Idade Moderna (1453-1789)

Idade Moderna (1453-1789)

Idade Moderna (1453-1789)
1453 – Marco de ruptura entre a Idade Média e a Idade Moderna, a tomada de Constantinopla pelo Império Turco-Otomano provoca mudanças significativas nas relações de poder no Mediterrâneo. O bloqueio das rotas comerciais entre Europa e Ásia pelos turcos gera grande prejuízo econômico, levando os europeus a procurar novos caminhos para a Ásia pelo oceano Atlântico.

1453-1485 – A disputa pelo trono inglês, travada entre a casa real de Lancaster, cujo brasão tem uma rosa vermelha, e a de York, que possui uma rosa branca, provoca a Guerra das Duas Rosas. O conflito termina com a conquista do trono por Henrique Tudor, que unifica as duas alas da nobreza e restaura a autoridade real. Com o nome de Henrique VII, ele inaugura a dinastia Tudor, responsável pela implantação do absolutismo na Inglaterra.

1468-1591 – Sunni Ali Ber funda o Império Songhai ao conquistar o centro comercial de Gao (no atual Mali). No governo de Askia (1492-1528), o império já compreende os territórios dos atuais Burkina Fasso, Gâmbia, Guiné, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria e Senegal. É o maior império da história da África Ocidental. Seu declínio tem início quando Askia, já cego, é deposto por seu filho. Em 1591, o exército marroquino conquista o território.

1479-1492 – Formação da monarquia nacional espanhola. O casamento de Fernando de Aragão e Isabel de Castela, em 1469, impulsiona a união dos dois reinos ibéricos, que passam a ter uma única administração dez anos depois. Em 1492, o reino se consolida com a conquista de Granada, última região sob ocupação islâmica na Espanha.

1487 – Bartolomeu Dias contorna o cabo da Boa Esperança, no extremo sul do continente africano, abrindo caminho para o Oriente. Em 1498, Vasco da Gama atinge Calicute, na Índia.

1492 – Convencido da esfericidade da Terra, o navegador genovês Cristóvão Colombo propõe a Portugal alcançar as Índias pelo Atlântico. Rechaçado, leva ao rei espanhol o mesmo projeto. Parte, então, em 3 de agosto, do porto espanhol de Palos com sua frota formada pelos navios Santa Maria, Pinta e Niña. No dia 12 de outubro, data do descobrimento da América, Colombo aporta na ilha de San Salvador (Bahamas), pensando ter chegado às Índias.

1500 – O navegador Pedro Álvares Cabral e sua esquadra atingem o litoral sul da Bahia em 22 de abril. É o descobrimento do Brasil.

1517-1564 – A contestação da estrutura e dos dogmas da Igreja Católica desencadeia a Reforma Protestante, que quebra a unidade do cristianismo. A reforma favorece a monarquia européia, interessada em acabar com os privilégios da Igreja. Também beneficia a burguesia, ao intensificar o progresso comercial e urbano, com uma nova religião mais afinada com o capitalismo e o nacionalismo emergentes.

1534 – Ignácio de Loyola funda a Companhia de Jesus, com a missão de ser uma ordem de ação política e ideológica da Igreja Católica.

1542 – A Inquisição é restabelecida como órgão oficial da Igreja, dirigida de Roma pelo Santo Ofício. O tribunal detém com violência o avanço protestante em Portugal, Espanha e Itália.

1545-1563 – A Reforma Protestante e as pressões internas pela renovação das práticas e pela atuação política do clero levam a Igreja Católica a formular a Contra-Reforma. Suas diretrizes são definidas no Concílio de Trento, que reafirma todos os dogmas e institui o Index Librorum Prohibitorum, lista de livros proibidos aos católicos, sob pena de excomunhão.

1547-1917 – Adotando o título de czar, inspirado no César latino, Ivan IV, o Terrível funda o Império Russo. Mas somente em 1613, durante a dinastia Romanov, o Estado russo é unificado. Pedro I, o Grande cria o Santo Sínodo, que coloca a Igreja sob controle do czar. O dirigente também une a aristocracia ao governo absolutista, garantindo ao regime uma estabilidade que duraria até 1917, ano da Revolução Russa.

1572 – Em 24 de agosto, a rainha católica Catarina de Médicis ordena o assassinato de mais de 3 mil protestantes em Paris, episódio conhecido como Noite de São Bartolomeu. O massacre não poupa mulheres nem crianças e termina apenas três dias depois.

1600 – Fundação da Companhia Britânica das Índias Orientais com o objetivo de explorar o comércio inglês com o Oriente, o Sudeste da Ásia e a Índia. Mais tarde, a organização envolve-se com questões políticas a atua como agente do imperialismo britânico na Índia.

