Café Conillon, Cultura do Café Conillon

Tags

Café Conillon, Cultura do Café Conillon  

Café Conillon, Cultura do Café Conillon
As regiões produtoras de café conillon no Brasil estão no Espirito Santo (zonas baixas), em Minas Gerais (Vale do Rio Doce e Zona da Mata), estado de Rondônia, estado da Bahia (região do Litoral Sul e Extremo Sul) e estados do Pará, Acre, Pernambuco, Rio de Janeiro. 


No Brasil há um parque cafeeiro de conillon de 850 milhões de pés (21% do total cafeeiro), estimando-se que 140 milhões de pés não entraram em produção (1997 - 1998). Espirito Santo é responsável por 70% do parque (600 milhões de pés), Rondônia (com 200 milhões), Bahia (com 16 milhões), Minas Gerais e Mato Grosso 10 milhões (cada) entre outros. A safra do país situa-se em 4,7 milhões de sacas / ano (20% da produção brasileira) sendo o Espirito Santo responsável por 70% da safra média (3.200 mil sacas/ano), Rondônia (com 1.100 mil sacas), Bahia (com 170 mil sacas), Minas Gerais (com 60 mil sacas) e Mato Grosso (com 50 mil sacas). Assegurados os números relativos ao parque cafeeiro o potencial produtivo à alcançar é de 6,4 milhões de sacas/ano.

A produção mundial de cafés "robusta" - a brasileira incluída - alcança 23 a 29 milhões de sacas/ano (1993-1998) com média de 27 milhões de sacas/ano, o que representa 28% da produção mundial total de café. Os países principais produtores mundiais de cafés "robusta" (milhões de saca/ano), são Indonésia (6,6), Brasil (4,3), Vietnã (3,8), Costa do Marfim (3,5), Uganda (3,4).

Até 1980 as exportações brasileiras eram mínimas; entre 1980 e 1985 o volume exportado médio anual foi de 1.095 mil sacas/ano que passaram a 1,7 milhão de sacas/ano no período 1986-90, e no período 1991-95 a média anual subiu para 2,4 milhões de sacas/ano caindo para 1 milhão de sacas/ano (1995-96) em decorrência de oferta de preços mais competitivos no mercado e aumento de produção de países asiáticos (Vietnã). O Brasil espera alcançar exportações acima de 1 milhão (1998) e objetiva conseguir exportações de 5 milhões de sacas/ano. 

Os principais mercados importadores do café conillon brasileiro são os Estados Unidos da América do Norte, Argentina e Canadá (1997).

As organizações interessadas nesse café na Bahia são:
  1. Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária - Salvador
  2. Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola - Salvador
  3. Cooperativa Mista Agropecuária de Teixeira de Freitas
  4. Cooperativa Grapiuna em Itabuna.
Além da região econômica do Extremo Sul da Bahia (onde estão os plantios), a região econômica do Litoral Sul é tida como região potencial para plantios do conillon. 

  1. Exportação sob forma de grão
  2. Industrialização como café solúvel (exportado em sua maioria)
  3. Industrialização como café torrado e moído em ligas ou misturas com café arábica para consumo interno. O principal uso do café conillon é na indústria de solúvel (80% da matéria prima das industrias de solúvel no Brasil).
Botânica/Descrição das Plantas
O café conillon é uma "variedade" ou cultivar da espécie Coffea canephora Pierre, Dicotyledonae, Rubiaceae; na roça, o conillon é vulgarmente chamado Canelão. Essa cultivar por seu elevado vigor e porte da planta - sua robustez - é colocada no grupo dos cafés "robusta".

Planta com porte que pode alcançar 5m. de altura; apresenta grande perfilhamento (ramos ladrões) que a torna planta multicaule. As folhas são maiores (cor verde mais clara e nervuras mais salientes) que as do café arábica; nos períodos secos elas pendem para baixo agrupando-se umas sobre as outras dificultando a perda de água. Sistema radicular pivotante (um pião para mudas provenientes de sementes) e 2 a 10 piões (mudas de estacas), fino e bastante volumoso (com 85% das raízes distribuindo-se até 20cm. de profundidade). A floração ocorre de maneira concentrada (uma florada principal + 2 pequenas), ocorre até a última roseta na extremidade do ramo. A fecundação das flores é cruzada sendo importante a boa movimentação dos ventos e insetos na abertura das flores (sem chuvas ou irrigação artificial).

