Chile, Aspectos Gerais do Chile

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Chile, Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Chile

CHILE, ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIOECONÔMICOS DO CHILEGeografia: Área: 756.626 km². Hora local: -1h. Clima: de montanha (interior), árido tropical (litoral N), mediterrâneo (litoral centro), temperado oceânico (litoral S). Capital: Santiago. Cidades: Santiago (5.250.000), Antofagasta (312.000), Viña del Mar (310.000), Valparaíso (300.000), Talcahuano (260.000) (2016).

População: 18 milhões (2016); nacionalidade: chilena; composição: europeus ibéricos e eurameríndios 95%, arauncãs e aimarás 3%, outros 2%. Idioma: espanhol (oficial). Religião: cristianismo 89,2% (católicos 77,6%, independentes 25,1%, outros 7% - dupla filiação 20,5%), sem religião 7%, ateísmo 2,5%, outras 1,2%.

Relações Exteriores: Organizações: Apec, Banco Mundial, FMI, Grupo do Rio, Mercosul (membro associado), OEA, OMC, ONU. Embaixada: Tel. (61) 322-5151, fax (61) 322-2966 – Brasília (DF); e-mail: embchile@embchile.org.br.

Governo: República presidencialista. Div. administrativa: 12 regiões subdivididas em províncias e uma área metropolitana. Presidente: Ricardo Lagos Escobar (PS) (desde 2000). Partidos: Coalizão de Partidos pela Democracia (CPD) (Democrata-Cristão –PDC, pela Democracia – PPD, Socialista do Chile – PS, entre outros), coalizão Aliança pelo Chile (União Democrata Independente – UDI, Renovação Nacional – RN). Legislativo: bicameral – Senado, com 47 membros; Câmara dos Deputados, com 120 membros. Constituição: 1981.

País do sudoeste da América do Sul, encravado entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico, o Chile possui o território mais estreito do mundo, levando-se em conta seu comprimento. A largura máxima é de 175 quilômetros, para uma extensão 25 vezes maior, de 4,3 mil quilômetros. Apresenta várias paisagens, como o deserto do Atacama (local mais seco do planeta), no norte, a região dos lagos, no centro-sul, as geleiras e a Patagônia, no extremo sul, e a tropical ilha de Páscoa, no oceano Pacífico. A maioria da população vive na parte central do país, sendo mais de 25% na região metropolitana da capital, Santiago. Detentor da menor taxa de mortalidade infantil da América do Sul, o Chile possui o segundo mais alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do continente. A exportação de cobre – do qual é o maior produtor mundial –, frutas e produtos derivados de pescado é sua principal fonte de receitas.

História do Chile

O norte é ocupado pelos índios atacamas até o século XV, quando passa ao domínio dos incas. O sul é controlado pelos araucanos e no extremo sul vivem os fueguinos e os patagões. A conquista da região, chamada de o Outro Peru, é iniciada pelo espanhol Diego de Almagro, entre 1536 e 1537. O também espanhol Pedro de Valdivia conquista, em 1541, o Vale Central e funda Santiago. No início do século XIX, Bernardo O’Higgins começa a luta pela independência, obtida com o apoio do general argentino José de San Martín – que cruza os Andes com seu exército e derrota os espanhóis na Batalha de Maipú, em 1818. O’Higgins governa ditatorialmente até 1823, quando renuncia. Diego Portales promulga nova Constituição em 1833. Vitorioso na Guerra do Pacífico (1879/1884), o Chile recebe do Peru a região de Atacama, rica em minérios, e a Bolívia perde sua única saída para o mar. De 1964 a 1970, Eduardo Frei, do Partido Democrata-Cristão (PDC), dá início à reforma agrária e à nacionalização da indústria do cobre.

Regime militar - Salvador Allende, da Unidade Popular (aliança de socialistas, comunistas e cristãos de esquerda), elege-se em 1970, com 34% dos votos. Seu governo nacionaliza mineradoras norte-americanas e é alvo de uma campanha de desestabilização promovida pelos Estados Unidos (EUA). Um golpe militar, em 1973, depõe Allende, que se suicida no palácio presidencial de La Moneda. O general Augusto Pinochet assume o poder, chefiando uma junta militar que dissolve os partidos políticos e inicia um período de censura à imprensa e de repressão a oposicionistas. A violência da ditadura deixa milhares de mortos, desaparecidos e exilados.

