Artes Plásticas ao Longo da História

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Artes Plásticas ao Longo da História

Artes Plásticas ao Longo da HistóriaPré-História – No Velho Mundo, as primeiras manifestações artísticas conhecidas datam do período Paleolítico Superior (de 30000 a.C. a 9000 a.C.). Entre as peças mais antigas já encontradas estão estatuetas humanas como a Vênus de Willendorf (25000 a.C.). Os mais importantes grupos de pinturas em cavernas estão em Altamira, na Espanha (30000 a.C. a 12000 a.C.), e em Lascaux, na França (15000 a.C. a 10000 a.C.), onde se encontram pintados e gravados nas paredes cavalos, bisões, rinocerontes e outros animais que parecem indicar uma arte ritual. As figuras alcançam alto grau de naturalismo e evoluem da monocromia à policromia entre 15000 a.C. e 9000 a.C.

4000 a. C.-331 a. C. – Na Mesopotâmia, sumérios, babilônios, assírios e outros povos realizam uma arte que expressa a religiosidade e o poder dos governantes. São touros alados, estatuetas de olhos circulares, relevos representando conquistas militares e animais, sinetes e cilindros entalhados com pictogramas (ícones utilizados em um sistema de escrita baseado em representações simplificadas da realidade).

3000 a. C.-330 a. C. – A arte do Egito possui forte conteúdo religioso e funerário. Há representações detalhistas de deuses, homens e animais entremeadas à escrita hieroglífica. De início esquemática, a arte aproxima-se do realismo nas estátuas, embora a pintura mural e de papiros obedeça a códigos rígidos, como a representação de perfil.

2800 a. C.-1100 a. C. – Na Grécia, nas ilhas Cíclades, desenvolve-se a cultura cicládica, representada principalmente por estatuetas, geralmente de mármore, de figuras humanas estilizadas, reduzidas a elementos essenciais.

2700 a. C.-1400 a. C. – A cultura minoica floresce na ilha grega de Creta. Nas pinturas murais as cores revelam-se intensas e vivas. Imagens de touros, figuras abstratas, motivos marinhos e animais decoram a cerâmica. Há escultura religiosa de pequenas dimensões.

1600 a. C.-1200 a. C. – A cultura micênica surge em Micenas e depois se propaga para as cidades da Grécia continental. Caracteriza-se, na arquitetura, pela construção de cidadelas fortificadas com imensos blocos de pedra. Na pintura e na escultura existe influência da arte minoica, com obras mais geométricas e menos naturalistas.

Séculos VIII a. C.-V a. C. – O período arcaico da arte grega mostra a passagem de um estilo geométrico para um naturalismo influenciado pela arte egípcia. Os kouroi, estátuas de jovens em pé, demonstram a busca da harmonia na representação do corpo humano. A pintura em cerâmica caracteriza-se pelo uso de figuras negras e vermelhas. Entre os artistas destacam-se Aristonoto e Exékias. Também se desenvolve a decoração lateral e frontal de templos como o de Afaia, em Egina.

480 a. C.-323 a. C. – O período clássico da arte grega espelha o apogeu da cultura de Atenas. O equilíbrio entre a idealização da natureza e sua representação obtém-se do estudo das proporções. Na pintura, o naturalismo é alcançado pelo domínio da perspectiva. Destacam-se pintores como Polignoto, Zêuxis e Parrásio. Na escultura, em que se utilizam o bronze e o mármore, existe harmonia entre forma e movimento. Os principais escultores são Mirón, Policleto, Fídias, Praxíteles. A arquitetura e a ornamentação de templos, como o Partenon em Atenas (447 a.C.-442 a.C.) e o templo de Zeus em Olímpia (460 a.C.), denotam enorme força expressiva e dinâmica.

323 a. C.-146 a. C. – No período helenístico, a arte grega assume características realistas ao incluir a representação da feiúra. Nas esculturas percebem-se dramaticidade e exuberância decorativa. Entre as obras mais conhecidas estão a Vitória da Samotrácia (300 a.C.), a Vênus de Milo (final do século II a.C.) e os frisos do templo de Zeus, em Pérgamo (165 a.C.).

500 a. C.-330 – Influenciada pelos etruscos, a arte romana adota os modelos culturais gregos e chega a copiar estátuas clássicas e helenísticas. Nessa época, o retrato ganha um caráter realista e pessoal. Incentiva-se a construção de monumentos públicos, e a pintura mural busca o efeito tridimensional. Um dos destaques são os afrescos de Pompeia (séc. I a.C.).

330-1000 – No Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla (antiga Bizâncio), surge a arte bizantina, sob influência da Grécia e da Ásia Menor. Destacam-se as pinturas murais, os manuscritos, os ícones e os mosaicos de cores brilhantes, carregados de profundo misticismo religioso. As rígidas convenções cristãs impedem a representação de movimento na imagem.