Frutos com tamanho, formato e cor variados de planta para planta. Podem ser grandes, médios ou pequenos, no formato arredondado ou comprido (acanoado), cor variando de vermelho-escuro a rosa-claro quando maduros. Os grãos tem endosperma verde-claro, cobertos com uma película cor marrom, são ricos em cafeína, tem elevado teor de sólidos solúveis; tem formato "moka" (25 a 40%) e os restantes são grãos chatos. Do início da floração até a maturação decorrem 315 dias.

Formação do Cafezal
Neste item estão englobados produção de mudas, necessidades da planta, plantio, condução da lavoura na sua fase inicial (até 2,5 a 3,0 anos de vida) quando as plantas iniciam produção significativa.
Produção de mudas: Para constituir um cafezal comercial as mudas de café devem:
  1. Ter boa capacidade genética (segundo origem do material reprodutivo):
  2. Ter características agronômicas (bom sistema radicular, vigor, tamanho adequado, sanidade, outras), que resultam em lavouras produtivas dotadas de características comerciais, desejáveis. A obtenção de mudas de cafeeiro conillon é feita através do uso de sementes ou de estacas (mudas clonais).
Mudas provenientes de sementes: Plantas fornecedoras de sementes devem ser vigorosas, de maturação precoce, com folhas mais estreitas, com boa carga de frutos de tamanho médio a grande; evitar colher frutos em plantas com incidência elevada da doença ferrugem e plantas com qualquer nível de incidência da doença mancha manteigosa. Os frutos devem ser colhidos em várias plantas selecionadas com idade de 8 anos e devem ser misturados.

Despolpar os frutos, deixar em água por 12 horas (para retirar a pouca mucilagem), lavá-los e colocar para secar. As sementes podem ser secas ao sol no primeiro dia até enxugar a água exterior; em seguida são colocadas à sombra, reviradas todos os dias até que apresentem 15 a 20% de umidade. Manter as sementes em camadas finas, em local arejado e tratá-las com fungicidas (contra bolor) e inseticida (contra a broca). Armazenada em condições normais as sementes perdem poder germinativo após 2 meses; para conservá-las viáveis deve-se tratá-las contra broca (inseticidas à base de endossulfan - Thiodan, outros) e contra bolores (fungicidas à base de mancozeb - Dithane, Manzate a 0,2%) e depois acondicionar em sacos plásticos bem fechados e com pequenos furos. Assim a semente mantém-se viável por 8 a 10 meses.

O semeio deve ser feito diretamente em sacolas de polietileno preto, com dimensões 20 x 11 x 0,05 cheias com mistura (substrato) de 800 litros de terra + 200 litros de esterco de curral + 5kg de superfosfato simples + 1kg de cloreto de potássio + 2kg de calcário dolomítico. Os sacos são dispostos em canteiros de 1,2m. de largura (máximo) em viveiros de meia sombra com laterais protegidas do sol. As sementes são colocadas em água por 1 a 2 dias e semeadas juntas no centro da sacola, a 1cm. de profundidade e cobertas com o substrato. Em regiões quentes deve-se tratar as sementes com o produto, monocerem (Pencicuram - 2a3g./kg de semente) logo antes do semeio. No início da germinação deve-se usar calda aquosa a 0,1% do monocerem aplicando-se 2 a 4 litros de calda/m2 de canteiro. 

A irrigação 1-2 vezes por dia tem que ser mantida, o controle do mato é feito pelo arranquio manual das ervas; para grandes viveiros indica-se o uso de herbicidas em aplicações em pre-emergência (pulverizador costal manual com bico leque) como oxifluorfen (Goal) calda com 0,5l. do produto comercial em 100 litros de água. Essa calda é aplicada logo após o semeio do café e o substrato deve estar úmido.

Quando as plantinhas tiverem o 1º par de folhas verdadeiras efetua-se raleamento, cortando-se a mais fraca embaixo; deve-se proceder a separação das sacolas colocando-se um bambu entre as fileiras. Em caso de surgimento de deficiências nutritivas ou que as mudas não mostrem desenvolvimento conveniente diluir 20g. de fórmula NPK 20-0-10 em 10 litros de água molhando-se 3-4m2 de canteiro. Deficiências de magnésio, zinco, boro são supridas com soluções dos sulfatos desses elementos, juntamente com caldas de inseticidas e fungicidas.

