Segundo Reinado no Brasil (1840-1889)

Segundo Reinado no Brasil (1840-1889)

Segundo Reinado no Brasil (1840-1889)D. Pedro II tomou posse em 23 de julho de 1840 com apenas quinze anos de idade. A administração do Segundo Reinado assemelhou-se ao Primeiro, trazendo de volta o Poder Moderador e o Conselho de Estado.

O primeiro Ministério nomeado por D. Pedro II foi dominado pelo Partido Liberal, uma vez que fora este o responsável pela maioridade antecipada do imperador. Devido a grandes escândalos, tal ministério foi logo substituído por outro dominado pelo Partido Conservador que conseguiu a dissolução da Câmara dos Deputados, em sua maioria liberal. De fato, estes partidos acabaram por se revezar no poder.

Predominou no Segundo Reinado o regime parlamentarista, baseado no modelo britânico, porém, no caso brasileiro, o imperador não era obrigado a submeter a escolha dos ministros à Assembleia.

O café manteve-se como grande atividade comercial de exportação brasileira, atraindo capitais ingleses responsáveis pela construção de ferrovias e indústrias, aparelhamento dos portos e equilíbrio das finanças.

Dois grandes acontecimentos marcaram o Segundo Reinado: A Guerra do Paraguai (1864-1870), que garantiu terras ao Brasil após o quase extermínio do povo paraguaio, e a Abolição da Escravatura (1888), que canalizou o dinheiro envolvido no tráfico negreiro para outras atividades, abrindo as portas para os imigrantes assalariados europeus.

O aparecimento de uma classe média com o avanço industrial e a chegada dos imigrantes foi fundamental para as lutas por um novo regime político. Na fase final do Império, a ideia de um governo republicano passou a ser defendida sistematicamente, sobretudo com a criação do Partido Republicano, em 1870.

O contato com as repúblicas do Prata, os constantes conflitos do Governo com a Igreja e os Militares, o fim da escravidão e a expansão cafeeira foram essenciais para o fortalecimento do Partido Republicano, o qual organizou uma conspiração para proclamar a República, que se deu de forma antecipada e sob o comando do Marechal Deodoro da Fonseca no dia 15 de novembro de 1889.

Questão Militar no Brasil Durante o Segundo ReinadoQuestão Militar no Brasil Durante o Segundo ReinadoSucessão de conflitos entre o governo imperial e a oficialidade militar no final do Segundo Reinado. Esses embates criam uma séria crise política, o que leva o Exército a se afastar da monarquia, fortalecendo a campanha republicana. O primeiro conflito acontece em 1883, quando o governo anuncia a reforma do Montepio Militar (espécie de fundo de pensão e aposentadoria do Exército) com a elevação das contribuições dos militares. Oficiais professores e alunos da Escola Militar do Rio de Janeiro, liderados pelo tenente-coronel Sena Madureira, reagem ao projeto e criticam publicamente o ministério. O governo abandona a proposta, mas proíbe os oficiais de se manifestarem pela imprensa sobre questões internas do Exército. Em 1884 ocorre outro choque, também envolvendo Sena Madureira. Depois de receber festivamente na Escola de Tiro do Campo Grande o jangadeiro e líder abolicionista cearense Francisco do Nascimento, em visita ao Rio, o coronel perde o comando da instituição e é transferido para Rio Pardo, no interior do Rio Grande do Sul. No ano seguinte, dá-se o terceiro conflito: em uma inspeção de rotina em unidades do Piauí, o coronel Cunha Matos apura desvio de material militar e acusa um comandante local de envolvimento nesse ato de corrupção. Censurado na tribuna da Câmara dos Deputados por políticos amigos do comandante denunciado, Cunha Matos reage publicamente, com o apoio de importantes oficiais do Exército, mas é preso e processado por indisciplina. Os casos Sena Madureira e Cunha Matos são a gota d''água nas tensões entre o Exército e o império, que crescem desde o final da Guerra do Paraguai. Apesar de sair vitorioso e fortalecido da guerra, o Exército não encontra espaço político no governo. Sem autonomia nem reconhecimento, é uma instituição quase marginalizada dentro da monarquia. Soldados e oficiais, menosprezados, chamam os políticos, os "casacas", de corruptos e antipatriotas. Sob a influência crescente do positivismo, a oficialidade começa a aderir ao abolicionismo e ao republicanismo. Em 1887, o Clube Militar é fundado para ser a entidade de representação política do Exército. Presidida inicialmente pelo marechal Deodoro da Fonseca, a entidade consegue do governo imperial a exclusão dos militares do trabalho de perseguição e captura dos negros fugidos. Mas o gesto é pouco eficaz. A maioria dos oficiais já está do lado da República.

Questão Religiosa no Brasil Durante o Segundo Reinado
Questão Religiosa no Brasil Durante o Segundo ReinadoConflito que opõe a Igreja Católica e o governo brasileiro entre 1870 e 1875. É causado pelo choque entre a hierarquia católica e a maçonaria, muito influente no Império. Esta sociedade secreta, ligada a ideias e movimentos políticos liberais da Inglaterra e da França, chega ao Brasil no final do século XVIII. Durante o processo da independência e no decorrer do Império aumenta seu prestígio social e sua presença na estrutura de poder. As maiores figuras do regime, com raras exceções, pertencem aos seus quadros. No dia-a-dia do governo e nas decisões administrativas – como nomeação de funcionários ou destinação de recursos orçamentários –, a maçonaria é um canal de influência e de mediação, paralelo e por vezes superior aos partidos políticos. Essa atuação da maçonaria colide com a atuação da Igreja Católica, também muito influente no período imperial. Em 1871, o Vaticano impõe regras rígidas de doutrina e de culto e condena as sociedades secretas. Os bispos brasileiros, acatando as novas diretrizes, passam a exigir mais disciplina moral e canônica do clero e determinam a expulsão dos maçons das irmandades católicas.

O conflito – Se a maçonaria tem poder político, a Igreja tem autoridade e presença religiosa, fortalecidas pela condição privilegiada do catolicismo como religião oficial do império. O conflito começa em 1872, quando o padre Almeida Martins é suspenso de suas funções no Rio de Janeiro por causa de um discurso em uma loja maçônica. A reação da maçonaria, condenando a decisão, espalha-se pelo país. Mas, logo em seguida, os bispos de Olinda e de Belém do Pará, dom Vital e dom Macedo Costa, tomam atitudes semelhantes, mandando fechar as irmandades que ainda aceitavam membros maçons. Os dois bispos são então convocados ao Rio de Janeiro, processados pela justiça e condenados a quatro anos de prisão. Depois da suspensão das punições eclesiásticas aplicadas aos maçons, a pena dos bispos é reduzida e eles são anistiados. Esse conflito abala as relações entre o império e a Igreja, e contribui para enfraquecer ainda mais a monarquia. A partir da proclamação da República, em 1889, passa a vigorar a separação entre Igreja e Estado, que deixa de ter uma religião oficial.

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