1050-1200 – Nesse período se desenvolve-se a arte românica, consequência de uma retomada de desenvolvimento comercial, mas também de grande religiosidade. A arte românica teve grande expressão na arquitetura e na escultura nas regiões da Europa Ocidental. Seu nome foi atribuído posteriormente como oposição à arte gótica, do período seguinte, que tem seu esplendor nas regiões de cultura germânica. Suas cúpulas e seus arcos arredondados, suas paredes espessas com pequenas aberturas para vitrais criaram uma atmosfera de introspecção religiosa.

1200-1450 – Desenvolve-se a arte gótica, de cunho fortemente religioso, com expressão destacada nas regiões de influencia germânica. A arquitetura sacra é seu principal veículo. Datam dessa época as grandes catedrais, nas quais domina o movimento vertical das formas de grandes colunas de sustentação, possibilitando a inserção de grandes vitrais que permitiam a entrada de luz dentro dos templos. A escultura e a pintura também são dominadas por formas longilíneas.

1450-1550 – Os padrões da Antiguidade clássica voltam a servir de base cultural e artística. As ideias do humanismo colocam o homem como centro e medida da arte. Há grande desenvolvimento das técnicas de representação em perspectiva, com a descoberta da perspectiva central, e utilizam-se os conhecimentos científicos, como os estudos de anatomia, para reproduzir mais fielmente a natureza. Na pintura, técnicas novas, como o uso da tinta a óleo, aumentam a ilusão de realidade. A escultura pretende maior naturalidade e expressividade. Verifica-se também um crescimento considerável da xilogravura e da gravura em metal. Entre as pinturas destacam-se O Casal Arnolfini, de Jan van Eyck; A Alegoria da Primavera, de Sandro Boticcelli; A Virgem dos Rochedos, de Leonardo da Vinci; A Escola de Atenas, de Rafael Sanzio; o teto da Capela Sistina, de Michelangelo Buonarotti (também um dos principais nomes da escultura); e O Cavaleiro, a Morte e o Diabo, de Albrecht Dürer. Entre os escultores sobressai Donato di Donatello.

1520-1590 – Ao romper com as regras clássicas de idealização da beleza, o maneirismo distingue-se por suas figuras distorcidas, alongadas e serpenteantes. A representação não realista do espaço produz forte sensação de tensão, e composições bizarras e deformadas sugerem aspectos ocultos da natureza. Entre as obras mais importantes estão O Juízo Final, de Michelangelo; A Crucificação, de Tintoretto; e O Enterro do Conde de Orgaz, de El Greco.

1600-1750 – O barroco privilegia a cor e não o desenho, e as técnicas empregadas permitem criar uma nítida impressão de movimento. A pintura explora efeitos de luz e sombra e dramatiza o espaço para envolver os sentidos do espectador. Ligado ao absolutismo, o movimento vê-se influenciado pela Contra-Reforma nos países católicos e pela busca de independência e de uma identidade nacional nos países protestantes. Surgem também temas como a paisagem, a natureza-morta e cenas do cotidiano. Como obras destacam-se A Ceia em Emaús, de Caravaggio; A Descida da Cruz, de Peter-Paul Rubens; A Ronda Noturna, de Rembrandt; O Êxtase de Santa Teresa, de Gian Lorenzo Bernini; As Meninas, de Diego Velázquez; e Vista de Delft, de Jan Vermeer.

1730-1800 – Uma pintura de tons claros com linhas curvas e arabescos marca o estilo decorativo e a atmosfera sensual do rococó. O afresco ganha importância, e geralmente vem associado à escultura na decoração de interiores. Seus representantes mais importantes são: Jean-Antoine Watteau, Giovammbattista Tiepolo, François Boucher e Jean-Honoré Fragonard.

1750-1820 – Os valores da Antiguidade greco-romana e do Renascimento são resgatados pelo neoclassicismo. Há uma supremacia do desenho e da linha sobre a cor, em ambientações teatrais e sóbrias. Os ideais do iluminismo e da Revolução Francesa favorecem o nascimento de um espírito cívico e de sacrifício heróico. Isso contribui para que a pintura histórica seja vista como a forma mais nobre de arte. Nesse período destacam-se Perseu com a Cabeça da Medusa, de Antonio Canova; O Parnaso, de Anton Raphael Mengs; O Juramento dos Horácios e A Morte de Sócrates, de Jacques-Louis David; e A Banhista de Valpinçon, de Jean-Auguste-Dominique Ingres.

1790-1850 – Notabilizadas pela subjetividade e pela introspecção, as obras de arte do romantismo evocam sentimentos e sensações. Há um interesse maior pelo passado não clássico e uma forte influência da literatura romântica, além de uma atração pelas forças da natureza e pelo exótico. A cor e o movimento suplantam os traços e a exatidão do contorno. Distingue-se o trabalho de Francisco de Goya y Lucientes, cuja obra antecipa características futuramente desenvolvidas por movimentos como o expressionismo. Algumas de suas principais pinturas são A Família de Carlos IV, O Colosso e Os Fuzilamentos do Três de Maio de 1808. É autor também de importantes séries de gravuras. Sobressaem ainda obras como A Balsa da Medusa, de Théodore Géricault; A Carroça de Feno, de John Constable; A Morte de Sardanapalo, de Eugène Delacroix; e O Combatente Téméraire, de Joseph William Turner.