As doenças mais comuns em viveiros são a rizoctoniose e a cercosporiose. Para controlar a rizoctoniose deve-se tratar a semente (pré-plantio), reduzir a irrigação, ralear a sombra e usar o Pencicuram a 0,1% nas reboleiras; para evitar a cercosporiose e também o tombamento das plantinhas usar produtos agroquímicos variados intercalando o uso de fungicidas cúpricos (a 0,3%) com benomyl (Benlate 50 a 0,1%) com mancozeb (Dithane ou Manzate a 0,3%), com aplicações de 15 em 15 dias. No caso de cercosporiose associar ao fungicida um suprimento de adubo contendo nitrogênio e potássio.

Pragas como grilos e formigas (que cortam a muda) ou lagartas e lesmas (que comem folhas) podem ser controladas com carbaryl (Sevin, Carvim), triclorfom (Dipterex) ou Slugit, ou ainda piretróides.
A produção de mudas de sementes leva 4 meses.

Mudas provenientes de estacas (mudas clonais)

As vantagens das mudas de estaca são:
  1. Permitem a reprodução fiel das características das plantas matrizes (fornecedoras de estacas).
  2. Permitem a elevação da produtividade do cafezal e formação de clones uniformes na maturação
  3. Permitem a redução e incidência de doenças e redução da formação de ramos ladrões.
As desvantagens são
  1. Perda por morte (menor volume de raízes finas) no plantio;
  2. Formam lavouras mais sensíveis à estiagens (raízes menos profundas);
  3. Custo de produção mais elevado;
  4. Transmissão de doenças pelo material vegetativo (estaca).
O uso de mudas clonais objetiva a melhoria da lavoura conillon pelo alcance da uniformidade desejável entre as plantas; a muda clonal é obtida pelo enraizamento de ramos ortotropicos (estacas) de plantas matrizes selecionadas. Sugere-se ao produtor a obter mudas clonais de viveiristas credenciados por órgãos oficiais interessados em agricultura.

O sistema mais usado em grandes produtores comerciais consiste na manutenção das mudas em viveiros com meia sombra (com cobertura lateral com sombrite ou palha de coqueiro) tendo micro aspersão (gotas pequenas) como sistema de irrigação programada em espaços curtos para manter umidade elevada. A nível de produtor utiliza-se de viveiro comum, coberto com folha de coqueiro (um pouco mais sombreado no 1º mês), irrigação com mangueira tipo Santeno ou com regador (6 a 8 molhaduras/dia).

A produção de mudas de estaca obedece a:
  1. Escolha de matrizes: de alta produção, bom tamanho dos frutos, sem sinais da doença mancha manteigosa, com folhas mais estreitas, que se apresentem mais verdes no período seco. Escolhe-se e marca-se a planta na pré-colheita e verifica-se tudo por 2 safras seguidas. Escolhe-se de 15 a 20 plantas matrizes.
  2. Escolha de estacas: seleciona-se ramos ortotrópicos ou ramos ladrões, que crescem na vertical saindo do caule e das hastes principais. Cada planta pode fornecer 300 estacas/ano.
  3. Coleta e preparo das estacas: os ramos são colhidos (com tesoura de poda) de plantas-matrizes ou de jardins clonais e colocados em baldes ou tambores com água; elimina-se ramos laterais, corta-se parcialmente a folha para 1/3 do limbo foliar e divide-se o ramo produzindo estacas de 5-6cm.
  4. Tratamento de estacaEnviveiramento: a estaca é mergulhada em calda fungicida (Benlate 50 a 0,1% ou Rovral a 0,3%) e água sanitária por 2 minutos. O enviveiramento é feito em canteiros de área ou tubetes até enraizarem e brotarem (70-90 dias); então são transplantados para sacolas (de 13 x 22 x 0,05) de polietileno.
A produção de mudas de estacas leva 3 meses quando as mudas estarão aptas ao plantio.

Necessidades da Planta
Condições de clima: Originário de regiões baixas, quentes e úmidas da bacia do rio Congo (África) o Coffea canephora está adaptado à condições de temperatura elevada. Faixa de temperatura entre 22ºC e 26ºC ao longo do ano é adequada para o conillon vegetar e produzir bem.