Redemocratização - Em 1988, Pinochet é derrotado em plebiscito sobre sua permanência no poder por mais oito anos, e começa a transição para a democracia. O democrata-cristão Patricio Aylwin é eleito presidente em 1989. A Constituição de 1981, entretanto, permite a Pinochet manter-se até 1998 à frente das Forças Armadas. Em 1993, o democrata-cristão Eduardo Frei Ruiz-Tagle (filho do ex-presidente Frei) elege-se presidente.

Bandeira do ChileCerco a Pinochet - Em março de 1998, Pinochet deixa o comando do Exército e assume uma cadeira vitalícia no Senado – prerrogativa garantida na Constituição de 1981 –, em meio a protestos. Em outubro, o ex-ditador é preso em Londres, onde estava em tratamento médico. A detenção se dá em cumprimento a um pedido da Justiça espanhola, que pretende julgá-lo por crimes contra a humanidade. O governo chileno protesta, alegando que o general possui imunidade diplomática – ou seja, não pode ser processado fora do Chile. No país, registram-se conflitos entre partidários e opositores de Pinochet.Após mais de 500 dias de prisão domiciliar em Londres, o ex-ditador, então com 84 anos, é considerado incapaz fisicamente de enfrentar um julgamento e libertado por "razões humanitárias". É autorizado, em março de 2000, a voltar ao Chile, onde mais de 200 processos criminais se acumulam contra ele.

Aproximação com os EUA - Ricardo Lagos elege-se presidente em 2000 e torna-se o primeiro socialista a governar o país desde o golpe de 1973. Às vésperas da reunião de cúpula do Mercosul, realizada no mesmo ano, o governo chileno anuncia a intenção de fechar acordo bilateral de livre-comércio com os EUA, o que causa irritação ao Brasil e à Argentina. Em conseqüência, os procedimentos para a incorporação do Chile como membro pleno do Mercosul são suspensos.

Pinochet incapacitado - O juiz Juan Guzmán determina, em 2000, a prisão domiciliar de Pinochet sob a acusação de ter comandado e acobertado a Caravana da Morte, operação de extermínio em que um grupo de militares percorreu de helicóptero cinco cidades do Chile, em outubro de 1973, e assassinou pelo menos 72 presos políticos. O Tribunal de Apelações, porém, cancela a ordem de prisão e estabelece que Pinochet seja interrogado por Guzmán. Em 2001, a Justiça conclui que o estado mental de Pinochet o torna incapaz de se defender.

Nas eleições legislativas de 2001, a aliança governista Coalizão de Partidos pela Democracia (CPD), integrada por PDC, PS e Partido pela Democracia (PPD), mantém o controle das duas Casas do Congresso. Em 2002, Pinochet renuncia ao mandato de senador vitalício, três dias depois de a Suprema Corte ter arquivado o processo relativo à Caravana da Morte. Em 2003, o general da reserva Manuel Contreras, chefe da repressão durante a ditadura, é condenado a 15 anos de prisão pelo seqüestro e assassinato de um militante de esquerda, em 1975.

Santiago, Capital do Chile
Santiago, Capital do Chile
Acordo comercial com os EUA - Depois de anos de negociações, Chile e EUA assinam acordo bilateral de livre-comércio em junho de 2003. Os dois países se comprometem a retirar, a partir de 2004, as tarifas alfandegárias de 85% dos produtos que comercializam entre si e a eliminar gradualmente as demais taxas no prazo de 12 anos. O acordo torna o Chile o segundo país latino-americano, depois do México, a estabelecer relações comerciais privilegiadas com os EUA. Em maio de 2004, o presidente Lagos promulga a lei que legaliza o divórcio no país. Em agosto, a Corte Suprema revoga, por 9 votos a 8, a imunidade judicial de Pinochet, numa decisão que abre caminho para que ele seja julgado pelos crimes cometidos na Operação Condor – ação conjunta das ditaduras do Cone Sul para perseguir opositores nas décadas de 1970 e 1980.

Acidente em mina de Copiapó - Em 5 de agosto de 2010, um desmoronamento na mina de San José, no deserto do Atacama, deixou 33 operários chilenos presos em uma galeria a 700 metros de profundidade. Desde então, a operação de resgate que durou mais de 2 meses atraiu e comoveu pessoas de diferentes países.

