Cultura Mochica | Peru

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A Cultura Mochica é a que se desenvolveu nos vales litorâneos do noroeste do Peru, entre o século II a.C. e o século VIII da nossa era. O nome de seu povo provém de Moche, vale próximo à atual cidade de Trujillo, onde foram erguidas grandes construções, como as que ficaram conhecidas como huacas (templos, santuários) do Sol e da Lua.

A sociedade e a religião dos mochicas, uma das primeiras civilizações andinas, são conhecidas sobretudo pelos relevos e pinturas das numerosas peças de cerâmica ali encontradas.

A primeira delas é uma enorme pirâmide escalonada, de base retangular, com mais de quarenta metros de altura, edificada certamente para fins religiosos. O templo da Lua é uma vasta plataforma sobre a qual provavelmente se erguia um palácio ou edifício civil, de que se conservaram fragmentos de parede cobertos de afrescos policromáticos. Conservam-se também vestígios de outras pirâmides e de povoados, caminhos pavimentados, fortificações e grandes obras de irrigação, como aquedutos e canais, em cuja realização os mochicas deram mostra de grande habilidade técnica. Em geral, o material empregado nas construções era o adobe (tijolo cru), adaptado perfeitamente ao clima seco do litoral peruano.

A economia mochica baseava-se na agricultura em terrenos irrigados, para o que se utilizava o guano (adubo de excrementos) como fertilizante, e na pesca marítima, que adquiriu importância e certa complexidade técnica, tanto em sua execução como na conservação e transporte do pescado para o interior.

Acredita-se que a sociedade mochica fosse de tipo teocrático, rigidamente estratificada, em que uma classe alta, muito reduzida, exercia as funções militar e religiosa. Os deuses sempre aparecem representados com aspecto intimidador. A população, graças ao aperfeiçoamento da agricultura e da pesca, era provavelmente muito numerosa, como demonstram as grandes obras arquitetônicas realizadas sem a ajuda de animais de carga e sem o conhecimento da roda.

Hábeis trabalhadores do cobre e de metais preciosos, além de ótimos tecelões, os artesãos mochicas se aperfeiçoaram principalmente na arte da cerâmica, que alcançou entre eles notável adiantamento técnico. Nas incontáveis sepulturas subterrâneas descobertas (e com freqüência saqueadas), foram encontradas centenas de milhares de peças arqueológicas, hoje dispersas por todo o mundo.

A cerâmica era muito diversificada: inclui desde vasos habilmente arredondados sem a utilização da roda de oleiro, decorados com desenhos planos em que as figuras são geralmente representadas de perfil, até vasilhas modeladas a mão e trabalhadas como esculturas. Nesses vasos estão representados aspectos da vida cotidiana e episódios de guerra, bem como retratos de pessoas, animais reais ou fantásticos, demônios, motivos vegetais e religiosos. Dada a inexistência da escrita, a civilização mochica só pôde ser estudada em profundidade graças às cenas representadas em sua cerâmica com surpreendente realismo.

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