As áreas aptas do plantio do cafeeiro devem ter uma precipitação pluviometrica entre 1.000 e 2.000mm/ano; regiões com déficit hídrico superior a 200mm/ano devem receber irrigações artificiais. Altitude máxima de 500m. para os plantios.

Solos: As seguintes características de solo são importantes:
  1. Evitar solos rasos – com menos de 1,5m. de profundidade, os mal drenados e aqueles com adensamento logo abaixo da superfície.
  2. O solo deve ter capacidade de armazenar água e reter nutrientes em estado de disponibilidade determinados por textura e estrutura adequadas do solo. Evitar solos excessivamente argilosos ou extremamente arenosos.
  3. Terras com mediana e alta fertilidade; terras com baixa fertilidade recebem calagem, adubações que podem torna-las produtivas.
Plantio
Escolha da área: Na escolha da área verificar condições do solo, exposição das áreas ao sol (menos iluminadas pelo sol da tarde), menos batidas por ventos dominantes. Colher amostras de solo para análise e recomendações do laboratório.

Preparo do terreno/cova: Em áreas planas a ligeiramente onduladas efetua-se uma aração profunda complementada por gradagem; em áreas inclinadas ou para pequenos plantios o preparo manual com roçadas e/ou capina. Se indicado o calcário dolomitico será aplicado metade da dose antes da aração e o resto antes da gradagem.

Em áreas mecanizáveis abre-se sulcos (com sulcador) a 50cm de profundidade – onde se coloca calcário, adubo fosfatado e esterco- . Com sub-solador de 3 hastes (tracionado a trator) efetua-se sub-solagem, alargamento do sulco, mistura do adubo à terra e fechamento do sulco.

Em áreas de trabalho manual o operário abre covas individuais com dimensões 40cm x 40cm x 40cm com enxada, distribui o adubo na parte de terra tirada do terreno e enche a cova com a mistura.

Para adubação básica indica-se – por metro linear de sulco ou por cova – 200-400g de calcário, 150-400g de superfosfato simples e 30-50g de cloreto de potássio, 5 a 10 litros de esterco de curral bem curtido. Em terrenos fracos aplicar 5-10g de sulfato de zinco, 5 a 10g de bórax, 5 a 10g de sulfato de cobre e 20-30g de sulfato de manganês, por cova.

As recomendações para espaçamento são
Plantio adensado: 2m a 2,5m x 1m (1 planta por cova); plantio largo: 3,5 - 4,5m x 0,5-1,0m (1 planta por cova).

Deve-se plantar no início do período chuvoso e quente, com mudas com idade de 4 a 6 meses ou com 4 a 6 pares de folhas e usar sombra como proteção para a muda.

O plantio é feito em covetas abertas sobre o sulco preparado ou no meio das covas a 15-20cm de profundidade; o solo em volta da muda deve ser protegido com cobertura morta de 3cm de altura. Com 2 pedaços de folha de palmeira faz-se a cobertura superior da muda.

Condução das hastes: Indica-se a condução de 3 a 8 hastes paralelas (novos troncos). Nos espaçamentos mais adensados deixar 3 a 4 hastes/planta; nos espaçamentos mais abertos deixar 4 a 8/hastes por planta.

Tratos Culturais
Controle de ervas daninhas
: Entre novembro e março deve-se proceder ao controle de ervas (época da sua maior atividade); é critica a fase de granação máxima dos frutos (dezembro a fevereiro) quanto a concorrência das ervas. Três a quatro capinas manuais ou 1 a 2 aplicações de herbicidas em pós-emergência resultam em controle do mato.

O herbicida á aplicado com pulverizador costal manual dotado de bico leque 110.01 (150 a 200 litros de calda por hectare) ou bico leque 110.02 (aplica-se 400 a 500 litros de calda/hectare). Para áreas com mecanização utiliza-se do aplicador tratorizado PH (com protetores). Indica-se herbicidas à base de glifosato, sulphosate 2,4 D ou suas misturas.

Podas: Por ter intensa formação de hastes e por ser conduzido sem desbrotas na formação o conillon deve ser podado. As podas são chamadas recepa, desbate lateral e poda de produção.

