Bélgica, Aspectos Gerais da Bélgica

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Bélgica, Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Bélgica

BÉLGICA - ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIAIS DA BÉLGICAGeografia: Área: 30.518 km². Hora local: +4h. Clima: temperado oceânico. Capital: Bruxelas. Cidades: Bruxelas (978.384), Antuérpia (448.709) (aglomerações urbanas), Gent (226.220), Charleroi (200.578), Liège (185.131) (2016).

População: 10 milhões (2016); nacionalidade: belga; composição: flamengos 55%, valões 33%, europeus meridionais 12%. Idiomas: francês, alemão, flamengo (oficiais). Religião: cristianismo 88,3% (católicos 80,9%, outros 7,3%), sem religião 5,8%, outras 4,1%, ateísmo 1,7%.

Relações Exteriores: Organizações: Banco Mundial, FMI, OCDE, OMC, ONU, Otan, UE. Embaixada: Tel. (61) 443-1133, fax (61) 443-1219 – Brasília (DF); e-mail: brasilia@diplobel.org; site na internet: www.belgica.org.br.

Governo: Monarquia parlamentarista. Div. administrativa: 3 regiões subdivididas em províncias. Chefe de Estado: rei Alberto II (desde 1993). Primeiro-ministro: Guy Verhofstadt (VLD) (desde 1999, reeleito em 2003). Partidos: dos Liberais e Democratas Flamengos (VLD), Socialista (valão) (PS), da Reforma (MR), da Alternativa Social Progressista (SPA), do Povo Cristão (CVP), Reformador Liberal (PRL), Frente Democrática dos Francófonos (FDF), Ecologista Flamengo (Agalev). Legislativo: bicameral – Câmara dos Representantes, com 150 membros; Senado, com 72 membros. Constituição: 1831.

Situada no oeste da Europa, a Bélgica apresenta alto índice de industrialização e exerce papel importante na União Europeia (UE). Bruxelas é a capital administrativa da organização e também a sede da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O país é banhado pelo mar do Norte, mas seu principal porto fica no interior, em Antuérpia. Uma vasta planície domina o norte do território. Nessa região, a mais próspera do país, vivem comunidades flamengas (da região de Flandres). O sul, onde estão situadas as montanhas Ardenas, é habitado pelos valões, de língua francesa. Uma pequena parte da população, no leste, fala alemão. Esse pluralismo lingüístico-cultural constitui fonte de tensão étnica e regional, ampliada nos últimos anos pelo número crescente de imigrantes.

História da Bélgica

A região que hoje compõe seu território é habitada por tribos celtas e germânicas na época da conquista por Júlio César, por volta de 50 a.C. O domínio romano mantém-se até o início do século V, quando os francos conquistam o território. Com a divisão do Império Franco pelo Tratado de Verdun (843) e as invasões normandas, o poder central fica debilitado, em favor dos senhores feudais. Por meio de alianças matrimoniais, a Bélgica torna-se, em 1504, domínio dos Habsburgo espanhóis. Enquanto as províncias holandesas, de maioria protestante, obtêm a independência, a Bélgica continua sob o poder espanhol até o século XVIII. Em 1713, no fim da Guerra da Sucessão Espanhola, o país é cedido à Áustria pelo Tratado de Utrecht. Em 1815 é anexado à Holanda. A independência ocorre em 1830. No reinado de Leopoldo II (1865 a 1909), o país desenvolve a indústria e experimenta rápido crescimento econômico, lançando-se à expansão colonial com a conquista do Congo (atual República Democrática do Congo).

Bruxelas
Invasões alemãs - Na I Guerra Mundial, os alemães invadem a Bélgica – país neutro – para atingir a França. Pelo Tratado de Versalhes, os belgas obtêm retificação de fronteiras e, com as indenizações de guerra, reconstroem a nação. O rei Leopoldo III assume o trono em 1934 e adota política de neutralidade. As tropas alemãs ocupam novamente o país em 1940, na II Guerra Mundial, obrigando o rei a capitular. Em 1948, Bélgica, Holanda e Luxemburgo formam o bloco Benelux e abolem barreiras alfandegárias. A Bélgica adere à Otan e participa da formação da Comunidade Econômica Européia (CEE), antecessora da UE. Após uma greve geral, em 1950, o rei abdica em favor de seu filho Balduíno. Em 1960, o país reconhece a independência da República Democrática do Congo.