1618-1648 – Protestantes e católicos enfrentam-se na Guerra dos Trinta Anos surge no auge do iluminismo e se transforma em uma das mais importantes bases teóricas da Revolução Francesa. É editada com o objetivo de reunir o conhecimento existente na época sobre artes, ciência, filosofia e religião. Fundamentada no racionalismo, a Enciclopédia ou Dicionário Racional das Ciências, das Artes e dos Ofícios atrai colaboradores como Montesquieu, Voltaire, Rousseau e Quesnay.

1756-1763 – Inglaterra e França enfrentam-se na Guerra dos Sete Anos, motivada sobretudo por disputas de colônias na Índia e na América do Norte. A Inglaterra vence a guerra e consolida seu domínio em grande parte do império colonial francês.

1765 – James Watt aperfeiçoa o motor a vapor, a primeira forma regular e estável de obtenção de energia inventada pelo homem e marco da Revolução Industrial.

1776 – A revolta de colonos na América do Norte contra a política financeira imposta pelo Reino Unido leva à independência dos Estados Unidos. O estopim da rebelião é a aprovação da Lei do Chá, que dá o monopólio do comércio do produto à Companhia Britânica das Índias Orientais, prejudicando os comerciantes locais. A igualdade de direito dos colonos é reivindicada em 1774, durante o Congresso Continental da Filadélfia. Em 1775, a partir da Batalha de Lexington, os colonos organizam-se militarmente e a guerra contra a metrópole é declarada. Ainda naquele ano, uma comissão de cinco membros, liderada por Thomas Jefferson (1743-1826), redige a Declaração de Independência, promulgada no dia 4 de julho de 1776. Em 1783, a Inglaterra reconhece a independência dos Estados Unidos da América pelo Tratado de Versalhes.

1789 – Os 13 estados norte-americanos Carolina do Norte, Carolina do Sul, Connecticut, Delaware, Geórgia, Maryland, Massachusetts, New Hampshire, Nova Jersey, Nova York, Pensilvânia, Rhode Island e Virgínia – ratificam a primeira Constituição da história, que serve de modelo para a maioria das repúblicas surgidas no mundo. A Constituição institui a separação entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e cria um sistema de dupla soberania, em que o Estado Federal possui atribuições acima dos estados. No mesmo ano, George Washington torna-se o primeiro presidente dos Estados Unidos. No século XIX o país expande seu território por meio de compra de possessões, de guerras e conquistas de territórios indígenas.

Renascimento na Idade ModernaRenascimento na Idade Moderna

O Renascimento foi um período da história marcado por significativas mudanças culturais, ideológicas e científicas. Ao contrário do que muitos pensam, não podemos dizer que o renascimento foi a ruptura total com a cultura medieval. De fato, as mudanças ideológicas ocorridas neste período se iniciaram durante a Baixa Idade Média, com o renascimento comercial e o surgimento da burguesia.

Com a aliança feita entre rei e os ricos comerciantes, estes passaram a ter grande poder político. Desta forma, a burguesia passou a difundir seus ideais, e a sociedade, a absorvê-los. Tais ideais tinham como principal característica a compreensão de que o homem era o centro do universo, ou seja, a humanidade deveria ser o centro do entendimento humano, se opondo claramente à visão teocêntrica da Idade Média, a qual pregava que Deus era o centro das preocupações.

Outra característica fortíssima deste período de transformações foi o racionalismo, que nada mais é do que a utilização da razão para tirar conclusões, ao invés da valorização da fé. Além disso, a ideologia renascentista pregava o individualismo, ou seja, a liberdade de um indivíduo perante a sociedade. Esta última característica é um claro exemplo da força da burguesia, uma vez que a existência de indivíduos livres tenderia a estimular o espírito de competição. O Renascimento teve como berço a Península Itálica. Isso se deu principalmente pelo fato de que os maiores comerciantes da época se localizavam nas cidades italianas de Gênova, Veneza e Nápoles.

De fato, neste período podemos ver um amplo desenvolvimento cultural. Com os aperfeiçoamentos da imprensa feitos pelo alemão Johannes Gutenberg, a propagação dos ideais renascentistas se tornou infinitamente mais fácil. Na literatura, podemos destacar os poetas Dante Alighieri e Francesco Petrarca, além de Nicolau Maquiavel e sua obra “O Príncipe”.

Também neste período encontramos a evolução máxima das artes sob a figura do célebre Leonardo da Vinci, autor da mais importante obra da história das artes, Mona Lisa. Não podemos deixar de ressaltar Michelangelo Buonarroti, outro importantíssimo artista, o qual se tornou bastante famoso pelas suas esculturas Davi, Moisés, além dos afrescos pintados na Capela Sistina, na cidade do Vaticano.

Os ideais do Renascimento se difundiram por toda a Europa. Entre alguns célebres escritores e pensadores deste período, podemos citar William Shakespeare, Luís Vaz de Camões, Albrecht Dürer, Michel de Montaigne e Miguel de Cervantes.