1830 – O naturalismo dos paisagistas da Escola de Barbizon desenvolve uma pintura de cores luminosas, motivada pelo contato com a natureza. Mais tarde o movimento influenciará os impressionistas. Destacam-se Camille Corot, Théodore Rousseau e Jean-François Millet.

1848-1853 – Forma-se a Irmandade Britânica Pré-Rafaelita, grupo que prega o retorno aos valores artísticos anteriores a Rafael, tido por seus membros como o mestre da arte. As pinturas de Dante Gabriel Rossetti, William Holman Hunt, John Everett Millais e Edward Burne-Jones são detalhistas, cheias de alegorias simbólicas, marcadas por cores brilhantes e por temas medievais.

1848-1875 – O realismo registra a realidade física do mundo por meio da objetividade científica e crua, inspirado pela vida cotidiana e pela paisagem. O conteúdo de crítica social das obras e um erotismo mais explícito causam forte reação na crítica e no público. Entre as principais pinturas estão Enterro em Ornans, de Gustave Courbet; Vagão de Terceira Classe, de Honoré Daumier; e Almoço na Relva, de Édouard Manet.

1872-1900 – O impressionismo fragmenta a pincelada e por meio da cor pinta a luz, manifestando uma impressão da realidade. Boa parte da pintura é feita ao ar livre, o que facilita a captação dos efeitos da luz na natureza. A fragmentação da superfície plana da pintura, feita pelos impressionistas e pelos pós-impressionistas, abre caminho para movimentos como o cubismo e o abstracionismo. Entre as obras mais conhecidas estão Impressão: Nascer do Sol, de Claude Monet, tela que deu nome ao movimento; A Aula de Dança, de Edgar Degas; e O Almoço dos Remadores, de Auguste Renoir.

1880-1900 – O pós-impressionismo refere-se a artistas que, ao assimilar os conhecimentos de cor e luz do impressionismo e de outros estilos, influenciam os novos caminhos da arte do século XX. São experimentações extremamente individuais. Pela fragmentação da pincelada, da cor e da perspectiva, Paul Cézanne alcança a essência das formas da natureza, como em O Monte Sainte Victoire. Paul Gauguin utiliza-se de um cromatismo intenso, não naturalista, como em O Cristo Amarelo. As cores mais fortes são exploradas por Vincent van Gogh com pinceladas vigorosas, explosivas, sem contornos nem limites definidos, como em Noite Estrelada. Georges Seurat, autor de Tarde de Domingo na Ilha La Grande Jatte, cria o divisionismo, ou pontilhismo, ao reduzir a imagem a pontos de cor pura e deixar a fusão das cores e da imagem para olho do espectador. Henri de Toulouse-Lautrec explora a litogravura (técnica de impressão de tinta ou lápis oleoso sobre pedra calcária) para alterar e reconstruir o espaço perspectivo pela expressividade da linha, e assim retratar a vida noturna parisiense, como em Jane Avril no Jardin de Paris.

1885-1910 – O simbolismo, marcado pelo mistério e pela sensualidade, busca as relações entre o mundo subjetivo e dos sonhos e o significado por trás da realidade aparente das coisas. Existe também uma atração pelo lado sombrio do ser humano e da natureza e pelo oculto. Uma das ramificações do movimento é o estilo de inspiração oriental e medieval conhecido como art nouveau na França, Jugendstil na Alemanha e Sezession, na Áustria. Destacam-se como artistas Odilon Redon, James Ensor, Gustav Klimt, Edvard Munch e Auguste Rodin.

1891-1900 – O grupo Nabis (Profetas, em hebreu) põe em prática um estilo carregado de simbolismo, inspirado no uso da cor em trabalhos como o do pintor Paul Gauguin, nas gravuras e na pintura ornamental japonesa. Os artistas dão especial atenção às técnicas gráficas, como a litogravura. Pertencem ao movimento, entre outros, Pierre Bonnard, Maurice Denis, Aristide Maillol, Félix Vallotton e Édouard Vuillard.

Expressionismo – Artistas de diferentes épocas são considerados precursores do expressionismo, entre eles Francisco Goya, Vincent Van Gogh, Paul Gauguin e James Ensor. Mais que um estilo, o expressionismo é uma postura assumida em diversas formas de manifestação artística durante o século XX. Vários de seus representantes trabalham nessa linha, sem ligar-se a movimentos ou a grupos. Entre eles, Edward Munch, Emil Nolde, Amedeo Modigliani, Oskar Kokoschka, Egon Schiele, Chaim Soutine, Alberto Giacometti e Francis Bacon. Nas artes visuais, o expressionismo utiliza-se da distorção das formas, da cor e do desenho para representar o sentimento do artista e seu mundo interior. Dois grupos de artistas lançam as bases para o expressionismo: Die Brücke e Der blaue Reiter.

