A Ferrovia do Diabo | Manoel Rodrigues Ferreira

A Ferrovia do Diabo | Manoel Rodrigues Ferreira

A Ferrovia do Diabo | Manoel Rodrigues Ferreira"No século passado, com a proclamação da República, surgiu uma questão de limites entre os Estados do Amazonas e de Mato Grosso. A pendência foi dirimida em 11 de novembro de 1889 pelo Acórdão nº 4 do Supremo Tribunal Federal, que determinou fosse observada como linha de limite entre ambos os Estados, a cachoeira de Santo Antônio do rio Madeira, no paralelo de 8º48' (oito graus e quarenta e oito minutos). Entretanto, o Governo de Mato Grosso nunca se incomodou com Santo Antônio, tanto que era o Estado do Amazonas quem ali mantinha autoridades estaduais, ou seja, um posto alfandegário. 

Mas agora nesse ano de 1908 as coisas estavam assumindo uma nova feição, pois estava sendo construída uma ferrovia que ali sempre começara e ficaria quase inteiramente dentro do Estado de Mato Grosso exceto cerca de sete quilômetros entre Santo Antônio e Porto Velho, que se situava no paralelo de 8º45'36" (oito graus, quarenta e cinco minutos e trinta e seis segundos). Santo Antônio, além de apresentar agora a perspectiva de uma grande cidade, já o era neste ano de 1908, com uma população de pouco mais de trezentos habitantes, devido à construção da ferrovia. Era, pois, necessário e urgente que Mato Grosso tomasse conta do que era seu. Por isso, a Assembléia Legislativa de Mato Grosso aprovou a Lei nº 494, sancionada pelo Presidente desse Estado no dia 3 de junho de 1908, e cujo artigo 1º dizia: 'Fica criada no norte do Estado, uma comarca especial, formada de um só município, com a denominação de Santo Antônio do rio Madeira e tendo os seguintes limites: partindo da cachoeira de Santo Antônio no rio Madeira, no paralelo de 8º48', o rio Madeira acima até a foz do rio Guaporé (...) até encontrar a cachoeira de Santo Antônio no rio Madeira a linha que extrema os territórios dos Estados de Mato Grosso e do Amazonas".

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