Tensões étnicas – As reformas constitucionais na década de 1970 estabelecem três comunidades (flamenga, valã e alemã) com instituições autônomas. A medida não elimina a tensão entre elas. Em 1992, o Parlamento institui o Estado federal, que delega ao governo central apenas os assuntos relativos à defesa, à previdência social, à política monetária e às relações exteriores, o que garante autonomia às regiões de Flandres, Valônia e Bruxelas. O rei Balduíno I morre em 1993 e é substituído por seu irmão, Alberto II.

Novo governo – A prisão do pedófilo Marc Dutroux, em 1996, revela uma rede de prostituição infantil que seqüestrava, vendia e matava crianças no país. Centenas de milhares de pessoas vão à rua em protesto e geram uma forte crise política. A fuga de Dutroux por alguns dias em 1998 reabre a ferida, por suspeita de corrupção, e leva à renúncia de ministros. Outra crise atinge a Bélgica, em 1999, com a revelação de que alimentos de origem animal produzidos no país estão contaminados. A UE proíbe a venda de produtos alimentícios belgas, o que causa prejuízo de milhões de dólares. O escândalo é decisivo para a vitória do oposicionista Partido dos Liberais e Democratas Flamengos (VLD) nas eleições parlamentares de 1999. Seu líder, Guy Verhofstadt, torna-se primeiro-ministro após formar aliança com partidos de centro-esquerda e com os ecologistas.

Imigrantes – Em 2000, o governo concede anistia a cerca de 20 mil imigrantes ilegais. Durante as três semanas em que os pedidos de anistia são analisados, o país praticamente fecha as fronteiras para novos imigrantes, o que causa protestos.

Entra em vigor, em 2002, uma lei que permite a eutanásia, quando solicitada por pacientes com doenças incuráveis. Em 2003, a Bélgica posiciona-se contrariamente à decisão dos Estados Unidos de atacar o Iraque. Nas eleições legislativas no mesmo ano, a coligação de governo entre liberais e socialistas é vitoriosa, conquistando 93 das 149 cadeiras do Parlamento e reelegendo o primeiro-ministro Verhofstadt. O Bloco Flamengo, de extrema direita, obtém 19 cadeiras, em sua melhor votação desde os anos 1980. A Suprema Corte, porém, decide em novembro de 2004 que o bloco é racista e proíbe seu acesso ao fundo partidário e à TV, forçando sua dissolução. Em julho de 2004, o pedófilo Dutroux é condenado à prisão perpétua.

Antuérpia 

Antuérpia é capital da província do mesmo nome, situa-se às margens do rio Escalda, no centro de vasta planície aluvial. O clima é do tipo temperado oceânico, com chuvas distribuídas por todo o ano, invernos pouco rigorosos e verões amenos. Seu núcleo principal localiza-se na margem leste do Escalda. Não há pontes que cruzem o rio, mas a ligação é feita por dois túneis, um para pedestres e outro para veículos.

Segunda cidade da Bélgica e principal centro de comércio do país, Antuérpia teve história atribulada, como palco de muitas disputas, além de alcançar grande projeção como importante pólo cultural e artístico.

A cidade concentra cinquenta por cento da população total de sua província. A maioria dos habitantes compõe-se de belgas de língua flamenga, embora também sejam falados o francês e o holandês. Existem importantes minorias de holandeses, marroquinos, espanhóis, franceses e alemães.

Seu porto é o maior da Bélgica e o terceiro da Europa, logo após os de Rotterdam e Londres. Por ele circula grande parte da atividade comercial da Comunidade Econômica Européia. Em torno do porto desenvolveu-se uma área industrial, com estaleiros, montadoras de automóveis, uma grande refinaria, indústrias químicas e alimentícias. A lapidação de diamantes, cuja tradição remonta ao século XVI, é a mais importante indústria local.