Erupção do Vulcão Puyehue em 2011

O vulcão Puyehue entrou em erupção no sábado, dia 4 de junho de 2011, e causou fortes transtornos com o lançamento de uma nuvem de poeira que chegou até a Argentina e Brasil. O vulcão fica na Cordilheira dos Andes, a uma altitude de 2.240 metros, e sua erupção anterior ocorreu em 1960. A recente erupção provocou a retirada de 3.500 pessoas de localidades próximas do vulcão.

Guerra do PacíficoGuerra do Pacífico

Guerra do Pacífico é o nome dado ao conflito que se deflagrou entre a Bolívia, Peru e Chile pela posse das jazidas de salitre da região de Atacama. Em 1866, o presidente boliviano Mariano Melgarejo cedeu ao Chile territórios da costa do Pacífico em que haviam sido descobertos, na década de 1840, depósitos de salitre. Um tributo exigido pela Bolívia para o salitre embarcado em Antofagasta provocou o protesto das mineradoras chilenas e, em janeiro de 1879, ante a recusa dessas companhias de pagar o imposto, o governo boliviano confiscou as terras salitreiras. O Chile respondeu com a ocupação de Antofagasta e Mejillones, e com a declaração de guerra em 5 de abril do mesmo ano. O Peru, que em 1873 firmara uma aliança secreta com a Bolívia, viu-se implicado na contenda, embora suas forças, unidas às bolivianas, não superassem as tropas do Exército chileno.

Travada entre três países sul-americanos, a guerra do Pacífico teve como principal consequência a perda dos territórios litorâneos da Bolívia.

A primeira fase da guerra desenvolveu-se no mar. A esquadra chilena bloqueou o porto peruano de Iquique e em outubro o capitão peruano Miguel Grau, no comando da nau Huáscar, foi derrotado em ponta Angamos, o que significou o fim da defesa marítima do Peru. No mesmo mês o exército chileno desembarcou em Pisagua e derrotou as forças bolivianas e peruanas.

Os chilenos aproveitaram a grave desestabilização política na Bolívia e no Peru para atacar seus portos. Em janeiro de 1881, numa campanha decisiva, atacaram Lima, capital peruana. O presidente Nicolás de Piérola, que organizou a resistência vencida em 27 de janeiro, após dura batalha, fugiu, e em julho de 1883, em Huamacucho, os peruanos foram derrotados.

Os Estados Unidos mediaram as negociações de paz e em 20 de outubro de 1883 firmou-se o Tratado de Ancón, que pôs fim à guerra. A Bolívia perdeu sua saída para o mar, mas obteve o direito de usar o porto de Arica, e o Peru sofreu os maiores prejuízos: perdeu parte de seu território, teve de pagar uma alta indenização e sofreu graves prejuízos materiais. O Chile estendeu suas fronteiras aos territórios conquistados à Bolívia e ao Peru. Empresas britânicas que exploravam salitre também se beneficiaram.

Cultura Araucana e os Araucanos Cultura Araucana e os Araucanos

Unidos mais por vínculos linguísticos que por homogeneidade étnica, os araucanos ocuparam, nos tempos pré-colombianos, os vales e as áreas férteis do centro do Chile, de Coquimbo, ao norte, à ilha de Chiloé, ao sul, embora sua influência se estendesse até a atual região de Buenos Aires. A sociedade araucana era estruturada em grupos tribais unidos por laços de consanguinidade e governados por caciques.

Habitantes do território hoje correspondente ao Chile, os araucanos, que receberam esse nome dos conquistadores espanhóis no século XVI, foram um dos povos ameríndios que por mais tempo conservaram sua independência.

As principais tribos eram as dos picunches, mapuches, huiliches e pehuenches. Esses povos, que habitavam regiões compreendidas na área de influência cultural do império inca, baseavam sua economia no cultivo de milho, batata, feijão e outros vegetais, assim como na caça, praticada com arco e flecha, e na pesca. Nos trabalhos agrícolas, de caráter comunitário, desenvolveram apuradas técnicas de irrigação. Domesticavam lhamas, alpacas e vicunhas. Sua cerâmica era tosca.

Depois de se baterem contra os colonizadores espanhóis e mais tarde contra as forças do governo do Chile, que se tornara independente em 1818, os araucanos foram vencidos e trasladados para reservas situadas no sul do país. Suas antigas terras foram entregues, para colonização, a imigrantes alemães, franceses e suíços. Mais de 250.000 índios araucanos vivem atualmente no Chile e na Argentina, mas sua cultura tende a degradar-se progressivamente.

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