços se voltavam para a manutenção da unidade do País e o desenvolvimento de uma legislação social avançada. Sob o impacto da Revolução Russa, multiplicavam-se Por toda a parte os conselhos de trabalhadores, soldados e marinheiros.

Tendências separatistas pipocavam pelo país. Os sociais-democratas no poder, moderados, haviam concedido o direito de voto e a jornada de trabalho de 8 horas, e prometiam a socialização das empresas, mas não estavam dispostos a aplicar um programa socialista. Queriam uma república constitucional e liberal. O apoio militar tornou-se indispensável para preservar a ordem. A reaproximação com o exército reavivou o mito de invencibilidade e da traição dos revolucionários; governo e exército estavam decididos a destruir os bolchevistas. Em dezembro de 1918, Liebknecht e Rosa Luxemburgo lideraram um levante de socialistas bolchevistas, os espartaquistas. Eles tomaram Berlim, com a ajuda de soldados e marinheiros amotinados. Com apoio de Hindemburgo, que liberou tropas vindas de frente de batalha. Ebert dominou a insurreição. Liebknecht e Rosa foram assassinados. Os militares então eliminaram focos bolchevistas em outras cidades.

A Constituição de Weimar

A crise social apressou a convocação de uma Assembleia constituinte em janeiro de 1.919, eleita por voto universal. . A extrema esquerda perdeu posição, mas os sociais-democratas não conseguiram a maioria. Eleito presidente, Ebert teve de fazer uma composição partidária para governar. A Constituição criou uma República Federalista. liberal, democrática, parlamentarista com dezessete estados. Por voto direto, os eleitores escolheriam um presidente a cada sete anos. Ele indicaria um chanceler para exercer o governo: aplicar as leis, submetê-las a aprovação popular, dissolver o Parlamento e adotar medidas excepcionais em caso de crise.

O Reichstag, (assembleia), seria composto Por deputados eleitos Por voto universal; O Reichsrat (assembleia do Reino), Por representantes dos Estados.

As principais tendências políticas eram:
• - Partido Nacional, dos grande proprietários.
• - Partido Democrata e Partido Populista, da grande burguesia capitalista.
• - Partido do Centro Católico, dos pequenos proprietários do Sul e do oeste.
• - Partido Social-Democrata, dos operários marxistas e sindicalizados.

Dificuldades e crises

As dificuldades econômicas ampliaram as tensões políticas. Na guerra, sem poder aumentar os impostos sobre os ganhos de capital. O governo equilibrou as finanças emitindo dinheiro. O marco se desvalorizou: um dólar comprava 4 marcos em 1914; 84 em 1920; 186 no início 1922; em julho, 401; em janeiro de 1923, o dólar já comprava 7.260 marcos. A indústria se beneficiou, pois as mercadorias ficaram mais baratas e competiam facilmente no mercado internacional. Para se protegerem, os grandes capitalistas se uniram em Cartéis. acomodaram-se á situação, lucrando muito e fazendo altos investimentos em equipamentos, máquinas e novas fábricas. Em 1923, a situação se complicou. Os franceses ocuparam o Ruhr, região industrial, para garantir o pagamento de indenizações estipuladas no Tratado de Versalhes. As emissões cresceram desordenadamente. O dólar passou a valer 260.000 marcos em julho; 13 milhões em setembro; 4 bilhões e 200 milhões em novembro. A confusão instalou-se. O salário variava no curso do dia. Um carrinho de mão cheio de marcos comprava um maço de cigarros. Nas cervejarias, o freguês pedia vários copos de uma vez, pois na próxima rodada, o preço poderia ter aumentado. Os camponeses recusavam-se a aceitar o papel-moeda, fazendo ressurgir o sistema de troca.

Eclodiram greves e insurreições. Um grupo do recentemente lançado Partido Nacional-Socialista, liderado Por Hitler e apoiado pelo General Ludendorff, tentou um golpe fracassado em Munique. Pretendiam fazer a revolução, acusando os capitalistas e os judeus de conspirar contra a República.

Uma fase estável
Entre 1924 e 1929, a República de Weimar passou por uma fase estável, graças a alguns fatores:

• no plano político, a habilidade do ministro das Relações Exteriores, Stresemann, que diminuiu as dividas de guerra ; a admissão dos alemães na Sociedade das Nações; a evacuação antecipada da Renânia (1930); a entrada de créditos americanos.
• no plano econômico, a habilidade de Schacht, criador do rentenmark, a nova moeda : 1 rentenmark =4,2 dólares = 4,2 bilhões de marcos-papel. Recursos ingleses e americanos, com a garantia do patrimônio da industria alemã, sustentaram a nova moeda.

A industria se recuperou; os fracos faliram e deu-se um processo de concentração , com avanço tecnológico que abriu as portas do mercado internacional às empresas alemãs. Uma só empresa empregava 160.000 operários e detinha 25% da produção de carvão e 40% da de aço. Um só conglomerado detinha 80% da produção química Ao substituir Ebert, morto em 1925, o monarquista Hindemburg trouxe o apoio da aristocracia e do exército para a República. Ele pretendia uma restauração imperial. Eleito com 15 milhões de votos contra 14 milhões do adversário, imprimiu sentido conservador ao governo. As radicalizações perderam força. basta dizer que o partido de Hitler, que conseguira 2 milhões de votos em 1924 não chegou a 1 milhão em 1928.