Contrarreforma na Idade Moderna (Protestantes e Católicos)Contrarreforma na Idade Moderna (Protestantes e Católicos)

Após a eclosão da Reforma Protestante, a Igreja Católica passou a conviver com uma clara ameaça ao seu poder e soberania. De fato, toda a Inglaterra e a maior parte da Alemanha já haviam sido convertidas aos ideais do protestantismo. Além disso, a influência da Igreja estava em notório declínio na maior parte dos países europeus, como França, Hungria e Áustria.

A reação da Igreja Católica em virtude de todos esses acontecimentos foi o que chamamos de Contrarreforma. Uma das principais medidas da Igreja foi a criação da Companhia de Jesus, uma ordem religiosa que formava missionários (jesuítas) destinados à difusão do catolicismo pelas colônias da América, Ásia e África. Além disso, foi retomada a Inquisição, tribunal que julgava e punia os indivíduos acusados de heresia.

Outro acontecimento bastante importante foi o Concílio de Trento. Iniciado em 1545, o mesmo tinha o fim de fortalecer a autoridade do Papa e reafirmar as crenças e dogmas da Igreja Católica. Como os ideais protestantes foram muito difundidos por meio de livros, a Igreja proibiu seus fiéis de terem contato com tais obras, organizando um índice de livros proibidos, conhecido como Index Libro Rum Prohibitorum.

Embora a Contrarreforma não tenha cessado o avanço do protestantismo pela Europa, foi capaz de reduzi-lo, principalmente em países como Itália, Espanha e Portugal.

Mercantilismo na Idade Moderna Mercantilismo na Idade Moderna

Política econômica desenvolvida pelos Estados europeus entre os séculos XVI e XVIII, baseada no absolutismo estatal e na empresa privada. Corresponde à transição do feudalismo para o capitalismo, portanto à era de acumulação do capital. Caracteriza-se pela interferência do governo na economia, na acumulação de metais preciosos, na balança comercial favorável (exportação maior que importação) e na exploração colonial.

O termo Mercantilismo foi criado por Adam Smith em 1776. De fato, a palavra se refere ao conjunto de políticas econômicas adotado pelas monarquias absolutistas entre os séculos XV e XVIII. Desde a expansão marítima e comercial europeia, já era consistente a aliança entre rei e burguesia: aquele protegia esta, e em troca, recebia os impostos. Nesse sentido, os reis passaram a perceber que ampliando o comércio, também ampliariam a quantidade de impostos e riqueza de seus reinos, por isso apoiaram significativamente a busca por novos territórios, riquezas, mercadorias e mercados.

Embora o mercantilismo seja um conjunto de práticas econômicas que variou conforme cada reino, há alguns pontos em comum. O primeiro deles é o metalismo, ou seja, a busca e o acúmulo de metais preciosos, como o ouro e a prata, que representavam claro poder econômico. Outro aspecto é o protecionismo, prática que visava a taxação de produtos importados com o fim de estimular a produção nacional (acreditava-se que era necessário ter um saldo comercial favorável, isto é, exportar mais do que importar).

Para por em prática todas estas teorias, foi necessário que as metrópoles estabelecessem pactos coloniais rígidos, ou seja, as colônias não podiam negociar com nenhum outro reino além da metrópole. Desta forma, podiam vender seus produtos pelo preço que bem quisessem. Por muitos anos grande parte das colônias americanas serviu apenas para enriquecer suas respectivas metrópoles.

Mesmo que as práticas mercantilistas tivessem proporcionado absurdas vantagens a Portugal e Espanha, isso não foi capaz de sustentar a hegemonia destes países no cenário político da época. No século XVIII, o desenvolvimento manufatureiro substituiu a lógica mercantilista e abriu caminho para o início do capitalismo.

Mercantilismo na Idade Moderna
O fortalecimento do poder real depende de sua capacidade de acumular riquezas e de proteger a nação da concorrência militar e econômica de outros países. Com a formação das monarquias nacionais surge o desejo das nações de se tornar potências, apoiadas pela burguesia. Nessa época, a riqueza é determinada pela quantidade de metais preciosos (ouro e prata) que se possui. Os países que não têm acesso direto às minas procuram aumentar seu comércio. Para isso iniciam a expansão marítima e comercial, conquistando e explorando novos territórios. Para controlar a riqueza e a economia, os Estados utilizam-se de barreiras alfandegárias, tarifas de comércio, incentivo às empresas privadas, controle da produção interna e promoção das atividades comerciais. A criação de companhias de comércio para a exploração colonial também é um elemento da política mercantilista. São empresas privadas nas quais se associam governo e empresas comerciais para ampliar e defender, inclusive militarmente, os negócios nos territórios então descobertos. Um exemplo é a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, cujo objetivo era garantir para a Holanda (Países Baixos) o mercado fornecedor de açúcar.

Com a Revolução Industrial, em meados do século XVIII, o mercantilismo é substituído pelo liberalismo econômico, que defende a não-interferência do Estado na economia.

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