História de Antuérpia 

A origem do nome da cidade e a data da fundação de Antuérpia  são desconhecidas. Nos séculos VIII e IX, há referências a ela como centro de comércio. No século XI era sede de um marquesado. Com o declínio de Bruges, em fins do século XV, as guildas e os bancos transferiram-se para Antuérpia, que logo se tornou o principal porto e centro de comércio do noroeste europeu. Em 1460 fundou-se ali a primeira bolsa de valores da Europa e, por volta de 1560, apogeu de sua prosperidade, Antuérpia superava Veneza como principal pólo do comércio europeu.

Em 1576, em decorrência dos distúrbios religiosos que abalaram a Europa, a cidade foi saqueada pelos espanhóis, que massacraram milhares de habitantes e destruíram muitas casas. Outras manifestações ocorreram, até que em 1648 o fechamento do Escalda à navegação acarretou o rápido declínio de Antuérpia. A partir de 1795, sob o domínio de Napoleão, a cidade prosperou, com a construção de docas e um arsenal de marinha, para ali estabelecer o principal porto militar do império. Seguiu-se a ocupação holandesa, até 1832. Durante a primeira guerra mundial, o governo belga transferiu-se para Antuérpia, que em 1914 foi ocupada pelos alemães. Com a segunda guerra mundial, deu-se nova ocupação alemã, até 1944. A partir daí, a cidade voltou a prosperar, como um dos maiores portos do mundo.

Monumentos de Antuérpia

Entre suas obras arquitetônicas destaca-se a catedral de Nossa Senhora, maior e um dos mais belos monumentos góticos do país, com uma torre de 123m e obras de Rubens no interior. Renascentistas são o paço municipal, a igreja de São Tiago, onde se acha o túmulo de Rubens, as igrejas de São Paulo e Santo Agostinho, com obras de Rubens, Van Dyck e outros artistas. Entre os numerosos museus, destacam-se o Museu Real de Belas-Artes e o Museu Plantin-Moretus. Outros pontos de interesse turístico são a casa de Rubens e o mais completo jardim zoológico do país. Antuérpia possui duas universidades, escolas de engenharia, navegação e lapidação de diamantes, uma academia de música, institutos de belas-artes e arquitetura.
Antoon Van Dyck

Antoon Van Dyck

Antoon van Dyck nasceu em Antuérpia, Flandres, em 22 de março de 1599. Aos dez anos, tornou-se aprendiz do pintor Hendrik van Balen. Não se sabe ao certo a data em que se tornou discípulo de Rubens, que assumira a liderança artística em Antuérpia, mas em  seus primeiros trabalhos Van Dyck refletiu a influência do mestre, embora utilizasse uma gama cromática mais quente e escura. Em 1618 foi admitido como mestre na confraria dos pintores de Antuérpia e iniciou atividade independente. Dedicou-se então a motivos mitológicos e religiosos, assim como a retratos.

Embora tenha cultivado com mestria diversos gêneros, o mestre flamengo Antoon van Dyck tornou-se famoso pelos retratos de aristocratas europeus, nos quais combinou a gravidade da pose com uma sutil percepção psicológica.

Em 1621 fez sua primeira viagem à Inglaterra. No fim do mesmo ano foi para a Itália e se fixou em Gênova. O período italiano foi decisivo na evolução artística de Van Dyck, que desenvolveu seu estilo característico de retratista, baseado no colorido da escola veneziana e em singular sensibilidade. Sua arte chega então ao virtuosismo de retratos como "Paola Adorno" (Palazzo Bianco), "Geronima Brignole Sale com sua filha" e "Retrato eqüestre do marquês Brignole" (ambos no Palazzo Rosso). Dois dos melhores retratos da época genovesa estão na National Gallery, em Washington: "Marquês Grimaldi" e "Marquês Balbi". Mas o melhor retrato de toda a carreira de Van Dyck é "Cardeal Bentivoglio". Depois de regressar a Antuérpia em 1627, já prestigiado por seu trabalho, conciliou a dedicação ao retrato com o tratamento de temas religiosos.