1929: Agitação política

A crise de 1929 pegou a Alemanha em cheio. Sem créditos americanos, não podia continuar pagando indenizações de guerra. Superindustrializada, não encontrava mercado para seus produtos e nem podia pagar mais as matérias primas. As grandes corporações continuaram firmes. Sofriam os pequenos e médios, que empregavam metade dos trabalhadores. O resultado foi o desemprego em massa: 1 milhão de pessoas em 1929; 3 milhões em 1930; mais de 6 milhões em 1931. A classe média ficou arruinada. Os agricultores deviam mais que o valor de suas terras e se organizavam para impedir a tomada delas pelos credores. A crise deu força aos anti-semitas, que identificavam os judeus com o dinheiro, a usura e o capitalismo internacional. Foi um golpe fatal nos sentimentos republicanos, liberais e democráticos. Os comunistas ganhavam cada vez mais votos e se dispunham a formar uma frente vermelha contra os fascistas. A extrema direita nacionalista estava dividida, mas subia o prestígio do Partido Nacional-Socialista.

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Antissemitismo | Sentimento de Hostilidade Contra os Judeus

Antissemitismo | Sentimento de Hostilidade Contra os Judeus

ANTISSEMITISMO, SENTIMENTO DE HOSTILIDADE CONTRA OS JUDEUSEntendido como hostilidade ou discriminação velada ou ostensiva contra os judeus enquanto grupo religioso ou étnico, o antissemitismo tem raízes na antiguidade, quando esse povo foi forçado a abandonar a Palestina, dispersando-se pelo Oriente e Ocidente, onde se agrupava em pequenas comunidades fechadas que procuravam preservar sua cultura, sem se integrarem com os outros habitantes. Inicialmente a justificativa para a discriminação apoiava-se em motivos religiosos, já que os primeiros cristãos os acusavam da crucificação de Jesus Cristo. A isso somou-se um fator econômico, pois o empréstimo de dinheiro a juros era condenado pela igreja e tornara-se quase um monopólio judeu na Europa. A prosperidade financeira de algumas dessas comunidades também despertava inveja, gerando lendas acerca de pactos com o demônio.

Por muitas vezes, ao longo da história, verificaram-se tentativas de excluir o povo judeu do convívio com outros povos, e a tendência alcançou seu momento de violência máxima no século XX, com a ascensão do nazismo.
Na Idade Média, os judeus foram segregados em guetos e obrigados a usar um distintivo que os identificava, amarelo e com a estrela-de-davi no centro. Periodicamente ocorreram expulsões em massa, perseguições e massacres. A Inquisição, particularmente, desempenhou papel ativo nesse processo, nos países em que se instalou. Em busca de melhores condições de sobrevivência, grandes contingentes de judeus deslocaram-se para a Europa oriental.

No século XIX recrudesceu o movimento contra os judeus, com legislações que confiscavam suas propriedades, seguidas pelos programas na Europa oriental, violentos massacres em que centenas de judeus eram dizimados. A participação de muitos judeus na revolução russa de 1917 forneceu novo argumento aos conservadores antissemitas, o do "bolchevismo judeu".

A ascensão do nazismo na Alemanha, a partir de 1930, levou as perseguições ao auge. A teoria da superioridade racial ariana, com base em supostas pesquisas "científicas", foi amplamente explorada pela propaganda hitlerista e conseguiu envolver tanto as massas quanto as elites. Criaram-se os campos de extermínio, onde se estima que cerca de seis milhões de judeus foram metodicamente eliminados.

A derrota do nazismo em 1945 acarretou o esvaziamento do antissemitismo. A criação do Estado de Israel na Palestina, em 1948, gerou graves problemas de convivência com os árabes instalados na região. Como os árabes são também semitas, sua hostilidade a Israel baseia-se em fatores político-econômicos e religiosos.

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Escola De Frankfurt de Filosofia


Escola De Frankfurt de Filosofia

Escola De Frankfurt de Filosofia
Grupo de filósofos e pesquisadores alemães que, na década de 20, se dedica a reflexões e críticas sobre a razão, a ciência e o avanço do capitalismo. Consideram a racionalidade tecnológica do mundo moderno uma nova forma de dominação cultural. O grupo desenvolve várias teorias e conceitos, como a Teoria da Manipulação, elaborada para explicitar os mecanismos de dominação na Alemanha. Influenciado pelas ideias de Karl Marx e Max Weber (1864-1920), contrapõe-se ao iluminismo e ao funcionalismo de Émile Durkheim (1858-1917), que concebe a sociedade como um organismo com funções específicas, desconsiderando o processo histórico. Expressão da crise teórica e política do século XX, a Escola de Frankfurt está inserida na conjuntura política dos anos 30, quando surgem a República de Weimar, o nazismo e o stalinismo.