Recepa: tipo baixa é o corte do tronco do cafeeiro a 30-40cm de altura e indicada para renovar completamente a planta. A nova brotação deixa 4 a 8 hastes por planta (1º ano).

Desbate lateral: poda ramos vergados para o meio da rua. É feita anualmente e útil no inicio do "fechamento"; após a 3ª safra e a 1,5m de altura (com facão ou foice).

Podas de produção: em áreas pequenas ou onde houver disponibilidade de mão-de-obra, a partir da 3ª ou 4ª safra e após colheita, elimina-se hastes que produziram muito e que se encontram esgotadas. A operação é executada com facão ou serra de poda.

Adubações
Na formação do cafezal
No pós plantio: por 2 a 3 vezes, aplicar 2 a 3g de N e K2O, por vez/planta.

No 1º ano de campo: entre outubro e fevereiro aplicar por 3 vezes, 5 a 10g de N e K2O/vez/planta.

No 2º ano de campo: entre outubro e fevereiro aplicar por 3 vezes 10-20g de N e K2O/vez/planta.

Obs.: para cobrir deficiências de nutrientes: Entre outubro e novembro e entre janeiro e fevereiro efetuar 2 pulverizações foliares com sulfato de zinco (0,6%), acido bórico (0,5%), sulfato de manganês (0,5%), oxicloreto de cobre (0,3%).

Na lavoura adulta – (adubação de produção): esta adubação é feita seguindo o padrão de produtividade na lavoura – sacas de café por hectare.

Quadro 1 ; Adubação de produção
Padrão
(Sacas/ha)
Doses de Nutrientes Kg/hectare
N P2O5 K2O
10 – 20
80 – 120
15 – 30
80 – 120
20 – 40
150 – 250
30 – 50
150 – 250
40 – 70
250 – 450
60 – 80
250 - 450

N = nitrogênio; P2O5 = Fósforo = K2O = potássio

A aplicação da adubação inicia-se em outubro indo até fevereiro com o total fracionado em 3 vezes; em terrenos arenosos fracionar mais vezes.

Calagem na lavoura adulta
Amostras de solo devem ser tiradas à profundidades de 0 a 20cm e 20 a 40cm, a cada dois anos para verificação da necessidade de correção do solo. Se necessário utilizar-se do calcário dolomitico a ser aplicado a lanço na faixa próxima à linha do cafeeiro em lavouras abertas e em área total em lavouras mais fechadas e plantios adensados.

Pragas
As pragas mais sérias do café conillon são a broca-do-café, as cochonilhas e o ácaro vermelho; entre as doenças destaca-se a mancha manteigosa.

Broca do café: Hypothenemus hampei (Ferrari, 1867) Coleoptera, Scolytidae.

O adulto é um pequeno besouro de coloração castanho-escuro com 1,12 a 1,75mm de comprimento; o inseto penetra no fruto pela sua "coroa", abre galeria até o interior da semente onde põe ovos que liberam lagartinhas. Há destruição parcial ou total das sementes, que perdem valor comercial. Na entressafra a broca permanece em grãos remanescentes no cafeeiro e grãos existentes no solo.

É o principal problema fitossanitário do conillon; a praga ocorre no início do crescimento do fruto (dezembro a janeiro) e vai até a colheita. O ataque aumenta, substancialmente a partir do início da maturação dos frutos. Os prejuízos começam pela derrubada de frutos novos (60%), redução do peso do grão e presença de grãos imperfeitos (perfurados e quebrados); ataques severos reduzem o peso da saca de café beneficiado de 27Kg para 20 Kg.

Controle: Colheita bem feita na safra anterior (com repasse 15 a 20 dias após), iniciar colheita mais cedo possível e em plantas com maturação precoce, são ações culturais.

Iniciar o controle químico com baixa infestação (janeiro - fevereiro) efetuando amostragem dos frutos; quando porcentagem de ataque for de 3 a 5% de frutos atacados iniciar aplicação de agroquímicos. Iniciado cedo o controle é feito através de 2 pulverizações com intervalo de 30 a 60 dias.

Agroquímicos à base de endossulfan (Thiodan, Endossulfol, ...), formulação CE 35% (concentrado emulsionavel com 35% de princípio ativo) com dosagem de 1,5,a,2,0 litros por hectare tem sido eficiente. A aplicação tem que ser feita com bom volume de calda (300-400l.) procurando atingir a parte mais interna da planta, onde estão os frutos.