Sua mudança, em 1632, para Londres, onde residiu pelo resto da vida, deu início à etapa de maior prosperidade da carreira de Van Dyck, que foi nomeado pintor oficial de Carlos I da Inglaterra e da corte, além de distinguido com o título de cavaleiro. Os retratos desse período, talvez os mais populares, constituem um valioso documento sobre o rígido protocolo e a contenção da nobreza britânica na fase que antecedeu a revolução de 1642. Van Dyck morreu em Londres, em 9 de dezembro de 1641. Sua arte influenciou toda a Europa e foi o ponto de partida para a grande escola britânica de retratistas.
Andreas Vesalius

Andreas Vesalius

Andries van Wesel - nome flamengo romanizado como Andreas Vesalius, ou Vesálio - nasceu em Bruxelas em dezembro de 1514. Membro de uma família de médicos e farmacêuticos, estudou em Louvain e Paris, onde aprendeu a dissecar animais e cadáveres humanos. Regressou a Flandres em 1536 e interessou-se pela medicina árabe, em pleno apogeu nos círculos universitários. Lecionou nas universidades de Bolonha e de Pádua, na Itália, a partir de 1538.

A dissecação sistemática de cadáveres empreendida no século XVI por Vesalius levou-o a refutar as teorias anatômicas de Galeno, fisiologista grego que viveu em Roma, onde a dissecação de cadáveres humanos era rigorosamente proibida por motivos religiosos.

Dedicou-se então a sua obra magna de anatomia, publicada em 1543 sob o título de De humani corporis fabrica libri septem (Sete livros sobre a estrutura do corpo humano). A obra apresentou a mais apurada e extensa descrição do corpo humano realizada até então e estabeleceu os fundamentos da anatomia moderna. No mesmo ano, o autor apresentou-se ao imperador Carlos V, que o tomou a seu serviço e, ao abdicar, concedeu-lhe uma pensão vitalícia e o título de conde.

Em 1559, Vesalius tornou-se médico na corte de Filipe II, filho de Carlos V. Em 1564 foi em peregrinação para Jerusalém. Aparentemente, adoeceu durante a viagem de volta e foi desembarcado na ilha grega de Zante, na então república de Veneza, onde morreu em outubro do mesmo ano.

Agnès VardaAgnès Varda

Agnès Varda nasceu em 30 de maio de 1928 em Bruxelas, Bélgica. Estudou na Sorbonne e na Escola do Louvre. Fotógrafa oficial do Teatro Nacional Popular da França de 1951 a 1961, interessou-se pelo teatro e pelo cinema. Fez alguns curta-metragens antes de seu segundo filme, Cléo de cinq à sept (1961; Cléo das cinco às sete), obra introspectiva e cerebral em que expõe a influência -- ou troca de influência - com o estilo de seus colegas da chamada nouvelle vague, dominante no cinema francês da década de 1960.

A fotógrafa Agnès Varda tornou-se uma das raras diretoras de cinema bem-sucedidas. Seu primeiro filme, La Pointe courte (1954), montado por Alain Resnais, prenunciava a nouvelle vague.

O filme mais controvertido de Varda foi Le Bonheur (1964; As duas faces da felicidade), quadro abstrato de satisfação e prazer. Les Créatures (1966; As criaturas) reafirmou-lhe o talento, mas a cineasta dirigiu também estranhos e aplaudidos curta-metragens. Nas duas décadas seguintes, seus trabalhos mais populares nos cinemas de arte de vários países, foram L'Une chante l'autre pas (1976; Uma canta, outra não) e Sans toit ni loi (1985; Sem teto nem lei). Agnès Varda ainda realizou Jane B. par Agnès V. (1988), colagem que retrata a atriz Jane Birkin, e Kung fu master (1988), drama sobre a paixão de uma divorciada por um colega de seu filho de 14 anos.

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