Com a ascensão do nazismo na Alemanha, a Escola de Frankfurt muda-se para Genebra, depois para Paris e, finalmente, para Nova York. Após a vitória dos aliados na II Guerra Mundial, os principais filósofos retornam à Alemanha. Entre os pensadores vinculados ao grupo de Frankfurt destacam-se Walter Benjamin (1892-1940), Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973). Junta-se a eles, mais tarde, Jürgen Habermas (1929-), responsável pela difusão da Teoria Crítica (conjunto de textos dos principais filósofos frankfurtianos). A ideia de deixar a ciência mais acessível à sociedade e, assim, favorecer a reflexão coletiva marca o trabalho desses filósofos. Suas ideias influenciam os movimentos estudantis alemão e norte-americano no final dos anos 60.

Walter Benjamin discute a arte e a cultura do século XX. Em A Obra de Arte na Época de Sua Reprodutibilidade Técnica reflete sobre a perda da aura, aquilo que faz do objeto de arte algo único e irreproduzível. Horkheimer volta-se para a investigação das características da sociedade capitalista e para as questões como a legitimidade do Estado e a luta de classes. Entre seus escritos estão Um Novo Conceito de Ideologia e Teoria Tradicional e Teoria Crítica.

Theodor Adorno, autor de Ideias para a Sociologia da Música, dissemina o conceito de indústria cultural, que diz respeito aos bens (produtos) culturais difundidos pelos meios de comunicação de massa, que impõem formas de comportamento e consumo. Segundo Adorno, a indústria cultural caracteriza-se pela exploração comercial e pela vulgarização da cultura, produzindo entretenimento e não reflexão. Uma de suas principais obras é Dialética do Esclarecimento, em co-autoria com Horkheimer.
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Suíça | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Suíça

Suíça | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Suíça



A Suíça é uma pequeno Nação Confederada (Estado confederado) localizado no centro da Europa. Possui uma área de 41 300 km², dos quais 1 289 são cobertos por lagos.

A Suíça faz fronteira a Norte com a Alemanha, a Leste com a Áustria e o Liechtenstein, a Sul com a Itália e a Oeste com a França. A Suíça conta com 7 427 000 habitantes resultando numa densidade populacional de 176 habitantes por quilômetro quadrado. A capital administrativa é Berna. Outras cidades importantes são Zurique, Genebra, Lausane e Basileia.

A Suíça é uma das economias mais ricas do mundo e é sede de inúmeros bancos privados e de organizações internacionais. A sua história é marcada pela sua neutralidade política perante as outras nações e representa um marco de liberdade e de democracia para o mundo inteiro.

Geografia – Área: 41.285 km². Hora local: +4h. Clima: temperado continental. Capital: Berna. Cidades: Zurique (350.900), Genebra (180.000), Basileia (168.900), Berna (125.500), Lausanne (120.600) (2018).

População – 7,2 milhões (2018); nacionalidade: suíça; composição: alemães 65%, franceses 18%, italianos 10%, grisões 1%, espanhóis 2%, portugueses 1,5%, outros 2,5%. Idiomas: alemão, francês, italiano (oficiais), romanche (reto-romano). Religião: cristianismo 88,4% (católicos 44,1%, protestantes 41,2%, outros 5,6% - dupla filiação 2,5%), sem religião 7,1%, outras 3,4%, ateísmo 1,1%. Moeda: franco suíço.

SUÍÇA - ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIAIS DA SUÍÇA
Bandeira da Suiça

Relações Exteriores – Organizações: Banco Mundial, FMI, OCDE, OMC, ONU. Embaixada: Tel. (61) 443-5500, fax (61) 443-5711 – Brasília (DF); e-mail: vertretung@bra.rep.admin.ch, site na internet: www.dfae.admin.ch/brasilia.

Governo – República confederativa. Div. administrativa: 20 cantões e 6 subcantões. Presidente da confederação: Samuel Schmid (SVP) (desde 2005). Partidos: do Povo da Suíça (SVP), Social-Democrático (SPS), Radical Democrático (FDP), Cristão Democrático do Povo (CVP). Legislativo: bicameral – Conselho dos Estados, com 46 membros; Conselho Nacional, com 200 membros. Constituição: 1874.

 Zurique
 Zurique

Berna
 Berna

 Genebra
 Genebra

Basiléia
Basileia

Lausanne
Lausanne

As montanhas ocupam 70% do território da Suíça, país na região central da Europa. O maciço da Jura, ao norte, e a cordilheira dos Alpes, no centro e no sul, atraem grande número de turistas às estações de esqui. Entre as duas cadeias ficam as cidades mais populosas e o parque industrial, forte em ramos como relojoaria, química e alimentos. O país é um dos principais centros bancários do mundo. O Poder Executivo é exercido pelo Conselho Federal, integrado por sete parlamentares. Anualmente, o Parlamento elege um deles como presidente da confederação.

História da Suíça

A ocupação humana significativa na região data de, pelo menos, 30 mil anos. Os helvéticos, de origem celta, instalam-se no território nos últimos séculos antes de Cristo. Os romanos conquistam a região em 58 a.C. e permanecem até a invasão de alamanos, burgúndios e francos, no século V. No século IX, o país fica dividido entre a Suábia e a Borgonha Transjurana. Em 1033 recupera sua unidade no Sacro Império Romano-Germânico. Em fins do século XIII, três cantões (regiões) mantêm-se autônomos, formam a Liga Perpétua, de defesa comum, e criam o embrião do Estado suíço. Em 1315, a Liga derrota os austríacos. Entre 1386 e 1388, acrescida de outros cinco cantões, vence novo ataque austríaco e constitui uma federação de regiões soberanas. Em 1499, o Sacro Império Romano-Germânico aceita sua independência.