Ácaro vermelho: Oligonychus ilicis (McGregor, 1919) - Acari, Tetranychidae.

O aracnídeo é visível a olho nu, tem 0,38mm de comprimento, fêmea bem avermelhada, ciclo evolutivo 11 a 17 dias. Vive nas páginas superiores da folha do cafeeiro, raspando-as; atacadas, as folhas perdem o brilho e tornam-se bronzeadas. Em decorrência há redução da área foliar destinada à fotossíntese, há deformações e queda de folhas.

A ocorrência do ácaro dá-se nos meses de estiagem (inverno) ou durante veranicos; chuvas e irrigações reduzem, grandemente, a população do ácaro vermelho.

Controle: Aplicar acaricidas sómente em condições de ataque grave ou de estiagem. Enxofre molhável ( Kumulus, Thiovit, Microzol )

(3-6Kg por ha), Ethion (Ethion 500 CE - 0,8 l./ha) Triazophos (Hostathion 400 - 0,6l/ha), Fentiom (Lebaycid 500 - 1,0l/ha) são alguns agroquímicos indicados para controle do ácaro vermelho. Importante que um bom volume de calda seja aplicado sobre as folhas, e uma a duas aplicações, com intervalo de 15 dias podem controlar a praga. Áreas mais insolaradas, mais secas e próximas à estradas devem ser mais visadas pelo controle.

OBS.: eventualmente pode ocorrer o ataque do ácaro da leprose do citrus no conillon que pode se tornar problema futuro.

Cochonilhas
  1. Verde - Coccus viridis (Green, 1889) Homoptera, Coccidae
  2. Branca ou dos frutos - Planoccocus citri (Risso, 1813) Homoptera, Pseudococcidae
  3. De placa - Orthezia praelonga, Homoptera, Ortheziidae.
  4. Da raiz - Dismycoccus cryptus (Hempel, 1918)
Verde: Inseto de coloração verde clara, habita plantas novas e isoladas, atacando ramos e folhas novas (nervura principal) sugando a seiva.

Branca: inseto branco pulverulento, jovens rosados, ataca ramos novos, folhas, botões e rosetas de frutos (base do fruto) sugando seiva.

De placa: fêmea é branca, comprida, vive na página interior da folha e base dos ramos. Causa desequilíbrio sério em estiagens, prolongadas. O seu ataque severo, sugando a seiva, pode matar o cafeeiro .

Da raiz: fêmeas são ovais com 17 apêndices laterais pulverulentos de cada lado do corpo; tem coloração rosada ou cinza esverdeada envolvidas por cerosidade branca. Vivem nas raízes do cafeeiro sugando a seiva.

Controle: O controle natural das cochonilhas é exercido pela ação das joaninhas, do bicho-lixeiro e de fungos. O controle químico indicado:

Cochonilhas verde: tratar focos com produtos à base de malation (Malatol 50 E), de parathion metilico (Folidol 600), dimetoato (Perfekthion 40) em caldas a 0,2 a 0,5% misturados a óleo mineral a 1,0 - 1,5%.

Cochonilhas branca: produtos de uso via tronco como imidacloprid (Confidor 70) e fumigantes como diclorvos (DDVP), paratiom metilico (Folidol 600) podem ser eficazes.

De placas: deve-se usar o acefato (Orthene), diazinom (Diazinom) e fenpropathrin (Meothrin) como controladores da cochonilha.

Doenças
- Mancha manteigosa: agente causador fungo Colletotrichum coffeanum
A doença ocorre com intensidade no café conillon e que atinge somente as plantas suscetíveis que existam no meio da lavoura. Nas folhas novas aparecem manchas circulares de cor verde clara, com aspecto oleoso, menos brilhantes que a superfície da folha e com 2 a 10mm de diâmetro. Em estágio avançado ,necrose apresenta-se no centro das manchas que coalescem (juntam-se) e a folha cai. Em ramos e frutos surgem lesões menores, deprimidas e necróticas de cor marrom-clara e bordas irregulares. Folhas e ramos novos são objeto de ataques mais intensos. Folhas caem, ramos secam progressivamente e dá-se a morte da planta.