1905-1908 – Na França, o fauvismo (de fauves, ou fera) busca a harmonia e o equilíbrio da composição por meio de cores intensas e não naturalistas. Dança, de Henri Matisse, é uma das obras representativas do movimento.

1905-1913 – Na Alemanha, o grupo Die Brücke (A Ponte) lança as bases formais do expressionismo. Os temas são mórbidos e depressivos e as figuras angulosas. A perspectiva distorcida e irreal evoca o interior angustiado do artista, que filtra a realidade por meio de suas emoções. Alguns membros do grupos são Ernst Kirchner, Erich Heckel, Karl Schmidt-Rottluff, Max Pechstein e Otto Mueller.

1907-1914 – Influenciado por Cézanne e pela arte primitiva , o cubismo rompe com a perspectiva tradicional ao apresentar múltiplos pontos de vista em um mesmo quadro ou escultura. O rosto da figura, por exemplo, exibe ao mesmo tempo o perfil e a frente. Por meio de uma visão objetiva, os artistas procuram a síntese geométrica dos volumes e da forma, e às vezes os reduzem a sólidos, como cubos, cilindros e esferas. Com o cubismo inaugura-se também a aplicação de colagens e referências à comunicação de massa (estampas, recortes de jornais e fotos são colados à tela). São obras marcantes Les Demoiselles d'Avignon, de Pablo Picasso, e Casas em L'Estaque, de Georges Braque.

1909-1914 – O futurismo enaltece a dinâmica e a velocidade do mundo moderno ao se utilizar de uma sucessão de linhas e planos paralelos, promovendo com isso uma inabalável adoração pelas máquinas e pelo progresso. Baseado nos fundamentos dos manifestos de F.T. Marinetti, seu idealizador, o futurismo manifesta-se na poesia, na escultura, na pintura, no teatro, na moda e até mesmo na construção de brinquedos. As obras pictóricas pretendem representar espacialmente o movimento e a velocidade. Destacam-se Umberto Boccioni, Carlo Carrà, Luigi Russolo, Giacomo Balla e Gino Severini.

1911-1914 – No orfismo, a exploração do contraste das cores prevalece sobre os elementos formais. As obras, no entanto, mantêm forte vínculo com a noção de espaço e a perspectiva cubista. Destacam-se os trabalhos de Robert Delaunay, Sonia Delaunay e Frantisek Kupka.

1912-1914 – O grupo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) desenvolve um expressionismo influenciado pelo cubismo e pelo futurismo. Seus integrantes têm uma visão espiritualizada do universo e se manifestam sobretudo por meio da cor. A realidade interior é exposta pela fragmentação das formas e pelo caráter gestual da pincelada. Pesquisa-se a correspondência entre as diferentes linguagens artísticas, como entre a música e a pintura. Algumas das obras importantes do grupo são Improvisação nº 19, de Vassíli Kandínski; Cavalo Azul I, de Franz Marc; Grande Jardim Zoológico, de August Macke; e Vista de Kairuam, de Paul Klee.

1913 – O suprematismo, na Rússia, é um movimento abstrato de tendências geométricas, que adota formas básicas – triângulo, quadrado ou círculo, por exemplo – e cores puras, em composições monocromáticas. Um exemplo é a obra Quadrado Negro, de Kazimir Malevitch.

ABSTRACIONISMO – É um tipo de arte que não representa a aparência das coisas do mundo real e que vê a obra como um objeto em si. O foco está nos elementos fundamentais da pintura – o ponto, a linha, o plano e a cor –, que constituem uma realidade própria. Esse enfoque existe na base de diversos movimentos artísticos, como o suprematismo, o neoplasticismo, o construtivismo, o concretismo, o expressionismo abstrato. Em seu desenvolvimento, o abstracionismo divide-se em duas formas básicas: informal (ou subjetiva), ligada à expressão interior do artista; e geométrica (ou objetiva), relacionada com a construção do pensamento, com sua representação e percepção.

1916-1922 – Anárquico, antiburguês e contrário à guerra, o movimento dadá, ou dadaísmo, nasce em Zurique, na Suíça, pregando o nonsense, o absurdo, o sarcasmo e o acaso, simultaneamente, em diversas linguagens, como pintura, poesia, escultura, fotografia e ações teatrais. Para isso, os artistas assumem estilos e tendências de diversos outros movimentos da vanguarda histórica, com finalidades parodísticas: montagem, colagem, tipografia caótica, ações públicas escandalosas, declamações de poemas sem sentido. O movimento original espalha-se por diversas outras capitais e por cidades européias, como Berlim, Paris, Colônia e Hannover. Destacam-se Hugo Ball, Tristan Tzara, Hans Arp, Raoul Hausmann, Francis Picabia, Marcel Duchamp, Max Ernst, Kurt Schwitters, George Grosz e Man Ray.