Reforma Protestante – Em 1519, Ulrich Zwinglio, vigário da Catedral de Zurique, revolta-se contra a Igreja Católica e inicia a Reforma Protestante no país. Em 1536, João Calvino introduz o protestantismo e, posteriormente, torna-se chefe de um Estado teocrático. Com o fim da Guerra dos Trinta Anos, em 1648, é reconhecida a independência da Suíça. Entre 1798 e 1803, Napoleão Bonaparte tenta subordiná-la à França, mas, em 1815, o Congresso de Viena aceita sua neutralidade – respeitada, no século XX, nas duas guerras mundiais. No fim da década de 1970, crescem as críticas ao sistema bancário sigiloso, que faz da Suíça um paraíso financeiro e centro internacional de lavagem de dinheiro ilegal. Em 1982, um plebiscito rejeita o fim do sigilo bancário.

Indenização às vítimas do nazismo – Em 1995, a Suíça é acusada de ter comprado dos nazistas, na II Guerra Mundial, ouro pilhado nos países ocupados. Além disso, grandes bancos privados são acusados de ter se apropriado de depósitos de judeus mortos em campos de extermínio nazistas. A revelação dá origem a investigações e, em 1998, os bancos concordam em pagar 1,25 bilhão de dólares aos herdeiros das vítimas do nazismo que tinham depósitos nessas instituições.

Em 2002, o ingresso da Suíça na Organização das Nações Unidas (ONU) é aprovado em referendo por 54% dos votos. Nas eleições de outubro de 2003, o Partido do Povo da Suíça (SVP), de direita, conquista 55 das 200 cadeiras do Conselho Nacional, contra 52 do Partido Social-Democrático (SPS). O resultado quebra o tradicional equilíbrio do governo, que reservava ao SVP apenas uma das sete cadeiras do Conselho Federal. Pela primeira vez em 44 anos, o partido fica com dois lugares. Joseph Deiss, agora único representante do Partido Cristão Democrático do Povo (CVP), é eleito presidente e toma posse em janeiro de 2004. Em setembro, proposta governamental que facilitava a naturalização de imigrantes é rejeitada em referendo por 56,8% dos votantes. Dois meses depois, 66,4% dos eleitores aprovam o uso de células-tronco de embriões humanos na pesquisa científica. Em dezembro, Samuel Schmid (SVP) é eleito presidente para 2005 e assume em 1 de janeiro.

Diminui a neutralidade

A Suíça ingressa na Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro de 2002. Até então, só mantinha o status de observador na organização, por temer comprometer sua tradição de quase 200 anos de neutralidade. A adesão, aprovada em referendo popular, só ocorre depois de a ONU aceitar uma salvaguarda segundo a qual o país não é obrigado a participar de intervenções militares em outras nações nem enviar tropas para missões de paz. A neutralidade fez do Estado suíço um membro ativo de vários órgãos de cooperação internacional. A cidade de Genebra abriga a sede da Cruz Vermelha e a da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Alberto GiacomettiAlberto Giacometti

Alberto Giacometti nasceu em Borgonovo, Suíça, em 10 de outubro de 1901, filho de um pintor pós-impressionista, Giovanni Giacometti, que estimulou sua inclinação para as artes e o matriculou na Escola de Artes e Ofícios de Genebra. Em 1922 mudou-se para Paris. Estudou cerca de cinco anos com Émile-Antoine Bourdelle mas, como prova a escultura "Torso", de 1925, sempre esteve mais próximo dos cubistas e dos pós-cubistas. A "Mulher-colher", do ano seguinte, mostra as influências da arte primitiva da África negra e da Oceania em sua obra.

Comparável ao trabalho dos existencialistas em literatura, a obra plástica de Giacometti percorreu a escultura, a pintura e mesmo a cenografia. Suas figuras estilizadas semelhavam estar "a meio caminho entre o nada e o ser".

Toda semelhança com objetos reais desapareceu da obra de Giacometti entre 1925 e 1929. Ele finalmente uniu-se aos surrealistas e idealizou as esculturas-objetos, entre as quais "Objeto desagradável", de 1932. Perturbado pela ideia segundo a qual o distanciamento da realidade tornava sua arte meramente decorativa, rompeu com o surrealismo e adotou, a partir de 1935, um estilo em que a figura humana, alongada e afilada, se reduz a formas essenciais.

A exemplo do que ocorrera na fase surrealista, quando escreveu versos, o escultor decidiu exercitar outro meio de expressão e, a partir de 1947, passou a dedicar-se também à pintura. Suas esculturas adquiriram maiores dimensões nessa época, ao longo da qual produziu trabalhos como "O homem pontual", "Mulher em pé", "Três homens andando" e "Quatro mulheres numa base". Conhecido pela simplicidade e integridade pessoal, Giacometti tornou-se em vida uma figura tão lendária quanto seus personagens sofridos, magros e solitários. Morreu em Chur, França, em 11 de janeiro de 1966.