Com o passar do tempo, em lavouras adultas (com mais de 4 anos) as plantas muito suscetíveis já estão mortas.
Controle: Não se indica controle químico mais sim as seguintes ações culturais:
  1. Separar, no viveiro, mudas de sementes que mostrem sintomas da doença;
  2. Colher sementes de plantas de lavouras acima de 6 anos;
  3. Para mudas de estacas tomar ramos de plantas não afetadas pela mancha manteigosa.
Outras doenças
Ferrugem: a planta mostra certa resistência à doença que tem ação limitada por fatores climáticos nas regiões de plantio. Pulverizações com fungicidas protetores (cupricos), feitas de janeiro a agosto (4 aplicações) são bem vindas; juntar acaricida, à base de enxofre, à calda cúprica.

Equipamentos aplicadores
Geralmente nas pequenas lavouras utiliza-se de pulverizadores costais manuais dotados de bico leque (para aplicações de herbicidas ao solo) ou bico cone (para aplicações à copa da planta) para deposição da calda em folhas, ramos e penetração na copa da planta. De ordinário o pulverizador tem deposito de 20 litros para calda e deve ser calibrado pelo operário que vai pulverizar.

Cultivo Intercalar / Associação de Culturas
Feijão, milho, arroz, outras, são lavouras indicadas para consórcios na formação do cafezal notadamente naqueles em que se usa irrigação; outra opção é a fruteira de ciclo curto - mamoeiro, maracujazeiro, bananeira - que é plantada um pouco antes ou juntamente com o cafeeiro.
A associação de culturas de forma permanente ou semi-permanente - frutíferas florestais - é alternativa válida para reduzir riscos econômicos e melhorar o ambiente para as culturas.

Irrigação
Deve-se levar em conta:
  1. Como irrigar (sistemas);
  2. Quando irrigar (épocas);
  3. Como operar a irrigação;
  4. Quanto custa irrigar?
  1. Sistemas de irrigação: do tipo localizado; (gotejamento convencional ou adaptado) ou tipo em área total; (aspersão autopropelidos, pivôs).
  2. Época: entre o abotoamento e a granação dos frutos (principalmente até a floração)
  3. Definição do volume de água a aplicar e o emprego correto dos equipamentos (operar a irrigação).
Colheita/Rendimentos/Preparo do Café
Colheita - Deve ser feita na época em que os frutos - sua maioria - encontram-se no estado de cereja (maduros), com pequena parcela de frutos verdes ou secos. Normalmente a partir de abril / maio - conforme ano e situação da lavoura - inicia-se a colheita que pode estender-se por 2-3 meses.

A colheita é praticada através da derriça no pano (plantas mais altas e abertas) ou em peneira (cafeeiro jovem). Em seguida à derriça faz-se a abanação do material colhido (eliminação de folhas, ramos, resíduos finos) e a medição do material colhido é feita em sacas de 80 litros (4 latas).

Rendimentos - 350 litros (210 Kg) de frutos colhidos dão 60Kg (1 saca) de grãos beneficiados. Cada litro de café maduro contém 850-870 frutos. No café coco (seco) cada 40Kg rende 25 a 28Kg de grãos (60-68%). Cada litro de café coco pesa 540 gramas.

De lavouras boas, racionalmente conduzidas, deve-se esperar rendimentos acima de 40 sacas/ha de café beneficiado; em lavouras com uso de práticas rotineiras deve-se buscar 20 sacas/hectare.

Preparo do café - Vindos da colheita os frutos são colocados a secar (sem tirar a casca) em terreiros ou em secadores. A lavagem, separação é indicada para colheitas atrasadas (com muitos frutos secos) e com frutos brocados (que flutuam).

O despolpamento (via úmida) é usado para frutos destinados à produção de sementes. Quando a umidade dos grãos estiver em 13% a seca dos grãos estará completada. A operação dá-se nos meses de maio a agosto.
Seco o café deve ser depositado à granel em tulhas ou deve ser ensacado e armazenado em paiois (com isolamento do chão). O café seco deve ficar em "coco" até o seu beneficiamento.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
MATIELLO J.B. - Café ConIllon
MAA/SOR/PROCAFÉ/PNFC
Rio de Janeiro - RJ 1998


www.klimanaturali.org