1917-1924 – A pintura metafísica, de tendência figurativa, distingue-se pelas inusitadas imagens oníricas, em perspectivas distorcidas pela luz. Uma obra com essa característica é As Musas Inquietantes, de Giorgio de Chirico. Nesse mesmo período, o neoplasticismo, depois do grupo De Stijl, baseia-se em uma teoria que procura criar uma visão geométrica e matemática da realidade usando linhas, planos e cores básicas. Uma das obras mais conhecidas é Composição com Vermelho, Amarelo e Azul, de Piet Mondrian.

1919-1933 – A Bauhaus, escola fundada por Walter Gropius, na Alemanha, associa artes visuais, desenho industrial, arquitetura e artes decorativas. O objetivo é produzir objetos funcionais, que atendam às necessidades da sociedade industrial e tornem mais harmônico o cotidiano das pessoas, eliminando, assim, todos os elementos meramente decorativos. Alguns de seus integrantes são Wassily Kandinsky, Josef Albers, Mies van der Rohe, Paul Klee, Lyonel Feininger, Oskar Schlemmer e László Moholy-Nagy.

1920-1922 – O construtivismo russo defende uma arte abstrata com a função social de criar uma nova realidade, com base na união de todas as formas artísticas. A pintura e a escultura devem ser funcionais e, por isso, aparecem muito ligadas à arquitetura. Predomina a arte abstrata, em que se destacam estudos sobre o movimento e a luz. Entre os principais nomes dessa corrente encontram-se Antoine Pevsner, Naum Gabo, Vladímir Tatlin e Alexander Rodchenko.

1922 – A difusão dos ideais socialistas leva o realismo social a diversos países. Caracterizado por um figurativismo expressionista, apresenta forte caráter narrativo e temas preocupados com a política e com o social. Os mexicanos Diego Rivera, José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros são alguns dos mais importantes artistas dessa tendência, responsáveis por uma pintura mural de grandes formatos, com Ben Shahn, nos Estados Unidos, e Renato Guttuso, na Itália.

1923-1925 – A nova objetividade desenvolve na Alemanha um expressionismo sarcástico, de crítica feroz às condições do pós-guerra e à sociedade. Utiliza a caricatura e a distorção do desenho e da cor. Destacam-se Max Beckmann, Otto Dix, George Grosz e Käthe Kollwitz.

1924 – Ao explorar o inconsciente e o fluxo de imagens não controladas pela razão, o surrealismo se utiliza de associações irreais, bizarras e provocativas. O rompimento com as noções tradicionais da perspectiva e da proporcionalidade resulta em imagens estranhas e inverossímeis. Auto-Retrato com Sete Dedos, de Marc Chagall; O Carnaval do Arlequim, de Joan Miró; A Persistência da Memória, de Salvador Dalí; A Traição das Imagens, de René Magritte; e Uma Semana de Bondade, de Max Ernst, são algumas das obras mais representativas.

1930 – Na Europa e nos Estados Unidos, o expressionismo abstrato abriga diversas definições e correntes, mas todas têm em comum o uso e a preocupação com a gestualidade, como o abstracionismo lírico, a action painting, o tachismo, o informalismo e o colour field. O abstracionismo lírico estabelece as tendências gerais das diversas correntes do expressionismo abstrato. Defende a importância do gesto inconsciente, que cria uma caligrafia do movimento, e a expressão interior do indivíduo, que se dá por meio do gesto e independe da forma. Têm destaque os artistas Roger Bissière, Maria Elena Vieira da Silva, Jean Bazaine, Jean-Paul Riopelle, Nicolas de Staël e Hans Hofmann.

1933 – Cria-se a Unit One (Unidade Um), grupo de artistas da Inglaterra – Henri Moore, Ben Nicholson, Barbara Hepworth e Paul Nash, entre outros – que tem por objetivo difundir a arte moderna inglesa, de tendências surrealistas e abstratas. Seu porta-voz e divulgador é o crítico e historiador da arte Herbert Read.

1944 – O concretismo cresce como a principal corrente do abstracionismo geométrico. Com suporte teórico do pintor e arquiteto holandês Theo van Doesburg, constrói uma realidade matemática, calculada, de um geometrismo rigoroso e objetivo. Sustenta que não existe arte mais real ou concreta do que a baseada na linha, na cor e na superfície. Seu principal representante é Max Bill.

1945 – Vertente do expressionismo abstrato, o abstracionismo matérico transforma o material com que é feita a obra (tinta, terra etc.) no ponto central dela própria ao salientar sua textura e a expressão do gesto do artista na matéria. Sobressaem Jean Dubuffet, Wols, Jean Fautrier, Antoni Tápies e Alberto Burri.