Albrecht von Haller

Albrecht von Haller

Albrecht von Haller nasceu em 16 de outubro de 1708 em Berna, Suíça. Estudou medicina em Tübingen (Alemanha) e Leyden (Países Baixos). Doutorou-se em 1727 e no ano seguinte fixou-se em Basileia, na Suíça, onde iniciou estudos sobre a flora do país. A partir de 1736 foi professor de medicina, anatomia, cirurgia e botânica da Universidade de Göttingen, até retornar à cidade natal, em 1753.

Além de dar importante contribuição à anatomia, à botânica e à embriologia, Haller, considerado o criador da fisiologia experimental, deixou também extensa e valiosa obra poética.

Quando lecionava em Göttingen, fundou na cidade o horto florestal, o centro anatômico e o instituto fisiológico. Distinguiu-se nos vários ramos das ciências e das artes, particularmente na medicina, na botânica e na poesia. Fundou o método experimental em fisiologia e formulou a doutrina da irritabilidade, típica do sistema muscular. Outras contribuições à medicina foram o reconhecimento do mecanismo da respiração, do automatismo cardíaco e da importância da bile na digestão das gorduras. Haller descreveu o desenvolvimento embrionário e estudou a anatomia dos órgãos genitais, do cérebro e do sistema cardiovascular.

Como poeta, Haller é conhecido por "Die Alpen" (1732; "Os Alpes"), poema em versos alexandrinos escrito após uma viagem à região alpina da Suíça. Impressionado pelo contraste da paisagem com o aspecto decadente dos centros urbanos, criou o poema no qual os Alpes são ao mesmo tempo cenário e personagem principal. Igualmente importantes são as obras Tagebücher seiner Reisen nach Deutschland, Holland und England (1783; Diários de viagens pela Alemanha, Holanda e Inglaterra) e Tagebüch seiner Beobachtungen über Schriftsteller und über sich selbst (1787; Diário de observações sobre escritores e sobre si mesmo). Haller morreu em 12 de dezembro de 1777, em Berna.

Alfonsina StorniAlfonsina Storni

Alfonsina Storni nasceu em Sala Capriasca, Suíça, em 29 de maio de 1892 e muito cedo mudou-se com a família para a Argentina. Obrigada a trabalhar, incorporou-se a grupos teatrais e passou a lecionar na zona rural argentina. Em 1913 foi para Buenos Aires, onde continuou a lecionar e trabalhar com grupos de teatro jovem. Seu primeiro livro, La inquietud del rosal (1916), incluiu-a no circuito literário de Buenos Aires, mas foi apenas com El dulce daño (1918) que se tornou conhecida do grande público. Seguem o mesmo estilo Irremediablemente (1919) e Languidez (1920).

O estilo espontâneo e emotivo de seus primeiros livros fez da argentina Alfonsina Storni uma das escritoras mais populares da América Latina.

Enérgica e independente, opôs-se aos preconceitos sociais, mas seu tema principal foi a frustração amorosa. Odiava os homens, mas tinha extrema necessidade de amor e soube muito bem expressar esses sentimentos ambivalentes numa poesia ao mesmo tempo simples, profundamente sensual e delicadamente erótica. Ocre (1925), El mundo de siete pozos (1934), Mascarilla y trébol (1938; Máscara e trevo) foram obras que marcaram o início de uma poética mais intelectual e menos subjetiva, que adotou a forma de um simbolismo hermético e atormentado, na qual a autora abandonou muito da sensibilidade extremada e da paixão presentes dos trabalhos anteriores. Ao saber que tinha câncer, Alfonsina suicidou-se em Mar del Plata, Argentina, em 25 de outubro de 1938.

Alfred WernerAlfred Werner

Alfred Werner nasceu na cidade alsaciana de Mulhouse, em 12 de dezembro de 1866. Doutorou-se em física na Universidade de Zurique em 1890 com uma pesquisa em parceria com Arthur Rudolf Hantzsch sobre compostos orgânicos nitrogenados, que constituiu importante contribuição para o estudo das relações espaciais entre os átomos que constituem uma molécula. Depois de uma estada em Paris, onde colaborou com Marcellin Berthelot, regressou a Zurique e dedicou-se à docência.

No final do século XIX, o suíço Alfred Werner formulou uma hipótese sobre a estrutura dos compostos que, levemente modificada nas décadas seguintes, foi fundamental para o progresso da química inorgânica moderna e para a compreensão do fenômeno das ligações químicas.

Sua teoria da coordenação, sobre a estrutura dos compostos inorgânicos, permitiu uma classificação simples e ampliou o conceito de isomeria (fenômeno pelo qual substâncias de idêntica composição química apresentam diferentes propriedades físicas). Premiado em 1913 com o Nobel de química, Werner morreu em Zurique, Suíça, em 15 de novembro de 1919.

Jean-Louis-Rodolphe AgassizJean-Louis-Rodolphe Agassiz

Jean-Louis-Rodolphe Agassiz nasceu em Môtier, Suíça, em 28 de maio de  1807. Frequentou as universidades de Zurique, Heidelberg e Munique, doutorando-se em filosofia em Erlangen (1829) e em medicina em Munique (1830). Seu permanente interesse pela ictiologia (ramo da zoologia que trata dos peixes) surgiu quando, ainda estudante, foi indicado por Martius para completar a classificação dos peixes que recolhera em sua viagem com Spix ao Brasil (1817-1820).

A intensa atividade científica de Louis Agassiz, um dos sistematizadores do estudo da história natural nos EUA, desenvolveu-se na zoologia, paleontologia e geologia.

Em 1831, em Paris, conheceu Humboldt e Cuvier, naturalistas que influenciariam sua carreira. De volta a seu país no ano seguinte, foi nomeado professor de história natural em Neuchâtel, onde pesquisou peixes e moluscos fósseis. Posteriormente dedicou-se ao estudo sobre o movimento, a estrutura e a história das geleiras, publicando Études sur les glaciers (1840; Estudos sobre as geleiras). Em 1846, seguiu para os Estados Unidos a fim de pronunciar conferências e, em 1848, aceitou o convite para a cadeira de zoologia da Universidade de Harvard, onde permaneceu. Ali fundou um museu de pesquisa em zoologia, que se tornaria o Museu de  Zoologia Comparada.


Viajou ao Brasil (1865-1866) como chefe de uma expedição para estudar a fauna ictiológica da bacia amazônica, de que resultou A Journey in Brazil (l868; Viagem ao Brasil), valioso relato sobre a vida e os costumes brasileiros da época.

Extraordinário professor, Agassiz costumava dizer que "a natureza é um livro aberto". Morreu em Cambridge, Massachusetts, em 12 de dezembro de 1873.

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A Grande Arte | José Rubem Fonseca

A Grande Arte | José Rubem Fonseca

A Grande Arte | José Rubem FonsecaParte I O narrador - protagonista Mandrake e seu sócio judeu Wexler mantêm um escritório de advocacia. Às vezes perdem suas causas, outras ganham (exemplo: o caso da cafetina Miriam). Recebem a visita da prostituta Gisela, ameaçada de morte por Roberto Mitry (tentara chantageá-lo com uma fita de vídeo). Não aceitam o caso por se tratar de chantagem. R. Mitry tenta contratá-los em seguida, para recuperar a fita; paga qualquer preço. No dia seguinte, Gisela aparece morta. Dois dias depois, sua amiga massagista Danusa - ambas estranguladas e com letra P desenhada a faca na bochecha. Alfredo (marido de Danusa) conta a Mandrake sobre a relação das moças com Cila (ou Laura Lins, dona da butique Messina e de um bom apartamento), aventureira que chegara do NE para "subir na vida". 

Na casa de Laura Lins, alertado pela empregada do "sumiço da patroa", o detetive chama o delegado e amigo de faculdade, Raul. Arrombam a porta e acham Laura morta. Ao sair, Mandrake leva uma carta recém-chegada, através da qual descobre que ela tem um amante e uma amante: Rosa Leitão, casada com o vice-presidente do Banco Aquiles, mas não consegue localizá-la. Raul procura-a inutilmente na boate Lesbos, do anão preto José Zakkai, o "Nariz de Ferro", inescrupuloso, vaidoso e falador (cita constantemente pensamentos próprios, que atribui a escritores ou pessoas de renome). Mandrake e Wexler conversam sobre o passado de Mandrake e a situação do escritório (ausências contínuas do primeiro), quando chega Bebel, filha de Rosa Leitão, propondo-se a levar Mandrake até a mãe, que se escondera num sítio em Itaipava. Apesar de Wexler ser contra a idéia de Bebel para o tal sítio acabam indo. Passam a noite juntos e encontram Rosa no dia seguinte. Ela conta a história de Cila e o estabelecimento da relação entre ambas. Mostra ressentimento contra a amante morta e diz que não imagina quem a matou. Talvez o amante "coronel". Rosa conversa com a filha Bebel. No jardim, Mandrake pensa em Ada, que quer casar-se com ele e ter filhos, e na gata Elizabeth, a "dona" do seu apartamento (o mundo precisa mais de gatos que de gente). Ele ama Ada, mas não consegue ser-lhe fiel. 

No Rio, sai com Ada para jantar. Na volta, são surpreendidos no apartamento por dois homens à procura da fita de vídeo. Um deles esfaqueia Mandrake no abdômen e sevicia (violenta) Ada com o cabo da faca. Os dois vão parar no hospital. Mandrake quer vingança. Pede a Hermes (ex-sargento do exército, que livrara da prisão) especialista no manejo de armas brancas, que lhe ensine a arte do Percor ("perfurar" e "cortar"). Ficam quites. Lê e treina muito. Deixa a barba crescer. Ada volta para a casa dos pais, em Pouso Alto. Uma semana depois, o namorado vai atrás dela. Volta sozinho, chamado por Raul. Identifica Camilo Fuentes (boliviano bruto, forte, que odeia brasileiros e é matador profissional) como o homem que os feriu (usava um cordão de ouro com um unicórnio, presente de Berta). Sem provas concretas, Camilo é libertado e viaja para a Bolívia. É seguido pela polícia federal, que pretende flagrá-lo traficando cocaína. Mandrake resolve segui-lo disfarçado. No trem Mandrake encontra Camilo no restaurante com duas prostitutas, Zélia e Mercedes. Aproxima-se da Mercedes, a mais velha, quando os outros dois se retiram para a cabine. Apresenta-se como comprador de gado. Mercedes finge que acredita. Começa a informá-lo sobre o boliviano e acabam ficando juntos. Camilo Fuentes odeia os brasileiros, pois seu tio Miguel lhe contara que um deles havia assassinado seu pai. Desconfia de Mandrake e de Mercedes (bebe, mas nunca se embriaga). Odeia Rafael (o outro matador de aluguel, que o chama de China), mas vai encontrá-lo para tratarem de "negócios" em Quijarro e depois em Puerto Suárez. Encontram-se todos no "Dancing Days". Sentindo-se seguidos, adiam os negócios: Mateus manda Fuentes matar Mandrake e volta com Rafael para o Rio. Mandrake, após segui-los até o aeroporto, vai ao restaurante de Alberto e fica conhecendo sua história. De volta ao quarto, encontra Mercedes com o pescoço quebrado: ela fora descoberta por Fuentes, lutaram e ela o cegara, sendo morta. Chama a polícia e depois acompanha o enterro. 