1946 – O espacialismo associa a gestualidade do expressionismo abstrato à ruptura com o suporte e a superfície da obra, uma influência dadaísta. As composições monocromáticas, que têm o gesto fixado na obra em forma de rasgos, furos e cortes, discutem a natureza da própria obra no espaço. Lucio Fontana é um de seus destaques.

1948-1951 – O grupo Cobra (de Copenhague, Bruxelas e Amsterdã), sob influência da arte primitiva e infantil, apresenta um expressionismo fundamentado na gestualidade violenta e inconsciente e na cor. Valoriza um imaginário fantástico, muitas vezes baseado na mitologia e no folclore nórdicos. Corneille, Asger Jorn, Karel Appel e Pierre Alechinsky são alguns membros do grupo.

1950 – Nos Estados Unidos, a action painting busca a expressividade pela ação e pelo movimento no ato de pintar. Essa descarga de energia, que se dá por meio de pinceladas, dripping (respingamento de tinta) ou simplesmente derramando a tinta sobre a superfície, confere um aspecto inconsciente e subjetivo à obra. Os mais importantes artistas dessa corrente são Jackson Pollock, Willem de Kooning e Franz Kline. O equivalente europeu da action painting é o tachismo – do francês tache (mancha). O nome faz referência à forma casual, à mancha resultante do gesto do artista. Destacam-se Hans Hartung, Pierre Soulages e Georges Mathieu. O informalismo procura o gesto espontâneo, a diluição da forma e a liberdade na composição informal da mancha, do traço e da cor. Os destaques são Henri Michaux, Mark Tobey e Emilio Vedova. A colour field painting é uma tendência baseada na composição e na pesquisa de áreas geométricas extensas e monocromáticas. Algumas expressões do movimento são Mark Rothko, Barnett Newmann, Kenneth Noland, Clyfford Still, Morris Louis e Richard Diebenkorn.

1955 – A Documenta de Kassel, na Alemanha, realiza-se pela primeira vez para resgatar as tendências modernas perseguidas pelo regime nazista. Realizada a cada cinco anos, torna-se o mais importante painel da produção artística contemporânea internacional, ao lado das bienais de Veneza (criada em 1895) e de São Paulo (criada em 1951).

1956 – As histórias em quadrinhos e a mídia são as referências da pop art. A apropriação dessas imagens cotidianas é feita com humor, o que, porém, não impede uma ácida crítica ao consumismo. Destacam-se artistas como Richard Hamilton, Allen Jones, Robert Rauschenberg, Jasper Johns, Andy Warhol, Roy Liechtenstein, Tom Wesselman, Jim Dine, David Hockney e Claes Oldenburg. Nesse mesmo período, a arte cinética rompe a dimensão do quadro e estabelece jogos óticos entre o objeto e o espectador por meio do movimento e da luz, induzidos de forma mecânica ou elétrica. Entre seus artistas estão Jesús-Rafael Soto, Jean Tinguely e Alexander Calder.

1960 – Três correntes se fortalecem no início dos anos 1960. A nouvelle figuration, de caráter internacional, reage ao domínio abstrato voltando-se à figuração. Nessa corrente destacam-se Francis Bacon, Alberto Giacometti, David Hockney e Enrico Baj. O nouveau réalisme busca uma nova realidade artística, na qual a obra pode ser um acontecimento, uma ação ou uma cor. Seus temas típicos são a máquina, as preocupações metafísicas do homem moderno e a sociedade urbana. Entre seus integrantes encontram-se Yves Klein e Piero Manzoni. A op art (de optical art) usa a perspectiva, a luz e os contrastes de cor para dar à obra a ilusão de movimento. Destacam-se Victor Vasarély, Joseph Albers e Bridget Riley.

1962 – O grupo Fluxus reúne artistas importantes influenciados pelo espírito do dadá. Embora de estilos diferentes, têm em comum um trabalho que explora o happening, uma ação pública desenvolvida teatralmente e ao acaso. Entre eles estão George Maciunas, Nam June Paik, John Cage e Joseph Beuys. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, o new realism busca uma pintura figurativa, de profundo impacto psicológico, principalmente na representação da figura humana e no retrato. Têm destaque Lucian Freud, Alice Neel, Alex Katz e Philip Pearlstein.

1963 – O minimalismo busca reduzir a obra aos mínimos elementos formais possíveis, como cor, linha ou volume. A repetição de um mesmo elemento torna-se uma constante em obras de artistas como Donald Judd, Robert Morris, Carl André, Robert Mangold e Richard Serra.