No cemitério, fica sabendo que Mercedes era agente federal e que ele, com sua bisbilhotice, estragara o plano da captura de Fuentes. De volta a São Paulo, antes de entrar no apartamento, na Av. São João, Camilo Fuentes procura o jornaleiro Benito, que o avisa que ele está sendo vigiado. Decide ir ao Rio e combinam um encontro no cine Marabá, daí a quinze dias. No Rio procura um oftalmologista, que lhe recomenda um transplante de córnea, pois não enxerga mais com o olho ferido. Conhece Míriam em um supermercado e gosta dela. Apesar de brasileira e ex-cafetina. Volta a São Paulo, mas encontra Benito morto no apartamento. Vai ao cine Marabá, onde percebe uma armadilha para pegá-lo. Mata dois homens, mas antes fica sabendo que foram contratados por Mateus ("queima de arquivo"), a mando do Chefe. Mandrake é procurado por José Zakkai ("Nariz de Ferro"), o anão negro, que lhe conta sua história: "Já cuspiram e cagaram em mim. Ou eu morria ou virava essa maravilha que sou" (pg. 151). Por dever favores a Raul, o anão procura Mandrake e o avisa sobre a lista de "queima de arquivo" da Organização (tóxicos, diversões eletrônicas, mulheres, rede de fast-food e de pornografia). Fazem o jogo do "sim" e do "não", mas Mandrake deixa a última pergunta para outra oportunidade e não aceita a aliança proposta. Zakkai vai em busca de Camilo Fuentes e os dois se unem para enfrentar o Escritório Central (Org. Aquiles). Começa a "briga" entre Ada e Bebel por Mandrake. 

Parte II Inicia-se com um "flash-back" para explicar a origem da família Lima Prado e da Organização Aquiles. 1845: José Joaquim de Barros Lima nasce no Rio, filho de imigrantes portugueses. O pai é carvoeiro, mas o filho vira bacharel em Coimbra. Aos 42 anos casa-se com Vicentina Cintra, filha do senador Abelardo Cintra. Sua banca de advogado prospera com a abolição e a república. Trava amizade com políticos e escritores ilustres, mas tem uma frustração literária: não consegue ser reconhecido como grande poeta. Também se frustou como político: morre na véspera de tomar posse como ministro do S.T.F.(Supremo Tribunal Federal). Sua maior frustração provém das duas filhas, que não o amam: Maria do Socorro leva vida dupla: à noite veste-se de homem, chama-se Mário e freqüenta prostitutas em bordéis. Acaba assassinada por uma delas. A outra filha, Laurinda, casa-se grávida aos 16 anos com José Prescilio Prado, de dezessete anos e sobrenome próspero. Após a morte do pai sustenta a mãe no Rio. Laurinda vive em São Paulo e tem três filhos - Fernando, Maria Augusta e Maria Clara. Torna-se patronesse das artes, recebe escritores, artistas e amantes, patrocina revistas literárias. O marido perde fortunas no pôquer e no vício (drogas), suicidando-se no aniversário de casamento (31 anos de casados). Laurinda vende sua mansão na Av. Paulista e muda para o Rio, com os três filhos: Maria Augusta casa-se com um "nobre" francês, Bernard Mitry, que a abandona e ao filho Roberto; Maria Clara era doente mental, uivava feito lobo e vivia presa no porão; Fernando, casado com Luísa Montillo, vive de um emprego modesto na prefeitura do Rio. 

Seu filho, Thales Lima Prado, guarda cioso um livro de 500 páginas sobre a vida da família Prado (Retrato de família, de Basílio Peralta, 1949) e sonha tornar-se escritor famoso. Enquanto isso, torna-se banqueiro famoso e presidente da Organização Aquiles. Desde os 19 anos, a avó Laurinda, que o adora, dissera-lhe não ser ele filho de Fernando, mas de Bernard Mitry. Segundo ela, só Thales teria escapado do destino trágico da família Prado. Como presidente da poderosa organização, corrompe políticos, "lava" dinheiro proveniente do tráfico de drogas e outros serviços escusos. Mantém hábitos estranhos e defende as idéias de Hitler e do nazismo. Ordena a Mateus a "queima de arquivos": o primo Roberto Mitry (fita de vídeo), Mandrake, Fuentes e o anão Zakkai, que ameaça seu poder. Rafael inicia o "trabalho" com R. Mitry, Titi e Tatá, duas ninfetas com quem este dormia depois de uma festa pesada" em seu apartamento. O crime triplo repercute na imprensa muito mais que as matanças nas favelas. No clube, Lima Prado conversa com um senador sobre "negócios" e sai para encontrar-se com Mônica, com quem faz sexo anal. Tornam-se amantes. Na verdade, Thales (ou Ajax) é filho de Fernando com a irmã louca. Daí a preferência da avó por ele. Pensa na loucura. Fuentes e Miriam querem começar nova vida. Ela conta a ele sobre o advogado Mandrake. Camilo e Zakkai encontram-se em um circo. 

O casal muda para uma casa na ladeira Madre de Deus (tentando fugir). Camilo e Zakkai encontram Rafael em seu sítio. Torturam-no (comer barata) e o anão o mata com uma tesoura. Acham a fita. Zakkai assiste ao vídeo e liga para Thales Lima Prado, que combina um encontro: Hermes vai buscar a fita, mas é morto por Camilo Fuentes. Thales, acuado, suicida-se enfiando uma faca na axila. Deixa seus cadernos de anotações na mesa da cozinha, ao lado de uma garrafa de álcool. Mandrake é abandonado pelas três mulheres. Lilibeth, Bebel e Ada (que viaja com Wexler). Miriam visita o advogado para contar sobre a morte de Camilo Fuentes e para devolver-lhe o unicórnio de ouro. Mandrake decifra os cadernos de Lima Prado, que a polícia não conseguira entender, e soluciona a trama: Thales, em busca da fita, matou as prostitutas e marcou-as com o P. Rosa Leitão, que ascendera socialmente até se casar com o vice-presidente do banco e tornar-se amante do presidente da Organização, assassinou Cila por ciúme, ao flagrá-la com outra mulher. Todos os outros crimes foram atribuídos à "queima de arquivos". Zakkai assume o controle da Holding que controlava a Pleasure, a Fun e a Fastfood, separando-se do banco. Procurado por Mandrake, responde à terceira pergunta de Mandrake (O que havia na fita? - Nada, só risquinhos). Bebel volta para Mandrake. Falam de amor.

Personagens
Mandrake: narrador-personagem. Advogado com tendências a detetive, solteirão irresistível às mulheres, extremamente sedutor. Aprecia vinhos finos e charutos. Foi menino introvertido e solitário. Embora tenha fobia a sangue, inicia-se na arte do PERCOR (perfurar e cortar), mas não consegue encontrar-se na arte do amar ("amo aqueles que me amam"). Cinismo disfarça insegurança.

Ada: namorada "oficial" de Mandrake, corpo bonito e atlético, acaba desencantando-se e optando pela serenidade de Wexler.

Wexler: advogado judeu, sócio de Mandrake. Apaixonado por Ada, mantém-se ético até o final, quando sai de viagem levando Ada junto.

Thales Lima Prado: Chefe da Organização criminosa "Escritório Central", constitui-se no grande vilão do livro. Foi militar. Ao tentar escrever um livro sobre a família Prado, descobre-se filho incestuoso e sua personalidade começa a desintegrar-se na loucura. "Patrocina" a grande maioria dos assassinatos do livro, suicidando-se no final (como o Ajax mitológico).

José Zakkai (o Nariz de Ferro): Anão negro, feio e inescrupuloso. Sai do esgoto para tornar-se "uma maravilha". Vive citando pensamentos e atribuindo-os a escritores e filósofos, para simular erudição. Ambicioso, torna-se o principal adversário de Thales, a quem trai para conseguir a direção dos braços da organização ligados ao tráfico, jogo e prostituição.

Roberto Mitry: primo de Thales, que o usava para desviar recursos ao exterior. Cultivava aberrações sexuais (sado-masoquismo). É assassinado na "queima de arquivos".

Camilo Fuentes: matador boliviano que odeia brasileiros. Esfaqueia Mandrake e sevicia Ada com o cabo de sua faca. Frio e cuidadoso, bandeia-se para o lado de Zakkai. Morre fuzilado (queima de arquivo).

Hermes: professor na arte do PERCOR, quando militar, assassinou um superior e foi defendido por Mandrake, a quem dá aulas para livrar-se da dívida. É morto por Camilo Fuentes.

Rafael: membro da Organização, é assassino cruel. Ao mesmo tempo, cultiva rosas. É assassinado por Zakkai, com uma tesoura.

namoradas de Mandrake: Ada, Bebel, Lilibeth, Berta.

prostitutas: Miriam (cafetina), Gisela, Danusa, Cila, Titi e Tatá...

mulheres arrivistas: Rosa Leitão, Laura Lins (Cila)

a família Lima Prado (avós, filhos e netos), de trágica linhagem.
Tempo
Embora procure seguir certa cronologia, apresenta vários cortes: em função das informações fragmentárias que o narrador vai recolhendo sobre os crimes; apresenta cortes cinematográficos e simultaneidade de cenas; há um grande "flash-back" no início da Parte II para que a genealogia da família Prado seja conhecida.

Espaço

Rio de Janeiro: a alta e a baixa sociedade, convivendo violentamente em busca de riqueza e poder.

São Paulo - Cuiabá - Bolívia - Pouso Alto (MG).

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