1965 – O ponto central da arte conceitual é a idéia ou o conceito da obra. Para exteriorizar seu significado, usam-se elementos como textos, imagens e outros objetos. Um dos meios preferidos dos artistas conceituais é a instalação: disposição de elementos no espaço com a intenção de criar uma relação com o espectador. Sobressaem Joseph Beuys, Joseph Kosuth, Daniel Buren, Sol Le-Witt e Marcel Broodthaers. A videoarte utiliza a televisão e sua tecnologia de transmissão de imagens como veículo para performances (execução de uma ação espontânea ou teatral) e para outros processos. Discute seu uso como meio e técnica artística. Têm destaque: Nam June Paik, Vito Acconci, Bill Viola, Bruce Naumann, Gary Hill, Bruce Yonemoto e William Wegman.

1967 – O emprego de materiais "pobres", sem apelo de consumo, como madeira, pedra, areia etc., é a característica fundamental da arte povera, surgida na Itália. Seus principais veículos são a escultura e a instalação de influência minimalista. Destacam-se Michelangelo Pistolleto e Janis Kounelis.

1968 – Baseado na reprodução quase fotográfica de objetos e pessoas do cotidiano, o hiper-realismo elimina a interferência do sentimento do artista ao pintar ou esculpir, buscando técnicas e materiais novos que imitam com perfeição esses objetos e pessoas, causando um choque no espectador, que depara com sua imobilidade e sua frieza expressiva. Entre os principais representantes na pintura e na escultura, estão Duane Hanson, Richard Estes, Chuck Close e George Segal. Nos Estados Unidos, a intervenção urbana estabelece relações entre a obra de arte, em geral esculturas ou instalações, e o espaço público, ao modificar e alterar o ambiente urbano. Sobressaem: Isamu Noguchi, Richard Serra, Richard Haas, Michael Heizer e Robert Irwin.

1969 – A process art (arte processual) implica a modificação da obra de arte durante sua exposição, de modo que seja afetada pelo meio expositivo ou pela própria decomposição ao longo do tempo. Hans Haacke, Eva Hesse, Joseph Beuys, Lynda Benglis e Sam Gilliam são os principais nomes da corrente. A arte feminista, que trata de temas como a violência, a opressão da sociedade machista, a identidade da mulher e a expressão de sua sexualidade, utiliza-se de diversos meios e linguagens, por exemplo fotografia, pintura e outdoor. Embora não siga um estilo determinado, guarda proximidade com a arte conceitual. Destacam-se Judy Chicago, Miriam Schapiro, Cindy Sherman, Nancy Spero, Mary Kelly e Barbara Kruger.

1970 – A land art (arte ambiental) interfere na paisagem natural ou urbana e enfoca as relações entre o ser humano e o ambiente. Para isso, adotam-se, entre outros, materiais naturais, como madeira e pedra. O representante mais conhecido é Christo, que chega a literalmente embrulhar monumentos como a Pont-Neuf, em Paris, ou o Reichstag, o monumental edifício do antigo Parlamento alemão (agora reativado e reformado com a mesma destinação histórica). Destacam-se também Richard Long, Robert Smithson e Walter de Maria. Outro movimento dessa época é a body art, na qual o artista usa o próprio corpo como suporte ou material para a obra, por meio de performances ao vivo ou gravadas, chegando às vezes a manifestações de automutilação, exibicionismo obsceno ou autodestruição. Entre seus integrantes, estão Vito Acconci, Chris Burden, Dennis Oppenheim, Hermann Nitsch, Rudolf Schwarzkogler. A arte high-tech toma emprestado os recursos cada vez mais sofisticados da tecnologia para produzir sua arte, como computadores, xerocopiadoras, transmissões de satélite, fax, laser, holografia e projeções audiovisuais. Entre seus principais artistas se encontram Nam June Paik, Jenny Holzer, Bruce Nauman, Krzysztof Wodiczko e James Turrell. Resgatado das ruas e levado para as galerias nos anos 1970, o grafite – pintura com spray em lugares públicos – transforma-se em expressão artística. O desenho tende a ser gestual e estilizado e sofre influência das histórias em quadrinhos e dos veículos de cultura de massa. Destacam-se Keith Haring, Zephyr e Kenny Scharf.

1978 – Na Itália, a transvanguarda reage ao domínio da arte conceitual e resgata o processo de representação e narração da pintura, usando um figurativismo próximo das tendências expressionistas. Destacam-se Sandro Chia, Enzo Cucchi, Mimmo Paladino, Francesco Clemente e Nicola de Maria. Paralela e analogamente à transvanguarda surgem os neo-selvagens alemães.

1980 – O Neo-expressionismo reassume a figuração expressiva, opõe-se às tendências conceituais e abstratas e recupera e se apropria de imagens e temáticas da história da arte. Os principais artistas dessa corrente são Julian Schnabel, Jean-Michel Basquiat, Jonathan Borofsky, Anselm Kiefer, Georg Baselitz, Jörg Immendorf, A. R. Penck, Walter Dahn, Rainer Fetting, Sigmar Polke, Martin Kippenberger, Jiri Georg Dokoupil, David Salle, Eric Fischl, Robert Longo, Gerard Garouste, Salomé e Helmut Middendorf.

1985 – O neo-geo (ou conceitualismo neo-geométrico) trabalha com materiais e objetos de uso doméstico e cria uma escultura que discute a obra de arte como objeto kitsch (de gosto duvidoso) e de consumo. Têm relevância Ashley Bickerton, Peter Halley e Jeff Koons.

Década de 1990 – O pós-modernismo tem como características a apropriação de referências e imagens do passado e da história da arte e a utilização da simulação de experiências inexistentes como se pertencessem à realidade (simulacro) – eliminam-se os limites entre a vida real e a arte. Estão presentes também elementos da desconstrução da imagem, do multiculturalismo e da discussão sociopolítica aplicada ao discurso artístico. Questiona-se a massificação da arte em relação aos processos tecnológicos atuais de utilização e difusão da imagem, como a internet. Entre os principais nomes estão Susan Rothemberg, Gerhard Richter, Robert Morris, Leon Golub, Sherrie Levine, Sue Coe, Anish Kapoor, Adrian Piper, Barbara Bloom e Tony Cragg. Nessa década surgem também as tendências da web-art, que utiliza as redes telemáticas como parte do trabalho artístico.

Anos 2000 – A 49ª Bienal de Veneza, em 2001, apesar de conservar sua tradição, mostra-se em sintonia com as tendências da arte contemporânea e é marcada pelo caráter multidisciplinar: mais de 70% dos trabalhos são feitos utilizando-se vídeo, fotografia e computadores. O Brasil tem participação significativa, com obras de Vik Muniz e Ernesto Neto, no Pavilhão Brasil. Em 2002, a Documenta, que ocorre a cada cinco anos na cidade alemã de Kassel, abre sua 11ª mostra, na qual se apresentam os mais importantes artistas de vanguarda da segunda metade do século XX. Em 2003, a 50a Bienal de Veneza traz um tema provocativo: "a ditadura do espectador". Ironicamente, o curador-geral, Francesco Bonami, é criticado por adotar a "ditadura do curador", em razão da maneira como direciona, com outros organizadores, a leitura das obras. Nessa edição, trabalhos dos brasileiros Alexandre da Cunha, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Fernanda Gomes, Hélio Oiticica, Marepe e Rosângela Rennó são expostos.

#Nu

NuNas artes plásticas, o nu é toda representação do corpo humano despido. Já aparecia com certa freqüência no paleolítico, como demonstram certas estatuetas femininas, provavelmente ligadas a rituais de fertilidade. O conteúdo do nu, porém, tem variado no tempo, como se verifica pela comparação de nus dos museus da tradição humanista com telas como "A mulher deitada", de Henry Moore, ou o "Nu azul", de Matisse.

Na Grécia antiga, o nu era expressão do sentido helênico da perfeição humana, tendo portanto um aspecto ético e não somente físico. Essa fusão do físico com o psíquico levou à criação de esculturas que constituem um permanente padrão de beleza.

Os renascentistas retomaram da antiguidade não só os temas mitológicos e decorativos, mas também a representação do nu. Esse interesse se intensificou de tal maneira que Benvenuto Cellini afirmou ser o traçado das figuras do homem e da mulher "o ponto mais importante do desenho". Até então, os corpos representados eram sempre jovens, fortes e belos. Uma nova tendência surgiu a partir do século XVII, quando a idealização deixou de ser uma constante e, com uma concepção realista e mesmo sensual do tema, o nu começou a se transformar . Exemplo desse novo enfoque são as telas de Rubens, que ressaltam os encantos do corpo feminino, e as obras de muitos artistas dos países nórdicos, que na mesma época se dedicaram a reproduzir detalhes naturalistas até então ignorados, como pés demasiado grandes, rugas e outros sinais de velhice.

A representação do nu tornou-se característica do trabalho de Fragonard e de outros expoentes da pintura galante do século XVIII. No século seguinte, tema constante de Courbet e Delacroix, o nu foi utilizado pelos pintores impressionistas em suas experiências com a cor. No século XX, a arte moderna utilizou o nu para impor sua estética renovadora, em reação às tendências de um academicismo sem qualquer originalidade. Em 1907, Picasso realizou um nu que se tornaria um dos mais importantes da história da arte, "Les Demoiselles d'Avignon". A tela, que mostra cinco mulheres, foi um verdadeiro manifesto contra os que afirmavam que o pintor devia representar fielmente a realidade.

No Brasil, o nu de influência neoclassicista surge com frequência em obras de Vítor Meireles, Pedro Américo, Almeida Júnior, Eliseo Visconti e Rodolfo Amoedo. Tarsila do Amaral, Flávio de Carvalho e Di Cavalcanti foram inovadores do nu na fase modernista. Tanto no Brasil quanto no exterior, o nu tem sido utilizado até mesmo na arte abstrata, por meio de formas geométricas muitas vezes consideradas estilizações ou sínteses extremas do corpo humano.

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